Poléxia ao vivo em Curitiba

Texto por Ana Carla Bermúdez
Fotos por Fabio Gimovski /Sesc Paço da Liberdade

Num domingo atípico em Curitiba, de muito sol e muito calor – com ênfase no muito – a Poléxia subiu ao palco da rua Riachuelo, uma das mais antigas da cidade, para seu primeiro show em quatro anos, durante a programação da Corrente Cultural. Uma das bandas que marcaram o pop-rock curitibano dos anos 2000, a Poléxia havia anunciado o fim das atividades em 2009, pouco depois do lançamento do seu segundo álbum, “A Força do Hábito”.

O anúncio do show, realizado a convite da organização do evento, foi uma surpresa para os fãs da banda – tanto aqueles que guardam na memória as apresentações da Poléxia quanto os que acreditavam que nunca teriam essa chance. Ambos tinham a mesma dúvida: seria uma volta definitiva ou apenas um breve encontro? Rodrigo Lemos, por exemplo, se divide entre o projeto Lemoskine e A Banda Mais Bonita da Cidade, que recém lançou seu segundo disco. Há espaço para a Poléxia?

Com módicos quinze minutos de atraso, Rodrigo Lemos (voz/guitarra), Eduardo Cirino (teclados), Francis Yokohama (baixo) e Neto (bateria) – a última formação da Poléxia – subiram ao palco ao som das palmas de uma plateia ansiosa. Às primeiras notas de guitarra da introdução de “Aos Garotos de Aluguel”, uma das músicas mais icônicas da banda, o fervor. E então se formou o grande coro que entoou as letras por todo o show. O refrão “eu vou te dar o teu prazer / mas com amor é mais caro / o meu amor é o mais caro / me diz quanto você pode pagar”, cantado a plenos pulmões, foi de dar um arrepio até a espinha.

O show seguiu com “Quando a luz se apaga”, do primeiro disco da banda, “O Avesso”, e “O Capa Dura”, música que abre “A Força do Hábito”. Mesmo sendo de duas fases e formações diferentes da banda – cinco anos separam os dois trabalhos – era notável o entrosamento e a familiaridade com que Rodrigo, Dudu, Francis e Neto tocavam – sem contar com as características dancinhas de Dudu, que continuam incríveis. O hiato, que durou quatro anos, parecia ser de apenas uma semana.

Com o falsete de Lemos em primeiro plano, “Você Já Teve Mais Cabelo” ganhou, como de era costume, um trecho de “Devil’s Haircut”, de Beck – que, curiosamente, havia se apresentado no dia anterior no Festival Planeta Terra, em São Paulo. Em seguida, entre “O Radar” e “Gloss”, Lemos agradeceu a presença do público e arrematou: “Vamos tocar agora uma que não está em nenhum disco, mas que vocês devem conhecer”.

Foi a deixa para “Eu Te Amo, Porra!”, uma verdadeira balada romântica do abandono, lançada como single em 2007. E não deu outra: os versos “eu não quero um outro alguém / muito menos se for / pra esconder o nosso bem / em um falso sorriso (…) outra foto no mural / e eu fui cuidar de mim” criaram outro momento memorável de grande coro da plateia.

Contemplar músicas de fora dos álbuns de estúdio não era a única surpresa planejada do dia. Um novo momento teve início com a chamada de Igor Filus e Leandro Delmonico, da conterrânea Charme Chulo, para uma participação especial na música “Triste Fim de Baltazar da Rocha”. Ao subir no palco, Igor bradou ao microfone: “Fica, Poléxia!”, fazendo a plateia gritar “fica! fica! fica!”.

A banda ainda mostrou sua versão de “Cadê Você”, de Odair José, antes de chamar ao palco Allan Yokohama, integrante da formação original da Poléxia e atualmente o homem à frente da Humanish. Com Allan, a banda fez uma versão de tradução livre de “Monkey’s Gone To Heaven”, do Pixies, e seguiu com “O Inimigo” e “Sal de Fruta”.

Em seguida, Rapha Moraes e Juninho Jr., também ex-integrantes da Poléxia e que hoje integram o projeto solo de Rapha, participaram tocando “Violetas na Janela” e “Ficar em Casa”. Neto e Francis voltaram ao palco para uma versão de “Melhor Assim” por uma Poléxia big band, uma mistura dos integrantes de suas diferentes formações. Curiosamente e, talvez, simbolicamente, a última canção do último disco da banda, “A Balada da Contramão”, foi também a última a ser tocada no show.

Durante o show, Rodrigo respondeu aos vários pedidos de “fica!” feitos tanto pela plateia quanto pelos convidados: “Vamos com calma, vamos ficando… Essas ficadinhas, vocês sabem, geralmente resultam em namoro”. Se o tempo de quatro anos foi o suficiente para repensar a relação, se a banda vai reatar ou se esse show foi apenas um remember dos bons tempos… bom, ironicamente, só o tempo irá nos dizer.

– Ana Carla Bermúdez (@anacbermudez) é jornalista e assina o blog Mamute Falcatrua

Leia também:
– “A Força do Hábito” e o universo romântico e inocente da Poléxia (aqui)
– “Acústico”, Poléxia: Um dos principais registros da nova safra curitibana (aqui)

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