Mateus Moura apresenta “A imitação do vento”, seu disco solo de estreia, faixa a faixa

introdução por Diego Albuquerque
Faixa a faixa por Mateus Moura

Nascido no Rio de Janeiro em 1987, Mateus Moura, ainda criança, mudou-se para o Pará, e lá viveu e se criou. É compositor, instrumentista, cantor, produtor cultural e diretor musical em todos os projetos de música que participa, desde 2015. É um dos idealizadores da banda Les Rita Pavone, que teve seu álbum de estreia, “El Baile Rock”, selecionado pela APCA como um dos 50 melhores discos do primeiro semestre de 2025; do grupo Manto, que teve seu álbum de estreia entre os 25 melhores do ano de 2021, segundo a Hominis Canidae e, atualmente, integra a diretoria do Ponto de Cultura Boi Vagalume da Marambaia, que lançou seu primeiro álbum, com produção musical de Mateus, em 2025.

Além dos projetos coletivos, Mateus desenvolve carreira solo, onde lançou alguns singles, EPs e neste ano de 2025, o álbum “A imitação do vento”, premiado pela Secult/PA para circulação pelo Estado do Pará. “A imitação do vento” é um projeto de álbum/show com canções entoadas em primeira pessoa, na voz de um eu-lírico que peregrina. As músicas são como páginas de um diário de retiros espirituais em diversas paisagens. O tom é mais próximo do cancioneiro popular pela tradição dos violeiros e sanfoneiros, com arranjos luminosos, em busca de um lirismo íntimo e transcendente; brasileiro, amazônico e latino-americano. De caráter minimalista, “a concepção da sonoridade do álbum foi calcada na busca de uma sofisticação da simplicidade, dando espaço para timbres e sutilezas”, comenta o artista.

Ao longo das 12 faixas do trabalho, todas compostas por Mateus Moura, temáticas que remetem a natureza, a infância do artista, com um certo ar bucólico combinam com sonoridades que vão do baião à valsa, passando pela MPB, ritmos do Norte e do Nordeste. Em nove das faixas, o artista conta com participações de parceiros de outros projetos como Manto, Les Rita Pavone e nomes da cena do Pará como Lariza, Mainumy e Mali Guedelha. O álbum foi gravado com o produtor musical Renato Torres, no Guamundo Home Studio, em Belém/PA, entre 2020 e 2025, de forma totalmente independente, tendo familiares, amigos e a figura de João Ribeiro como importantes produtores associados. Os músicos que compõem os arranjos são todos paraenses e parceiros de longa data, tanto de Mateus quanto de Renato, que contribuíram com o artista e o produtor

Para entender um pouco mais o trabalho, Mateus comenta, abaixo, o disco “A imitação do vento” faixa a faixa. Ouça o álbum na integra abaixo ou em sua plataforma favorita.

01) 0 Orelha de pau (Mateus Moura): Prólogo. Bossa mântrica sobre a minha relação com outros mundos, como o mundo dos fungos, dos vegetais e das palavras. Uma homenagem ao violão e ao meu pai marceneiro, e sua relação não purista com a árvore e a madeira.

02) É preciso confiar (Mateus Moura/Patrícia Milward): Algo entre hinário indígena e rin chileno, arranjado apenas entre sopros, vozes e chocalhos. A solenidade que anuncia o início de uma caminhada rumo a si. Feat com Mainumy e Anne Dias, parceiras de coro na vida.

03) Estrela d’alva (Mateus Moura/Rafael Couto): Baião reflexivo, ode ao sentimento e à relação com os astros e seus símbolos. No sereno o álbum vai amanhecendo, falando de sentimentos. Feat com a brilhante Cacau Novais, lírica e celestial.

04) 0 Manhãzinha (Mateus Moura/Lariza): Entre o samba e a salsa, bailando com os ritos de passagem, o álbum enfim amanhece, brilha, dança. Parceria e feat com Lariza, e seu canto de ave.

05) Celeste (Mateus Moura): Samba cigano, o álbum caminha com mais firmeza, tropeçando e seguindo pela vida. Feat com Karimme Silva, pra registrar nossas afinidades e tropeços, eu no chão, ela nuvem.

06) O sopro (Mateus Moura): Nessa valsa íntima observo uma folha cair de uma árvore, e a relação entre a vida, a morte, a respiração, a eternidade e a canção. Feat com Malu Guedelha, que brinca comigo entre vozes soprosas.

Capa e contracapa de “A imitação do vento”

07) Marujo de alto-mar (Mateus Moura): Na tentativa de fazer um “xote do mar”, depois que uma amiga perguntou qual era a minha religião, nasceu esta canção. A sanfona surge, trazendo minhas raízes nordestinas e moçárabes, e as relações umbilicais. A noite chega. Feat com Íris da Selva, a voz de cristal.

08) Mateus (Mateus Moura): Canção para minha mãe, e o nome que ela me deu. Sanfona sentida, e o contrabaixo elétrico, meu primeiro instrumento.

09) Voz da noite (Rafael Pavone/Mateus Moura): Em busca da velha beleza, da primeira infância, encontrando Nino Rota através de Caetano. Parceria e feat com quem me iniciou no mundo da composição, Rafael Pavone, e participação especial da minha sobrinha recém-nascida, Céu Moura, em seus primeiros balbucios.

10) – Por la Madre Tierra (Mateus Moura): Canção entre zamba e boi, feita em espanhol, durante uma caminhada no deserto do Atacama, acompanhado das “veias abertas” de Eduardo Galeano. Feat com Camila Rodrigues, e sua verve latina.

11) Luana (Mateus Moura): Xote feito para tentar descrever a condição de ter nascido gêmeo, de Luana. Música preferida da minha mãe, claro.

12) Solo (Mateus Moura): Quando mochilei pela América Latina me perguntavam: “Viajas solo?!”, e quis responder a isso com esse samba-canção, que dedico à Violeta Parra. Claro que é uma resposta também à essa ideia de um primeiro álbum solo. Epílogo.

– Diego Albuquerque é o criador do blog Hominis Canidae, um dos maiores repositórios de discos brasileiros da última década. O blog foi criado em 2009, no Recife, e divulga novos artistas e nomes indies da música brasileira, de norte a sul do país.

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