Três shows do FIB 2025: Ney Matogrosso, Baiana System e Matuê

texto de Danilo Souza
fotos de Laécio Lacerda

O Festival de Inverno Bahia (FIB) realizou, entre 22 e 24 de agosto, a sua 19ª edição na cidade de Vitória da Conquista com um line-up que trazia, entre tantos, Geraldo Azevedo e Elba Ramalho, Ivete Sangalo, Leonardo e João Gomes com participação de Mãeana. Abaixo, três destaques do fim de semana.

Ney Matogrosso no FIB 2025 (22 de agosto, 21h)
Ney Matogrosso abriu o primeiro dia de festival por volta das 21h com seu show “Bloco na Rua”, mesmo nome de seu último disco solo, lançado em 2019. Mesmo com 84 anos, o cantor continua sendo um showman e parece ter mais energia que muitos jovens por aí. Com o nome bastante comentado em 2025 devido ao sucesso da elogiada cinebiografiaHomem com H“, Ney iniciou sua apresentação com a mesma sequência que aparece no álbum: “Eu Quero É Botar Meu Bloco na Rua”, de Sérgio Sampaio, “Jardins da Babilônia”, de Rita Lee e Lee Marcucci, e “O Beco”, de Herbert Vianna, dos Paralamas do Sucesso. O frio, típico da cidade apelidada de “Suíça Baiana”, foi ficando de lado durante a performance de Ney, que esquentou um público de crianças, algumas até usando a mesma pintura que o cantor utilizava nos tempos de Secos & Molhados, adultos e idosos, que relembraram as fases da carreira do artista. Do repertório do álbum “Bloco na Rua” também se destacaram as interpretações de “A Maçã”, de Raul Seixas, Paulo Coelho e Marcelo Motta, e “Pavão Mysteriozo”, de Ednardo. Após cerca de uma hora de show, depois de tocar as músicas do álbum, Ney finalizou o seu set list com “Balada do Louco”, d’Os Mutantes (que ele regravou no álbum “Bugre”, de 1986) e duas parcerias de Frejat com Cazuza, um dos amores da sua vida, segundo ele mesmo: “Poema” (1999) e “Pro Dia Nascer Feliz” (presente no segundo disco do Barão Vermelho e também em “…Pois É”, de Ney, ambos lançados em 1983). A estreia de Ney no FIB foi memorável e não dava pra esperar menos vindo de um artista tão icônico.


BaianaSystem no FIB 2025 (23 de agosto, 2h)
Na madrugada de sábado, depois de outras três atrações já terem passado pelo palco (Geraldo Azevedo & Elba Ramalho, Ivete Sangalo e Léo Santana), se enganou quem imaginava que o público estaria sem energia para o BaianaSystem, que começou a tocar lá pras duas da manhã, mas que fez um dos melhores shows de todo o fim de semana. Numa mistura de axé com rock, também cabe a famosa roda punk, que sempre faz parte dos shows da banda e não foi diferente dessa vez. No set, canções como “A Vida é Curta Pra Viver Depois”, “Cabeça de Papel”, “Capim Guiné” e “A Mosca”, com sample da canção “Mosca na Sopa”, de Raul Seixas. Não é exagero dizer que o BaianaSystem causou um “mini-carnaval de Salvador” em Vitória da Conquista numa apresentação que, para além da música, foi uma comemoração à resistência da Bahia e do Nordeste. O destaque da noite, tomada por artistas baianos, com exceção de Elba e Geraldo, ficou com o grupo, que ganhou o APCA de Melhor Show em 2016, e segue, quase 10 anos depois, fazendo um dos melhores shows do país. A conexão com o público da cidade já havia começado antes mesmo do show após a banda compartilhar um vídeo em suas redes sociais exaltando lugares que fazem parte da história e da cultura do município.


Matuê no FIB 2025 (24 de agosto, 18h)
Algumas pessoas até brincaram que o show do Matuê foi uma matinê, já que, no domingo, os portões abriram ainda durante a tarde, às 16h. Já o show do rapper começou no comecinho da noite, às 18h, com um público formado majoritariamente por adolescentes e jovens. Em alta nos últimos anos, o artista trouxe uma experiência da música trap, uma vertente do rap, mas acompanhado de uma banda completa; baterista, guitarrista, baixista, tecladista… de fato, hoje, é até meio incerto o classificar somente como um rapper pela própria sonoridade que ele passou a produzir desde o disco “333”, do ano passado, que traz músicas com toques pop (“O Som”), indie rock (“Like This”) e até um aceno à synthwave e à The Weeknd em “04AM”. Devido ao tempo de apresentação, limitado a uma hora de duração, o cantor decidiu montar um repertório focado nos seus maiores sucessos da carreira, como as faixas “Conexões de Máfia”, “Quer Voar” e “Kenny G”, além de passar por boas músicas do seu primeiro álbum, a exemplo de “Máquina do Tempo” e “É Sal”, e também apresentar um lado mais reflexivo e até espiritual do “333”, com a própria faixa-título do disco e “Maria”. Foi uma das apresentações mais cheias do evento, o que pode ser justificado pelo dia e pelo horário, mas, claro, não se pode deixar de lado a qualidade e a maestria que Matuê possui para conduzir seus fãs. Assim como Ney Matogrosso, também foi a primeira vez do artista no FIB. E se depender de quem foi para vê-lo, pelo jeito, não será a última…

– Danilo Souza é estudante de jornalismo da UESB (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia). Acompanhe seu trabalho em instagram.com/danilosouza.jornalismo/

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *