Crítica: Wet Leg desmorona em “Moisturizer”, o segundo disco

texto de Paolo Bardelli

Se na capa de seu álbum de estreia elas apareciam abraçadas, de costas, como se encontrassem força em estarem juntas em vez de sozinhas, em “Moisturizer” (2025), o segundo álbum, elas ressurgem de maneira mais radical e aparentemente cruel na capa, prontas para atacar, mas autossuficientes a ponto de um autoabraço e com um explicativo “I <3 Me”. Pode parecer uma evolução, mas não é. A fórmula se desintegrou, e a diversão também: o Wet Leg se tornou formalmente mais uma banda (Rhian Teasdale e Hester Chambers se juntaram a Ellis Durand, Henry Holmes e Joshua Mobaraki), e no processo parece ter se esquecido da leveza e da força que tinha quando era uma dupla.

O primeiro single, “Catch These Fists”, lançado (estrategicamente?) num primeiro de abril, enganou caprichosamente as expectativas dos ouvintes com seu riff oblíquo e obsessivo e aquelas explosões sonoras que precisavam ser tocadas no volume máximo. Uma força da natureza. “Mandaram bem, meninas”, pensou-se. Depois de uma música como essa, era de se esperar muito do segundo álbum das Wet Leg. “CPR”, a amostra do álbum que veio na sequência, já soava mais hesitante, trazendo mais perguntas do que respostas, porque a energia está lá, mas a inventividade é menos palpável.

Porém, quando todo o álbum, lançado em 11 de julho, é posto à prova, ele desmorona: “Moisturizer” combina músicas flácidas (“Davina McCall”) e indie esnobe (“Mangetout”, “U and Me at Home”), com canções que soam como cópias ruins dos Pixies (“Liquidize”, por exemplo, faz a gente sentir saudades dos discos recentes do Pixies, imagine isso) e Stereophonics (“Pokemon”), um verdadeiro deserto de ideias que em alguns trechos parecem ter sido criados com IA.

Claro, não faltam músicas que elevam o conjunto e poderiam ter sido uma direção para o agora quinteto: a melancólica e tocante “11:21” ou a fanfarrona “Pillow Talk” são exemplos disso, em sua diversidade. O que prova que não importa se o Wet Leg diminui o ritmo ou faz mais barulho; o que importa é que eles o façam com convicção e consciência. Os dias de diversão juvenil inconsequente parece que chegaram ao fim, eles não pairam mais sobre as músicas do Wet Leg, como quando você passava os vinte e poucos anos saindo todas as noites e agora, perto dos trinta, ainda finge se divertir em happy hours legais, quando na verdade gostaria de estar em casa maratonando séries. Você pode ouvir tudo isso no álbum. O Wet Leg ainda finge se divertir, mas está claro que o tempo está se esgotando. Então, como essa alquimia não poderia ser recriada em laboratório, se eles tivessem se concentrado em sua própria evolução, talvez tivessem alcançado um resultado vencedor. Em vez disso, preferiram jogar a carta dos rebeldes que se amam repetidamente, e, por quanto tempo esse individualismo ainda vai soar interessante? Na realidade, é puro solipsismo. Repetitivo, aliás.

“Moisturizer” é uma verdadeira decepção porque as expectativas eram altas: “Wet Leg”, o disco de estreia, foi um dos melhores lançamentos de 2022, e certamente será um álbum importante porque a banda ainda é muito poderosa em termos de imagem, despertando atenção e interesse. Dito isso, “Moisturizer” é a rebelião forçada daqueles que não se divertem mais, mas ainda assim pode, de certa forma, alcançar respostas positivas, pois para alguns ouvintes deve soar agradável e confortável tal qual uma resposta do ChatGPT a uma dúvida existencial: servil, lisonjeiro e complacente. Não nos atormentemos com perguntas incômodas, porque há pessoas aqui se esforçando, e em vão, para se divertir.

Ouça o disco na integra abaixo

Texto publicado originalmente no site italiano Kalporz, parceiro de conteúdo do Scream & Yell. 

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