Entrevista: “Estar no Big Star era como ser Ringo Starr nos Beatles”, diz Jody Stephens

entrevista de Bruno Capelas e Igor Müller, do Programa de Indie

Contos de fadas não acontecem no universo da música alternativa todos os dias, mas quase todo indie que se preze conhece a história do Big Star. Não pause se você já ouviu essa antes, caro leitor: esta é a banda que não só deu origem ao termo power pop, mas também gravou discos tão belos quanto mal sucedidos comercialmente nos anos 1970 – a tríade “#1 Record”, “Radio City” e “Third” – que são referência obrigatória para gente como Wilco, R.E.M., Teenage Fanclub e Replacements. O culto por tais bandas, inclusive, fez o Big Star voltar à vida nos anos 1990 e 2000, além de alçar o conjunto liderado por Alex Chilton e Chris Bell a um posto entre os gigantes da música.

Dos quatro homens que integraram a banda, apenas um está vivo para contar essa história: o baterista Jody Stephens, que tocou não só em todos os discos dos anos 1970 como também no temporão “In Space”, lançado em 2000. “Para mim, estar no Big Star era como estar nos Beatles. Eu sei como Ringo Starr se sentiu quando ele entrou nos Beatles”, compara o músico de 72 anos, em entrevista feita com o Programa de Indie via Zoom em fevereiro de 2024 – e publicada agora em formato texto no Scream & Yell.

Na conversa – a mais extensa já publicada em português com um membro do Big Star –, Stephens faz uma viagem no tempo. Conta como se apaixonou pela música (com “I Wanna Hold Your Hand”, dos Beatles), como conheceu os amigos Andy Hummel, Chris Bell e Alex Chilton e como foram as primeiras gravações do quarteto nos estúdios da Ardent, uma subsidiária da Stax, histórico selo de música negra de Memphis. “Nós passávamos horas no estúdio, gravando e aprendendo, entendendo que tipo de sons poderíamos tirar dali”, lembra Jody, que sempre duvidou de que teria uma carreira na música. “Eu continuava indo para a aula nessa época. Sempre achei que era um tiro no escuro ter uma banda, não importa quão boa ela fosse.”

A saída de Bell após a decepção com o fracasso do primeiro disco e a continuidade do grupo, primeiro como trio (em “Radio City”, de 1974) e depois como duo (com a saída de Hummel, nas gravações de “Third”, que só seria lançado em 1978) também fazem parte do papo. Stephens, porém, se enganou: após fazer Marketing na faculdade, ele voltaria para a Ardent para não só ajudar bandas como R.E.M. e Replacements a gravarem discos como “Green” e “Pleased to Meet Me”, como veria os pupilos ajudarem o Big Star a voltar à ativa nos anos 1990, com ele e Alex, ao lado de Jon Auer e Ken Stringfellow, dos Posies, tocando até a morte de Chilton, em 2010.

A retomada do Big Star, transformada em livro, filme (o documentário “Nothing Can Hurt Me”, lançado no início dos anos 2010) e turnê comemorativa repleta de convidados – Mike Mills (R.E.M.), Pat Sansone e Jeff Tweedy (Wilco), Ira Kaplan (Yo La Tengo), Norman Blake (Teenage Fanclub), Jessica Pratt, entre muitos outros – , também levou Stephens a montar uma banda, o Those Pretty Wrongs, bem como colaborar com artistas novatos como os Lemon Twigs – que tocam no Brasil em maio na próxima edição do Popload Festival. É uma trajetória de mais de cinco décadas, da qual Stephens não se arrepende de nada. “Se você pensar sobre o impacto que aqueles discos causaram, eu certamente não faria nada de diferente com eles. Não sei se poderíamos ter feito algo de diferente tendo um empresário ou com um agente. No fim das contas, tudo deu certo”, diz o baterista.

Na entrevista, Jody Stephens também conta histórias saborosas do R.E.M, fala sobre o que acha do termo power pop, disserta sobre sua relação com drogas e revela qual é sua versão favorita do Big Star. Ele também lança um desafio aos colecionadores de discos: encontrar uma edição do compacto duplo do Big Star lançado pela Stax no Brasil em 1972, com quatro faixas do repertório de “#1 Record”. Quem encontrar pode mandar cartas para a redação deste site (screamyell@gmail.com).

Jody, para começar vamos voltar no tempo. Como você descobriu que queria fazer música? Você se lembra de quando tudo começou?
Jody Stephens: Claro! Definitivamente. Foi com os Beatles tocando “I Wanna Hold Your Hand”.

Foi no “The Ed Sullivan Show”?
Em parte, sim! Mas eu tinha ouvido a música deles antes da apresentação na TV. Antes do vídeo, havia a música e a forma como eles apareciam na capa do disco. Aquilo capturou minha atenção – e a do meu irmão também. Nós dois ficamos muito animados com os Beatles e começamos a tocar. Meu irmão Jimmy escolheu o baixo, eu fiquei com a bateria. Desde pequeno, eu já gostava de fazer ritmos, batucando no banco de trás do carro enquanto meus pais dirigiam. Mas, como disse: eu estava muito animado só com “I Wanna Hold Your Hand”, mas aí vimos os Beatles no Ed Sullivan e foi demais. Foi o começo de tudo, sabe? Depois vieram as bandas da Invasão Britânica, como os Rolling Stones… o Charlie Watts é um baita baterista para mim. Preciso também falar de John Bonham, do Led Zeppelin, uma baita influência, bem como Al Jackson Jr., do Booker T. & the MGs, o pessoal da Stax. Foram influências muito importantes e transformadoras para mim, ainda mais porque eles tocavam aqui no nosso quintal, em Memphis.

Como você conheceu o Chris Bell e o Andy Hummel? Quando vocês começaram a tocar juntos?
Conheci o Andy alguns anos antes de 1970, provavelmente em 1966 ou 1967. Ele tocava numa banda com o meu irmão e com um cara chamado Mike Fleming, que nos apresentou. Eu ainda estava no ensino médio, enquanto eles estavam na faculdade. Alguns anos depois, os dois vieram ver a banda em que eu tocava e o Andy me perguntou se queria fazer umas jams com a banda dele, que tinha o Chris Bell e uns outros caras. Topei, e, no fim das contas, acabamos ficando só nós três, como um trio. Foi nessa época que o Chris e o Andy convenceram o Alex Chilton a assistir nossos ensaios. O Alex estava voltando para Memphis e acho que ele gostou do que viu. Foi aí que tudo começou para o Big Star.

Como foi conhecer o Alex? Ele tinha a mesma idade que vocês, mas ele já tinha tido uma carreira com os Box Tops.
Eu tinha muito respeito por ele.

Mas você ficou intimidado com a presença dele?
Não me lembro de me sentir intimidado, não. Eu tinha muito respeito pelo Alex, mas por alguma razão, eu achava que o Box Tops era uma banda da cidade. Eu realmente gostava de “The Letter”, mas era uma coisa nossa, sabe? Não é como se fossem os Beatles, com todas aquelas canções, com aquele sotaque inglês. Ou mesmo o pessoal da Stax, que eram de Memphis, mas que eu nunca vi andando na rua. A Stax era o meu Olimpo, sabe? Eles eram deuses mesmo! Não eram acessíveis como o Box Tops. Por isso, não fiquei intimidado ou hipnotizado com Alex, mas tinha muito respeito. E quando fomos apresentados e começamos a fazer as primeiras canções do Big Star, ganhei ainda mais respeito por ele, por sua habilidade de tocar, por seu senso melódico, e claro, por sua voz!

Como essas primeiras sessões se transformaram em “#1 Record”? Do que você se lembra daquela época?
Bem, Chris e Andy eram muito amigos de John Fry, que abriu os estúdios da Ardent quando tinha 14 anos. Os pais dele também trabalhavam com gravações, então ele tinha aprendido muito quando era novo. John era um homem muito esperto e um engenheiro brilhante, tinha um ouvido incrível. Sonicamente, preciso dizer que ele era o quinto membro do Big Star, um grande responsável pelo que se ouve naquele disco. Mas John era esperto: ele treinava outras pessoas para serem bons engenheiros de som e trabalhar com ele, para que ele não precisasse gravar o tempo todo. Ele escolheu Chris e Andy como pupilos, e nós passávamos horas no estúdio, gravando e aprendendo, entendendo que tipo de sons poderíamos tirar dali.

Hoje em dia, é difícil separar o que é o disco da história posterior da banda. Muitos relatos dão conta de que Chris Bell tinha enormes expectativas de que “#1 Record” ia ser um sucesso. E você? Também achava que vocês iam estourar?
Sim! Eu estava muito animado com o que nós estávamos fazendo e com as músicas que Alex, Chris e Andy estavam criando. Para mim, estar no Big Star era como estar nos Beatles. Eu sei como Ringo Starr se sentiu quando ele entrou nos Beatles. É engraçado, voltar a falar sobre aquela época me traz memórias muito vivas, e às vezes eu me perco um pouco no que estou falando.

Faz parte, estamos falando de cinquenta anos de memórias! (risos)
Pois é! Mas o que eu ia dizer… é que Andy e Chris conheciam John Fry, que era o dono dos estúdios Ardent. John não só ensinou pros dois os macetes de engenharia de som, mas deu a eles as chaves do estúdio para que eles pudessem aprender. E foi assim que nós começamos.

O que eu queria saber é se você estava mais animado porque era seu primeiro disco ou porque realmente achava que, como diz o título do disco, vocês iam chegar ao topo das paradas de sucesso?
Chris achava que sim, ele acreditava nisso de corpo e alma. Ele estava muito animado – e, por conta dele, nós também estávamos muito animados. Mas quando lançamos o disco, nós tivemos alguns problemas com a distribuição. Mesmo assim, tivemos ótimas críticas de revistas como a Billboard, a Cashbox, a Rolling Stone, até mesmo da NME. Depois de muitos anos, nós até chegamos lá, mas inicialmente tivemos mesmo esse problema de distribuição – até porque nunca tivemos um empresário ou um booker. O que é engraçado é que eu continuava indo para a aula nessa época. Sempre achei que era um tiro no escuro ter uma banda, não importa quão boa ela fosse. Era difícil imaginar que eu teria uma carreira por conta da banda. E Andy também achava isso, por isso nós dois continuávamos estudando. Andy acabou saindo da banda depois de “Radio City”, porque vimos o que ia acontecer. Ele decidiu ir para a faculdade, estudou Literatura e depois Engenharia Mecânica. Já eu estudei Marketing, o que me levou a ficar à frente da Ardent.

Como foi ver Chris sair da banda meses depois do lançamento do disco?
Foi uma decepção. Chris era um cara tão talentoso! Eu sempre comparei Chris e Alex a Lennon e McCartney, porque eles traziam muitas perspectivas diferentes para a banda. Alex era Lennon e Chris era McCartney. Mas, no final do dia, eles tinham um espírito muito parecido. Foi uma decepção ver Chris partir, e no final das contas a banda meio que estava à deriva. Aí John King, que era o gerente de divulgação da Ardent, criou uma convenção de críticos de rock e nos convidou para tocar. Subimos ao palco como um trio: eu, Alex e Andy. Acabou sendo o que nos fez voltar a existir como banda. É engraçado: naquela época, os críticos de rock meio que eram o nosso público – o único público que nós tínhamos, na verdade. Eles sabiam todas as letras. A convenção tinha open bar, o que ajudou também a animar o show. Provavelmente tinha drogas também. E foi aí que nos unimos para gravar “Radio City”.

(Nota do Repórter: Realizada em 1973, a Rock Writers Convention teve a participação de nomes como Richard Meltzer, Lester Bangs, Lenny Kaye e um jovem Cameron Crowe, que começava a escrever para a revista Rolling Stone. O evento custou cerca de US$ 100 mil aos cofres da Stax, matriz da Ardent).

Em 2024, comemoramos o aniversário de 50 anos de “Radio City”. No episódio que fizemos sobre o disco no Programa de Indie, chegamos à conclusão que “#1 Record” era um disco mais produzido, enquanto “Radio City” refletia a banda tocando ao vivo no estúdio. Você concorda com essa definição?
Com certeza. Quer dizer, mais ou menos: quando nos reunimos como um trio, nós passamos bastante tempo trabalhando naquelas músicas. Nós precisávamos entender o que queríamos ali, então gastamos um tempo criando as partes, como seria a bateria. Mas quando chegamos ao estúdio, sim, foi um disco tocado ao vivo. Éramos um trio. Alex até cantava enquanto nós tocávamos na gravação. Não sei quanto do vocal dele foi regravado, mas era esse o espírito. Era um disco ao vivo, era o tipo de energia que nós tínhamos quando tocávamos ao vivo. Havia overdubs, mas não muitos – e especialmente nos backing vocals, talvez alguma coisa na guitarra em “September Gurls” ou em “Daisy Glaze”.

Pela primeira vez em um disco da banda, você canta em “Way Out West”. Como isso aconteceu?
Eu adorei cantar! A música é do Andy, mas ele não queria cantar.

Por quê?
Não sei. Andy tinha escrito “The India Song”, e ele e Alex cantaram essa música em uníssono no primeiro disco. Quando chegou a hora de gravar “Way Out West”, não sei bem por que Andy não queria cantar. Talvez ele não se visse como um bom cantor. Eu também não achava que eu cantasse bem, mas não deixei isso ser um problema (risos).

“Radio City” também tem algumas músicas que não foram tocadas por você e por Andy, mas sim por outros músicos – Danny Jones e Richard Roseborough, que faziam parte de uma banda que Alex Chilton formou nesse intervalo que o Big Star não estava ativo. Como elas foram parar no disco?
Como eu disse, nós ficamos meio à deriva depois de lançar “#1 Record”. E nesse meio-tempo, Alex gravou algumas canções com os dois. Richard tocou também em várias faixas de “I Am The Cosmos”, de Chris Bell, eu mesmo toquei em umas quatro músicas daquele disco. Ele era um baterista incrível, como dá pra ouvir em “What’s Going Ahn”, “Mod Lang” e “She’s a Mover”, as três faixas que ele participou. Tentamos até regravar essas músicas, mas não conseguimos recriar a profundidade emocional que Richard entregou ali. Ele era um cara que conseguia tocar beeem devagar, o que ajuda a enfatizar o sentimento e o solo que Alex faz nessas músicas. Sempre tento dar crédito para Richard, porque ele era um baterista especial e um cara incrível.

Os três discos do Big Star gravados nos anos 1970 têm uma unidade sonora, mas também tem características muito particulares. Acredito que você teve de se adaptar bastante para tocar de maneira diferente em cada um daqueles discos. Como você descreveria o seu estilo como baterista?
Bem, sempre presto atenção na música e nos vocais. Para mim, é como tudo começa. Mas também fico de olho no que os baixistas estão fazendo. Para mim, meu jeito de tocar é sempre baseado no que o vocalista está fazendo, pensando no mood, na emoção que está surgindo durante as gravações. Alex e Chris tinham uma capacidade incrível de demonstrar emoções e realizar inflexões. Eles sempre foram uma inspiração na forma como eu tocava. Em “Third”, que é um disco bem escuro, pesado, melancólico, reduzi bem o ritmo da bateria. Ali, estou respondendo muito às emoções das canções. Mas não toquei nem em todas as faixas de “Third”: em algumas faixas, como “Kanga Roo” ou “Oh Dana”, quem fez a bateria foi Jim Dickinson. Talvez ele tenha tocado em algumas outras, mas sei que nessas duas ele estava – porque eram músicas que precisavam de uma bateria meio maluca. Jim não tocava bateria sempre, então ele estava à altura dessa tarefa.

“Third” é também um disco que tem uma das suas raras composições, “For You”. Sobre o que ela é?
É sobre a garota com quem eu estava saindo naquela época. Alex disse que queria me ver escrevendo uma música. Foi a primeira vez que eu tentei. Andy me deu uma guitarra que tinha sido do Chris, Alex me mostrou alguns acordes e tentei criar alguma coisa. Levei a música para o Alex, e a ideia era tentar fazer algo diferente, com cordas, porque eu simplesmente amava “Eleanor Rigby”. Pedi para criarem um arranjo de cordas e o Alex gostou. Aí acabamos tendo várias canções com cordas ao longo do disco: “Stroke It Noel”, “Nighttime”, “Blue Moon”. Foi uma inspiração para o Alex.

A música era sobre uma das irmãs Aldridge?
Sim, era para Holiday! Vale dizer: Holiday e Lesa, sua irmã, que namorava Alex, não eram gêmeas. Alguém chegou a dizer que elas eram, mas na verdade elas tinham um ano de diferença entre si.

É por causa delas o nome de “Sister Lovers”, que quase virou o nome do disco? Ou era o nome de uma banda que acabou não acontecendo?
Sim! Bem, o Alex chegou a mencionar que Sister Lovers poderia ser um nome novo para a nossa banda, a formação que só tinha nós dois.

Mas aí vocês acabaram com a banda.
Sim, nós acabamos com o Big Star e Jim Dickinson, que produziu o disco, tinha dúvidas se mixava o disco com John Fry ou com Alex. Acabamos fazendo com John Fry, e é por isso que o disco soa daquele jeito. Não sabemos o que Alex teria feito. Mas Fry soube o que fazer com o disco: ele era um cara brilhante e deu uma cara incrível para o disco. Foi assim que o “Third” saiu, sem o envolvimento de Alex.

É interessante ouvir isso, porque em muitas entrevistas você chega a dizer que “Third” é um disco solo do Alex, em vez de exatamente um disco do Big Star. Por que?
Bem, sabe, é engraçado: hoje, não consigo imaginar porque o Alex não se envolveu na mixagem do disco. Acabamos o disco em 1974 ou talvez no começo de 1975, mas ele não chegou a sair até 1978. É uma época meio enevoada da nossa vida. Mas foi Jim Dickinson quem disse que poderia ter mixado com John Fry ou com Alex, porque me lembro de ouvir algumas mixagens diferentes, lembro de dizer que o som era incrível. Talvez eu tenha ficado tímido ao fazer sugestões, porque John e Jim estavam à frente da mixagem – e é um momento muito difícil de fazer sugestões, porque mudar uma pequena parte da mixagem pode mudar tudo o que foi criado ali sonicamente. Basicamente assisti o processo, mas estava muito animado.

“Third” também é frequentemente lembrado como um dos discos mais tristes da história. Aquela foi uma época triste na sua vida? O processo de gravação foi triste?
Alex estava numa época bem barra-pesada. Nós falávamos muito sobre isso – e claro, havia muitas drogas e álcool ao nosso redor, o que amplifica qualquer melancolia, qualquer tristeza. Mas eu estava bem, eu me sentia bem. Sou um cara feliz e minha vida estava indo bem. Eu tinha uma namorada, ia para as aulas, tinha um emprego, tinha coisas que me mantinham ocupado. Nunca usei drogas. Tentei algumas coisas, uma ou duas vezes, mas larguei – seja porque odiei ou porque gostei demais delas! (risos) Mas estava vendo Alex, um cara brilhante, indo por esse caminho bem escuro. É engraçado: quando voltamos com o Big Star, nos anos 1990, lembro que o Alex não gostava muito de tocar as músicas daquele disco, porque foi uma época bem difícil. Lembro que tocávamos “Thank You Friends” e “For You”, mas parava por aí.

Há toda uma discussão sobre a ordem das músicas de “Third”, que tem várias versões diferentes. Você tem uma versão favorita?
Não tenho, sério. Eu teria de voltar no tempo para ouvir as diferentes versões. Para falar a verdade, não sei. Faz tanto tempo que eu ouvi!

Alguns anos depois que o Big Star terminou, já na década de 1980, alguns artistas começaram a mencionar a banda em entrevistas – estou falando principalmente de R.E.M. e Replacements aqui. Como foi ver esse movimento de resgate da banda?
Foi divertido! Eu era um grande fã do R.E.M. e fiquei muito animado quando vi Mike Mills e Peter Buck falando bem da gente na Rolling Stone. Depois, veio o Bobby Gillespie do Primal Scream, o Paul Westerberg, todos eles falando da gente. Quando comecei a trabalhar na Ardent, em janeiro de 1987, os Replacements pediram para gravar “Pleased to Meet Me” lá. Não cheguei a conhecê-los ou ver as sessões, porque acredito que um estúdio é como uma embaixada – quando uma banda entra no estúdio, aquele lugar passa a ser território dela. Nunca quis interromper banda nenhuma, sempre respeitei a privacidade deles. Fiz isso durante muito tempo, até ouvir alguém dizer que não entendia porque ninguém da Ardent aparecia na sala para dar um oi e agradecer. Muita gente achou que estava sendo esnobada, e aí mudei. O que eu me lembro é que eles tinham uma música chamada “Alex Chilton”, e eu conhecia Jim Dickinson, que produziu o disco. Mas não convivi com eles, até porque eles gravavam de noite e eu trabalhava na Ardent das 9h às 17h. Lembro que conheci o Tommy Stinson no meio das gravações, mas não cheguei a falar com os outros.

(Nota do editor: em entrevista ao Scream & Yell, Tommy Stintson relembra que o Replacements chegou a convidar Alex Chilton para produzir o disco “Tim”:  “Começamos a trabalhar nesse disco com o Alex Chilton (Big Star) como produtor. E foi rapidamente percebido que o Alex não era o cara certo para o projeto, por mais que nós também amássemos o Alex Chilton e tudo mais. Mas sentimos que precisávamos de alguém que fosse mais um produtor do que um compositor”).

Foi mais ou menos nessa época que as pessoas começaram a falar sobre o termo power pop. O que você acha dele?
É um termo meio limitado. Ele reduz a música que nós fazíamos. Se você pensar nos nossos discos, havia vários estilos de música dentro do disco. Acho que quando se ouve o termo power pop, você sabe que não é country nem rap, ou punk. Isso ajuda. Mas acho que o power pop exclui uma influência grande que nós tínhamos do soul. As músicas, as letras, a forma como Chris e Alex cantavam, tudo ali tinha uma influência do soul e do que eles estavam sentindo na época.

E como essa onda de bandas falando sobre o Big Star levou à reunião da banda nos anos 1990?
Bem, no começo de 1993, recebi uma ligação do pessoal da Universidade do Missouri para saber se eu toparia me unir ao Alex para um festival que eles iam fazer dali a alguns meses. Falei que topava, mas que eles precisavam convencer o Alex – e eu não tinha o número dele na época. Não achei que eles achariam o número do Alex, nem que ele toparia voltar. Mas ele aceitou, talvez só porque não fosse fazer nada demais naquela noite específica. Eles convidaram algumas pessoas para tocar conosco, mas não estávamos conseguindo avançar. Aí, sugeri que chamássemos Jon Auer e Ken Stringfellow, dos Posies. Eu os tinha conhecido há alguns anos, eles já tinham lançado “I Am the Cosmos” como single, era uma versão brilhante. Achei que não havia ninguém melhor para fazer backing vocals como eles. Eles vieram a bordo, fomos para Seattle e fizemos ensaios por alguns dias. Eu não tocava bateria há alguns anos, então precisei praticar por um bom tempo para estar pronto pro show. É por isso que hoje toco bateria todos os dias – é realmente difícil não tocar por dois ou três anos e depois ter que “montar no cavalo” de novo. Hoje, toco meia hora todo dia, e se tenho um show marcado, preciso tocar pelo menos uma hora, cinco dias por semana. Talvez esteja dando muitos detalhes da minha vida aqui, mas enfim: às vezes, a gente espera o inesperado – e voltar com o Big Star foi inesperado pra mim.

(Nota: O show em questão rendeu um disco ao vivo e o registro abaixo)

Já faz quase três décadas que você está na estrada tocando as músicas do Big Star, com muitos músicos, incluindo gente do Wilco e do R.E.M.. É uma espécie de redenção na jornada do herói do Big Star?
Sei que é excitante e é muito divertido estar com essa banda hoje em dia. Odeio ensaiar, mas vale a pena por causa dessa banda. São músicas muito divertidas de tocar e que me trazem muitos sentimentos à tona. Além disso, a conexão com o público é realmente algo diferente, o laço entre os músicos, tudo é muito incrível – seja na formação do Big Star que tivemos com Alex ou no novo projeto que temos agora, Music from Big Star.

Em 2024, vocês tocaram na Espanha e em alguns locais dos EUA. Existe alguma chance de vermos esse show aqui no Brasil um dia?
Não sei. Jaime Hernandez, um produtor de shows na Espanha, marcou vários dos nossos shows como Big Star ao longo das últimas décadas, em Málaga, no Primavera Sound, em vários lugares. Ele também chegou a lançar algumas das canções dos Posies e nos convidou recentemente. Não é um show barato, infelizmente. Somos quatro músicos, é preciso contar os quartos de hotel, as passagens, o seguro dos equipamentos. Na Espanha, tocamos em Barcelona, Gijon, Madri e Valência, e tivemos de nos locomover de trem e de avião. Existe uma logística complicada, e claro, o nosso cachê. Não é algo barato. Quando fizemos o show especial do “Third”, era pior ainda, porque a banda tinha oito pessoas, com direito a um quarteto de cordas, às vezes um percussionista, isso tudo ficava caro. É preciso de alguém com algum dinheiro querendo fazer as coisas acontecerem. Se alguém no Brasil tiver esse dinheiro, eu adoraria ir!

É por isso que nós jogamos na loteria toda semana!
Jody: Muito bom! (risos)

Vamos falar sobre os estúdios da Ardent agora. Não sou especialista técnico no assunto, mas todos os discos gravados aí que ouvi parecem ter uma qualidade sônica muito especial. Como você explicaria a “mágica” que há aí?
Bem, há algumas coisas que fazem o Ardent ser único. Os equipamentos importam, claro, mas também temos que levar em consideração o talento por trás dos equipamentos. John Fry foi um professor para muita gente, como Richard Roseborough, Jim Dickinson, Joe Hardy, Skid Mills, todos eles aprenderam muito com Fry – e se não trabalharam diretamente com ele, aprenderam com o que ele criou por lá. Preciso dizer: a forma como um engenheiro compreende o som é quase como compor uma música. Ele precisa entender de onde a música vem e dar sentido a essa inspiração. É preciso entender como um pensamento sonoro se transforma em uma música. E claro, para isso é preciso muito conhecimento técnico, mas também é preciso entender como a música quer ser ouvida. Um engenheiro de som pode arruinar a alma de uma música. Um produtor pode arruinar. Um engenheiro de masterização pode matar uma música, deixando-a alta demais. Muitas coisas têm que acontecer para uma música nascer do jeito que ela deveria ser escutada.

Muitos artistas gravaram na Ardent ao longo dos anos. Você não chegou a conhecer os Replacements, mas gostaria de saber se há histórias do estúdio que gostaria de contar pra gente.
Deixa eu pensar… uma vez tivemos Jimmy e Stevie Ray Vaughan gravando com a gente. Eu não sabia muito sobre Jimmy, mas Stevie era um cara incrível. Ele tinha um fogo interior, toda nota que ele tocava era muito bem pensada, ele sabia o que estava fazendo. O R.E.M. gravou o “Green” aqui em 1988. Eu já era um grande fã deles e eles passaram cinco ou seis semanas por aqui. Pudemos dar umas voltas por aí e disso surgiu uma grande amizade com Peter Buck e Mike Mills. Lembro que o Michael Stipe levou o cachorro dele, Max, para aquela viagem. Uma vez, fomos jantar e Michael começou a contar como ele tinha trabalhado como fritador em um restaurante, e como ele gostava daquilo. Passei a admirá-lo muito – até porque é sempre preciso gostar do que se faz. Um fritador traz muito prazer para as pessoas se consegue fazer boa comida. Foi uma grande lição que eu aprendi ali: se você vai fazer algo, faça bem. É importante se orgulhar do trabalho que você faz.

Há quem chame a Ardent de “Abbey Road americana”, até mesmo transformando o estúdio em um ponto de peregrinação. Há muitos turistas por aí?
Costumávamos ter bastante gente por aqui, mas agora interrompemos as visitas por conta das reformas que estamos fazendo. Acho que depois da reforma, voltaremos a estar no mesmo nível de Abbey Road e outros grandes estúdios, vamos renovar os equipamentos e também a aparência aqui do estúdio. Vai ficar incrível. Mas é engraçado: tem muita gente da Inglaterra e da Austrália, de toda parte do mundo, do Japão, que vem visitar o estúdio. Tem muita gente que também vem visitar porque são fãs do ZZ Top ou do Led Zeppelin, que também gravaram aqui – na sede anterior do Ardent Studios, é verdade, não é onde estamos agora. Mas eu me orgulho muito dessa história: James Taylor, quase todo mundo da Stax tirando Otis Redding, as Staple Singers, Sam e Dave, Isaac Hayes, tem muita história! Joe Walsh, isso para não falar do REM, Replacements, Mudhoney, uma porrada de bandas incríveis. É muito mais legal trabalhar na Ardent do que em Abbey Road! Se eu tivesse que escolher tudo de novo, eu escolheria trabalhar na Ardent e com John Fry. Dito isso, eu e Luther Russell gravamos na Ardent e fizemos alguns overdubs na Califórnia, porque Luther vive em Pasadena, na Califórnia. Estamos agora escrevendo músicas para nosso quarto disco como Those Pretty Wrongs, mas para quem estiver ouvindo a gente, ouçam o “Holiday Camp”, nosso álbum de 2023! A Mojo deu quatro estrelas pro disco, a Uncut deu nota 8.

A próxima pergunta era justamente sobre o Those Pretty Wrongs. Como foi o começo desse projeto?
Já vou falar disso, mas deixa eu terminar de te contar: eu e Luther vamos gravar nosso próximo disco em Abbey Road, no estúdio 2, onde os Beatles fizeram a maior parte das músicas deles. Vamos gravar com John Leckie, que foi operador de fita em discos como “All Things Must Pass”, de George Harrison. John produziu os Posies, produziu “The Bends”, do Radiohead, e uma série de outros discos. Vamos ter um dia de completa euforia por lá. E temos uma música chamada “Liverpool at Last”, que estará no nosso próximo disco. Não vou tocar bateria por lá, porque mal podemos pagar pelo estúdio. É um luxo poder fazer sessões em Abbey Road, o tempo deles é muito caro, mas vamos gravar apenas alguns violões e talvez usar o piano que foi usado em “Lady Madonna”. Vamos usar o que eles tiverem por lá que não tenha custo de aluguel para usar. Vai ser um dia bem divertido, mas o resto do disco será gravado aqui na Ardent.

Que incrível! Mas como essa história do Those Pretty Wrongs começou?
Um dos meus trabalhos aqui na Ardent era cuidar dos contatos de A&R – a parte de artistas e repertório das gravadoras. Eu tinha de falar com os executivos para saber se eles precisariam de nós. E um dos meus contatos era Gary Gersh, da Geffen, que assinou com os Posies e também com uma banda chamada The Freewheelers, que era a banda de Luther Russell. Foi assim que nós nos conhecemos. Ao longo dos anos, eu e Luther conversamos muito, sempre nos encontramos por aí. Quando Daniel McCarthy terminou o documentário dele sobre o Big Star, “Nothing Can Hurt Me”, Daniel me convidou para ir para Los Angeles cantar algumas músicas na estreia. E eu achei que seria divertido, porque eu não costumava cantar muito, e alistei Luther para tocar comigo – especialmente porque não havia dinheiro para levar ninguém de Memphis comigo. Nós começamos a tocar juntos e começamos a nos dar bem, ao ponto de que Luther sugeriu que deveríamos escrever algumas músicas. Eu não tinha dúvida de que Luther poderia fazer isso bem, ele é um grande compositor, mas não tinha a mesma certeza sobre mim. Ok, eu escrevi “For You” e algumas outras coisas, mas eu nunca realmente tinha sentado para compor. Achei que íamos fazer só quatro músicas, mas chegamos a doze, e aí gravamos dez dessas músicas no nosso primeiro disco. Aí ele disse para a gente gravar outro disco. Fizemos outras dez músicas e um segundo disco. É engraçado: ao longo dos anos, sempre tive muita inspiração musical, colhi muitas referências, então acabou sendo mais fácil do que eu esperava. Aí veio a época da pandemia e Luther sugeriu que deveríamos fazer algo útil com o nosso tempo. Acabamos nos internando dentro da Ardent por um tempo e gravamos nosso mais recente disco, “Holiday Camp”. Agora já temos mais algumas músicas prontas. Temos sorte de que as pessoas estão ouvindo o que nós gravamos. Por algum motivo, não fizemos muitas coisas nos EUA, mas as pessoas gostam muito da gente na Inglaterra, a Mojo e a Uncut sempre falam da gente. A Mojo até incluiu uma música nossa em uma coletânea deles recentemente. E é fácil fazer turnês pela Inglaterra, porque dá pra fazer tudo via trem. É barato: nós dois podemos ir de Londres para Glasgow por US$ 150. Nos EUA, precisaríamos viajar de carro, contratar um motorista e gastaríamos muito mais – até porque eu não confiaria em nenhum de nós dois para dirigir.

Muito bom! Recentemente, o senhor também trabalhou com os Lemon Twigs, uma das bandas mais bacanas dos últimos anos – e que vai tocar aqui no Brasil em breve. Como foi tocar com eles?
Adoro aqueles caras! Na primeira vez que falamos, o empresário deles me ligou enquanto eles estavam fazendo uma turnê. Eles iam passar por Memphis e queriam conhecer o estúdio. Eles ficaram muito animados, eram muito jovens. Talvez eles tivessem 17 ou 18 anos na época. Foi uma conversa bem bacana. Eles deixaram o disco deles comigo na época e adorei. Ficamos em contato e eles me convidaram para ir à casa dos pais deles, em Long Island. Eles tinham um pequeno estúdio dentro de casa, e acho que tocamos umas duas ou três músicas. Eles acabaram usando uma delas, “The Student Becomes the Teacher”. Foi uma viagem muito divertida. Passei a noite por lá e ajudei os pais deles a fazer o jantar, foi uma noite de família, tipo uma festa do pijama. Foi muito divertido!

Estamos quase chegando no fim da entrevista. Se você tivesse uma máquina do tempo, você mudaria algo na história do Big Star?
Não! Se você pensar sobre o impacto que aqueles discos causaram, eu certamente não faria nada de diferente com eles. E não sei se poderíamos ter feito algo de diferente tendo um empresário ou com um agente. No fim das contas, tudo deu certo: quando Andy saiu da banda, ele arranjou um ótimo emprego, ele tinha uma boa família e viveu uma vida boa. Alex também viveu uma vida boa, em seus próprios termos, e continuou a fazer música. Chris infelizmente morreu em 1978… e bem, eu estou na Ardent desde 1977. Tem sido uma vida boa e ainda posso tocar! Não mudaria nada.

Nessas cinco décadas, o Big Star foi regravado inúmeras vezes. Você tem uma cover favorita da banda?
Bem, o Wilco tem uma versão de “Thirteen” que é bem incrível. As Bangles têm uma ótima releitura de “September Gurls”. Quem mais? Tem a “Holocaust” do This Mortal Coil. E claro, tem a versão de “Kanga Roo” do Jeff Buckley, que é excelente. Eu pude vê-lo aqui em Memphis e foi incrível.

É uma versão incrível mesmo.
Eu não deveria dizer isso, mas acho que a de Jeff é a minha favorita. (risos).

Ué, por que não?
Ah, eu deveria dizer que é a do Wilco porque eu conheço todos os caras da banda! Eu amo a versão do Wilco para “Thirteen”. Mas “Kanga Roo”? É uma música muito inesperada para ter uma releitura. E Jeff Buckley? Uau!

(Nota: Ouça todas as versões citadas abaixo)

Uma das nossas tradições do Programa de Indie é encerrar os episódios com uma pergunta clássica ao estilo “Alta Fidelidade”. Quais seriam os cinco discos que o senhor levaria para uma ilha deserta?
Oh, meu Deus! Eu não sei! “Grace”, de Jeff Buckley, com certeza. James Taylor! Eu amo James Taylor, tem uma vibe muito feliz, provavelmente iria com “Fire and Rain”. São discos doces, muito bons de ouvir. Acho que eu não levaria um disco do Big Star. Não sei, talvez “Radio City”. Pô, faltam só dois, isso aqui é perigoso. “Smile”, dos Jayhakws, é um disco impressionante. Acho que preciso de um tempo pra pensar. E eu conheci recentemente os caras do My Morning Jacket, estou descobrindo a carreira deles. Pô, essa é uma pergunta difícil, tem muita música boa.

Eu achei que a sua lista ia ser inteira de Beatles.
Pois é, isso é muito difícil! Talvez eu levasse “Sgt Pepper’s”. É difícil: os Beatles são o meu Big Star. Eles evoluíram ao longo dos anos. A nossa evolução foi mais pronunciada de um disco para outro, entre os três discos. As pessoas amam o Big Star por causa desses três discos. Cada um dos discos que fizemos acerta as pessoas em sentimentos específicos. É difícil escolher um disco só. E acho que os Beatles são assim também, é impossível escolher só um disco, mas acho que fico com “Sgt Pepper’s”.

Eu espero que a gente tenha novas oportunidades para conversar em breve e talvez a gente tenha uma chance de ter uma lista definitiva!
Sim! Putz, como é que chama aquele disco do Jackson Browne? Talvez eu devesse levar aquele disco. É um disco que tem um galão de água na capa, talvez eu precisasse de um pouco de água numa ilha deserta. (risos). Estou sendo bobo, mas eu sou um grande fã de Jackson Browne. É difícil responder essa pergunta, mas o lado bom da música é que você não precisa ficar restrito a um top 5. Você pode ouvir o que quiser: de “Sgt. Pepper’s” a Wilco e depois ouvir os Jayhawks ou os Lemon Twigs. Não é preciso escolher um favorito, porque há tempo para ouvir todo mundo!

Jody, é um prazer enorme conversar contigo. É uma honra para mim e para o Igor. Estamos juntos nesse programa há quase cinco anos e uma das bandas que nos uniu foi o Big Star. Nós ficamos amigos por causa de bandas como o Big Star, e é um sonho virando realidade falar contigo.
É muito legal ouvir isso de alguém do Brasil. Aliás, vocês já ouviram falar de um EP do Big Star que saiu no Brasil?

Não!
Existe! Eu não tenho uma cópia, mas se você procurar no Google poderá encontrar. É interessante, porque ele saiu na época de “#1 Record”. Vá atrás! E me avise se descobrir alguma coisa! Muito obrigado pela conversa!

(Nota do repórter: o EP que Jody se refere é um compacto duplo lançado pela Stax em 1972 no Brasil, com quatro músicas do primeiro álbum da banda: “Feel”, “When My Baby’s Beside Me”, “The Ballad of El Goodo” e “Try Again”. No Discogs, o preço médio do compacto é de US$ 360.)

– Bruno Capelas (@noacapelas) é jornalista. Apresenta o Programa de Indie e escreve a newsletter Meus Discos, Meus Drinks e Nada Mais. Colabora com o Scream & Yell desde 2010.





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