entrevista de Fabio Machado
Falar em rock progressivo costumava ser um tabu no jornalismo musical, em especial durante os anos 1980 (com a atenção dos críticos e do público voltados a estilos como punk e new wave) e 1990 (quando a bola da vez era o alternativo e o grunge). Afinal, os elementos centrais do prog estavam no extremo oposto da simplicidade dos três acordes do punk ou da visceralidade do grunge: músicas com arranjos ambiciosos que podiam ultrapassar 20 minutos de duração, unidas a temáticas mais complexas e filosóficas do que era observado no rock.
Mas a partir dos anos 2000 – seja por revisionismo ou descoberta de uma nova geração com ouvidos mais dispostos – a música progressiva começou a mostrar sinais de revitalização. Da influência presente em artistas diversos como The Mars Volta, King Gizzard e The Lizard Wizzard e Geordie Greep a turnês e relançamentos que mantém a relevância de nomes que estabeleceram o prog como conhecemos. Entre eles, está Steve Hackett, guitarrista inglês que integrou o período mais celebrado do Genesis, ainda com Peter Gabriel na voz e Phil Collins na bateria, quando criaram álbuns como “Foxtrot”, “Selling England By the Pound” e “The Lamb Lies Down on Broadway”, hoje considerados clássicos do estilo.
A discografia do Genesis não só fundamentou o futuro de Gabriel e Collins como compositores pop na década de 80: ainda em 1977, Steve Hackett lançava “The Voyage of the Acolyte”, seu primeiro disco solo, onde explorava as sonoridades progressivas de sua guitarra em um trabalho conceitual baseado nos arquétipos do tarô (com influência de sua esposa na época, a brasileira Kim Poor, que também assina a capa do álbum). Na sequência, Hackett encerrou sua passagem pelo Genesis e lançou “Please Don’t Touch” (1978), com um instrumental que evocava tanto paisagens pastorais quanto classic rock e participações de nomes como Richie Havens, cantor norte-americano de voz e presença únicas, já falecido, que ganhou notoriedade se apresentando no mítico festival Woodstock.
Ao olharmos a discografia de Steve Hackett em 2026, o que se vê é uma carreira prolífica que vai além do virtuosismo sem limite de velocidade típico de guitarristas: ao longo da carreira, há experimentações variadas, com direito a uma passagem pelo Brasil para pesquisar percussões e sonoridades que formariam o álbum “Till We Have Faces”, de 1984. Ainda na década de 1980, também houve tempo para fazer um solo de guitarra no hit “Vôo de Coração”, faixa-título do disco lançado pelo conterrâneo e parceiro musical Ritchie (sim, o mesmo de “Menina Veneno”).
Mas a relação com o Brasil vem de longa data – ainda nos anos 1970, Hackett notou que as rádios brasileiras tocavam músicas do Genesis, um feito que os britânicos não haviam conseguido em sua terra natal. Ao perceber a abertura do país para a música progressiva, convenceu os colegas a fazer uma turnê no Brasil – em uma época onde shows desse tipo eram muito mais escassos, diga-se.
A conexão com a América do Sul se expandiu ainda mais com outra parceria, agora com o tributo argentino Genetics, especializado em recriar as canções que Hackett criou no Genesis. E em 2026, o Brasil recebe mais uma vez Hackett e os Genetics nos dias 21/03 (Rio de Janeiro, no Vivo Rio) e 22/03 (São Paulo, no Espaço Unimed) – infos da tour aqui – para celebrar as canções de um tempo diferente, onde, nas palavras de Mr. Hackett, “você podia entrar dentro de uma narrativa da mesma forma que você fazia quando era criança”. Em conversa via chamada de vídeo com Scream & Yell, o guitarrista fala não só sobre a turnê, aproveitando para compartilhar muitas histórias do Genesis e da carreira solo, com direito a uma possível nova versão de “Vôo de Coração” com Ritchie. Ele também aproveita para explicar porque, em sua visão, o prog se tornou uma espécie de música clássica. Confira a entrevista na íntegra a seguir.
Primeiro de tudo, claro, quero falar sobre seus próximos shows aqui no Brasil. Se não me engano, sua última visita aqui foi em 2023.
Sim, acho que você está correto.
O senhor fez uma turnê dedicada ao “Seconds Out” (disco ao vivo do Genesis lançado em 1977) junto com o tributo argentino Genetics nessa última passagem pelo país, certo?
Bem, não, eu toquei com a minha banda daquela vez, acho que foi isso. Mas eu também fiz uma turnê com os Genetics (vídeo acima). Então, eu estava com o meu conjunto solo e com os Genetics, que são da Argentina. Mas nós fizemos quatro países sul-americanos naquela época. Passamos pelo Brasil, Argentina, Peru e Chile. E dessa vez, estou voltando novamente com os Genetics. [Nota do redator: o Setlist.fm aponta duas datas em Niterói (RJ) e São Paulo relacionadas à turnê brasileira de Hackett naquele ano, ambas listadas como “Steve Hackett With Genetics”. Como o site depende de colaboradores para manter as estatísticas atualizadas, é possível que as datas mencionadas pelo guitarrista não tenham sido incluídas].
Nós vamos passar por todos esses lugares, além do México. E também vou para os Estados Unidos. Vou para a Flórida neste domingo porque estarei fazendo alguns shows por lá com um novo line-up que tenho aqui. E também tocaremos no “Cruise of The Edge”, que conta com outros amigos de bandas como King Crimson, Marillion e muitas outras. Então, essa é uma instituição interessante. Já tem acontecido por alguns anos, e eu participei algumas vezes. Mas estou animado para ir ao Brasil, claro, e para São Paulo, que é uma grande cidade.
E dessa vez, o que haverá de diferente em comparação às turnês anteriores que passaram por aqui? Haverá um foco em um disco específico ou o repertório também vai abranger outros trabalhos da sua carreira?
Bom, eu vou fazer algumas coisas solo, mas a maioria das músicas serão do Genesis. Estou tentando não fazer só um disco, mas sim celebrar o melhor do Genesis clássico de uma certa era, de quando era um tempo diferente. Um tempo antes da MTV e de todas aquelas coisas dos anos 1980.
Foi um período em que os discos, em particular, eram considerados mais aceitáveis e inspiradores para os ouvintes que os singles. Os singles eram algo que rolou na década de 60, de certa forma; foi uma grande época para fazer isso. Mas ao chegarmos nos anos 1970, o mais importante era fazer o maior show que você pudesse e tocar material dos álbuns, porque haviam grupos como Pink Floyd, Yes e outros onde a música progressiva que estávamos fazendo contava uma espécie de história.
Portanto, a história estava no centro disso tudo; a ideia de que você podia entrar dentro de uma narrativa da mesma forma que você fazia quando era criança e lia um livro ilustrado que talvez tivesse um conto de fadas, e aquele sentimento de drama, perigo, e tudo mais. (Agora) a música podia transmitir isso tudo. Recentemente eu estava falando com um dos caras do Tangerine Dream, e as pessoas costumavam ficar totalmente imersas na música.
Havia essa sensação de imersão total na música. Em uma era antes das lojas de discos desaparecerem e do Spotify ter tomado conta, e então a IA se tornou o novo brinquedo de todo mundo. Mas eu penso que ser você mesmo é terrivelmente importante. O que eu posso trazer para as pessoas que elas não irão conseguir em outro lugar? Então, estou voltando com aquilo que o público mais me associa, que é o Genesis. Sabe como é, qual é a coisa mais famosa que os Beatles fizeram? “Sgt. Peppers”? Qual a coisa mais famosa que Julie Andrews fez? “The Sound of Music”? (película de 1965, mais conhecida no Brasil como “A Noviça Rebelde, dirigida por Robert Wise).
Estou retornando às minhas raízes para dizer que era isso que te fisgava quando você era mais jovem: a música dos anos 1970. Mas claro, nós já superamos isso. Já passamos do milênio. Isso foi há 50 anos. Eu percebi que, com muitos dos meus contemporâneos – King Crimson, Pink Floyd – estão falando sobre os 50 anos do “Larks’ Tongues in Aspic” (disco de 1973 do King Crimson, que foi executado na íntegra por David Cross na tour brasileira de 2024) ou 55 anos do “Dark Side of the Moon” (álbum do Pink Floyd, também lançado em 1973). Então, de certa forma, penso que a música é mágica, mas ao mesmo tempo clássica. Canções icônicas que são muito bem escritas, e é por isso que creio que os Beatles começaram a mostrar interesse no que o Genesis estava fazendo. Havia interesse por parte do John Lennon. E muitos anos depois, encontrei Paul McCartney, um dos compositores mais celebrados do mundo, e eles estavam interessados no Genesis. E isso é algo que eu me sinto muito privilegiado de ter feito parte.
Sim, é uma grande conquista.
Isso diz respeito à qualidade das músicas em si, e é por isso que você tem tantas bandas tributo. Sabe, existe uma quantidade enorme de tributos fazendo coisas do Genesis. Eu já vi bandas de alunos do Ensino Médio fazendo isso. Estudantes de guitarra. 20 guitarristas tocando uma canção que eu fiz com o Genesis em 1973. Uma banda escolar fazendo “Dance on a Volcano” (do álbum “A Trick of the Tail”, de 1976). Cerca de 30 percussionistas, e são todos estudantes, sabe, todos garotos em idade escolar. E eles estão fazendo as músicas mais difíceis que imaginamos, em fórmulas de compasso como 7/8 [nota do redator: para evitar explicações teóricas em excesso, confira alguns exemplos de músicas com o mesmo compasso mencionado por Mr. Hackett]. Portanto, havia um interesse por músicas virtuosas, mas que também fossem acessíveis. As canções precisavam ser boas.
Sim. E o senhor imaginaria, naqueles tempos áureos do Genesis, que haveria nos tempos atuais uma banda sul-americana especializada em canções que vocês fizeram, que é o caso dos Genetics.
É algo extraordinário. E há um número de conjuntos britânicos, e também italianos, que fazem isso. E tem sido maravilhoso para mim, porque quando você começa a vida como um músico profissional, você só espera que ainda tenha um contrato de gravação para o próximo ano, e no ano seguinte. E ninguém sabe por quanto tempo isso vai durar. É um pouco como… eu sempre falo nos Beatles, sabe, quando George Harrison estava sendo entrevistado nos primeiros estágios do sucesso global deles. E eles falavam: “Oh, o que você vai fazer quando toda essa fonte secar?” Havia uma expectativa de que o sonho fosse acabar muito mais cedo. E o George respondia: “Ah, talvez eu abra uma rede de cabeleireiros ou algo assim”. Ninguém pensava que a cultura pop descartável naquela época se tornaria a nova música clássica, e na verdade isso é o que aconteceu.
Então, não importa. Nós não temos mais que falar “Roll over, Beethoven” [nota do redator: referência à canção de mesmo nome de Little Richard lançada em 1956, também famosa em versão dos Beatles]. Porque tem espaço para Beethoven e Tchaikovsky, mas também para Beatles, Genesis, Jethro Tull, Procol Harum e muitos outros.
Além do Brasil, essa turnê também visitará outros países do continente sul-americano. Me parece que a América Latina está se tornando cada vez mais receptiva aos artistas associados à música progressiva, já que além do senhor, outros músicos como Adrian Belew e David Cross estiveram recentemente por aqui. Também parece haver um interesse crescente de um público mais jovem por esse tipo de música. O senhor concorda, Mr. Hackett? Você vê esse interesse por parte da audiência sul-americana?
Sim. Bem, eu comecei a notar isso muito antes pois o Genesis fez uma turnê no Brasil em 1977. E nós passamos por São Paulo, Porto Alegre e Rio de Janeiro. Isso se tornou possível porque eu visitei o Rio no natal de 1974, e percebi que estavam tocando Genesis nas rádios. E na Inglaterra, não tocavam Genesis nas rádios. Então, de certa forma o Brasil adotou o Genesis em grande estilo antes mesmo de termos esse nível de popularidade no Reino Unido. A mídia foi muito lenta em mostrar interesse pelo Genesis.
Mas no Brasil, eu ouvia “I Know What I Like”, do “Selling England by the Pound” (de 1973). E quando eu voltei para o Reino Unido, eu falei para os caras e para o nosso manager: “Estou ouvindo nossas coisas na rádio! Acho que podemos fazer alguma coisa (no Brasil)”. E realmente, isso aconteceu. E foi uma época muito emocionante. Claro, se você pular para os tempos atuais, você tem vários guitarristas que estão usando as técnicas que eu criei com o Genesis naquela época. Eu já estava fazendo as técnicas de tapping, sweep picking e saltos de oitavas, e também usando minhas unhas da mão direita (nailing). São técnicas diferentes entre si, mas todas se tornaram parte do glossário de termos. Então, você vai ouvir isso ter efeito em muitas bandas, especialmente de heavy metal.
Muita gente adotou essas técnicas, seja usando (outros efeitos como) sustain ou coisas desse tipo. Sabe, tinham coisas surgindo em 71 e 73 que me permitiam tocar guitarra muito mais rápido e também imitar o som de um teclado com mais fidelidade. No Genesis, tínhamos um tecladista (Tony Banks) que estava imitando uma guitarra, e eu estava imitando um teclado. E assim, você não conseguia dizer qual era a fonte de cada som. Isso era parte do nosso cartão de visitas e também parte da magia do Genesis, e com tudo isso nós criamos um terceiro instrumento. (pausa) Essas histórias. E tínhamos um vocalista muito teatral naquela época, Peter Gabriel. Ele era um grande showman. E você sabe que naquela mesma época, David Bowie estava crescendo.
E eu penso que muito do que Pete estava fazendo naqueles tempos, sendo um ator de teatro, era muito similar ao que Bowie estava desenvolvendo. Creio que eles desenvolveram isso separadamente. Não sei se eles se encontraram alguma vez, mas tudo que sei é que a apresentação visual era extremamente importante. E eu estava pressionando o Genesis naqueles tempos para adquirir um sistema de iluminação, para que nós também pudéssemos controlar o ambiente e fazer uma apresentação instigante, o que significava que podíamos fazer músicas longas como “Supper’s Ready” (canção com quase 23 minutos do disco “Foxtrot”, de 1973), e assim podíamos levar as pessoas conosco na jornada, eu diria.
Isso me lembra o que você disse mais cedo sobre as canções terem uma narrativa, certo? É a soma de todos esses elementos – o aspecto teatral, o que o senhor fazia imitando sons de teclado. Algo um tanto diferente. A soma dessas coisas é o que gerou o interesse naquela época. E creio que agora há um interesse renovado por isso tudo.
Acho que você tem razão. Eu notei algo com coisas que estão na TV atualmente, como Netflix. As coisas mais bem-sucedidas acontecem quando você tem uma história muito boa e faz ela funcionar de alguma forma. Acho que a fórmula do Genesis – e algumas vezes o jeito como eu escrevia letras -, se você tem uma história, então você tem a possibilidade de uma terceira pessoa além de você mesmo (estar na história); algo está acontecendo e você pode contar essa história. Acredito que com a maior parte do rock, que é muito direto, é sempre algo em torno de estar alguém lá e o vocalista está cantando, falando sobre sua própria proeza e sexualidade, e a história apresentada ali é algo como: “É isso aí, aqui está o deus do sexo no palco bem ali”.
Já esse tipo de coisa, que é centrada na mitologia e outras histórias, você poderia estar falando sobre um deus grego. Há milhares de anos, haviam referências greco-romanas, e a música se permitia se tornar romântica e pegar influência de vários gêneros diferentes, do barroco, clássico, blues, jazz, da música folk, regional, world music. Por isso, minha abordagem atual é pan-gênero, com diversos gêneros.
Quando eu estava trabalhando no Brasil por volta de 1982, 83, estava gravando um disco aí e tentando absorver as influências dos percussionistas, o jeito como eles viam a música, e percebi que eu não entendia realmente muita coisa de ritmo e precisava aprender mais. Para mim, fazer esse disco, chamado “Till We Have Faces”, foi uma imersão total na percussão. Enquanto estive por aí, eu podia muito bem aprender todas essas coisas. Foi uma virada de chave para mim a forma como o povo se conectava com a música naquele período. Sabe, o resto do mundo logo ficaria encantado com o que o Brasil tinha a oferecer. Paul Simon faria logo depois “Rhythm of the Saints” (lançado em 1990) com o Olodum e todo o resto.
Isso foi algo interessante. Não trabalhei só com percussionistas, mas também com meu amigo Ritchie, e fizemos uma música num escritório pequeno. Era uma sala pequena, um gravador de fita, e fizemos uma canção chamada “Vôo de Coração” – que se tornou um grande hit para ele, e fiquei muito satisfeito com isso.
Sim, ela fez um grande sucesso no Brasil quando foi lançada.
Pois é, isso mesmo. E ele me chamou dizendo que gostaria de regravá-la e se eu tocaria ela novamente. Estive trabalhando nisso nos últimos dias aqui em casa, e vou enviar para ele. Espero que ele goste, porque mais uma vez, penso que é uma linda canção. Ele também fez umas partes muito bonitas de guitarra.
Ao longo da sua carreira, o senhor teve a oportunidade de trabalhar com diferentes músicos e artistas, certo? Um deles, que eu gostaria de saber um pouco mais, é Richie Havens. Ele trabalhou com o senhor em “Please Don’t Touch” (1978). Como vocês se conheceram e como foram as sessões de gravação? Me parece que esse foi um momento bem especial.
Bom, você sabe, eu era um grande fã do Richie Havens, e era algo tão impressionante ver ele abrindo o show. Eu consegui conhecer ele pra valer quando ele estava em Londres. Estávamos fazendo um show com o Genesis e precisávamos de mais alguém para a abertura, ele concordou em aparecer, e eu consegui conhecê-lo melhor pela primeira vez no backstage através de seu tecladista, Dave LeBolt, e eu os convidei para jantar em casa.
Então, foi bem interessante. Minha mãe estava vivendo comigo naquela época numa casa nova, e ela ficou muito impressionada com o fato de que Richie Havens a ajudou a lavar a louça depois da refeição, porque ele era um cara muito simples com uma voz e presença fantástica. Tinha alguma coisa sobre-humana em Richie Havens. Ele era uma figura bem expansiva, com uma voz muito ressonante. Ele tinha uma banda, mas eu sempre senti que Richie era um cara auto-suficiente, sabe, com o poder de se apresentar apenas com um violão sozinho. Então, nós gravamos algumas músicas juntos.
Ele foi o primeiro a sugerir que trabalhássemos juntos, eu fiz uma música com ele e aí ele falou: “Ei, você tem outras?” Eu disse: “Bom, tenho essa aqui. Não sei se você vai gostar”. Ela era meio Beatles, e eu sabia que ele gostava de Beatles porque já havia gravado coisas deles. Então fizemos ela, e aí pouco depois ele fez uma outra composição e me pediu para tocar guitarra. Um ou dois anos depois disso eu estava trabalhando com ele, e sempre tentava assisti-lo quando ele estava em Londres, tocando em Camden no Jazz Café.
Era brilhante poder vê-lo, e você ficava impressionado com o poder da voz dele. Ele tinha essa voz enorme e barulhenta – o tipo de voz que não precisava realmente de amplificação. Não sei se ele tinha treinamento como cantor clássico, mas ele tinha o mesmo poder de alguns cantores clássicos que conseguem projetar a voz em um grande auditório. E ele tinha essa presença incrível, um cara maravilhoso, um verdadeiro pacificador, um verdadeiro embaixador da música, um ótimo amigo.
É muito bom saber disso, vocês dois fizeram uma parceria muito bonita. Eu me pergunto se o senhor tem planos de apresentar as músicas de trabalhos solo como “Please Don’t Touch” or “The Voice of the Acolyte” na íntegra no futuro, como tem sido feito com os discos do Genesis.
Bem, tenho tocado “Icarus Ascending”, fiz ela nos últimos anos com Nad, o cantor da minha banda solo, ele faz uma ótima versão dela. Eu sei que ele gosta muito dessa canção. Faz algum tempo que eu não tenho feito ela ao vivo.
No momento, estou gravando material novo em uma casa nova, com um estúdio novo, e estou muito feliz com o que está rolando. Mas ao mesmo tempo, estou fazendo um tipo de apresentação “Best of”, com uma seleção das melhores coisas que fiz na minha carreira solo e com o Genesis, para selecionar o material que realmente funcionou durante esses anos.
Muito bom ter essa conversa, Mr. Hackett. Obrigado pelo seu tempo. Espero vê-lo em breve no palco!
Absolutamente. Muito obrigado. (Falando em português inesperadamente) “Tudo de bom!”. Tchau!
– Fabio Machado é músico e jornalista (não necessariamente nessa ordem). Baixista na Falsos Conejos, Mevoi, Thrills & the Chase e outros projetos.


