faixa a faixa por Beto
O pernambucano Beto estreia com “Matriz Infinita do Sonho” (2025), álbum produzido por Negro Leo, Rafa Prestes e pelo próprio artista, que transita entre o sagrado e o etéreo num clima experimental. O disco reúne mais de 20 músicos em faixas que mesclam frevo, indie e rock progressivo. Seu título é um verso do poema “Visão do Último Trem Subindo ao Céu”, de Joaquim Cardozo, a quem Beto presta homenagem no disco.
“’Matriz Infinita do Sonho‘ é um disco de muitas camadas, embora aparentemente simples em suas composições”, avisa Beto. “Feito em um intervalo largo de tempo, ele percorreu variados espaços e por diferentes corpos. Mesmo que Beto seja o nome que assina, os seus alicerces foram construídos por mãos e por sonhos diversos. Ele é a concretização de um projeto que, contra a corrente imediatista contemporânea, se caracterizou pela sedimentação de um tempo criativo insólito. Livre das amarras do instantâneo. Nesse sentido, ao radicalizar o caminho da visão do autor, acredito que esse disco contém uma promessa de felicidade possível”, comenta o artista.
Para lançar seu álbum de estreia, Beto abriu a gaveta onde guardava, há anos, poemas, construções melódicas e boa parte das suas inspirações. Esse material foi a matéria prima com a qual ele começou a transformar, em parceria com Negro Leo, produtor do álbum, suas construções poéticas, ao lado de nomes como Junio Barreto, que divide os vocais com Beto na música “Dandara”, além do pianista Vitor Araújo, do percussionista Gilu Amaral, do baterista Thomas Harres, de Pedrinhu Junqueira e Thiago Nassif, nas guitarras, Pedro Dantas, no baixo, e Matheus Nachtergaele, parceiro na canção “Valsinha”. Abaixo, Beto comenta seu debute faixa a faixa!
01) Coração Preto (Beto / Nana Carneiro da Cunha) – Embora seja de alguma forma uma canção de amor, ela é antes de tudo uma declaração de amor à música. Pois através dela pretende tocar como uma agulha no coração de quem se ama e assim fazer soar sua canção. Destaque para o arranjo de sopro de Ivan do Espírito Santo. Participações especiais: Alexandre Gismonti, Henrique Albino e Rafael Marques.
02) Pedra Verde (Beto) – Canção inspirada no Samba de Roda do recôncavo baiano, influência direta do contato com a obra de Roberto Mendes. Essa canção conta com o violão de Alexandre Gismonti, o cello de Nana Carneiro da Cunha e Gilu Amaral na percussão. Coro: Rafa Prestes, Vovô Bebê e Beto.
03) Dandara (Beto / Junio Barreto) – “Dandara” é uma parceria minha com Junio Barreto e a faixa conta com a sua participação nos vocais. Compositor de Caruaru que me influenciou e continua influenciando na sua sensibilidade.
04) Brinquedo (Beto) – Dentro do meu processo de composição existem muitos caminhos possíveis. Neste caso, essa faixa nasceu de um poema escrito e tem essa influência do spoken poetry e da poesia do Pajéu das Flores. Poesia recitada que é um traço marcante da expressão popular nordestina em geral.

05) Marx Mellow (Beto) – Destaco aqui a linha de baixo majestosa criada por Pedro Dantas. A ideia da composição é como certas frases de Marx e de mestres do reggae como Bob Marley e Edson Gomes são tão parecidas. Uma maneira de falar de Carlos Marx sem parecer tão pesado e professoral. Carlos Marx para crianças, Carlos Marx nas escolas.
06) Valsinha (Beto / Matheus Nachtergaele) – “Valsinha” é uma parceria minha com Matheus Nachtergaele. Ele chegou a adicionar uma primeira parte com outro parceiro e ela foi incluída no seu espetáculo “Concerto do Desejo”. Ainda quero gravar essa versão completa. Na época que gravei essa versão não conhecia a versão que entrou no espetáculo.
07) Peixa (Beto / Nana Carneiro da Cunha) – “Peixa” é uma parceria minha com Nana Carneiro da Cunha. Ela também é minha parceira em ‘Coração Preto’. Cellista e amiga ímpar, essa faixa foi inspirada em uma música de Nana que foi gravada em seu primeiro disco com mesmo título. Ela é originalmente instrumental. Nessa versão ela foi alterada e a melodia original aparece somente no final. Nela participam Nana Carneiro da Cunha nos vocais e cello, Vitor Araujo no piano e Gilu Amaral na percussão. Participação especial da Una nos vocais.
08) Yara do Mar (Beto) – “Yara do Mar” foi cronologicamente a última faixa a ser gravada e composta. Ela também conta com uma formação diferente. Embora também conte com Gilu Amaral percussão. Ela tem a presença de Lais de Assis na viola de 12 cordas, Alex Santana na tuba e Rafael Marques no bandolim. É uma canção de amor e ao mesmo tempo uma louvação à figura mítica da Yara.
09) Never Die (Beto / Pedrinhu Junqueira) – Parceria minha com Pedrinhu Junqueira. Destaque para o piano de Vitor Araujo e a participação especial da Una.
