entrevista de Alexandre Lopes
Formado em 2011 na cidade costeira de Bridlington, no norte da Inglaterra, o Seafret fundamentou sua carreira com belas canções emotivas guiadas por arranjos acústicos e temas introspectivos. Em mais de uma década de estrada, a dupla formada por Jack Sedman (voz) e Harry Draper (violão) lançou três álbuns de estúdio, seis EPs e diversos singles – incluindo os hits “Atlantis” e “Oceans”, do álbum “Tell Me It’s Real” (2015), que os apresentou ao grande público.
Em 2025, o duo prepara o lançamento de seu quarto disco, ainda sem título ou data revelados, mas já finalizado. Por enquanto, os primeiros indícios da nova fase aparecem com os três singles “Wait”, “River of Tears” e “Five More Seconds” – este último em parceria com a cantora KT Tunstall. Segundo Harry Draper, o novo trabalho mantém a identidade do duo, mas aposta em uma sonoridade mais alegre e nostálgica.
Em entrevista ao Scream & Yell por chamada de vídeo via Zoom, Harry falou um pouco sobre o ainda misterioso novo disco, a parceria com KT Tunstall, os desafios atuais da vida na estrada e o entusiasmo com a volta ao Brasil (o duo já passou por aqui em 2019 e 2022), país que, segundo ele, “tem o melhor público do mundo”. Leia abaixo a conversa completa.
Este ano vocês lançaram os singles “Wait”, “River of Tears” e “Five More Seconds”, com a KT Tunstall. Todas essas músicas estarão no próximo álbum? O que você pode nos contar sobre ele?
Estarão, sim. Vai ser um álbum grande. A gente ainda não anunciou o nome, não posso dizer, mas nós absolutamente o amamos. Levamos o tempo necessário com esse álbum e, honestamente, sentimos que é o nosso melhor até agora. Estamos muito empolgados. Criativamente, estivemos em um lugar muito bom ao mesmo tempo, o que nem sempre acontece. Às vezes um de nós está puxando o outro, mas neste disco, os dois estavam em um momento brilhante. Está cheio de nostalgia, mas muito mais animado. É muito empolgante!
Este será o quarto álbum de vocês. O que você acha que há de diferente neste em comparação com os anteriores?
Acho que ele está provavelmente um pouco mais animado mesmo. Está mais para o lado alegre, menos deprimente. Mas ainda é Seafret: ainda sou eu e o Jack escrevendo músicas juntos e com base no violão. Estamos muito orgulhosos dele. Sem poder entregar demais, nós realmente mal podemos esperar para compartilhar o disco com o mundo.
Vocês já sabem quando o álbum será lançado?
Não, ainda não sabemos exatamente quando vai sair. Não sabemos quantos singles vamos lançar, esse é o motivo. Mas ele está pronto. Está no meu HD, então posso ouvi-lo o tempo todo. É só uma pena que mais ninguém possa, por enquanto (risos).
Como vocês começam a compor? Vocês têm alguma espécie de processo de composição?
Normalmente começa com um dos meus memorandos de voz no celular. A gente geralmente começa com alguma música, seja só um riff ou uma peça inteira que eu tenha criado. O Jack começa a cantar por cima e seguimos daí. Sempre fizemos assim, funciona dessa forma para a gente. Algumas pessoas começam com as letras, mas nunca conseguimos fazer isso porque acho que você precisa da melodia primeiro. Então é isso: começa com violão ou piano e depois nós dois entramos com a letra. Se os dois gostam da ideia, seguimos com ela.
Sobre a colaboração com a KT Tunstall, como aconteceu? Vocês mandaram uma demo para ela ou algo assim?
Não, estávamos todos na mesma sala quando escrevemos. Conseguimos algumas horas com ela enquanto estava em Londres. Eu comecei a tocar violão, ela começou a tocar outro violão, e em três horas tínhamos terminado a música. Ela é incrível, gostamos dela há anos. Ela é muito talentosa. Ela começa a cantar quando sente algo e a gente também é assim. Rolou uma conexão e a música surgiu fácil demais. A gente até disse: “Não devia ser tão fácil assim!” Mas é isso, a gente adorou!
Há outras colaborações no novo álbum ou isso ainda é segredo?
Talvez. Talvez tenha. Acho que já posso dizer que sim, né? Se eu vou dizer “talvez”, é melhor dizer logo que sim. Mas… é, talvez! (risos)
Vocês têm um show marcado em São Paulo no dia 24 de agosto, um domingo, no Cine Joia. E quais são as expectativas para esse show e para essa turnê?
A gente ama a América do Sul, já tocamos por aí há alguns anos [Nota do editor: em julho de 2019 – São Paulo e Rio – e maio de 2022 – São Paulo, Curitiba e Rio]. Esta será a nossa terceira vez por aí e mal podemos esperar para voltar. Amamos tocar no Brasil. Eu estava comentando isso mais cedo: vocês têm o melhor público do mundo. Sabem ser atentos quando é pra ser, e barulhentos quando é pra ser. Mal podemos esperar. Vai ser um dos pontos altos do ano!
São Paulo é a única data no Brasil, certo? Que outros países vão visitar nessa turnê?
É, São Paulo é o único show no Brasil. Depois do Brasil, vamos para Buenos Aires, na Argentina, depois Santiago, no Chile, e por fim Cidade do México. É uma turnê curta.
Vocês acham que vão conseguir tempo para fazer turismo ou vai ser corrido?
Espero que sim. Eu sei que temos um dia de folga de verdade em São Paulo, o que é ótimo. Eu adoro São Paulo: tem ótimos restaurantes, e a gente vai aproveitar. Mas, infelizmente, não teremos muito tempo nos outros lugares. A gente até tem alguma folga, mas tem que voar, ficar em trânsito, então… é isso. Mas teremos um pouco mais de tempo do que da última vez. Lembro que estivemos na Argentina por apenas 15 horas. Agora temos algumas horas a mais em cada cidade, mas ainda não o suficiente para explorar bastante.
O que você mais se recorda das passagens pelo Brasil?
Os shows. Foi de explodir a cabeça da primeira vez que tocamos no Brasil, o quanto o público era barulhento, o quanto sentimos o carinho. Então é isso que estou muito empolgado pra ver de novo. Isso… e a comida (risos). Eu amo um bom bife, e é um dos melhores bifes do mundo, não é? A gente faz errado aqui no nosso país… precisamos usar mais fogo!
A banda tem uma discografia sólida: três álbuns, seis EPs e vários singles. Como vocês escolhem o setlist? Tentam equilibrar músicas antigas e novas?
Está ficando cada vez mais difícil porque temos mais músicas. E você não pode tocar por três horas porque as pessoas ficam entediadas. Então sim, está ficando mais difícil. Mas para esses shows, vai ter uma mistura. Muitas músicas novas e as antigas que as pessoas amam. Esse é o motivo da nossa vinda: por essas músicas. Sabemos que precisamos tocar as mais antigas, mas queremos muito apresentar esse novo álbum. Então vamos tocar muitas músicas que as pessoas nunca ouviram antes, o que nos deixa bem empolgados. Mas sim, é complicado montar o setlist!
Depois da pandemia, muitos artistas que vivem de turnês têm enfrentado dificuldades com os altos custos. Como isso tem sido para vocês?
Acho que está um pouco mais difícil. Tudo está mais caro. Não sinto que fomos tão afetados quanto muitas outras bandas que dependem das turnês como fonte de renda. Mas sim, tem sido difícil para todo mundo. A gente só tentou levar na boa e tirar o melhor da situação. Durante o lockdown, eu produzi nosso terceiro álbum e nunca tinha feito isso antes. Usei esse tempo pra aprender. Agora tenho um estúdio onde trabalho, e quando estou em casa, fico lá trabalhando em outros projetos. Muita coisa boa saiu disso pra mim. Mas eu realmente entendo como tem sido difícil, especialmente para músicos mais novos. Tudo está mais caro. Se você ainda não tem um público, e as pessoas esperam que você vá fazer shows quando não há dinheiro… é foda, sabe? Eu realmente entendo e sinto por essas bandas novas.
Além da vinda à América do Sul e lançar o novo álbum, quais os planos para o futuro?
Muito mais turnês no ano que vem com o novo disco. Vamos para lugares do mundo onde nunca estivemos, como Austrália, mais do Sudeste Asiático. A gente só quer alcançar o maior número de pessoas possível. E já estamos compondo de novo; terminamos o quarto álbum e já seguimos escrevendo para o quinto. Então é isso. Somos garotos ocupados (risos).
Vocês diriam que são meio workaholics?
É, a gente ama fazer isso! E vou te dizer: agora encontramos uma estrutura de trabalho. Não ficamos mais no estúdio até 3 da manhã; agora é mais tipo das 9 da manhã às 5 da tarde, e tem funcionado pra gente. A gente rende muito mais assim.
Uma última pergunta: alguma mensagem para os fãs que vão ao show em São Paulo?
Tenho sim: mal podemos esperar para voltar! A gente ama vocês! Temos tantas músicas novas para tocar que ninguém no mundo ouviu ainda, muitos momentos inéditos. E é isso, mal podemos esperar para ver vocês!
– Alexandre Lopes (@ociocretino) é jornalista e assina o www.ociocretino.blogspot.com.br.