Crítica: “Harry Chegou Para Ajudar” tenta assustar, mas apenas incomoda

texto de Marcelo Costa

Você está viajando com mulher e filhos em seu carro velho (imagine-se, caro leitor) e, numa parada na estrada, enquanto está no banheiro esvaziando o corpo, percebe um sujeito que não para de te olhar. Após um tempo o cara se apresenta e diz que estudou com você na escola, no primário.

Você não lembra, mas o cara enche de detalhes que começam a refrescar sua memória e, bem, você descobre que estudou com esse cara na infância. Esse cara, hoje em dia, está cheio da grana, herança do pai, e é um perfeito boa vida. Você leva sua vidinha dura pra frente, como, alias, a maioria dos seres-humanos que habitam esse planetinha azul.

O cara “se” convida pruma visita em sua casa e decide te ajudar, afinal, o que pra você é muito, pra ele sobra. Algum problema? Não, é claro que não. Esse é o começo de “Harry Chegou Para Ajudar” (2000, “Harry, un ami qui vous veut du bien”), filme francês do diretor Dominik Moll que traz o galã Sergi Lopez (do sublime “Uma Relação Pornográfica”) no papel de Harry, papel que lhe rendeu o César de Melhor Ator.

Parece tudo simples, certo. Errado. Algum problema? Muitos. Harry é um tipo… psicopata e não poupará esforços para ajudar a família de Michel. Com o desenrolar da trama acabamos descobrindo mais coisas. Harry criou, na escola, um tipo de fixação por uma arte que Michel começara a desenvolver, naquela época, no jornal da escola: literatura. Harry quer fazer de tudo para que Michel volte a escreve e não poupará esforços para conseguir fazer o amigo feliz.

O filme pega pesado em várias cenas. Citações de “O Iluminado”, “Janela Indiscreta” e outros clássicos do gênero “suspense” escorrem pela tela do cinema, mas falta algo. “Harry Chegou Para Ajudar” tenta assustar, mas apenas incomoda, um pouco. Não faz você ficar com medo de dormir e do escuro e nem ficar pensando se isto ou aquilo é certo. Talvez você fique pensando se a vida iria seguir bem após todo o acontecido. Nada que Hitchcock não tenha feito muito melhor. Por mais cruel que seja a comparação, “Harry Chegou Para Ajudar” é um bom passatempo.

O interessante é que a Miramax comprou os direitos de refilmagem e o filme irá cair nas mãos de Wes Craven! É esperar. Por enquanto você segue dirigindo seu carro novo e contente pela ajuda que Harry te deu.

– Marcelo Costa (@screamyell) é editor do Scream & Yell e assina a Calmantes com Champagne.

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