Três shows do Festival Suíça Bahiana 2025: Elomar & Orquestra Conquista Sinfônica, Black Pantera, Vivendo do Ócio

texto de Danilo Souza
fotos de PH Desventuraz

Orquestra Conquista Sinfônica convida Elomar no FSB 2025 (sábado, 18 de outubro, 15h)
O primeiro show do palco principal do FSB 2025 não foi transmitido ao vivo por opção do Elomar – uma parceria da produção do evento com a TV UESB exibiu os shows na TV aberta para a região de Vitória da Conquista –, mas foi histórico. Aos 87 anos, o maior nome da música local fez sua estreia em um festival independente – grande conquista do FSB – em casa e em família! O maestro e violonista João Omar, foi quem primeiro subiu ao palco com a Orquestra Conquista Sinfônica para executar quatro ou cinco músicas antes de Elomar ser convidado. João estava muito à vontade e até brincou ao apresentar o pai (como se fosse necessário alguma apresentação) ao público: “É Elomar Figueira Mello, viu, e não Elomar Figueira de Mello. Quando coloca o “de” ele fica “retado”, quando quero pirraçar eu faço isso (risos)”. Com releituras de grandes clássicos da sua discografia, adaptados para uma apresentação mais intimista e com a participação da Orquestra, Elomar, que passou praticamente o show inteiro sentado e apenas cantou, deixando a responsabilidade de tocar o violão para outro músico, revisitou sua própria história e a dividiu com o público presente – e tinha gente pra caramba para vê-lo, apesar do horário e dos quase 30 graus da “Suíça Bahiana”.


Black Pantera no FSB 2025 (Domingo, 19 de outubro, 20h)
Se o festival e a cidade de Vitória da Conquista recebem esse apelido de “Suíça Bahiana” por conta do seu clima frio e das chuvas, então, isso não poderia ficar de fora. O que, na teoria, poderia atrapalhar a apresentação dos mineiros (o palco principal estava na Concha Acústica do Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima, que, apesar de estar parcialmente coberto por tendas, têm uma estrutura de anfiteatr) só aumentou a energia do “mosh mais molhado de todos”, como a própria banda definiu em uma publicação no Instagram após o show. É aquele ditado, né… quem viveu, viveu. Se a chuva lava a alma e tira o peso, teve gente saindo mais leve que uma pena. Mas de leve o show do Black Pantera não tem nada… as melodias cruas e o discurso direto e reto nas letras do grupo, talvez a característica que mais se destaca neles, se potencializa ao vivo e é uma loucura! Para os fãs, as águas da chuva com certeza não foram um problema. Mas para quem tá meio perdido nas ideias, é melhor tomar cuidado mesmo é com o fogo nos fascistas… Detalhe curioso foi que um cachorro subiu ao palco durante a apresentação do trio. Sua cor preta só deixa crer que o Black Pantera encontrou um mascote em Vitória da Conquista.


Vivendo do Ócio no FSB 2025 (Domingo, 19 de outubro, 21h30)
Dizem que brasileiro não desiste nunca. Para quem é baiano, isso deve valer em dobro… Houve um pequeno intervalo após o fim da apresentação da Black Pantera para ver se a chuva ia parar um pouco ou não, deixando em dúvida por um momento se ia rolar justamente o show do headliner que fecharia o festival: Vivendo do Ócio. Mas, de novo, é hora de um ditado popular: quem está na chuva é pra se molhar, né? E foi nesse clima que a banda subiu ao palco para apresentar o seu novo disco para o público que decidiu ficar. De volta à cidade após alguns anos, os caras vieram com um repertório cheio de representatividade tendo como base “Hasta La Bahia”, disco que marcou o retorno da banda para o estado e gerou canções cheias de significado para quem é daqui. Os hits, claro, também não ficaram de lado. Entre eles, “Nostalgia”, que “profetizava” a volta para a Bahia e que é umas das canções mais cantadas pelos fãs. Dá pra dizer que a Vivendo do Ócio vai muito além de Salvador quando o assunto é ter uma “casa” no estado, já que a banda tem uma relação legal com Vitória da Conquista desde o início da década de 2010, quando se apresentaram algumas vezes no Viela Sebo Café, um local de eventos que atualmente já não funciona mais, mas pelo qual também passaram muitas bandas da cena baiana que fizeram parte do surgimento do próprio festival nas suas Noites Fora do Eixo. Um encerramento digno para um dos festivais mais importantes do estado.

 

– Danilo Souza é estudante de jornalismo da UESB (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia). Acompanhe seu trabalho em instagram.com/danilosouza.jornalismo/

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