As 11 chances reais de indicações para o Brasil no Oscar 2026

texto de Alexandre Inagaki

Depois de uma história com final feliz como foi o Oscar de 2025, em que “Ainda Estou Aqui” trouxe a primeira estatueta da Academia para o cinema brasileiro, por que não imaginar um novo remake, com grande potencial de desfecho igualmente vitorioso, de uma temporada mágica na qual o Brasil deixou o futebol de lado e se tornou o país da sétima arte?

Um raio não só pode como deve cair duas vezes no mesmo lugar. E, após o sucesso do longa de Walter Salles, eis que Kleber Mendonça Filho presenteou cinéfilos de todo o mundo com a pirraça tupiniquim de “O Agente Secreto“, filmaço que iniciou sua carreira em premiações conquistando os prêmios de Melhor Direção e Melhor Ator no Festival de Cannes.

Kleber Mendonca Filho recebe prêmio em Cannes

Longa-metragem mais bem resolvido de uma cinematografia brilhante que já conta com obras do naipe de “Bacurau” (2019), “Aquarius” (2016) e “O Som ao Redor” (2013), o filme mais recente de Kleber Mendonça tem construído uma história após a outra de feitos significativos. A começar por Cannes: o prêmio de melhor direção para “O Agente Secreto” foi o segundo conquistado por um cineasta brasileiro na história do festival. O primeiro foi ninguém menos que Glauber Rocha, que em 1969 levou a Palma de direção por “O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro”. Wagner Moura igualmente fez história: foi o primeiro ator brasileiro a vencer a premiação de melhor interpretação masculina.

Outro feito marcante foi a conquista da chamada “Trifecta” ou tríplice coroa: “O Agente Secreto” tornou-se o primeiro longa brasileiro a vencer como Melhor Filme Internacional nas três associações de críticos mais importantes dos Estados Unidos: New York Film Critics Circle (NYFCC), Los Angeles Film Critics Association (LAFCA) e National Society of Film Critics (NSFC). Além disso, também conquistou o mesmo prêmio no Critics Choice Awards.]

Wagner Moura com Ethan Hawke, Rose Byrne e Bobby Cannavale no New York Film Critics Circle Award

Globo(s) de Ouro impulsionando O Agente Secreto no Oscar

Em 2025, a conquista inédita para o Brasil obtida por Fernanda Torres, primeira brasileira a vencer o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Filme Dramático, representou um impulso fundamental para que “Ainda Estou Aqui” chegasse forte ao Oscar. Neste ano, o mesmo aconteceu com “O Agente Secreto”: indicado a três estatuetas, a produção pernambucana levou dois prêmios merecidíssimos. Primeiro, o Globo de Ouro de Melhor Filme em Língua Não-Inglesa, que anteriormente havia sido conquistado por “Central do Brasil” (1998). E, depois, o inédito prêmio de Melhor Ator em Drama, para a atuação marcante de Wagner Moura.

Estas duas estatuetas, televisionadas um dia antes dos membros da Academia de Hollywood começarem a submeter os votos que decidirão quais serão os indicados ao Oscar 2026, representaram um impulso fundamental para as chances brasileiras neste ano. Afinal, notícias anteriores não haviam sido favoráveis para Wagner Moura: o Sindicato dos Atores não indicou o protagonista de “O Agente Secreto” ao prêmio de Melhor Ator, e a pré-lista de finalistas do BAFTA, principal prêmio do Reino Unido, tampouco lembrou do ator baiano. Vale, porém, lembrar que em 2025 Fernanda Torres também foi ignorada por essas mesmas duas premiações. Ainda assim, cravou sua justa indicação ao Oscar de Melhor Atriz.

Wagner Moura com seu Globo de Ouro de Melhor Ator

11 chances reais de indicações para o Brasil no Oscar 2026

As cartas já foram lançadas: os cerca de 11 mil membros da Academia tiveram até 16 de janeiro para submeterem seus votos. Em sua previsão mais recente, a Variety cravou que o Brasil conquistará 4 indicações, sendo 3 delas para “O Agente Secreto” (Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Ator) e uma para Adolpho Veloso, diretor de fotografia do filme “Sonhos de Trem” (que já concorre ao prêmio de Melhor Fotografia do sindicato da categoria e venceu o Critics Choice).

Para além destas previsões, vale lembrar que “O Agente Secreto” está na lista de pré-indicados ao Oscar de Melhor Elenco (nova categoria que estreia neste ano) e que mais três produções brasileiras constam dessas pré-seleções do Oscar: os documentários em longa-metragem “Apocalipse nos Trópicos” (da diretora Petra Costa, que já concorreu à estatueta de Melhor Longa Documentário por “Democracia em Vertigem” em 2020) e “Yanuni” (coprodução entre Brasil, Áustria, EUA, Canadá e Alemanha dirigida por Richard Ladkani), e o curta-metragem “Amarela” (dirigido por André Hayato Saito).

Além disso, “O Agente Secreto” tem chances nada desprezíveis de ser indicado nas categorias de Melhor Direção e Melhor Roteiro Original, ambos trabalhos de Kleber Mendonça Filho. E ainda temos no páreo Affonso Gonçalves, que após ter sido o editor de “Ainda Estou Aqui” no ano passado, trabalhou na montagem de “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet” (o vencedor do Globo de Ouro na categoria de Melhor Drama) junto com a diretora Chloé Zhao, no páreo na categoria de Melhor Edição. Ou seja: o Brasil tem 11 chances reais de indicação ao Oscar 2026. Quantas delas serão convertidas? É o que saberemos no dia 22 de janeiro, em transmissão que será feita ao vivo no canal dos Oscars no YouTube a partir das 10:30 da manhã.

– Alexandre Inagaki é jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, e consultor de mídias sociais. Já escreveu para a Rolling Stone Brasil, Trip e foi responsável pela criação e planejamento de campanhas online para Coca-Cola, Sony Pictures, entre outros. É curador da Campus Party e youPIX Festival. Publica textos na internet desde 1999. Começou em blogs coletivos e em seu próprio e-zine, chamado SpamZine. Além do Pensar Enlouquece, também foi um dos criadores do InterNey Blogs, um portal brasileiro de blogs.  (linktr.ee/alexandreinagaki)

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