{"id":9987,"date":"2011-10-02T12:21:30","date_gmt":"2011-10-02T15:21:30","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=9987"},"modified":"2023-03-29T00:40:40","modified_gmt":"2023-03-29T03:40:40","slug":"a-sensibilidade-de-nick-drake","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/10\/02\/a-sensibilidade-de-nick-drake\/","title":{"rendered":"A sensibilidade de Nick Drake"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-9988 aligncenter\" title=\"nickdrake\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/nickdrake.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"402\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/nickdrake.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/nickdrake-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Nick Drake<br \/>\npor Jonas Lopes<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Texto publicado originalmente no Scream &amp; Yell em 27\/05\/2003<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existem alguns artistas que, curiosamente, n\u00e3o conseguem atingir um n\u00edvel grande de sucesso comercial no seu auge, mas que d\u00e9cadas depois tem seu talento reconhecido, idolatrado e imitado. Velvet Underground, Big Star e Syd Barrett fazem parte deste seleto grupo, entre muitos. Outro \u00edcone cult \u00e9 o genial Nick Drake. Apesar de n\u00e3o ter vendido quase nada em sua curta carreira, \u00e9 hoje refer\u00eancia para v\u00e1rios artistas e amado pelas novas gera\u00e7\u00f5es, vide talentos atuais como Neil Halstead e Duncan Sheik. Dono de uma discografia perfeita e de uma vida curta, Drake provoca arrepios em qualquer um que tenha um cora\u00e7\u00e3o batendo no peito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nicholas Rodney Drake nasceu a 19 de junho de 1948, em Ragoon, Birm\u00e2nia, onde seu pai Rodney trabalhava desde o nascimento de sua filha mais velha, Gabrielle, que, por sua vez, nasceu na \u00cdndia. E foi tamb\u00e9m na \u00cdndia que os pais de Nick se conheceram. A fam\u00edlia Drake voltou \u00e0 Inglaterra em 1952 fixando-se em Tanworth-In-Arden, ao sul de Birmigham. O principal motivo era o problema de cora\u00e7\u00e3o de Rodney, agravado no clima tropical da resid\u00eancia anterior. A fam\u00edlia permaneceu em Tanworth-In-Arden por mais de 40 anos vivendo numa bela e grande casa de tijolos que na parte de tr\u00e1s continha um jardim que se estendia at\u00e9 uma colina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde pequeno Nick teve muito contato com a m\u00fasica, principalmente por causa de sua m\u00e3e que era cantora e o incentivou a aprender piano. Em 1961 entrou para Marlborough, uma das mais respeitadas escolas de m\u00fasica da Inglaterra. Ali se destacou no coral e aprendeu a tocar instrumentos como clarinete e sax alto. Mas o que realmente lhe encantou foi o viol\u00e3o.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Nick Drake - Northern Sky\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/qDf6ycid0xY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">F\u00e3 de artistas como Bob Dylan e Beatles, em pouco tempo j\u00e1 tocava infinitamente melhor do que o rapaz que lhe ensinou. Com seu porte f\u00edsico avantajado (1,92 metros de altura) foi escolhido capit\u00e3o da equipe de rugby e era descrito pelos seus colegas como \u2018t\u00edmido e feliz\u2019. Mas Nick ainda era bastante introspectivo. Ele se relacionava pouco com outras pessoas, at\u00e9 mesmo com mulheres, o que at\u00e9 hoje gera pol\u00eamica sobre sua sexualidade (apesar da lenda de que pouco antes de morrer ele tenha tido um caso com a cantora francesa Fran\u00e7oise Hardy). Nick ficou em Marlborough at\u00e9 66 quando come\u00e7ou a viajar com amigos por pa\u00edses como Fran\u00e7a e Marrocos. Neste \u00faltimo, em uma das in\u00fameras lendas que envolvem sua vida, diz-se que Nick encontrou os Rolling Stones, com quem teve uma viagem de LSD.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1967 retornou a Inglaterra passando um tempo na casa da irm\u00e3 Gabrielle at\u00e9 se mudar para Cambridge onde foi estudar literatura. Nesse per\u00edodo come\u00e7ou a dedicar quase todo o tempo \u00e0 m\u00fasica, poesia francesa e ao haxixe, o que pode ter lhe causado esquizofrenia. J\u00e1 tinha um bom n\u00famero de can\u00e7\u00f5es que tocava para os amigos sempre impressionados com a boa qualidade do repert\u00f3rio. Um dia resolveu procurar o estudante de m\u00fasica Robert Kirby. Influenciados pelo trabalho de George Martin e os Beatles em can\u00e7\u00f5es como &#8220;Yesterday&#8221; e &#8220;Eleanor Rigby&#8221;, passaram a fazer arranjos de voz e cordas para as m\u00fasicas. No final de 68, Nick se apresentou num festival folk anti-guerra e acabou impressionando Ashley Hutchings, baixista do grupo ingl\u00eas Fairport Convention, que o recomendou para o consagrado produtor folk Joe Boyd. &#8220;Voc\u00ea deve ligar para Nick Drake&#8221;, disse Ashley a Boyd. O produtor ligou e se encontrou com o m\u00fasico. Logo percebeu que suas can\u00e7\u00f5es eram especiais e convidou o cantor para gravar um disco. N\u00e3o recebeu uma resposta segura, mas era uma resposta: &#8220;Ah, bem, ok&#8221;. Foi assinado ent\u00e3o um contrato com a Island Records, atrav\u00e9s de um pequeno selo, Hannibal. E Nick largou os estudos em Cambridge.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As grava\u00e7\u00f5es iniciais de &#8220;Five Leaves Left&#8221;, seu primeiro disco, n\u00e3o foram t\u00e3o satisfat\u00f3rias. Ele n\u00e3o estava gostando dos arranjos e resolveu chamar Robert Kirby, seu amigo de Cambridge, para trabalhar nas can\u00e7\u00f5es. A primeira foi &#8220;Way To Blue&#8221; que acabou assustando Boyd e John Wood, engenheiro de som, por n\u00e3o ter viol\u00e3o. Seria apenas a voz de Nick e um duplo quarteto de cordas. Boyd relatou: &#8220;E eu acho que eles estiveram ensaiando isso, mas John estava ligando e posicionando os microfones e eu pensei: Bem, n\u00e3o vou me preocupar at\u00e9 tudo acontecer. E ent\u00e3o John ouviria uma &#8211; sabe, as violas, os cellos &#8211; e ouvir esse tipo de linhas intrigantes, e eu estava ficando cada vez mais impaciente; e eu lembro de John ter sido r\u00edspido comigo porque eu disse: Vamos l\u00e1, eu quero ouvir a coisa toda. Ele disse &#8216;Seja paciente&#8217;. E ent\u00e3o finalmente todos os microfones come\u00e7aram a funcionar e n\u00f3s ouvimos Nick cantando. Olhamos um para o outro e dizendo: Isso \u00e9 demais. Isso \u00e9 maravilhoso. N\u00f3s est\u00e1vamos absolutamente at\u00f4nitos&#8221;.<\/p>\n<p align=\"center\">\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Nick Drake- Riverman\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/idcaRTg4-fM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os trabalhos duraram alguns meses e havia uma can\u00e7\u00e3o que merecia um som especial, &#8220;River Man&#8221;. Nick queria que essa m\u00fasica tivesse eco de seus compositores cl\u00e1ssicos favoritos. Kirby admitiu que n\u00e3o estava a altura dos anseios de Drake e Boyd contatou o arranjador Harry Robinson. &#8220;River Man&#8221; foi gravada ao vivo: voz, viol\u00e3o e orquestra. &#8220;Five Leaves Left&#8221; saiu em setembro de 1969 causando surpresa em Gabrielle Drake que n\u00e3o sabia que seu irm\u00e3o j\u00e1 havia chegado a um est\u00e1gio t\u00e3o alto. O disco foi bastante elogiado pela cr\u00edtica, mas n\u00e3o vendeu bem. Nick fez poucos shows. N\u00e3o gostava deles. Era t\u00edmido e n\u00e3o conseguia ser simp\u00e1tico com a plat\u00e9ia. Al\u00e9m disso, suas can\u00e7\u00f5es eram complexas demais para serem tocadas em arranjos muito simples.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em busca de sucesso e reconhecimento como artista Nicholas deixou Cambridge e se mudou pra Londres, onde nunca teve endere\u00e7o fixo. Morou em v\u00e1rios apartamentos, todos sem mob\u00edlia, com caixas de leite espalhadas pelo ch\u00e3o e um viol\u00e3o encostado na parede. Nessa \u00e9poca comp\u00f4s as can\u00e7\u00f5es de seu segundo disco, &#8220;Bryter Layter&#8221;, que levou 9 meses para ficar pronto. Era ainda mais sofisticado que o anterior, com instrumentos como flauta, cravo e naipe de metais. Por\u00e9m era um disco mais alegre. Contou com algumas participa\u00e7\u00f5es especiais: o pianista Chris McGregor registrou um solo perfeito na jazz\u00edstica &#8220;Poor Boy&#8221; e o ex-Velvet John Cale, que tinha se apaixonado pelo primeiro disco de Nick, fez quest\u00e3o de tocar no \u00e1lbum. Cale tocou cravo e \u00f3rg\u00e3o hammond nas duas mais belas can\u00e7\u00f5es de &#8220;Bryter Layter&#8221;: &#8220;Fly&#8221; e a sublime &#8220;Northern Sky&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se esperava muito sucesso de &#8220;Bryter Layter&#8221;, o que acabou n\u00e3o acontecendo. Isso deprimiu Nick de forma devastadora. A gravadora, entretanto, estava satisfeita com as 15 mil c\u00f3pias vendidas. Nick fez ainda menos shows que na turn\u00ea anterior e deu sua primeira entrevista, que acabou sendo um fracasso. Nela Drake depreciava o disco e se dizia pouco seguro para enfrentar o palco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cantor foi ficando cada vez mais retra\u00eddo. Doen\u00e7as f\u00edsicas, como uma pedra no rim, surgiram causando muita dor. \u00c0s vezes desaparecia sem dar not\u00edcias e seus pais tinham que ir a Londres procur\u00e1-lo. Nick se consultou algumas vezes com um psiquiatra que lhe receitou tr\u00eas anti-depressivos diferentes. Segundo o m\u00e9dico, era um caso de depress\u00e3o interna sem fatores externos concretos. O dono da Island, Chris Blackwell, ent\u00e3o lhe emprestou seu apartamento na costa espanhola, onde Drake passou algumas semanas. Voltou se sentindo melhor e querendo gravar um novo disco. Entrou no est\u00fadio com John Wood e em duas noites gravou &#8220;Pink Moon&#8221;, seu disco mais triste e simples, contendo arranjos compostos apenas por voz e viol\u00e3o, al\u00e9m de um piano ocasional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Pink Moon&#8221; vendeu ainda menos que os antecessores e Drake acabou voltando a morar na casa de seus pais em Tanworth-In-Arden. Quando se sentia melhor viajava a Londres. Numa crise chegou a ficar um m\u00eas e meio internado numa cl\u00ednica devido \u00e0 depress\u00e3o que o impedia de andar e falar. O cantor jogava a culpa de seu fracasso comercial em Joe Boyd: &#8220;Um dia em Londres, o meu telefone toca e era Nick, em um telefone p\u00fablico, e ele estava muito agitado querendo falar comigo. E eu disse: &#8216;Ok, venha&#8217;. E ele veio. Ele parecia terr\u00edvel: seu cabelo estava sujo, a barba por fazer e as unhas tamb\u00e9m sujas. E ele usava um casaco gasto. Estava meio inseguro, muito nervoso. Sentou e imediatamente come\u00e7ou a falar da sua carreira, sobre dinheiro e era basicamente acusador. Dizia: &#8216;Voc\u00ea disse que eu sou bom, mas ningu\u00e9m me conhece, ningu\u00e9m compra os meus discos. Eu n\u00e3o entendo. O que est\u00e1 errado? De quem \u00e9 a culpa?&#8217;. Ele estava zangado. Eu tentei explicar que n\u00e3o h\u00e1 garantias &#8211; que voc\u00ea pode fazer um grande disco e que \u00e0s vezes ele n\u00e3o vende&#8221;.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Nick Drake - Document\u00e1rio completo A Skin Too Few - legendado Portugues\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/NVkimezEUsM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o fracasso na carreira de m\u00fasico come\u00e7ou a trabalhar como programador de computadores, emprego que seu pai lhe conseguiu. No come\u00e7o de 1974 entrou em est\u00fadio novamente, mas acabou abortando o que seria seu quarto disco por n\u00e3o estar feliz com os resultados. Nesse ano tamb\u00e9m morou na Fran\u00e7a por alguns meses com uns amigos em uma casa-barco. Na noite de 24 de novembro, o inevit\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nick foi dormir mais cedo que o normal. Costumava ter noites ruins e aparentemente levantou no meio da madrugada para tomar suas p\u00edlulas de Tryptzol. Na manh\u00e3 seguinte, foi encontrado atravessado na cama por sua m\u00e3e com v\u00e1rios discos espalhados no ch\u00e3o. No prato do som, um dos concertos de Bach. Estava morto. Sua morte aconteceu por volta de 6 da manh\u00e3 por overdose de Tryptzol. At\u00e9 hoje se discute se foi acidental ou se ele realmente quis se suicidar. A primeira corrente consiste numa parada card\u00edaca causada pelo antidepressivo. A fam\u00edlia afirma que ele estava mais feliz na \u00e9poca de sua morte e que n\u00e3o se mataria. Entretanto, o juiz que investigou o caso afirmou que foi suic\u00eddio. Nick Drake est\u00e1 enterrado em um cemit\u00e9rio de Tanworth-In-Arden.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais importante do que discutir se sua morte foi proposital ou n\u00e3o \u00e9 se deliciar com sua m\u00fasica, essa sim perfeita. Fiquemos com sua sensibilidade, sutileza e maestria. At\u00e9 porque emocionar de verdade n\u00e3o \u00e9 pra qualquer um.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*********<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-9989 aligncenter\" title=\"nick2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/nick2.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/nick2.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/nick2-300x130.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em vida foram tr\u00eas \u00e1lbuns oficias de est\u00fadio. Entre &#8220;Bryter Layter&#8221; e &#8220;Pink Moon&#8221;, a gravadora Island, detentora do cat\u00e1logo da indie Hannibal, lan\u00e7ou uma colet\u00e2nea de material dos dois primeiros \u00e1lbuns chamada singelamente &#8220;Nick Drake&#8221;. Em 1986, outra colet\u00e2nea, &#8220;Heaven in a Wild Flower: An Exploration of Nick Drake&#8221;, que serviu como aperitivo para o verdadeiro banquete: &#8220;Fruit Tree&#8221;, box que reunia os tr\u00eas \u00e1lbuns oficias do m\u00fasico mais um CD extra apenas com grava\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas, &#8220;Time Of No Reply&#8221;. Este \u00e1lbum de raridades saiu separado do box logo depois (e, em 2007, o box foi reeditado apenas com os tr\u00eas \u00e1lbuns de est\u00fadio e um DVD com o document\u00e1rio &#8220;A Skin Too Few &#8211; The Days of Nick Drake&#8221; e livro com coment\u00e1rios faixa-a-faixa mais letras das m\u00fasicas). Por \u00faltimo, a colet\u00e2nea mais completa do bardo: &#8220;Way to Blue: An Introduction to Nick Drake&#8221;. Alguns bootlegs circulam com grava\u00e7\u00f5es caseiras (inclusive covers de Bob Dylan) e outros takes das can\u00e7\u00f5es registradas em \u00e1lbum, mas destacamos aqui apenas seu material oficial:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #888888;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">&#8220;Five Leaves Left&#8221;<\/span><\/strong> (<\/span>1969): Uma das melhores estr\u00e9ias j\u00e1 gravadas. Arranjos orquestrados e complexos em uma mistura de folk com m\u00fasica cl\u00e1ssica. Mesmo com a pouqu\u00edssima idade (21 anos) Drake j\u00e1 mostrava ser um grande poeta (&#8220;Fruit Tree&#8221; comprova isso). Um clima triste e buc\u00f3lico acompanha cl\u00e1ssicos como &#8220;River Man&#8221;, &#8220;Way To Blue&#8221; e &#8220;Time Has Told Me&#8221;. Simplesmente perfeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Bryter Layter&#8221;<\/strong> (1970): Bem mais alegre que a estr\u00e9ia, &#8220;Bryter Layter&#8221; era ainda mais detalhado que o primeiro disco. Introduzindo instrumentos de sopro \u00e0s melodias, Drake antecipava em quase 30 anos aquilo que o Belle &amp; Sebastian viria a fazer no fim da d\u00e9cada de 90. &#8220;Northern Sky&#8221; \u00e9, provavelmente, a mais bela e apaixonada can\u00e7\u00e3o de amor j\u00e1 composta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">&#8220;Pink Moon&#8221;<\/span><\/strong> (1972): J\u00e1 tomado pela depress\u00e3o que o levaria \u00e0 morte pouco tempo depois, Nick radicalizou e gravou o disco sozinho, fazendo apenas voz e viol\u00e3o, com um piano t\u00edmido na faixa que d\u00e1 t\u00edtulo ao disco (e que em 2000 foi utilizada numa propaganda da Volkswagen, fazendo ressurgir o culto ao cantor). &#8220;Place To Be&#8221; demonstrava bem o esp\u00edrito atormentado de Drake.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Time of No Reply&#8221;<\/strong> (1986): S\u00e3o 14 faixas, 10 delas in\u00e9ditas. Brilham as in\u00e9ditas &#8220;Clothes of Sand&#8221; e a orquestrada &#8220;I Was Made To Love Magic&#8221; que caberia perfeitamente em &#8220;Five Leaves Left&#8221;. Despidas de produ\u00e7\u00e3o e amparadas apenas na beleza do viol\u00e3o, &#8220;Man In Shed&#8221;, &#8220;Mayfair&#8221; e &#8220;Fly&#8221; (est\u00e1 \u00faltima resgatada de um sess\u00e3o caseira em 1969) surgem t\u00e3o belas quanto as vers\u00f5es originais. Outro ponto alto \u00e9 a delicada vers\u00e3o de &#8220;The Thoughts Of Mary Jane&#8221; com o aux\u00edlio da guitarra de Richard Thompson.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-9990 aligncenter\" title=\"nick_albuns\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/nick_albuns.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; &#8220;A Way To Blue &#8211; An Introduction To Nick Drake&#8221;, por Carlos Eduardo Lima (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/secoes\/faixas.htm\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Jonas Lopes\nEmocionar de verdade n\u00e3o \u00e9 pra qualquer um: experimente a sensibilidade, sutileza e maestria da m\u00fasica de Nick Drake\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/10\/02\/a-sensibilidade-de-nick-drake\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":122,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9987"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/122"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9987"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9987\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":52092,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9987\/revisions\/52092"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9987"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9987"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9987"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}