entrevista de Heberton Barreira
Poucas figuras do rock independente norte-americano reúnem contrastes tão fortes quanto Bob Nastanovich. Conhecido por sua presença intensa no palco com o Pavement, ele dividiu a vida adulta entre a análise de corridas de cavalos e a cultura do rock underground. À primeira vista, esses dois mundos parecem incompatíveis, mas Nastanovich fala de ambos com a mesma mistura de devoção, autocrítica e humor seco.
Desde que a primeira fase do Pavement chegou ao fim, em 1999, Nastanovich trabalhou de forma incansável no universo das corridas de cavalos, acumulando dezenas de empregos, criando cavalos nos Estados Unidos e na Inglaterra e perseguindo um sonho que ele próprio admite ser economicamente irracional falando sem rodeios sobre o preço disso tudo. Ainda assim, insiste que a busca continua valendo a pena, mesmo que, como ele mesmo diz, isso o deixe “geralmente bem quebrado”.
Essa honestidade se estende à maneira como ele enxerga o sucesso do Pavement. A banda, segundo ele, superou de forma absurda qualquer expectativa que tinha, inclusive financeira. O que começou como um projeto artístico modesto acabou se tornando uma presença cultural perpétua, constantemente redescoberta por novas gerações. Nastanovich segue genuinamente surpreso com essa sobrevida, especialmente ao ver a banda atravessar a viralização no TikTok e tocar para plateias de festivais cheias de fãs mais jovens.
No palco, Nastanovich sempre funcionou como uma espécie de regulador humano de voltagem, canalizando o caos em movimento. Seu papel evoluiu de forma decisiva após a saída do baterista original Gary Young, uma presença brilhante e instável cuja crença na tensão como motor criativo frequentemente levava a banda ao limite. Nastanovich olha para aqueles anos com compaixão, não com nostalgia, reconhecendo tanto o perigo quanto a eletricidade daquele período.
Para além do Pavement, sua visão de mundo foi moldada pela rádio universitária — que, como ele mesmo diz, era “basicamente nossa vida social” —, por Hoboken no início dos anos 1990, com o Yo La Tengo a poucos quarteirões de distância, e por referências como o guitar pop neozelandês, o panorama musical de Athens e a atitude punk da era SST. Ele continua desconfiado da mitificação e da idolatria, seja em relação ao Grateful Dead — uma banda de que nunca gostou —, seja das narrativas fáceis sobre sucesso no rock. Observa o hype com curiosidade, mas sem necessariamente se engajar, como no caso do Geese, cuja ascensão ele acompanha à distância, mesmo sem ter ouvido os discos. Ao falar do sucesso tardio de “Harness Your Hopes” nas plataformas de streaming, recorre a uma lição mais analógica, lembrando das plateias que iam a shows do Butthole Surfers apenas para ouvir “Pepper”, o hit da MTV, e depois iam embora.
Nastanovich pensa com cuidado sobre selos e lealdade — brincando que seria engraçado receber David Byrne nos bastidores dizendo: “Sou o Bob do Pavement. A gente é meio que a banda-carro-chefe da Matador. Bem-vindo à Matador” — e é ferozmente protetor de seus companheiros, em especial Stephen Malkmus, a quem ele rejeita com firmeza qualquer rótulo de “Slacker King”. Esse senso de lealdade se estende com a mesma força a Steve West, amigo de uma vida inteira, cuja estabilidade, musicalidade e confiabilidade silenciosa ele claramente admira. A relação entre os dois antecede o Pavement em décadas, enraizada numa adolescência compartilhada, em trajetórias paralelas e num respeito mútuo que sobreviveu a ciclos e expectativas.
O que se revela aqui não é uma postura irônica ou distante, mas um compromisso constante — com a música, com os cavalos, com amizades que duram décadas e com uma vida criativa construída tanto no esforço diário quanto nos acasos do caminho. Nastanovich pode brincar dizendo que é irresponsável, mas o ponto em comum é claro: ele está presente. Continua interessado. Continua seguindo em frente. Com seus gritos e berros já clássicos e inconfundíveis, Bob Nastanovich é Bob Scream & Yell. Leia a conversa abaixo!
E aí, Bob! Como vão as coisas?
Está tudo ótimo! Bom te ver, amigo. E você, como tem passado?
Tudo ótimo por aqui! E por aí?
Também estou bem. Bem mesmo. Está frio. Fazer o quê?
E os cavalos, como estão?
Os meus são bem lentos e fofos. Não exatamente o que você procura num cavalo de corrida, aliás. Definitivamente não é esse o objetivo, mas eles são muito fofos. Só não são rápidos.
Vamos começar por aí. Você ainda coleta dados para o Thoro-Graph?
Sim. E também faço dois programas de rádio na Horse Racing Radio Network, às quintas e sextas-feiras.
Poderia explicar brevemente como você chegou nesse trabalho com cavalos e análise de corridas?
Basicamente, eu virei fã de corridas de cavalos ainda criança. Quando me mudei para Nova York — ou melhor, para Hoboken, em Nova Jersey — eu era motorista de ônibus em Manhattan.
Hoboken? É a mesma cidade onde o Yo La Tengo começou, certo? Você já conhecia os caras naquela época?
Sim. Eles moravam a uns quatro quarteirões de distância. O Steve Shelley, baterista do Sonic Youth, morava lá. O Bob Bert, o baterista original do Sonic Youth, também morava lá. Mas o mais importante de Hoboken é que havia uma loja de discos incrível chamada Pier Platters e um pequeno espaço fantástico para shows chamado Maxwell’s. Ambos ficavam muito perto da minha casa, o que era maravilhoso. E, além disso, dava para pegar um trem de 20 minutos por um dólar até Nova York, onde, naquela época, estava acontecendo muita coisa no underground. Havia vários lugares muito legais — o CBGB’s, o Pyramid Club e muitos outros. Foi um momento excelente para me mudar para lá. Eu tinha acabado a universidade e fui para Hoboken com 22 anos.
Minha formação profissional era bem rudimentar. Estudei US Government (and Civics), mas nunca pensei seriamente em fazer faculdade de Direito. Acabei aprendendo a ser motorista de ônibus. Durante a adolescência, eu tinha me envolvido profundamente com música, principalmente através da coleção de discos da rádio universitária. Quando cheguei à UVA (The University of Virginia), havia muita gente interessante por lá. Meu grupo de amigos incluía pessoas muito talentosas, entre elas Stephen Malkmus e David Berman. E eu consegui convencê-los a se mudar para a região de Nova York.

Você virou proprietário de cavalos nessa época? E o Malkmus e o Berman se formaram?
Sim. O Stephen era um ano mais velho. Ele se formou — era um aluno excelente, com dupla graduação em História e Inglês. O David, claro, era um poeta brilhante e não teve dificuldade nenhuma em concluir o curso. Eu, por outro lado, era um estudante irresponsável, então foi mais complicado. Mas enfim, todos nós nos mudamos para a região de Nova York, e foi ali que o Silver Jews começou — especificamente no meu apartamento na Willow Avenue, que ficava no subsolo. O Pavement já existia. A banda tinha começado alguns anos antes, na Califórnia.
O Stephen se formou um ano antes da gente e passou esse tempo viajando pelo mundo. Acho que ele gastou praticamente todas as economias nisso. Depois voltou para Stockton, que é um lugar meio deprimente na Califórnia, onde o Pavement surgiu. Ele estava basicamente esperando o momento de se mudar de novo. Havia muita coisa acontecendo em Nova York, e nós o convencemos a ir para lá. Foi por essa época que o Pavement decidiu sair em turnê pela primeira vez.
Ligando isso às corridas de cavalos: morar naquela região significava ter acesso a corridas de altíssima qualidade. Eu passava praticamente todo o meu tempo livre, quando não estava indo a shows, indo às corridas e acompanhando o esporte. Durante os anos 1990, o Pavement não ganhava muito dinheiro no começo. Começamos a ganhar dinheiro mesmo depois de “Crooked Rain” (1994), principalmente com turnês. Fizemos muitas turnês. E, conforme os anos 1990 avançavam, eu passei a perseguir o sonho de ser proprietário de cavalos.
Depois deixei Nova York e me mudei para o Kentucky, que é um grande polo de corridas nos Estados Unidos, e continuei perseguindo esse sonho. Quando o Pavement acabou em 1999, após a turnê do “Terror Twilight”, eu tinha economizado algum dinheiro e percebi que precisava arrumar empregos no mundo das corridas. Desde o fim do Pavement, já tive provavelmente entre 15 e 20 empregos diferentes nessa área.
É verdade que você é o primeiro americano a ter ido a todas as 60 pistas de corrida do Reino Unido?
Sim. A primeira vez que o Pavement foi para a Inglaterra foi em 1992, e eu fiquei completamente fascinado pela cultura das corridas no Reino Unido. Fui ao meu primeiro hipódromo em 1993, e aquilo foi muito encantador para mim. O primeiro hipódromo que visitei foi o de Beverley, que é pequeno, no norte da Inglaterra. Depois fui a Newmarket, que é um dos mais famosos — o Rowley Mile. Durante aqueles primeiros anos de turnês na Inglaterra, conheci meu melhor amigo, John MacArthur, e decidimos tentar visitar todos os 60.
Isso levou cerca de 25 anos. Na verdade, um pouco menos, porque os hipódromos ficam espalhados por todo o Reino Unido. Foi uma empreitada e tanto, bastante exigente. Especialmente considerando que, se eu fosse para lá por um mês, o máximo que dava para conhecer eram uns dez hipódromos novos. Mas sim, decidimos fazer isso — e conseguimos. Gastamos muito dinheiro pelo caminho, bebemos muita cerveja e vimos coisas incríveis.
O problema é que, durante esse período, eu passei a achar que era financeiramente viável criar e reproduzir cavalos de corrida. Ao longo de mais de 40 anos da minha vida, percebi que isso não era verdade — eu simplesmente não sou rico o suficiente para isso. Como resultado, tomei muitas decisões extremamente irresponsáveis. Eu estou competindo com algumas das pessoas mais ricas do mundo. Tive um pouco de sucesso, nada digno de nota. Tive cavalos lindos — há fotos deles por toda esta casa. Alguns pagaram, outros ajudaram a bancar alguns dos mais lentos.
Eu não tenho filhos, então os cavalos que criei são meus filhos. E são filhos muito caros (risos). Infelizmente, não consigo vê-los com tanta frequência. Tenho alguns aqui nos Estados Unidos e outros na Inglaterra. Eles ficam em Newmarket com um casal maravilhoso — o treinador John Barry e sua esposa, Emma Barry, que são dois dos meus melhores amigos. No momento, as esperanças ainda são altas. Mas quanto antes algo bom acontecer, melhor — se é que você me entende.
E sempre conciliando isso em paralelo com a banda…
Enquanto isso, o Pavement continua ativo o suficiente para que eu consiga pagar quase todas as contas. Mas, por causa da minha decisão nada sábia de ser proprietário de cavalos, eu geralmente estou bem quebrado. Mesmo assim, tudo isso vale a pena para mim. Vale a pena. Você persegue o seu sonho. Algumas pessoas têm sucesso, outras conseguem realizar, e outras escolhem participar do jogo mais difícil do mundo para vencer — que é o das corridas de cavalos.
Isso, em poucas palavras, resume o quão irrealista eu sou. Acho que desperdicei muita boa fortuna, se é que isso existe, com o Pavement. A banda superou em muito todas as nossas expectativas, inclusive as financeiras. Nós só esperávamos ser uma banda de que algumas pessoas gostassem. Era uma grande emoção fazer música, tocar ao vivo, ver as pessoas gostarem das músicas, receber boas críticas. Não esperávamos continuar depois de 1999 — pelo menos eu não esperava — porque eu não toco música de verdade. Eu certamente não escrevo música. Não sei improvisar com outras pessoas. Tudo o que eu sei fazer é cumprir o meu papel no Pavement (risos).
Se eu tiver sorte — e agora estamos tocando de forma bem esporádica, como nesses shows recentemente anunciados nos Estados Unidos em julho — é difícil ficar seis meses sem tocar e depois subir no palco. É fisicamente exigente para alguém que está fora de forma como eu. Mas o público… as pessoas são realmente apaixonadas pelo Pavement. Elas me carregam. Eu dependo bastante do entusiasmo da plateia. E, além disso, eu amo a maioria das músicas.
Legal! Vamos falar um pouco sobre a sua apreciação por bandas da Nova Zelândia. No livro “Needles & Plastic”, do Matthew Goody, há uma citação sua na contracapa: “Shepherd e seus brilhantes colaboradores entregaram a produção lendária não só de nomes centrais como The Clean, The Chills e Tall Dwarfs, mas também capturaram o melhor de favoritos pessoais meus como Able Tasmans, Bird Nest Roys, Look Blue Go Purple e The Verlaines”. Como a cena da Nova Zelândia entrou na sua vida? Isso foi antes ou depois do Pavement começar?
Rádio universitária. Comecei a ser DJ na rádio universitária aos 16 anos. Depois, quando fui para a Universidade da Virgínia, tínhamos uma rádio universitária excepcional chamada WTJU, que ainda existe, embora hoje o formato seja mais sério e profissional do que era naquela época. O Berman tinha um programa, o Malkmus tinha um programa, o James McNew do Yo La Tengo tinha um programa, o John Beers do Happy Flowers… muitos amigos meus estavam lá. A rádio era basicamente a nossa vida social, e também havia uma boa loja de discos na cidade.
Todos aqueles discos da Flying Nun — Tall Dwarfs, The Clean, e todas as bandas que você mencionou — chegavam à rádio. De modo geral, uma grande parte dos DJs se apaixonou pela guitarra pop da Nova Zelândia. Aquilo começou em meados dos anos 1980 e, de certa forma, continua até hoje. Em 1993, o Pavement foi convidado para tocar na Austrália e na Nova Zelândia. Foi uma grande emoção, mas também intimidante. Você subia no palco e todos os seus heróis do rock da Nova Zelândia — e eram dezenas — estavam na plateia, te vendo tocar. Você realmente admirava todos eles.
A maioria foi muito legal conosco. Fizemos vários shows com bandas incríveis. Eu era fã de uma banda underground chamada The Dead C. Eles não gostavam do Pavement e deixaram isso bem claro. Acho que achavam que o Pavement era mais barulhento e meio frívolo. O que, sinceramente, não dá muito para discutir. Eles provavelmente estavam certos.
David Kilgour, Hamish Kilgour, Robert Scott — você chegou a conhecer esses caras?
Ah, sim. Tocamos com eles. Nunca tocamos com o The Chills, mas certamente tocamos em alguns dos mesmos festivais que o The Clean. Eles eram simplesmente muito bons no que faziam. Influenciaram o nosso som, mas, na verdade, influenciaram o som de todo mundo. Era meio impressionante que um país tão pequeno tivesse uma cena tão vibrante, com dezenas de bandas boas.
Isso acontece em outros lugares também — como em Athens, na Geórgia, mais ou menos na mesma época, ou um pouco antes. R.E.M., Pylon, The B-52’s, Love Tractor… tantas bandas. Acho que quando você está numa cena realmente vibrante, os artistas são constantemente desafiados a ficar melhores.
Você já assistiu ao documentário “The Elephant 6 Recording Co.”? A Rebecca Cole aparece nele falando da banda dela, The Minders. Isso é tudo Athens, certo?
Sim, isso é tudo Athens. Eu não vi o documentário, mas a Rebecca Cole, que hoje é nossa tecladista, aparece nele. Ela foi uma parte importante daquela cena.
Robert Schneider…
O Apples in Stereo foi a banda que abriu os shows do Pavement. Aquilo acabou sendo a nossa porta de entrada para aquela cena. A questão é que muita coisa aconteceu nos cinco anos seguintes ao fim do Pavement. Foi um período em que eu meio que me desliguei de ouvir música. Eu senti que já tinha feito aquilo — foi tudo o que fiz pelos 20 anos anteriores — e precisava pensar em outra coisa. Então acabei perdendo muitas oportunidades de ver essas bandas no auge, o que foi decepcionante. Para mim, tudo relacionado ao Elephant 6 acabou chegando em retrospecto. Eu perdi o bonde, basicamente.
Também parece que a K Records, com o Calvin Johnson, segue uma filosofia parecida. Você vê esse mesmo espírito nas cenas das quais fez parte ou nos selos e bandas com que sempre se sentiu mais próximo — como a Matador, ou até o seu próprio selo, a Brokers Tip Records?
O meu próprio selo é meio que um fracasso, basicamente porque eu o criei num momento em que as bandas que lancei tinham pouquíssimo sucesso comercial. Eram bandas desconhecidas que eu achava — e ainda acho — que faziam músicas muito boas. Todo o selo foi construído em torno da Brokers Tip prensando algumas centenas de discos.
Então o selo não está aberto para receber material de bandas novas?
Bem, as pessoas me mandavam músicas e perguntavam se eu poderia lançar. E eu ficava feliz em fazer isso. A ideia era apenas empatar os custos. Todo o lucro, se houvesse, seria destinado às bandas. Infelizmente, como tantas iniciativas nobres daquela época, tudo dependia de as bandas fazerem turnês em espaços pequenos e venderem discos nos shows ou nas bancas de merchandising. A maioria dos discos saiu pouco antes da COVID, então as bandas não puderam sair em turnê.
Acabei ficando com caixas e mais caixas de discos encalhados. Era uma operação de uma pessoa só, e era muito difícil promover os lançamentos. Nunca foi minha intenção criar um selo para crescer. A ideia era apenas lançar discos de amigos que eu achava que faziam música legal, para que eles pudessem vender quando tocassem ao vivo. A música ao vivo ficou parada por mais de dois anos, e agora eu tenho caixas de discos. Basicamente, encerrei o selo.
No caso dos selos com os quais o Pavement trabalhou — Drag City, Matador, Domino, Creative Man no Japão, Felahin na Austrália —, sempre lidamos com pessoas com a mesma mentalidade. Gosto musical parecido, visão parecida. Eles queriam fazer negócios, nós queríamos tocar música. Com exceção de um selo, fizemos escolhas muito boas. Fomos roubados por um selo inglês chamado Big Cat. Acho que eles levaram algum dinheiro nosso — teria que perguntar ao Scott — algo em torno de 100 mil dólares.
Hoje, é tudo Matador. A Matador comprou todo o catálogo há cerca de dez anos. Fomos uma das primeiras bandas do selo, e eles sempre nos trataram incrivelmente bem. Conhecemos toda a equipe. É uma relação longa e bem-sucedida. Eles mudaram bastante ao longo dos anos. É preciso se adaptar aos tempos e continuar encontrando gente jovem e interessante para lançar música. Pelo que posso dizer, acho que eles têm feito um bom trabalho.
É curioso ser colega de selo do David Byrne, do Talking Heads. Eles lançaram o disco novo dele, e ele é obviamente um cara do Hall da Fama do Rock and Roll. Eu o vi não faz muito tempo em Atlanta e achei que seria engraçado ir aos bastidores e recebê-lo no selo dizendo: “Eu sou o Bob, do Pavement. A gente é meio que a banda-carro-chefe da Matador. Bem-vindo à Matador.”
Ele é centenas de vezes maior do que o Pavement jamais será. Mas ainda assim é uma grande alegria continuar fazendo isso. É completamente inesperado ver jovens realmente apaixonados pelo Pavement. Eu não vou reclamar disso. É uma bênção.
Mas, em termos de tentar fugir do algoritmo, o selo não ajuda muito ao lançar grandes compilações que incluem essa música, certo?
Acho que o que “Harness Your Hopes” faz é atrair pessoas que talvez nunca tivessem prestado atenção na banda. E aí elas percebem que há muito mais ali do que só aquela música. Ela é uma boa música. Eu não odeio a canção. Mas ela não estaria nem no meu top 40 do Pavement. Ainda assim, temos que tocá-la toda noite. Eu faço os setlists, então costumo colocá-la perto do final para que os jovens não vão embora.
Aprendi isso com o Butthole Surfers no começo dos anos 1990. Eles tinham um hit na MTV, “Pepper”, e metade do público ia aos shows só para ouvir aquela música. Lembro de vê-los uma vez na Broadway, em Nova York: quando o show começou, havia umas duas mil pessoas; depois que tocaram “Pepper”, sobraram umas oitocentas. Aquela era a quarta música do set. Tenho medo de que, se tocarmos “Harness Your Hopes” como terceira ou quarta música, as pessoas simplesmente vão fazer outra coisa. A gente aprende essas coisas com o tempo.
Você já disse em outras ocasiões que o Minutemen é uma das suas bandas favoritas.
Ah, com certeza. Quando eu era garoto, eles eram deuses para mim. Eu cresci em Richmond, na Virgínia, que sempre teve uma cena artística e musical muito forte. Eu e o Steve West crescemos lá — conheço ele desde criança.
Aliás, vocês parecem o tipo de dupla com quem seria hilário tomar uma cerveja.
Bom, sim… ele é bem mais engraçado do que eu, na verdade. Eu falo muito mais. Deixo ele maluco porque falo demais. A gente se conhece desde os 13 anos e somos amigos desde então. É completamente inexplicável que ainda estejamos fazendo isso juntos. Ele é um dos meus melhores amigos desde criança, mas provavelmente eu só o veria uma vez por ano, ou algo assim, se não fosse pelo Pavement. Porque a vida é assim mesmo, não é?
Hoje nós dois estamos na casa dos 60. Ele tem dois filhos e mora nas montanhas da Virginia. Nossas mães moram a uns cem metros uma da outra, o que é meio engraçado. A minha mãe tem 89 anos e a dele uns 94. As duas são viúvas. Elas não se veem com frequência, mas quando se encontram sempre riem do fato de seus filhos estarem numa banda.
O Steve queria ser roqueiro desde os 15 anos. Comprou sua primeira bateria aos 14 e fez o primeiro show da vida no aniversário de 16 anos da minha irmã, no quintal dos meus pais. Ele é um cara brilhante. É pedreiro, gosta de trabalhar com as mãos, mora nas montanhas e é um artista muito focado. Estudou escultura, esculpe, pinta — e pinta muito bem. É meio que um homem renascentista, mas também um baterista extremamente confiável. Muito sólido. Ele não fala muito. Responde às perguntas. Não fica enrolando como eu (risos).
Voltando à questão do Minutemen: o Mike Watt falava em “jam econo”, conceito que virou até o título do documentário “We Jam Econo: The Story of the Minutemen”, dirigido pelo Tim Irwin. Todo aquele universo da SST — Minutemen, Hüsker Dü, Black Flag…
Meat Puppets, Saccharine Trust… muitas bandas realmente boas. No começo, quase todas do sul da Califórnia, mas depois isso se espalhou para outras partes do país. O Mike Watt e o D. Boon eram heróis para mim. Eu comprei todos os discos quando era adolescente. A única vez que vi o D. Boon ao vivo foi poucas semanas antes de ele morrer. Ele morreu perto do Natal, quando eu tinha 18 anos. Aquilo foi devastador.
Essas bandas adotavam uma ética DIY, mantendo os custos baixos e encontrando liberdade numa improvisação mais curta e econômica. Dá para dizer que, no início, o Malkmus e o Scott fizeram escolhas parecidas, valorizando o lo-fi?
Basicamente, o que estava acontecendo no começo do Pavement era que eles só queriam fazer música que achavam legal. Aí eles trombaram com o Gary Young, e o Gary conseguia gravar aquilo. Quando conheceram o Gary, eles já sabiam quem ele era. Ele era meio que um sujeito excêntrico da cidade. Só havia um estúdio onde dava para gravar, e ele era o dono. E era barato. Esse filme, “Louder Than You Think (A Lo-Fi History of Gary Young and Pavement“, de Jed Rosenberg)”, é incrível. É… o Gary era muito inteligente, apesar de todos os excessos. Muito esperto, confiante e adorável. Ele era realmente muito engraçado.
No documentário aparecem aquelas coisas dele fazer parada de mão (plantar bananeira), tocar bateria daquele jeito, subir no banco da bateria…
Sim, aquilo era ele performando. Ele ficava empolgado demais tocando. Fora do palco — na van, ou quando você ia visitá-lo — ele continuava sendo um sujeito fascinante. Muito inteligente. A gente amava o Gary. A gente tolerava muitas das excentricidades dele, mesmo sabendo que aquilo adicionava muito estresse. Aquela era a intenção dele. Ele acreditava que bandas tocavam melhor sob tensão. A gente não acreditava nisso. Não acho que o Pavement funcionasse assim. Acho que aquilo nos deixava muito estressados.
Acho que o Malkmus, em especial, ficou com uma espécie de estresse pós-traumático de trabalhar com o Gary. Ele deixava todos nós desconfortáveis. Eu cheguei a checar o pulso dele várias vezes em turnê, porque ele simplesmente não se cuidava. Mas todos nós temos problemas. É incrível que o Gary tenha vivido até os 70 anos. Ele saiu da banda — nós não o demitimos. Quando ele saiu, isso nos permitiu expandir. Conseguimos fazer mais músicas, tocar mais shows, porque não era tão desgastante. Não poderiam existir duas personalidades mais diferentes do que o Gary e o Steve West.
O documentário deixa muito claro como ele era comédia.
A gente amava ele. O Mark amava ele. O Scott amava ele. Todo mundo amava o Gary. No que diz respeito ao “jam econo”, quando bandas saíam em turnê nos anos 1980 e 1990, você tinha uma van barata e não tinha dinheiro para contratar ninguém. Comprava equipamentos ruins, jogava tudo dentro da van e caía na estrada. Os Minutemen e bandas assim faziam isso o tempo todo. Tinha uma banda de Richmond chamada Honor Roll que fazia a mesma coisa. Virou uma espécie de ideal romântico: tocar 36 shows em 40 dias, dormir na van ou em hotéis horríveis, tocar em partes perigosas das cidades, tocar por uma hora, carregar tudo de volta e dirigir sabe-se lá quantas horas até o próximo lugar. O Pavement sempre teve o mesmo agente de shows. Contratamos ele em 1991. Ele faz um trabalho incrível, mas é exigente. Ele nos manda para todo canto.
Pensando em bandas como The Feelies, Television, Can, Stereolab ou Yo La Tengo, faz sentido pensar no Pavement — e nessas bandas — como algo como um “jam moderado”, em contraste com a ideia de “jam econo” do Watt?
Cada um faz do seu jeito. De todas essas bandas que você mencionou, eu estive próximo de algumas. O Stereolab, quando estava no auge, nos anos 1990, era uma máquina muito bem azeitada. Uma banda desafiadora, interessante, com pessoas muito talentosas.
O Yo La Tengo tem uma ética de trabalho e uma determinação incríveis. Eu os vi pela primeira vez quando tinha 18 anos. Eles tocavam na nossa universidade mais ou menos uma vez por ano, antes de ficarem grandes. O Ira é um guitarrista excelente, e a Georgia é uma baterista muito boa. O Stereolab já é outra coisa — muito estilo, a Laeticia, todo aquele universo. Eles se separaram, voltaram… é outra era. E aí você tem bandas como o Sonic Youth, que fizeram tudo do jeito deles e foram extremamente importantes para a cena de Nova York.
Recentemente, o Lee Ranaldo falou sobre a economia das músicas e dos solos curtos no punk e no new wave. Isso surgiu numa entrevista sobre o Bob Weir, que faleceu no início deste mês, e sobre o Grateful Dead como uma espécie de “jam não econômico”.
É… eu nunca gostei muito do Grateful Dead. Eu era punk demais, e o que realmente me afastava eram os fãs. Eles pareciam propositalmente lesados. Eu nunca curti aquela mentalidade hippie de se desligar da sociedade e se entupir de drogas psicodélicas. Não sou contra as drogas psicodélicas, mas sempre quis estar atento ao que está acontecendo. Para mim, eles soavam como uma banda de blues que improvisava. Obviamente, influenciaram milhares de bandas.
Mas, se uma música tem mais de cinco minutos, ela precisa ser muito boa. Muitas bandas se apaixonam por um refrão e transformam o que poderia ser uma ótima música de três minutos em algo de cinco minutos e meio, e aí ela perde a força. Essa é outra razão pela qual eu amo os Minutemen. A duração média das músicas deles era de uns 80 segundos.
Eu nunca entendi muito bem o Bob Weir ou o Jerry Garcia. Eu não sei tocar guitarra, e acho que para realmente apreciar o Grateful Dead você provavelmente precisa tocar. O Jerry Garcia é geralmente considerado um guitarrista brilhante, mas esse tipo de guitarra nunca me atraiu. Ao mesmo tempo, você não pode julgar as pessoas pelo que elas gostam ou deixam de gostar. O importante é que elas gostem de música. Para mim, é muito mais interessante descobrir bandas relativamente desconhecidas. Existem milhões de bandas, e a maioria nunca será ouvida — mesmo que as músicas sejam boas.

O Geese tem chamado bastante atenção ultimamente. Você chegou a ouvir o disco novo deles?
Eles estão enormes agora. Eu nunca ouvi uma música sequer, mas sei que muita gente gosta deles. Eles são muito populares. Quando vejo bandas assim, penso nelas como bandas que estão “pegando no tranco”, começando a engrenar. Acho que era mais ou menos assim que estávamos em 1993 ou 1994. Havia um burburinho em torno da gente. Então, sim, o Geese é meio que a banda de 2025. E existem várias outras.
Tenho notado que eles estão fazendo shows grandes, encabeçando festivais e coisas do tipo. Conheço várias pessoas com ótimo gosto musical que gostam deles. Tenho um amigo da Islândia que está morando em Tóquio com a esposa por quatro meses, e o Geese vai tocar lá. O show esgotou muito rápido, e ele me ligou perguntando se eu conhecia alguém da banda para tentar conseguir ingresso.
Talvez leve um tempinho para “entrar” na música deles.
Talvez. Eu ainda não me dei ao trabalho. Só montei minha vitrola de novo pela primeira vez em três anos, porque tenho vivido de forma muito transitória. Tenho uns 50 discos ainda lacrados que preciso ouvir.
Voltando à ideia de músicas curtas e econômicas, outra banda que vem à mente é o Guided by Voices, com o Robert “Prolific” Pollard: uma fábrica turbo de composições.
Incrível. O cara é incrível. Existem poucas pessoas assim, que escrevem 100 músicas por ano. Tocamos muito com eles nos anos 1990. O Robert tinha um jeito meio confrontacional. Esse é um dos problemas de estar numa banda: você gosta de outras bandas, aí conhece as pessoas, e se não se dá bem com elas, isso acaba contaminando a forma como você ouve a música.
Por outro lado, o Mogwai era um grupo de pessoas adorável. Fizemos muitas turnês juntos. Os primeiros shows que eles tocaram fora de Glasgow foram abrindo para o Pavement em Londres — a primeira vez que tocaram em Londres. Essa é a coisa estranha de estar numa banda. Você conhece muita gente, e isso afeta a forma como você escuta música. Às vezes é melhor não conhecer.
É a mesma coisa com corridas de cavalos. Existem treinadores que você admira pela forma como cuidam dos cavalos, mas aí você conhece a pessoa e não gosta dela. Música é cheia de gente que se leva a sério demais. Eu não gosto disso.
Dito isso, algumas das pessoas favoritas da minha vida estão em bandas. Todd Brashear, do Slint; Jason Loewenstein, do Sebadoh; Molly Neuman, do Bratmobile e do The Frumpies; Kathi Wilcox, do Bikini Kill. o Guy Picciotto, do Fugazi — nem sou um grande fã do Fugazi, mas ele é um cara incrível. O Jim White, do Dirty Three, é uma das pessoas mais engraçadas e legais que já conheci.
Mas você também conhece gente de quem não gosta, e isso torna a música mais difícil de ouvir (risos). O Mark E. Smith odiava o Pavement. A gente “copiou” ele — mas só duas ou três músicas. Conheci a ex-esposa dele, a Brix, num show do Pavement em Londres alguns anos atrás, e ela é fã do Pavement. Isso foi legal. O Thurston Moore é uma das pessoas mais engraçadas que já conheci. Um cara sensacional.

No “Three Songs Podcast”, com o Mike Hogan, você chamou o Novos Baianos de banda perfeita para o verão. Acho que eu também te mandei algumas coisas do Brasil. Acho que cheguei a enviar Jacob do Bandolim também. Você se lembra disso?
Quem foi que eu chamei de banda perfeita para o verão?
Novos Baianos.
Fantástico! Soavam muito bem. Fico feliz que você tenha me lembrado disso. Você me mandou umas coisas muito legais. Eu não sei praticamente nada de música brasileira, para ser sincero. Eu tenho você cobrindo o Brasil para mim.
Alguma outra banda brasileira com a qual você tenha se conectado?
Na verdade, não. Eu dependo de você para me dizer quem é legal (risos).
Sempre um prazer.
Vou te dizer uma coisa: fazer o “Three Songs Podcast” foi realmente interessante.
A ideia do Mike Hogan era bacana.
O Mike é ótimo. Ele é tipo um bibliotecário. Os primeiros 100 programas são fáceis. A maioria das pessoas que ama música e coleciona discos consegue falar sobre algumas centenas de bandas. Mas depois de 100 episódios — três músicas por programa — quando você passa de 300 bandas, começa a ficar complicado.
A gente fez cerca de 170 episódios. Isso dá mais de 500 bandas. Virou trabalho duro. Eu precisava ouvir muita coisa que nunca tinha ouvido antes, tentando encontrar algo interessante, o que na verdade foi um ótimo exercício. Mas, com o tempo, ficou pesado demais. É curioso que alguém tenha ouvido aquilo. Talvez umas 500 pessoas acompanhassem regularmente. Foi muito divertido, mas acabou se tornando trabalhoso.
Hoje, se você me perguntasse à meia-noite, eu não sei nem se conseguiria citar 500 bandas (risos). Estou velho.
Que disco você consegue colocar para tocar e ouvir até o fim, sem pular nada? Existe algum álbum que só se revela quando você escuta inteiro?
Existem dezenas. Muitos mesmo. Os primeiros discos do R.E.M. — “Murmur”, “Reckoning”… o “Sister”, do Sonic Youth. “Torch of the Mystics”, do Sun City Girls. “Spiderland”, do Slint. É uma questão de estado de espírito.
Em uma entrevista da Letterboxd, você citou alguns filmes favoritos — “Tubarão”, “Jimmy Carter: The Rock & Roll President”, “O Homem que Viu o Infinito (Man Facing Southeast)” e “The Thin Blue Line”. Você tem filmes de animação ou desenhos animados favoritos?
É engraçado… a gente teve que ir ao Festival de Cinema de Nova York porque estavam exibindo “Pavements”. Você tem que tirar foto como se fosse famoso, o que é bem ridículo. Alguém da Matador me disse que um site de cinema ia me perguntar quais tinham sido os últimos quatro filmes que eu tinha visto. Quando chegaram com a câmera, perguntaram quais eram meus quatro filmes favoritos de todos os tempos.
Eu tinha acabado de ver “Jimmy Carter: The Rock & Roll President”, que é brilhante, e “The Thin Blue Line”, que é um documentário incrível. “Tubarão” eu já vi umas 100 vezes. Devo saber de cor cada diálogo do filme. Sobre animação, tem um filme francês chamado “Winged Migration”, que na verdade nem é animação, mas é lindíssimo. Eu adorava “Os Simpsons”. Eu amo o Snoopy. Esses clipes curtos do Snoopy no Instagram são maravilhosos.
Eu não sou tão descolado quanto você quando o assunto é animação. O Mark Ibold é a pessoa certa para perguntar isso. Ele era um grande colecionador de quadrinhos e acabou sendo passado para trás, vendeu tudo por quase nada. O cara que comprou ganhou uma fortuna. Mas eu não descarto assistir a um bom filme de animação, não.
Você falou do filme “Pavements”. Existem outros dois documentários: “Louder Than You Think” e “Slow Century”. Existe uma ordem ideal para assisti-los?
“Slow Century” fez sentido para mim porque a banda tinha acabado. Era uma forma de documentar os bastidores, mostrar como o Pavement funcionava. Já o “Pavements” me deixa desconfortável. Fico muito autoconsciente vendo aquilo. É confuso saber o que é fiel aos fatos e o que não é. Eu não gosto quando cineastas mudam fatos por entretenimento. Fico feliz que as pessoas tenham se interessado, mas aquilo sempre me deixou desconfortável. “Louder Than You Think” é ótimo. Foi feito com orçamento baixíssimo, e aquilo representa muito bem o que o Pavement era nos primeiros anos.
No Pavement, você sempre foi o “entertainer” — essa empolgação com gritos e berros (hey! Scream and Yell!) ao interagir com o público. Você lembra desse show em Tilburg? (mostrando o vídeo do Bob gritando em “Range Life” pelo celular mesmo)
Sim. (risos) Eu sei gritar. Basicamente, eu toco brinquedos infantis e grito. Lembro que aquilo foi uma grande diversão. Eu sou barulhento, grito e toco brinquedos infantis.
Esse senso de humor e essa postura no palco surgiram naturalmente? Foram se desenvolvendo com o tempo?
O meu papel mudou quando o Gary saiu da banda. Quando o Steve West entrou, eu pude expandir o que fazia. Meu trabalho passou a ser olhar para o público e tentar tornar a experiência agradável, além de tentar enriquecer a música. Hoje eu sou mais flexível. A Rebecca é muito boa, então não preciso mais me preocupar com teclados. Sempre me surpreendo com o fato de minha bateria ser “aceitável”. A ideia da bateria dupla ainda funciona.
As harmonias que a Rebecca cria nos backing vocals…
Ela é ótima com progressões e vocais de apoio. Ela tira muita coisa das minhas mãos. Já toquei em mais de mil shows, e ainda fico ansioso. É uma excitação nervosa. As pessoas pagam muito caro hoje em dia para ver bandas, e eu quero que seja não só boa música, mas também algo divertido e empolgante.
Eu amo estar no Pavement. Amo ir para a América do Sul. Tocamos recentemente no México. Essa turnê que terminou em São Paulo — começamos no Chile, depois Argentina e Uruguai. Montevidéu foi muito divertido. São Paulo foi mais difícil porque o lugar era enorme.
Vocês saem em turnê agora em julho, certo? Começando com Mosswood Meltdown Pre-Party?
Sim, ainda estamos resolvendo algumas coisas, mas já fechamos datas. Vamos começar tocando num festival em Oakland, na Califórnia, em meados de julho. Depois vamos tocar em Portland, Minneapolis, Chicago, Cleveland, Richmond — que é um show especial para mim e para o Steve West, porque é nossa cidade natal — e Nashville. Talvez acrescentemos mais datas. Nosso agente traz as propostas, a gente vota, e se o Malkmus não quiser fazer, não tem como. O Pavement nunca cancelou um show, o que é impressionante.
O Malkmus é o único integrante que tocou em absolutamente todos os shows. Ele nunca faltou a um. Chamam ele de “Slacker King”, mas ele já tocou em umas sete bandas diferentes desde os 20 anos e nunca perdeu um show sequer. Ele definitivamente não é um desleixado (risos).
– Heberton Barreira é estudante de jornalismo, bandolinista e animador stop-motion. Criador do @yayatedance