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Posts from — Março 2012

Três shows: Smiths, Echo e REM


The Smiths: The Complete Haçienda Films (1983)


Echo & The Bunnymen – Live Spain (1984)


R.E.M – Live Germany (1985)

Março 30, 2012   No Comments

Europa 2012: 5º rascunho de viagem

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Agora meu roteiro está praticamente fechado: ticket comprado para ver Stone Roses, em Barcelona, dia 09/06, um dos shows do Festival de Benicàssim que eu mais queria ver. Já não há espaço para muita coisa… então é o roteiro é 95% isso abaixo:

24/05 – Londres – Elvis Costello (Royal Albert Hall)
25/05 – Londres – I’ll Be Your Mirror
26/05 – Londres – I’ll Be Your Mirror
27/05 – Londres – I’ll Be Your Mirror
28/05 – Londres – Big Star
29/05 – Barcelona
30/05 – Barcelona – Primavera Sound
31/05 – Barcelona – Primavera Sound
01/06 – Barcelona – Primavera Sound
02/06 – Barcelona – Primavera Sound
03/06 – Barcelona – Primavera Sound
04/06 – Luxemburgo
05/06 – Luxemburgo
06/06 – Lou Reed, Luxemburgo
07/06 – Cork, Irlanda
08/06 – Tom Petty, Cork, Irlanda
09/06 – Stone Roses – Barcelona
10/06 – Trieste, Itália
11/06 – Bruce Springsteen, Trieste, Itália

Datas possíveis
22/05 – Brendan Benson, Scala, Londres
23/05 – Brendan Benson, Ruby Lounge, Manchester
29/05 – Soundgarden – Paris – Le Zenith
04/06 – Soundgarden e Afghan Whigs, Milão, Itália
10/06 – Black Sabbath – Download Festival – Reino UNido
10/06 – Optimus Primavera Sound, Barcelona

Março 30, 2012   No Comments

Uma manhã na cervejaria Wäls

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No começo de 2011, procurando novos rótulos de cerveja, me encontrei em um empório frente as garrafas estilosas (do modelo do vasilhame passando pelo rótulo até a rolha) de uma cervejaria mineira, a Wäls. Peguei dois de cada um dos três exemplares (Dubbel, Trippel e Quadruppel) que estavam à venda, já percebendo que os mineiros tinham certa queda pelo estilo belga de fazer cerveja.

Em casa, abri (sem querer) logo a mais forte do conjunto, a Quadruppel, e foi paixão ao primeiro gole. Escrevi sobre as três cervejas aqui, e comecei a comentar com os amigos sobre aquela que passou a ser a minha cerveja brasileira preferida, incentivando a descoberta. Em dezembro escrevi para o mestre cervejeiro da casa, o José Felipe, para tirar algumas dúvidas para uma matéria que saiu em janeiro na GQ Brasil (essa aqui).

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E no mesmo janeiro, aproveitando uma passagem rápida por Belo Horizonte, visitei à fábrica da cervejaria, que nasceu em 1999 e cresceu rapidamente em qualidade e personalidade, sendo hoje uma das principais cervejarias nacionais. Os irmãos Thiago e Felipe, e o pai Miguel, costumam abrir as portas da fábrica para o público no sábado, e recebem os visitantes com aquela atenção mineira que faz parecer que você os conhece há alguns bons anos.

Particularmente dei muita sorte: era o sábado em que eles iriam começar a brasagem da primeira leva da Wäls Petroleum (parceria da Wäls com a curitibana Dum), uma Russian Imperial Stout inédita no mercado nacional. Experimentei uma versão teste (que incluía chocolate Lindt na fórmula), deliciosa, e bati um papo com os irmãos, que falaram um pouco da cervejaria, da Petroleum e do sonho de fazer cerveja artesanal no Brasil.

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Experimentei também a X-Wäls, que surpreendeu (uma pilsen levíssima, mas bastante saborosa), e, ainda, uma versão teste da Wäls Quadruppel envelhecida em antigos barris de carvalho que, um dia, envelheceram uísque, e fiquei com a feliz impressão de que eles não descansam de pensar experimentos para novas cervejas, o que justifica a frase de José Felipe: “Eu não faço cerveja, eu faço arte”.

A fábrica, eles planejam, se transformará num ponto de encontro para amantes de cerveja, com restaurante, um pequeno museu e a cerveja da casa tirada direto da torneira. Deve demorar um pouco, o que não impede de visita-los. Abaixo, alguns vídeos do meu bate papo com os irmãos, que integrariam um videocast de cerveja que logo mais deve chegar aos compartilhadores de vídeos (já está gravado, mas a edição é complicada).

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O quarto vídeo foi feito pelo pessoal da Dum, que também estava na cervejaria (em janeiro) acompanhando a primeira brasagem da Petroleum, que foi lançada duas semanas atrás, e faturou uma medalha de ouro no South Beer Cup (saiba mais aqui). Queria mandar um abraço pro Alexandre (que fez as filmagens), agradecer a hospitalidade do seu Miguel, do José Felipe e do Thiago e pedir desculpas para a mãe deles por não poder ficar para o almoço (mais um pouco e eu perdia o voo). Quem sabe da próxima…

Com vocês, a Wäls

Ps. Há um Beer Tour, comandado pelo beer sommelier Rodrigo Lemos, que em um sábado passa em quatro ou cinco cervejarias artesanais na região de Belo Horizonte (Wäls inclusa). Infos aqui


“Eu não faço cerveja, eu faço arte”, José Felipe


José Felipe fala sobre a Wäls Petroleum


Thiago Carneiro conta um pouco da história da Wäls


Depoimento para o pessoal da Dum Cervejaria

Março 29, 2012   No Comments

Da Harboes Bryggeri, Bear Beer

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A Harboes Bryggeri é a maior cervejaria da Dinamarca. Fundada em 1883 em Skaelskor, uma cidadezinha de 7 mil habitantes na ilha da Zelândia (cerca de uma hora e meia de Copenhague), a Harboes tem uma carta de cervejas diversificada, sendo que a maioria delas circula apenas na Dinamarca, e alguns rótulos são feitos exclusivamente para a Escandinávia (onde as Bear Beer deste post se chamam Bjørne Bryg e não ultrapassam 3,5% de graduação alcoólica). Para exportação (incluindo o Brasil) apenas as trava-língua Bear Beer.

A versão popular da casa é a Bear Beer Premium Lager, 5% de graduação alcoólica e quase nenhuma diferença das (nossas) cervejas premium tradicionais. O aroma é bastante maltado, com o lúpulo floral marcado presença com delicadeza. No paladar, como manda o estilo, a regra se inverte: o lúpulo traz o amargor suave para frente do conjunto enquanto o malte tenta dar um pouquinho de sabor em uma cerveja cuja função primordial é refrescar (como as nossas). Se você estiver na Dinamarca, procura outras.

A Strong Lager da Harboes Bryggeri é uma versão um pouquinho mais densa da Premium Lager (e muito mais leve que a porrada Extra Strong). No aroma tudo praticamente se repete: bastante malte e lúpulo delicado. A diferença é a presença do álcool, ainda comportado (principalmente em comparação com a próxima), mas presente. O paladar é um pouco mais amargo, remetendo levemente a nozes e malte, que dominam o final (nada amargo). Das três cervejas da casa, a mais equilibrada (ainda que nada sensacional).

Já a Bear Beer Extra Strong é uma patada de urso. Sério. São 12% de álcool que se apresentam ao freguês já no aroma, que ainda deixa passar notas de malte, de milho e… conhaque. No paladar, o álcool bate no céu da boca e fica. E não espere mais nada. Ok, ela ainda é levemente adocicada, muito embora você vá esquecer isso (e do mundo) no segundo gole. Os 12% de álcool são alcançados através da fermentação, e isso fica evidente no conjunto, que chega a enjoar. Para beber e cair (ou se esquentar do frio se você estiver no inverno europeu). E só.

As Bear Beer estão chegando ao Brasil entre R$ 7 e R$ 9,50, mas já tem gente que encontrou em boteco por R$ 6 (e vale, principalmente a patada de urso, se a ideia é se embebedar sem prestar atenção ao sabor). Acima disso parece exagerado para uma cerveja que não traz tantas qualidades nem diferenças de exemplares nacionais próximos. Se o seu negócio é ficar bêbado, duas Bear Beer Extra Strong podem fazer uma noite. Se o seu negócio é boa cerveja, vale dar uma conferida no Top 1000 deste blog (aqui). Tem coisa muito boa ali.

Bear Beer Premium Lager
– Produto: Premium Lager
– Nacionalidade: Dinamarca
– Graduação alcoólica: 5%
– Nota: 2/5

Bear Beer Strong Lager
– Produto: Strong Lager
– Nacionalidade: Dinamarca
– Graduação alcoólica: 7,7%
– Nota: 2,1/5

Bear Beer Extra Strong
– Produto: Strong Lager
– Nacionalidade: Dinamarca
– Graduação alcoólica: 12%
– Nota: 1,9/5

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Leia também
– Top 1000 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)
– Leia sobre outras cervejas (aqui)

Março 26, 2012   No Comments

Graveola ao vivo em São Paulo

Em janeiro fui a Belo Horizonte conferir o show de lançamento do novo álbum do Graveola, “Eu Preciso de um Liquidificador”, no pomposo (e grande) Palácio das Artes. O público lotou o maior teatro da cidade (o mesmo em que Chico Buarque lançou seu último CD) e deu um show particular numa bela apresentação que marcava o lançamento do clipe de “Farewell Love Song” e a gravação do primeiro DVD ao vivo da banda.

Fiquei felizmente impressionado tanto com a receptividade do público, que cantou, sambou e pulou em canções como “Insensatez: a Mulher Que se Fez”, do primeiro álbum, “Graveola e o Lixo Polifonico”, tanto quanto recebeu bem as boas faixas de “Eu Preciso de Um Liquificador”, um dos grandes nacionais álbuns de 2011 (a deliciosa “Desdenha” rolou por vários dias aqui em casa).

A ideia era ter escrito um textão para o site na volta da viagem, mas o tempo atropelou o desejo, e cá está a banda se apresentando nesta terça-feira, no Sesc Vila Mariana, em São Paulo, um bom motivo para sair de casa e encontrar uma grande banda ao vivo. Os dois discos (mais a coletânea bootleg “Um e Meio”) estão liberados para download no site oficial dos mineiros. Baixe, ouça e tente ir ao show. Vale a pena.

http://graveola.tumblr.com/

Ps. O grupo volta a se apresentar em São Paulo no dia 12 de abril, às 21h, no Teatro do Sesc Ipiringa.

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Março 25, 2012   No Comments

Europa 2012: 4º rascunho de viagem

Mais um ticket comprado: Big Star’s Plays Legendary “Sister Lovers” album. Ok, não tem Alex Chilton (o vi com o Big Star em 2008 aqui), mas terá Mitch Easter, Jody Stephens, Chris Stamey, Ken Stringfellow e participações especiais de Mike Mills (R.E.M.), Alexis Taylor (Hot Chip), Jon Auer (The Posies), Brendan Benson (The Raconteurs), Norman Blake (Teenage Fanclub), John Bramwell (I Am Kloot), Ira Kaplan (Yo La Tengo), Sondre Lerche e Sharon Van Etten. Dia 28/05 no Barbican (que já era um lugar que eu queria conhecer).

Então a viagem está quase fechada. Quase. Só bato o martelo quando começar a comprar os trechos internos e reservar os hotéis, o que quer dizer que alguma coisa pode mudar ainda. Por exemplo: o trecho de Porto, no final da viagem (com show do Suede Optimus Primavera Sound do domingo), pode não rolar. As passagens estão caras, principalmente para sair de Porto na segunda e chegar em tempo de ver Bruce Springsteen na Itália, na segunda-feira. Estou pensando seriamente em ter um fim de semana italiano para descansar…

24/05 – Londres – Elvis Costello (Royal Albert Hall)
25/05 – Londres – I’ll Be Your Mirror
26/05 – Londres – I’ll Be Your Mirror
27/05 – Londres – I’ll Be Your Mirror
28/05 – Londres – Big Star
29/05 – Barcelona
30/05 – Barcelona – Primavera Sound
31/05 – Barcelona – Primavera Sound
01/06 – Barcelona – Primavera Sound
02/06 – Barcelona – Primavera Sound
03/06 – Barcelona – Primavera Sound
04/06 – Luxemburgo
05/06 – Luxemburgo
06/06 – Lou Reed, Luxemburgo
07/06 – Cork, Irlanda
08/06 – Tom Petty, Cork, Irlanda
09/06 – Porto – Optimus Primavera Sound ?
10/06 – Porto – Optimus Primavera Sound ?
11/06 – Bruce Springsteen, Trieste, Itália

Datas possíveis
22/05 – Brendan Benson, Scala, Londres
23/05 – Brendan Benson, Ruby Lounge, Manchester
29/05 – Soundgarden – Paris – Le Zenith
04/06 – Soundgarden e Afghan Whigs, Milão, Itália
10/06 – Black Sabbath – Download Festival – Reino UNido

Março 24, 2012   No Comments

Duas inglesas: Spitfire e Bishops Finger

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Inaugurada na cidade de Kent, no sudoeste da Inglaterra (a cerca de uma hora de Londres), em 1698, a Shepherd Neame é a mais antiga cervejaria inglesa tendo transformado a bitter ale (um ale amarga, lupulada – para padrões ingleses) através das décadas em paixão nacional perfeitamente reconhecível ao primeiro gole. Hoje em dia, a Shepherd Neame produz cerca de oito rótulos e possui mais de 360 pubs no Reino Unido (em Kent, Londres e Essex) tendo conseguido atravessar fronteiras e conquistar até os suecos.

Dois rótulos da Shepherd Neame se destacam: o primeiro é o Dedo do Bispo (Bishops Finger), que começou a ser produzido em 1958, quando o conselho de administração da Inglaterra liberou os cervejeiros para testar novos rótulos (o pós-guerra provocou um racionamento do malte – entre dezenas de outras coisas, e a ordem do governo era clara: “Quantidade, não qualidade). O cervejeiro da casa apostou nos lúpulos da cidade (hoje famosos), na água tirada de um poço artesiano há 200 metros do chão e em uma receita simples, que virou lenda.

Para ter uma ideia de como a produção da Bishops Finger é levada a sério, o conselho da Shepherd Neame decretou que a cerveja, produzida apenas às sextas-feiras, precisa semanalmente passar pelo crivo de um dos conselheiros. O resultado é uma english pale ale caprichada, com o aroma lupulado, que ainda traz notas de madeira, malte e frutas. O paladar crava o que o aroma sugere, mas com muita leveza, deixando um rastro de ameixa e uva passa num final que é surpreendentemente balanceado entre o amargo e o adocicado.

Já a Spitfire Premium Kentish Ale nasceu em 1990 – e logo se tornou o carro chefe da cervejaria – como uma homenagem à cidade de Kent, onde a Luftwaffe (Força Aérea Alemã) e a Royal Air Force (Força Aérea Britânica) lutaram durante a Segunda Guerra Mundial. Spitfire era o nome do caça britânico mais usado na época, e seu símbolo (uma bola vermelha dentro de uma bola azul – veja na foto) estampa a tampa da cerveja. E, claro, Kent também é famosa por seus lúpulos, sendo que três deles são usados na composição da Spitfire Premium Kentish Ale.

Ela já mostra sua personalidade através do aroma delicioso, um q de amadeirado com muito lúpulo floral e malte de caramelo que flutua no ar assim que o líquido é colocado no copo. No paladar, todas as características de uma autêntica bitter ale inglesa surgem: o amargor pronunciado devido aos três tipos de lúpulo gruda no céu da boca arrastando um bocadinho de caramelo e melaço do malte, o que torna o conjunto bem interessante e deixa uma sensação agradável no final, levemente amargado. Ótima cerveja.

Fiquei bem curioso pelos outros rótulos da Shepherd Neam (principalmente pela Original Porter e pela Goldings Summer Hop Ale, que creio deva lembrar bastante a Bodebrown Hop Weiss, ótimo exemplar de Curitiba). Tanto a Spitfire Premium Kentish Ale quanto a Bishops Finger podem ser encontradas com facilidade no Brasil. Ou nos supermercados da rede Pão de Açucar, ou em empórios especializados com o preço variando entre R$ 14 e R$ 19 (a garrafa bonitinha de 500 ml).

Bishops Finger
– Produto: English Pale Ale
– Nacionalidade: Inglaterra
– Graduação alcoólica: 5,4%
– Nota: 3,24/5

Spitfire Premium Kentish Ale
– Produto: Standart Bitter Ale
– Nacionalidade: Inglaterra
– Graduação alcoólica: 4,5%
– Nota: 3,31/5

Leia também
– Top 500 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)

Março 23, 2012   No Comments

Martin Scorsese, eu e a morte

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Foto: Marcos Pacheco

Comecei nesta semana a ler o quarto livro do ano, o que por si só já é um recorde de muitos anos. Ok, estou roubando um bocadinho na conta. Terminei o obrigatório “O Resto é Ruído”, do Alex Ross, em janeiro, mas comecei a ler mesmo em setembro ou outubro, quando voltei a pegar metrô e trem para o trabalho, o que trouxe a leitura de volta ao meu cotidiano (faço parte do grupo de pessoas que não pode ler em ônibus nem carro – enjoo na certa).

O segundo livro foi “A Visita Cruel do Tempo”, romance magnifico de Jennifer Egan. Agradeço imensamente à Ana Carolina, da Intrinseca, por ter me enviado o livro. O Gabriel já tinha recebido um para resenhar para o site (aqui), mas a Ana mandou assim mesmo um para mim. Nas entrelinhas, um “você precisa ler isso”. Obrigado, Ana. Egan me pegou de jeito. No meio da correria não calculei todo o impacto do livro sobre mim, mas foi forte, beeeem forte.

Sobre o terceiro, “Sexo na Lua”, de Ben Mezrich (o mesmo autor de “Bilionários por Acaso”, que originou o filme “A Rede Social”), falo um pouquinho mais em resenha (curta, mas direta) para uma revista (quando sair aviso aqui). E, então, comecei o meu quarto livro de 2012, “Conversas com Scorsese”, do crítico e documentarista Richard Schinkel, edição da Cosac Naify que segue o modelo do ótimo “Conversas com Woody Allen”, de Eric Lax.

Assim como Lax, Schinkel conheceu seu “objeto de estudo” no começo dos anos 70. Eric Lax conheceu Woody em 1971 (e as entrevistas começaram em 1973) enquanto Richard Schinkel convidou um amigo para uma projeção em casa de “Jejum do Amor” (1940), de Howard Hawks (“Uma das melhores de todas as comédias românticas”, grifa o crítico), e esse amigo trouxe Marty. A amizade seguiu, mas as entrevistas do livro começaram a ser feitas apenas em 2004.

“Acredito, de fato, que a coisa mais importante que descobri sobre Marty foi o poder que o passado exerce em seu trabalho”, conta Schinkel no prefácio. “Estou falando, por exemplo, da forma como a violência se apresenta em seus filmes. Ela aparece tão de repente. Raramente existe uma preparação para ela. Ele quer que fiquemos tão chocados – e tão atentos – como ele foi um dia (em Little Italy). É a assinatura gravada de sua sensibilidade”, analisa.

Estou apenas no começo do livro (página 60 de quase 500), mas me impressionou como o medo era um integrante vivo da rotina de Scorsese quando criança, uma criança asmática, o caçula de uma família numerosa que vivia em um apartamento de dois cômodos e meio numa rua do bairro italiano (e mafioso) de Nova York – e que conseguia um pouco de paz apenas dentro de um cinema e da igreja (ele foi coroinha e cogitou ser padre).

Impressionado com a quantidade de vezes que Marty usa a palavra “medo” (ou equivalentes) em 30 páginas (as que tratam de sua infância em Little Italy), comecei a rememorar minha própria infância, olhar para trás para identificar algum sentimento, algo que tenha ficado para trás (análises, ahh, a idade – risos). Não é questão de comparar, apenas uma curiosidade sobre si mesmo, mas óbvio que a minha infância foi bem mais calma que a do cineasta.

Ainda assim me lembrei de algo que tomou boa parte dos meus primeiros anos – não sei ao certo de quando a quando, mas me parece algo entre os quatro até os seis (talvez mais tarde, não sei). Mas durante meses (ou anos) eu deitava na cama e me via… morto. Ok, não me via, mas via o caixão, e sabia que eu estava lá. E sabia que era um eu velhinho, ou seja, não era uma preocupação de “posso dormir e não acordar”, mas sim uma preocupação… futura.

A vida era leve nessa época (pais exigentes e carinhosos, futebol com a molecada na rua, não tenho lá tantas memórias até a primeira série, aos 6 anos, quando a vida realmente “começa”), e não sei de onde esse sonho surgiu, e porque me acompanhou tanto tempo, mas um dia do nada ele foi embora (provavelmente trocado pela paixão pelo futebol, ou por uma das meninas da sala de primeiro ano, ou, claro, por uma das professoras de catecismo – tão óbvio). Dos sonhos estranhos…

Voltando a Scorsese (e 2012), já estou fazendo um planejamento mental de filmes para ver nos próximos dias. Amo o tristíssimo e dolorido “A Época da Inocência” (1993), embora não o veja desde os anos 90. Marty fala muito de “Os Infiltrados” (2006) no começo do livro, e deu vontade de revê-lo, assim como alguns do começo da sua carreira que nunca vi – “Quem Bate à Minha Porta?” (1968), “Caminhos Perigosos” (1973) e “Alice Não Mora Mais Aqui” (1974).

Outro que até tenho na estante e nunca assisti é “O Rei da Comédia” (1983), mas quero mesmo rever “Gangues de Nova York” (2002 – na época gostei tanto que escrevi isso aqui). Revi “Goodfellas” mês passado, e “A Cor do Dinheiro” (1986), “Taxi Driver” (1976) e “Cassino” (1995) estão fresquinhos na memória (revi os três em 2011). Já “A Última Tentação de Cristo” (1988) me venceu duas ou três vezes…

A leitura está rendendo como há tempos não rendia. Mas ainda tenho os dois Jonathan Safran Foer na fila (e a Nicole Krauss também), comprei a coleção “O Tempo e o Vento”, do Érico Verissimo, para reler (um dos meus livros preferidos desde sempre) e ainda tenho “Escuta Só”, do Alex Ross e muitos outros me olhando na estante (Shakespeare e Oscar Wilde pedem atenção e ainda tem os quatro volumes do… Marcel Proust). Devagar e sempre.

Leia também:
– Leia o 1º capítulo de “A Visita Cruel do Tempo”, de Jennifer Egan (aqui)
– “O minimalismo e o rock and roll”, trecho de “O Resto é Ruído” (aqui)
– De Luis Buñuel para Erasmo Carlos (aqui)
– De volta ao mundo de Rob Fleming (aqui)
– Os filmes prediletos de Woody Allen: 15 americanos, 12 europeus (aqui)
– Woody Allen de 0 a 10, por Marcelo Costa (aqui)
– “Quem precisa pensar sobre tamanhas bobagens”, Woody Allen (aqui)

Março 20, 2012   No Comments

Europa 2012: 3º rascunho de viagem

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A confirmação do Suede no Optimus Primavera Sound, perna portuguesa do festival espanhol, deu um nó no meu roteiro pessoal. Ainda estou cogitando ir, mas daria um trabalho danado, e os preços de voos estão meio salgados. A rigor as coisas são simples: acordo no sábado em Cork, na Irlanda, e tenho que estar em Trieste na segunda.

O Renato, um dos parceiros da viagem, já carimbou seu passaporte para o Download Festival, e eu queria evitar ir para o Reino Unido duas vezes. Tudo indefinido neste trecho, mas bateu uma ideia agora de escolher algum destino interessante e barato saindo de Cork, e que não de muito trabalho chegar em Trieste. Suede? Será?

Pode ser Gênova, pode ser Innsbruck, pode ser Veneza e pode ser… Liverpool. Uma hora de voo de Cork para Liverpool, e segunda algum voo para Trieste… dúvidas…

24/05 – Londres – Elvis Costello (Royal Albert Hall)
25/05 – Londres – I’ll Be Your Mirror
26/05 – Londres – I’ll Be Your Mirror
27/05 – Londres – I’ll Be Your Mirror
28/05 –
29/05 –
30/05 – Barcelona – Primavera Sound
31/05 – Barcelona – Primavera Sound
01/06 – Barcelona – Primavera Sound
02/06 – Barcelona – Primavera Sound
03/06 – Barcelona – Primavera Sound
04/06 –
05/06 – Luxemburgo
06/06 – Lou Reed, Luxemburgo
07/06 – Cork, Irlanda
08/06 – Tom Petty, Cork, Irlanda
09/06 – Porto – Optimus Primavera Sound ?
10/06 – Porto – Optimus Primavera Sound ?
11/06 – Bruce Springsteen, Trieste, Itália

Datas possíveis
22/05 – Brendan Benson, Scala, Londres
23/05 – Brendan Benson, Ruby Lounge, Manchester
28/05 – Big Star Plays Third – Londres
28/05 – Bruce Springsteen – Pinkpop – Holanda
28/05 – Soundgarden – Rockhal – Holanda
28/05 – Metallica Plays Black Album – Bélgica
29/05 – Soundgarden – Paris – Le Zenith
04/06 – Soundgarden e Afghan Whigs, Milão, Itália
10/06 – Black Sabbath – Download Festival – Reino UNido

Março 16, 2012   No Comments

Opinião do Consumidor: Eggenberg

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Localizado às margens do rio Alm, em Vorchdorf, no estado de Salzburg, região dos Alpes austríacos, o Castelo Eggenberg (fundado no século X) é a casa da cervejaria de mesmo nome desde o século XIV. De lá pra cá, sete gerações da família Stöhr vem fabricando algumas das melhores cervejas austríacas, entre elas o “coice de bode” Urbock 23º, a Mac Queens Nessie (com malte de uísque escocês) e os dois interessantes rótulos que integram este post: a Hopfenkönig e a histórica Samichlaus.

A levíssima Eggenberg Hopfenkönig (que, traduzindo, significa “Rei do Lúpulo” – e não qualquer lúpulo, mas um dos mais famosos, o de Saaz, de origem tcheca) pode enganar quem esperava encontrar uma cerveja altamente amarga: o frescor do aroma impressiona tendendo levemente ao frutado / maltado, mas o paladar surge bem balanceado entre amargor e dulçor, definindo-se pelo primeiro apenas no final, que fica marcado na garganta. A sensação final é de um amargor não pronunciado, mas presente, que surpreende em uma bela cerveja.

Já a particularíssima Samichlaus, a cerveja lager mais forte do mundo com 14% de graduação alcoólica (para comparar, as cervejas de balcão no Brasil tem entre 4,5% e 5%) começou a ser fabricada na Suíça pela cervejaria Hürlimann, que passou o rótulo para a Eggenberg em 2000. Primeiro fato que chama a atenção: a Samichlaus é fabricada apenas uma vez por ano, no dia 06 de dezembro, dia de São Nicolaus (Santa Claus ou… Papai Noel). Ela ainda é envelhecida por 10 meses antes do engarrafamento, o que a torna quase licorosa.

O aroma é bastante complexo com notas de malte tostado, madeira, mel, uvas, avelã, nozes e, claro, álcool, duelando pelo olfato. Já o paladar é extremamente maltado, com início extremamente caramelado e um final seco que deixa um rastro de álcool do céu da boca até a garganta. Este álcool desaparece alguns segundos depois, e um inesperado – e sensacional – dulçor de melado (com toques de avelã e nozes) marca presença. O álcool permanece imperceptível no conjunto de uma cerveja rara, indicada para momentos especiais.

Outra característica interessante da Samichlaus: ela não possui prazo de validade, pois continua maturando na garrafa – seu aroma torna-se mais complexo com o passar do tempo. As quatro Eggenbergs (leia sobre as outras duas – Urbock 23º e Mac Queens Nessie – nos links abaixo) são encontradas com facilidade em bons empórios com o preço da garrafa de 330 ml indo de R$ 9 (Hopfenkönig) até R$ 23 (Samichlaus) – a Urbock está na faixa de R$ 18 e a Nessie por volta de R$ 15 – e valem muito o investimento.

Eggenberg Hopfenkönig
– Produto: Pilsen
– Nacionalidade: Austriaca
– Graduação alcoólica: 5,1%
– Nota: 3/5

Samichlaus
– Produto: Strong Lager
– Nacionalidade: Austriaca
– Graduação alcoólica: 14%
– Nota: 4,05/5

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Leia também:
– Urbock 23%: Medalha de prata em 2008 do Word Beer Cup (aqui)
– Mac Queens Nessie, uma cerveja com malte escocês (aqui)

Março 15, 2012   No Comments