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Category — Turismo

“5 euros, 10 liras, muito barato”

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O povo turco tem o dom para o comércio e usa essa dádiva com um bom humor que impressiona (principalmente aqueles que já foram “maltratados” em alguma loja em Paris). Eles perguntam seu nome, de onde você vem, e assim que você responde “Brasil” eles soltam tudo o que sabem sobre o país privilegiando o “Bom dia”, o “Obrigado”, o “Bom negócio” e o “Muito barato” (item importante). Eles te tratam bem, e parecem fazer isso muito mais por prazer do que por comércio.

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O nosso terceiro dia de Istambul foi, de longe, o melhor, e não só de nossa estadia aqui, mas também um dos melhores dias de toda a viagem. Caminhamos em uma igreja (hoje museu) de quase 1500 anos, entramos em uma outra mesquita, navegamos pelo estreito de Bósforo (e vimos o Mar Negro no horizonte), visitamos as ruínas de um castelo bizantino, bebemos chá, voltamos ao Spice Bazaar e ao Grand Bazaar e terminamos o dia comendo pide, a pizza turca.

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Logo de manhã, com o sol finalmente marcando presença, entramos na Hagia Sophia, primeira catedral desenhada no formato de basílica de três naves com cúpula, modelo que a igreja católica iria usar muito posteriormente. Há tanta história entre as paredes da Hagia Sophia que chega a causar arrepios. Ela está judiada, mas continua imponente tendo sobrevivido aos piores terremotos que abalaram a Turquia nos últimos mil anos.

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Hagia Sofhia começou como uma igreja, construída por Justiniano em 537. Em 1204 foi pilhada pelas cruzadas e por vikings ao mesmo tempo em que era elevada a posição de igreja matriz do catolicismo. Em 1261 passou a ser uma catedral ortodoxa e só em 1453 foi transformada em mesquita, e assim funcionou até 1935, quando virou museu. E a grande obra do Museu Hagia Sophia é o próprio prédio, histórico, grandioso e arrepiante. Uma jóia.

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Dali partimos para o Nostalgic Bosphorus Tour (dica do Carlos), uma passeio de barco que sai do porto de Eminönü, quase no Mar Marmara, e vai até o porto de Anadolu Kavagi, quase no Mar Negro. O barco navega o estreito de Bósforo inteiro parando de um lado na Europa, do outro na Asia. O Bósforo separa os dois continentes, e foi o principal caminho para que Rússia e países do Oriente Médio chegassem ao Mar Egeu e ao Mediterrâneo, e conseqüentemente à Europa.

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No último porto do passeio de 1h30, na vila de Anadolu Kavagi, há ruínas de um castelo bizantino, que foi ocupado durante séculos visando a proteção da entrada do estreito para quem vinha do Mar Negro. Pegamos um taxi para subir até o castelo (pela falta de tempo) e ganhamos um guia: o motorista Ismail, um senhor que está aposentado faz 25 anos depois de ter trabalhado por 35 na monitorização do estreito por parte do exército turco.

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Segundo Ismail (aqui numa foto conosco), a vila de Anadolu Kavagi tem 4 mil habitantes, mil destes soldados que trabalham até hoje monitorando a entrada do Bósforo. Ismail contou detalhes das ruínas, relembrou histórias do exército, contou da família e disse que no final da estrada paralela ao castelo, já no Mar Negro, há uma vila de pescadores que faz um peixe ótimo (segundo ele, menos salgado que o peixe tradicional devido a baixa salinidade do Mar Negro). Uma simpatia.

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Acabamos, no entanto, comendo um peixe na própria vila de Anadolu, quase em frente ao porto. Porém, se você um dia for fazer esse passeio (e faça, pois vale a pena), saiba que grande parte dos restaurantes de frutos do mar ali não vendem bebida alcoólica, pois o consumo é proibido pelo Islã. Cheguei a pedir, me disseram que não tinham, mas sai atrás de uma latinha para acompanhar o peixe, e encontrei. Voltei pra mesa, mas antes de abrir me alertaram (amigavelmente) que era proibido beber ali. Religião é religião, e a cerveja (essa) foi parar na mochila.

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A viagem de volta foi tranqüila e sonífera, e chegamos em tempo de passar novamente pelo Spice Bazaar (em que os venezianos vinham vender suas especiarias na antiguidade) e pelo Grand Bazaar para comprar presentes pros amigos. No primeiro, um jovem do Curdistão me atendeu. Ele tem 18 anos, mas planeja aos 22 ir embora para a Espanha. “Preciso aprender a falar espanhol primeiro”, comentou em um inglês muito melhor do que o meu (o que não é difícil, diga-se de passagem).

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No Grand Bazaar, quase fechado, paramos em uma lojinha de pashminas. Enquanto Lili escolhia, o dono conversava comigo, e um funcionário mais novo, filho de um amigo dele, acompanhava nossa conversa para aprender como se fala o inglês (logo comigo, que tenho um inglês péssimo). Mesmo assim foi divertidíssimo. Trocamos impressões sobre o Brasil e a Turquia (“Você está brincando que o Brasil inteiro é quase do tamanho da Europa?”) enquanto Lili aprendia – na marra – a arte da barganha. Valeu a pena. A gente acha…

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Ainda comprei uma camisa da seleção brasileira (pirata, mas boa: era 25 liras, mas quando fui virando as costas caiu pra 20 e assim que pisei fora da loja ele disse 15. Comprei) para ir à rigor em clima de Copa do Mundo ao Festival da Ilha de Wight, sábado e domingo. Nesta quinta, começo da tarde, voamos para Londres, e a saudade de Istambul já começa a bater no peito. Antes, porém, queremos ir ao Palácio Topkapi. Melhor descansar.

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Ps1. O Strokes, que fecha o segundo dia do festival da Ilha de Wight (eu quero mesmo é ver o Vampire Weekend), fez um show secreto hoje em Londres. Veja o set list aqui

Ps2. O Islã proíbe o consumo de bebidas alcoólicas, mas a Turquia faz algumas belas cervejas, como a Gusta e a Efes. Desta última experimentei a Dark, a Extra e a Brown (essa), que nada mais é que uma cerveja com gosto de café. E fica bom!

Ps3. O passeio de barco pelo Bósforo custa 25 liras, ida e volta (e a lira está quase 1 pra 1 com o real). Você pode olhar os horários dos barcos neste link aqui.

Ps4. Provei Cola Turka (aqui). Até o Golé Cola é melhor.

Ps5. Alguém sabe nos dizer o que vendem esses carrinhos aqui?

Ps6. No Grand Bazaar você é obrigado a pechinchar. No Spice, não. O preço que eles falam é o preço que será (pode até rolar um desconto, mas não é obrigatório).

Ps7. London Calling

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Junho 9, 2010   1 Comment

18 países asiáticos reunidos em Istambul

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Apesar da chuva, do frio e do tempo nublado, o clima está quente em Istambul. A cidade recebe líderes de 18 países asiáticos para discutir, entre outras coisas, o ataque israelense sobre a frota humanitária internacional e o controverso programa nuclear iraniano. O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, e o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, devem participar da cúpula.

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Nesta terça, uma bomba explodiu no lado europeu da cidade deixando15 feridos. O alvo era um ônibus com policiais, mas a maioria das vitimas eram civis que estavam passando pelo local. Nenhum pânico na cidade, no entanto. Soubemos do atentado pela Greice, que sabia que a gente estava por aqui e ficou preocupada. Não vimos nada de diferente que denotasse um clima de preocupação.

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De manhã olhamos algumas tumbas de sultões e familiares (incrível a quantidade de túmulos de crianças)  em bonitas mesquitas que fazem parte do complexo Hagia Sofia, passamos pela Cisterna Yerebatan (que abrigou cenas do filme “007 contra Moscou” e tem clima fantasmagórico com direito a música clássica e iluminação intensa) e, pra fugir da chuva e da fila do Museu Sofia, fomos para o Grande Bazaar.

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O local tem mais de 3 mil lojas, e é só olhar para algo que chega alguém perguntando se você quer comprar. Você pensa e o cara diz um preço. Você diz que está caro e então começa a negociação. É uma arte que é engraçada nas primeiras vezes, mas cansa. Porém o lugar é bonito demais. Lili comprou várias coisas. Vou comprar umas bolachas de cerveja desenhadas em azulejo no Spice Bazaar. Esse foi o nosso dia.

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Devido ao atentado, melhor não arriscar ficar marcando bobeira, então vamos descansar e jantar mais cedo. E dormir, se conseguirmos. Nosso hostel fica na balada. Ontem, duas da manhã, parecia que eu estava dentro de algum boteco da Augusta (mesmo deitado na cama). A algazarra foi até às três, e eu devia ter seguido o conselho do Carlos, meu conselheiro para assuntos europeus, e não ter ficado no centro antigo.

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Que o sol saia nesta quarta-feira (e que não aconteça nenhuma atentado).

Ps1. As cervejas turcas estão se revelando uma ótima surpresa. Bebi duas Gusta hoje (essas aqui: uma weiss e uma dunkel weiss) simplesmente deliciosas, daquelas que eu teria na geladeira em casa fácil.

Ps2. Como a chuva chegou para ficar (parece que o sol só vai sair na quinta-feira, quando estivermos partindo para Londres) decidimos ir para algum lugar fechado hoje à noite, um shopping. Escolhemos um na parte nova da cidade, mas no meio do caminho desistimos e fomos caminhar na garoa pela rua comercial de Istambul, a Istiklal, e ver a cidade. Valeu a pena.

Ps3. Estou adorando a comida turca. O kebab é ótimo e hoje de manhã descobri o pide, a metade do caminho entre a esfiha aberta e a pizza. Gostei tanto que comi um de manhã no meio da rua e agora pouco no restaurante turistão aqui do lado do hostel. Os dois estavam bons, mas o “true” da manhã estava beeeem melhor. Lili amou uma caçarola de cordeiro que comeu no jantar.

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Ps4. Os turcos são o bom humor negociante em pessoa. Sorriem para você a todo momento, tentam falar espanhol e às vezes solta uma palavra em português no meio da negociação. Sempre sorrindo.Ps5 E eles sempre tem a resposta na ponta da língua. No Grand Bazaar, para fugir de um vendedor de tapetes, comentei que estava viajando e que não teria como carrega-lo. E ele: “Sem problema, my friend: enviamos por correio”. Risos

Ps6. Nesta quarta, Hagia Sofia e Palácio Topkapi. Se fizer sol, passeio de barco no Bósforo,. Dedos cruzados pela segunda alternativa, afinal ainda não pisamos na Asia.

Ps7. Quinta e sexta, Londres. Sábado tem Vampire Weekend, Blondie, Hold Steady e Strokes no Isle of Wight. Domingo tem Suzanne Vega e Paul e mais umas bandinhas novas (veja aqui). E nós.

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Junho 8, 2010   1 Comment

Em Istambul, chuva

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Após três dias de sonho em Santorini, acho que poucos lugares no mundo poderiam manter o nível de astral da ilha grega. Por acaso e sorte escolhemos um desses lugares para a próxima parada: Istambul, a cidade de 10 milhões de habitantes dividida entre dois continentes (a Turquia tem 3% de sua área na Europa e os outros 97% na Asia), que um dia se chamou Bizâncio (século VII A.C.), depois Constantinopla (no ano 96), que é Ocidente e Oriente ao mesmo tempo (ok, mais Oriente) e que surpreende de várias maneiras.

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Primeiro foi a chuva. Era uma garoa no meio da tarde quando chegamos, mas se transformou num baita pé d’agua algumas horas depois (que lavou a alma e encharcou o tênis). Deu tempo de derrubar o queixo na surpreendente Mesquita Azul, considerada o último grande templo religioso Otomano. Achávamos que a encontraríamos fechada (nosso hostel é praticamente a dois minutos dela), mas ela nos recebeu – descalços, claro – e nos impressionou de modo intenso.

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Construída entre 1609 e 1616, a Mesquita Azul tem 260 janelas, mais de 21 mil peças de azulejaria e centenas de metros de tapete que recebem os muçulmanos que aqui vem rezar (e os turistas, que ficam embasbacados com a obra de arte do arquiteto Mehmet Aga). O clima é de paz e apenas alguns escritos retirados do Alcorão fazem menção à religião (ao contrário das igrejas católicas, lotadas de estátuas, santos e pinturas que mais intimidam do que convidam a contemplação).

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Exatamente na sua frente, do outro lado da praça, está a Santa Sofia, construída no ano de 573, e que após ter sido uma Igreja e uma Mesquita passou a abrigar um museu (fechado às segundas). Assim, temos uma agenda lotada para a terça, quarta e quinta. A idéia é visitar a Santa Sofia e a Cisterna Yerebatan na parte da manhã, e partir para o Grand Bazaar e para o Spicy Bazaar na parte da tarde/noite. Quarta, se o sol sair, vamos navegar pelo Bósforo e visitar o Palácio Topkapi. E quinta temos a manhã livre para ir atrás de algo que faltou. Que o tempo melhore!

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Junho 7, 2010   5 Comments

Domingo, descanso no paraíso

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Manja teorias malucas, certo. Santorini tem uma, tipo aquela que diz que existe uma caverna que liga São Thomé das Letras com Machu Picchu. A história que ronda a ilha vulcânica conta que Santorini é a Atlântida citada por Platão, ilha que sumiu após uma grande erupção 3650 anos atrás. Resumindo: o povo que vivia em Atlântida foi dizimado com a erupção, e o topo do vulcão afundou com boa parte da ilha. Séculos depois, o que sobrou (a caldeira e o anel) foi habitado novamente ganhando o nome de Thira, ou Santorini.

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O plano A do domingo era ir para a ilha de Ios, mas perdemos o navio do meio-dia, e o próximo e último seria às 17h (com volta no dia seguinte). Sem chance. Assim, pensando um pouco na teoria acima, optamos pelo plano B e decidimos fuçar algumas das vilas antigas, mais detonadas que Oia, mas também mais… verdadeiras. A ideia era passar por Megalohori, Messaria e Pyrgos, vilas que influenciaram gênios da arquitetura como Alvar Aalto e Le Corbusier.

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Das três, porém, acabamos passando a tarde em Pyrgos, a maior delas, uma vila que preserva a característica medieval da velha Santorini, com edificações construídas pelos venezianos no século XV no alto de um morro com a intenção de ser um forte (os venezianos construíram cinco vilas assim na ilha). A arquitetura é mais densa, as ruas são bem mais estreitas e labirínticas, e é tudo de um lirismo que encanta os olhos.

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A Santo Wines fica na entrada de Pyrgos. A casa dos vinhos da ilha promove uma degustação de seis taças de vinhos da casa por 12 euros (incluindo petiscos), ou doze taças de vinhos diferentes por R$ 18 euros. Mesinhas são colocadas na beira do precipício para uma visão paradisíaca do Mar Egeu. A winery fica em uma encosta no meio da ilha e a visão do arquipélago é impressionante e recompensadora. Os vinhos, doces demais, não são o grande destaque, mas a vista vale a visita.

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O plano C incluía uma ida para Fira, para descermos de teleférico para o antigo porto da cidade, mas a demora do ônibus nos fez desistir e voltar pra casa. Aliás, dica importante de Santorini: se você tiver carteira de motorista, alugue um carro (quadriciclo e moto já são pra corajosos). Os pontos turísticos são distantes e os ônibus costumam atrasar (mas passam). Uma vantagem é que a quantidade absurda de rent a car na cidade coloca os preços lá embaixo. Vale investir.

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Último dia na terra de Santa Irene, vale um balanço. A ilha tem praias ótimas (Perissa, Perivolos, Red Beach, Kamari) e vilas que merecem ser visitadas. Oia (ou Ia) é o lugar, mas Fira, a capital da ilha, merece um olhar delicado (há uma catedral ortodoxa lá que parece ser bem interessante, mas que vamos deixar pra próxima) assim como Pyrgos (Megalohori e Messaria). Um passeio até o vulcão pode ajudar a entender a ilha e as ilhotas menores são pura curiosidade. A alma agradece.Próxima passo: Istambul.

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Junho 7, 2010   No Comments

Uma casinha branca lá no pé da serra

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Pé da serra? Passado. Veja onde está essa casinha branca com quintal e janela na imensa rocha do final da Praia de Perissa, em Santorini, nesta foto aqui.

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Junho 6, 2010   1 Comment

Dia de vulcão, mar e donkey parade

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Aconteceu de tudo neste sábado. Visitamos a cratera de um vulcão que, segundo o folder do parque geológico que o abriga, está em “estado de tranqüilidade”. Almoçamos em uma pequena ilha cuja população não passa de 200 habitantes. Mergulhei no Mar Egeu em busca de uma piscina termal (que não estava tão quente assim). E subimos do porto para o alto da cidade cavalgando em um burro. Esse tem tudo para ser o dia imbatível da viagem.

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Do começo. Como tínhamos apenas três dias inteiros em Santorini e pouca noção do que fazer para aproveitar o tempo da melhor maneira, acabamos comprando um tour na nossa pousada, que prometia um dia bem bacana. Sou totalmente a favor de quebrar a cara, ir atrás dos pontos turísticos, descobrir coisas sozinho e desbravar uma cidade, mas de vez em quando um tour não faz mal a ninguém.

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Nosso tour começou às 11h no barco Odisseia, que nos levou para a ilha do vulcão, para uma pequena aula de geologia (viagem também é cultura). A ilha de Santa Irene (ou Thira, seu nome verdadeiro) é remanescente de um vulcão, que após uma imensa explosão perdeu sua parte superior. Ou seja: nos primórdios, toda a ilha era apenas um vulcão. Hoje em dia ela continua sendo território de um vulcão, mas a caldeira é uma ilhota separada e desabitada (com blocos negros de lava endurecida por todos os lados).

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A última grande erupção, acompanhada de um terremoto, aconteceu em 1956, e devastou grande parte das casas da ilha, o que quer dizer que a cidade bela que todos admiram tem pouco mais de 50 anos. As casas foram reconstruídas no topo dos morros, e parecem cavalgar as montanhas de rocha vulcânica como se fizessem parte da paisagem, uma sucessão de telhadinhos brancos, amarelos e azuis (estes últimos, igrejas) que encantam o olhar.

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Do Vulcano (como eles chamam) fomos para a ilha de Palea Kameni, visitar um poço de água termal que, segundo os guias, podia chegar a 60 graus positivos, então melhor tomar cuidado. O barco ficou parado a uns cem metros do poço, e lá foram os aventureiros mergulhar no gelado Mar Egeu. Vou te contar: estou completamente fora de forma. Nadei no mar razoavelmente para chegar ao poço (que nem estava tão quente assim) e sofri horrores para voltar. Cheguei com os braços dormentes e a cabeça doendo. Preciso voltar às piscinas urgentemente (mas valeu a experiência).

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Dali fomos para Thirassia, a tal ilhota de 200 habitantes. Almoçamos na beira do mar (como do mar só gosto de sereia, fui de espetinho de frango com fritas e salada enquanto Lili não rogou-se e aproveitou um espeto com camarão e lagosta). A parada final do barco, às 18h, era em um pequeno porto embaixo das casas do povoado de Oia, e uma alternativa para subir os cincoenta e sete mil degraus era… o burro.

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Burro aqui é um animal especial (cachorros também, sendo que estes passam o dia todo dormindo deliciosamente esparramados – como esse aqui). Se São Paulo tem a Cow Parade, Santorni tem a Donkey Parade com vários desses aqui espalhados pela cidade. Os burros sempre foram usados na ilha para levar mantimentos e materiais variados para o topo da cidade. O aeroporto diminuiu a função do animal, mas ainda há lugares (como Thirassia e Pyrgo) que só mesmo o burro pode ajudar no serviço.

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A priori, eu iria deixar Lili subir, e iria à pé acompanhando, mas o burro dela (e de mais umas cinco pessoas) saiu em disparada morro acima que não pestanejei e a segui trotando a um palmo do despenhadeiro, mas a Caterina (essa) foi bastante calma e prestativa comigo, não fazendo nenhum grande movimento maluco que me fizesse cair morro abaixo. E eu e Lili, que nunca sequer tínhamos andado à cavalo, passamos no teste da subida até Oia de burro (Lili chegou sorrindo e tremendo de alegria e desespero).

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E o por-do-sol em Oia, no segundo dia, ficou devendo novamente. Ele foi mais bonito que no dia anterior, pintando o mar de amarelo, dourado e laranja, mas Atacama abre 2 a 0 no marcador. Talvez no verão, sem as nuvens no horizonte, Santorini vença, mas neste momento a lembrança que temos é a do Vale da Lua, sem conversa, o que não diminui a beleza desse lugar que já foi (e continua sendo) um vulcão, e hoje é um aglomerado de vilas, praias e ruazinhas que conseguem transformam um dia qualquer em algo extremamente especial.

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O sábado foi tão completo que desistimos de fazer planos para o domingo. A primeira ideia era ir para Ios, uma interessante ilha próxima (uma hora de barco de Santorini), mas chegamos tão felizes (e meio bêbados) em casa que extinguimos planos. Amanhã acordamos, tomamos café da manhã aqui na pousada, e decidimos na hora o que fazer: se vamos nadar em Perissa, descobrir qualé a da Light House ou encarar o barco até Ios em nosso último dia na ilha de Santa Irene. Segunda-feira, Istambul…

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Junho 6, 2010   No Comments

O melhor barzinho café de Ia

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Assim que terminamos o ótimo tour do sábado (assunto do próximo post), fomos deixados em Oia (ou Ia, como quiser o freguês) para vermos o por-do-sol. Tinhámos ainda duas horas e meia pela frente até o astro rei decidir se esconder atrás das nuvens, então fomos procurar um café bacaninha para matarmos tempo.

Meu desejo quase irrealizável era encontrar algum bar que não tivesse só Amstel, Heineken e Mythos, as únicas cervejas existentes aqui, e foi então que esbarramos em “Yeah Yeah Yeah Song”, do Flaming Lips, tocando em um café. Fomos ver o cardápio dos caras e eles devem ser os únicos a ter uma cerveja diferente em toda a ilha. Paramos.

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Paramos e ficamos quase três horas. Assim que entrei, o Kosta, no balcão, disparou: “Quando você quer por essa camiseta do Mudhoney?”. Escolhemos uma mesa perto da janela, e comecei a sessão degustação da Craft, uma cervejaria artesanal grega que produz weiss, pilsener e red ale de boa qualidade.

Lili parou em uma taça de vinho branco, e o sol foi morrendo enquanto bebiamos e o som tocava Talking Heads, Bowie, Velvet, Joy Division e outros. Um grupo de portugueses veio papear conosco sobre viagens e antes de encerrarmos a conta, o Drasko, que fazia o papel de garçom, nos trouxe um chopp e uma taça de vinho (a terceira de Lili) de brinde.

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Não precisa dizer que saimos altinhos do lugar (vou mandar um arquivo com umas 30 músicas brasileiras pra ele rolar ali). Então fica a dica: quem quiser gastar menos com cerveja na Grécia vai de Heineken, Mythos ou Amstel (em média, 3 euros a lata). A Craft sai por 7 euros o copo de 500 ml, mas compensa pelo conjunto no Meteor (incluindo a vista da janelinha, belíssima - todas as fotos aqui são no café).

Fora a Craft, muitas outras cervejas estreiam na lista. Uma nova belga (tinha que ser)  entra no top 5: a Carolus, em sua versão Ambrio, uma cerveja escura apaixonante com o tradicional paladar entre café e chocolate mais uma alta graduação alcoólica que pode enganar os desavisados.

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Outra boa surpresa foi a holandesa McFarland, uma ruiva bastante aprazível. Outra cerveja interessante é a Rethymnian, mais uma cerveja grega artesenal (como o Craft), com o diferencial de que esta é feita com ingredientes orgânicos. A cervejaria fica em Creta e, segundo o site (veja aqui), o mestre cervejeiro Dr. Bernd Brink espera a sua visita.

Na sequência, uma listade pilsens praticamente iguais: Alpha (bobagem), Amstel (uma das melhores da região), Mythos (uma cerveja helenica, e isso é o melhor que posso dizer dela, seja lá o que isso signifique), Kaiser (uma austríaca que eu já tinha experimentado em Veneza), a Fischer (outra pilsen normalzinha) e a… Sandy, outra daquelas que mistura Sprite com Pilsen (uma boa limonada). A lista atualizada fica assim:

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1) 5/5 – Chimay Blue, Bélgica (aqui) 9%
1) 5/5 – Chimay Red, Bélgica (aqui) 7%
3) 4,95/5 – Grimbergen Cuvée de l’Ermitage, Bélgica (aqui) 7,5%
4) 4,92/5 – Grimbergen Optimo Bruno, Bélgica (aqui) 10%
5) 4,69/5 – Gouden Carolus Ambrio, Bélgica (aqui) 8%
6) 4,65/5 – Judas, Bélgica (aqui) 8,5%
7) 4,59/5 – Kout Special Dark Beer 14°, República Tcheca (aqui) 6%
8 ) 4,50/5 – Grimbergen Blonde, Bélgica (aqui) 6,7%
9) 4,02/5 – Voll Damm, Espanha (aqui) 7,2%
10) 3,95/5 – Edelweiss, Áustria (aqui) 5,5%
11) 3,55/5 – Hofbrau Munchen, Alemanha (aqui) 5,1%
12) 3,50/5 – Soproni’s Fekete Démon, Hungria (aqui) 5,2%
13) 3,49/5 – McFarland, Holanda (aqui) 5,6%
14) 3,48/5 – Rethymnian Dark, Grécia (aqui) 4,8%
15) 2,89/5 – Craft Weiss, Grécia (aqui) 5%
16) 2,86/5 – Rethymnian Blonde, Grécia (aqui) 4,8%
17) 2,79/5 – Negra Modelo, México (aqui) 5,2%
18) 2,76/5 – Staropramen Černý (Dark), República Tcheca (aqui) 4,4%
19) 2,75/5 – Kozel Černý (Dark), República Tcheca (aqui) 3,8%
20) 2,74/5 – Craft Red Ale, Grécia (aqui) 4,8%
21) 2,73/5 – Pilsner Urquell, República Tcheca (aqui) 4,4%
22) 2,72/5 – Craft Pilsner, Grécia (aqui) 5%
23) 2,71/5 – Amstel, Holanda (aqui) 5%
24) 2,70/5 - Kronenbourg 1664, França (aqui) 5%
25) 2,65/5 – Arany Ászok, Hungria (aqui) 4,5%
26) 2,62/5 - Staropramen Granat, República Tcheca (aqui) 4,8%
27) 2,55/5 - Staropramen Premium Lager, República Tcheca (aqui) 5%
28) 2,54/5 - Gambrinus Svetly, República Tcheca (aqui) 4,1%
29) 2,49/5 - Hubertus Bräu, Áustria (aqui) 3,9%
30) 2,45/5 - Kozel Premium, República Tcheca (aqui) 4,8%
31) 2,28/5 - San Miguel, Espanha 4,8%
32) 2,27/5 - Kaiser, Áustria (aqui) 5%
33) 2,25/5 - Eggenberg Vollbier, Áustria (aqui) 5,1%
34) 2,20/5 - Fischer, Grécia (aqui) 5%
35) 2,11/5 - Alpha, Grécia (aqui) 5,4%
36) 2,07/5 - Wieselburger Stammbräu, Áustria (aqui) 5,4%
37) 2,05/5 - Róna, Hungria (aqui) 5%
38) 2,04/5 - Nastro Azzuro, Itália (aqui) 5%
39) 2,02/5 - Mythos, Grécia (aqui) 5,4%
40) 2,01/5 - Dreher, Hungria (aqui) 5,2%
41) 1,99/5 - Elephant, Dinamarca (aqui) 7,2%
42) 1,85/5 - Gösser Märzen, Áustria (aqui) 5,2%
43) 1,84/5 - Cannabia, Espanha (aqui) 4,8%
44) 1,10/5 - Sandy, Grécia 2,0%
45) 1,00/5 - Gösser Radler, Áustria (aqui) 2,0%

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Junho 5, 2010   No Comments

Um sonho chamado Santorini

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Após uns vinte minutos de espera no ponto de ônibus, ele nos deixou no meio de lugar nenhum com uma turma de canadenses (três meninas, dois meninos), que também iriam ao mesmo destino que nós: Red Beach. Outro ônibus, uma caminhada entre pedras vulcânicas e chegamos ao pequeno paraíso: uma prainha que precipitava-se sobre um despenhadeiro vermelho (daí seu nome). A visão de cima era fantástica, mas nada como se esticar na rede, abrir uma cerveja e… sonhar.

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Comentei com Lili: “Você devia ter comprado um livro ontem. Agora poderia ler e dormir”. E ela: “Mas eu não quero dormir. Eu quero ficar olhando!!!”, numa sensação que misturava admiração com um sorriso enorme no rosto. Red Beach é uma das praias famosas de Santorini, e além dela ainda existem a Light House, White Beach e as praias de Perissa, mas a pequena ilha de Thira reserva muitas surpresas e belezas.

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Primeiro de tudo: o nome oficial da ilha é Thira, e não Santorini, embora todas se refiram a ela pelo segundo nome (a junção dos nomes Santa Irini). A ilha, nos primórdios, era uma bola com um vulcão no meio. Após uma forte erupção (que atingiu centenas de ilhas ao redor, inclusive Creta), Santorini ganhou o aspecto que tem hoje: o de uma meia lua com a o vulcão isolado no meio, uma ilha dentro de outra ilha.

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O aeroporto fica numa ponta da ilha, e a vila de Perissa fica mais abaixo. O centro da cidade (que segundo o último censo, de 2001, tinha 12 mil habitantes) é Fira, agitada, cheia de lojinhas e ruazinhas, mas o que você, eu, Lili e o mundo conhece da ilha está na vila Oia (lê-se Ia): casinhas brancas sobrepostas umas as outras como se fossem marshmallow. Ruazinhas minusculas as unem, e a sensação é de que você está pisando em um território mágico.

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 O ponto alto de Oia, dizem, é o por-do-sol, o mais belo do planeta segundo… todo mundo. Na nossa primeira experiência, porém, ele ficou tímido e escondeu-se atrás de uma longa nuvem branca (e a platéia era imensa). Hoje teremos uma segunda chance, mas já adiantamos que, neste momento, o por-do-sol no Vale da Lua, no Deserto de Atacama (essas aqui e aqui) está vencendo a peleja por 1 x 0. E Tiradentes fica com o segundo lugar com este por-do-sol aqui e aqui.

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Isso não tira de forma alguma o posto de cidade encantada de Santorini. Naquela minha lista de cidades passionais, Paris e Barcelona se diferenciam de Veneza e Santorini (e, por que não, Tiradentes) porque as primeiras são cidades belíssimas com tudo aquilo que conhecemos (facilidade e dificuldades) enquanto as três últimas (nosso exemplar mineiro incluso) são pequenos sonhos incrustados em lugares especiais.

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Veneza flutua à beira do Mediterrâneo cheia de becos e vielas, onde se vai de um lugar para o outro de barco, e vê-se gandolas negras flutuando de lá pra cá entre o mar e as paredes. Santorini é uma pequena ilha no meio do Egeu, uma superlotação de casinhas brancas (as de tetos azuis são igrejas) unidas por ruazinhas minusculas que desembocam em praias e em bares aos pés do mar (tão claro, mas tão claro).

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Passamos o dia inteiro fora do hotel, e voltamos de alma lavada para casa. Hoje o dia promete. Pegamos um tour que nos levará até a cratera do vulcão, passará por duas ilhas menores, e terminará no fim da tarde ao por-do-sol de Oia. Esperamos ansiosos pelo empate, e com um gol belíssimo de Santorini, mas se não rolar, não tem problema: a cidade já nos conquistou de uma maneira que podemos ficar parados para ela olhando, olhando e olhando por horas como se estivéssemos sonhando. E não estamos.

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Junho 5, 2010   2 Comments

De Atenas para Santorini

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Último dia em Atenas, e fiquei com vontade de ir ao bairro anarquista, mas hoje teve greve geral dos transportes públicos, então só valia ir aonde a perna aguentasse. Fica pra próxima. Dormimos até tarde, fizemos o check-out, mas deixamos as malas no hotel, pois nosso vôo para Santorini só iria sair às 19h30. Assim, passamos o dia camelando. Para matar o tempo, escolhemos um restaurante bacaninha para almoçar (bebi Kaiser, a alemã) e depois saímos à caminhar pelo mercado de pulgas de Atenas.

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Para desespero da Lili, achei “a” loja de bootlegs da minha vida. Ok, nem tanto assim (só quase), mas fiz uma senhora compra na lojinha, 11 CDs por 40 euros. No pacote, um bootleg de Bruce Springsteen da turnê de 1992, um QOTSA caprichado com vários momentos da turnê de 2002 (aquela que teve Dave Ghrol e Mark Lanegan), um Lou Reed da turnê “New York” (1992), um Dylan duplo da turnê de 2000, mais dois Radiohead, dois Manics e dois R.E.M. \o/

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Tudo muito bonito, tudo muito legal, mas eis que olhamos para os relógios na rua e percebemos que todos estão uma hora adiantada em relação ao nosso. Ou será o nosso que está uma hora atrasada? Pergunta daqui e dali, e não é que passamos quatro dias em Atenas com o fuso horário atrasado em uma hora! Atenas adianta o relógio uma hora em relação a Greenwich, e mais uma hora do horário de verão. Assim, eramos dois brasileiros correndo e por pouco não perdemos nosso vôo.

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De resto, fora a correria, tudo tranqüilo. A viagem - que de barco demora oito horas - de avião não passa de 40 minutos. A aeronave nem termina de subir e as aeromoças já estão lhe servindo um refrigerante, e acho que não tem comida exatamente porque não daria tempo (hehe). Acho que vi golfinhos (ou tubarões, vá saber) pela janela do avião, e tudo é tão azul profundo que impressiona. Pra fechar, a pousada que escolhemos é ótima (além de ser bem barata). Amanhã, praia e casinhas brancas.

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Junho 3, 2010   No Comments

Um dia pelas ruínas históricas de Atenas

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O que dizer sobre a Acrópole, o Parthenon, o Templo de Zeus Olímpico que já não tenha sido dito? Sinceramente, não sei. É tudo tão grandioso (mesmo para os nosso padrões atuais) que chega a assustar. A quarta-feira foi dedicada totalmente à caminhada. Colocamos os pés no asfalto (e no mármore), óculos de sol no rosto, e fomos a luta. A cidade pareceu muito mais amistosa e bonita, e olha que a atravessamos de uma ponta a outra num daqueles dias em que você chega no hotel e se vê feliz por tudo que aproveitou.

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O caminho básico foi sair do hotel às 9h, seguir a Rua Septemvriou até a Praça Omonia, e dali pegar a avenida Stadiou até a Praça Syntagma (com um pequeno desvio no roteiro para ver os prédios da avenida Venizelou. Dali descemos pelo rua comercial Ermoy parando em várias igrejinhas bizantinas do século 11. Ok, parece que estou falando grego (sinta o clima aqui), eu sei, mas foi uma bela caminhada que terminou (ou melhor, teve uma pausa) com um ótimo pita (churrasquinho grego) em um restaurante do Psiri (que um grego, amigo do Ariel, havia nos levado no dia anterior).

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Dali fomos para o Parque Agora Antiga, que abriga o bem conversado Templo de Hephaestus. Uma olhada para o céu e… morro avante. Lá fomos nós em direção a Acrópole. A região no alto do morro (100 metros acima da cidade) é um tesouro para arqueólogos, que “brincam” de quebra-cabeça juntando peças (pesadas) de mármore de dois mil anos. Grandioso é a única palavra que consigo pensar, enquanto Lili sufixa todos os “ia” possíveis inventados pelos gregos: democracia, filosofia, geometria, poesia (e putaria, minha contribuição), e a lista parece seguir infinita.

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Passamos no novo Museu da Acrópole (um belíssimo projeto do arquiteto suiço Bernard Tschumi) e admiramos no caminho, abaixo da Acrópole, um teatro romano, cujo público original chegava a 18 mil pessoas (as arquibancadas se estendiam até o pé do morro), e que hoje, reformado, deve receber umas 3 mil pessoas. Dia 15 de junho, se você estiver de bobeira por Atenas e quiser matar saudades do Brasil, tem show de Caetano Veloso (da turnê “Zii e Zie”, esse aqui). Imagina… fazer um show aos pés da Acrópole, do Pathernon, em um teatro romano que tem mais de 2 mil anos… Foda.

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Num resumo rápido, essa quarta-feira em Atenas foi um dia de total contemplação da cidade. Amanhã a coisa toda volta ao normal (ainda mais porque haverá um grande protesto na cidade, que inclui greve geral dos transportes públicos), e à noite voamos para Santorini. Na memória, meio bêbado de cerveja grega e de Creta, ouço Herbert Vianna cantando “Santorini Blues”, faixa que encerra o álbum “Hey Na Na”, uma canção cuja letra diz: “Quem não tem amor no mundo, não vem neste lugar”. Espero ser digno.

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Junho 2, 2010   2 Comments

A beleza e a tristeza de ser Atenas

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Nosso guia de viagens já avisava sobre Atenas: “é bom não esperar uma terra encantada, pois daí você pode se decepcionar”. Mas como não esperar uma terra encantada se tudo que você sabe sobre a Grécia são o mar azul, a história antiga, a Acrópole e o filme “Casamento Grego” (além, claro, do indefectível churrasquinho grego). Após 15 dias de andanças pelo velho mundo, a chegada no país cuja economia é (e sempre foi) a mais frágil da Europa Ocidental é, inevitavelmente, um choque. E suspeito que isso tem mais a ver com a história do país do que com a recente crise econômica.

Tento não deixar me levar pelo momento, e um diário como esse é repleto de pré-julgamentos que precisam ser melhor analisados com o tempo. Tipo Budapeste, que nos mostrou sisuda e tristonha, mas só porque chegamos na cidade em um fim de semana chuvoso. Ou Praga que se mostrou alegre e aconchegante, mas será só por que pisamos na cidade no dia da final do campeonato mundial de hóquei no gelo, contra a rival Rússia, e os tchecos felizes acreditavam no título (que, no final, foi realmente conquistado).

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Penso sempre que o local que você escolhe para ficar pode influenciar diretamente seu olhar sobre a cidade. Talvez meu descaso com Florença, por exemplo, advenha do fato de termos ficado um pouco distantes do centro, mas lembro que achei o museu Uffizi um desrespeito (pelo preço, pela desorganização, pelas luzes que iluminavam de forma errada o quadro), a igreja nem tão impressionante sim, e tudo muito mais caro do que em outros centros. Talvez não tenha me enganado, mas vá saber, vou precisar voltar e tirar a prova.

Por outro lado teve Paris, em que tudo deu errado no primeiro dia, mas a cidade conquistou-me depois. Já em Atenas, as coisas estão complicadas. Demos azar no primeiro hotel (uma espelunca no meio de uma área pouco convidativa e que, recomenda-se, não se deve sair à noite), localizado em uma área da cidade que está caindo aos pedaços (o problema é muito mais antigo que a crise atual), o que é uma ironia, já que se as construções novas são um desastre, restos milenares continuam de pé muitas vezes melhor preservados.

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Trocamos a espelunca por um Novotel. O primeiro ficava no bairro Psiri, entre a praça Omonia e os sitios arqueológicos. O segundo fica do outro lado da praça Omonia, e pode se dizer que lembra a Cracolândia, em São Paulo (yep, região barra pesada). Um grego contou ao Ariel Martini (nos encontramos sem querer perambulando pela cidade) que a polícia não costuma freqüentar muito a área, e que se você os chama-los sofrerá um belo interrogatório para eles confirmarem se vale a pena visitar o local.

Porém, a cidade não gira em torno apenas dessas duas áreas que circundam a praça Omonia (assim como São Paulo não é só a Cracolândia e Barcelona não é só o El Raval). A região da avenida Stadiou, que liga as praças Omonia e Syntagma, parece ser ótima, uma cidade grande que se contrasta com as casinhas turísticas do bairro Plaka. E embora as avenidas estivessem vazias (reflexo das manifestações diárias), a rua comercial Ermoy estava lotada muito antes de chegar no território turístico, pós metrô Monastiraki (uma região de barzinhos e restaurantes que lembra um pouquinho o bairro do Bexiga, em São Paulo.

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Uma coisa que percebi em Barcelona desde que estive na cidade pela primeira vez, três anos atrás, é que esse momento da história mundial é bastante interessante pois chegamos em um ponto que preservar monumentos se tornou vital para as cidades. A recuperação de áreas antes degradadas está se tornando prioridade em diversos países, que enxergaram no turismo uma forma de abrir as portas de casa para os vizinhos. E, quando se fala em Europa, os vizinhos são muitos e querem visitar você e conhecer sua história.

Atenas, porém, exibe o cerne de seus problemas ao ar livre, pois você não está vendo somente a Atenas milenar, heróica, cujo apogeu aconteceu entre 480 e 338 antes de Cristo, mas também todos os anos de ocupação romana, bizantina, turco otomana, alemã e italiana (na Segunda Guerra) além da ditadura, tema do obrigatório “Z”, de Costa Gravas, que traduz política, manipulação da mídia, e o poder da força sobre a inteligência de forma soberba. Um filme tão fresco, tão forte, tão impressionantemente atual, que explica um pouco do que é Atenas hoje.

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Lógico que a crise financeira atual pode ser vista em todas as esquinas. Manifestações pesadas estão acontecendo quase todos os dias nas ruas da cidade, repleta de policiais. Nesta terça, novamente, a polícia fechou diversas ruas evitando que carros circulassem pelas ruas perto do Parlamento grego, em frente a praça Syntagma. O clima é pesadíssimo na cidade, e faz parecer que um golpe de Estado pode acontecer a qualquer momento, mas isso pode ser mais a memória acostumada com om histórico de tantos eventos assim do que a realidade.

Terra encantada não existe. O que existe são pessoas governando países, e tudo que esses governos fizeram pelo povo em 2 mil anos está exibido na sua rua, no seu bairro, na sua cidade. E tudo isso é história, muitas vezes não tão bonita. As ruas do centro velho de Atenas são tão históricas quanto o Acrópole. O mundo perfeito dos shopping centers (um local em que você só vê beleza e está seguro) é falso (assim com a vida paralela dos personagens de Lost), e é preciso ter isso em mente quando se pisa em Atenas, uma cidade brasileira, com a classe média convivendo com a pobreza todos os dias.

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No entanto, basta caminhar em locais antigos como os Parques Agora Romana e Agora Antiga para deixar-se levar pela contemplação, ou mesmo descer a rua Ermoy da praça Syntagma até o centro histórico para perceber que Atenas é uma cidade viva. O começo da área dos sítios arqueológicos e o bairro Plaka são inebriantes, e sempre que se levanta o olhar encontra-se o Parthernon, imponente, um templo mítico que lembra que a cidade já viveu outras tantas eras históricas. A esperança é de que o futuro reserve dias melhores para o povo grego no geral, e para Atenas em particular. Enquanto isso, a cidade vive (pois não deixar de viver nunca foi uma opção), e nós a admiramos.

Ps1. Comprei na FNAC aqui em Atenas os dois primeiros DVDs da viagem: “Roma” e “Satyricon”, de Fellini, 6 euros cada (e com legendas em português… de Portugal. Mas tá valendo).Ps2. Estou me contendo bastante nas compras de CDs. Peguei a reedição dupla do debute do The La’s aqui, e em Barcelona quase pirei com a quantidade de bootlegs da Revolver Records, na Calle Tallers, 11 (veja o site da loja aqui). Tinha um box com todos os shows de Bruce Springsteen na Itália, ano passado (incluindo o show que vi em Roma) e centenas de DVDs piratas. Acabei pegando um bootleg simples do Bruce e mais algumas bobagenzinhas.

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Ps2. Meu sonho de consumo do momento, presente em qualquer grande loja que se preze, é o box “Exile”, dos Stones (esse aqui), com dois vinis, dois Cds e um DVD. Mas tá carão.

Ps3. Terminei “Juliet, Naked”, do Nick Hornby. Aprovado. Escrevo dele assim que sobrar um tempo… Lili, por sua vez, está relendo “Tudo se Ilumina”, do Jonfe.

Ps4. Os próximos passos são Santorini na quinta-feira e Istambul na próxima segunda. Depois, Londres e Paul McCartney

Ps5. Acho que vai rolar chegar a 50 cervejas. No momento, 34.

Ps6. O jeito agora é descansar, pois amanhã será dia de Acrópole. Você vê ela lá em cima, no morro, e pensa que é perto. Pensa. A caminhada é longa, bem longa.

Ps7. Haja pernas…

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Junho 1, 2010   1 Comment

Wilco ao vivo em Roma

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Um dos poucos monumentos turísticos de Roma que não tem mais de 2 mil anos, o Parco Della Musica (inaugurado em 2002 e já incluso no roteiro de visitas à cidade) não é apenas uma obra de arte visual, mas também uma catedral sonora. Grandes gomos de madeira no teto permitem que os sons flutuem no ambiente, valorizando quem faz música repleta de detalhes, como o Wilco, promovendo um encontro raro de uma banda perfeita sonoramente com um local de acústica impecável.

Jeff Tweedy trouxe a banda para o palco pouco antes das 21h, e assim que suas mãos tocaram o violão, o som de “Ashes Of American Flags” preencheu o teatro desenhado por Renzo Piano dando início a um daqueles momentos especiais que os apaixonados por música sonham a todo momento. Um dos cavalos de batalha do álbum que fez o Wilco renascer na história da música, “Ashes” soou delicada e perfeita abrindo caminho para outra canção do disco “Yankee Hotel Foxtrot” (2002), a usina de desconstrução desapaixonada “I Am Trying To Break Your Heart”.

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Logo na segunda canção do show já é possível perceber com clareza a dinâmica que fez a fama do Wilco (e que anda faltando nos últimos discos de estúdio do sexteto): Tweedy carrega tudo no violão e na voz triste, mas a banda insiste em envenenar a melodia com um arranjo suntuoso abarrotado de trovoadas sonoras. Se fosse só Tweedy solo, o Wilco seria um punhado de canções bonitas ao violão, mas a tempestade do arranjo transforma uma simples canção em um momento sublime de arte.

“Bull Black Nova” é a primeira do disco mais recente do grupo a marcar presença no show, e Nels Cline, o mais brilhante escudeiro de Tweedy na atualidade, pontua a versão (conduzida ao piano) com aspereza. “Wilco (The Album)” (2009) foi recebido com frieza pela crítica, mas a banda investe tocando seis canções dele no show (só “Yankee” empata em execuções), e as músicas crescem um absurdo ao vivo como se o Wilco tivesse nascido para ser uma banda de palco, e não de estúdio. “One Wing”, um dos números brilhantes de “The Album”, surge encorpada e simplesmente arrepia, com Nels Cline arrasando na guitarra.

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E, então, por cerca de cinco minutos, o mundo pára. Um barulho de microfonia surge em meio ao silêncio, e o tecladista Mikael Jorgenses dispara no teclado as notas inconfundíveis de “A Shot In The Arm”. A banda vem junto e entrega para os 2800 espectadores uma versão ensurdecedora e arrasadora de um dos clássicos da primeira fase do Wilco. É a sexta música da noite, e o show já poderia ter acabado. Daí em diante, a banda arranca num crescendo mortífero no show, mas tudo soa estranhamente menor, imperfeito perto da grandiosidade de “A Shot In The Arm”.

Tweedy só se dirige ao público pela primeira vez quando o relógio anota pouco mais de uma hora de música. “Roma, é bom estar aqui”. E conta uma história. “Estávamos ontem, embasbacados, no Coliseu. E uma americana atrás de mim solta a pérola: ‘Nós viemos até aqui para ver isso??’. Definitivamente, eu não sei o que acontece com as pessoas”. Depois, elogia o som da casa e se rende à obra do arquiteto Renzo Piano. “Esse lugar é muito legal. Obrigado por nos deixarem tocar aqui”.

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“One By One”, lançada em um disco com Billy Bragg, traz Nels Cline na guitarra steel, e ele novamente faz seu show particular, e estica o momento com o instrumento no colo, e uma pequena guitarra nos braços, numa versão pungente de “Deeper Down”. Mas é na dobradinha “Handshake Drugs” e (principalmente) “Impossible Germany” que a plateia louva o guitarrista, que sola seu instrumento como se o mundo fosse acabar nos próximos dois minutos, e a última coisa que ele tem a fazer na vida é esse solo de guitarra (no Primavera Sound, o público “cantou” o solo).

“Via Chicago”, inebriante, surge em um arranjo que lembra “A Shot In The Arm” (sua có-irmã do álbum “Summerteeth”) e “Break Your Heart”, e conquista a plateia (mas perde para as outras duas em empolgação). Um mini bloco “Yankee” dá às caras: “War on War” aparece mais acelerada do que no disco. Ao final, Tweedy confessa: “Essa música soou muito bem aqui”. E provoca: “O único problema de tocar num lugar bacana como esse é que vocês ficam estirados como se estivessem dormindo”. O público ri, e aos primeiros acordes de “Jesus etc…” não se contém e se levanta para cantar a canção, como se fosse um hino.

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O trecho final da apresentação é delirante com “Heavy Metal Drummer” abrindo o bloco, que segue com uma versão grandiosa de “Hate It Here”, namora os Beatles (e Paul) em “Walken” e dá um longo e forte abraço em Neil Young com uma versão guitarreira de “I’m The Man Who Loves You”. O show acaba, e o público, que já tinha tomado as laterais do teatro nos números finais, vai para a frente do palco aguardar a banda, que volta com a boa “The Late Greats”, emenda com “California Stars” (assista aqui) e termina country rock (com direito a duelo de guitarras entre Nels e Pat Sansone, o guitarrista cover de Tom Petty) com “Red Eye and Blue / I Got You (At the End of the Century)”, “Hoodoo Voodoo” e “I’m a Wheel”.

No total, 27 canções em mais de 2h30 de música confirmam que o Wilco segue imbatível no quesito performance ao vivo. Aconteça o que acontecer, você precisa colocar como meta em seu futuro ver Nels Cline e Jeff Tweedy ao menos uma vez na vida, o mais rápido possível, ao vivo. O que esses dois caras fazem no palco (escorados com excelência pela banda) é de lavar a alma dez vezes na mesma noite. Embora a banda tenha se acochambrado no classic rock em estúdio (e a imensa presença de cabelos brancos na plateia só pode referendar isso), ao vivo o Wilco é uma das raras experiências imperdíveis que o rock and roll pode proporcionar no novo século, um show para se ver e guardar na memória.

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Leia também:
Europa 2009: Bruce Springsteen ao vivo em Roma (aqui)
Europa 2010: Complexo Parco Della Música, de Renzo Piano (aqui)

Todas as fotos por Marcelo Costa
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Maio 31, 2010   16 Comments

Uma noite com Jeff Tweedy e Nels Cline

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Se tudo correr bem escrevo o texto sobre o show do Wilco em Roma durante o voo para Atenas (tenho quatro horas de sono pela frente, e eu preciso dormir. Mesmo), mas você pode olhar o set list (o bis mudou, conto depois) aqui, pode ver dezenas de fotos do show aqui e, se a conexão e o Youtube ajudarem (estou tentando subir o vídeo pela quarta vez), sentir como é ver o Wilco colado no palco aqui. Sem mais (por enquanto), senão escrevo e não durmo.

Maio 30, 2010   1 Comment

Parco della Musica, de Renzo Piano

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Da série “acasos da vida”. Quando fui atrás de colocar no roteiro da viagem um show do Wilco, fiquei entre uma apresentação na Escandinávia e uma Itália. As duas iriam pedir uma reorganização no roteiro, e tinham atrativos interessantes. Se fossemos para Dinamarca vê-los, com certeza estenderíamos o passeio até Helsinque para ver obras do arquiteto finlandês Alvar Aalto e bisbilhotar a região (o vulcão ainda não tinha acordado). No entanto, por economia, decidimos por Roma (e, de lá para a Grécia e Turquia).

O show do Wilco em Roma estava marcado para um lugar que eu nunca tinha ouvido falar (e olha que passamos quatro dias em Roma ano passado). Uma busca sobre infos do local e eis que vem a grande surpresa (e o delicioso acaso): o Parco della Musica é um belíssimo complexo arquitetônico inaugurado em 2002, obra do italiano Renzo Piano, um dos arquitetos preferidos da Lili. Ou seja: a gente vê o show e, de quebra, conhece mais uma grande obra da arquitetura recente. Não poderia ser mais perfeito, mas foi…

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Sobre o show comento no post seguinte, mas o auditório é simplesmente uma coisa linda. Desenhado na mesma área que sediou os Jogos Olimpicos de Verão, em 1960, o Parco della Musica é um interessante parque musical formado por três auditórios fechados (o menor com capacidade para 700 lugares, o médio para 1200 e o maior, que iria receber o Wilco, 2800), que são ligados por um longo e confortável lobby, e uma sala de concertos ao ar livre inspirada nos velhos teatros romanos.

Aliás, durante as escavações para construção do complexo foram encontrados alicerces de uma casa datada do século VI AC (a piada tem fundamento: é quase certo que se você cavar qualquer esquina em Roma irá encontrar sítios arqueológicos). Renzo Piano mexeu na planta original do complexo atrasando o projeto em um ano a fim de acomodar os vestígios arqueológicos e incluiu um pequeno museu para abrigar os artefatos que foram descobertos. Está lá, no centro do complexo, uma adaptação especialíssima.

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Por fora, os três anfiteatros parecem uma grande casca de tartaruga (ou então um besouro), e o inusitado da aparência rendeu um conjunto arquitetônico de brindar o olhar. Os detalhes se estendem ao interior do prédio, com uma acústica impecável, que ganhou vários elogios de Jeff Tweedy durante o show. Para nós, um daqueles acasos que nos faz ficar sorrindo a toa. “É só uma música”, alguém espeta. “É só um prédio”, outro provoca. Bobagem. São coisas que dão sentido à nossa vida caótica, nos fazem felizes, pequenos momentos de paz em meio ao caos. Parabéns Tweedy, parabéns Piano. Vocês fazem… arte.

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Maio 30, 2010   3 Comments

Top 30 cervejas a viagem

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Já era esperado, certo. As cervejas belgas de Abadia assumem a ponta do top de cervejas da viagem. No Brasil, uma garrafinha de Chimay sai por R$ 20. Na Espanha, no supermercadp, 1,50 euro (cerca de R$ 4,20). O listão abaixo ainda traz outras novidades como a cerveja de cannabis (bem mediana) e a deliciosa Voll Damm além da Grimbergen. Estou apostando nas novidades. Das 30 cervejas listadas abaixo eu só havia bebido a Voll Damm, a Edelweiss e a San Miguel.

No topo, as Chimay que carregam o selo trapista no rótulo, que denomina as cervejas feitas por monges em uma das sete abadias que seguem o padrão de qualidade (desses sete mosteiros, seis ficam na Bélgica). As Chimay são simplesmente uma delicia, o ponto a se conquistar no quesito cerveja perfeita. Apesar de serem de estilo Abadia, a Grimbergen não são trapistas (valeu pela correção, Tosi), mas não ficam atrás, e a curiosidade é que o alto teor alcoólico de ambas não se percebe no paladar (mas sobe que é uma beleza).

A Cannabia (essa) é interessante, mas o sabor do canhamo (que no conjunto lembra mais o de um chá de erva cidreira) presente na mistura atrapalha a apreciação do malte. E, eu sei que você quer saber disso, não sobe nem dá barato (e é vendida em supermercado). É só uma cerveja com um gosto de erva no meio (que mais atrapalha do que ajuda). Vale pela curiosidade, e só.  Já a Voll Damm é uma pequena obra prima espanhola do estilo Marzenbier coroada por vários prêmio, que já tinha me acompanhado em Madri dois anos atrás (aqui), e volta ao top ten.

1) 5/5 – Chumay Blue, Bélgica (aqui) 9%
1) 5/5 – Chimay Red, Bélgica (aqui) 7%
3) 4,95/5 – Grimbergen Cuvée de l’Ermitage, Bélgica (aqui) 7,5%
4) 4,92/5 – Grimbergen Optimo Bruno, Bélgica (aqui) 10%
5) 4,65/5 – Judas, Bélgica (aqui) 8,5%
6) 4,59/5 – Kout Special Dark Beer 14°, República Tcheca (aqui) 6%
7) 4,50/5 – Grimbergen Blonde, Bélgica (aqui) 6,7%
8 ) 4,02/5 – Voll Damm, Espanha (aqui) 7,2%
9) 3,95/5 – Edelweiss, Áustria (aqui) 5,5%
10) 3,55/5 – Hofbrau Munchen, Alemanha (aqui) 5,1%
11) 3,48/5 – Soproni’s Fekete Démon, Hungria (aqui) 5,2%
12) 2,80/5 – Negra Modelo, México (aqui) 5,2%
13) 2,75/5 – Staropramen Černý (Dark), República Tcheca (aqui) 4,4%
14) 2,74/5 – Kozel Černý (Dark), República Tcheca (aqui) 3,8%
15) 2,73/5 – Pilsner Urquell, República Tcheca (aqui) 4,4%
16) 2,70/5 - Kronenbourg 1664, França (aqui) 5%
17) 2,65/5 – Arany Ászok, Hungria (aqui) 4,5%
18) 2,62/5 - Staropramen Granat, República Tcheca (aqui) 4,8%
19) 2,55/5 - Staropramen Premium Lager, República Tcheca (aqui) 5%
20) 2,54/5 - Gambrinus Svetly, República Tcheca (aqui) 4,1%
21) 2,49/5 - Hubertus Bräu, Áustria (aqui) 3,9%
22) 2,45/5 - Kozel Premium, República Tcheca (aqui) 4,8%
23) 2,10/5 - San Miguel, Espanha 4,8%
24) 2,25/5 - Eggenberg Vollbier, Áustria (aqui) 5,1%
25) 2,09/5 - Wieselburger Stammbräu, Áustria (aqui) 5,4%
26) 2,10/5 - Róna, Hungria (aqui)
27) 2,10/5 - Nastro Azzuro, Itália (aqui)
28) 2,01/5 - Dreher, Hungria (aqui) 5,2%
29) 1,99/5 - Elephant, Dinamarca (aqui)
30) 1,85/5 - Gösser Märzen, Áustria (aqui) 5,2%
31) 1,84/5 - Cannabia, Espanha (aqui) 4,8%
32) 1,00/5 - Gösser Radler, Áustria (aqui) 2,0%

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Maio 30, 2010   4 Comments

A dificuldade de um hotel em Roma

É preciso muita sorte para achar um hotel bom e barato em Roma. Até as espeluncas são caras. Ano passado quebramos a cara com um albergue. Agora, em que reservei o hotel de véspera (até tentei outro que um amigo falou – esse – mas estava lotado) até que nos saímos melhor, mas esse hotel em que estamos não vale de maneira alguma os 80 euros (cerca de R$ 220) de diária. Com boa vontade, 40 euros. E olhe lá.

O engraçado é que nosso hotel fica quase do lado da Estação Termini (local que abriga a maioria dos hotéis de baixo custo da cidade), num grande prédio que abriga, além dele, mais outros sete hotéis. Isso mesmo. Tem um que é uma estrela. Esse que estamos é duas. E tem outro que é quatro estrelas. Você vai subindo a escadaria e encontra, no primeiro andar, a recepção de um hotel. No segundo é a recepção de outro. No terceiro de outro. E por ai vai. Tipo um hotel por andar.

Comparando com o ano passado já é um avanço. Então imagina como era o do ano passado…

Maio 30, 2010   No Comments

Primavera Sound 2010: Dia 3

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A escalação do terceiro e último dia da edição 2010 do Primavera Sound deixava clara a intenção da organização do festival: com Pet Shop Boys fechando o palco principal à 1 da manhã e Orbital encerrando a maratona no palco Ray Ban à partir das 3 da matina, o negócio era dançar e festejar até o dia raiar. Quase 170 shows depois, o Primavera Sound fechou às portas em 2010 com o saldo extremamente positivo.

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Muitas coisas interessantes pingavam nos palcos cuja curadoria especial era do site Pitchfork (No Age, Lee Perry, The Slits, Dum Dum Girls), da revista Vice (The Drums, Matt and Kim, Gary Numan) e do pessoal do evento All Tomorows Parties (Build do Spill). Ainda tinha coisas dispares como Florence + The Machine (cujo show o El Pais classificou como um “golpe de estado no reinado pop”), Van Dyke Parks e Kimya Dawson, a última numa jam session no palco MiniMúsica.

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Aposta musical da BBC inglesa, o The Drums surgiu no segundo semestre do ano passado causando alvoroço com um ótimo EP independente. Contratados pela Island, o grupo do Brooklin colocou o pé na estrada e promete voar alto. O som é rock inglês tradicional mascado como chiclete, mas a energia dos moleques surpreende e faz parecer que carisma é algo que nasce com a pessoa. Um grande show, mas não solte rojões: a chance de eles se tornarem irrelevantes após três discos (como Kaiser Chiefs, Bloc Party, Interpol e Killers, pra citar quatro) é enorme.

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No segundo maior palco do festival, uma banda que cresce mais a cada dia que passa: Grizzly Bear. O show foi viajandão na medida certa, com momentos comoventes e alguns minutinhos dispensáveis. O pessoal do Flaming Lips precisa tomar cuidado, porque corre sérios riscos de perder seu post dream pop. No palco da ATP, o Build To Spill convertia almas através de guitarradas em um show delicioso… para se ver em pub fechado. O No Age fez aquela catarse que os brasileiros conferiram antes no Popload Gig, ano passado (assim como o Matt and Kim).

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Para fechar a programação pessoal, o Charlatans subiu ao palco com a incumbência de voltar até o distante 1990 recapitulando seu álbum de estréia, “Some Friendly”, e três músicas bastaram para a banda colocar no chinelo a apresentação modorrenta que eles fizeram num Abril Pro Rock, no Brasil, anos atrás. Tim Burgess parece estar envelhecendo com dignidade (embora pareça estar virando o Steve Tyler do britpop), e o show foi correto e divertido (mais tarde eles fariam um pequeno set acústico em uma das tendinhas menores do festival).

Num balanço de um parágrafo, o Primavera Sound recebeu um média de público de 30 mil pessoas por dia e antecipa tendências: o rock de arena parece estar com os dias contados, ou, então, está perdendo um grande espaço para os murmúrios. Foi impressionante ver bandas minimalistas (XX, Beach House, o próprio Grizzly Bear em boa parte do show) tocando para grandes platéias atentas, que não estavam ali para pular, mas sim pelo prazer de escutar uma boa canção. Novos tempos da música pop.

Top 5 de shows
1) Wilco (segundo o El Pais, “no se puede sonar mejor que Wilco”)
2) Broken Social Scene
3) Spoon
4) Grizzly Bear
5) Scout Niblett

Decepção
Pavement (nostálgico e melancólico, tascou o El Pais)

Toquei hits, fiz o público feliz e não sorri
Pixies

Troféu Show Chato pra Caralho
Cocorosie

Cinco shows que eu queria ver, e não vi
Hope Sandoval
Van Dike Parks
Tortoise
Delorean
The Big Pink

Leia também:
- Primavera Sound, Dia 1: The Fall, Superchunk, Pavement (aqui)
- Primavera Sound, Dia 2: Pixies, Wilco, Spoon, The XX (aqui)

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Fotos da viagem e dos shows:
http://www.flickr.com/photos/maccosta/
http://www.flickr.com/photos/lilianecallegari/

Fotos gerais do festival, crédito para Colectivo Anguila (foto 1), Marta Moreiras (foto 2) e Inma Varandela (última).
As demais por Marcelo Costa

Maio 30, 2010   7 Comments

Uma tarde caminhando no El Raval

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Dois anos atrás escrevi que uma das coisas legais do Festival de Benicassim é que quando o festival não tá rolando (tipo manhã e começo da tarde), a galera vai toda pra praia e bodeia. O mesmo não pode ser dito do Primavera Sound, por exemplo. As pernas estão arrebentadas de dois dias insanos de festival (e ainda falta um), mas você está num dia de sol em Barcelona, uma das cidades mais lindas do mundo, e não tem como ficar no hotel de perna para o alto, né. Então, bora camelar.

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O passeio arquitetônico de Lili desta vez nos levou ao bairro El Raval, que antigamente abrigava os bordéis mais devassos da Europa, mas que - de 20 anos para cá - vem passando por uma revitalização, que começou com a inauguração, em 1995, do Macba, o Museu de Arte Contemporânea de Barcelona, obra do arquiteto norte-americano Richard Meier, que criou um belo prédio branco no meio da paisagem colorida de cortiços de um dos bairros populares da cidade.

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A primeira lembrança que tive foi do Centro Pompidou, em Paris, mas nada a ver com arquitetura, e sim com a ocupação do lugar pelas pessoas. De que adianta fazer um museu ou uma praça que ninguém usa – ainda mais em um bairro degradado. Assim como o museu francês, o Macba virou ponto de encontro de estudantes, skatistas e trabalhadores da região, que encontram-se frente a fachada para fazerem lanches, andar de skate, botecar e paquerar. E beber… orxata.

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O refresco de amêndoas, gergelim e cevada que dá nome à canção que abre o segundo disco do Vampire Weekend pode ser encontrado em uma sorveteria ao lado da Macba, e tem um gosto que lembra alguma coisa que eu e Lili não conseguimos decifrar (risos). É um suco meio pastoso originário de Valência, e os espanhois levam à sério sua fabricação: há até um conselho regulador para garantir a qualidade do produto. Vale experimentar, mas a música é bem melhor.

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Saindo do museu decidimos dar um passeio pelo El Raval começando pelo meio macabro, pero colorido Mercado da Boqueria, uma mistura de cores e culturas bastante interessante. Bobeamos pois fizemos um lanche antes, mas devíamos ter almoçado em alguma casa de tapas por ali, pois os pratos de frutos do mar provocavam (e eu nem gosto de frutos de mar). Descemos até o Palau Guell, de Gaudi, que foi reaberto (só o piso terreo e o subsolo), mas o horário de visita já tinha ido.

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A revitalização que começou 20 anos atrás pelo jeito melhorou muito o El Raval, mas é impossível caminhar pelo bairro sem prestar atenção às faixas que dizem, em catalão, “Volem un barri digne” (”Nós queremos um bairro digno”), uma campanha de moradores e comerciantes visando diminuir o crime e a presença de drogados na região (pelo que entendi, o El Raval tem uma área mais ou menos parecida com a Cracolância, em SP).

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O El Raval apresenta uma Barcelona bastante diferente do Eixample (região desenhada pelo urbanista Ildefons Cerdá, que abriga as maiores obras de Gaudi) e muito próxima ao Barri Gotic. Ficamos caminhando por ali, passamos em frente ao London Bar, na antigamente mal-afamada Carrer Nou de La Rambla (pela sucessão de bordéis e espeluncas), um pub que já foi freqüentado por Picasso, Miró e Hemingway, e ainda hoje promove noites de jazz com música ao vivo. Tomara que a ação dos moradores surta efeitos. O El Raval merece.

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Ou seja, dever (turístico) cumprido. Mais um pedaço de Barcelona para se guardar na memória. Hoje é a última noite do Primavera Sound, e amanhã Wilco em Roma. Aguenta, coração, aguenta.

Fotos da viagem e dos shows:
http://www.flickr.com/photos/maccosta/
http://www.flickr.com/photos/lilianecallegari/

Maio 29, 2010   No Comments

Primavera Sound 2010: Dia 2

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Na programação oficial, 64 nomes divididos em nove palcos. Na programação pessoal, nove. O segundo dia do festival espanhol prometia arrebentar com as pernas da galera, e conseguiu. O primeiro show do dia era para ser o de Hope Sandoval, mas a siesta estendida impediu que chegássemos em tempo de pegar um lugar na enorme fila que levava ao teatro do festival. Fica pra próxima. Rolou de ver a última música do New Pornographers, e o show deve ter sido bem bom. Fecho com chave de ouro.

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No palco ATP, a inglesinha Scout Niblett convertia pessoas comuns em fãs. Com cinco discos já lançados, a menina se diz influenciada pela guitarra de Kurt Cobain (o show é ela na guitarra e um cara na bateria quando não ela sozinha na bateria), mas em alguns momentos é impossível dissocia-la de PJ Harvey, embora Scout seja bem mais calminha. Uma carreira para se acompanhar. O lenga lenga freak folk da dupla Cocorosie levou uma multidão ao palco Ray-Ban com criançinhas africanas no telão e um som que lembrava Enya saindo das caixas de som. Chato.

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Bom mesmo foi o show do Spoon, uma das melhores formações ao vivo da atualidade. Nem o disco novo, que é chatinho, conseguiu tirar a força da cambada de Britt Daniel no palco. O cara parece sentir cada acorde, e consegue passar isso para o público. As músicas novas (três na noite) não deixaram o clima cair, mas foi com hits como “You Got Yr. Cherry Bomb” e “Don’t Me Be a Target” que o gupo fez a apresentação realmente valer a pena. O clima no show do Planeta Terra, anos atrás, estava melhor, mas aqui a banda se superou numa grande apresentação.

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Uma volta rápida ao palco ATP para ver três canções do badalado duo Beach House (acrescido de um baterista) reunir um público excelente e então era hora de ir para o palco principal encontrar Jeff Tweedy, que deu seu recado logo na primeira canção da noite: “Wilco, will love you babe”. Porém, o som em “Wilco, The Song” estava péssimo, e a banda emendou a tempestade sonora de “I Am Trying To Break Your Heart” procurando um caminho no escuro, mas ainda tropeçou nos diversos problemas técnicos.

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“Estamos com problemas, mas acho que agora vai. Vamos começar o show, mas preciso que vocês cantem essa comigo”, pediu Tweedy soltando a voz com “Jesus, etc…”. Atendido. Daí em diante o show engatou coroando, principalmente, a performance arrasadora do guitarrista Neils Cline, que fez números como “One Wing”, “Handshake Drugs”  e “Impossible Germany” soarem… eternas. Hits pra cá e pra lá (“A Shot In The Arm”, “Heavy Metal Drummer”, “I’m The Man Who Loves You”, “Misunderstood”) e um show foda. Se em discos a turma de Jeff Tweedy acomodou-se, ao vivo eles continuam sendo uma experiência redentora. Ou como grifou o El Pais, a melhor banda de rock do mundo.

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Para o final, Pixies… em quaaaaase marcha lenta. Porém, se fosse estático, um show do Pixies ainda seria melhor do que muita coisa por ai (e do próprio festival) tamanha a quantidade de hinos que a banda apresentou no Primavera Sound. Eles foram álbum a álbum tirando o melhor. Assim, “Velouria”, “Is She Weird”, “Allison” e “Rock Music” apresentaram o disco “Bossa Nova”. Já “Tromple Le Monde” foi representado por “Planet of Sound”, pela cover redentora de “Head On” (do Jesus and Mary Chain) e por “Alec Eiffel”.

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O quarteto aumentou o pique das canções na metade do show, e o grosso da apresentação ficou entre “Surfer Rosa/Come on Pilgrim” e “Doolittle”. É só enfileirar as grandes canções: “Monkey Gone To Heaven”, “Debaser”, “Wave of Mutilation”, “Hey”, “Gouge Away”, “Here Comes Your Man”, “Bone Machine”, “Broken Face”, “Caribou”, “Isla de Encanta”, “Holyday Song” e, para o bis, a dobradinha “Gigantic” e “Where is My Mind?”. Até a cover de Neil Young, “Winterlong” mostrou às caras em um show saudosista e comportado, mas ainda assim um grande show.

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O Primavera Sound segue em seu terceiro dia com mais 64 bandas. Tem coisas boas na agenda (The Drums, Build To Spill, Grizzly Bear, Sunny Day Real Estate, Florence + The Machine e The Slits), mas isso depende mais do condicionamento físico do que da vontade de ver mais alguns grandes shows. Pernas, ajudem.

Leia também:
- Primavera Sound, Dia 1: The Fall, Superchunk, Pavement (aqui)
- Primavera Sound, Dia 3: The Drums, Grizzly Bear, Charlatans (aqui)

Fotos da viagem e dos shows:
http://www.flickr.com/photos/maccosta/
http://www.flickr.com/photos/lilianecallegari/

Fotos do show do Pixies, crédito Inma Varandela

Maio 29, 2010   6 Comments

Primavera Sound 2010: Dia 1

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Na programação do dia de abertura do Primavera Sound 2010, 44 bandas iriam se dividir entre sete palcos (esse número vai subir para 59 na sexta e para 64 no sábado). A caminhada de um para o outro nem é tão longa, mas haja pernas e joelhos para descer e subir degraus. Tonificantes rock and roll são vendidos (a saber: cerveja, muita, Jack Daniels com energético e Jagermeister), mas a sensação é de que, por mais que você queira, não vai rolar ver tudo que queria.

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Os portenhos do El Mato a Un Policia Motorizado abriram a minha programação pessoal e fizeram um belíssimo show, melódico e ao mesmo tempo nervoso. Na seqüência, The Fall no palco principal. Mark E. Smith parece um velhinho caduco entre a molecada. Aumenta todos os instrumentos da banda e canta (bem) como um doente. O som que sai das caixas é anos 80 datado (lembra muito PIL), mas se andam copiando muito os anos 80, Mark também tem o direito, afinal ele estava lá.

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O XX, por exemplo, não estava, e impressiona o fascínio que o (agora) trio inglês causa no público. As canções são tristes, melancólicas, escuras e soporíferas. Há uma pontadinha de eletrônica que impede o público de dormir, além da garoa, do vento mediterrâneo e dos hits, todos cantados em coro pela audiência, que tentava dançar as canções sem tirar os pés do chão. A tristeza pode ser bela, diria alguns. Na maioria das vezes ela enche o saco, diria outro. O show do XX fica no meio do caminho. Mundo estranho esse em que vivemos.

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Dos anos 80 para os 90: a Espanha ama o Superchunk. Todo ano algum festival os escala, e a entrega da banda impressiona. As canções são todas meio iguais, um pop punk que engata a sétima marcha nos primeiros dois minutos, desacelera depois do refrão e termina com todo mundo com o braço levantado e pulando muito. É uma receitinha danada que funciona quando bem executada, e o Superchunk tem o dom. O show foi ainda melhor que o do Festival de Benicassim, três anos atrás.

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O grande show da noite, porém, estava por vir. A orquestra rock and roll do Broken Social Scene fez uma apresentação arrebatadora no segundo maior palco do Primavera Sound. A desconstrução das canções tão presente em álbuns funciona muito ao vivo assim como a troca de instrumentos e vocalistas. A banda não perde o controle um segundo sequer (embora soe tremendamente Neil Young em várias passagens), mas Kevin Drew é bem mala quando tenta animar o público. Bastava saber que a música de sua banda já basta. Grande show.

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Para o final, Pavement em versão festival. Ou seja, os shows de três horas de duração da volta aqui se transformaram em uma hora e meia… de hits. Começou com “Cut Your Hair”, teve “Perfume V” e “Spit on a Stranger” no meio e terminou com “Stereo” e “Range Life” (fora o bis com “Gold Soundz”). Stephen Malkmus passa 80% do tempo com a alça da guitarra fora do pescoço, jogando o instrumento pra cá e pra lá, e faz a banda parecer necessitar da bagunça para legitimar a história lo-fi, e isso incomoda um pouco, mas a excelência da execução das canções torna a noite especial.

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O Festival continua nesta sexta-feira histórica que tem, em seqüência, no palco principal Spoon, Wilco e Pixies. Além tem Hope Sandoval & The Warm Inventions, The New Pornographers, Low, Panda Bear, Autoramas e Yeasayer (e mais 50 outros além dos hot sandwiches e da comida mexicana - olhe aqui sem medo. Haja pique). Não vai rolar ver tudo, mas o trio principal não irá passar batido. A gente se vê no caminho.

Leia também:
- Primavera Sound, Dia 3: The Drums, Grizzly Bear, Charlatans (aqui)
- Primavera Sound, Dia 2: Pixies, Wilco, Spoon, The XX (aqui)

Fotos da viagem e dos shows:
http://www.flickr.com/photos/maccosta/
http://www.flickr.com/photos/lilianecallegari/

Maio 28, 2010   4 Comments