Três perguntas: Jo Mistinguett fala do lançamento de “APOKALIPSE NOW” em vinil

texto de Marcelo Costa

Quando a pandemia se abateu sobre nós, ninguém sabia ao certo quantos dias seriam e como iriamos lidar com todo aquele cenário. Os dias foram passando e cada um ia tentando sobreviver (e não enlouquecer) à sua maneira. O isolamento, o contexto social e político e a falta de trabalho levaram Jo Mistinguett a uma nova etapa profissional em seu próprio estúdio caseiro, e foi assim que nasceu o disco “APOKALIPSE NOW” (2020).

“A pandemia fez com que eu tivesse que me reinventar para continuar sobrevivendo como artista”, conta Jo. “Estava com os meus trabalhos focados no campo dos eventos presenciais, de repente, tudo parou”. Cinco anos depois, Jo retorna ao universo de seu álbum pandêmico, buscando ressignificá-lo: “APOKALIPSE NOW (Deluxe)” retorna ao mercado, dessa vez em vinil, com capa em xilogravura e distribuição gratuita através do edital Paulo Gustavo.

Na conversa abaixo, Jo – que está na estrada há bastante tempo: ganhou o saudoso Prêmio London Burning em 2007 pelo Melhor Disco de Música Eletrônica – conta da realização de um sonho de lançar um álbum seu em vinil e do prazer em distribuir o disco de graça para museus, bibliotecas, livrarias e em seus shows: “É uma arte que você leva pra casa e perdura por décadas. Fico muito feliz em poder compartilhar isso”, diz a artista, que liberou um vinil para sorteio no site.

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Jo, como foi o processo de remasterizar “APOKALIPSE NOW” para esse relançamento em vinil? Como é pra você ter um álbum seu lançado nesse formato?
Quando eu produzi “APOKALIPSE NOW” em 2020, bem no início da pandemia, eu fiz tudo de forma muita rápida e já lancei. Foi um processo de ressignificar um trabalho que é sobre uma temática de um período em específico, que foi aquele ano. É um tema denso e envolveu entender como que ficou a cabeça, depois de tudo isso. Agora para a nova versão eu também remixei as músicas, e a masterização ficou por conta de Florencia Saravia-Akamine. Também tem uma faixa extra, que sou eu falando um pouco sobre isso. A arte também foi recriada, e a capa do LP ganhou uma xilogravura da artista visual Ivana Lima. Eu sou colecionadora de discos. Acho incrível a ideia de distribuir discos gratuitamente, é uma arte que você leva pra casa e perdura por décadas. Então lançar um disco de vinil é algo que me deixa muito feliz, poder compartilhar arte e música, incentivar encontros. É tipo um sonho que se realizou.

“APOKALIPSE NOW” foi lançado em agosto de 2020, ou seja, em meio a pandemia. Cinco anos depois, que memórias ele te traz e como ele soa para você hoje?
Acho que “APOKALIPSE NOW” é um trabalho sincero. Tem uma narrativa com começo, meio e fim, que leva ao delírio. As memórias não são boas, mas não deixam de ser verdade. Ressignificar isso remete a uma adaptação, a uma resistência.

Em 2024 você lançou um novo EP, “TECHNO MUNDO”, e um remix para uma música de Navalha Carrera, “LAMENTO ORBITAL”. Fala um pouquinho desses dois lançamentos e do que vem por aí?
“TECHNO MUNDO” é justamente essa adaptação que falei aí! É quase a continuação da narrativa de “APOKALIPSE NOW”. Não foi intencional, mas acho que eu falo muito essa temática existencial, um pouco política – nas minhas músicas. Em “TECHNO MUNDO” já passamos por muito mais coisas. “LAMENTO ORBITAL” é um remix que eu fiz para Navalha Carrera, de uma música que faz parte do álbum “Ondas Consideráveis” (2021). Ela é uma artista que eu admiro muito, que tem o trabalho solo de guitarra ‘’Amorfismos’’, que é uma viajem sonora que todos deveriam ouvir/ver. Eu falei que queria fazer o remix, e ela concordou. =)

Em outubro estarei apresentando “TECHNO MUNDO – Sessões ao vivo”. Vai ser uma live P.A. com diversas músicas que eu fiz ao longo de muitos anos, e contará com a participação de Strangepeo, artista criadore da arte de “TECHNO MUNDO”, toda feita em escaneamento 3D e inteligência artificial, manipulando imagens ao vivo. Já estamos trabalhando nisso, e estou bem animada! E sempre estarei lançando músicas e vídeos nas plataformas de streaming, é só me achar por lá. Já tenho músicas novas prontas pra serem lançadas.

– Marcelo Costa (@screamyell) é editor do Scream & Yell e assina a Calmantes com Champagne.

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