Entrevista: Firefriend lança dois discos ao mesmo tempo e declara amor ao rock, aos vinis e a Jorge Benjor

entrevista de Elsa Villon

Com mais de 20 anos de estrada, a Firefriend passou o mês de setembro fazendo shows no Reino Unido enquanto dois discos saiam do forno ao mesmo tempo: “Blue Radiation” e “Fuzz“. Além dos álbuns e da turnê, a Firefriend está com uma nova formação, contando agora com Ricardo Cifas (bateria) e Pinhead (synth e teclados), ao lado dos fundadores Julia Grassetti (baixo e vocais) e Yury Hermuche (guitarra e vocais).

Se os dois discos foram lançados ao mesmo tempo, quem veio primeiro: “Blue Radiation” ou” Fuzz”? Tal como gêmeos, um é mais velho e a resposta é dada pelas texturas e experimentalismos de “Blue Radiation”, fruto de jams e improvisos no porão durante a pandemia em uma realidade distópica permeada pela incerteza e o isolamento social. “Tocamos como se fosse a última vez, sem saber se iríamos estar vivos”, contam Julia e Yury. As 10 faixas são um mergulho melancólico de tempos difíceis.

“Fuzz”, o irmão mais jovem, foi gravado no final de 2024, em outro cenário distópico: uma iminente Terceira Guerra Mundial. Mas há uma gota de otimismo, segundo os músicos: “O mundo está derretendo, mas precisamos seguir em frente, não dá para ficar na melancolia”.

O otimismo ganha forma física, com as edições em vinil no Reino Unido, pelo selo Cardinal Fuzz, e nos Estados Unidos, pelo Little Cloud. É o décimo segundo álbum lançado em águas internacionais. Cuca Ferreira (sax) e Daniel Verano (trompete) trazem as camadas dos metais para as faixas.

Alerta de spoiler: se você é da turma do vinil e quiser garantir uma cópia, vai descobrir como no final da entrevista, além de novidades exclusivas contadas por Julia e Yury:

Vocês acabaram de lançar dois álbuns, como foi esse processo criativo, de pensar nas composições? Já tinham essa ideia de dois trabalhados separados ou foi algo que aconteceu durante a criação?
Firefriend: Os dois discos nasceram em momentos diferentes, cada um com um processo bem particular. A ideia de lançá-los juntos veio mais recentemente, com um alinhamento de oportunidades. Entendemos que era muito legal lançar dois discos tão diferentes ao mesmo tempo. Eles são meio irmãos, mas cada um tem um processo diferente. O “Blue Radiation” veio de jams, sessões de improviso Já o “Fuzz” são canções produzidas, compostas, gravadas num estúdio profissional. Os processos têm um caminho semelhante, porque costumamos fazer isso, esse processo de jams e improvisos, então muitas das músicas do “Fuzz” surgiram em improvisos como os do “Blue Radiation”. Em algum momento, eles passam pelo mesmo processo, mas há uma bifurcação ali, cada um vai para um lado. E tem uma coisa também que é quando amarramos os discos, quando os fechamos. Cada novo trabalho é uma proposta de 40 minutos a uma hora para as pessoas flutuarem por aí, irem para outros lugares.Quando amarramos esses dois discos, a impressão é de que eles levam para lugares diferentes, cada um com seu próprio tipo de violência, mas cada um vai para um lugar diferente. E é bacana porque a banda também tem muitos ângulos, muitas formas. E agora somos em quatro músicos diferentes, cada um com as suas próprias influências, então às vezes queremos explorar novas coisas. Essa coisa dos improvisos é muito parte da gente também. O Firefriend faz muito isso, mas se você só conhece o Firefriend pelo Spotify ou por um ou dois shows, não entende que a banda também tem esse lado de tocar livremente, de fazer explorar, experimentar sem medo. Sem amarras, simplesmente deixar vir os, a música vir, o som acontecer.

Eu senti uma ligação com o jazz. Já era algo pensado? Isso surgiu no meio do caminho? Como é que foi esse processo?
Firefriend: Não é a primeira vez que fazemos isso nos nossos discos, já fizemos algumas vezes no passado. Sempre achamos legal incluir novas texturas, novas camadas de som, porque elas também são novas vozes no som e é interessante arranjar as músicas de uma forma que tenha sons e ideias diferentes. Dessa vez, chamamos o Cuca Ferreira (sax) e o Daniel Verano (trompete) e foi muito bom. Eles foram para estúdio, nós trocamos ideias sobre como podiam ser os arranjos, eles vieram com as ideias deles, a Júlia trouxe muitas ideias também dos arranjos e eles toparam, entraram na onda e foi sensacional. Isso é demais, porque enriquece, o som de trompete, de sax de verdade, nada contra o synth, sempre usamos muito synth também, adoramos. Mas poder trazer para um disco seu um sax e um trompete bem gravado, bem executado, bem composto, isso traz um volume, uma gordura para o som, é gostoso. Você coloca no fone e são mais camadas de instrumentos, fica muito bonito. É muito legal poder fazer isso, poder contar com músicos tão fodas assim para ajudar a gente a fazer isso.

Houve a contribuição de vários outros músicos também, como Paulo Beto, um mestre do synth aqui de São Paulo, e vários outros músicos maravilhosos que adicionaram texturas e sons diferentes do que o que nós mesmos produzimos. Isso abre um leque de novas frequências, texturas e camadas, e para onde você pode ir. Cada um traz também a sua identidade, as suas influências, que às vezes nem sabemos quais são, mas não interessa, porque interessa é o que está ali no final, mas vai adicionando sabores.

Teve um trecho do release que me chamou a atenção: “Enquanto ‘Fuzz’ explora canções cobertas por texturas, ‘Blue Radiation’ aposta no foco nas atmosferas sensoriais”. Como vocês definiriam as texturas exploradas em “Fuzz” e quais atmosferas sensoriais vocês imaginaram em “Blue Radiation”?
Firefriend: Essa questão é um pouco do que já falamos com relação às texturas, de explorar. Tem um leque bem variado de sons, de synths, de metais, de piano. Ao passo que o “Blue Radiation”, ele é um disco que não teve uma produção, a gente não fez overdubs nele. É o som tirado por nós três naquele momento, um registro de um momento no tempo e no espaço que só foi feito uma vez com os instrumentos que a gente estava tocando na hora, sem overdubs. Acho que isso leva para o lado mais sensorial, porque você acaba tentando imaginar da onde aquele som está vindo. São três pessoas tocando ali, da onde está vindo, o que que é isso? Da onde vem? Te convida a explorar caminhos através de menos instrumentos, menos frequências e texturas, mas buscamos explorar muito como usá-las e as usamos de diversas formas. Criamos o baixo como se fosse outro som que não o do baixo.

Tem uma coisa também que é interessante no “Blue Radiation”: ele foi gravado bem no pico da pandemia aqui em São Paulo, quando parecia que o mundo estava acabando e a cidade estava mais vazia do que jamais foi. Uma situação muito estranha em que as pessoas estavam morrendo. Ficávamos na cidade ouvindo as ambulâncias passando. E nesse clima, naquele momento, de isolamento total, a música foi o que fez com que conseguíssemos ficar mais ou menos sãos. Foi nesse clima que gravamos a maior parte do material do “Blue Radiation”. Então, ele é feito de improvisos, mas são improvisos muito marcados por essa sensação de que o mundo estava se derretendo, se desmanchando, sabe? Isso é bem diferente também do “Fuzz”, criado e gravado bem no meio da Terceira Guerra Mundial. O mundo está realmente acabando. São momentos diferentes assim e sons diferentes.

Ouça os álbuns “Blue Radiation” e “Fuzz” na integra abaixo

 Vocês acham que tem um viés melancólico no “Blue Radiation”?
Firefriend: Com certeza, ele parece um lamento, é melancólico. Estávamos trancados em casa, tínhamos um porão onde ensaiamos e estávamos ali, naquele momento, tocando sem saber se um dia iríamos voltar a fazer show, se iríamos sair de casa, se não iríamos morrer, conseguir tocar e gravar de novo, se um de nós iria morrer, se o mundo inteiro ia morrer. Tinha ali uma urgência também, uma coisa de não temos tempo a perder. Cada momento vivido poderia ser o último, sempre temos isso em mente, você pode atravessar a rua e morrer, mas numa pandemia, você liga o jornal e morrem 1000 pessoas, depois mais 1000 e assim por diante… era muito apocalíptico. Nós realmente não sabíamos se haveria amanhã. Cada momento daquele nosso ali tocando podia ser o último, ainda mais no governo Bolsonaro. Estávamos vivendo aquele mundo horrível.

Se o “Blue Radiation” tem esse viés melancólico, podemos dizer que o “Fuzz” tem um viés caótico?
Firefriend: Pois é, essa é a grande questão. Como você encara um mundo em que ao mesmo tempo tem bandas lançando discos enquanto está rolando um genocídio e a Terceira Guerra Mundial? Essa situação em que temos que lidar com o cotidiano e a vida real com essas ameaças nada abstratas de fim do mundo. Como a humanidade está lidando com isso, é muito surreal. Ainda vamos ao shopping, as pessoas ainda saem, seguem planejando tours, férias, mas o momento é muito perigoso. Acho que o Fuzz é um pouco assim, o que que a gente faz no meio disso tudo. Mas ele também tem um otimismo comparado a todos os nossos discos. Tem um pouco mais de luz no fim do túnel. Ele é caótico, mas estamos agora em um governo melhor, o Bolsonaro está sendo preso, o mundo está acabando, mas não podemos nos entregar. ˜Ai, o mundo acabou, vamos agora só ficar na melancolia”. Não. Temos que olhar pra frente e tentar tocar o barco, viver nossa vida. E o “Fuzz” traz um pouco dessa eletricidade, do tipo: “Gente, acorda, vamos, porque não dá para ficar aqui nessa melancolia, no porão”. Viver nossa vida ou mudar o mundo, são os únicos jeitos de seguir em frente. Há uma eletricidade nele, um chacoalhão do tipo, vamos em frente, vamos embora.

SQuais as inspirações dentro e fora da música que vocês gostariam de destacar?
Julia: Eu vim ali do Black Sabbath, do Led Zeppelin, tenho mais essa veia, mas curto Jorge Ben, adoro música brasileira também dos anos 60, gosto de guitarristas virtuosos. Eu venho de um outro caminho.

Yury: Isso é interessante porque o som, todos esses sons, todos têm basicamente três ou quatro dimensões: o que a Júlia traz, o que o Kaká trouxe, o que em geral os outros músicos trazem, são muitos ganchos que você pode perceber e puxar ali. O Sonic Youth com certeza é uma das referências, mas existem muitas outras. A Júlia, por exemplo, é uma grande metaleira e agora tem um aliado, o nosso baterista também gosta.

Julia: No cinema, eu gosto muito do David Lynch, estou revendo “Twin Peaks”, a terceira temporada, e é uma obra-prima, todo mundo tinha que que assistir porque é uma referência visual, musical, sonora, de viagem, de transgressão, de arte. Tem muita referência ali.

No “Blue Radiation”, senti uma trilha sonora de filme, quase uma viagem de carro atravessando estados. Cada faixa tem uma nuance que me remete muito a diferentes paisagens quando viajamos por um longo trajeto. Como foi a escolha da ordem das faixas, considerando essa quebra de estilo entre uma faixa e outra? Eu sei que veio muito do da sessão assim da de improviso e tal, mas como vocês descreveriam isso?
Firefriend: Exatamente desse jeito. Foi uma ótima descrição. Nós realmente pensamos que os discos são novos lugares que as pessoas podem passear por ali por algum tempo. Quando você pensa mais ou menos a ordem de um disco, você está, mais ou menos, organizando um passeio por um novo universo, novo ambiente. E esse é um dos grandes baratos de fazer disco, na minha opinião. Esse ponto da trilha sonora tem tudo a ver. Às vezes, escutamos e falamos: “Nossa, parece uma trilha sonora”. Você começa a imaginar e essa coisa do carro também traz outra percepção. Outra coisa que tem a ver com isso é: uma banda de rock pode fazer muitos tipos de música, te levar para lugares onde a violência e a harmonia convivem de alguma forma, com a sua assinatura, mas por um outro ângulo. O “Blue Radiation” é uma uma forma de expressão da mesma banda de rock que fez o “Fuzz”. E é interessante, ir para novos lugares com a banda, sabe? É viajar sem sair do lugar.

O “Fuzz” vai ganhar edições em vinil nos Estados Unidos e no Reino Unido. Eu queria saber como colecionadora de vinis: existe possibilidade disso acontecer aqui no Brasil?
Firefriend: Essa é uma ótima pergunta porque tem uma grande diferença entre as condições materiais de cada país. Obviamente, também tem uma questão de tradição dessa abordagem do rock em cada lugar. A primeira ou segunda vez que tocamos nos Estados Unidos, vimos famílias inteiras jantando, comendo em lugares com bandas ensandecidas, tocando alto para caramba e tudo bem. Então, existe uma coisa de tradição e assimilação do rock lá, que é muito diferente do rock daqui. Tem a ver com o público que o rock tem em cada lugar e das condições materiais do país. Nossos discos rolaram lá porque os os loucos que quiseram lançar os discos, eles entenderam que eles podiam vender os discos porque haveria gente que os compraria de uma banda estranha como a nossa. Aqui no Brasil, isso é mais difícil, dadas as condições materiais e o público. Rolou lá antes, talvez role aqui algum dia. Isso foi muito muito bom pra nós, pois nos deu uma sensação de que não estávamos loucos sozinhos. Tem pelo menos mais duas pessoas loucas como nós, uma nos Estados Unidos e outra na Inglaterra. E é por isso que os discos saíram lá.

Vocês vão seguir em turnê no Reino Unido: qual a expectativa e há planos pós-turnê?
Firefriend: Uma coisa muito interessante é que agora temos uma nova banda, com um novo baterista e um novo tecladista. Fizemos quatro shows aqui em São Paulo com essa formação, foram bem legais. A grande expectativa é chegar lá e mostrar pros ingleses o como essa banda é quente.

Há diferença de público, por exemplo, entre ingleses e americanos, que vocês destacariam?
Firefriend: Muda, porque a Inglaterra é uma ilha, todos eles se conhecem, é bem pequeno lá. Nossos discos são lançados lá desde 2018, então esse público é muito diferente do público nos Estados Unidos e do Brasil, porque todos eles ouviram todos os discos muitas e muitas vezes. É uma relação bem diferente com o público, porque no Brasil não se tem muitos LPs do Firefriend, muito menos nos Estados Unidos, mas na Inglaterra é bem denso.

Da última vez que fomos, eles foram bem calorosos. Teve gente que levou capa de disco pra gente autografar, camiseta, que viajou para ir ver a gente, quis conversar, quis tirar foto. Eles saem distribuindo Guinness, saem dando cerveja. Eles queriam que a gente se sentisse bem lá. Para eles, deve ser interessante pois estão acostumados a ver muitas bandas, mas ver uma banda fazendo o tipo de som que nós fazemos, de um lugar há 10.000 km de distância, deve ser bem curioso para eles. Acabamos levando um tempero diferente que eles não têm.

Tem um um tempero que é da nossa música, que é da gente. Nós somos brasileiros. Nós nascemos aqui, crescemos aqui, ouvimos a música brasileira a vida inteira, está dentro de nós também, das nossas influências. Eles querem conversar. Teve um que pirou na bateria, perguntou: ˜Como é que você faz isso?”, perguntando e querendo saber de onde vem esse som que é o som deles, mas não é. Isso é muito legal, acaba sendo uma troca, que acontece desde os anos 1960, essa troca do rock com a música brasileira acontece há décadas.

E os planos pós-turnê?
Firefriend: Muitos planos. Vamos fazer um filme porque São Paulo é uma das maiores cidades do mundo e há uma curiosidade do mundo de saber o que que acontece nessa cidade horrível, insana, suja, corrupta, pervertida. Queremos mostrar um pouco da música de São Paulo e mostrar um pouco desse lugar louco que é a cidade. E também é urgente gravar um material com a nova formação da banda. Ficamos três anos como um trio: baixo, guitarra, bateria, cada um de nós com alguns elementos de synth, loops para acrescentar. Agora temos um tecladista fazendo isso e é muito interessante porque traz novas frequências, preenche o som e, querendo ou não, acabamos ficando mais soltos, sem ter que fazer duas, três coisas, você faz só o seu instrumento. Isso dá uma liberdade também. Estamos super animados e contentes com essa nova banda. Então queremos gravar, urgente, um material com essa formação e lançar um novo pensamento em breve com essa nova formação.

Em relação às inspirações nacionais, há nomes do rock psicodélico brasileiro que foram inspirações para vocês?
Julia: Cara, Mutantes. Eu gosto muito. O Jorge Ben, eu amo o Caetano dos anos 1960, Elomar Figueira Mello, que é um compositor baiano maravilhoso, violeiro, lindo. São muitos.

Yury: Eu não mergulhei muito na música brasileira, venho de outro lugar assim de escuta. Mas acho que é muito bom que nós tenhamos referências muito diferentes uns dos outros, porque isso dá originalidade para a banda. O choque de referências, não ficarmos presos a só a uma cabeça, só uma identidade. Está sendo extraordinário agora, com quatro pessoas na banda, porque são mais inputs, mais sensibilidades e isso deixa o som mais denso, mais rico assim, eu sinto.

Julia: Para mim o Jorge Ben está entre os meus músicos preferidos da vida. Acho que ele toca rock. Se você pegar “Tábua de Esmeralda” e pegar um violão para tocar junto, cara, é rock. Ele está tocando rock foda. Muito foda. Muito groove. E aquela melodia de voz dele, ele está entre os melhores para mim, assim, é um gênio. Ele está do lado dos meus ídolos também, ao lado do David Bowie, do Neil Young, se for pegar os ídolos, Jorge Ben é um dos primeiros. A Rita é maravilhosa. Não tem como não falar da Rita. É muito difícil ser mulher no rock, na música em geral. Quando comecei a tocar, tinham pouquíssimas mulheres nos shows. Íamos tocar em festivais e não tinha mulher. Agora tem cada vez mais e as mulheres são incríveis. A Rita Lee é maravilhosa, ela carregou a bandeira e é a grande voz do rock. Uma grande inspiração para mim.

Yury: Tem muitas outras mulheres na música brasileira, todas maravilhosas, mas a Rita é um exemplo a ser seguido e uma grande inspiração. Lembrei de um cara também chamado Claudio Bull (nota: votante assíduo do Melhores do Ano Scream & Yell), de Brasília, que tinha uma banda chamada Divine nos anos 1990. Sempre achei assim ele um grande letrista, uma cabeça muito interessante. Ele me mostrou o poder de uma boa letra no rock. Acho que vale a pena as pessoas procurarem depois. É muito interessante.

Julia: O Brasil tem uma música maravilhosa. Tem o Naná Vasconcelos, que é pura psicodelia. Chorinho (nota: estilo reverenciado por Trey Spruance, do Mr. Bungle), o Adoniran Barbosa, o Cartola, a Elis Regina. É tudo coisa que eu acho foda. Eu cresci ouvindo Black Sabbath, Led Zeppelin, cresci numa família que ouvia jazz e rock. A música brasileira eu tive que seguir pelos meus próprios caminhos. Normalmente é o contrário, né? O meu pai gostava de jazz e minha mãe gostava de rock e eu que enfiei o Jorge Ben na história e é muito foda, muito foda. E os caras lá fora escutam, eles bebem muito na nossa fonte, muito. Sempre beberam e ainda bebem. Eles são espertos, conhecem música boa.

Há algo que gostariam de adicionar?
Firefriend: Dia 18 de outubro vamos fazer um show aqui em São Paulo, o primeiro após a turnê. Vai ser às 20h no Porta (Rua Horácio Lane, 95), é só entrar no nosso site e comprar o ingresso. E a gente vai trazer alguns discos de lá também.

– Elsa Villon é jornalista de dados, especialista em Mídia, Informação e Cultura e colecionadora de vinis que está sempre no garimpo nas horas vagas.

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