Blog do Editor do Scream & Yell
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Category — Culinária

Um almoço no Inverse My Fridge Day

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“Eu não acredito no quanto nós bebemos”. Com essa frase, Lili definiu – mais ou menos – como foi o nosso Inverse My Fridge Day. Recebemos seis amigos em casa no domingo para um pesto genovês acompanhado de muita salada, cerveja belga e vinho português. Vou dizer: foi cansativo, mas extremamente prazeroso. Das coisas que, se eu pudesse e tivesse dinheiro, faria muito mais vezes no ano.

O dia começou comigo indo para a feira comprar paisagem. Trouxe alface crespa, alface americana, rúcula, manjericão e limão (vai que alguém quisesse se aventurar numa caipirinha). Lili foi a Bela Paulista comprar um doces para a sobremesa. De volta a casa, dividimos as tarefas e mãos a obra: descasca alho daqui, polvilha a receita de queijo parmesão ali, um pouco de pimenta do reino, sal, pinoles moídos, azeite e… pronto.

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Arrumamos a mesa na sala e descobrimos que não temos peças de cozinha em grande quantidade. Então, as três taças de cristal vindas de vinícolas de Santiago (agora duas, pois Lili quebrou uma no fim da noite) ficaram com as meninas enquanto os homens beberam nas taças toscas mesmo. Não tínhamos oito pratos iguais também, mas os copos para água eram todos iguais. Acho que a única coisa que temos em quantidade.

Levamos a mesinha da cozinha para a sala e ajeitamos. Fizemos, ainda, um pré-teste de brusqueta, que ficou ok. Tiago Agostini foi o primeiro a chegar. Alguns minutos depois chegou Tiago Trigo, com uma garrafa de vinho branco para entrar na fila do esvaziamento. Em seguida, Marco e Luisa, que trouxeram pudim de doce de leite. Jonas e Elisa chegaram logo depois, e começou a correria.

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Fizemos uma entradinha básica de brusqueta acompanhada de uma torradinha especial de alecrim acompanhada de vinho branco (o português Periquita) para a maioria, e cerveja (a belga Hoegaarden) para a minoria. Todos presentes, então massa na água fervente para não perdemos tempo. Quase 14h da tarde, a fome começa a bater. Em três minutos tínhamos espaguete suficiente para um batalhão… de amigos.

Arrependo-me de termos feito duas receitas exatas para oito pessoas. Devia ter feito uma terceira para deixar de sobra, para os convidados passarem no pão italiano e sentirem o gosto perfeito da mistura de manjericão, azeite, pinoles, queijo parmesão, alho, sal e pimenta do reino. Como só fiz duas receitas, uma foi para a enorme tigela de macarronada e a outra ficou a gosto de quem quisesse incrementar mais o prato.

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Todos elogiaram, e comemos tanto que acho que nenhum de nós chegou a jantar no domingo. Aliás, comemos e bebemos. Foram 19 Hoegaardens e 6 garrafas de vinho, sendo cinco vinhos brancos e um licoroso da Concha Y Toro que compramos em Vina Del Mar, animados após os elogios embasbacados de um brasileiro dentro do supermercado. Ressaca? Um pouquinho de dor de cabeça. E só.

Fiquei imensamente feliz, pois a mesa fluiu. A turma toda conversou, gargalhou, contou piadas, causos, impressões de trabalho e me senti orgulhoso por poder reunir tantas pessoas bacanas em um mesmo lugar. Logo eu, que achava que com o passar dos anos iria viria um velho chato e caseiro distante dos amigos. Nada como pessoas queridas para fazerem o coração da gente, machucado e tristonho, voltar a bater com gosto.

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Ok, ok. A tarefa de cozinhar para oito pessoas é extremamente extenuante. A gente meio que parece perder o controle da cozinha quando a comida aumenta. Uma coisa são dois pratinhos para o casal no dia-a-dia. Outra são oito pratos num fim de semana especial. Apesar do stress natural, valeu a pena. Todos ficaram aparentemente felizes, e este domingo é daqueles que facilmente eu repetiria de novo. Valeu a experiência, Brastemp.

As fotos do almoço estão aqui, e se você quiser também tentar fazer um pesto em casa, a receita - simples e básica - é esta aqui. Agora é esperar a Fernanda Guedes terminar o trabalho para sabermos no que se transformou a nossa geladeira. Curiosidade! Veja também como foi a festinha da geladeira da Casa da Chris (aqui) e como ficou a geladeira da Anita, do Objetos de Desejo (aqui). E no flickr do Inverse My Fridge já tem fotinhos do encontro que tive com a Fernanda (aqui).

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Dezembro 14, 2009   3 Comments

Receita de Sopa Parisiense de Cebola

Sopa de Cebola

No Top Ten de Pratos que pedi para Lili fazer de nossa viagem para a Europa (postado aqui), surpreendeu uma inocente sopa de cebola tomar o primeiro lugar. E olha que ela era apenas a entrada de um almoço em uma brasserie simplezinha perto do Fórum Les Halles chamada L’Entrecote Des Halles (Rue Saint Denis, 38) . Como nem só de caldo verde vivem os dias frios, resolvi experimentar uma sopa de cebola. E não é que existe mesmo uma variação parisiense?

A primeira tentativa, no meio da semana, foi aprovada pela Lili, mas ficou um pouco salgada. Culpa das torradinhas de cebola que comprei. Elas precisam ser torradas normais, ok. A receita pedia vinho branco seco, mas apostei no vinho tinto carmenere, e gostei. Essa foto acima já é da segunda tentativa, quase acertada, do sábado à noite. Faltou ficar mais uns cinco ou dez minutos no fogo, para engrossar. Mesmo assim ficou ótima, diz Lili. Receita abaixo.

Ingredientes

- 4 cebolas grandes cortadas em rodelas
- 4 colheres (sopa) de manteiga
- 4 colheres (sopa) de farinha de trigo
- 5 xícaras (chá) de caldo de carne
- 1/2 colher (chá) de sal
- 1 pitada de pimenta-do-reino
- 1/2 xícara (chá) de vinho branco seco
- 8 fatias de pão francês tostadas
- 8 fatias de queijo tipo suíço

Preparo

Frite as cebolas na manteiga em uma panela sobre fogo médio. Mexa sem parar por 20 a 30 minutos até que dourem. Junte a farinha de trigo e cozinhe por 1 minuto.

Acrescente o caldo de carne, o vinho, o sal e a pimenta-do-reino. Aqueça ao ponto de fervura. Abaixe o fogo e cozinhe lentamente em panela parcialmente tampada por meia hora. Aqueça o forno.

Coloque a sopa em 4 cumbucas refratárias e deposite-as em uma assadeira. Coloque 2 fatias de pão em cada uma delas e cubra com 2 fatias de queijo. Leve ao forno quente e asse até o queijo derreter.

Sirva imediatamente, colocando as cumbucas sobre pratinhos individuais.

Rendimento: 4 porções

Sopa de Cebola

Leia também:
- Receita de Caldo Verde (aqui)

Setembro 14, 2009   2 Comments

A simplicidade de um bom molho pesto

Fazendo molho pesto em casa, parte 1

Apesar de não termos passado por Genova, na região italiana da Ligúria, em nosso mochilão de julho, provamos a principal especialidade do lugar, o popular molho pesto, em Florença, na Toscana, e em um pequeno restaurante em Roma, no Campo del Fiori. Embora existam variações, o molho pesto é composto de folhas de manjericão amassadas com azeite de oliva, pinoles (uma noz comum na Itália), alho e sal mais queijo parmesão ou pecorino.

O al pesto de Florença estava bem melhor que o de Roma, o que se explica, afinal as especialidades romanas são os molhos carbonara (molho engrossado com uma mistura cremosa de ovos, queijo e cubinhos crocantes de guanciale – bacon não-defumado italiano, preparado com as bochechas do porco) e alla matriciana (massa al dente mergulhada num molho de tomate condimentado com cubinhos de pancetta e guanciale), que já fiz aqui.

Em Florença, o restaurante ficava no caminho do Mercato Centrale (Via Sant’Antonino, 19R) e entramos atraídos por um cartaz que oferecia a tentadora especialidade da casa: Bistecca alla Fiorentina, uma saborosa costeleta de lombo bovino. Lili aprovou o pesto e adorei a costeleta. Em Roma, no Campo del Fiori, fomos os dois de pesto, e ficamos decepcionados. Melhor mesmo foi o spaguetti alla matriciana acompanhado de uma salada caprese divina na Taverna dei Fiori Imperial (Via Madonna dei Monti, 16).

Para aproveitar este feriadão em casa decidimos arriscar uma receita de molho pesto para um gnocchi de batatas. Peguei a receita (aqui) do livro da amiga Alessandra Porro e ela pareceu simples, sem muita chance de errar, desde que tivéssemos os ingredientes certos. Compramos manjericão, nozes e sai atrás de um bom queijo parmesão ralado. Lili fez o “trabalho árduo” (espremer o alho, tirar a casca das nozes e picar o manjericão) e a mim coube misturar tudo conforme a receita pediu. E ficou… sensacional.

É sério. De todos os pratos e molhos que já fizemos em casa este, sem dúvida, foi o que mais nos agradou (ok, os tournedos com ervas moram em meu coração). Lili ficou encantada e o almoço acompanhado de um vinho chileno foi divino. Fizemos toda a receita, o que permitiu alguma sobra para o almoço do dia seguinte. E quem diz que conseguimos esperar? Eu havia comprado pão bola com cobertura de queijo no almoço, e o recheamos com o divino molho pesto (que também pode ser servido como acompanhamento no churrasco e com carnes em geral). Uma delícia.

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A receita abaixo é “control c control v” da postada pela Alessandra no blog “Guia para a sobrevivência do homem na cozinha”, versão online do livro que está esgotado. Divirta-se. E vicie.

Espaguete al pesto
Para 4 pessoas

-6 dentes de alho
-1 colher de chá de sal
-1 xícara de chá de folhas de manjericão fresco
-3 colheres de chá de nozes sem casca
-80 gramas de queijo pecorino ou parmesão ralado
-½ xícara de chá de azeite
-Pimenta do reino
-500 gramas de espaguete

1) Descasque os dentes de alho, passe pelo espremedor e coloque em uma tigela. Adicione a colher de chá de sal e misture muito bem.
2) Triture as nozes (no liquidificador, com um pilão ou com as mãos) e junte ao alho com o sal.
3) Lave as folhas de manjericão. Seque e pique em pedaços bem pequenos. Coloque também na tigela. Acrescente o queijo e o azeite e misture muito bem até obter uma pasta homogênea. Tempere com um pouco de pimenta do reino e deixe descansar fora da geladeira. Isto é o pesto.
4) Leve ao fogo uma panela com cinco litros de água e uma colher de sopa de sal. Quando a água ferver jogue o espaguete aí dentro. Misture algumas vezes.
5) Escorra quando estiver al dente, coloque em uma travessa e junte os temperos . Mexa bem e sirva imediatamente.

Obs.:
-O pesto é também servido como acompanhamento no churrasco, com carnes em geral e com o bolito (cozido italiano). Pode ser guardado em geladeira por uma semana.
-Nozes: A receita originalmente leva uma noz chamada pinolli que não é muito fácil de se achar no Brasil. Use as nozes comuns, porém é preciso retirar, além da casca, a pele que a recobre. Faça assim: Leve uma panelinha com água ao fogo. Quando começar a ferver coloque as nozes e conte até 30. Retire da água, deixe esfriar e tire a pele. Ou então compre nozes já sem pele e casca.
-Queijo: Por favor, não use queijo de pacote que é mais seco que areia e não tem gosto de nada.

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Setembro 7, 2009   4 Comments

Guia para sobrevivência do homem na cozinha

Guia para a sobrevivência do homem na cozinha

Eu já contei a história desse livro aqui, mas volto a falar dele por alguns motivos especiais. Ganhei o livro (lançado em 1998) três anos atrás da Helena, uma amiga querida fã de Chico que decidiu me dar um empurrão na cozinha (não, eu não cai). O texto linkado foi escrito especialmente para o Comidinhas, da queridíssima Alessandra Blanco, e tempos depois recebo um email fofissimo da Alessandra Porro, autora do livro, comentando sobre o post e agradecendo.

Como o livro encontra-se esgotado (mas você pode encontrar usado na ótima Estante Virtual - veja aqui), a Alessandra decidiu colocá-lo inteirinho em um blog.  E assim nasceu o “Guia para a sobrevivência do homem na cozinha, versão blog”, que traz todas as receitas do livro. Diz a Alessandra: “Em dez anos aprendi muito, há coisas que faria diferente. Mas ao invés de mexer no texto, decidi deixar como foi publicado e acrescentar comentários ao pé das receitas. Bom proveito e bom apetite!”. Siga o conselho e seja feliz… na cozinha.

http://guiaparaasobrevivenciadohomemnacozinh.blogspot.com/

Junho 2, 2009   5 Comments

Cenas da vida em São Paulo: o colesterol

Quase oito da manhã de uma quarta-feira. O cara acorda atrasado para uma consulta médica e decide sabiamente pegar um taxi. Já dentro do veículo…

- Rua Marceleza foi o que o senhor disse?
- Isso (na verdade é Marselhesa), na Vila Mariana.
- A gente passa por tantos lugares trabalhando de motorista de taxi que eu até acho que já passei por essa rua ai, mas não estou me lembrando agora.

pausa - maldita hora em que esqueci de imprimir o mapa no Google - fecha pausa.

- É um pouco antes do Shopping Santa Cruz - arrisco.
- Ah, é perto do Shopping Santa Cruz. Então tá fácil.

É claro que ele ignorou o “um pouco antes” e entrou na primeira depois do shopping. Deu várias voltas até parar alguém, perguntar, e dizer:

- É mais lá atrás…

E o papo segue.

- Estou indo fazer um check-up para a firma.
- Eu não gosto de médicos, sabe. Tem um cara lá no nosso ponto que tinha um vida bem boa e nunca tinha ficado doente. A mulher dele encheu tanto o saco para ele ir ao médico, e ele foi. Ai descobriu que o colesterou estava alto, teve que entrar num regime, parou de beber, comer coisas gordurosas, essas coisas, e agora vive tomando remédio, está sempre doente, e reclama da mulher. Era feliz e não sabia.

- silêncio.
- Número 500, né? Chegamos, Bons exames.
- sorriso sem sal.

*******

Fui pegar hoje o resultado de meus exames de check-up. Fora o oftalmo, que encanou que não ando enxergando bem as coisas, o resto está tudo bem (viu, mulher!) :) O colesterou no geral está alto, mas nada alarmante. O desejável é até 200mg, e estou com 202mg (na faixa limite que vai de 200 até 239). Colesterol alto só acima de 239. Já o colesterou ruim (o LDL) está mais sossegado. O nível ótimo é 100. O desejável é de 100 a 129. O limite é de 130 a 159. Elevado vai de 160 a 189. Muito elevado de 189 para cima. Estou com apenas 127. \0/ Ou seja: vou comer sim essa baguetinha do post anterior em Florença. Ainda sou feliz.

Maio 20, 2009   7 Comments

Variações sobre o sanduíche de churrasquinho

Sanduíche de churrasquinho, foto de Alessandra Porro

Acabo de me apaixonar. Olha só que coisa linda! \o/ É cordão de file mignon temperado (sal, pimenta, azeite), colocado entre duas fatias de pão, coberta com fatias de bacon, um ramo de alecrim e amarrada para poder ir ao forno e assar. E tem no Mercato Centrale, em Firenze, na Itália. Você tem dúvida que eu vou passar por lá em julho atrás disso?A dica (e a foto e a descrição e mais algumas coisas que você pode ler aqui) é da Alessandra Porro. Já estou sonhando…

Maio 19, 2009   5 Comments

Alessandra Blanco lança primeiro livro

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Clique para ver o convite em alta definição

A Ale autografa seu primeiro livro - ”O Melhor do Comidinhas - Lugares (quase) secretos, dicas gastronômicas e algumas receitas” - na Livraria Saraiva do Shopping Higienópolis, nesta quarta, às 19h30. O Comidinhas você conhece, certo? É o delicioso blog que a Ale assina compartilhando com os leitores dicas de lugares e receitas imperdíveis no quesito comida. Eu mesmo já colaborei com o Comidinhas algumas vezes (na última, por sinal, ela me chamou de “ogro fofo”- risos), e sou fã da Ale não só por ela ser uma pessoa pra lá de especial, mas também porque suas dicas no blog (e mesmo pessoalmente) costumam deixar a gente com água na boca na redação. Coloca na agenda: quarta-feira!

http://colunistas.ig.com.br/comidinhas/

Março 23, 2009   3 Comments

Presente de amiga secreta

Rolou tudo perfeito no amigo secreto da turma de amigos da Lili, em que sou um namorado infiltrado (hehe). Fiz duas receitas do Chili da semana passada, e ficou muuuito melhor (Tiago, a próxima vai ficar ainda melhor! Aguarde). E bebi algumas caipirinhas de cachaça com abacaxi. A Ana T adorou os malabares que eu levei de presente pra ela além de uma blusinha cinza com lacinho que era a cara dela. E eu ganhei, da cunhada querida aniversariante, este livro acima que compila uma série de receitas das comidas preferidas de bandas como Belle and Sebastian, Calexico, Devendra, The Hold Steady, Interpol, Violent Femmes, Franz Ferdinand, Death Cab For Cutie e muitos outros. Aqui tem um resenha interessante do livro que recomenda o Pork Loin with Poblano Chiles dos Decemberists (que prova que nem todas as bandas alternativas são vegetarianas) com os Patriot Act Mojitos do Nada Surf para acompanhar e as Chocolate Balls do Ben Kweller como sobremesa. Nem precisa dizer que o Bacon and Eggs do Tilly and The Wall me chamou mais a atenção, certo? Presente pra lá de especial. E olha que a Jeanne ainda disse que eu era difícil de presentear! Curti. Agora é ir pra cozinha.

Dezembro 14, 2008   2 Comments

Domingo de comida mexicana

Missão deste domingo: aprender a fazer chilli, um prato tradicional da culinária mexicana e texana feito com feijão, carne moída, tomates em pedaços e pimenta, sem esquecer do tempero, uma mistura do pó de pimentas, cominho, alho, cebola e orégano. Semana que vem temos entrega de presentes do amigo secreto dos amigos da Lili (não conto quem eu tirei), e ela inventou que nós iríamos cozinhar comida mexicana. Ela inventa e eu vou pra cozinha. Esperta a mineira.

No sábado à noite, pós Los Pirata (show foda – fotos aqui) e pré Bazar Pamplona, passamos em um Pão de Açúcar 24 horas atrás dos ingredientes. Tive que esperar uns cinco minutos até o açougueiro limpar umas carnes e vir me atender, e quando ele veio ainda trouxe o pedido errado. Pedi 500g de coxão mole moído. E ele, depois de cortar e moer a carne: “1 quilo e 200 e muito?”. Resposta afirmativa, ele vai, tira umas 200 gramas e me entrega um quilo. Quase 23h de um sabadão, eu não ia discutir.

Compramos uma série de coisas especiais para o prato (pimentas, tacos, massa para burritos, feijão vermelho, nachos e feijão marrom – não tinha o roxinho que a receita pedia) além de algumas Hoegaarden para abastecer a geladeira e acompanhar no almoço. De manhã, demos um google atrás de alguma receita interessante, e Lili achou essa do fim no post em um Yahoo Respostas. Na verdade, fiz uma mistura dela com a de algumas outras que eu também tinha olhada, tipo: nesta não vai cerveja, mas coloquei uns 300 ml de cerveja (que uma outra receita exigia) Bauhaus na mistura.

O começo é bem simples: frita-se o meio quilo de carne nas três colheres de óleo por dez minutos e, depois, vai juntando os ingredientes. Chamamos alguns amigos (iríamos fazer duas receitas aproveitando o outro meio quilo de carne extra além do outro pacote de feijão) para experimentar o prato (Adri, Kátia e Tiago: espero que vocês estejam bem – risos), já que se hoje comemos em cinco, na semana que vem vamos ser entre 12 e 15. Melhor errar com menos gente, né. Mas deu tudo certo. Reclamaram um pouquinho do excesso de cominho e, sinceramente, acho que não ficou tão apimentada quanto deveria ficar, mas valeu a experiência e estamos prontos para domingo que vem.

A receita que segue abaixo foi bem modificada. Acho que, na verdade, cozinhar é um pouco disso também: adaptar os pratos ao seu gosto pessoal. Tinha impressão que iria ser difícil demais fazer o chili, mas foi bastante fácil (contando que não temos panela de pressão e Lili deixou o feijão de molho de um dia para outro – ok, Lili deverá ganhar uma panela de pressão em algum dos amigos secretos que ela está participando, mas curto essa idéia de deixar de molho de um dia para o outro). É um prato perfeito para uma turma de quatro, cinco ou mais amigos. Ainda mais com uma tequila aberta. No nosso caso, nossa Jose Cuervo Especial está prometida. Então fomos de cachaça Germana. Uma delícia. Experimente em casa.

Receita
Ingredientes:
1/2 kg de carne moída;
3 colheres (sopa) de óleo;
2 cebolas (grandes) em rodelas finas;
2 colheres (chá) de sal;
Pimenta-do-reino, pimenta chili, páprica, cominho e tomilho a gosto;
1 kg de tomates, sem pele e sem sementes, picados;
1/2 kg de feijão roxinho ou vermelho cozido.

Modo de preparo:
Frite a carne no óleo, por 10 minutos, mexendo sempre. Junte a cebola, o sal, as pimentas e a páprica. Cozinhe em fogo baixo por mais 5 minutos. Junte os tomates e o feijão (já cozido), tampe a panela e cozinhe em fogo baixo por 1 hora. Acrescente um pouco de água fervente ou mesmo cerveja (200 ml), se for necessário, mexendo de vez em quando.

Dezembro 7, 2008   6 Comments

Almoço de domingo

Já fazia um tempo em que eu não arriscava nada na cozinha, então decidi que neste domingo teríamos algo diferente na mesa. Fizemos feira ao meio-dia, abasteci a geladeira de Hoegaarden e fui para o fogão. Na verdade, fui ao google procurar uma receita para o bife de alcatra que eu havia comprado (o mais bonito do supermercado). Optei pelo Bife de alcatra ao molho de vinho.

A receita original – do chef Tunney Fujimaki aqui – previa um prato completo, mas fiquei só com o bife de alcatra ao molho de vinho acompanhado de arroz branco (sob responsabilidade de Lili) e uma saladinha de tomate italiano com azeitonas recheadas com pimentão (já que esquecemos o alface em algum lugar, pois tenho certeza que o compramos na feira, mas não o trouxemos). E um Carmenere da Concha Y Toro.

O preparo foi super simples. Bife frito no azeite em uma frigideira funda banhado vo vinho quando ele chegasse no ponto crocante. Após retirado o bife da panela, mais vinho e também maisena, para dar consistência ao molho. Ficou ótimo. Bem, quase. Na verdade, faltou temperar melhor o bife e deixa-lo descansar (só temperei com sal e pimenta do reino) para assumir o tempero. E… não gosto de molhos. (hehe)

Lili adora qualquer coisa diferente (e já estava “bebinha” no meio do prato – risos), mas eu tenho sérios problemas com molhos fortes que se sobrepõe ao sabor do prato. Exemplo rápido: não como sanduíche com ket-chup, nunca! O ket-chup se sobrepõe ao sabor do hambúrguer, da salada, do tempero, do queijo e parece que você está comendo apenas ele. Com molhos é a mesma coisa seja madeira ou este à base de vinho.

Mesmo assim, a experiência valeu para lembrar-me que a minha paixão por bifes pede receitas que valorizem o gosto da carne, e não o escondam. Abaixo, a receita básica do bife de alcatra ao molho de vinho.

Ingredientes
800 gramas de alcatra sem gordura
amaciante de carnes estilo grill ou fondor
1 cenoura grande
Azeite de oliva virgem
150 ml vinho cabernet sauvignon para o molho
Sal a gosto
Açucar
Amido de milho

Preparo
1) Corte a alcatra em bifes grossos de 2 cm;
2) Polvilhe os bifes com amaciante e deixe descansar por 30 minutos;
3) Aqueça uma frigideira funda com azeite bem quente;
4) Coloque os bifes para fritar e só vire o lado quando o primeiro estiver com a textura crocante. Repita o procedimento com o outro lado do bife;
5) Jogue parte do vinho ( 50ml) na frigideira molhando bem os bifes;
6) Aperte bem os bifes para deixar escorrer o caldo na frigideira;
7) Retire os bifes e reserve;
8 ) Dilua uma colher de sopa de amido de milho com o restante do vinho e acrescente ao molho existente na frigideira;
9) Coloque 1 colher de sopa de açúcar e mexa bem até encorpar como um mingau

Novembro 2, 2008   No Comments

Um novo blog de dar água na boca

Oi Marcelo,
 
A gente não se conhece, mas escrevo para agradecer as menções carinhosas que você fez do meu livro, o Guia para a sovrevivência do homem na cozinha, no seu blog! Eu estava em Bolonha, no ano passado, quando um amigão, o Kike Costa me mandou o link e desde então acesso o teu blog que é uma delícia.

To bem atrasadinha, é verdade, mas é que a web tem dessas coisas, a gente quer falar, responder mas fica assim, meio sem assunto, né?  Bom, agora tem um: comecei o meu blog na semana passada e espero em breve colocar o livro, na íntegra, na rede, seguindo o conselho que o Trent Reznor deu no Independence Days: download everything!!!!

Só estou procurando uma fórmula para facilitar o acesso e a busca, então, por enquanto, posto receitas, historinhas, etc. Quando tiver um tempo, dá um pulinho lá: http://alessandra-porro.blogspot.com/
 
Um grande beijo,
 
Alessandra

**********

Escrevi sobre o livro da Alessandra Porro aqui, num post escrito a pedido de outra Alessandra querida, a Blanco, do Comidinhas. Achei que um e-mail carinhoso como esse, que cita Trent Reznor e versa sobre um dos livros que mais leio na atualidade (na cozinha) merecia uma menção especial. Então fica a dica. Dê uma passada no blog da Alessandra Porro e fique com água na boca com receitas como a Maminha do Homer:

Eu olhava para aquele pedaço de maminha, bonito, todo entremeado de gordura e nada… O vento não dava vontade de acender a churrasqueira. Rechear? Naaaãaa… Picadinho? Talvez, quem sabe. Aí me lembrei de um picadinho na cerveja preta que o Bernard fazia aqui em São Paulo, uma delícia. Não sei que carne ele usava, nem os outros ingredientes. Assim resolvi só cortar a carne ao meio para caber na panela. Minha cara-metade, o Celso, sacou a manteiga de garrafa (Serranorte, muito boa), eu investi na panela de pedra que comprei recentemente em Tiradentes. A Guiness a gente teve que buscar no mercado e, no melhor estilo “baixa a geladeira na panela”, saiu isso: (confira a receita aqui).

Alessandra, benvinda a blogsfera. :)

Outubro 21, 2008   1 Comment

Cartochio de Picanha

Bem, eu tinha prometido a mim mesmo na semana passada descobrir um prato novo, certo. E não fiz. Assim que passei neste domingo no supermercado e olhei a bandejinha de picanha, não resisti e trouxe pra casa. Mas como fazer uma picanha em casa? Fui atrás de receitas e descobri o Cartochio de Picanha. A rigor, este Cartochio é embalado por ervas a provance, que Lili lembrou depois que havia experimentado um prato de Cordeiro a Provance no Atacama. Optei por esse.

Assim, faltou sal, mas o tempero ficou foda. A receita segue abaixo, mas o preparo é super simples. A gente compra os bifes de picanha, e prepara o tempero, que é uma mistureba de cabeças de alho, ervas finas (provance, tem uma da Kitano muito boa), salsinha, manteiga  e sal. Você tritura o alho junto as ervas e a manteiga. Bate tudo em uma vasilha até virar uma pasta uniforme. Essa pasta você irá passar sobre os bifes. E enrola-los (devidamente empastelados) no papel alumínio. O tempo no forno é bem curto, coisa de cinco minutos para cada face da picanha. Fica foda.

Abaixo, a receita. Lili preparou um arroz integral, salada (alface, rúcula, palmito e vinagrete) e, para acompanhar, um Concha Y Toro Carmenere (minha uva predileta). Aliás, os Concha Y Toro estão bem baratos. Paguei R$ 17,90 na garrafa.

Ingredientes
1 bife de picanha de 200 gramas
1  (sopa) de manteiga
Salsinha a gosto
3 dentes de alho
Ervas provance
1 pitada de sal

Modo de preparar
Triturar as ervas provance com a salsinha e o alho. Acrescentar o sal e a manteiga formando uma pasta. Envolver o bife nesta pasta e embrulhar em papel alumínio deixando o lado do papel mais laminado para dentro. Assar sobre a grelha na churrasqueira, alternando os lados do bife. Pronta, exalará um aroma inconfundível. Servir com o arroz branco para poder apreciar o sabor das ervas com maior clareza.

Março 2, 2008   4 Comments

Talharim Alla Amatriciana

E lá se foram meus três dias de folga. É incrível como o tempo escorre pelos dedos. Das coisas que eu queria fazer, até que fui bem. Não terminei de ler o livro do Camus, mas o Meursault já matou o árabe e está neste momento recebendo a visita de Marie. Nos CDs, Jens Lekman voltou a ocupar o windows media player, desta vez com o belíssimo “When I Said I Wanted To Be Your Dog”. E nos filmes, vi “Letra e Música” ontem (comédia romântica menor, mas com boas piadas sobre os terríveis anos 80) e pretendo assistir a “Todos Os Homens do Presidente” daqui a pouco.

O lance do passaporte está em stand by. Fui até a sede da Polícia Federal, lá na Lapa, hoje de manhã, mas não teve jeito. “O senhor tem que agendar um horário pela internet”. Agendei para o final de março. Se soubesse, não tinha desembolsado os R$ 156 da taxa agora. Mas ao menos está encaminhado. Não levei o monitor para a assistência técnica (ficou pro sábado), mas instalei as luminárias, que ficaram legais, algo que satifez Lili imensamente (apesar de eu achar que a casa ficou muito mais escura agora).  

Além de escrever sobre os shows do fim de semana, publiquei um texto do Leo Vinhas sobre o festival portenho Cosquin Rock, o que deu uma boa atualizada na capa do Scream & Yell. A idéia era escrever mais, mas fiquei impossibilitado. Queimei dois dedos da mão direita fazendo caldo verde pra Lili na segunda. E na terça tirei um bifinho do dedo indicador da mão esquerda. Ou seja, nada de teclar muito, o que até ajudou a me manter afastado do computador e da web.

Por fim, eu tinha prometido tentar aprender uma receita nova, né. Sem chance. O dia se foi, a fome veio, Lili tinha curso e apostei no certo ao invés de experimentar. Fui de Talharim Alla Amatriciana, uma das minhas três ou quatro especialidades (vamos contar: tournedos com ervas, risoto de bacon, talharim a amatriciana e caldo verde, que eu já dei a receita) na cozinha.

Uma das vantagens do talharim é que é bem rápido para se fazer. Se você não for como o cumpadi Inagaki que é fã do miojo cru, vale a pena esperar. Aliás, cumpadi, se você experimentar a massa semi pronta de talharim da Mezzani, irá viciar. Eu mesmo devoro várias tiras cruas. Bem, voltando a receita, o que você vê lá em cima no abre do post é uma improvisação: a receita que sigo (do meu companheiro “Guia Para Sobrevivência do Homem na Cozinha“) é para quatro pessoas, e os que está disposto sobre o fogão na foto é uma adaptação para uma pessoa. Mas tudo que precisamos está lá: o bacon, a panela com água, os tomates pelados, o macarrão, a cebola picada e a pimenta inteira.

O lance todo é bem simples. Você frita o bacon no azeite em uma panela. Assim que estiver quase torradinho, você acrescenta a cebola picada e a pimenta, e deixa cozinhar por cinco minutos em fogo brando. Depois, retire e jogue a pimenta fora, acrescente os tomates nus devidamente amassados, misture bem, coloque sal (eu acrescento pimenta do reino e manjericão, sempre) e cozinhe por aproximadamente 30 minutos. À parte, cozinhe a massa al dente e escorra. Depois é só juntar a massa na panela do molho e servir. Fica bom, viu.

A receita é isso:

- 500 gramas de tomates bem maduros picados ou duas latas de tomates pelados;
- 100 gramas de bacon magro
- 1 colher de sobremesa de azeite
- 1 cebola
- 1 pimenta vermelha inteira
- 500 gramas de talharim

Abaixo, o talharim alla matriciana está acompanhado de uma saladinha básica (alface e azeitonas), queijo ralado, azeite, sal e um copo de Guiness (presente do amigo Fábio) atolado de coca-coca light. Servido (a)?

Fevereiro 20, 2008   3 Comments

Roteiro: Argentina e Chile – Parte 1: Comida

Antes que as lembranças se percam na minha memória desgastada pelo tempo e pelo uso, já está mais do que na hora de relembrar o passeio pela América do Sul que eu e Lili fizemos em julho do ano passado. Foram 21 dias passando por Buenos Aires, Santiago, Valparaiso, Vinã Del Mar e São Pedro de Atacama. Tínhamos outras cidades no roteiro, como Mendoza (na Argentina), mas tivemos que mudar o itinerário devido a neve que caia sobre o Aconcagua no dia do nosso embarque.

O que você irá ler abaixo é um pequeno relato de coisas interessantes que passamos nestes dias de frio abaixo de zero (-16 graus numa madrugada), paisagens inesquecíveis e passeios idem. Para não obrigar ninguém a ler um livro, vou dividir os posts em temas, ok. Este primeiro irá versar sobre comida. Comer numa viagem é algo bastante interessante e não dá para ficar dependendo dos McDonalds da vida: você precisa ao menos experimentar um pouco da comida de cada região pois viajar não é só olhar, é comer também.

Minha meta pessoal era descobrir qual a melhor carne das Américas. Bobagem grandiloquente, claro, já que eu iria passar apenas por dois países, mas vamos deixar assim que é bem legal. Já a tarefa da Lili não era menos importante ou honrosa: descobrir o melhor Alfajor. Com estas metas em mente, aportamos na capital portenha no final de junho para um passeio por gostos, cheiros e sabores. O melhor alfajor que Lili provou ela não conseguiu encontrar novamente e nem lembra o nome. E olha que nós procuramos! Tentamos até voltar ao local do crime (uma rua paralela a Calle Florida, no centro de Bue), mas não deu certo.

Já os pratos foram uma grande experiência. Minha melhor refeição da viagem aconteceu no último dia em São Pedro de Atacama. A da Lili foi no primeiro dia em Valparaiso. Porém, antes de ambas as refeições fizemos alguns experimentos bem importantes: o primeiro – que valeu apenas para olhar o prato, beliscar e mandar voltar – foi a famosa parrilada, que junta tudo aquilo que você não gosta do boi em um mesmo prato. Para quem tem estômago forte e muita coragem. Preferi o refrigerante de Pomelo, Paso de Los Toros.

Tirando a parrilada, as refeições em Buenos Aires foram, quase sempre, bife de chouriço, que num corte diferente junta alcatra e picanha em (geralmente) 500 gramas suculentas (prestou atenção na primeira foto?). Acompanha, quase sempre, purê de batata (os portenhos não são tão fãs de arroz) e tem a vantagem de ser tão bom em alguns restaurantes badalados da Recoleta tanto quanto em algumas padarias do centro da cidade. As duas únicas vezes que variamos nos cinco ou seis dias que ficamos em Bue foram em dois restaurantes bem aconchegantes e charmosos:

- Cumaná: a amiga jornalista Sylvie Piccoloto havia me levado lá na minha primeira vez em Buenos Aires, então – na hora de variar o prato – melhor ir ao garantido. O ambiente do lugar é aconchegante, o atendimento é excelente e os preços são convidativos. Bebemos vinho argentino, eu fui de pastel de papa com carne (pasta de batata com pedaços de carne e molho bolonhesa) e Lili foi de risoto, ambos aprovados. O Cumaná fica na Rodríguez Pena, 1149, na Recoleta. Se você estiver no centro da cidade, pode ir de táxi que irá sair barato.

- Melee: dica da amiga Capitu. Fica em uma das travessas da Calle Florida e sua especialidade é cozinha francesa com um toque portenho, claro. Fui do básico beauf bourguignon con papas rissoles y repollo agridulce (bife com fritas e repolho) acompanhado de vinho argentino e Lili ficou tão encantada com o creme bruleé que nem lembra qual foi o prato principal. O Melee fica na rua Viamonte, 852, ao lado da Calle Florida.

Em ambos os restaurantes a conta de cada um não passou dos R$ 35.

Se comemos bem todos os dias em Buenos Aires, o mesmo não podemos dizer de Santiago. Até podemos dizer que bebemos vinhos melhores, mas no quesito comida não nos demos muito bem. Nosso primeiro passeio obrigatório foi ir ao Mercado Central comer frutos do mar (tem tudo que você possa imaginar lá). Escolhemos o restaurante Augusto, e fui de salmão ao molho de camarão e Lili arriscou no caranguejo desfiado ao alho. Quer saber: nenhum dos dois pratos nos impressionou, e o preço saiu mais salgado do que na Argentina (cerca de R$ 45 por pessoa)

Na visita ao Mercado Central, pessoalmente, gostei mais do Pisco Sauer, mistura parente da nossa caipirinha, mas mais leve. O Pisco é uma aguardente destilada de uvas moscatel com elevado teor de açúcar, cultivadas nos vales do norte do Chile e também no Peru. Trouxemos uma garrafa para uma amiga. Se a comida marinha não nos agradou tanto, o que dizer então do pastel de choclo, o prato mais terrível de toda nossa viagem? :) Ainda não consigo dizer ao certo o que era aquilo, mas vinha numa cumbuca, tinha farinha de milho por cima, um enorme pedaço de frango no meio, umas azeitonas perdidas aqui e ali, um ovo cozido inteiro, molho de carne e mais algumas coisas que não ousamos descobrir.

Se em Santiago não nos demos bem no quesito comida, em Valparaiso a experiência foi gratificante. Valpo é uma cidade portuária tombada pelo Patrimônio Histórico devido aos seus ascensores com mais de 100 anos que ligam a parte baixa da cidade com a parte alta. Aliás, esqueça a parte baixa que exibe uma cidade portuária tradicional e se perca pelas ruas e becos da cidade alta que, entre algumas coisas, abriga a belíssima La Sebastiana, uma das três casas que o poeta Pablo Neruda mantinha no país. Três coisas que você precisar fazer em Valpo: andar de ascensor, ir a La Sebastiana e comer no Café Turri.

- Café Turri: o acesso é fácil, pois fica na saída do ascensor Concepcion. A vista é magnífica e, principalmente, se tiver em um dia de sol (como o que presenciamos), vale o almoço ao ar livre com o Oceano Pacifico bailando a sua frente. Fui de coca-cola e um maravilhoso filete de milanesa acompanhado de purê de batatas e três pimentas. O purê é algo, e as três pimentas chilenas dão um sabor especial ao prato. Lili, como quase sempre, decidiu arriscar e pediu brochetas de Mahi Mahi en salsa de coco. O site do Café apresenta assim: “Trozos de Mahi Mahi intercalados con piña, cocinados a la plancha, con  toques de estragón en suave salsa de crema de coco y eneldo.” Dá água na boca só de ler. Resultado: a melhor comida de toda viagem para a Lili.

De Valpo passamos em Vinã Del Mar, voltamos para Santiago e voamos para o deserto da Atacama, mais precisamente São Pedro de Atacama, uma cidadezinha de pouco mais de 3 mil habitantes localizada no meio de um oásis. Ainda no aeroporto em Santiago compramos um “Guia de Destinos – San Pedro de Atacama e Alrededores”, e foi ele que nos apresentou os restaurantes badalados da cidade. Havíamos almoçado no Adobe (Rua Caracoles, 211), fisgados por um atendente que falava português perfeitamente, que nos explicou detalhadamente o menu e conhecia mais cidades no Brasil que eu e Lili juntos. Para o jantar, estávamos entre o sedutor Blanco (de decoração toda branca, cozinha de autor e pratos como veta de cordero con puré de polenta y verduras al oporto y sushi) ou o clássico La Estaka, mas acabamos optando (acertadamente) por um terceiro; La Cave.

O que nos levou ao La Cave foi o fato de seu menu, exposto na porta, apresentar Civet de Lhama, “carne típica de la zona”. Na volta de uma dos passeios que fizemos, nosso guia nos levou a uma vila indígena, e além de tomarmos chá de coca (que não deu barato algum) e provarmos deliciosas empanadas de queijo de cabra, comemos também espetinho de anticucho de lhama, uma carne macia e muito saborosa. Comi uns três espetinhos enquanto Lili devorou a mesma quantidade de empanadas. À noite, já na cidade, quando vimos o menu do La Cave apresentando o Civet de Lhama, não resistimos… e entramos. Porém, os restaurantes (e mesmo os açougues – como descobri depois) não vendem carne de lhama todos os dias, e acabamos tendo que pedir outro prato. Problema? Nenhum, afinal eu iria comer a melhor carne de toda a minha viagem.

Em primeiro lugar, o La Cave é comandado pelo simpático e corpulento chef francês Michel Coumes, que após termos feito nosso pedido, nos indicou o melhor vinho para acompanhar nossos pratos (não sem antes ser avisado de que o preço teria que estar dentro do nosso orçamento). Gentilmente ele nos apresentou um Palo Alto, cabernet sauvignon, de reserva, que foi aprovado imediatamente. Já os pratos… Lili foi de Cordero a Lá Provençale (cordeiro ao molho de vinho, conhaque, alho e toucinho acompanhado de batatas). Fiz uma escolha básica: Filete com Salsa Atacamenha (a base de ervas secas da região). Era só isso: bife e molho de ervas. E estava simplesmente sensacional ao ponto de me “obrigar” a fazer algo que até então eu nunca tinha feito na vida: ir a cozinha cumprimentar o chef. O preço do meu prato foi 7 mil pesos chilenos, cerca de R$ 25. O da Lili foi mais barato: 5.500 (cerca de R$ 19). Com o vinho (em torno de R$ 20), fechamos nossa viagem com um belíssimo jantar por pouco mais de R$ 30 por pessoa. Valeu o investimento.

Já que eu falei em vinho, vale contar a história dos dois passeios por vinícolas que fizemos em Santiago: na Concha Y Toro e na Cousiño Macul. Em ambos os passeios fizemos um tour para conhecer cada vinícola. O tour é guiado e além de trazer histórias interessantes e divertidas sobre cada vinícola (a do vinho Casillero del Diablo é ótima), lhe dá o direito de provar duas taças de vinho (e levar a taça embora, o que dá um trabalho em malas e mochilas, mas das nossas quatro, três sobreviveram. A que quebrou, quebrou aqui em São Paulo). Na Concha Y Toro provamos um Casilero Del Diablo, carmenere, safra 2005, e um inesquecível Don Merchor safra 1988. No dia seguinte, passeando pelo centro de Santiago, entramos em uma loja e nos deparamos com um Don Merchor safra 1989. Preço: R$ 300. Isso lá. Se você topar com uma garrafa dessas no Brasil, ela vai custar mais de R$ 500. E nos pagamos R$ 12 cada no tour. Coisas da vida.

Lendo tudo isso, até parece que fizemos almoços e jantares de R$ 50 durante toda a viagem, o que não reflete, de modo algum, o que foram estes 21 dias. A idéia era fazermos uma viagem no estilo mochilagem, dormindo em albergues, economizando na comida e curtindo os passeios, os lugares, as pessoas. E, de vez em quando, arriscar um prato em um restaurante decente. Na maioria das vezes, principalmente em Santiago, esperávamos (e nos deliciávamos) mais (com) a entrada do que com o próprio prato. A rigor, a entrada era quase sempre (de vez em quando na Argentina e sempre no Chile) composta de um pão caseiro fresquinho acompanhado de um molho apimentado que cairia bem ao lado de uma cerveja gelada. E importante: não é cobrada à parte. Um amigo chileno, quando veio ao Brasil, ficou transtornado ao saber que aqui se cobra o popular couvert. È bem provável que agora, no Chile, ele vá aproveitar ainda mais essa vantagem. Bom, acho que é isso. Nos próximos capítulos, albergues, pontos turísticos, câmbios e curiosidades de um passeio pela América do Sul.

Links Úteis:
- Café Turri – http://www.turri.cl/web2007/restaurant.asp
- Guia Óleo de Restaurantes Argentinos - http://www.guiaoleo.com.ar/
- La Sebastiana - http://www.lasebastiana-neruda.cl/
- San Pedro de Atacama - http://www.sanpedroatacama.com/
- Valparaiso - http://www.valparaisochile.cl/
- Vina Concha Y Toro - http://www.conchaytoro.com/

Leia também:
- Roteiro: Argentina e Chile - Parter 2: Dicas, por Marcelo Costa (aqui)

Janeiro 3, 2008   24 Comments

Açai com vodka

Após uma dúzia de cervejas, papeando sobre misturas alcoólicas, contei que quando meu pai teve uma sorveteria em uma cidadezinha do interior, anos e anos atrás, uma das metas de minhas férias escolares era descobrir qual sorvete combinava melhor com uísque.

Morango e limão foram reprovados, mas chocolate e creme passaram com louvor. A Ligelena, que estava na mesa, contou que adora sorvete com vodka. Eu tinha comentado na mesa algo sobre minha vontade de comer açaí, foi quando deu o estalo na mesa: o que será que vai dar misturarmos vodka com açaí?

A Juliana não quis nem saber (depois, aprovou). O Guto protestou contra o uso de banana e granola. Eu, Jonas, Renata e Ligelena nem ligamos e aprovamos a mistureba toda. Depois que “bebemos” a primeira cumbuca na colher (com uma senhora dose de vodka), pedimos outra, que atendendo aos pedidos do Guto, veio sem granola, mas com banana. Desceu tão bem que já virou um dos pratos especiais do reveillon da turma.

Dezembro 18, 2007   2 Comments