texto e fotos por Alexandre Biciati
É fundamental celebrar um artista do quilate de Odair José. Desde 1970 o músico conquista corações e consegue se conectar com quem estiver disposto a se apaixonar por uma música simples melodicamente e que aborda temas afetivos, tabus e até tecnologia, a exemplo do seu último trabalho.
“Normalmente, não faço show no meu aniversário, mas quando falaram que era em Belo Horizonte, eu disse: eu vou!”. Foi nesse contexto que Odair José se apresentou no Sesc Palladium para celebrar seus 77 anos de vida e mais de 50 anos de carreira. O clima era de festa e cumplicidade.

Com 40 discos e inúmeros clássicos radiofônicos lançados, o artista empolgou a plateia que cantava e gritava seu nome. Sem fazer uma única pausa, Odair José permaneceu no palco por 90 minutos, tocando e cantando crônicas como “A Noite Mais Linda do Mundo” e “Esta Noite Você Vai Ter Que Ser Minha”, que abriram o show, além de “Vou Tirar Você Desse Lugar”, “Que Saudade de Você”, “A Pílula” e “Cadê Você”.
Muito à vontade, Odair interagiu com o público durante toda a apresentação, compartilhando histórias por trás de suas composições e respondendo aos chamados emocionados dos fãs. Odair relembrou os tempos áureos da gravadora CBS, homenageou a banda Pato Fu ao cantar “Uma Lágrima” (que a banda mineira regravou em um tributo à Odair) e, ao ver uma camisa do Atlético-MG, declarou que se morasse em Belo Horizonte, seria difícil escolher um time para torcer. Era a deixa para a canção “Sem Saída”.

Ao ver fãs com vinis no teatro, o artista comentou a alegria de revisitar as capas cheias de história, mas pontuou que a inteligência artificial deve ser vista como uma ferramenta útil nos dias de hoje. Do seu disco mais recente, “Seres Humanos e a Inteligência Artificial”, lançado em 2024 pelo selo goiano Monstro Discos, ele cantou “DNA”, “A Roupa” e “Desejo”.
Acompanhado por Odair José Junior, Caio Mancini, Marcos Henrique e Jailton Marques, Odair José cativou o público com uma performance impecável, provando que sua música é atemporal. Enquanto o show é um deleite para quem cresceu ouvindo as rádios AM e FM, ele também se torna uma oportunidade para as novas gerações conhecerem um cantor, compositor e instrumentista que é, no melhor sentido da palavra, um sinônimo de artista popular brasileiro.
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– Alexandre Biciati é fotógrafo e editor da Phono: https://www.phono.com.br/