texto de Alexandre Inagaki
Uma temporada emocionante, que pode terminar com um dos maiores plot twists da história da Academia: eis o enredo do Oscar 2026 cujo desenlace será transmitido ao vivo para mais de 200 países mundo afora.
Ao longo da temporada de premiações de 2026, um favorito se destacou muito à frente dos demais: “Uma Batalha Após a Outra”. Ganhou os prêmios principais do BAFTA, Sindicatos dos Produtores, Diretores, Roteiristas e Editores, o Globo de Ouro de Melhor Comédia/Musical, o Critics’ Choice, o Gotham Awards… Uma barbada para qualquer bolão, certo?
Mas aí “Pecadores” venceu a última grande premiação pré-Oscar, o SAG Awards (do sindicato dos atores). E a reação entusiasmada de Viola Davis à vitória de Michael B. Jordan na categoria de melhor ator, superando o até então favorito Timothée Chalamet, junto com seu discurso emocionado, sinalizaram: os tempos, eles estavam mudando.
Jordan não havia vencido nenhuma das principais premiações até então. E “Pecadores”, apenas os prêmios de melhor roteiro original no WGA e de melhor edição de filme de drama nos ACE Eddie Awards. Mas essa onda favorável parece ter vindo no timing certo, no final das votações do Oscar 2026. E, vamos lembrar novamente, trata-se do filme que bateu o recorde histórico de 16 indicações no mesmo ano. E que pode fazer História novamente, de várias maneiras. Afinal de contas…
a) Zinzi Coogler, uma das produtoras de “Pecadores” junto com Ryan Coogler e Sev Ohanian, poderá se tornar a primeira mulher negra a ser premiada com a estatueta de Melhor Filme;
b) Autumn Durald Arkapaw, se conquistar o Oscar de Melhor Fotografia, quebrará um tabu: em 98 edições, nunca uma mulher venceu esta categoria;
c) “Ben-Hur” (1967), “Titanic” (1997) e “Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei” (2003) são os maiores vencedores de estatuetas: cada um conquistou 11 estatuetas cada. “Pecadores” pode quebrar mais este recorde? Difícil, mas quem poderia imaginar que um filme sobre vampiros, que já arrecadou mais de US$ 360 milhões nas bilheterias mundiais, se tornaria este sucesso estrondoso de crítica e público?
Premiação de Oscar bacana é aquela que tem final imprevisível. E, para os brasileiros, teremos emoção redobrada. Ou, melhor dizendo, quintuplicada: afinal, temos “O Agente Secreto” concorrendo a quatro estatuetas e o brasileiro Adolpho Veloso, de “Sonhos de Trem”, em um páreo acirrado com Autumn, de “Pecadores”, e Michael Bauman, de “Uma Batalha Após a Outra”, pelo Oscar de Melhor Fotografia.
A seguir, vou separar minha torcida pessoal e mandar os meus palpites para os vencedores das 24 categorias do Oscar deste ano (incluindo a categoria estreante de Melhor Elenco ou, no que considero ser uma descrição mais precisa, Melhor Direção de Casting). Trata-se de uma pequena tradição pessoal: desde 2012 publico meu bolão online. Meu recorde de acertos foi em 2014, quando acertei 21 de 24 vencedores. No ano passado, não imaginava que “Anora” fosse concentrar tantas vitórias e meu desempenho foi apenas regular: cravei 16 de 23 previsões. Mas não posso reclamar: previ que “Ainda Estou Aqui” e “Flow” ganhassem, respectivamente, as estatuetas de Melhor Filme Internacional e Melhor Longa de Animação e saí feliz da vida.

Meu bolão do Oscar 2026:
– Melhor Filme: Adam Somner, Sara Murphy e Paul Thomas Anderson, por “Uma Batalha Após a Outra” (confesso: minha torcida aqui é para “Pecadores”, já sabendo que é impossível a vitória de “O Agente Secreto”, mas ainda acho que “Uma Batalha Após a Outra” levará a melhor aos 46 minutos do segundo tempo)
– Melhor Direção: Paul Thomas Anderson, por “Uma Batalha Após a Outra” (aqui, imagino que será o típico prêmio pela carreira, consagrando o diretor de “Magnólia”, “Boogie Nights” e “Sangue Negro” do mesmo modo que a Academia já fez em outras ocasiões, escolhendo um filme para premiar uma obra, tal qual já fizeram com Martin Scorsese quando venceu por “Os Infiltrados”, que sequer está na lista de seus cinco melhores trabalhos)
– Melhor Atriz: Jessie Buckley, por “Hamnet” (impossível ela não vencer este Oscar, embora precise dizer que Rose Byrne também merece muito levar o prêmio por seu trabalho em “Se Eu Tivesse Pernas, Te Chutaria”)
– Melhor Ator: Michael B. Jordan, por “Pecadores” (Wagner Moura tem chances, mas é preciso dizer que é um azarão nesta disputa que promete ser acirrada com o polêmico Timothée Chalamet, atual inimigo número 1 das óperas e balés)
– Melhor Roteiro Original: Ryan Coogler, por “Pecadores”
– Melhor Roteiro Adaptado: Paul Thomas Anderson, por “Uma Batalha Após a Outra”
– Melhor Atriz Coadjuvante: Amy Madigan, por “A Hora do Mal” (aqui, podem vencer tanto Teyana Taylor, por “Uma Batalha Após a Outra”, quanto Wunmi Mosaku, por “Pecadores”; já eu, se fosse eleitor da Academia, votaria em Inga Ibsdotter Lilleaas por “Valor Sentimental” – detalhe importante: se der Teyana ou Wunmi, teremos aqui um importante indício de qual filme vencerá o prêmio principal da noite)
– Melhor Ator Coadjuvante: Delroy Lindo, por “Pecadores” (é um palpite arriscado, já que Delroy não foi indicado a nenhuma das principais premiações pré-Oscar, mas já levo aqui em consideração a onda favorável das últimas semanas e a simpatia por um veterano da indústria que recebeu, enfim, sua primeira indicação ao Oscar – agora, se Stellan Skarsgård ganhar por “Valor Sentimental”, seria também muito merecido, porém péssimo para as chances de “O Agente Secreto” na categoria de Filme Internacional)
– Melhor Filme Internacional: “O Agente Secreto” (aqui, vou arriscar novamente e apostar no fator surpresa; “Valor Sentimental” é favorito por ser filme europeu e ter sido indicado a mais categorias, mas quero crer que a Academia dará preferência a um filme de teor mais político nestes tempos de ameaças claras à democracia nos EUA)
– Melhor Edição: Andy Jurgensen, por “Uma Batalha Após a Outra”
– Melhor Fotografia: Autumn Durald Arkapaw, por “Pecadores” (meu trabalho favorito, e sem patriotismos, é o de Adolpho Veloso em “Sonhos de Trem”; mas a provável vitória de Autumn seria histórica e iria parar em ótimas mãos, vide a sequência antológica da quebra de dimensões temporais ao som de “I Lied to You”)
– Melhor Figurino: Kate Hawley, por “Frankenstein”
– Melhor Maquiagem e Cabelo: Mike Hill, Jordan Samuel e Cliona Furey, por “Frankenstein”
– Melhor Design de Produção: Tamara Deverell e Shane Vieau, por “Frankenstein”
– Melhor Trilha Sonora: Ludwig Goransson, por “Frankenstein”
– Melhor Canção Original: EJAE, Mark Sonnenblick, Joong Gyu Kwak, Yu Han Lee, Hee Dong Nam, Jeong Hoon Seo e Teddy Park, por “Golden” (“Guerreiras do K-Pop”)
– Melhor Direção de Casting: Francine Maisler, por “Pecadores” (porém, como se trata de uma nova categoria, tudo pode acontecer; e não descarto uma surpreendente e merecidíssima vitória de Gabriel Domingues pelo seu trabalho em “O Agente Secreto”)
– Melhor Som: Gareth John, Al Nelson, Gwendolyn Yates Whittle, Gary A. Rizzo e Juan Peralta, por “F1”
– Melhores Efeitos Visuais: Joe Letteri, Richard Baneham, Eric Saindon e Daniel Barrett, por “Avatar: Fogo e Cinzas”
– Melhor Longa de Animação: Maggie Kang, Chris Appelhans e Michelle L.M. Wong, por “Guerreiras do K-Pop”
– Melhor Documentário: Geeta Gandbhir, Alisa Payne, Nikon Kwantu e Sam Bisbee, por ”A Vizinha Perfeita”
– Melhor Curta-Metragem: Alexandre Singh e Natalie Musteata, por “Two People Exchanging Saliva”
– Melhor Curta-Metragem de Animação: Florence Miailhe e Ron Dyens, por “Butterfly”
– Melhor Curta-Metragem de Documentário: Joshua Seftel e Conall Jones, por “Quartos Vazios”
Ou seja, cinco Oscars para “Pecadores”, quatro para “Uma Batalha Após a Outra” e “Frankestein” e dois para “Guerreiras do K-Pop”…
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P.S. 1: Dentre as principais publicações especializadas, tanto a Variety quanto a Hollywood Reporter destacam, em seus palpites finais para os vencedores do Oscar 2026, que “O Agente Secreto” merece ganhar as estatuetas de Melhor Filme, Melhor Ator e Melhor Filme Internacional. Cruzemos os dedos para que o Oscar leve em consideração os favoritos da crítica!
P.S. 2: Todos os curtas-metragens que considero ser os favoritos em suas respectivas categorias (que também costumam ser as que mais derrubam os acertos em bolões) podem ser conferidos online. “Quartos Vazios” está disponível na Netflix, enquanto “Two People Exchanging Saliva” e “Butterfly” estão no YouTube.
– Alexandre Inagaki é jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, e consultor de mídias sociais. Já escreveu para a Rolling Stone Brasil, Trip e foi responsável pela criação e planejamento de campanhas online para Coca-Cola, Sony Pictures, entre outros. É curador da Campus Party e youPIX Festival. Publica textos na internet desde 1999. Começou em blogs coletivos e em seu próprio e-zine, chamado SpamZine. Além do Pensar Enlouquece, também foi um dos criadores do InterNey Blogs, um portal brasileiro de blogs. (linktr.ee/alexandreinagaki)


