Category — Bebidinhas
Opinião do Consumidor: Wells Banana Bread
O slogan da cervejaria britânica Wells & Youngs diz muito sobre os anseios da casa: “cervejas especiais para ocasiões especiais”. Nascida em 2006 da união da Charles Wells (fundada em 1876) e da Young’s Brewery (1831), a Wells & Young’s é responsável pela produção da John Bull e da ótima Young’s Double Chocolate Stout além de fabricar e distribuir no Reino Unido a jamaicana Red Stripe, a espanhola Estrella Damm e a ótima mexicana Negra Modelo.
A Wells Banana Bread Beer, como o nome apresenta, traz banana e malte estilo pão em sua composição (além de casca de limão), e ao contrário do que possa parecer, não é tão adocicada como esperado (uma boa surpresa). O aroma, extremamente delicioso e conquistador, é pura essência artificial de banana – com malte quase imperceptível. No paladar, no entanto, a banana se mistura com o malte mantendo um amargor leve do começo ao fim, que termina mais adocicado (banana, claro).
A leveza da Wells Banana Bread Beer impressiona, com os 5,2% de álcool bem inseridos no conjunto. A banana (marca das weiss, bem mais encorpadas que essa Wells) cumpre seu papel dando um toque diferente e bastante particular ao sabor, que em nenhum momento chega a enjoar, valorizando o equilíbrio da composição (a essência tão presente no aroma surge muito bem ambientada no paladar) de uma cerveja que merece ser provada. Minha preferida de frutas continua sendo a belga Mongozo, mas a Wells Banana Bread Beer foi uma grata surpresa.
Teste de Qualidade Wells Banana Bread Beer
- Produto: Strong Ale
- Nacionalidade: Inglaterra
- Graduação alcoólica: 5,2%
- Nota: 3,42/5
- Preço: entre R$ 15 e R$ 25 (garrafa de 500 ml)
Leia também:
- O aroma cativante da Young’s Double Chocolate Stout (aqui)
Fevereiro 20, 2011 No Comments
Opinião do Consumidor: Weihenstephaner
Com vocês, a cervejaria mais antiga do mundo. É sério. A Weihenstephan Brewery foi licenciada oficialmente por monges beneditinos na Bavária, Alemanha, em 1040, mas antigos documentos fazem referência a plantação de lúpulo por volta do ano 768. Há outra abadia, Weltenburg, também na Baviera, que diz que foi fundada por volta do ano 620, mas a falta de documentos oficiais coloca a Weihenstephan como a primeira cervejaria do mundo. Não é pouco.
Ou seja, quase mil anos de tradição cervejeira e história não podem ser ignorados. Durante o passar dos séculos, o mosteiro sobreviveu a invasões, saques e incêndios, até que em 1803 a abadia foi dissolvida pelo governo e a cervejaria estatizada e transformada em patrimônio da Bavária. Em 1919 (em um processo iniciado lentamente em 1852) a Weihenstephan Brewery passou a integrar a Universidade de Agricultura e Cervejaria de Munique, com um centro de produção que também forma mestres cervejeiros.
A Weihenstephaner Hefe Weissbier é uma cerveja que mantém todas as características das cervejas de trigo da Bavária: o aroma tem algo de floral e frutado, pendendo claro para banana (altamente reconhecível), mas também destacando o cravo. O paladar, no entanto, é extremamente leve, com um início adocicado que persiste até o (pouquíssimo amargo) final. A leveza é valorizada pela textura aguada que, ao contrário do que possa parecer, valoriza o conjunto desta cerveja extremamente refrescante. Uma delicia.
A versão Vitus da cervejaria é apresentada como um Weizenbock, porém sua cor está longe das ruivas tradicionais. A Vitus é dourada como uma boa cerveja de trigo, mas sua textura promete (e cumpre) uma cerveja mais encorpada que a versão Hefe da cervejaria. Então, pegue tudo do parágrafo anterior, e acrescente mais… sabor. É isso: a Vitus é mais saborosa que a Hefe com paladar e aroma invadidos pela presença intensa de cravo e banana.
Os 7,7% de teor alcoólico da Vitus – contra os 5,4% da Hefe – não soam agressivos ao paladar, embora a cerveja seja muito mais marcante – e o final mais duradouro. Ou seja: comparativamente falando (chutando), é muito mais fácil sentir no corpo que você bebeu uma Vitus do que duas Hefe. A segunda é muito mais leve e refrescante, enquanto a primeira pega o sujeito de jeito pelo sabor e pelo álcool (que não transparece no paladar, mas está ali – acredite). No entanto, as duas são excelentes pedidas.
Teste de Qualidade Weihenstephaner Hefe Weissbier
- Produto: Weiss
- Nacionalidade: Alemanha
- Graduação alcoólica: 5,4%
- Nota: 3,99/5
- Preço: entre R$ 8 e R$ 15 (garrafa de 500 ml - vários supermercados)
Teste de Qualidade Weihenstephaner Vitus Weizenbock
- Produto: Weiss Bock
- Nacionalidade: Alemanha
- Graduação alcoólica: 7,7%
- Nota: 3,98/5
- Preço: entre R$ 8 e R$ 15 (garrafa de 500 ml - vários supermercados)
Fevereiro 16, 2011 3 Comments
Opinião do Consumidor: Hen’s Tooth
Antes de qualquer coisa, o que mais chama a atenção na Hen’s Tooth é sua cor: é de um alaranjado quase amarronzado tão brilhante que parece mel – ou uísque. A garrafa transparente (ao contrário do tradicional tom escuro) valoriza ainda mais essa English Strong Ale que posa de Real Ale (termo criado para reunir as cervejas elaboradas com ingredientes tradicionais, maturadas com uma segunda fermentação no próprio barril de onde será servida e extraída sem o auxílio do CO2), mas na verdade é uma Old Ale (refermentada na garrafa).
Integrante do conglomerado da Greene King, cervejaria fundada em 1799 em Suffolk, Inglaterra, que com o passar dos anos tornou-se a maior cervejaria britânica devido à compra (muita vezes criticada) de pequenas fábricas, a Mortland (cervejaria fundada em de Abingdon, no condado de Oxfordshire) tem como carro chefe da casa a famosíssima Old Speckled Hen, uma das primeiras cervejas premium do Reino Unido, mas começa a investir pesado na Hen’s Tooth (a exportação para outras países é um indicativo).
Tudo aqui é especialmente britânico. O aroma destaca a presença do lúpulo trazendo à memória a lembrança de abacaxi, uvas e flores – e por fim, malte. O paladar é aquilo que os ingleses tentam transformar em clássico: o álcool levemente disfarçado em algo que lembra caramelo e, levemente, café. O amargor característico (devido à boa presença de malte) se faz presente de forma comportada, mas o final é surpreendentemente adocicado (não confundir com enjoativo – está bem longe disso).
Um fato interessante: a Hen’s Tooth parece mais forte do que os 6;5% de álcool prometem logo na apresentação (o que, em condições normais, já é muito para o paladar brasileiro acostumado aos 4,5% das cervejas tradicionais nacionais). O aroma e o paladar no primeiro toque na língua são marcantes, mas aos poucos a cerveja amacia, e seu final levemente adocicado torna a cerveja bastante interessante, um conjunto agradável que pode surpreender. No entanto, vale tomar cuidado: você acha que ela não vai te embebedar, mas ela vai. Acredite.
Teste de Qualidade: La Trappe Dubbel
- Produto: English Strong Ale
- Nacionalidade: Inglaterra
- Graduação alcoólica: 6,5%
- Nota: 3,97/5
- Preço: entre R$ 15 e R$ 25 (garrafa de 500 ml)
Fevereiro 9, 2011 2 Comments
Opinião do Consumidor: La Trappe
No século 17, monges cistercienses fundaram a abadia francesa de Notre-Dame de la Trappe buscando uma vida simples na contramão do luxo vivido pelos monges na época. Meditação, isolamento e oração estavam entre as tarefas destes monges, que ficaram conhecidos como Trappistas, e que, para sustentar o monastério, produziam queijos, pães e vinhos.
Corta para 2010. Dos 171 mosteiros trapistas existentes no mundo, apenas sete produzem cerveja (seis na Bélgica e um na Holanda). Estes sete mosteiros são os únicos autorizados a marcar seus produtos com o selo de autenticidade trapista, garantindo a origem monástica de sua produção – sob a supervisão de monges da Ordem Trapista.
Produzida desde 1884 no monastério de Onze Lieve Vrouw van Koningshoeven, na província de North Brabant, na Holanda, a La Trappe é a única cervejaria Trapista que não é belga. Importada pela Bier & Wien, a La Trappe chega ao Brasil em várias versões (Blond, Dubbel, Tripel, Quadrupel, Witte e Bock – veja aqui).
A Dubbel tenta despistar o álcool (são 7,0%) através do malte de caramelo (torrado), que confere um leve adocicado ao conjunto – e que remete (bastante) a chocolate e, claro, café. No aroma, algo de banana e álcool (que acaba se sobressaindo). O paladar, no entanto, não sente tanto o álcool (proposto pelo aroma e pelo rótulo), mas sim banana, uvas passas, chocolate amargo e, bem menos, café. O final é inicialmente amargo, mas termina mesmo levemente adocicado (mas muito leve).
É só a versão Dubbel, mas das seis trapistas que conheço (Achel, Orval, Rochefort, Chimay, Westmalle e La Trappe – a Westvleteren é a única que falta riscar no calendário), a La Trappe Dubbel pareceu a menos equilibrada que provei (apesar de, inegavelmente, ser saborosa). As Chimay são perfeitas. As Achel vêm logo depois. Orval e Westmalle são ótimas. Já as Rochefort, cuidado, são para experientes.
A La Trappe Dubbel pode ser encontrada (em sua versão 750 ml com rolha) no Pão de Açúcar e em diversos empórios (incluindo sites como a Biervoxx, Submarino e Americanas.com) entre R$ 31 e R$ 36.
Teste de Qualidade: La Trappe Dubbel
- Produto: Belgian Dubbel
- Nacionalidade: Holanda
- Graduação alcoólica: 7%
- Nota: 4,12/5
Janeiro 7, 2011 7 Comments
Opinião do Consumidor: IPA Estrada Real
Fundada em 2004 em Belo Horizonte, a Falke Bier é resultado dos esforços de três irmãos (Marco Antonio, Juliana e Ronaldo Falcone), que fundaram a cervejaria em 2004. Segunda micro-cervejaria mineira a freqüentar este espaço (a primeira foi a Backer), a Falke surge representada por um de seus maiores destaques, a Índia Pale Ale Estrada Real.
A Estrada Real ligava Villa Rica, hoje Ouro Preto, a Paraty, mas pela necessidade de uma via de escoamento mais segura e rápida ao porto do Rio e, também por imposição da Coroa foi aberto um “caminho novo”. A rota de Paraty passou a ser o “caminho velho”. Com a descoberta das pedras preciosas na região do Serro, a estrada se estendeu até Diamantina, deixando Ouro Preto como o centro de convergência.
No site oficial, os Falcone explicam a escolha do nome: “O estilo India Pale Ale foi criado pelos ingleses durante a colonização da Índia no século XVIII. Aumentaram a lupulagem (o lúpulo tem ação bactericida) e o teor alcoólico (diminui a atividade microbiológica), conferindo, naturalmente, maior durabilidade à bebida. Certamente seria a cerveja que acompanharia os viajantes da Estrada Real no séc. XVIII.”
Faltou dizer que os viajantes ficariam facilmente bêbados, pois o alto teor alcoólico (7,5%) está bem disfarçado no conjunto balanceado desta ótima IPA. O aroma fica entre o frutado e o levemente floral enquanto o paladar, de amargor acentuado, dá o tom perfeito deixando algo de tostado e café no primeiro toque na língua, para depois amaciar e terminar levemente adocicado (bem leve – o amargor comanda o conjunto).
Ainda sinto falta de alguma coisa, talvez um pouco mais de corpo. Mesmo assim, uma ótima cerveja e uma bela homenagem a Estrada Real. Agora é preciso investigar o cardápio da cervejaria (eles fazem uma Tripel Monasterium que me tentou), e vale acompanhar o blog do Marco Falcone, com várias dicas. A garrafa de 600 ml (um pouco mais baixinha que a tradicional nacional – e por isso, mais robusta) pode ser encontrada entre R$ 11 e R$13 (essa foi comprada nos Supermercados Mambo).
Teste de Qualidade: Estrada Real
- Produto: Índia Pale Ale
- Nacionalidade: Brasil
- Graduação alcoólica: 7,5%
- Nota: 3,4/5
Leia também:
- As passagens minhas e de Lili pela Estrada Real (aqui)
- Quatro Backer (Brown, Pilsen, Trigo, Pale Ale (aqui)
- Site oficial da Estrada Real: http://www.estradareal.org.br/
- Blog do Marcelo Falcone: http://culturacervejeira.blogspot.com/
- Site oficial da Falken Bier: http://www.falkebier.com.br/
Dezembro 27, 2010 2 Comments
Opinião do Consumidor: La Achouffe
A Brasserie D’Achouffe é uma cervejaria belga localizada numa pequena aldeia em Houffalize, na região da Valônia, quase na fronteira com Luxemburgo e a poucos quilômetros da Alemanha. Foi ali que dois irmãos começaram a fabricar cerveja para consumo próprio (os garotos brasileiros jogam futebol, os belgas produzem cerveja), e em 1982 decidiram abrir a cervejaria que leva o nome do vilarejo: Achouffe.
As Achouffe são bem identificáveis em uma adega: o rótulo traz sempre um “simpático duende”, segundo o site oficial, que explica: os elfos e duendes estão entre os principais personagens dos contos das Ardenas (o Vale das Fadas), floresta que toma boa parte da Valônia (incluindo Achouffe – que significa gnomo no dialeto valão). Do capítulo “cerveja também é cultura”.
Em setembro de 2006 a cervejaria foi comprada pela Duvel (ajoelhemos) Moortgat. A primeira atitude da nova empresa gestora foi diversificar o formato das Achouffes, antes encontradas apenas em lindas garrafas de 750 ml – um sonho de consumo que ainda pode ser encontrado na região belga. Para exportação, a Duvel emprestou seu formato de garrafa (baixinha e fofinha – engana pacas) e é assim que a La Chouffe chega ao Brasil (no mesmo formato da Duvel), importada via Beer Paradise.
A La Chouffe é o carro chefe da micro-cervejaria, uma cerveja especial não filtrada e fermentada diretamente no barril. Temperada com coentro (não faça essa cara: lembra a Hoegaarden, outra paixão belga) e levemente lupulada, a La Chouffe tem o mesmo dom da Duvel: esconde o álcool por trás de especiarias (o floral e o frutado fazem o serviço tanto no aroma quanto no paladar), o que a torna deliciosa – e perigosa (são 8% de graduação alcoólica que você não percebe estar bebendo).
Agora, tirem as crianças da sala. A Houblon Chouffe Dobbelen IPA Tripel (nascida em 2006 e fermentada em barril e na garrafa) assusta já no nome, que numa leitura cervejeira quer dizer que possui três vezes mais lúpulo (afinal é uma Índia Pale Ale – o lúpulo ajuda a conversar a cerveja por mais tempo), o que a torna mais encorpada, complexa, forte e de teor alcoólico batendo a casa dos 9%. Ou seja: esqueça a leveza da anterior.
Tudo na Houblon Chouffe Dobbelen IPA Tripel se apresenta logo, por isso é uma cerveja mais intensa e, até por isso, difícil. O amargor é forte (apesar de um leve adocicado no primeiro toque na língua), e você vai gastar o dobro do tempo para consumi-la. Não desista. O aroma é floral – remete a capim, grama e hortelã. O paladar segue o aroma destacando o floral com uma variedade de sabores (abacaxi, laranja, banana e até cravo e coentro) que o torna quase indescritível. É uma experiência.
O site oficial convida: “Venha visitar nossa fábrica de cerveja e saborear os nossos produtos em uma atmosfera amigável”. Vale muito. Achouffe fica a duas horas de Bruxelas, e além das versões 330 e 750 ml, eles vendem barris de 20 litros. Ok, eu não escrevi isso. Esqueça. No Brasil, a garrafa baixinha e gordinha (330 ml) pode custar entre R$ 16 e R$ 23 (Supermercados Mambo) enquanto a versão 750 ml pode sair até por R$ 60. Lá é três vezes menos que isso…
Teste de Qualidade: Brasserie D’Achouffe
- La Chouffe
- Produto: Belgian Specialty Ale
- Nacionalidade: Bélgica
- Graduação alcoólica: 8%
- Nota: 4,82/5
- Houblon Chouffe Dobbelen IPA Tripel
- Produto: India Pale Ale
- Nacionalidade: Bélgica
- Graduação alcoólica: 9%
- Nota: 4,56/5
Dezembro 26, 2010 3 Comments
Opinião do Consumidor: Brooklyn Brewery
Um ex-correspondente da Associated Press (Steve Hindy), um ex-bancário (Tom Potter) e o mestre cervejeiro mais badalado dos Estados Unidos (Garrett Oliver, autor dos livros “The Good Beer Book” e “The Brewmaster’s Table”) formam o trio de frente de uma das cervejarias norte-americanas mais bacanas da atualidade: a Brooklyn Brewery, que abriu as portas timidamente em 1987 em Nova York, mas hoje têm um catálogo vasto que mantém as características de uma micro-cervejaria delicada e personal – indo na contramão do imperialismo american lager.
Primeira do pacote (e carro chefe da casa), a deliciosa Brooklyn Lager promete muito mais do que o nome deixa transparecer. Por isso esqueça as American Lagers (levezinhas) cuja receita faz sucesso no Brasil. Apesar de ter casa em Nova York, a inspiração da Brooklyn Lager é austríaca, mais precisamente nas Vienna Lagers surgidas na primeira metade do século 18. O aroma floral (carregado de lúpulo) é marcante. O sabor é maltado entre o amargo é o levemente caramelizado com final suave e também amargo. Simplesmente apaixonante.
Próxima: A Índia Pale Ale nasceu na Inglaterra, que encheu de lúpulo a cerveja tradicional para que ela resistisse mais tempo e fosse levada em viagens de návio pela Índia. A Brooklyn Brewery seguiu a risca o mandamento na East India Pale Ale. O que a difere da versão Lager é que suas características, por natureza, são mais intensas. Lagers são cervejas de baixa fermentação enquanto as Ales são de alta. Ou seja: está tudo ali (o aroma floral, o sabor maltado, o final amargo), mas mais acentuado. Bate bem mais forte.
Fechando o trio (particular – o catálogo da Brooklyn Bewery é bem mais extenso), a Brooklyn Brown Ale, que deixa o lúpulo em segundo plano (mas só um pouco) para valorizar o malte torrado. O aroma é de um chocolate sutil com um pouco de café, mais forte – mas ainda sútil (ao contrário dos cânones do gênero, que capricham no cheiro), que acaba conquistando. O sabor segue o aroma, com um leve amargor e um final seco e refrescante, delicioso.
Antes das considerações (quase) finais, uma observação bastante pertinente d0 amigo Eduardo Nasi (@eduardonasi): “Deixa as conclusões finais sobre a Brooklyn Brewery pra depois de beber a pint da lager tirada do barril”. Anotado. Nova York, me aguarde.
Teste de Qualidade: Brooklyn Brewery
- Brooklyn Lager
- Produto: Vienna Lager
- Nacionalidade: Estados Unidos
- Graduação alcoólica: 5,2%
- Nota: 4,21/5
- Brooklyn Índia Pale Ale
- Produto: Índia Pale Ale
- Nacionalidade: Estados Unidos
- Graduação alcoólica: 6,8%
- Nota: 4,22/5
- Brooklyn Brown Ale
- Produto: Ale
- Nacionalidade: Estados Unidos
- Graduação alcoólica: 5,6%
- Nota: 4,18/5
Dezembro 24, 2010 3 Comments
Opinião do Consumidor: Murphy’s Irish Stout
Após passar por uma double chocolate stout (a ótima Young’s), hora de encontrar uma stout de verdade, com colarinho hiper-cremoso, cheiro marcante de café e muita história cervejeira. A Murphy’s – fundada em Cork, na República da Irlanda – já passou por aqui, mas com sua versão Irish Red, mas o patrimônio da casa é a versão stout, que segundo consta ainda segue a receita original desde sua fundação, em 1856.
Principal particularidade: o sistema Draughtflow. Ao abrir o latão de 500 ml, um dispositivo libera nitrogênio formando um efeito de cascata de espuma (semelhante ao da Guiness), o que torna o colarinho permanente e bastante cremoso. Já que falamos em Guiness, numa comparação com a stout mais famosa do mundo, a Murphy’s parece mais doce, mais seca e muito mais leve (são só 4% de graduação alcoólica).
Uma propaganda da empresa brinca que a cerveja é escura como um capuccino forte. A comparação tem relação também com o aroma e o sabor marcados por café (devido ao malte tostado) e, levemente, por caramelo (há malte de chocolate na formulação). Se não há muita personalidade no conjunto, o que valoriza a Murphy’s Irish Stout é sua suavidade, tornando-a boa companheira para qualquer ocasião.
Está sendo trazida ao Brasil pela Femsa e pode ser encontrada entre R$ 9 e R$ 14 em supermercados (Pão de Açúcar) e empórios.
Teste de Qualidade: Murphy’s Irish Stout
- Produto: Stout
- Nacionalidade: Irlanda
- Graduação alcoólica: 4%
- Nota: 3,02/5
Leia também:
- Young’s Double Chocolate Stout, uma delícia (aqui)
- Murphy’s Irish Red, não é perfeita, mas é agradável (aqui)
Dezembro 12, 2010 5 Comments
Opinião: Young’s Double Chocolate Stout
Basta levar a taça ao nariz para sentir o forte e delicioso aroma de chocolate. Das cervejas que adicionam chocolate em sua fórmula, apenas a fracote Backer Brown (o patinho feio da cervejaria mineira) tinha freqüentado este espaço. Agora é a vez da bela Young’s Double Chocolate Stout, uma cerveja inglesa muito interessante e peculiar produzida pela Wells & Youngs, uma cervejaria fundada em 1831.
As stouts são cervejas de cor escura derivada do malte torrado, que naturalmente lhe confere sabor e aroma de café e chocolate. A mais famosa das stouts é a Guiness, mas a história aqui é um pouco mais adocicada, incluindo adição de malte de chocolate (um malte que foi torrado até adquirir uma cor de chocolate amargo) ou mesmo chocolate de verdade – como nesta Young’s Double Chocolate Stout.
O aroma é cativante. O café e o malte torrado se fazem presente, mas o grande destaque é o chocolate, que impressiona. O torrado do malte se destaca no sabor marcante, que deixa no final algo de café e chocolate amargo. São só 5,2% de graduação alcoólica (até baixo para um stout), mas fica a impressão de ser mais forte nos primeiros goles, embora amacie no final – balanceado e perfeito. Belíssimo exemplar do estilo. Para beber (a garrafa de 500 ml desce e você nem percebe) e viciar…
Teste de Qualidade: Young’s Double Chocolate Stout
- Produto: Stout
- Nacionalidade: Inglaterra
- Graduação alcoólica: 5,2%
- Nota: 4,43/5
Leia também:
- Backer Brown: jogaram Toddynho na sua cerveja (aqui)
Dezembro 7, 2010 7 Comments
Opinião do Consumidor: Verboden Vrucht
A cervejaria belga Hoegaarden não produz apenas a clássica e deliciosa cerveja que leva o nome da casa. Além da própria, nascida em 1966 (com a cervejaria defendendo que a receita original data de 1441), a Hoegaarden ainda fabrica a Grand Cru (1985), com 8,5% de teor alcoólico e sabor marcante; a Speciale (1995), quase uma versão de luxo da Hoegaarden tradicional; a Rosée (2007), com sabor de framboesa; e a Citron (2008), quase uma limonada com um tiquinho de álcool (só 3%).
Não presente no site oficial, mas também fabricada pela cervejaria surge a Verboden Vrucht, que em bom português significa Fruto Proibido. Não é a toa que no rótulo Adão e Eva (em imagem inspirada no quadro de Peter Paul Rubens) trocam a maçã por um copo de cerveja. A ilustração tornou esta cerveja de alta fermentação rara, já que um processo da American Bureau of Álcool, Tobacco and Firearms, nos Estados Unidos, acusou a cervejaria de pornografia, e proibiu a Verboden Vrucht em território norte-americano (veja o rótulo em alta aqui).
Uma pena, já que a Strong Ale pecadora da Hoegaarden é simplesmente uma delícia. Esqueça a delicadeza da versão tradicional (bastante refrescante, mas inocente perto da Verboden Vrucht). O álcool (8,5%) está presente e se destaca na composição, do aroma ao paladar. O primeiro é marcado por malte, algo entre caramelo e café, e também uvas passas e cravo. Já o paladar é intenso, reafirmando o que pode ser sentido no aroma – mas valorizando o adocicado, que se esconde atrás do álcool no aroma, mas surge para contrabalancear no paladar.
Fato interessante: ela fica bem mais gostosa conforme vai esquentando no copo. Seu sabor se torna mais presente (e mais adocicado e frutado, mas não enjoativo), mas não é recomendável abusar da quantidade (cuidado, cuidado com os 8,5%). Não é lá muito fácil de encontrar (principalmente pelas Américas), mas vale e muito a procura. Do mesmo estilo (e mais encontráveis) são a Chimay Azul e a poderosa Rochefort 8, duas cervejas que entram facilmente no território dos frutos proibidos. Todas pecadoras… e maravilhosas.
Teste de Qualidade Hoegaarden Verboden Vrucht
- Produto: Dark Strong Ale
- Nacionalidade: Bélgica
- Graduação alcoólica: 8,5%
- Nota: 4,41/5
Ps. Agradecimento a Marco Antonio Bart pelo presente raro
Leia também:
- Hoegaarden, uma cerveja leve e deliciosa (aqui)
Novembro 30, 2010 1 Comment
Opinião do Consumidor: 1906 Reserva Especial
As lagers (cervejas de baixa fermentação) datam do século 14 e exibem um leque de variações que podem alegrar muito fã do estilo. Entre as claras, por exemplo, temos a Pilsner, cuja pátria mãe é a República Tcheca (e o modelo a Pilsner Urquell) e a American Lager, uma cerveja leve e refrescante para ser bebida exageradamente gelada. Sim, é essa que você e 90% dos brasileiros consomem.
Outra variação é a Vienna Lager, um estilo surgido na Áustria na primeira metade do século 18, cujas características destacam a cor avermelhada e sabor e aroma levemente adocicados pelo malte torrado. É um tipo de cerveja que sumiu do mapa durante um tempo, mas que se viu renascida em nomes como as mexicanas Negra Modelo e Dos Equis Âmbar, e nesta espanhola 1906 Reserva Especial.
Fabricada pela Estrella Galícia, a 1906 Reserva Especial homenageia a data de fundação da cervejaria espanhola, mas nasceu apenas nas comemorações do centenário da fábrica, em 2006, presenciada inclusive pelo rei da Espanha, Juan Carlos. Fundada por José Maria Rivera Curral na cidade de La Coruña, a Estrella Galícia ainda continua na família sendo administrada pela quarta geração do patriarca.
De teor alcoólico elevado para padrões brasileiros (6,5%), a 1906 chega a causar estranhamento com o álcool se fazendo presente desde o primeiro momento. O aroma é forte e marcante remetendo a milho (presente na formulação) e ao malte tostado. O paladar começa adocicado e quase licoroso, mas se torna amargo progressivamente – carregando no álcool e no malte tostado.
A 1906 Reserva Especial não parece uma cerveja para ser apreciada a qualquer hora, mas sim para momentos especiais. A favor tem o preço (importada pelo Grupo Pão de Açúcar, pode ser encontrada por cerca de R$ 3 nos supermercados da rede). Contra, o fato de que existem cervejas muito melhores para momentos especiais. Ainda assim é um tipo de cerveja interessante para ser desbravado. Numa avaliação pessoal, a Negro Modelo sai ganhando.
Teste de Qualidade: 1906 Reserva Especial
- Produto: Vienna Lager
- Nacionalidade: Espanha
- Graduação alcoólica: 6,5%
- Nota: 2,29/5
Leia também:
- Europa 2010: 68 cervejas diferentes em 30 dias (aqui)
Novembro 18, 2010 2 Comments
Opinião do Consumidor: Murphy’s Irish Red
Tradicionalmente, a Red Ale é irlandesa. Lá ela é chamada também de Irish Red, e o que a diferencia das outras ales (as cervejas de alta fermentação) é sua cor avermelhada - devido ao malte tostado, que marca não só a cor como o aroma e também o paladar.
A cervejaria Murphy’s foi fundada em Cork, na República da Irlanda, em 1856, o que garante o slogan de mais de 150 anos de tradição cervejeira. Em 1983, a fábrica foi vendida para a Heineken International, passando desde então a produzir, além da Murphy’s Irish Red e da Stout, a Heineken para o mercado irlandês (dominado pela lager Harp).
O negócio também serviu para exportar a Murphy’s Irish Red, uma ótima representante do estilo, para o mundo (inclusive para o Brasil). O malte tostado (seu grande segredo) já é perceptível no aroma, agradável, que deixa escorrer um pouco de madeira e caramelo. O sabor segue o aroma, com o malte marcando o final com leve e interessante amargor, mas o aguado desequilibra um pouco o conjunto.
Mesmo assim, em território irlandês, para quem quiser fugir das stouts (cuja representante mais famosa é a Guiness, cerveja escura número 1 do Reino Unido) e das lagers (a Harp, cerveja número 1 da Irlanda, é leve e gostosa, mas bem parecida com as nossas), a Murphy’s Irish Red é uma excelente pedida. Não é perfeita, mas tem um conjunto bastante agradável.
Teste de Qualidade: Murphy’s Irish Red
- Produto: Red Ale
- Nacionalidade: Irlanda
- Graduação alcoólica: 5%
- Nota: 2,85/5
Leia também:
- Harp, uma lager irlandesa muito boa (aqui)
- Outras cervejas (aqui)
Novembro 15, 2010 2 Comments
Opinião do Consumidor: Doppelbock Bajuvator
Terceiro exemplar da cervejaria alemã Freiherrlich von Tucher’sche a freqüentar este espaço (as outras duas foram a Helles e a Dunkless), a versão Doppelbock Bajuvator é simplesmente a melhor da fábrica a baixar por estes lados. Feita somente no inverno, e com graduação alcoólica de 7,2%, a Doppelbock Bajuvator é repleta de particularidades e sensações que criam uma cerveja especialíssima – receita original da Bavária.
O aroma é bastante maltado, sugerindo também café e um pouquinho de chocolate, bastante mel e açúcar mascavo. O sabor, de inicio, é adocicado, mas logo o frutado marca presença sugerindo uvas passas e, novamente, café – e chocolate amargo – características provenientes do forte malte torrado (aqui em dosagem caprichada). O final é seco, com um tiquinho de amargor que se esvai rapidamente.
Apesar de parecer doce, a Doppelbock Bajuvator mantém um equilíbrio preciso entre amargor e adocicado que convida a próximas taças mantendo o bom nível da Dunkless da cervejaria (a Helles, clara, é bem fraquinha). Para este ano, a Tucher atualizou o look com uma braçadeira dourada no alto da garrafa (que lhe confere estilo) e uma garota ruiva segurando taças que parecem ser de chocolate gelado no rótulo, mas é cerveja mesmo. E boa.
Teste de Qualidade: Tucher Doppelbock Bajuvator
- Produto: Doppelbock
- Nacionalidade: Alemanha
- Graduação alcoólica: 7,2%
- Nota: 3,95/5
Leia também:
- Duas cervejas da Bavária, uma clara, outra escura (aqui)
Setembro 8, 2010 1 Comment
Opinião do Consumidor: Köstritzer
Na minha primeira viagem para a Europa, em 2008, a única cerveja alemã a freqüentar o top 10 (lotado de marcas belgas e algumas espanholas) foi esta belíssima Köstritzer, a cerveja escura mais famosa da Alemanha, fabricada pela cervejaria de mesmo nome desde 1593 (seguindo o acordo da Lei da Pureza Alemã de 1516).
Segundo consta, um dos mais famosos bebedores da Köstritzer foi Goethe, que se sustentou da famosa cerveja preta quando era incapaz de comer durante um período de sua doença. Essa foi para você, caro leitor, que sempre brinca que vai jantar pão liquido. Goethe jantou e almoçou Köstritzer durante um bom tempo.
A Köstritzer é moderadamente amarga e muito leve. Sua produção é baseada no estilo Pilsner, mas ela é bem mais saborosa culpa do malte especial que as nossas expoentes nacionais do estilo, tanto claras quanto escuras. Embora não tenha nada de adocicado, pode surpreender e conquistar os fãs da docinha Malzbier nacional.
Outro paralelo possível é com as Stouts (brinde ao malte torrado), porém a Köstritzer se destaca por ser mais leve e ter um aroma de café menos intenso que as possíveis rivais (Guiness inclusa). Carro chefe das schwazerbier (cervejas pretas), é uma cerveja deliciosa que pode salvar alguns almoços. Goethe que o diga.
Teste de Qualidade: Köstritzer
- Produto: Cerveja Pilsner
- Nacionalidade: Alemanha
- Graduação alcoólica: 4,8%
- Nota: 3,5/5
Leia também:
- Top Ten de Cervejas Européias - 2008 (aqui)
- Top 68 de Cervejas Européias - 2010 (aqui)
Agosto 19, 2010 3 Comments
Opinião do Consumidor: La Brunette
E não é que a cervejaria gaúcha Schmitt chegou ao empate técnico aqui em casa! Após sair perdendo por 2 a 0 (a Schmitt Ale e a Schmitt Sparkling foram tiros n’agua – leia sobre elas nos links no final do texto), e diminuir com a ótima Barley Wine, agora é a vez da boa Stout da cervejaria conquistar o paladar (e o olhar pelo rótulo bonito): La Brunette.
A Stout é originária da Irlanda (não à toa, a Stout mais famosa do mundo é a Guiness) e feita a partir de cevada torrada, que produz um malte especial escuro, que deixa um sabor amargo conferido pelo lúpulo associado ao adocicado do malte. As Stouts tradicionais eram carregadas de álcool (por volta de 7% a 8%), e a exemplar da Schmitt deixa a desejar nesse ponto ficando nos 4,5% tradicionais do mercado nacional.
Apesar do ponto a menos no quesito gradução alcoólica, a La Brunette merece uma conferida. É uma cerveja escura e cremosa com malte tostado bastante presente no paladar (e que lembra muito café) e, um pouco, no aroma (que também tem uma leve presença de chocolate, mas bem leve). O forte amargor pode incomodar os incautos, e atrapalhar uma segunda dose, mas vale arriscar o paladar. Perde em comparação com as gringas, mas faz bonito para uma nacional.
Teste de Qualidade: La Brunette
- Produto: Cerveja Stout Gaúcha
- Nacionalidade: Brasil
- Graduação alcoólica: 4,8%
- Nota: 2,2/5
Leia também:
- A dose tripla de malte da Schmitt Barley Wine (aqui)
- A Schmitt Ale se perde entre o azedo e o aguado (aqui)
- Sparkling Ale (sem bolhas) lembra demais a Schmitt Ale (aqui)
Agosto 15, 2010 1 Comment
Opinião do Consumidor: Baltijos Dark Red
A Lituânia é uma das três Repúblicas Bálticas (a saber, as outras duas são a Letônia e a Estônia) cuja história destaca invasões russas e prussianas, união com a Polônia, ocupação nazista, outra invasão russa após a segunda guerra mundial até se conseguir se firmar independente em 1990. Atualmente soma aproximadamente 4 milhões de habitantes e é desse país pouco conhecido pelos brasileiros que vem a Baltijos Dark Red, uma Dunkel avermelhada extremamente maltada e interessante.
A Baltijos é a mais antiga da família de cervejas Švyturys, uma cervejaria que abriu as portas em 1784 (a mais antiga da Lituânia) e que chega ao Brasil com site especial em português (veja aqui) e mais seis rótulos. O surgimento da cervejaria (número 1 de seu país) é bastante particular: um comerciante deixou de exportar cerveja alemã para a cidade e, na falta, os moradores decidiram fazer sua própria cerveja, nascendo assim a Švyturys em Klaipeda (na costa Lituana, Mar Báltico).
A Baltijos é uma boa pedida para quem gosta de cervejas adocicadas. O caramelo do malte se sobrepõe ao conjunto e se destaca, marcando não só o aroma, mas também o sabor, sem chegar a enjoar (na primeira garrafa). Há notas florais no paladar, mas o conjunto fica no meio do caminho entre uma Pale Ale (mais forte e encorpada) e uma Dunkel tradicional (mais leve e não tão adocicada). Interessante para variar o cardápio, mas não para ser consumida com regularidade.
Teste de Qualidade: Baltijos Dark Red
- Produto: Cerveja Munich Dunkel
- Nacionalidade: Lituânia
- Graduação alcoólica: 5,8%
- Nota: 2,5/5
Leia também:
- Tour Europa 2010: 68 cervejas em 30 dias (aqui)
- Schmitt Barley Wine, Tucher, Edelweiss e outras (aqui)
Julho 10, 2010 2 Comments
Opinião do Consumidor: Schmitt Barley Wine
Finalmente, uma das gaúchas me conquistou. Após mostrar má vontade com a Schmitt Ale e desaprovar a Schmitt Sparkling, eis que a versão Barley Wine da cervejaria artesanal de Porto Alegre conseguiu um pontinho a favor com meu paladar cervejeiro – e agora é esperar que a La Brunnete Stout empate a peleja e a Magnum vire o jogo.
O segredo da Barley Wine é a dose tripla de malte que deixa a cerveja encorpada e agressiva não só no sabor, mas também na graduação alcoólica: 8,5% (contra 4,5% das nossas tradicionais de boteco) mesma graduação da Duvel, cerveja belga que se chama Demônio e reina absoluta aqui em casa.
O aguado e o azedo característico das versões Ale e Sparkling também batem ponto aqui, porém, logo cedem lugar para o amargor que deixa clara a valorização do álcool no ótimo conjunto. Nota-se ainda um pouco de frutado e cítrico no paladar, que ficam em segundo plano. À frente, brilhando, vem o álcool e o malte.
A top das Schmitt é uma cerveja que pode ser guardada por bastante tempo (essa da foto poderia ser consumida até novembro de 2014), e pede-se para bebê-la como se fosse conhaque. Recomenda-se, inclusive, envelheça-la (as Barley Wine inglesas, por exemplo, podem ser consumidas em até 25 anos). Pode ser encontrada em lojas e revendedores entre R$ 6 e R$ 8 a garrafa de 355 ml.
Teste de Qualidade: Schmitt Barley Wine
- Produto: Cerveja Ale
- Nacionalidade: Brasil
- Graduação alcoólica: 8,5%
- Nota: 3,5/5
Leia também:
- A Schmitt Ale se perde entre o azedo e o aguado (aqui)
- Sparkling Ale (sem bolhas) lembra demais a Schmitt Ale (aqui)
Maio 13, 2010 1 Comment
Opinião do Consumidor: Tucher
Quando fiz minha listinha top ten de cervejas européias da viagem de 2008 (link no final do texto), e coloquei apenas uma cerveja alemã entre as dez escolhidas, um alemão chamado Wolfgang questionou nos comentários: “Sou alemão e fiquei um pouco assustado. Na Alemanha tem mais de 2500 fábricas de cerveja. Da próxima vez que você for a Europa, vá à Bavária e experimente as cervejas de lá (mais aqui)”. Não fui a Bavária, mas a Bavária veio até mim através da Tucher.
Fundada em 1672, a cervejaria Städtisches Weizenbrauhaus (Cervejaria de Trigo Municipal) foi a primeira a produzir cerveja de trigo em Nüremberg. Em 1806, o Reino da Bavária anexou o território de Nüremberg, e a cervejaria passou a se chamar Königliches Weizenbrauhaus (Cervejaria de Trigo Real). 50 anos depois, a família von Tucher comprou a cervejaria, mudando em definitivo seu nome, que passou a ser: Freiherrlich von Tucher’sche Brauerei (Cervejaria do Barão von Tucher).
Hoje em dia, a cervejaria do Barão von Tucher continua se dedicando as cervejas de trigo (que eles fazem desde o século 17) de baixa (Tucher Übersee Export e Tucher Bajuvator) e alta fermentação (Tucher Dunkles Hefe Weizen e Tucher Helles Hefe Weizen). Essas duas últimas podem ser encontradas com certa facilidade no Brasil (entre R$ 9 e R$ 14), mas não mantém o mesmo padrão. Enquanto a Helles (clara) é uma delicia, a Dunkles (escura) deixa bastante a desejar.
A Dunkles é uma cerveja de trigo da Bavária elaborada com malte de cevada pálido e tostado e malte de trigo. A Helles é feita com malte de cevada e malte de trigo. Ambas trazem o sabor característico de uma Weiss: notas de banana, cravo e na escura, um pouco de café e chocolate. Porém, a Dunkel é muito aguada, o que acaba prejudicando seu conjunto. Já a Helles é bastante saborosa, se destacando com uma das melhores cervejas de trigo que já provei. Pouco amargor, sabor delicioso e uma suavidade que não é característica principal das Weiss credenciam a Tucher Helles. Deixe a morena de lado e se concentre na loira.
Teste de Qualidade: Tucher
- Produto: Weiss
- Nacionalidade: Alemanha
- Graduação alcoólica: 5,3% (a Dunkles), 5,2% (a Helles)
- Nota: 3,8/5 para a Helles (clara)
- Nota: 1,2/5 para a Dunkles (escura)
Leia também:
- Top Ten de cervejas européias, tour 2008 (aqui)
Maio 10, 2010 3 Comments
Opinião do Consumidor: Edelweiss
Um dos carros chefes da cervejaria Hofbräu Kaltenhausen, a Edelweiss Weissbier é a cerveja de trigo número 1 da Áustria e a terceira (e melhor) cerveja austríaca a integrar este espaço (a saber, as outras são a densa double bock Eggenberg e a ótima scoth ale Mac Queens Nessie – links no final). A Hofbräu foi fundada em 1475 em Kaltenhausen, uma pequena vila perto de Salzburgo, e a Edelweiss Weissbier começou a ser fabricada em 1986.
Seu nome foi inspirado na flor Edelweiss, que cresce no alto dos Alpes, cuja coleta é proibida por lei. Assim, dizem os austríacos, ao invés de dar uma flor, você pode presentear sua amada com uma taça de Edelweiss (boa, vai). A cerveja é feita com água de um reservatório próprio nos Alpes, e, dizem, entre as especiarias que integram o rótulo está a tal flor proibida. O processo todo pode ser conferido no site oficial da cervejaria (aqui).
De cara, é uma das melhores cervejas de trigo que já experimentei. Não tirou a apaixonante Hoegaarden do topo da lista, mas está ali. A comparação não é à toa: a Edelweiss lembra muito as witbier belgas (que acrescentam especiarias na fórmula). O aroma doce característico de banana que marca uma boa Weiss está presente. O sabor é marcante, refrescante, uma delicia. Tem um pouco de banana, especiarias, malte de trigo. A long neck pode ser encontrada por ai em torno de R$ 8 enquanto a garrafa de 500 ml sai por R$ 13. Belo investimento.
Teste de Qualidade: Edelweiss Weissbier
- Produto: Weiss
- Nacionalidade: Austríaca
- Graduação alcoólica: 5,5%
- Nota: 3,9/5
Leia também:
- Eggenberg, “a cerveja mais forte do mundo” (aqui)
- Mac Queens Nessie, feita com malte de uísque escocês (aqui)
Maio 5, 2010 3 Comments
Opinião do Consumidor: Harp
Harp, a cerveja lager número 1 da Irlanda, começou a ser produzida em 1960, na cervejaria The Great Northern, fundada em 1896 em Dundalk, cidade que fica a duas horas de Belfast. A idéia da cervejaria era suprir a demanda de britânicos e irlandeses pela lager, que começava a ter uma grande procura no mercado. A aposta deu certo, e a Harp lidera o mercado irlandês tendo vivido sua melhor fase nos anos 80, quando ganhou cinco medalhas de ouro consecutivas no concurso Monde Selection Beer Tasting (1986, 1987, 1988, 1989 e 1990).
Em 2008, o consórcio português Diageo (que ainda mantém no mesmo catálogo a Guiness e a Kilkenny) decidiu fechar a cervejaria de Dundalk para reformas em um projeto com duração prevista de cinco anos. Assim, a fabricação da Harp saiu da Irlanda sendo dividida entre o Canadá e a Grã-Bretanha, o que deve ter alterado o sabor (a água canadense não deve ser igual à irlandesa), mas nada que atrapalhado a história de sucesso da cerveja na Irlanda (que com certeza deve consumir a Harp britânica, e não a canadense).
A primeira coisa a se perceber na Harp é a forte presença de malte, que predomina tanto no aroma quanto no sabor. O adocicado do lúpulo pode ser percebido no começo, mas o amargor – que está ali, mas não é forte – caracteriza o final, tornando o conjunto um tanto equilibrado e delicioso. A Harp se destaca como uma cerveja leve e bem gostosa, de graduação alcoólica moderada (5%) para ser bebida sem compromisso como uma lager comum do dia a dia. Ou seja: ela não vai mudar o seu paladar cervejeiro, mas também não vai ofendê-lo. Já é um mérito.
Teste de Qualidade: Harp
- Produto: Premium Lager
- Nacionalidade: Irlanda
- Graduação alcoólica: 5%
- Nota: 2,4/5
Abril 28, 2010 3 Comments





















