Faixa a faixa: bruxa do mangue apresenta “O nascer do sol”, seu terceiro álbum

introdução por Diego Albuquerque
Faixa a faixa por lynn

A bruxa do mangue teve início em 2019, nascida das cinzas de um projeto chamado Echoing Nightmare. “A princípio, era pra ser uma banda. Hoje, depois de vários lançamentos, posso dizer que ‘a bruxa do mangue é a lynn, e a lynn é a bruxa do mangue’”, explica a artista sergipana. “O nome atual surgiu pelo fato de eu ser uma bruxa e morar perto do mangue”, explica lynn.

Lynn sempre se interessou por música e começou a compor suas letras na adolescência, período em que teve algumas poucas aulas de violão, quando tentaram ensina-la a ler partitura, com pouco sucesso. “Aprendi mais sozinha, fuçando o instrumento e caçando os sons que me agradasse até achar”, revela. “Todos os outros instrumentos que toco também aprendi por conta própria de acordo com esse mesmo método, tudo a partir dessas poucas aulas”, complementa.

O nascer do sol”, terceiro álbum lançado em 2025 como bruxa do mangue, tem como tema principal o amor romântico junto ao desejo de estar junto da pessoa que ama. As seis faixas que compõe o álbum foram todas gravadas pela própria artista, naquela pegada caseira despretensiosa, intimamente ligado ao lo-fi e com muito sentimento e um violão bucólico e um tanto folk.

O álbum, assim como os vários outros lançamentos de lynn, estão disponíveis apenas no Bandcamp, no Youtube e no site próprio da artista, com direito a link de download gratuito e mais informações.

01) “nightingale’: Começa com o som do meu órgão de brinquedo (um chord organ da Hering dos anos 80) sendo ligado, e sobre o acorde que toquei com ele, loops de vários outros instrumentos. Após essa introdução, a música começa com um arranjo mais simples. A letra pega emprestado dois Fragmentos de Safo (poetisa lírica grega dos séculos VII-VI a.C.), nos quais me baseei para escrever o restante.

02) “longa tempestade”: Essa foi uma das músicas onde aproveitei a harmonia simples para improvisar livremente no baixo – a cada dois ou quatro compassos, uma linha diferente. A ideia da música surgiu em uma noite extremamente chuvosa aqui em Aracaju.

03) “o nascer do sol”: Originalmente essa música deveria ter uma letra declamada (um cordel estilo martelo agalopado), mas nada do que escrevi pra tentar expressar o que eu queria serviu, então ficou 100% instrumental. No lugar da letra, improvisei um solo de escaleta.

04) “it’s a beautiful day”: Lentamente, camadas vão se sobrepondo em um crescendo, antes de saírem de cena para uma estrofe curta – três versos que dizem muito mais do que eu poderia dizer com várias estrofes – e retornando, então, para encerrar a música.

05) “bela moça”: um único verso repetido por toda a música, com a intenção de representar o desejo de encontrar uma pessoa que está longe e a ansiedade para que chegue logo o momento em que esse desejo se realizará. Nessa música também improvisei no baixo como fiz em “longa tempestade”.

06) “beloved”: Para a letra dessa música, citei diretamente uma fala de Carmilla, personagem do livro de mesmo nome de Sheridan Le Fanu (lançado em 1872). Foi a única música composta quase exclusivamente com o teclado – é um instrumento que sei tocar muito pouco, mas aproveitei os timbres e arpeggios dele pra criar as várias camadas dessa música.

– Diego Albuquerque é o criador do blog Hominis Canidae, um dos maiores repositórios de discos brasileiros da última década. O blog foi criado em 2009, no Recife, e divulga novos artistas e nomes indies da música brasileira, de norte a sul do país.

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