Blog do Editor do Scream & Yell
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Category — Europa 2011

Uma noite inesquecível na Irlanda

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Semanas atrás estive na Irlanda. Engraçado, nunca pensei na Irlanda como um destino de viagem. Depois que fiz o básico (Londres, Paris, Berlim, Roma, Barcelona e Madri) com alguns bônus (Bruxelas, Bruges, Glasgow, Viena) troquei a Escandinávia (ainda vou) por parte do Leste Europeu (Budapeste, Praga, Bratislava) e acabei descendo para a Grécia (Atenas e Santorini) chegando até a Turquia (apenas Istambul) – cometendo sempre o pecado de deixar Lisboa de fora. Mas nunca tinha pensado em Dublin ou Cork…

Então, de repente, me encontro dentro de um pequeno pub e, em um dos cantos, sentados, um senhor com um banjo, outro com um contrabaixo, um rapaz mais novo com um violão e outro rapaz com outro banjo começam a tocar uma versão dilacerante de “Out on The Weekend”, de Neil Young, em ritmo de folk irlandês de boteco com todo mundo falando alto, erguendo pints de cerveja e cantando uma letra que fala sobre abandonar tudo e começar um novo dia. Olhei aquilo e parte de mim se quebrou em pedacinhos. Que coisa linda. Havia mais. o refrão forte de “Big River”, de Jimmy Nail, emocionante:

A sessão estava apenas começando e muita coisa boa viria pela frente. A ligação foi imediata. O country e o folk norte-americanos devem muito de sua formação aos imigrantes irlandeses que baixaram nos Estados Unidos no começo do século passado. Gangues de Nova York. Martin Scorsese entende. Bob Dylan, que aprendeu boa parte do que sabe ouvindo (e roubando e se inspirando n)a expressiva coletânea sextupla “Anthology of American Music”, também. “Anthology” é um importante fruto de uma ilegalidade. E é histórico (falei mais aqui).

O movimento cíclico: os irlandeses influenciaram os norte-americanos e hoje tocam músicas norte-americanas (com um pouco de sotaque irlandês) e chega a ser impressionante como os Estados Unidos conseguiram fazer essa inversão de valores com tanto êxito (através de guerras, manipulação de interesses e outras coisas, mas independente da “ferramenta”, conseguiram - o mérito é inegável). Porém, a Irlanda herdeira dos celtas e que fala gaélico ainda é o Velho Mundo pré-Cristovão Colombo, pré-América. Fui muito inocente: era óbvio que eu iria me apaixonar por essas cidades, por esse país…

Leia também: Diário Europa 2008 (aqui), 2009 (aqui) e 2010 (aqui)

Julho 29, 2011   4 Comments

Top 5 - Festival de Benicàssim

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 Top 5 - Bruno Dias (Urbanaque)
01) Arcade Fire
02) Arctic Monkeys
03) Primal Scream
04) Friendly Fires
05) Portishead

Top 5 - Lúcio Ribeiro (Popload)
01) Arctic Monkeys
02) Primal Scream
03) Friendly Fires
04) Portishead
05) Arcade Fire

Top 5 - Marcelo Costa (Scream & Yell)
01) Arcade Fire
02) Primal Scream
03) Portishead
04) Arctic Monkeys
05) Friendly Fires

Top 5 - Felipe Grecco (Família Scream & Yell)
01) Arctic Monkeys
02) Primal Scream
03) Arcade Fire
04) Friendly Fires
05) Art Brut

Top 5 - Alexandre Dias (Washing Machine)
01) Primal Scream
02) Arcade Fire
03) Portishead
04) Arctic Monkeys
05) Elbow

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 - Fotos: Marcelo Costa http://www.flickr.com/photos/maccosta
- Destaques dos quatro dias do FIB 2011, por Marcelo Costa (aqui)

Julho 18, 2011   1 Comment

FIB 2011, Dia 4

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Se a escalação dos palcos secundários não ajudava nada no quarto e último dia do FIB 2011, o palco principal tornaria-se responsável por dois shows sensacionais. Respeitando o desgaste dos dias anteriores e dedicando-se a dobradinha de destaque do palco principal, a noite do último dia do badalado Festival de Benicassim começou de verdade apenas às 23h do domingo quando Betty Gibbons adentrou o palco com o Portishead.

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A primeira coisa ouvida do palco foi a frase em português que abre “Silence”, primeiro tema do terceiro disco do Portishead. O blues eletrônico sofrido do grupo de Bristol comandando pela voz inacreditável de Beth Gibbons ninou a alma de milhares de espectadores. Os hits foram vindo, um a um, gelando a espinha. “Mysterons”, “Over”, “Sour Times”, “Cowboys” e o hino “Glory Box” mostraram um contraponto depressivo para a alegria do Primal Scream na terceira noite.

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Se a voz e a postura tímida de Beth Gibbons são o destaque óbvio do show (ela agora até brinca com a persona ameaçando pegar o microfone nos intervalos para falar algo ao público, mas sempre se esquivando – no fim do show, surpresa: ela desceu até o fosso para ser tocada pela audiência), o instrumental é dilacerante com Geoff Barrow arrasando nos scratchs e Adrian Utley perfeito nas guitarras e teclados. Vale destacar também o belíssimo trabalho de imagens via telão, que consegue deixar ainda melhor um show perfeito.

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Para fechar a tampa de um dos melhores festivais de 2011, a melhor banda da atualidade sobre um palco. E o Arcade Fire não decepcionou e fez aquele show caótico que parece melhorar ainda mais a cada apresentação (e esta, segundo Win Butler, foi a última da tour “The Suburbs” na Europa). Seja em Chicago, seja no Coachella, seja em Benicassim, a entrega e a felicidade expressa no rosto de cada integrante do grupo impressionam.

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No FIB, a banda mudou ligeiramente a ordem do set list deixando a esporrenta “Month of May” para o meio e abrindo com cinco canções para deixar fã sem respirar: “Ready to Start”, “Keep the Car Running”, “Neighborhood 2 (Laika)”, “No Cars Go” e “Haïti”. Aparentemente, Régine assumiu a bateria principal em um grupo maior de canções, mas o destaque da noite foi o normalmente ensandecido William, que escalou a estrutura do palco durante “Rebellion (Lies)” para tocar seu bumbo metros acima da banda. “Wake Up”, no bis, novamente lembrou uma missa com todos os fãs fiéis erguendo as mãos ao alto e gritando como se isso fosse a última coisa a fazer. Que show.

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O FIB 2011 encerrou sua 17ª edição com a impressionante marca de 200 mil pessoas (média de 50 mil por dia). Os britânicos invadiram a estância turística, mas mesmo com o grande número de pessoas foi possível assistir a todas as apresentações com sossego, comer e beber o que quisesse sem enfrentar longas filas e entrar e sair do festival (inclusive deixando o carro em um estacionamento) sem maiores problemas. Um exemplo de como ganhar dinheiro respeitando os direitos do público. Os ingressos para o ano que vem já estão à venda, mas primeiro é melhor cuidar dos joelhos…

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  - Fotos: Marcelo Costa http://www.flickr.com/photos/maccosta
- Destaques dos quatro dias do FIB 2011, por Marcelo Costa (aqui)

Julho 18, 2011   No Comments

FIB 2011, Dia 3

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Via de regra, festivais de música não são palco para grandes shows. O set list é mais curto que o de uma apresentação normal, nem todo o público está ali para ver aquela banda (o que desestimula o artista) e a intimidade de um show pequeno aproxima o grupo do público – algo impossível em um festival com 50 mil pessoas. Mas existem algumas exceções (Arcade Fire no Coachella 2011, por exemplo), e o Primal Scream fez valer a pena ter vindo ao Festival de Benicassim 2011 com uma apresentação irrepreensível.

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O terceiro dia do FIB era, definitivamente, o de melhor line-up. A profusão de bons nomes fez com que vários shows se chocassem deixando a dúvida: ver um show inteiro de uma banda ou conferir metade desta e metade daquela. A segunda opção venceu. Porém, o cansaço dos dois dias anteriores vitimou o Tame Impala (que tocava às 20h – chegamos às 22h30). Mesmo com o som baixo, o Bombay Bicycle Club fez um belo show de responsa (que me lembrou muito Yo La Tengo) para um ótimo público.

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No palco principal, o Mumford and Sons comemorava seus milhões de cópias vendidas com o público cantando tudo. Quando eles aceleram seu folk coxinha, o bicho pega, mas boa parte do show se perde em tédio. Após seis músicas desisti (bocejando) e fui conferir Zach Condon fazer poesia sonora com o Beirut. Pelo tempo, só dava para ver cinco músicas e o rapaz caprichou: abriu com “Nantes”, seguiu com “The Concubine” e “The Shrew”, encantou com “Elephant Gun” e só então tocou uma nova, “Vagabond”. Deu vontade de ver o show inteiro, mas…

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Segundo o El Periódico Mediterráneo, o Arctic Monkeys foi o primeiro show deste ano a unir espanhóis e ingleses no festival, um mérito e tanto. Com a pista do palco principal abarrotada (com muita mais gente do que no show do Strokes, por exemplo), o clima condizia com o de um grupo que vive talvez o seu melhor momento na carreira. No gargarejo, meninas aparentando uns 15 anos seguravam cartazes: “Matthew Helders > God” e “Alex Turner, will you marry me”. Histeria total.

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A nova “Library Pictures” abriu a noite e parecia uma das antigas: todo mundo cantou! A massacrante “Brianstorm” veio na sequencia trazendo “This House Is A Circus” e parecia que Alex Turner e compania estavam prestes a fazer um show avassalador, mas o pique foi caindo no meio da apresentação – um tanto pelo silêncio entre as músicas, estilo Strokes, e também pela variedade do repertório, retrato perfeito de uma banda em busca de seu próprio som.

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“She’s Thunderstorms” surgiu bonita abrindo um bloco com as ótimas “Teddy Picker” e “Crying Lightning”. A empolgante “Brick by Brick” não empolgou, mas a dobradinha “The View From The Afternoon” e “I Bet You Look Good On The Dancefloor” foi cantada (e pulada e gritada) em coro. O bis trouxe “Suck It and See”, o hit “Fluorescent Adolescent” e a climática “505” fechando um bom show – que podia ter sido melhor. Ainda deu para conferir três músicas do Big Audio Dynamite, que repetiu a festa do Coachella, mas o melhor show da noite (e do três primeiros dias do festival) ainda estava por vir.

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Uma das melhores notícias do ano: Bobby Gillespie desistiu de tocar com o volume de todos os instrumentos no último (a falta de Kevin Shields na nova formação deve ter ajudado) e o Primal Scream ao vivo, tocando o histórico “Screamadelica”, é um dos shows obrigatórios de 2011. A palavra que resume a apresentação é festa: todo mundo suingando, cantando e pulando com um enorme sorriso no rosto.

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O grupo entrou no palco às 3h da madrugada de um sábado quente e fez um daqueles shows que dá vontade de assistir novamente e novamente e novamente. Começa com o hino “Movin’ Up” e as grandes canções do álbum se atropelaram em versões arrebatadoras (como os 15 minutos psicodélicos de “Higher Than the Sun”). Gillespie ainda incluiu “Country Girl”, “Jailbird” e “Rocks” na parte final terminando o show de forma apoteótica. Daqueles shows para dar significado ao fato de caminhar de lá pra cá entre palcos de um grande festival. Obrigado, Bobby Gillespie.

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Domingo, último dia do FIB 2011. O line-up poderia ser taxado de fraquinho, mas o que dizer de Portishead (às 23h) e Arcade Fire (às 1h15) em sequencia? Ainda tem The Go! Team e Noah & The Whale. Bora descansar que a noitada promete.

 - Fotos: Marcelo Costa http://www.flickr.com/photos/maccosta
- Destaques dos quatro dias do FIB 2011, por Marcelo Costa (aqui)

Julho 17, 2011   1 Comment

FIB 2011, Dia 2

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Em seu segundo dia da edição 2011, o Festival de Benicassim não tomou conhecimento da torre de babel formada pelo público (35 mil na primeiro noite, 50 mil na segunda) e passou como um trator sobre a audiência deixando dezenas de ingleses capotados no chão, milhares de copos plásticos pelo terreno, litros de cerveja (energético, coca-cola e outras coisas) sendo arremessados para o alto e meus joelhos um bagaço. E ainda faltam dois dias…

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O primeiro show do dia seria às 18h, mas por uma questão de estratégia e tentando preservar o pouco do condicionamento físico que ainda resta, chegamos na maratona às 21h30 para dividir-se entre dois shows que começavam às 21h45: Brandon Flowers no palco principal e Undertones no menor palco. Primeiro os irlandeses, por uma questão de respeito, e eles não decepcionaram: com um som bastante potente e um repertório lotado de hits, fizeram um baita show que teve como ponto alto, claro, o hino “Teenage Kicks”.

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Mito conferido, bora para o palco principal - absurdamente tomado pelo público, que tentava ser convencido de que a carreira solo do vocalista do Killers tem alguma coisa que preste (uma ou duas canções e olhe lá – uma delas: “Was It Something I Said?”). O show estava morninho até Brandon retirar da cartola, na última canção da noite, um remix poperô de “Mr. Brightside (Jacques Lu Cont Remix)” que transformou o FIB em uma enorme balada da Vila Olímpia.

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O Elbow abriu seu show com “The Birds” e estendeu a canção por oito longos (e chatos) minutos. Depois disso só restava correr para ver o Art Brut. Eddie Argos e compania entraram com um pique absurdo tocando todos seus hits (“Formed a Band”, “My Little Brother”, “Modern Art”) em versões esporrentas e inspiradas. Eddie surfou na galera (o Urbanaque filmou. Assista aqui), provocou (e agradeceu) o Morning Benders e deixou todo mundo surdo e com um sorriso no rosto. Grande show.

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No palco principal, mais um capítulo da novela “os Strokes vão ficar juntos até o Planeta Terra?”. Eles tinham uma hora e meia de show, mas entraram 10 minutos atrasados (como no Coachella) e saíram sem falar nada 15 minutos antes. 18 músicas em pouco mais de uma hora. O abismo entre os hits antigos e as músicas novas é imenso, mas esse foi um dos melhores shows que vi do Strokes nos últimos dois anos – talvez porque a banda engatou um som no outro evitando que Julian abrisse tanto a boca e falasse bobagem. Mesmo assim, fica cada vez mais nítida a falta de vontade de Julian, ou como cravou um dos jornais espanhóis, “a falta de carisma”.

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“New York City Cops” abriu a festa com toda audiência nas mãos da banda, mas o grande momento do festival até agora foi “Last Nite” com um coro de 30 e tantas mil pessoas encobrindo o som do quarteto. Bonito de ouvir, mas o show teve vários momentos de bocejo. A noite ainda seguiu-se com uma discotecagem meia boca de James Murphy e com uma apresentação ensandecida do Friendly Fires (o grande destaque do FIB 2011 até agora), que entrou no palco principal às 3 da manhã e manteve todo mundo acordado e pulando até às 4h.

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O festival segue neste sábado com o show correto do Tame Impala (20h), a boa promessa do Bombay Bicycle Club (22h30), os chatinhos do Mumford and Sons (23h), Beirut tocando o disco novo (00h) e a avalanche do Arctic Monkeys (00h30) e do Primal Scream (02h30). Ainda tem Big Audio Dynamite (02h) e Derrick Carter, que fecha o terceiro dia às 06h45. Partiu para a praia porque é preciso recuperar as energias.

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Fotos: Marcelo Costa http://www.flickr.com/photos/maccosta
*com exceção da foto do Undertones, crédito FIB 2011
- Destaques dos quatro dias do FIB 2011, por Marcelo Costa (aqui)

Julho 16, 2011   2 Comments

FIB 2011, Dia 1

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Com um line-up tímido, dezenas de milhares de ingleses (a grande maioria, bêbado), sol castigando a nuca, batatas-frias atoladas em maionese e muita, mas muita cerveja, o Festival de Benicàssim deu a largada de sua edição 2011 prometendo tornar-se histórico nos três dias seguintes, pois se o bicho pegou com Dorian, Paolo Nutini, Plan B e The Streets no palco, imagina quando Arcade Fire, Strokes, Arctic Monkeys e Primal Scream entrarem em cena… haja coração e pernas.

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Em termos de shows não há muito o que falar da primeira noite. Perdemos Anna Calvi (ela tinha uma hora de show e só tocou 40 minutos), paqueramos Julieta Venegas (que começou o show com “Amores Platonicos”, de seu último álbum, e emendou na sequencia o grande hit “Limón y Sal” - para delirio dos espanhóis) e Lourdes Fernandéz, nome real da ruivinha Russian Red, atual sensação do folk indie espanhol (e gracinha), e subimos num palco para cantar algo que não lembro com não sei quem.

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O público compareceu em massa ao festival mesmo não existindo nada tão relevante em termos musicais apresentando-se no primeiro dia, e enquanto rolava o show de Mike Skinner (aka The Streets) já na alta madrugada, mais gente chegava para a noitada eletrônica – que iria se estender pra lá das seis da manhã com Guille Milkyway e Lesser Gods. A embaixada britânica pediu para que os ingleses não bebam muito e não capotem em qualquer lugar, mas claro que eles não obedeceram.

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A sexta-feira de sol pede praia, cerveja e descanso na compania do Urbanaque e da Popload, que também estão cobrindo o FIB 2011. Na programação pessoal, The Undertones (21h45), Herman Dune (22h45), Art Brut (23h45), Strokes (00h45), James Murphy (01h30) e Frindly Fires, que entra no palco às 3h prometendo tocar até as 4h. O Festival de Benicàssim 2011 só está começando…

- Fotos: Marcelo Costa http://www.flickr.com/photos/maccosta
- Destaques dos quatro dias do FIB 2011, por Marcelo Costa (aqui)

Julho 15, 2011   2 Comments

Barcelona de mi corazon

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Quem acompanha esse espaço sabe que tenho uma queda enorme por Barcelona, então caminhar no Passeig de Gràcia é especial - mesmo após quase 24 horas de viagem, três aeroportos e o escambau. La Pedrera continua me encantando à noite.

Agora é hora de sono para amanhã ter pique para o primeiro dia do Festival de Benicassim 2011. A produção do festival ainda não divulgou os horários de cada show, mas o Fábio (@fabiopixies) descolou essa prévia de um blog que confirmou banda a banda. Veja aqui.

Mas tenha esse horário apenas por base se você está indo. Ele não é o oficial. Vai que os Strokes entram às 23h e você perde o show. É só pra você ir se planejando…

Julho 13, 2011   1 Comment

Festival de Benicàssim, lá vamos nós

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Quinta-feira que vem começa na Costa de Azahar, na Espanha, mais uma edição do Festival de Benicàssim. Estive lá em 2008 para ver Leonard Cohen, Morrissey, Spiritualized, My Bloody Valentine, Sigur Rós, Raconteurs, Babyshambles e retorno agora para ver algumas coisas desse line-up acima e beber Heineken espanhola. Bora.

Leia também:
- Os quatro dias do Festival de Benicassim 2008 (aqui)
- Os três dias do Rock Werchter 2008, na Bélgica (aqui)
- Dois dias de T In The Park 2008, na Escócia (aqui)
- Cactus Festival, uma festa de interior… na Bélgica (aqui)
- Serpentine Sessions 2009, no Hyde Park, Londres (aqui)
- Dois dias do Festival da Ilha de Wight, na Inglaterra (aqui)
- Os três dias do Primavera Sound 2010, em Barcelona (aqui)
- Os três dias do Festival de Coachella, 2011, nos EUA (aqui)
- Os três dias do Primavera Sound 2011, em Barcelona (aqui)

Julho 9, 2011   1 Comment

Os CDs comprados na viagem

Tai a tradicional foto com todos os CDs (e livros e filmes) comprados na viagem. Não estranhe: tem diversas coisas nesta foto que eu já tinha em edições antigas, e que ou as comprei por terem bonus (como, por exemplo, o primeiro do BRMC e o disco do Blur) ou por algum outro motivo interessante (os discos do Bruce Springsteen foram lançados - todos - em edições com livros na Espanha. Comprei quatro, mas queria comprar a coleção toda)…

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Clique na imagem para ver a foto em maior qualidade

Veja também:
- Os CDs comprados em 2008 (aqui), 2009 (aqui) e 2010 (aqui)

Junho 6, 2011   8 Comments

Top 10 Shows da Viagem


“9 minutos de Jon Spencer Blues Explosion, Primavera Sound”

A viagem terminou, mas os relatos ainda não. Falta escrever sobre os três dias intensos em Londres (incluindo os shows de Art Brut e Kills) e sobre a passagem por Madri (e o sensacional licor de hierbas, Orujo), mas isso vai entrando durante a semana junto com as atualizações do Scream & Yell (muita coisa bacana para entrar no site). Por enquanto um Top Ten de shows da viagem. E nove minutos fodões de Jon Spencer e dez minutos intensos de Art Brut.

01) PJ Harvey no Paradiso, Amsterdã
02) Jon Spencer Blues Explosion, Primavera Sound
03) Pulp, Primavera Sound
04) Mercury Rev, Primavera Sound
05) Art Brut, no Lexington, Londres
06) Eric Clapton e Steve Winwood, no Royal Albert Hall
07) Grinderman, no Primavera Sound
08 ) M. Ward, no Primavera Sound
09) Sufjan Stevens, no Primavera Sound
10) John Cale, no Primavera Sound


“10 minutos intensos de Art Brut no Lexington, Londres”

Leia também:
- Top 5: o melhor do Primavera Sound 2011, em Barcelona, por Marcelo Costa, Marco Tomazzoni, Rodrigo Levino e Tiago Agostini (aqui)

Junho 6, 2011   3 Comments

Uma dúvida e uma constatação

Não sei o que aconteceu com a barra de chocolate com hemp que eu estava trazendo na mala. Não era uma embalagem tão chamativa quanto esta aqui, e nem devia ter quantidade suficiente de erva para causar algum efeito, mas simplesmente desapareceu da mala. Claro que posso tê-la esquecido no minúsculo quarto de hotel em Londres no momento em que arrumei a mala (à meia-noite e acordei às 3h30 para pegar um ônibus para o aeroporto de Luton às 4h da madruga), mas minha lembrança me diz que coloquei-a dentro da mala.

O problema é que a lembrança é tão confusa que nem em qual mala eu sei que guardei. Uma delas foi despachada em Londres, e a inofensiva barra de chocolate pode ter sido confiscada ali. Essa mesma e mais outra ficaram em um locker no aeroporto de Madri, e ambas fizeram o trajeto Madri/Santiago/São Paulo na sequencia. Lembro que quando abri a mala ao voltar dos Estados Unidos havia um papel informado que minha mala havia sido revistada. Confiscada ou não, a barra de chocolate não veio. Fica a dúvida.

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 Ao menos, a mostarda e os seis queijos holandeses chegaram salvos.

Junho 6, 2011   3 Comments

Dois vídeos de PJ Harvey no Paradiso


“Sky Lit Up”


“Down By The Water”

Leia também
- PJ Harvey quebra o protocolo da turnê em Amsterdam (aqui)

Junho 5, 2011   1 Comment

Amsterdam, uma cidade mágica

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É muito difícil falar de Amsterdam. A maior cidade dos Países Baixos (com cerca de dois milhões de habitantes na área metropolitana) é cercada de pré-conceitos que na enorme maioria das vezes relega a segundo plano a beleza e a personalidade de uma cidade viva, empolgante e apaixonante. Amsterdam já integra a minha lista de locais mágicos junto a Praga, Santorini, Paris e Veneza, cidades de personalidade tão particular que parecem únicas e especiais.

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Amsterdam localiza-se entre os rios Amstel e Schinkel e a cidade é formada por dezenas de pôlders (terras tomadas do mar e drenadas por diques e canais). Não a toa, 20% do total da área urbana é água. No total são 165 canais que fatiam a região central em pedacinhos (com 1281 pontes) conferindo um charme totalmente especial para a cidade, que ainda utiliza o tram como forma de transporte (uma versão moderna dos bondinhos), mas é dominada realmente pelas bicicletas, milhares delas.

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Caminhar no horário do rush em Amsterdam é uma aventura. Os trams cortam as avenidas e passam a centímetros dos pedestres. As milhares de bicicletas, por sua vez, constituem um cenário de contemplação. Turistas e transeuntes se perdem no vai e vem intenso de bicicletas cortando calçadas, ruas e parques. Como principal meio de transporte da cidade, as bicicletas são quase que um retrato de cada pessoa ou família. Aliás, existem várias com caixotes para transportar crianças. Um charme.

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A cidade ainda tem grandes museus dos quais se destacam o Rijksmuseum e o Van Gogh. O primeiro está em reforma desde 2005 e, por isso, 95% de seu acervo não está disponível para visitação. Apenas 400 quadros disputados centímetro a centímetro pelos turistas estão disponíveis, entre eles vários Rembrant, muitos Frans Hals e alguns Vermeer (“A Leiteira”, grande estrela da coleção, é tão competida aqui no verão quanto a Monalisa no Louvre). É preciso paciência para desfrutar o passeio, mas vale a pena.

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Já o Museu Van Gogh exibe a maior coleção de obras do artista em todo o mundo, e é obrigatório mesmo não tendo algumas de suas obras marcantes (“A Noite Estrelada”, por exemplo, está no MoMA, em Nova York). O prédio, desenhado pelo arquiteto holandês Gerrit Rietveld, é bastante funcional e espaçoso permitindo um bom aproveitamento das obras que são apresentadas em ordem cronológica. E são várias imperdíveis com destaque para “O Quarto em Arles” e “A Casa de Vincent em Arles”.

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Ou seja, Amsterdam é muito mais que o Red Light District e os coffeeshops. Eles estão ali, símbolos de uma cidade livre (ou que tenta lidar de alguma forma com a sensação de liberdade), mas muita gente tenta (na maioria das vezes inconscientemente) reduzir Amsterdam ao comércio de sexo e drogas. A prostituição, por exemplo, é considerada profissão legalizada em toda a Holanda, que garante assistência médica, direitos trabalhistas e fiscalização de condições de trabalho às damas.

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O Bairro da Luz Vermelha existe desde o século 13, época em que marinheiros chegavam cansados de longos meses no mar, e encontravam um descanso nos braços das moças da região. Hoje em dia, as ruas Gordijnensteeg e Korte Stormsteeg são as mais agitadas do bairro, e não são só frequentadas por pessoas interessadas nas garotas, mas sim por curiosos em geral (o que é meio surreal). O serviço, segundo consultou esse jornalista (a gente tinha que perguntar, né) saia 50 euros por 15 minutos de trabalho, e várias delas eram muito bonitas – ao menos nas ruas principais, em que o aluguel de um quarto (como nesse anúncio aqui) é mais caro.

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Já os cofeeshops estão distribuídos por várias regiões do centro e mesmo em alguns bairros residenciais. Existem alguns mais famosos com filiais pela cidade e outros menores. Poucos vendem cerveja, quase nenhum aceita cigarro e muitos deles deixam o visitante fumar a marijuana comprada em outro local. A maconha é liberada nos locais autorizados (olha o cardápio), ou seja, nada de fumar na rua. Além dela, outros produtos alucinógenos são oferecidos pela cidade como o famoso space cake (bolo de maconha, esse aqui) e cogumelos em diversas versões (as descrições são hilárias. Veja aqui).

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Além da possibilidade de fumar em um cofeeshop, o cidadão holandês pode ter uma muda de árvore de marijuana em casa ou mesmo comprar a erva nos cafés e consumir no lar. Porém, o governo busca inibir o turismo de drogas na cidade tentando aprovar uma lei que defende a proibição da venda de maconha para turistas. A idéia do projeto é que quem mora em Amsterdam (seja holandês ou não) tenha uma carteirinha de identificação que permita comprar e fumar marijuana na cidade.

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Independente do resultado do projeto, o retrato que fica é o de uma cidade dois ou três passos à frente das demais. Lúdica, com seus belos canais navegáveis e suas ruas antigas dominadas por bicicletas. Bela, com seus imensos parques e seus museus imperdíveis. Calma, com seu transito lento e a sensação de que, aqui, as pessoas prestam um pouco mais de atenção a si mesmas. É muito difícil falar de Amsterdam. Nem todas as palavras conseguem transpor com tanta clareza o encantamento de uma cidade mágica.

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Todas as fotos por Marcelo Costa. Mais no álbum da viagem aqui

Leia também:
- Diários da Europa: 2011 (aqui), 2010 (aqui), 2009 (aqui) e 2008 (aqui)
- Um domingo de descanso no paraíso, Santorini (aqui)
- Perambulando pelas ruazinhas encantadoras de Praga (aqui)
- A beleza de Veneza e a siesta de Treviso (aqui)
- “Parri, Parri” ou um olhar bêbado sobre a Torre Eifel (aqui)

Junho 5, 2011   9 Comments

Ao vivo: PJ, Clapton e Winwood

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O Paradiso, em Amsterdã, é uma velha igreja do século 19 transformada em salão de shows em 1968 (após uma frustrada invasão de hippies no ano anterior). De 1968 para cá já passarampela casa quase todas as grandes lendas do rock. Dos Stones (que fizeram dois shows semi-acusticos no local em 1995) aos Sex Pistols, do Joy Division ao Arcade Fire, do Nirvana ao Wilco, a lista é imensa. Há um salão principal e dois anéis superiores (no total, pouco mais de 1500 pessoas por show) e mais duas salas menores para apresentações intimistas.

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A turnê “Let England Shake” tem estado sold out em quase todas as cidades pela qual passa, e em Amsterdã não foi diferente. Os ingressos se esgotaram tão rapidamente que uma segunda data foi marcada, e na noite do primeiro show nada de cambistas na porta (apesar de na internet ser possível comprar o ingresso por 90 euros – na bilheteria era 40), mas sim muita gente vendendo pelo preço que pagou. O problema é entender o holandês. Quando alguém oferece um ingresso na língua pátria, no mesmo instante vende. Só alguns segundos depois os “turistas” percebem a negociação.

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No segundo dia, porém, a sorte bate no nosso ombro. “Vocês querem ingressos? Eu comprei para os dois dias, e ontem foi sensacional, mas não vou poder ir hoje. Vou ter que ficar cuidando dela”. Ela, no caso, era um bebe em um carrinho, e os ingressos saem pelos mesmos 40 euros da bilheteria. Cerca de 30 pessoas já estão postadas frente ao palco uma hora e meia antes do show, mas optamos por um local mais singular: um banco no terceiro piso, quase dentro do palco. O local enche rapidamente criando um clima intimista e então Polly Jean adentra o palco… vestida de preto.

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Ao contrário dos shows anteriores da turnê (ao menos em São Francisco, no Coachella e no Primavera Sound), em que a cantora se apresenta de vestido longo branco, nesta segunda noite em Amsterdã, PJ aparece trajando luto, mas o show é muito mais alegre do que os anteriores. Boa parte do mérito é do público, que aplaude efusivamente todas as canções do difícil e belo disco novo da cantora, que é tocado na integra (incluindo um b-side). Para surpresa de alguns, “The Sky Lit Up” surge na primeira parte do show, mas a dobradinha “Down by the Water” e “C’mon Billy” é o ápice.

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A apresentação segue o mesmo roteiro que o show em São Francisco: ela não dirige nenhuma palavra ao público até o adeus, 18 músicas depois. Retorna para o bis clássico (“Big Exit”, “Angelene” e “Silence”) e se despede, mas o holandeses querem mais, e aplaudem por mais de cinco minutos até que a cantora quebra o protocolo da turnê e retorna para um segundo bis, e só não toca mais porque a noite já consumiu todas as canções que a banda tem ensaiada. “Tocamos tudo”, desculpa se Polly, que deixa o paraíso debaixo de uma grande salva de palmas.

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O Royal Albert Hall, em Londres, é uma sala de espetáculos inaugurada em 1871 em frente ao Hyde Park pela rainha Victoria, que a batizou em homenagem ao falecido esposo Albert. O salão oval pode receber até 8 mil pessoas. É uma casa charmosa, que nesta noite recebe o encerramento da tour que uniu Eric Clapton e Steve Winwood, ex-parceiros no Blind Faith. A reunião já ganhou lançamento em CD e DVD de um registro no Madison Square Garden, e baixou em Londres com covers de Jimi Hendrix eMuddy Waters além de hinos próprios do quilate de “Layla” e “Cocaine”.

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O charme do Albert Hall, no entanto, não consegue evitar o distanciamento para aqueles que estão sentados nos segundo e terceiro anéis ou em pé na galeria superior. O som é perfeito, mas a visão várias vezes é prejudicada, o que impede uma interação completa com o espetáculo. Não tira o brilho da noite, mas não a torna mágica. A base do repertório do show são canções do Blind Faith, grupo que Clapton e Winwood tiveram em 1968 ao saírem, respectivamente do Cream (o baixista Ginger Baker também se uniu ao projeto) e do Traffic (Ric Grech completava a formação).

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Eric Clapton adentra o palco com uma Fender azul bebe que será trocada apenas uma vez durante a noite inteira (por uma preta em “Cocaine” - descontando o set acústico, claro) e abre o show com “Had To Cry Today”, que também abre o único disco do Blind Faith, homônimo, de 1969. Ele tem apenas dois pedais a sua frente, sendo que um deles é um wah-wah (que será usado em apenas duas músicas), e a economia nos efeitos engrandece o tour de force de riffs e solos mágicos que o guitarrista arranca de sua guitarra. Ela fala alto, e fatia a atmosfera do Albert Hall em pedacinhos.

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Steve Winwood se alterna entre o piano, o violão e a guitarra, e apesar de não lembrar de várias letras (um tele-prompter enorme a beira do microfone o auxilia), ainda canta muito. Mesmo Clapton, quando rasga a voz, emociona, mas o ponto alto da noite acontece sempre que o homem mostra porque um dia foi chamado de o Deus da Guitarra. Eric Clapton impressiona. Ele parece estar entregue ao instrumento, que ressoa na belíssima acústica de forma espetacular. A guitarra parece uma extensão do músico, e exprime os sentimentos do bluesman como ninguém.

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O repertório não traz nenhuma surpresa. “After Midnight” se junta a “Presence of The Lord”. “Glad” (Traffic) e “Well All Right” vem na sequencia, e o primeiro graaaande momento da noite surge com “Hoochie Coochie Man”. Robert Johnson é lembrado com “Crossroads”, mas o público vai ao delírio realmente com a versão linda de “Georgia On My Mind”. O set acustico é aberto com “Driftin” e ainda conta com “Layla” (a mais aplaudida e cantada durante as duas horas de show) e “Can’t Find My Way Home”. Quem ainda não tinha se rendido a dupla o faz em “Voodoo Chile”, de Jimi Hendrix. E “Dear Mr. Fantasy”, já no bis, encerra a noite de maneira consagradora.

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São dois shows diferentes. Enquanto PJ e seus cavaleiros de aluguel (Mick Harvey, John Parish e Jean-Marc Butty) optam pela simplicidade (e tem a seu favor uma casa em que a aproximação do público faz toda a diferença), Eric e Steve (e mais uma banda excelente) exibem uma técnica impecável, um charme exuberante para uma enorme audiência (quatro vezes maior do que a do Paradiso) que está ali para ouvir hinos sem muitas surpresas. Polly Jean arrisca cantando canções difíceis que ainda não completaram nem seis meses de mercado, e ainda assim consegue uma impressionante aprovação do público. São dois shows diferentes… e excelentes.

Junho 2, 2011   No Comments

Dois shows bonus do Primavera Sound

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Barcelona não para, e o Primavera Sound segue o ritmo da cidade. Após três dias intensos e dezenas de shows no Parc Del Fórum, dois eventos marcavam o encerramento da edição 2011 do festival: no Poble Espanyol, BMX Bandits e Mercury Rev. E para aqueles que ainda tinham pique, no Apolo, já na madrugada de domingo para segunda-feira, Simian Mobile Disco e Black Angels jogavam uma pá de cal sobre a ótima edição 2011 do Primavera Sound.

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O Poble Espanyol é um vilarejo recriado no alto de Montijuïc que tenta contar – através de ruas e casas – a história de todas as regiões da Espanha (em escala reduzida, claro). Fica alguns metros acima do Pavelló Mies van der Rohe, e se (ao contrário da magnifica obra do arquiteto alemão) ostenta um ar meio fake e cafona, por outro tem a vantagem de se transformar em um ótimo anfiteatro para a realização de shows para até duas mil pessoas. O clima era de quermesse com direito a copos enormes de sangria e pipoca.

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Duglas Stewart abriu os trabalhos com a BMX Bandits, veterana banda indie escocesa dos anos 80, que segue na ativa distribuindo melodias doces aos fãs de power pop. Stewart é daqueles frontmans que dominam a arte de entreter o público. Ele gasta seu sotaque escocês, diz que “ama o amor” e apresenta uma canção da época em que “Crazy Cat (a violinista ruivinha fofinha) ainda não tinha nascido”. E ao apresentar a moça, se orgulha: “Eu roubei ela do Belle and Sebastian”. Velhos hits e canções novas fizeram o público sorrir até o fim da apresentação.

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Na seqüência, o Mercury Rev subiu ao palco mais uma vez para apresentar a integra de seu álbum mais famoso, “Desert’s Songs”. O roteiro era o mesmo do show apresentado no sábado no anfiteatro do Parc Del Fórum, mas o clima era outro. Muitas coisas podem fazer um show em um dia ser ok e no outro, sensacional: o tesão da banda, a empolgação do público, o atmosfera do lugar. No Poble Espanyol, tudo parecia conspirar a favor, e o Mercury Rev não desperdiçou a oportunidade.

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Jonathan Donahue subiu ao palco, novamente, com uma garrafa de cerveja, que logo foi trocada por uma “botella” de vinho (que seria bebida inteira durante toda a a noite). “Holes” surgiu linda, cintilante, abrindo caminho para as demais canções do deserto. “Tonite It Shows” e “Endlessly” apareceram em versões encorpadas, com a bateria marcando forte o ritmo. Até a instrumental “I Collect Coins” brilhou, mas a divisora de águas, a canção que mostrou que este não era um show qualquer foi “Opus 40”, em versão estendida, inebriante, quase dez minutos de encantamento.

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Encarnando um maestro meio mágico, meio bruxo, Donahue sorria, arremessava energia para a plateia e aplaudia a entrega da banda e a cumplicidade do público enquanto as luzes no palco flutuavam sobre a densa nuvem de gelo seco. “Delta Sun Bottleneck Stomp” fechou o show de forma dançante, mas a banda ainda voltaria para tocar “Dark is Rising”, a música que resume o Mercury Rev a perfeição, com versos que dizem que “tudo é sonho” (título do álbum pós “Desert’s Song”) para concluir “nos sonhos eu sou forte”. Não só nos sonhos, Jonathan. No palco também. Impecável.

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 Primavera Sound, agora sim: até 2012.

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Maio 30, 2011   3 Comments

Top 5 do Primavera Sound 2011

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Top 5 - Marcelo Costa (Scream & Yell)
1) Jon Spencer Blues Explosion
2) Pulp
3) Mercury Rev
4) Grinderman
5) M. Ward

Melhor momento: “Yoshimi”, do Flaming Lips, em versão voz, violão e efeitinhos. De chorar.

Top 5 - Tiago Agostini (Rolling Stone)
1) Jon Spencer Blues Explosion
2) Pulp
3) Flaming Lips
4) Él Mató a un Policía Motorizado
5) Yuck

Melhor momento: Jarvis Cocker, do Pulp, dedicando “Common People” aos revolucionários

Top 5 - Rodrigo Levino (Veja)
1) Sujfan Stevens
2) Grinderman
3) Pulp
4) Yuck
5) M. Ward

Melhor momento: Tyler The Creator dando um mosh sobre a galera no comeco do show do Odd Future

Top 5 - Marco Tomazzoni (iG)
1) Grinderman
2) PJ Harvey
3) Pulp
4) Flaming Lips
5) National

Melhor momento: Jarvis Cocker, do Pulp, dedicando “Common People” aos revolucionários

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Maio 29, 2011   3 Comments

Barcelona, um barril de pólvora

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O clima continua tenso na capital da Catalunha. Centenas de pessoas continuam acampadas na praça principal da cidade, e na sexta a polícia tentou retirar os manifestantes com bala de borracha e bombas de efeito moral em uma ação que contou até com helicópteros. Em vão. A praça ficou sem as faixas de protesto por poucas horas, pois os manifestantes voltaram com força total no fim da tarde e ocuparam novamente a região.

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A tensão aumentou no sábado. Após o Barcelona despachar o Manchester United e garantir o título da Champions League, a torcida catalã baixou nas Ramblas e na praça para comemorar, e encontrou todas as entradas da praça fechadas com manifestantes segurando cartazes que diziam, entre outras coisas, “Resistência Pacifica”, “Paz” e “No violência”. A polícia cercou o local fechando o acesso a Rambla e a outras três avenidas.

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De um lado, os manifestantes. Do outro, a polícia. Entre eles, a torcida (e dezenas de indianos vendendo cerveja). E repórteres e fotógrafos (com capacete) do mundo todo registrando imagens e histórias da revolução silenciosa. No sábado de madrugada, na Praça da Catalunha, a linha fina que separa a paz do caos estava absurdamente visível. Qualquer gesto equivocado poderia causar uma reação exagerada e, talvez, trágica. Barcelona parece um barril de pólvora prestes a explodir.

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Maio 29, 2011   No Comments

Primavera Sound 2011: Dia 3

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O terceiro dia do Primavera Sound 2011 começou cedo em um sábado ensolarado (mas com um vento refrescante do Mediterrâneo) na capital da Catalunha. Cedo naquelas: John Cale iria se apresentar no Auditório do Parc Del Fórum às 17h30, e aqueles que quisessem ver poderiam reservar um lugar pagando 2 euros. As bilheterias abriam às 16h30, e cinco minutos depois os ingressos de reserva estavam esgotados. Para quem não conseguiu a reserva restava apenas tentar a sorte na fila de espera do auditório, e outra fila enorme se formou lotando os 3 mil lugares do local.

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John Cale entrou de saia escocesa acompanhado dos 20 integrantes da orquestra BCN216 mais guitarra, bateria e contrabaixo. No teclado, o ex-Velvet Underground soltou a música que abre seu disco mais famoso seguindo faixa a faixa álbum à dentro. Em 1973, seu ex-parceiro Lou Reed narrava a desventura romântica de um casal em Berlim, um história de amor e drogas que acaba de forma trágica. Neste mesmo ano, John Cale colocou nas lojas “Paris 1919”, um disco cujo mote era um acordo de paz entre nações, fazia uma ode à vida no campo e visava a contemplação.

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A excelente acústica do auditório valorizou as melodias das canções de “Paris 1919” e números como “Hank Panky Nohow” e “Paris 1919” soaram tão líricos e intocáveis que chegaram a emocionar. Cale e orquestra tocaram as nove músicas do álbum original, um b-side das sessões do disco, e seguiram para mais meia hora revisitando a carreira do músico no mesmo horário em que os novíssimos garotos do Yuck aumentavam as guitarras no palco sob curadoria do festival All Tomorrow Parties (dava para ouvi-los da entrada do festival, e o palco é bem distante).

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Na direção contraria, no palco Llevant, o Warpaint conseguiu arrebatar um bom público, que assistiu a um ótimo show no palco que iria exibir a final da Champions League enquanto o palco Ray Ban flagrava a reunião do Papas Fritas, grande pequena banda do indie norte-americano dos anos 90. Quase oito da noite, e com o sol brilhando, o Fleet Foxes mostrou bastante classe no palco principal enquanto Dean e Britta faziam um set acústico em uma pequena tenda (eles iriam repetir a apresentação, mas de forma elétrica, no palco ATP três horas depois).

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Novamente no auditório, mas desta vez com a turma de Jonathan Donahue, que tinha como missão executar as canções do clássico “Desert’s Songs” (que retorna às lojas em versão remasterizada e dupla), e quem viu o Mercury Rev em Curitiba, 2005, sabe que eles podem muito ao vivo. E o grupo não decepcionou abusando do gelo seco e das luzes climáticas, mas tocando com intensidade boas versões de “Holes”, “Tonite The Shows”, “Opus 40” e “Goddes In The Highway”, quatro cavalos de batalha do grande disco.

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PJ Harvey voltou a apresentar quase a integra do repertório do excelente “Let England Shake” para um público que parecia ter aprovado o disco. Os hits “C’mon Billy”, “Down By The Water” e “Big Exit” marcaram presença em um dos shows hors-concours de 2011. Pausa para pizza, hambúrguer e batatas fritas, e na sequencia o grande show de todo o fim de semana: Jon Spencer Blues Explosion, que levou quase 5 mil pessoas para o palco do ATP e fez um show venenoso e intenso, uma porrada movida a duas guitarras e bateria seca que garantiram ao power trio a medalha de ouro do rock and roll no Primavera Sound 2011.

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Ainda rolou de ver duas músicas do Odd Future no palco curado pela Pitchfork, mas a festa já estava com os minutos contados. Apesar dos contratempos do primeiro dia, o Primavera Sound conseguiu entrar nos eixos na sexta-feira e o sábado viu uma festa sem igual no parque aos pés do Mediterrâneo naquele que é considerado por muitos (músicos inclusive) um dos grandes festivais de música do planeta. 140 mil pessoas passaram pelo Parc Del Fórum, e ainda rolam shows no domingo no Poble Espanol, mas já é possível cravar que o Primavera Sound 2011  baixa as cortinas com saldo positivo. Que venha 2012.

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Top 5 do Dia 3
1) Jon Spencer Blues Explosion
2) John Cale
3) Mercury Rev
4) Fleet Foxes
5) Warpaint

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Todas as fotos por Marcelo Costa

Maio 29, 2011   No Comments

Primavera Sound 2011: Dia 2

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No segundo dia de sua edição 2011, o Primavera Sound, em Barcelona, corrigiu os erros que tumultuaram a abertura e o festival foi quase irretocável. A produção abandonou a ideia do cartão recarregável e devolveu o dinheiro daqueles que chegaram a colocar cash liberando assim o pagamento de alimentação via dinheiro. E ainda colocou muito mais ambulantes vendendo cerveja festival afora. Muito mais cheia que a primeira noite, a segunda só não foi perfeita porque a limpeza durante o festival (que no ano passado já havia deixado a desejar) ainda não funciona, e ali pela meia-noite o Parc Del Fórum parece mais um depósito de copos de plástico do que um local de shows.

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O line-up do segundo dia também parecia melhor que a noite de abertura e a festa começou com o retorno do The Monochrome Set (o plano era pegar o Fiery Furnaces no Llevant no mesmo horário, mas as pernas disseram não). Até o casal Dean Warehan e Britta Phillips assistiu ao show em meio a galera. O som é totalmente Smiths e fica a dúvida: Morrissey e Marr copiaram eles ou eles decidiram copiar os Smiths neste show de volta? Se a queixa não der em nada, afinal o Interpol segue impune tocando após tantas CPIs, fica o comentário: o Monochrome Set se esforçou muito para parecer Smiths no Primavera Sound. Não precisava.

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Distribuindo sorrisos e felicidade, M. Ward, que veio ao festival sem a Zoey (sua cara metade no She and Him), fez um show arrebatador no palco principal para uma audiência de respeito ainda com o dia claro. No set list, canções de sua carreira solo, do supergrupo indie Monsters of Folk e covers de Daniel Johnston e Chuck Berry que fizeram muita gente arremessar o chapéu de palha (distribuído por um dos patrocinadores do festival) para o alto. Daqueles shows para estampar sorriso na cara de quem assiste.

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Já o National mostrou como está enorme ao levar uma multidão para o quinto dos infernos, ou melhor, o palco Llevant. O grupo de Matt Beringer (o homem que bebe uma garrafa de vinho por show) superlotou a área e o público espanhol foi brindado com uma apresentação matadora dos novaiorquinos, que em vários momentos lembrou a banda insana de dois, três anos atrás. No palco principal, o Belle and Sebastian distribuiu hits e fofurices em um show bastante parecido com a apresentação de São Paulo do ano passado enquanto o Explosions In The Sky chegou avisando que “o mar era nosso” para fazer um show bonito.

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1h30 da madruga, e uma multidão aguardava ansiosamente a grande atração da noite (e do festival). Frases no telão brincavam com o público: “Será que você está fazendo parte de uma piada?”. Pontualmente às 1h45, o nome do grupo foi acesso letra a letra no fundo do palco, e Jarvis Cocker entrou para deixar o público ainda mais enlouquecido: “Esse é o nosso primeiro show em 9 anos. Nós tocamos aqui 9 anos atrás. Nosso guitarrista entrou na banda 15 anos atrás. Mas hoje não vamos falar de história: vamos fazer história. Do You Remember The First Time?”.

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A postura de Jarvis como frontman impressiona. Ele se requebra e dança desajeitado, mas exprime um charme incomum. Ele provoca o público com gestos sexy mostrando que aprendeu direitinho tudo que viu das aulas de David Bowie. E canta, mas canta muito. E distribui um hit atrás do outro. “Disco 2000” fez a plateia inteira gritar a letra até ficar rouca, mas o show ainda reservava muitas surpresas, como um inusitado pedido de casamento no fosso no meio da apresentação. Jarvis desceu para cantar “Spy” com a galera da grade, depois perguntou o nome do casal que estava vendo o show na área de fotógrafos, e emendou: “Ele tem uma coisa para te falar”. Aproximadamente 30 mil pessoas testemunharam o pedido. E ela aceitou…

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Uma faixa no meio da galera dizia: “Spanish revolution: sing along with de common people”. Jarvis não desperdiçou o momento. “É complicado quando uma pessoa de fora chega em seu país e emite uma opinião, mas vi a faixa de vocês e só tenho a dizer que algo está errado quando a polícia entra em uma praça e pessoas inocentes vão para o hospital”. A audiência foi ao delírio, e o grande hit do Pulp ecoou com milhares de pessoas cantando junto a Jarvis em um momento realmente emocionante de um show que ainda vai crescer muito com as próximas apresentações, e deverá estar impecável quando a banda chegar no Hyde Park, em Londres.

Desde já, um dos históricos shows de 2011.

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Último dia de festival no Parc Del Fórum (o domingo ainda guarda shows no Poble Espanol), e a organização conseguiu resolver a pendenga futebolística, e a decisão da Champions League será transmitida pelo telão do palco Llevant. De shows, o sábado tem John Cale no anfiteatro, Yuck, Papas Fritas, Warpaint, Fleet Foxes, PJ Harvey, Dean Wareham e Britta Phillips, Jon Spencer Blues Explosion, Mogwai, Odd Future e Animal Colective. Partiu.

Top 5 do Dia 2
1) Pulp
2) M. Ward
3) The National
4) Explosions In The Sky
5) Belle and Sebastian

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Todas as fotos por Marcelo Costa (exceto a terceira do Pulp por Inma Varandela / Divulgação Primavera Sound Festival)

Maio 28, 2011   1 Comment

Primavera Sound 2011: Dia 1

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Começou o Primavera Sound! Na verdade, o festival começou já faz umas duas semanas com dezenas de shows em lugares pequenos da cidade, mas pra valer, com 10 palcos e um punhado de atrações, a festa começou na quinta. O aumento de 20% de entradas parece ter abalado a organização do Primavera. Filas enormes para retirar pulseira e recarregar o cartão com dinheiro para comprar comida e bebida marcaram as primeiras horas do festival. E eles não perderam tempo: liberaram no mesmo dia para que se pudesse consumir pagando em cash e vambora.

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Uma das apostas da organização do evento, o quarteto Sonny and The Sunsets – comandado pelo ótimo Sonny Smith – fez uma boa apresentação no palco Llevant, que fica no quinto do infernos do festival. Haja pernas. De lá para o anfiteatro do Parc Del Fórum, um prédio estranho desenhado pelos suíços Jacques Herzog e Pierre de Meuron, parece um dia de viagem (exagero, claro, mas só para você ter uma ideia: é longe pacas).

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E foi ali no anfiteatro lotado que Sufjan Stevens fez uma apresentação irretocável, estranha, galáctica. O músico – de asas de anjo – chegou se apresentando e entregando o mote da noite. “Eu sou Sufjan Stevens e toco folk, mas esta noite vou tocar pop cósmico. Espero que vocês entrem na minha nave espacial”, mandou o norte-americano em um ótimo espanhol. A produção espetacular era de fazer o queixo bater no chão três vezes. A música, por sua vez, era algo de tribal, eletrônico, lembrava Radiohead e ao mesmo tempo Paul Simon e Lady Gaga. Uma frase de Sufjvan ficou ecoando durante um tempo na cabeça: “A dor é bonita quando você sofre para crescer”.

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O clima de amor do show de Sufjvan ficou de lado quando Nick Cave adentrou o palco principal de guitarra em punho com o Grinderman. Quando alguém disser para você que rock and roll é coisa do mal só pode ser do Grinderman que ele está se referindo. Nick Cave declama, teatraliza, joga guitarra no chão, o microfone, canta de mãos dadas com o público enquanto Warren Ellis e compania fazem o inferno atrás. A nuvem de riffs passa cortando a noite, mesmo com as guitarras em um volume mais baixo que o usual. Show da noite (agora imagina se eles tivessem com o som perfeito?)

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No pequeno e aconchegante palco Jagermeister Vice, os argentinos do El Mato A Un Policia Motorizado fizeram uma apresentação empolgante para um público empolgado. E abrindo caminho para o fim do primeiro dia (ao menos para nós), Flaming Lips no palco principal. Wayne Coyne padece de carência e o show reúne momentos de anticlímax com passagens absurdamente sensacionais. O vocalista fala muito, mas a versão semi acústica de “Yoshimi Battles the Pink Robots” foi daquelas coisas de fazer a alma chorar. Coyne fala muito, mas quando canta garante um bom show.

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Para o segundo dia do festival, muita coisa boa para ver. Tem Belle and Sebastian, Fiery Furnaces, National, Deerhunter, Explosions In The Sky e mais umas 50 atrações. Sobretudo tem Pulp, o primeiro show da volta. Que venha Jarvis Cocker.

Top 5 Dia 1:
01) Grinderman
02) Sufvan Stevens
03) Flaming Lips
04) El Mato A Un Policia Motorizado
05) Sonny and The Sunsets

 Fotos: http://www.flickr.com/photos/maccosta

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Todas as fotos por Marcelo Costa (exceto Grinderman, por Dani Canto / Divulgação Primavera Sound Festival)

Maio 27, 2011   2 Comments