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Category — Bobagens

Um Top 13 de Black Mirror

Terminamos “Black Mirror” aqui em casa e tentei fazer um ranking, porém a sensação que tenho é que do 01 ao 09 é um grande empate geral (ou seja, são todos episódios fodas). “Nosedive” é quase perfeito (não fosse o final), e os três últimos tem boas ideias, mas não batem tanto quanto os primeiros. Mas, uou, que série. Vou tentar escrever umas bobagens durante a semana…

01) The National Anthem – S01E01
02) San Junipero – S03E04
03) The Entire History of You – S01E03
04) Be Right Back – S02E01
05) Hated in the Nation – S03E06
06) Shut Up and Dance – S03E03
07) White Bear – S02E02
08) White Christmas – S02E04
09) Men Against Fire – S3E05
10) Nosedive – S03E01
11) The Waldo Moment – S02E03
12) Fifteen Million Merits – S01E02
13) Playtest – S03E02

novembro 19, 2016   1 Comment

Somos todos ninguém

Não sei o que escrever. Talvez nunca soube, o que deixa no ar uma sensação de que caminho todo o tempo no escuro tateando o próximo passo, pisando em buracos, e, como o personagem de Bill Murray no genial “Feitiço do Tempo”, aprendendo aos poucos – e muito devagar – com os próprios erros.

Não posso reclamar. Nem da dor de estomago. Sei que colho o que plantei, mas as coisas poderiam ser mais fáceis, não? No fundo, mesmo sendo bom (ou, ao menos, tentanto), há sempre a expectativa da recompensa, e isso é intrínseco ao ser-humano. Não que você espere um bilhete premiado, mas, catzo, qual a vantagem de ser bom se tantos canalhas se dão melhor?

Talvez, dormir sossegadamente quanto recostar a cabeça no travesseiro, algo que, definitivamente, não conseguirei fazer hoje. Melindres, medos e receios. Bata tudo no liquificador junto com duas taças de vodka, duas cerejas e uma azeitona sem caroço. Deve ficar bom. Deve.

Talvez o grande problema de estar vivo resulte exatamente da busca no sentido disso. Existe sentido? A vontade de fugir é imensa. A vontade de se esconder, também. A vontade de descansar cansa. É tudo ao mesmo tempo agora e, na verdade, é tudo algema. Quem pensamos que somos. Quem penso que sou? Somos todos ninguém. Todos.

março 11, 2014   No Comments

O dom de afundar navios

As mulheres e as crianças são as primeiras que desistem de afundar navios, escreveu certa vez Ana Cristina César. Sonhando acordado, imagino um enorme transatlântico, e, sentado no porão dele, lá estou eu olhando uma pequena rolha e tentando resistir a tira-la e jogar todos os meus sonhos, que já não são tantos, no fundo do mar. Que ninguém diga que eu não tentei resistir…

janeiro 2, 2014   No Comments

Dos descaminhos da melancolia

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No sobe e desce do humor nos últimos dias, ontem foi um dos meus melhores dias. Daqueles dias que a vida é prazerosa, e não um fardo imenso a ser carregado, como acontece em boa parte do tempo. Não sei o motivo (até devo saber, mas não vem ao caso), em algum momento da noite, lembrei-me de Aldous Huxley, mais propriamente de um trecho especial de “O Macaco e a Essência”, meu livro preferido de tudo que já li nesses mais de 15 mil dias como cidadão deste planetinha azul.

A lembrança do tal trecho e, por conseguinte, do livro, me fizeram lembrar uma listinha Top 10 que eu havia organizado alguns anos atrás a pedido de algum site, aquela típica listinha de insônia, em que o prazo se extingue e você acaba listando as coisas que vem a sua cabeça na hora aguardando ansiosamente o momento de apertar o “enviar” do e-mail para se livrar de uma tarefa tão árdua quanto prazerosa – desde quando este prazer passou a ser risco de vida (pesquisar)?

Fato é que em meio a pensamentos perdidos no espaço, voltei para algum dia perdido na última década do século passado, em que, apaixonado por uma garota que morava em outra cidade bem distante da minha, comecei uma incessante troca de cartas que, felizmente, foi reciproca, e rendeu dezenas de momentos especiais – e um coração partido, mas isso não importa. Numa dessas cartas, acho que no aniversário de 19 anos dela, eu fiz uma listinha de 19 várias coisas: músicas, discos, filmes e… livros. Aquela listinha…

Guardo todas as cartas que recebi (muitas) e então fui verificar se, na resposta da garota, ela falava sobre algum livro daquela listinha, e… não (e olha que são cinco páginas… ótimas – risos). E o desejo de rever aquela listinha se instalou porque acredito que aqueles 19 livros ainda são, 17 anos depois, os meus livros preferidos, os livros que me formaram e me fizeram ser quem sou. Os mais importantes. Acho (ou apaixonado acreditava nisso).

Dia desses, numa conversa de bar, alguém perguntou o motivo de eu escrever e manter um site, e eu disse que escrevo para tornar a ideia palpável, real, e guarda-la. Calhou de ter um site e dividir várias ideias, pensamentos e observações acerca do mundo com um monte de gente (que, muitas vezes, não querem pensar, só ler elogios – infelizmente faz parte), mas tudo isso poderia ser um diário, em que escrevo para que o Marcelo, senhor grisalho de idade com óculos pequenos e memória curtíssima, daqui uns 50 anos se lembre de algumas bobagens.

Por isso, sempre procuro dar um passo pra frente, o que gera a questão: se eu já fiz uma lista com 19 livros, por que oras tenho que parar de fazer o que estou fazendo para fazer a mesma lista de novo? Risos idiotas. Ahhh, a melancolia é imensamente traiçoeira. Abaixo replico a lista de 10 livros preferidos de todos os tempos que organizei em 2009 enquanto aproveito para abrir uma brechinha e tentar incluir “A Visita Cruel do Tempo”, de Jennifer Egan, no computo (junto com “O Resto é Ruído”, do Alex Ross, que preciso comprar novamente – dei o meu de presente)… e lembrar de outros.

E aproveitar para guardar as velhas cartas. É incrível como conseguíamos escrever tanto. Era… especial. Saudosismo? Talvez seja. E se for, não importa.

“O Lobo da Estepe”, Hermann Hesse
“O Macaco e a Essência”, Aldous Huxley
“Ciranda de Pedra”, Lygia Fagundes Telles
“O Tempo e o Vento”, Érico Verissimo
“Hamlet”, William Shakespeare
“Cartas a Um Jovem Poeta”, Rainer Maria Rilke
“O Casamento do Céu e do Inferno”, William Blake
“Retrato de Dorian Gray”, Oscar Wilde
“Achei Que Meu Pai Fosse Deus”, organizado por Paul Auster
“As Flores do Mal”, Charles Baudelaire

“A Insustentável Leveza do Ser”, Milan Kundera

Ps. Quando eu ler “Em Busca do Tempo Perdido”, do Proust, que só passei os olhos no primeiro volume quando tinha 19, 20 anos, com certeza um dos dez acima cai.

Leia também:
– As bibliotecas da minha vida (aqui)

setembro 13, 2013   No Comments

Tentando

…me encontrar e juntando os cacos de algo que nem sei se sou eu.

Nessas horas sempre me lembro de Ana Cristina César: não tenho muitas palavras quanto pensei.

Teria pensando demais, sonhado demais, vivido demais?

Duvido.

É possível

setembro 9, 2013   No Comments

Como lidar…

com a vontade de desaparecer.

agosto 23, 2013   No Comments

Da série sonhos malucos

O ambiente era um festival, e eu devia estar em alguma área destinada à imprensa, pois encostado a uma grade de arame e pensando na vida, percebi que Mark Lanegan estava ao meu lado, ali meio sem fazer nada e sem ser importunado. Começamos a conversar sobre amenidades, e ele ficou animado quando eu disse que era do Brasil. Após um bom bate papo, pedi para ele autografar o disco dele que eu tinha comigo (não sei qual disco, e quase nunca peço autógrafos, mas estou num sonho com Mark Lanegan, sacumé). Ele autografou na boa, mas duas coisas me deixaram encucado:

1) A capa do vinil era uma paisagem em formato de quebra-cabeças. Você podia desmontar as peças, e remontar a capa. Achei a ideia sensacional.
2) A dedicatória do Mark Lanegan escrita em bom português foi: “Um abraço, mano Marcelo”. Mano Marcelo? Mano??? Com quem você anda conversando, Mark Lanegan????

agosto 17, 2013   No Comments

Pequenos renascimentos

Pra muita gente, o fim de um ano e o começo de outro marca um recomeço. Aquele texto atribuído ao Drummond, mas que não é dele, é bem oportuno quando diz que “doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez”. Pra mim, isso acontece no meu aniversário. O começo de ano é sempre bom para planejar coisas, mas julho, por mais que eu tente insistir em não levar a sério o inferno astral, é costumamente um mês pesado. As pernas não querem se mexer, o corpo não quer se mover. Mas, bem, chega agosto e a vida começa de novo. E, desta vez, sem ser um setênio… : )

Ando bastante reflexivo nos últimos tempos. Cada vez me enxergo menos neste espaço, que deveria ser mais ego(ista) do que é (e basta uma passada na versão antiga da Calmantes pra ver que algo mudou: foi o mundo ou fui eu?). Mas falar sobre o que? Cinema? Até poderia, mas quero refrescar ainda mais as ideias para escrever longamente sobre “Hannah Arendt” e “Tabu”, dois filmes excelentes que vi neste fim de semana. Música? Talvez. Gostei muito do Selton (falei dele aqui) e acho que “Primavera”, do The Gift, caiu como uma luva na sonoridade que minha solidão particular buscava. Vou ouvir mais.

Vou retomar a leitura de “Bling Ring”, de Nancy Jo Sales. Estava adorando o caminho que a jornalista escolheu, e gostei bastante do filme da Sofia Coppola sobre o livro (humm, verdade, ele entra no Top 5 do ano, preciso arranjar um espacinho pra ele), mas no meio do caminho havia uma pedra, havia uma pedra no meio do caminho, e a leitura foi interrompida. Sei lá. Ando meio vivendo movido pelo sem querer, que me atrapalha, me distrai e me leva pela mão por territórios inóspitos do pensamento. Preciso de um hobby… Talvez. Talvez fazer cerveja em casa. Quem sabe. Está em standby. Como a vida…

agosto 5, 2013   No Comments

Enquete: Qual a melhor capa?

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setembro 5, 2012   No Comments

Queria aprender a fazer nada mais vezes

Ontem fiz aniversário. Mais um. 42. Tirei o dia para fazer algo que tem sido muito raro por aqui: nada. Sinto-me culpado quando fico sem fazer nada, tanto que mesmo nas viagens arrumo mil e uma coisas, e quando percebo volto tão ou mais cansado do que quando sai (este ano foi assim). Neste 05 de agosto, porém, nenhuma culpa. Cheguei levemente bêbado ás 5 da manhã após aproveitar uma noite com alguns amigos, e decidi dar folga para as ideias. E gostei do exercício. Não fazer nada é bom! E, particularmente, neste momento em que estou fazendo mais coisas do que dou conta, que estou esticando os braços para abraçar o mundo (a Oceania e um pedaço do Japão estão escapando), foi bem revigorante. Claro que a semana começa, e o peso do mundo volta aos ombros. Qual a saída? Venho pensando cada vez mais nisso. Hoje recebi dois vinis do White Stripes, dois álbuns que eu já tinha em CD, MP3 e o escambau, e fico pensando se realmente eu precisava dele. Se eu preciso de tudo o que o mundo diz que eu preciso. É uma linha perigosa. Uma rua complicada de atravessar. Temos cada vez mais coisas do que damos conta de dar atenção, e muitas vezes o que precisamos é apenas desligar do mundo e fazer… nada. Funcionaria todos os dias? Quem sabe? Provavelmente eu não conseguiria, mas queria, cada vez mais, pular fora dessa roda da fortuna. Fico imaginando fugas, mas ainda assim precisaria abdicar de muitas coisas. Ok, eu abdico dos vinis do White Stripes, dos CDs (mas não dos MP3!), e acho que levaria um bocado de livros comigo, não muitos, mas um número possível que pudesse manter minha mente sã, a espinha ereta e o coração tranquilo. E trocaria num momento x, quando necessitasse. Porém, essa abdicação não funcionaria em São Paulo, onde se gasta demais apenas para respirar. E dai a coisa toda começa a crescer, o sonho todo começa a enlouquecer, o mundo começa a ganhar asas. Poderíamos morar em qualquer lugar, mas sem ser excessivamente hippie e chato. Poderia esquecer o mundo, e ser esquecido por ele. Talvez tivesse que abdicar do fazer nada. A vida simples, aparentemente, dá mais trabalho do que essa vida carregada de supérfluos. Talvez tivesse que viver – muitas vezes tenho a sensação que sou levado por algum sentido de obrigação, e quando percebo acordei, dormi e não vivi. Talvez não fosse ruim. Não que agora seja, por favor. Sou feliz, só estou cansado. Mas queria aprender a fazer nada mais vezes.

agosto 6, 2012   No Comments