Story of the Year: novo disco virá “sem política”, eles avisam. “Será sobre amor, perda, coração partido. Voltar às raízes”

texto de Alexandre Lopes

Entre o início dos anos 2000 e meados da década, poucas bandas simbolizaram tão bem a força da onda emo/post-hardcore quanto o Story of the Year. Formada em St. Louis, Missouri, e com mais de 25 anos de estrada, o grupo explodiu em 2003 com o álbum “Page Avenue”, disco que trouxe faixas como “Until the Day I Die” e “Anthem of Our Dying Day” e rapidamente os colocou no mapa de grandes turnês internacionais. Desde então, vieram mais cinco álbuns: “In the Wake of Determination” (2005), “The Black Swan” (2008), “The Constant” (2010), “Wolves” (2017) e “Tear Me to Pieces” (2023), consolidando um repertório que mescla melodia e peso.

De volta ao Brasil após mais de uma década – a banda esteve aqui pela primeira vez em 2013 – o Story of the Year  participou do I Wanna Be Tour, festival que celebrou o revival emo/pop punk e reuniu nomes como Dead Fish, Fresno, The Maine, The Veronicas, Yellowcard, Good Charlotte e Fall Out Boy no final de agosto no Allianz Parque, em São Paulo (saiba como foi o show). Para o quarteto, eventos como esse são mais do que nostalgia: é um reencontro com os fãs que cresceram ouvindo seus discos e também uma chance de apresentar o material novo, produzido novamente ao lado de Colin Brittain (Linkin Park), que ajudou a resgatar elementos da fase inicial e combiná-los com a energia atual.

Pouco antes do show no I Wanna Be Tour em São Paulo, o baterista Josh Wills e o guitarrista Ryan Phillips conversaram com o Scream & Yell via Zoom sobre as lembranças da última visita ao Brasil, o impacto da nostalgia na cena emo, as diferenças entre majors e selos independentes, o processo de composição atual e, claro, o novo álbum – que já está pronto para ver a luz do dia, mas segue sem data de lançamento definida. Confira o papo abaixo.

Como vocês estão? Vocês estão em São Paulo agora, certo?
Josh Wills: Estamos no Rio.

E como está a cidade para vocês?
Josh Wills: Ah, está boa! Está ótima.

Ryan Phillips: Vamos fazer algumas coisas turísticas hoje. Acho que vamos ao Cristo Redentor. Isso está bem no topo da lista. É lindo. Talvez iremos à praia. Não sei ainda.

Legal, legal. A última vez que a banda veio ao Brasil foi em 2013. O que vocês lembram daquela viagem e o que parece diferente agora, voltando desta vez?
Ryan Phillips: O que parece mais diferente são os hotéis, que estão bem melhores, e os shows, que estão bem maiores. (risos). Não, falando sério… Honestamente, os fãs daqui são incríveis. Foi uma experiência super positiva. Os shows foram ótimos, mas agora é meio que outro nível comparado àquela vez. Agora tem um festival enorme, bandas gigantes como o Fall Out Boy e tudo mais. Então nos sentimos honrados de fazer parte disso tudo e estamos empolgados de estar aqui, cara.

O festival I Wanna Be Tour reúne várias bandas dos EUA e também desse revival do emo e do pop punk. Gostaria de saber o que vocês acham dessa onda de nostalgia. É uma coisa boa? É legal para vocês estarem em um festival assim? Como vocês veem o Story of The Year dentro desse contexto, tocando com essas bandas?
Josh Wills: Sim, é incrível! Quero dizer, por falta de um termo melhor, é como uma reunião com todos os nossos amigos daquela época. E eu não vejo problema nenhum em ser algo meio nostálgico, porque como fãs de música, nós também somos nostálgicos em relação às bandas que amamos. Mas também temos nostalgia daquela época da nossa carreira, porque foi o que nos trouxe até aqui. E é divertido. É legal revisitar tudo isso com os amigos, as músicas e tal. Mas se a nostalgia também traz pessoas para os shows, para nos ver agora e ouvir a nossa música nova, é uma situação em que todos ganham. Então estamos muito animados com isso, sem dúvida.

Ryan Phillips: Nós também temos muita nostalgia nisso tudo. A gente conversa todos os dias com fãs que cresceram ouvindo nosso primeiro álbum, no começo dos anos 2000 e tal. Mas às vezes é preciso lembrar que nós também temos muita nostalgia desse período. Nós éramos praticamente crianças, sabe? E nossos maiores sonhos se realizaram. Mudamos para a Califórnia, conseguimos um contrato com uma gravadora e escrevemos um disco que mudaria nossas vidas. Saímos em turnê. E quando tocamos aquelas músicas e revisitamos aqueles discos antigos, também é especial para nós, cara. Foi um tempo muito especial, formativo para a gente. Eu acho muito legal celebrar isso. E também acho que isso fala de algo maior, da cultura. Há uns cinco, seis anos, sinto que as pessoas vem desejando algo mais cru, mais autêntico, com mais emoção. Você coloca, sei lá, um disco antigo do Taking Back Sunday, ouve “Cute Without the E” e percebe que é cru, com letras emocionais e poderosas. Acho que as pessoas sentiram falta disso, sabe? Acho muito legal que isso tenha voltado. As guitarras estão de volta, a crueza está de volta, tudo isso. Claro que música e arte são cíclicas, isso acontece. Mas acho que é um momento incrível para estar fazendo o que fazemos agora.

Story of The Year no I Wanna Be Tour, em São Paulo / Foto de @novak.fotografia @taaavt

A banda está ativa desde os anos 90. Gostaria de saber como o processo de composição e gravação de vocês mudou ao longo dos anos.
Ryan Phillips: Acho que a maior diferença é que, quando éramos moleques, não tínhamos dinheiro. Não tínhamos equipamentos como o Pro Tools nem nada disso. A gente simplesmente se reunia numa sala e escrevia. Todos trabalhávamos em outros empregos e depois íamos ensaiar e compor juntos. Avançando para hoje, em que estamos em turnê e cada um tem sua vida pessoal e tudo mais, muita música é escrita separadamente e, depois, quando entramos no estúdio, juntamos tudo. Essa é a maior diferença.

Como você disse, quando vocês eram mais novos, vocês não tinham muitos recursos. Mas já estiveram em uma grande gravadora como a Maverick Records, depois em uma independente, e agora estão na Sharptone, certo? Qual diferença vocês perceberam entre essas experiências, estar em uma major e depois em uma indie?
Ryan Phillips: Vou te dar uma resposta bem real, tá? Estamos muito felizes com nossa gravadora. Eles acreditam na gente, são pessoas incríveis. Mas a principal diferença se resume ao dinheiro. Gravadoras grandes têm muito mais dinheiro. E muito mais recursos. Gosto de pensar que você tem mais liberdade em uma gravadora menor. E no nosso último disco com a Sharptone, ficamos 100% felizes. Tivemos uma ótima relação, foi ótimo. Mas eles gastam o mesmo tipo de dinheiro que gastam com a Taylor Swift ou alguém assim? Não. (risos) Então essa é a diferença. Mas, cara, estamos felizes só de ainda poder fazer disso o nosso trabalho. Se consigo sustentar meus filhos e fazer o que amo, já estamos vencendo, sabe?

O último disco saiu em 2023, mas vocês já estão trabalhando em um novo álbum, certo?
Josh Wills: Ele está pronto!

Ryan Phillips: Está pronto. Prontíssimo, senhor!

Podem falar mais sobre ele? Sei que vocês trabalharam com o Colin Brittain, que também trabalhou com o Linkin Park e com vocês no último disco. Gostaria de saber o que vocês sentem que ele acrescenta ao som da banda.
Josh Wills: O Colin é muito, muito bom em música. Ele é muito talentoso, um grande compositor. Mas acho que, para nós, o fato é que ele era fã da nossa banda quando era mais jovem. Então, uma das coisas que aconteceram foi: mostrávamos músicas para ele enquanto escrevíamos, e ele, como fã da banda, conseguia pensar “olha, é isso que os fãs querem ouvir de vocês agora”. E ele ajudou a guiar esse processo, trazendo de volta elementos da nossa primeira fase, mas fundindo isso com um som novo e mais… qual seria a palavra?

Ryan Phillips [complementando]: O Colin é uma das pessoas mais talentosas com quem já estive numa sala. E além desse talento, ele tinha uma visão muito clara do que achava que deveríamos fazer. Então, como o Josh disse, mostrávamos uma música e ele dizia: “Olha, está ótima, mas esse terceiro acorde não é algo que o Story of the Year tocaria. O Story of the Year que eu ouvia tocaria esse outro acorde”. E a gente ficava tipo “Caralho, ele está certo” (risos). Tipo, “Valeu, Colin”. Então, foram várias decisões assim. Ele também trabalhou muito com o Dan, na voz dele, tirando um pouco do punk rock e trazendo de volta aquela energia juvenil. Eu poderia falar meia hora sobre todos os ajustes que ele fez para nos ajudar a criar esse disco. Não poderia ter dado mais certo. E ele também produziu o novo álbum que acabamos de finalizar. Voltamos a trabalhar com ele exatamente por esse motivo. O disco está pronto. Não podemos falar muito ainda, mas as pessoas devem ficar atentas.

O vocalista Dan Marsala no I Wanna Be Tour / Foto de @bmaisca

Entendo que vocês não podem falar muito sobre o novo álbum, mas quais foram as principais inspirações e temas das novas músicas?
Ryan Phillips: Acho que é basicamente a mesma coisa do último álbum, para ser honesto. Boas músicas, sabe? Meio estranho falar isso, mas: sem política, sabe? Nada de questões mundiais. Acho que agora, mais do que nunca, as pessoas querem ouvir música desse gênero para escapar dessas merdas. Tivemos alguns discos em que nos envolvemos muito em política, mas o último foi um retorno aos dias do “Page Avenue”, com músicas sobre amor, perda, coração partido. Esse último foi um retorno às origens, e esse novo é uma continuação disso. É voltar às raízes, se é que faz sentido.

Então, depois da I Wanna Be Tour aqui no Brasil, o que vem a seguir para vocês?
Josh Wills: Bom, voltamos para casa. Temos alguns festivais nos Estados Unidos. Depois fazemos o When We Were Young em outubro. E anunciamos uma turnê conjunta com nossos amigos do Senses Fail, também nos EUA. No ano que vem, tem mais turnês. Vamos participar do cruzeiro Emo’s Not Dead em janeiro e depois do festival Parkway Drive, na Austrália, durante um mês.

Ryan Phillips: Temos muitas turnês pela frente. Quando você fala em voz alta, eu penso e fico tipo: “Caralho”.

Josh Wills: Sim. Então temos muita coisa chegando. O álbum vai ser lançado em algum momento, e a partir disso vamos fazer ainda mais turnês. O ano que vem vai ser muito movimentado para a gente.

Vocês sabem se o novo disco sai ainda este ano ou só no próximo?
Ryan Phillips: No próximo. Vamos começar a lançar músicas novas em breve. Mas sobre a data de lançamento…

Josh Wills: Não sei se já temos uma data exata. Mas o álbum completo sai em algum momento do começo do ano que vem…

Ryan Phillips: Será que sai mesmo? Vai saber (risos)!

– Alexandre Lopes (@ociocretino) é jornalista e assina o www.ociocretino.blogspot.com.br

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