Uma reverência a Brian Wilson

texto de Ismael Machado

Um dia, Paul McCartney revelou querer ter sido o autor de ‘God Only Knows’, canção clássica do repertório dos Beach Boys. Isso diz muito sobre o autor da canção. Brian Wilson.

Se a expressão ‘artesão do pop’ cabe a alguém, poderia ser ao gênio musical por trás da banda dos Estados Unidos que evoluiu de simples canções sobre praia, surfs, garotas e romances adolescentes para harmonias cada vez mais complexas e temas mais profundos, graças à Brian Wilson.

É lendária a fala de John Lennon afirmando que não eram os Rolling Stones a quem os Beatles viam como rivais criativos e sim os Beach Boys. Houve uma crescente batalha entre as bandas. Quem fazia o disco melhor que o outro. Se havia “Rubber Soul” e “Revolver” do lado beatle, havia “Today” e “Pet Sounds”, do lado dos garotos da praia.

Brian Wilson em São Paulo, 2004. Foto: Marie Hippenmeyer/Divulgação TIM Festival

Reza a lenda também que ao ouvir “Sargeant Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, Brian Wilson desistiu. Não conseguia mais competir com aquilo tudo e deixou inacabado por anos “Smile”, o sucessor de “Pet Sounds”.

Brian Wilson morreu hoje, aos 82 anos.

Passou décadas lutando contra seus demônios internos que o fizeram colapsar a mente. Ficou nas mãos de um analista um tanto picareta que tomou conta da vida e da arte de Wilson. O amor de uma mulher o resgatou (só para variar) e ainda pudemos ver “Smile” ganhar vida.

É eternamente comovente para quem viu a apresentação de Brian Wilson em Londres mostrando toda a musicalidade que pontilhava sua mente, tendo como um dos fãs, sir Paul, com expressão de admiração e gratidão (por que não?).

Se vai Brian Wilson, mas para quem um dia se deliciou com um disco perfeito como “Pet Sounds”, toda a reverência é pouca.

“Posso nem sempre te amar, mas enquanto houver estrelas acima de você, você nunca precisa duvidar disso, eu vou fazer você ter tanta certeza disso. Só Deus sabe o que eu seria sem você”.

Leia mais sobre Brian Wilson no Scream & Yell

– Ismael Machado é escritor, jornalista e, por que não, cineasta. Publicou cinco livros e é ganhador de 12 prêmios jornalísticos. Roteirista dos longas documentários “Soldados do Araguaia” e “Na Fronteira do Fim do Mundo” e da série documental “Ubuntu, a partilha quilombola“.

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