por Homero Pivotto Jr.
Pra onde vai o mundo, vai todo mundo? É uma tendência. Por ora, vamos de nova coluna do Novo Rock Gaúcho aqui no Scream & Yell. Desde março, a iniciativa que tem por finalidade reverberar a música autoral feita no Rio Grande do Sul ocupa um espaço mensal neste resistente site cultural. É uma forma de mostrar o trabalho de artistas do sul para além das demarcações geográficas. Nesta edição, além das novidades ligadas às composições próprias, subvertemos um pouco nossos parâmetros para falar sobre o tributo a Os Replicantes chamado “Nunca Mais Eu Ouça Você”. A compilação reúne 17 nomes do rock independente nacional, sendo 11 gaúchos – e mais um de fora radicado em Porto Alegre. Como se diz por pagos riograndenses: vamo da-lhe! E ouça a playlist!
– “Eu Vi o Sol Nascer Atrás de Uma Montanha de Entulho”, Os Torto – O mais recente lançamento do grupo punk rock Os Torto, na ativa desde 1994, é uma faixa repleta de doideiras e toques de música clássica. A composição reúne oito atos, cada um sendo uma canção, como base para um letra esperta e reflexiva. Tudo repleto orquestrações em formato de ópera punk, numa sequência de 13 minutos com participação de Julia Barth (Os Replicantes).
Conforme contou Gustavo Herscovitz, o Guto (baixista e vocalista d’Os Torto), que criou a faixa e tocou diversos instrumentos: “Após um 2024 difícil, foi preciso reorganizar a mente. Comecei a compor essa música no final de fevereiro inspirado pelo documentário sobre a banda The Minutemen (“We Jam Econo”). Inicialmente foi pensado para ser várias músicas curtas, mas todas as pessoas para quem mostrei os rascunhos disseram que era uma música só. Daí aceitei o destino. Nunca tinha escutado um disco de punk/hardcore propositalmente pensado para ter orquestra, daí resolvi ver no que dava. Chamei as únicas pessoas que podiam dar conta de gravar esse projeto e foi isso: após um parto difícil de 12 horas ele nasceu.” Ouça no Spotify!
– “Nunca Mais Eu Ouço Você – Um Tributo a Os Replicantes”, diversos artistas – Se o futuro é vortex, o presente revisita o passado para mostrar a atemporalidade da obra dos Replicantes. É isso que se vê – ouve, melhor colocando – no álbum “Nunca Mais Eu Ouço Você – Um Tributo a Os Replicantes”, lançado em maio deste ano. O projeto foi concebido e produzido por Edu Normann (da Space Rave) e Fábio Gabardo (proprietário do estúdio Dub). Escolha sua plataforma preferida aqui para ouvir a todo volume. E lembre-se: seja punk, mas não seja burro.
“A pilha começou em março de 2024. O Heron (baixista d’Os Replicantes) vai direto tomar um café expresso lá no Dub. Daí, recém eu estava ouvindo umas gravações de 2010/2011 dos Dating Robots e tinha a versão de ‘O Futuro é Vortex’, meio electropunk. Eu já havia idealizado e lançado um tributo brasileiro ao Kraftwerk pelo selo Maxilar Music e estava meio entediado procurando alguma confusão. Foi quando tive essa grande ideia óbvia”, afirma Normann.
A compilação reúne 17 bandas – entre veteranas e galera da nova safra – prestando homenagem ao quarteto punk porto-alegrense, sendo 11 delas do Rio Grande do Sul. A saber: Loomer, Walverdes, Dating Robots, Os Pampa Haoles, Space Rave, Kim Kircher, Inaprops, Os Torto, Flu & Carlinhos Carneiro, Damn Laser Vampires e Flor Lagarto.
Já os nomes forasteiros que estão na empreitada são Dirty Grills (Florianópolis), The Biggs (Sorocaba), Autoramas (do peregrino Gabriel Thomaz), Cigarras (Curitiba) e Anvil FX (São Paulo), além dos cubanos da Katarziz – atualmente residindo na capital gaúcha e contando em sua formação com um brasileiro e um venezuelano.
Algumas convidados optaram por fazer algo mais próximo do cover. Outros preferiram evidenciar suas identidades. É o caso do surf clássico instrumental d’Os Pampa Haoles, que deram uma nova roupagem para ‘Surfista Calhorda’, um dos primeiros hits dos Repli. A Damn Laser Vampires também dá ares de garage rock/post punk com sua versão ‘Inverno Sombrio’, composição nem tão conhecida d’Os Replis. Na releitura, o vocalista e guitarrista Ron Selistre fez verteu a letra para o inglês e embalou isso numa sonoridade que remete a um encontro inusitado de The Fall com Bauhaus.
– ‘Love e Vício em Sunshine’, Supervão – O atualmente quarteto de São Leopoldo Supervão pessoaliza parte das próprias vivências em novo clipe. O vídeo é da canção ‘Love e Vício em Sunshine’, que abre o álbum “Amores e Vícios da Geração Nostalgia” – trampo que viu a luz do sol ano passado.
Conforme material sobre o lançamento no site Minuto Indie: seguindo a vibe nostálgica que percorre todas as faixas do disco, o vídeo traz cenas gravadas em Porto Alegre e São Leopoldo, costurando um mosaico de memórias registradas em câmera Super 8, celular e o que mais coubesse na mala. Assim como a sonoridade indie e espontânea que a banda carrega, nada ali parece forçado: são fragmentos da vida que se cruzam e se encontram por aí. “A ideia era isso mesmo, caminhar, revisitar, transformar o processo em algo real, que fosse mais do que só filmar”, conta Leonardo Serafini, guitarrista. (…)
Mario Arruda, vocalista e produtor do disco, define bem o conceito do videoclipe. “A música parte da melancolia, mas tem uma energia de retomada. É sobre comemorar tudo — o que deu certo e o que não deu.” No clipe, isso soa como um jeito agridoce de encarar a vida, confiando acaso, conhecendo pessoas que fazem o mundo valer a pena e deixando que as memórias falem por si. Com esse lançamento, a Supervão adiciona mais um capítulo sensível ao AVGN e seguem com a tour que em diferentes cidades do Brasil.
– ‘A ONU Grilou a Terra Santa’, Pacta Corvina – O trio black metal de Rio Grande Pacta Corvina colocou no mundo um novo single. A composição chama-se ‘A ONU Grilou a Terra Santa’ e é o segundo single do próximo álbum. A arte da capa (que ilustra este post) é de autoria de @desenhosmalditos . Conforme a banda, o desenho casou completamente com o teor da música. Ainda de acordo com o grupo, o som “faz uma denúncia ao sistemático extermínio promovido pelos Si0ni$$tas no Oriente Médio com apoio da Águia Hostil (e que agora também ataca diretamente nosso país e nossa soberania)”.
– ‘uma estrela e meia’, Asterisma – A banda Asterisma mostra como funciona, ao vivo, sua fusão de emo e indie. Em seu canal no Youtube, o grupo disponibilizou uma execução ao vivo de ‘uma estrela e meia’. Na peça audiovisual, o grupo performa a música – lançada como single em junho – no bar Ocidente, durante o Festival Carne Nova, da Little Backpack Produções. A direção é de Lucas Expedidor.
– ‘O Corre’, Flor ET – A banda Flor Et lançou novo single ‘O Corre’ em julho. O som faz uma conexão com quem está na batalha diária, superando adversidades para fazer sonhos e projetos acontecerem. Em agosto, deve rolar o lançamento de um videoclipe no YouTube.
– ‘Cine Off The Love’, Onda Sul – A banda santa-mariense Onda Sul fez sua estreia autoral com o single “Cine Off The Love”! A composição traz influências que passeiam pelo rock clássico, reggae, ska e surf music.
– ‘Amber Eyes’, Tom Zynski – O cantor Tom Zynski (também vocalista da It’s All Red) deu novo fôlego à uma composição antiga da carreira solo. É ‘Amber Eyes’, que ganha releitura acústica produzida por Luciano Albo. A versão oficial de ‘Amber Eyes (Like a Catalyzer)’ saiu em 2022, junto com videoclipe. A música original é uma balada hard com elementos de post punk, destacando o baixo envolvente e melodias de voz marcantes.
– ‘Palha’ e ‘Calcinha’, Sem Carisma – A Sem Carisma contraria o próprio nome com uma sonoridade cativante que mistura punk e rock alternativo. E o quarteto feminino tem novidades: ‘Palha’ e ‘Calcinha’, duas composições inéditas que entraram nas plataformas recentemente. Os novos sons chegam pouco mais de uma ano depois de a banda lançar o EP de estreia ” Caótico Tá Ótimo”.
– Homero Pivotto Jr. é jornalista, vocalista da Diokane e responsável pelo videocast O Ben Para Todo Mal.