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Posts from — junho 2011

Opinião do Consumidor: Bock Damm

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A cervejaria catalã DAMM é uma das três maiores fabricantes de cerveja espanholas (as outras duas, a saber, são a Heineken e a San Miguel/Mahou) e desde 1876 distribui para os botecos espanhóis nomes como a famosa Estrella Damm (naquela época, Estrella de Ouro), a Xibeca, a poderosa Voll-Damm Doble Malta e esta boa Bock Damm, cujo rótulo atual homenageia o rótulo de sua primeira versão – datada de 1888.

Apesar do nome, a Bock Damm está muito mais para uma Dunkel de Munique (seu sobrenome, inclusive) do que para uma Bock tradicional. A diferença começa pela cor negra (contra o avermelhado da bock). No aroma, presença suave de malte tostado, café e caramelo, que se replicam no paladar, que começa amargo no primeiro toque na língua (café é a primeira lembrança) até tornar-se adocicado e finalizar levemente amargo.

Bem gostosa e leve, a Bock Damm não prima pela complexidade, mas se porta muito bem no copo. É o tipo de cerveja que, caso fosse brasileira, teria um bom mercado a se explorar. Porém, sendo espanhola e chegando ao Brasil entre R$ 8 e R$ 12 a garrafinha (bonita) de 250 ml fica difícil. Mesmo assim, apesar da falta de personalidade, eis uma boa pedida para se procurar em terras catalãs.

Teste de Qualidade: Bock Damm
– Produto: Dunkel Munick
– Nacionalidade: Espanha
– Graduação alcoólica: 5,4%
– Nota: 2,98/5

Veja também:
– Top 100 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)
– Top 10 Cervejas Européias, Viagem 2008, por Marcelo Costa (aqui)
– Voll-Damm, Reina Sofia e Thyssen-Bornemisza em Madri (aqui)

junho 28, 2011   No Comments

Três Filmes: Hiroshima, Nova York, Los Angeles

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“Hiroshima, Meu Amor”, Alain Resnais (1959)
O diretor francês Alain Resnais já tinha mais de 20 documentários no currículo quando foi escalado para fazer um curta sobre a bomba atômica. O holocausto já havia sido tema de um curta seu (“Nouit et Brouillard”, de 1955), e Resnais não queria repetir a temática. Auxiliado pela escritora Marguerite Duras, que assinou o roteiro, Resnais decidiu filmar seu primeiro longa-metragem, uma obra prima estilística que se tornou o precursor da Nouvelle Vague, foi indicado ao Oscar na categoria Roteiro e saiu com o prêmio da crítica em Cannes. Tendo uma Hiroshima devastada como pano de fundo (14 anos depois da bomba atômica), Resnais conta a saga de um casal que acabou de se conhecer, se apaixonou, e tem que se separar. Ela (a estreante no cinema Emmanuelle Riva) é uma atriz francesa. Ele (Eiji Okada) é um arquiteto japonês. O romance é impossível (ambos são casados e ela precisa voltar para Paris), e o amor… esquecível. Será? Resnais debate tempo, memória e esquecimento de forma absolutamente esplendorosa auxiliado pela fotografia sublime de Sacha Vierny. “Reparou como notamos as coisas que desejamos notar?”, diz um personagem em certo momento da trama. Pense nisso.

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“Um Dia de Cão”, Sidney Lumet (1975)
Na época, começo dos anos 70, Al Pacino estava em alta após atuações consagradoras que lhe renderam indicações ao Oscar – “O Poderoso Chefão: I e II” (1972 e 1974) e “Serpico” (1974) – e poucos atores no mundo colocariam a carreira a prova vivendo um personagem gay em uma grande produção, mas não estamos falando de um ator qualquer. Al Pacino deu alma à Sonny, um homem que entra com dois amigos em um banco no Brooklyn, Nova York, para fazer um assalto motivado pelo desejo de arranjar grana para que o namorado fizesse uma operação de mudança de sexo e passa as próximas 12 horas negociando com a polícia uma maneira de deixar o banco sem matar nenhum dos oito reféns que estão com ele. “Dog Day Afternoon” é um drama policial que em vários momentos resvala na comédia (impossível descrever algumas cenas desconcertantes e sensacionais do filme) e deu a Al Pacino sua quarta indicação ao Oscar seguida (entre as seis indicações que o filme arrebatou, tendo levado apenas Melhor Roteiro num ano que “Um Estranho no Ninho”, com Jack Nicholson, ganhou quase tudo na premiação). Ainda assim, absolutamente clássico.

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“13º Andar”, Josef Rusnak (1999)
Dois meses após o primeiro “Matrix” estrear ganhando milhões de dólares chegava aos cinemas outro interessante filme de ficção cientifica que jogava poeira no ventilador da realidade. Josef Rusnak não teve a mesma sorte nas bilheterias que os irmãos Wachowski, mas merecia. Inspirado no livro “Simulacron-3” (1964), de Daniel F. Galouye, e na segunda parte do filme televisivo “Welt am Draht” (1973), de Rainer Fassbinder, “The Thirteenth Floor” é focado em Douglas Hall (Craig Bierko), um jovem talento de informática que trabalha com Hannon Fuller (Armin Mueller-Stahl) em um projeto que recria realidades simuladas. O ponto de partida é simples: uma cidade é recriada em um computador (no caso, a Los Angeles de 1937 – a história se passa em 1990) nos mínimos detalhes. As pessoas da realidade simulada são abastecidas com informações e sentimentos e, como num jogo, Hannon e Douglas transportam-se para a realidade virtual interagindo (até sexualmente) com os personagens como se tudo fosse real. A grande questão: será que tudo é realidade simulada? Não? Quem garante? Um belo filme para ver e pensar.

junho 26, 2011   No Comments

Cinco fotos: Nova York

Clique na imagem se quiser vê-la maior

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The empty bank

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Solomon

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Os carros

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The yellow bank

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Noite

Veja mais imagens de cidades no link “cinco fotos” (aqui)

junho 21, 2011   No Comments

Três filmes: Maridos, Esposas e Marijuana

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“Maridos e Esposas”, Woody Allen (1992)
“’Maridos e Esposas’ foi um filme que eu queria que fosse feio. Não queria que nada combinasse, ou fosse refinado, ou bem montado. Queria um filme desagradável de assistir”, diz o cineasta em um dos trechos de “Conversas com Woody Allen”, livro essencial de Eric Lax. Porém, ao mesmo tempo em que diz isso, Woody inclui “Maridos e Esposas” em um Top 5 pessoal (ao lado de “A Rosa Púrpura do Cairo”, “Match Point”, “Tiros na Broadway” e “Zelig”) demonstrando seu apreço pela obra e renegando “Annie Hall” e “Manhattan” (que marcaram sua persona para 90% do público – algo que ele parece odiar). Em uma coisa ele está certo: “Maridos e Esposas” é desagradável. A câmera em constante movimento tentando flagrar conversas que se sobrepõe incomoda e atrapalha a leitura de um filme em que a forma está à frente do conteúdo (assim como seu filme imediatamente anterior, o bonito e vazio “Neblina e Sombras”). Um bom exercício para a paciência e também um filme excelente para quem acredita que uma das funções do cinema é provocar o espectador.

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“Uma Aventura em Martinica”, Howard Wawks (1944)
Em 1944, o terceiro casamento de Humphrey Bogart não ia lá bem das pernas e bastou encontrar a jovem Lauren Bacall (25 anos mais nova) no set de “Uma Aventura em Martinica” para que uma nova paixão florescesse. Bogart e Bacall casaram-se em 1945 e tiveram um casamento feliz, e “Uma Aventura em Martinica” tem seu lugar na história muito mais pelo encontro dos dois do que pelas qualidades do filme, que reuniu um timaço nos créditos (Hemingway, autor do livro “To Have and Have Not”, base para o roteiro assinado por Jules Furthman e William Faulkner, mais Wawks e Bogart), mas não conseguiu deixar de ser um “Casablanca 2”. O Rick de “Casablanca” aqui se chama Harry. Ele não tem um bar, mas um barco, no entanto mora em um hotel e passa quase todo o tempo no bar comandando a ação que, por fim, concentra-se em ajudar um casal francês a escapar da perseguição nazista. Bacall se mostrou um furacão em cena, ganhou mais espaço na trama e atropelou Dolores Moran, que deveria ser a Ingrid Bergman da vez, mas teve seu papel reduzido. Para assistir e comparar.

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“Quebrando o Tabu“, de Fernando Grostein Andrade (2011)
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é o personagem ancora de “Quebrando o Tabu“, documentário em que Fernando Grostein Andrade (irmão de Luciano Huck) lança luz sobre a política de combate às drogas no Brasil através de exemplos ao redor do mundo. Ok, Fernando Henrique Cardoso poderia ter lutado para mudar a legislação quando era presidente? Podia, mas não o fez. Ele mesmo assume a culpa em uma das cenas do documentário, que peca pelo tratamento publicitário de imagem, som e roteiro (trilhas descoladas e pretensas frases de efeito que funcionam com margarina ou carro, mas não com cinema) assim como avança demais em vários pontos da discussão sem conseguir amarrar tudo no final, mas ainda assim é um grande passo para se discutir o tema espinhoso da descriminalização das drogas. Legalização, no mundo imperfeito que vivemos, talvez fosse uma utopia, embora os passos dados por Portugal, Espanha, Suíça e Holanda precisem ser estudados e, verificados sua eficácia, colocados em prática. FHC talvez não fosse a pessoa indicada para divulgar e ampliar essa discussão, mas está de parabéns pela iniciativa. Antes ele do que ninguém.

Leia também:
– “Neblinas e Sombras” (”Shadows and Fog”), Woody Allen (aqui)

junho 20, 2011   No Comments

O drink preferido de Toulouse-Lautrec

 

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Henri Toulouse-Lautrec foi um sensacional pintor pós-impressionista conhecido por pintar (e curtir) a vida boêmia de Paris do final do século XIX (não devia sair do Moulin Rouge).

Toulouse-Lautrec “faz” uma ponta no novo filme de Woody Allen, “Meia Noite em Paris”, e é responsável pela criação de um coquetel explosivo chamado carinhosamente de… Terremoto (“Tremblement de Terre” em francês, “Earthquake” se você quiser bebe-lo nos Estados Unidos).

O Tremblement de Terre é bem simples de fazer: ao contrário da foto, pegue uma taça de vinho (mas se não tiver, ok) e junte três doses de Absinto com três doses de conhaque. Acrescente gelo a gosto (ou então bata a mistura mais o gelo em uma coqueteleira). E prepare-se: o mundo vai tremer.

Leia também:
– O dry martini, por Luis Bunuel (aqui)
– “O bar é um exercício de solidão”, por Luis Buñuel (aqui)
– “Meia Noite em Paris”, de Woody Allen, por Mac (aqui)

junho 18, 2011   No Comments

Opinião do Consumidor: Göttlich Divina!

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Elaborada pelo mestre cervejeiro Leonardo Botto (associado fundador e atual Presidente da ACervA Carioca – Associação de Cervejeiros Artesanais Cariocas), as Göttlich Divina! Pilsen e Weiss nasceram após uma visita ao Monastério de Weihenstephan, em 2007 (casa de uma das melhores Weiss do mundo, a Weihenstephaner). A visita rendeu a exportação dos lúpulos e leveduras Weihenstephan e Hallertäu, da Alemanha e Saaz, da República Tcheca, que aqui encontram o Tropical Guaraná da Amazônia em uma receita bastante particular.

Na versão pilsen da Göttlich Divina!, o aroma é marcado pela presença de lúpulo floral e malte encobrindo o tão esperado guaraná, que fica na retaguarda meio que causando um charme. Na boca, no entanto, o guaraná se faz muito mais presente (ainda que discreto – a intenção pelo jeito não era fazer uma cerveja doce, mas sim uma pilsen aromática e um tiquinho adocicada), principalmente no primeiro toque na língua, adocicado (com lembrança de mel). O amargor aparece no final marcando o céu da boca e a garganta. Muito boa.

Já na versão Weiss, o aroma é totalmente ocupado pelo tom de banana (escondendo o guaraná), característica básica de uma boa Weiss (aqui reforçada pela valorização do fermento Weihenstephan). No paladar, altamente refrescante, a banana se acentua ainda mais e o conjunto se torna mais adocicado do que o de uma Weiss comum. O guaraná desaparece no conjunto e surge discretamente no final – mas é o responsável pelo delicioso dulçor da cerveja e também por deixa-la bem mais encorpada que uma Weiss tradicional.

As duas Göttlich Divina! estão sendo fabricadas pelo Opa Bier e distribuídas pela On Trade. Os preços variam entre R$ 13 e R$ 15 (a garrafa de 600 ml) e ambas são ótimas cervejas que podem surpreender na mesa. A presença do guaraná é delicada e acentua qualidades nas duas versões. Vale muito experimentar.

Teste de Qualidade: Göttlich Divina! Pilsen
– Produto: Pilsen
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 5,5%
– Nota: 3,19/5

Teste de Qualidade: Göttlich Divina! Weiss
– Produto: Weiss
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 5,8%
– Nota: 3,20/5

Veja também:
– Top 100 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)
– Weihenstephan, a cervejaria mais antiga do mundo (aqui)

junho 17, 2011   No Comments

Três Filmes: Travestis, Sereias e Raparigas

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“Se Beber Não Case 2”, Todd Phillips (2011)
“The Hangover” (na Espanha, “Ressacon”, no Brasil, “Se Beber Não Case”) passou como um furacão pelos cinemas no final de 2009 engordando a conta corrente da Warner Bros. Custou 35 milhões de doletas e faturou quase 500 milhões no mundo todo. Bola cantada para uma sequencia. Porém, nem o mais desligado fã de comédia hollywoodiana iria esperar que Todd Phillips e companhia copiassem a fórmula do primeiro filme tintin por tintin. E quer saber: ainda assim “The Hangover 2” funciona. Muda-se o cenário (sai Las Vegas entra Bangkok), mas as piadas masculinas continuam exageradamente cômicas. A química do trio Bradley Cooper (Phil), Zach Galifianakis (Alan) e Ed Helms (Stu) rende outro grande filme, que perde em impacto pelo fator novidade, mas ainda faz rir – e muito. Agora é esperar o terceiro…

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“Piratas do Caribe 4”, Rob Marshall (2011)
A máquina de fazer dinheiro não tem folga. Quatro anos após o bom “Piratas do Caribe – No Fim do Mundo” surge este “Piratas do Caribe – Navegando em Águas Misteriosas”, talvez o mais fraco filme da saga de Jack Sparrow. Desta vez, Johnny Depp se vê às voltas com sereias belíssimas, um antigo romance (Penélope Cruz subaproveitada) e os mesmos desafios de sempre, desta vez com foco na busca por uma fonte da juventude. Johnny Depp mais uma vez brilha como um dos piratas mais sacanas dos mares (deve surgir em breve alguma história em quadrinhos pornô nos moldes da que surgiu no embalo do primeiro filme), mas o filme não emociona, não impressiona, não conquista. É só um passatempo ok para assistir debaixo do edredom num dia frio de domingo. E olhe lá. E, importante: a versão 3D é dispensável.

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“Singularidades de Uma Rapariga Loura”, Manoel de Oliveira (2009)
Aos 100 anos, o cineasta português (agora com 102) decidiu homenagear Eça de Queiroz com um filme inspirado em um conto (homônimo) de 1902 do escritor. Porém, “Singularidades de Uma Rapariga Loura” perde foco por exatamente querer transformar um conto em um longa-metragem. Não só isso. Algumas atuações deixam bastante a desejar (Leonor Silveira, uma das musas do cineasta, parece perdida na conversa no trem, em que fala uma frase ohando sempre para o aposto, e não para o rapaz com quem conversa) e a inserção de um trecho que se passa na Casa Eça de Queiroz, em Lisboa, soa forçada e desnecessária (até porque o ator que apresenta o local nem ator deve ser tamanha sua insegurança no papel). Se fosse um curta, quem sabe, mas muita coisa precisaria ser limada (ou refilmada) dos 63 minutos da película para que “Singularidades de Uma Rapariga Loura” funcionasse.

junho 16, 2011   No Comments

Top 25 Museus

Inspirado pelo bonito “Meia Noite em Paris“, de Woody Allen, fiz uma listinha com os meus museus favoritos, nada para ser levado muito à sério (risos), mas que pode ajudar um ou outro viajante precisando de dicas. Ainda faltam alguns museus importantes para eu conhecer, mas dos que já conheço, esses são os meus 25 preferidos…

01- MOMA Museum, Nova York, (texto aqui)
02- L’Orangerie, Paris (texto aqui)
03- Museu do Prado, Madri (texto aqui e aqui)
04- Museu Guggenheim, Nova York (texto aqui)
05- Rijksmuseum, Amsterdam (texto aqui)

06- Galleria Borghese, Roma (texto aqui)
07- Vasamuseet, Estocolmo (texto aqui)
08- Instalação Vigeland, Oslo (texto aqui)
09- Museu D’Orsay, Paris (texto aqui)
10- Museu Reina Sofia, Madri (texto aqui)

11- Museu do Louvre, Paris (texto aqui)
12- Museu Peggy Guggenheim, Veneza (texto aqui)
13- Tate Modern, Londres (texto aqui)
14- National Gallery, Oslo (texto aqui)
15- Galleria Academia, Firenze (texto aqui)

16- Museu Van Gogh, Amsterdã (texto aqui)
17- Belvedere, Viena (texto aqui)
18- Centre Pompidou, Paris (texto aqui)
19- Museu Thyssen-Bornemisza, Madri (texto aqui)
20- National Gallery, Londres (texto aqui)

21- National Civil Rights Museum, Memphis (texto aqui)
22- Met Museum, Nova York (texto aqui)
23- Munch Museem, Oslo (texto aqui)
24- Moderna Museet, Estocolmo (texto aqui)
25- Galeria Uffizi, Firenze (texto aqui)

Hors-Concours- Inhotim, Brumadinho (texto aqui)

Todas as fotos por Marcelo Costa

junho 15, 2011   No Comments

Opinião do Consumidor: Red Stripe

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A Desnoes and Geddes Limited (D&G) é uma empresa jamaicana fundada em 1918 em Kingston que produz cervejas e refrigerantes. O carro chefe da casa é esta Red Stripe, uma lager sem graça que patrocina a equipe de bobsleigh da Jamaica (bobsleigh? algo como uma corrida de trenó!) e que faz um sucesso danado no Inglaterra, um país cuja cerveja clara mais famosa é belga (Stella Artois) e a escura é irlandesa (Guiness).

Os Estados Unidos até tentaram resistir quando a Diageo (toda poderosa distribuidora da Smirnoff, do Johnnie Walker, do Baileys, da Guiness e da Jose Cuervo) comprou 51% da D&G e tentou enfiar goela abaixo dos norte-americanos a faixa vermelha. A Red Stripe não repetiu o êxito europeu, mas ainda assim é facilmente encontrada em território ianque.

Leve e refrescante como uma tradicional american lager (que aqui do lado debaixo do Equador são conhecidas como pilsens), a Red Stripe é indicada apenas para matar a sede em dias quentes. E olhe lá. Esqueça o quesito complexidade. O sabor do malte está por ali, escondido, mas o amargor acentuado no final chega a incomodar. Comparada aos títulos nacionais, Bohemia ou Original são muito melhores. E mais baratas…

Teste de Qualidade: Red Stripe
– Produto: Pale Lager
– Nacionalidade: Jamaica
– Graduação alcoólica: 4,7%
– Nota: 2,26/5

Veja também:
– Top 100 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)

junho 14, 2011   No Comments

A bière de garde St Landelin Mythique

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Da mesma cervejaria francesa que distribui a La Divine, a Amadeus (“uma cerveja branca excepcional”, dizem os donos), a La Bière du Démon (“a cerveja loura mais forte do mundo”) e a Bière du Désert, apresentada como o “champagne das cervejas”, surge a St Landelin Mythique que, consta a lenda, era produzida pelos monges da Abadia Crespin exatamente onde o fundador da abadia, St Landelin, descobriu uma fonte de água mineral natural.

O belga São Landelin, que viveu entre 625 e 686, era um ex-bandido que se converteu ao cristianismo tendo fundado três mosteiros (Lobbes, Crespin e, segundo créditos, Aulne). O segundo deles, fundado em 651 na vila francesa de Crespin, duas horas e meia distante de Paris (40 minutos de Lille), foi onde nasceu a Mythique, uma das mais antigas cervejas de abadia da França (hoje produzida pela Brasseurs de Gayant à Douai), loura, leve e forte como uma boa belga.

Apesar dos 7.5% de graduação alcoólica, a St Landelin Mythique é extremamente leve. Um dos motivos é a utilização do sistema dry hopping, em que o lúpulo entra na mistura apenas na fase de fermentação com a função de incrementar ainda mais o aroma sem aumentar seu amargor. No caso da Mythique funciona muito bem. O aroma floral é suave (com uma queda para o cítrico – mais laranja) e o sabor levemente adocicado (de poucas nuances) com final amargo de curta duração batendo na garganta.

A St Landelin Mythique está chegando ao Brasil em sua versão 750 ml com o preço (salgado) entre R$ 40 e R$ 50. É uma bière de garde interessante e bem boa (sinceramente, gostei), mas talvez com esse dinheiro valha investir em outras definitivamente melhores. Uma Chimay, por exemplo.

St Landelin Mythique
– Produto: Bière de garde
– Nacionalidade: França
– Graduação alcoólica: 7,5%
– Nota: 3,20/5

Veja também:
– Top 1000 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)

junho 10, 2011   No Comments