{"id":9843,"date":"2011-09-20T00:45:37","date_gmt":"2011-09-20T03:45:37","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=9843"},"modified":"2023-03-29T00:29:09","modified_gmt":"2023-03-29T03:29:09","slug":"entrevista-publica-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/09\/20\/entrevista-publica-2\/","title":{"rendered":"Entrevista: P\u00fablica"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-9844 aligncenter\" title=\"publica01\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/publica01.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"546\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/publica01.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/publica01-300x270.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/murilo_basso\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Murilo Basso<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com dez anos de estrada, o P\u00fablica se destacou ao conseguir desenvolver de forma solida sua proposta musical. Desde ent\u00e3o o quinteto colecionou cr\u00edticas positivas respaldando dois bons \u00e1lbuns.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora os ga\u00fachos lan\u00e7am oficialmente seu terceiro trabalho: \u201cCan\u00e7\u00f5es de Guerra\u201d (liberado grauitamente no site oficial da banda: <a href=\"http:\/\/www.publicaoficial.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.publicaoficial.com<\/a>) \u00e9 um disco forte, que pode ser interpretado de v\u00e1rias maneiras, marcando uma mudan\u00e7a na sonoridade que se concretiza ao longo do trabalho \u2013 as can\u00e7\u00f5es remetem a experi\u00eancias pessoais que ainda se fazem presentes nas vidas de seus integrantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gravado no Rio de Janeiro e produzido novamente pela banda em parceria com Marcelo Fruet, \u201cCan\u00e7\u00f5es de Guerra\u201d foi mixado em Porto Alegre e masterizado nos EUA, revelando um cuidado especial com todas as etapas do processo de grava\u00e7\u00e3o j\u00e1 caracter\u00edstico do grupo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E se os trabalhos anteriores eram marcados por refer\u00eancias aos Beatles e \u00e0 bandas como Smiths e Oasis, \u201cCan\u00e7\u00f5es de Guerra\u201d, ao retratar a ang\u00fastia do s\u00e9culo XXI sem nenhum tipo de hesita\u00e7\u00e3o, apresenta uma esp\u00e9cie de introspec\u00e7\u00e3o mel\u00f3dica at\u00e9 ent\u00e3o sutil na discografia da banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em entrevista ao Scream &amp; Yell, o vocalista Pedro Metz revela a influ\u00eancia de S\u00e3o Paulo e todo o processo de concep\u00e7\u00e3o do mais novo trabalho do grupo. Confira o bate papo e ou\u00e7a o disco no player mais abaixo.<\/p>\n<p align=\"center\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/cSihpYUrV34\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/cSihpYUrV34\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Quais as expectativas da banda com o novo trabalho?<\/strong><\/span><br \/>\nEm termos de retorno das pessoas que se interessarem em ouvir s\u00e3o muito boas. \u00c9 um trabalho que reflete um momento muito importante para a banda, um per\u00edodo de mudan\u00e7as. S\u00f3 que voltando um pouco mais ao cerne da pergunta, n\u00e3o sabemos como os diferentes p\u00fablicos da banda e a imprensa, ir\u00e3o receber o disco. O que posso dizer \u00e9 que todos os m\u00fasicos que t\u00eam ouvido ficaram muito impressionados com a consist\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E quanto \u00e0 experi\u00eancia de gravar no Rio de Janeiro? Os dois primeiros discos foram gravados em um sitio&#8230;<\/strong><br \/>\nFoi \u00f3tima! Fomos muito bem recebidos pelo pessoal do est\u00fadio Jimo, que \u00e9 do Lobato, do Rappa. Em todos nossos discos realizamos deslocamentos para gravar: quando mor\u00e1vamos em Porto Alegre, gravamos dois discos no s\u00edtio da minha fam\u00edlia. Agora que moramos em S\u00e3o Paulo, fomos para o Rio de Janeiro. Lotamos o carro duma super amiga nossa com os equipamentos e o restante da banda foi de \u00f4nibus. Foram 13 dias no Rio, 11 deles trabalhando exaustivamente. Chegamos a gravar 20 horas seguidas, mas foi um per\u00edodo muito agrad\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Rolaram muitas diferen\u00e7as no processo de grava\u00e7\u00e3o deste para os dois primeiros trabalhos?<\/strong><br \/>\nCara, nos dois primeiros levamos um est\u00fadio para o meio do mato e ficamos confinados durante 11 dias. O sitio \u00e9 muito isolado, sem contato com o resto do mundo, sem telefone, internet, tv, nada. \u201cCan\u00e7\u00f5es de Guerra\u201d foi gravado no Rio de Janeiro, ent\u00e3o de in\u00edcio j\u00e1 h\u00e1 essa diferen\u00e7a clara de ambiente. Mas como tu acaba mergulhando no trabalho, isso \u00e9 s\u00f3 um detalhe. O processo de capta\u00e7\u00e3o em si n\u00e3o mudou tanto. Produzimos novamente com o Marcelo Fruet, ent\u00e3o o m\u00e9todo j\u00e1 estava definido. Claro que todos est\u00e3o mais experientes e conhecedores das malandragens de est\u00fadio. \u00c0s vezes isso \u00e9 bom, porque conseguimos bons resultados, mas h\u00e1 mais discuss\u00f5es, todos se envolvem mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O fato de agora estar vivendo em S\u00e3o Paulo teve influencia direta no processo de constru\u00e7\u00e3o do disco?<\/strong><br \/>\nTeve uma influ\u00eancia decisiva. Na verdade, era previs\u00edvel que S\u00e3o Paulo nos afetaria, ent\u00e3o decidi fazer as letras depois que a euforia inicial da mudan\u00e7a terminasse. S\u00e3o Paulo \u00e9 bem diferente de Porto Alegre, mas uma das maiores diferen\u00e7as \u00e9 o fato de ser uma cidade brasileira, com artistas de todo pa\u00eds e ser uma megal\u00f3pole, o que traz dificuldades e oportunidades incr\u00edveis.  Em Porto Alegre tu fica restrito a cultura local. Aqui somos amigos de diversas bandas nordestinas, do norte, paulistas, cariocas, cuiabanos, curitibanos&#8230; Isso acaba te enriquecendo musicalmente; essa troca \u00e9 muito importante. E acabou fortalecendo a tem\u00e1tica do disco: essa busca para se estabelecer num mercado fragilizado, na condi\u00e7\u00e3o de m\u00fasico autoral fazendo rock.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas j\u00e1 se referiram ao disco como um trabalho diferente. O que mudou?<\/strong><br \/>\nMudaram integrantes, mudou a cidade, a tem\u00e1tica e os arranjos. Mudou nossa forma de se relacionar com m\u00fasica. No fim mudou quase tudo, s\u00f3 que a ess\u00eancia da banda se manteve. Ent\u00e3o algumas pessoas podem achar bem diferente, outras nem tanto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando nisso, para a banda, o que representou a sa\u00edda do Cacha\u00e7a e entrada do Alexandre?<\/strong><br \/>\n\u00c9 dif\u00edcil falar isoladamente, mas o Papel (Alexandre) entendeu que a banda precisava mudar sem perder a ess\u00eancia. Em termos musicais, eles s\u00e3o bem distintos: a escola do Cacha\u00e7a vem do Pixies, Television, bandas mais undergrounds. O Cacha\u00e7a deu uma cara para a P\u00fablica no momento de forma\u00e7\u00e3o da banda, o que \u00e9 muito importante. J\u00e1 o Papel vem, basicamente, do Blues. \u00c9 um dos caras que mais gravou discos no Rio Grande do Sul. Tocou no mundo inteiro. Quando os \u201cblueseiros\u201d gringos v\u00eam sem banda para o Brasil, normalmente ele acompanha como baterista. E ele entrou na P\u00fablica com um forte envolvimento, pesquisando coisas para colocar nas m\u00fasicas, tocando de uma forma que nunca havia tocado. O Papel mudou a P\u00fablica e a P\u00fablica mudou o Papel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O pessoal do Momboj\u00f3 disse uma vez que compunha suas m\u00fasicas pensando nos clipes delas. Tamb\u00e9m tenho essa sensa\u00e7\u00e3o com o pessoal da Apanhador S\u00f3. E \u00e9 n\u00edtido o cuidado que voc\u00eas t\u00eam com o videoclipe. Voc\u00ea j\u00e1 chegou a compor \/ arranjar pensando em imagens?<\/strong><br \/>\nEm imagens, todo o tempo, mas n\u00e3o no clipe, porque o clipe n\u00e3o deve, necessariamente, ser uma c\u00f3pia da m\u00fasica. Acho que nosso primeiro v\u00eddeo desse disco, \u201cCorpo Fechado\u201d, tem uma outra hist\u00f3ria, um outro olhar sobre a letra. Em \u201cLong Plays\u201d tamb\u00e9m conseguimos sair do \u00f3bvio que a letra propunha. Clipe \u00e9 uma coisa, m\u00fasica outra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em \u201cCan\u00e7\u00f5es de Guerra\u201d senti uma preocupa\u00e7\u00e3o com as composi\u00e7\u00f5es de quem n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3 trabalhando com as possibilidades sonoras que tem a sua disposi\u00e7\u00e3o. Foi um disco inteiramente pensado?<\/strong><br \/>\nFoi um disco em que tivemos muita preocupa\u00e7\u00e3o em amarr\u00e1-lo, em criar conex\u00f5es entre as m\u00fasicas. A parte mais dif\u00edcil, falo por mim, foram as letras. Eu n\u00e3o me dou bem com &#8220;o momento&#8221; de compor. Ent\u00e3o fa\u00e7o muita coisa na rua, no metr\u00f4, caminhando, num bar, sem anotar. Depois vou lembrando. Foi muito aos poucos esse processo. Quanto aos arranjos h\u00e1 uma peculiaridade. Como estamos sem um pianista na forma\u00e7\u00e3o oficial \u2013 nos shows e nas grava\u00e7\u00f5es chamamos um quinto integrante \u2013, arranjamos o disco como um quarteto. Ent\u00e3o as m\u00fasicas tinham que ficar boas sem o piano. Mesmo assim isso foi uma inc\u00f3gnita at\u00e9 a hora de gravarmos as teclas. O Luciano Le\u00e3es, respons\u00e1vel pelos pianos do disco, n\u00e3o chegou a ensaiar com a gente. Passamos as m\u00fasicas de uma forma bem bruta pra ele. Ainda bem que ele \u00e9 muito foda e, embora seja originalmente um pianista de blues, entendeu exatamente o que quer\u00edamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tamb\u00e9m \u00e9 n\u00edtido o cuidado com todas as etapas do processo de grava\u00e7\u00e3o (masteriza\u00e7\u00e3o e mixagem). Qual a import\u00e2ncia do trabalho do Brian Lucey no resultado final do trabalho?<\/strong><br \/>\nMasteriza\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o caso do Brian (que fez o \u201cBrothers\u201d, do Black Keys), \u00e9 sempre uma etapa controversa. Nos tr\u00eas discos pedimos pra que se preservasse a mixagem e suas din\u00e2micas, sem grandes achatamentos. E o Brian fez isso. Porque a masteriza\u00e7\u00e3o pode simplesmente cagar todo um trabalho de meses. Uma coisa curiosa \u00e9 que mandamos como uma das refer\u00eancias de som o \u00faltimo do Arcade Fire. Ele respondeu dizendo que n\u00e3o gostava do som do disco (risos). Ent\u00e3o pensamos: \u201cse ele n\u00e3o gosta, que deixe melhor\u201d (risos). Mas aqui cabe tamb\u00e9m uma valoriza\u00e7\u00e3o do trabalho do Marcelo Fruet como t\u00e9cnico de grava\u00e7\u00e3o, do Lobato, dono de um est\u00fadio com \u00f3timos equipamentos e do Juninho, que mixou pacientemente o disco. Eles s\u00e3o mais importantes para a qualidade de \u00e1udio do que o Brian.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" style=\"visibility: hidden; width: 0px; height: 0px;\" src=\"http:\/\/c.gigcount.com\/wildfire\/IMP\/CXNID=2000002.0NXC\/bT*xJmx*PTEzMTY*ODQwMzE3MjEmcHQ9MTMxNjQ4NDAzNzkzNyZwPTI3MDgxJmQ9cHJvX3BsYXllcl9maXJzdF9nZW4mZz*xJm89\/YTY1NzI4YTYzYTQwNGQ5ZTg3MjMwMDcxYTllODBkMWYmb2Y9MA==.gif\" border=\"0\" alt=\"\" width=\"0\" height=\"0\" \/><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"326\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\" \/><param name=\"allowNetworking\" value=\"all\" \/><param name=\"allowfullscreen\" value=\"true\" \/><param name=\"wmode\" value=\"opaque\" \/><param name=\"quality\" value=\"best\" \/><param name=\"src\" value=\"http:\/\/cache.reverbnation.com\/widgets\/swf\/40\/pro_widget.swf?id=artist_1630706&amp;posted_by=&amp;skin_id=PWAS1002&amp;border_color=000000&amp;auto_play=false&amp;shuffle=false\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"326\" src=\"http:\/\/cache.reverbnation.com\/widgets\/swf\/40\/pro_widget.swf?id=artist_1630706&amp;posted_by=&amp;skin_id=PWAS1002&amp;border_color=000000&amp;auto_play=false&amp;shuffle=false\" quality=\"best\" wmode=\"opaque\" allowfullscreen=\"true\" allownetworking=\"all\" allowscriptaccess=\"always\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" style=\"visibility: hidden; width: 0px; height: 0px;\" src=\"http:\/\/www.reverbnation.com\/widgets\/trk\/40\/artist_1630706\/\/t.gif\" border=\"0\" alt=\"\" width=\"0\" height=\"0\" \/><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" style=\"display: none\" src=\"http:\/\/b.scorecardresearch.com\/p?c1=2&amp;c2=10349858&amp;cv=2.0&amp;cj=1\" border=\"0\" alt=\"ComScore\" width=\"1\" height=\"1\" \/><br \/>\n<strong>O que achei mais bacana \u00e9 a sensa\u00e7\u00e3o de que timbres, estruturas e at\u00e9 mesmo o estilo se tornam refer\u00eancias, trazendo novas possibilidades criativas. Percebe-se que \u00e9 um disco da P\u00fablica, mas n\u00e3o h\u00e1 um saudosismo em rela\u00e7\u00e3o aos primeiros trabalhos&#8230;<\/strong><br \/>\nSim, era hora de mudar. Se fic\u00e1ssemos presos \u00e0s antigas formas estar\u00edamos dando um atestado de acomoda\u00e7\u00e3o e esse disco \u00e9 exatamente o contr\u00e1rio. Ele reflete nossa luta como m\u00fasicos em sermos relevantes musicalmente, textualmente&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Acho que at\u00e9 por isso \u201cComo Num Filme Sem Um Fim\u201d parece ter um clima de revis\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao primeiro disco, de uma organiza\u00e7\u00e3o e apropria\u00e7\u00e3o mais ativa das influ\u00eancias. J\u00e1 &#8220;Can\u00e7\u00f5es de Guerra&#8221; me soa como uma evolu\u00e7\u00e3o natural.<\/strong><br \/>\nAcho que \u00e9 por a\u00ed. Tamb\u00e9m acho que \u00e9 um caminho natural. \u201cCan\u00e7\u00f5es de Guerra\u201d \u00e9 como se fosse o nosso \u201cOk Computer\u201d. N\u00e3o estou querendo comparar os discos, mas h\u00e1 certa similaridade na evolu\u00e7\u00e3o dos discos dentro da discografia das bandas. Em geral no primeiro disco tu emula um pouco as tuas influ\u00eancias, depois tu trabalha isso e surge &#8220;o&#8221; som da banda. A etapa a seguir, obviamente, \u00e9 refinar esse som. Acho que conseguimos fazer isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Outro ponto \u00e9 que \u201cCan\u00e7\u00f5es de Guerra\u201d trabalha mais com uma esp\u00e9cie de introspec\u00e7\u00e3o, h\u00e1 melodias e climas mais densos. Em um primeiro momento n\u00e3o senti nada t\u00e3o radiof\u00f4nico como seria, por exemplo, \u201cLong Plays\u201d e \u201cCasa Abandonada\u201d nos trabalhos anteriores.<\/strong><br \/>\nCada m\u00fasica nasce com uma voca\u00e7\u00e3o. Tu pode direcionar elas para diferentes formas, mas a can\u00e7\u00e3o \u00e9 o que fica. Sabemos fazer m\u00fasicas radiof\u00f4nicas, mas acontece que hoje em dia \u00e9 muito dif\u00edcil determinar o que \u00e9 ou n\u00e3o radiof\u00f4nico. Quando eu era pi\u00e1 o pop tinha melodias perfeitas. E hoje? \u201cLong Plays\u201d e \u201cCasa Abandonada\u201d s\u00e3o temas mais leves. Isso \u00e9 fazer m\u00fasica pop? Para mim as melhores m\u00fasicas s\u00e3o as tristes, notas menores. Ent\u00e3o tudo isso causa uma imensa confus\u00e3o na tua cabe\u00e7a. Resolvemos que simplesmente \u00edamos deixar as m\u00fasicas o melhor que pud\u00e9ssemos, sem pensar em pop, radiof\u00f4nico&#8230; Agora resta torcer para que as can\u00e7\u00f5es agradem. Eu n\u00e3o acho que o disco seja dif\u00edcil. Tenho ouvido muito a palavra \u2018adulto\u2019 para qualific\u00e1-lo. Da\u00ed tu abre o twitter, facebook ou o youtube da banda e milhares de jovens est\u00e3o adorando o disco. Isso \u00e9 um pr\u00eamio para gente. Acho que as coisas n\u00e3o s\u00e3o excludentes, elas se complementam. Um exemplo disso \u00e9 que \u201cCorpo Fechado\u201d n\u00e3o p\u00e1ra de tocar nas r\u00e1dios de Porto Alegre, que s\u00e3o as que nos d\u00e3o abertura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando em \u201cCorpo Fechado\u201d, ela tem uma reflex\u00e3o mais intensa sobre a religi\u00e3o. E \u00e9 algo que me surpreendeu. N\u00e3o que essa tem\u00e1tica ainda n\u00e3o tivesse sido abordada pela P\u00fablica, mas agora ela me pareceu mais intensa, mais direta. Tem algum motivo especifico?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o acho que seja tanto sobre religi\u00e3o. Acho que \u00e9 sobre espiritualidade, sobre lidar com a aus\u00eancia, admitir a possibilidade de algo mais. S\u00e3o coisas com as quais sempre trabalhei, porque a morte do meu pai, em 1996, me fez questionar isso. N\u00e3o quero explicar muito a letra, mas ela tem um clima revisionista, do ponto de vista de algu\u00e9m que j\u00e1 nos deixou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 \u201cDas Coisas que eu n\u00e3o fui\u201d me soou como uma esp\u00e9cie de continua\u00e7\u00e3o de \u201cCasa Abandonada\u201d.<\/strong><br \/>\nSe tu dissesse que ela \u00e9 uma continua\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum anterior, concordaria mais contigo! (risos). Porque no \u201cComo num Filme sem Fim\u201d j\u00e1 est\u00e1vamos exercitando este flerte com o groove, com os sons negros. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que ela abre o disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cCartas de Guerra\u201d remete diretamente aos anos 60. E tem aquele backing vocal feminino que encaixou perfeitamente com a can\u00e7\u00e3o. Como surgiu? A can\u00e7\u00e3o em si e a id\u00e9ia do vocal feminino&#8230;<\/strong><br \/>\nBom, eu e o Guilherme viemos de fam\u00edlias ligadas \u00e0 m\u00fasica ga\u00facha. Participamos quase todos os anos de um festival chamado Barranca. Este festival \u00e9 cheio de peculiaridades, \u00e9 realizado toda Semana Santa, em S\u00e3o Borja (RS). M\u00fasicos do Rio Grande, da Argentina, se re\u00fanem na beira do rio Uruguai, em barracas, basicamente para encher a cara e fazer m\u00fasica. N\u00e3o \u00e9 permitida a entrada de mulheres. Todo ano \u00e9 dado um tema para quem quiser apresentar uma m\u00fasica. Eu tinha um esbo\u00e7o dessa can\u00e7\u00e3o, sem letra, e mostrei para o Gui, que sugeriu umas mudan\u00e7as de melodia e as notas da parte final. Fiz a letra com outro broder, o Nandico, mas era bem diferente desta que est\u00e1 no disco. Nos apresentamos no festival e os \u201cgaud\u00e9rios\u201d ficaram espantados com nossa apresenta\u00e7\u00e3o, porque foi uma coisa realmente inusitada. Eu j\u00e1 queria que ela fizesse parte do disco, mas sabia que ia ter que mudar a letra. Refiz a primeira estrofe e pensei em convidar o Helio (Vanguart) para fazer a segunda estrofe. Chegamos a nos reunir. Ele sugeriu uma ou duas frases pra parte final da m\u00fasica e ficou de me mandar a segunda estrofe. S\u00f3 que ele tava compondo o disco do Vanguart, meio sem tempo e n\u00f3s t\u00ednhamos que gravar a m\u00fasica. Como a letra do come\u00e7o falava da experi\u00eancia de um homem ao presenciar a guerra, pensei em dar uma resposta, a mulher que sentia falta do homem, com o filho em casa, angustiada pela possibilidade da perda. Uma das minhas m\u00fasicas favoritas \u00e9 \u201cPassarim\u201d, do Tom Jobim, que tem um coro de vozes femininas maravilhoso. Da\u00ed foi s\u00f3 somar \u201cum + um\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No final da audi\u00e7\u00e3o fica uma sensa\u00e7\u00e3o angustiante. E isso fica evidente no final do disco, com \u201cApagar das Luzes\u201d e \u201cSilenciou\u201d e toda a atmosfera de tens\u00e3o. Essa angustia retratada \u00e9 um caminho sem volta?<\/strong><br \/>\nPensamos em colocar \u201cN\u00e3o h\u00e1 Outro Caminho\u201d como \u00faltima m\u00fasica, porque ela tem uma mensagem um pouco mais otimista e poderia direcionar para um pr\u00f3ximo \u00e1lbum. Mas no final achamos melhor acabar com \u201cSilenciou\u201d mesmo. Quanto a este caminho sem volta, realmente queria saber a resposta. H\u00e1 boas inten\u00e7\u00f5es, boas a\u00e7\u00f5es, pessoas que fazem a diferen\u00e7a e te d\u00e3o um \u00e2nimo para seguir em frente. Mas \u00e9 um momento muito estranho. Prefiro esperar e ver no que vai dar tudo isso: cultura digital, colapsos financeiros, emburrecimento, ao inv\u00e9s de reclamar. Sou uma pessoa esperan\u00e7osa, pero no mucho!<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-9845 aligncenter\" title=\"publica02\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/publica02.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"303\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/publica02.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/publica02-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Murilo Basso\nPedro Metz revela a influ\u00eancia de S\u00e3o Paulo e todo o processo de concep\u00e7\u00e3o de Can\u00e7\u00f5es de Guerra, o mais novo trabalho do grupo\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/09\/20\/entrevista-publica-2\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":121,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9843"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/121"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9843"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9843\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":73535,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9843\/revisions\/73535"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9843"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9843"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9843"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}