introdução por Diego Albuquerque
Faixa a faixa por Meu Nome é Francisco
Daniel Francisco é artista com estrada, na frente e atrás dos palcos. Natural de São Paulo, o cantor, compositor e instrumentista é formado em produção musical e também em canto popular. Além disso, também dirige o estúdio e selo PreguiSom, com sede na zona norte de São Paulo, que tem investido cada vez mais numa linguagem livre e pensante para a música urbana.
Pela alcunha de Meu Nome É Francisco, ele vem apresentando suas composições desde 2018 nas plataformas musicais. Depois de amadurecer seu estilo, em 2024 ele lançou um EP “Lado A”, uma espécie de prévia do álbum “Só O Tempo Que Dá Nome Às Coisas” (2025), seu primeiro álbum solo. Um trabalho que traz a nova MPB para os beats, tintas e ideias da urban music, numa relação direta das vivências do artista com as ruas de São Paulo e toda sua cultura.
“Este é mais do que apenas um álbum musical: ele é uma experiência multisensorial”, exclama o artista. “Ao longo das 10 faixas, falo sobre diferentes formas de tempo: passado, presente e futuro, que se conectam em ritmos que vão surpreender quem conhecia meu trabalho antes disso”, complementa. As faixas contam ainda com feats de Alan Bernardes, Eluna, Ariele Porto, Baobá, Marcos Paiva e Daniel Carlomagno. Abaixo, Meu Nome É Francisco comenta seu disco de estreia, faixa a faixa.
01) “Intro” – Esse som nasceu de um improviso. Juntamos pedaços de letras de Sarinha e Igor. Foi tamanha profundeza vindo do acaso. Refletindo as buscas por mudanças em nós, no mundo. Nutrindo esperanças. Questionando o sofrimento. O arranjo experimental encontra espaço entre o caos da vida.
02) “Dreamlike” – Essa faixa soa pra mim como uma paisagem onírica: foi criada num sonho e transportada para esse plano. Uma melodia que buscou muito por uma letra, mas acabou não sendo o caso. Pensamos muito no trabalho incrível da Fernanda Porto durante a concepção da faixa. Bossa + Drum & Bass. Sofisticado & Moderno.
03) “É Preciso Confiar” – 1998, composição de Juara Hoots e André 29, mestres ocultos da Zona Norte de São Paulo. A produção da faixa mistura elementos da MPB com urban music trazendo consigo uma fé inabalável de que o amor é um caminho possível para as incertezas da vida.
04) “Dim Dom” – Composição diretamente de terras cariocas (Alan Bernardes, Paulo Domingues e Heitô), um frescor da nova MPB escolhido a dedo. Buscamos um arranjo que transita entre MPB e a soul music de uma forma muito leve. Arielly Porto foi a mestra da mixagem e arranjos finais.
05) “Embrulho” – Originalmente essa faixa era um blues/reggae, mas, numa encruzilhada, optamos o caminho: belas melodias entregando tristes mensagens. Nos inspirou a montar um arranjo de jazz brincando de alterar fórmulas de compasso.
06) “Apressado” – Um baião super moderno falando sobre a pressa da rotina. Novamente buscando novos caminhos e possibilidades. Essa faixa (composição de Di Grecco) é especial para mim pois o Di compôs ela uma tarde lá no meu antigo estúdio.
07) “Besta” – Fiz a faixa com Gabriel Peri no final de 2022. Nos inspiramos nos afoxés e ijexás dos Gilsons. Durante a produção tivemos o imenso prazer das participações especiais de Baobá e Daniel Carlomagno.
08) “Só + 1 Groove (Para Todos Que Emanei)” – Fiz com Cadé no começo de 2023. Naquelas madrugadas difíceis. Só um refrão se fez necessário. Quase uma prece aos nossos. Um arranjo com uma visão diferente dos ‘grooves’ norte-americanos. Um refrão quase mote.
09) “Flores” – Uma metalinguagem: a efemeridade da música. Descrevi as partes da música conforme elas se desdobram. Gosto muito da ideia que essa música seria um pagode em outra realidade (pois seria completamente possível), mas nessa versão foi impresso um sentimento progressivo quase ‘Pink Floyd’.
10) “Apenas” – Simplesmente apenas. Palavras singelas que me comovem muito: só o amor constrói. Se fosse para escolher eu diria que ‘Apenas’ resume quase completamente o meu anseio. Composição de Juara Hoots e André 29. Arranjo com banda completa: muita energia orgânica.

– Diego Albuquerque é o criador do blog Hominis Canidae, um dos maiores repositórios de discos brasileiros da última década. O blog foi criado em 2009, no Recife, e divulga novos artistas e nomes indies da música brasileira, de norte a sul do país.