Novo Rock Gaúcho 003 destaca Bezoar, Damn Laser Vampires, Space Rave, Silenzio Statico, Asterisma, Boneca Voo Doo e mais

por Homero Pivotto Jr.

Buenas! A coluna do Novo Rock Gaúcho no Scream & Yell chega embalada pelo vento frio que sopra no começo do inverno. Nossa ideia é dar visibilidade à música autoral feita no Rio Grande Sul. Não por questões bairristas, mas porque é o que temos condições de abraçar morando no Estado mais ao sul do país. Aqui, algumas das novidades que rolaram em junho. (favorite a playlist no Spotify).

“Raw”, Bezoar – O projeto de surf music sci-fi horror Bezoar, do músico Matheus Apolinario, lançou o EP “Raw”, com cinco faixas. Ouça abaixo!


“Guerra nas Ruas”, Silenzio Statico – Primeiro EP do quarteto punk/hc porto-alegrense Silenzio Statico. O trabalho tem quatro composições – ‘História Do Futuro’, ‘Corrida Selvagem’, ’72H’ e a faixa – e está disponível no Bandcamp, Youtube e Instagram (a banda optou por não subir o material nas grandes plataformas). O registro foi gravado entre dezembro de 2023 e janeiro de 2024 por Alexandre Birck, no estúdio Sangha. A produção é de Fuck The Zeitgeist. A arte da capa é do baterista e artista visual Michel Munhoz.


“F.T.R.T.T.S”, Kein Montag – Novo material dentro do projeto kein Remix, do grupo de industrial Kein Montag. “F.T.R.T.T.S” é o terceiro remix da banda nessa série, que tem como proposta reinventar faixas do próprio repertório em versões com uma pegada ainda mais eletrônica. Os dois primeiros lançamentos do projeto foram: “Burn Destroy”, remix de ‘Burnkilldestroy’, do primeiro EP “Kein Montag”; e “The Techno Machine”, remix de The Beating Machine, do segundo EP “No Control”. Agora, a trilogia se completa com “F.T.R.T.T.S”, uma releitura de ‘Peace Liars’, faixa que dá nome ao terceiro EP do trio e que foi lançado em 2024.


“Jive II”, Jive – O trio porto-alegrense Jive reúne a urgência do hardcore, a força do metal, a intensidade do post-punk e a ousadia do experimental/alternativo. No mais recente EP, “Jive II”, essa mistura fica evidente. Grosso modo, é rock pesado que remete à estética musical dos 1990, com as cinco composições variando entre momentos de introspecção e explosão. O trabalho foi gravado em 2024 no estúdio Hill Valley, na capital gaúcha, com engenharia de som assinada por Davi Pacote. A mixagem é de Diego Poloni. ‘Run or Bet’, ‘Entercool’, ‘The Anchor’ (que saiu como single em abril), ‘Simple Things’ e ‘Curfew’ são as faixas, compostas de 2018 a 2024, que integram o registro e foram gravados por Gustavo Mantese (voz e guitarra), Luigi Rokero (bateria) e Lucas Rachewsky (baixo). A arte de capa foi criada por Júlia Tannous Sager e pelo baixista Lucas Rachewsky usando desenho feito por Carlos Leão. Sonoramente, de maneira simplista, o trabalho remete à nomes como Helmet e Fugazi, agregando referências de Sonic Youth, Joy Division e Pixies.


“Na Cia do Mal”, Meu Bruxo – Depois do lançamento do segundo single ‘Ratão do Seu Orlando’, em maio, Meu Bruxo liberou outra música de trabalho: ‘Na Cia do Mal’. A faixa foi gravada no Estúdio Cobaia com produção de Eduardo Nichele. A formação que registrou o som foi Felipe Sandas nas guitarras, Cristiano Fava na bateria e Alexandre Godinho no baixo e na voz. ‘Na Cia do Mal’ é um rock clássico com sonoridade vintage anos 1970, timbres analógicos e um vocal rasgado que é a cara do Meu Bruxo. O tema é a relação entre o amor e o vício, prazeres e tristezas da compulsão por qualquer coisa. Meu Bruxo teve seu primeiro single ‘Olho Gordão’, lançado em março e pretende lançar um EP com 7 músicas, incluindo os singles, ainda este ano.


“Uma Estrela e Meia”, Asterisma – Faixa que antecipa o segundo álbum da Asterisma, que faz parte de uma nova geração de bandas brasileiras que reaproximam o indie e o emo das influências do midwest, com foco em guitarras emotivas, letras confessionais e uma estética que mescla introspecção e crítica social. Com uma sonoridade mais direta e agressiva, o novo trabalho segue os caminhos já esboçados no primeiro álbum, lançado em 2023, e reflete um sentimento coletivo de frustração diante da vida urbana precarizada e dos sonhos não realizados. A canção parte de uma reflexão sobre a incompatibilidade entre desejos pessoais e uma rotina profissional distante de certos propósitos de vida. A letra aborda as expectativas formadas na infância, a pressão por realizações e o peso das memórias que nos moldam: “Por quem será que os sonhos são feitos? Será que dá pra manufaturar?” “uma estrela e meia” propõe uma analogia provocativa entre a lógica de avaliação de filmes com estrelas e a forma como lidamos com memórias e traumas. A escolha do nome surgiu da ideia inusitada de aplicar o mesmo sistema de avaliação usado em plataformas como o Letterboxd — onde é comum dar notas a filmes e séries — a experiências pessoais profundas. Como seria, por exemplo, atribuir “uma estrela e meia” a um trauma ou a uma lembrança da infância? A ideia também revela o desconforto de uma geração que tenta dar sentido ao que sente em meio a uma cultura que transforma tudo em conteúdo. Gravado em diferentes locais — entre casas de integrantes, estúdios caseiros e estúdios profissionais —, a composição mistura elementos de rock alternativo, midwest emo, post-hardcore e indie dos anos 2000. A faixa chega acompanhada de material visual com apelo nostálgico e simbólico, produzido na Twin Video — antiga locadora de filmes que hoje abriga um acervo de mídia física em Porto Alegre. A capa do single, criada por Felipe Pacheco em parceria com Sofia Saul, traz uma foto analógica de uma garota com seu cachorro, evocando memórias da infância e registros afetivos.


‘Labirintos e Serpentes’, Paralelo Deserto O duo indie/stoner lançou um novo single em 10 de junho.


“Black Spring”, Damn Laser Vampires Trio de garage post-punk maldito mais adorado da paróquia agracia a raça humana com uma nova canção inédita. Reclusa em suas criptas há mais de uma década, a banda fez uma pequena aparição pública em abril de 2024, no encerramento do Fantaspoa (festival de cinema fantástico que rola na capital gaúcha). Antes disso, em 2022, disponibilizou um EP com gravações de 2005. No entanto, o último lançamento oficial de estúdio é o álbum “Three-Gun Mojo” (2011). O tema que vê a luz do dia no corrente ano marca as duas décadas desde que o conjunto foi criado. “Black Spring” foi produzida em maio de 2024, teve a bateria gravada no Dub Studio. De acordo com os músicos, o single deve agradar especialmente quem gosta das atmosferas de ‘Bracadabro’ e ‘Sprawl’ – antigas belas canções da DLV.


“Sidewalk Girl”, Space Rave – A veterana banda Space Rave disponibilizou nova faixa de trabalho. Conforme o guitarrista e vocalista Edu Norman – autointitulado faxineiro na escola do rock, mas atuando há mais de 30 como professor -, este é o segundo single do álbum “Fauna e Flora”. Combinando a sonoridade dos Stooges, Jesus and Mary Chain e BRMC, a música culmina num garage rock feito com a propriedade de quem experimentou quase tudo do que a vida selvagem contemporânea pode oferecer. O tema foi resgatado do repertório de uma banda de subjazz do final dos anos 90 chamada The Clones, e é uma composição de Vanessa Watkins, Edu Normann e Mari Kircher. A capa do EP foi criada por Natalia Schul a partir de sua obra “Distorções”, de 2015. Artista visual, fotógrafa e modelo de suas criações, ela traz nessa fase forte influência de Fracesca Woodman, utilizando seu corpo refletido em um espelho quebrado numa poética que dialoga com a letra a partir da sua imagem como autora e personagem. ‘Sidewalk Girl’ foi gravada no Dub Studio em Porto Alegre e o lançamento é Maxilar Music, selo de Gabriel Thomaz (Autoramas).


“Ao Vivão & Vivendo”, Boca Braba O quarteto hardcore de Viamão (cidade da região metropolitana de Porto Alegre) disponibilizou um álbum ao vivo chamado “Ao Vivão & Vivendo”. O registro, gravado no Rock na Praça (Esteio, também região metropolitana), tem 17 faixas executadas em cerca de 45min. A captação foi de Vini Germano e a produção de Lucas Queiroz e Douglas Wartha Cereja (guitarrista da banda). Mixagem e masterização ficaram por conta de Lucas Queiroz. A arte da capa é de Douglas Flores.


“O Problema”, Boneca Voo Doo – O trio Boneca Voo Doo lançou, na sexta-feira 13 de junho, um videoclipe para a faixa ‘O Problema’, do álbum ”A Bizarra Viagem Entre Céu e Inferno”. A peça audiovisual foi dirigida e produzida por Mateus Teia.

– Homero Pivotto Jr. é jornalista, vocalista da Diokane e responsável pelo videocast O Ben Para Todo Mal.

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