{"id":98180,"date":"2026-11-06T09:26:41","date_gmt":"2026-11-06T12:26:41","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=98180"},"modified":"2026-11-06T09:35:23","modified_gmt":"2026-11-06T12:35:23","slug":"sistah-mari-lanca-ascender-um-disco-mais-plural-e-defende-o-dancar-e-o-pensar-a-gente-rebola-com-a-mao-na-consciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/11\/06\/sistah-mari-lanca-ascender-um-disco-mais-plural-e-defende-o-dancar-e-o-pensar-a-gente-rebola-com-a-mao-na-consciencia\/","title":{"rendered":"Sistah Mari lan\u00e7a \u201cAscender\u201d, um disco mais plural, e defende o dan\u00e7ar e o pensar: &#8220;A gente rebola com a m\u00e3o na consci\u00eancia&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/lvinhas78\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00f3s do reggae estamos acostumados a coisas como \u2018vamos tacar fogo no sistema\u2019. J\u00e1 cantei muito disso nas minhas letras. Por\u00e9m, hoje, na atual situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, acho que a gente n\u00e3o pode s\u00f3 tacar fogo no sistema, a gente precisa incentivar e ensinar as pessoas, reeducar as pessoas\u201d. Quem diz isso \u00e9 Mariana Soares, ou melhor, Sistah Mari (<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/sistahmari\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@sistahmari<\/a>), \u201cmulher m\u00e3e preta da periferia\u201d, como faz quest\u00e3o de dizer, e uma artista cujo trabalho deixa todos esses elementos de origem \u00e0 mostra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A m\u00fasica de Sistah Mari \u00e9 fortemente influenciada pelos muitos ritmos da jamaica \u2013 praticamente s\u00f3 o ska fica de fora da receita, que engloba reggae, rub-a-dub, lovers\u2019 rock, dub e muito dancehall. Mas ela tem elementos do batid\u00e3o das periferias, permitindo at\u00e9 mesmo uma cumbia villera, ainda presente nas periferias mais austrais da Am\u00e9rica do Sul. E se voc\u00ea ainda tem d\u00favida dessa pluralidade e dessa representatividade, \u00e9 s\u00f3 escutar as letras e entender o terreno onde voc\u00ea est\u00e1 pisando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse discernimento cognitivo n\u00e3o parece ser comum a todos os ouvintes, por\u00e9m. Sua milit\u00e2ncia online contra um candidato que se op\u00f5e abertamente \u00e0 cultura, \u00e0s garantias trabalhistas e \u00e0 prote\u00e7\u00e3o social lhe rendeu preju\u00edzos e ataques. Mas, mais que nunca, Sistah Mari est\u00e1 disposta a seguir com o que acredita, e \u201c<a href=\"https:\/\/onerpm.link\/244214582561\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ascender<\/a>\u201d (2026), seu rec\u00e9m-lan\u00e7ado segundo \u00e1lbum (<a href=\"https:\/\/onerpm.link\/244214582561\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ou\u00e7a aqui<\/a>), \u00e9 a prova dessa decis\u00e3o. Foi esse disco que ampliou seu leque musical para al\u00e9m do dancehall que caracterizava o disco de estreia, \u201cEvoluir\u201d (2023), e que veio de uma decis\u00e3o de criar uma trilogia focada em seu pr\u00f3prio amadurecimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As can\u00e7\u00f5es de \u201c<a href=\"https:\/\/onerpm.link\/244214582561\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ascender<\/a>\u201d foram criadas pela pr\u00f3pria artista em parceira com com os produtores Ras Lillo e Piroupo. A faixa de abertura, o dub \u201cRebel Ato\u201d, \u00e9 dedicada a Rodrigo Rebelato, professor, mentor e amigo de Mariana, impressiona em seu peso grave (\u201cfoi a \u00faltima faixa a ficar pronta, e a mais dif\u00edcil de fazer\u201d, conta). Rodrigo Loli ficou encarregado dos arranjos adicionais, mixagem e masteriza\u00e7\u00e3o. Um trabalho coletivo \u2013 o \u00fanico tipo que faz sentido para Sistah Mari. Esse \u00e9 um dos temas que abordamos nessa conversa, juntamente com o processo de feitura de \u201cAscender\u201d, a necessidade de viver e n\u00e3o apenas sobreviver, o cen\u00e1rio sinistro pairando sobre o pa\u00eds e a luta para ser ouvida em um pa\u00eds que trata suas maiorias como minorias.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ascender Document\u00e1rio\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/K5dy_cD1jfE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cAscender\u201d foi anunciado como parte de uma trilogia, que come\u00e7ou com o \u201cEvoluir\u201d. Qual o conceito dessa trilogia: o que voc\u00ea espera comunicar com ela?<\/strong><br \/>\nS\u00f3 tive essa ideia (da trilogia) ap\u00f3s lan\u00e7ar o \u201cEvoluir\u201d. Meu primeiro \u00e1lbum representa, acima de tudo, o meu pr\u00f3prio amadurecimento, um processo que me fez entender que eu tinha muito mais coisas a dizer. Com isso, eu fiz o \u201cAscender\u201d, numa constru\u00e7\u00e3o conceitual de quem est\u00e1 no reggae, porque venho me desenvolvendo totalmente focada na evolu\u00e7\u00e3o, na resist\u00eancia da mulher preta, da mulher perif\u00e9rica, a mulher-m\u00e3e. Esse disco me despertou totalmente para isso tudo: al\u00e9m de ter as minhas composi\u00e7\u00f5es, eu tamb\u00e9m participei ativamente na realiza\u00e7\u00e3o: escrevi o projeto [para o edital], fiz toda a parte de documenta\u00e7\u00e3o, produzi os instrumentais tamb\u00e9m. \u00c9 o primeiro disco que eu assino tamb\u00e9m como produtora musical. E essa mudan\u00e7a me revelou que a minha trajet\u00f3ria \u00e9 feita de passos firmes, sabe? Passei a me entender mais ainda mais como cantora, compositora e produtora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O primeiro disco era bem dancehall, era a influ\u00eancia sonora mais forte ali. Esse tem muito mais elementos da m\u00fasica jamaicana, com influ\u00eancias de roots reggae, dub, lovers rock, etc. Essa expans\u00e3o foi uma coisa sua ou uma cria\u00e7\u00e3o coletiva, junto com seus parceiros?<\/strong><br \/>\nIsso veio de mim mesmo, porque assim\u2026 eu, Sistah Mari, j\u00e1 tenho quase 20 anos de trabalho. Quando comecei a cantar, eu vinha numa linhagem mais roots, falava mais de rastafari. O dub tamb\u00e9m passou por uma parte da minha vida tamb\u00e9m, tive um grupo chamado Dawta\u2019s of Aya, que se apresentou no Rototom Sunsplash, um dos maiores festivais de reggae do mundo, Nesse disco eu quis trabalhar mais isso, fazer mais o que eu gosto. Tenho bastante p\u00fablico de dancehall e por isso quis consolidar esse estilo no primeiro disco, era o que eu mais vinha trabalhando nos \u00faltimos cinco anos. Por\u00e9m, pensei: por que n\u00e3o retornar \u00e0s ra\u00edzes? Vou fazer o rub-a-dub, inclusive tem uma faixa do disco (\u201cLeoa Sedenta\u201d) que \u00e9 uma cumbia &#8230; Eu quis trazer um pouco de tudo e tamb\u00e9m brasilidades, j\u00e1 que tem uma m\u00fasica chamada \u201cBem Vindo ao Brasil\u201d em que eu quis usar alguns instrumentos de percuss\u00e3o de samba e da m\u00fasica popular brasileira. Esse disco foi muito divisor de \u00e1guas, eu queria fazer um pouquinho de tudo que a gente tem no reggae, os v\u00e1rios subg\u00eaneros dentro dessa cultura. Na verdade, nesse segundo disco eu queria conversar com todos, poder tocar em outras pessoas que n\u00e3o sejam s\u00f3 as pessoas do meu ciclo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Sistah Mari &amp; Simon Sandoz - Ra\u00edzes Profundas (Official Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/psUh8GmcahU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essa era outra pergunta que eu ia fazer para voc\u00ea. Como voc\u00ea v\u00ea sua m\u00fasica chegando para pessoas que provavelmente n\u00e3o conhecem a sua hist\u00f3ria ou a realidade que voc\u00ea retrata?<\/strong><br \/>\nEnt\u00e3o, agora na atual situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, est\u00e1 complicado e n\u00e3o est\u00e1. Acho que hoje a gente \u2013 eu e outras cantoras que s\u00e3o minhas refer\u00eancias \u2013 est\u00e1 conseguindo chegar em outros espa\u00e7os. Mas pra isso, a abordagem precisa ser feita de uma outra forma. N\u00f3s do reggae estamos acostumados a coisas como \u201cvamos tacar fogo no sistema\u201d. J\u00e1 cantei muito disso nas minhas letras. Por\u00e9m, hoje, na atual situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, acho que a gente n\u00e3o pode s\u00f3 tacar um fogo no sistema, a gente precisa incentivar e ensinar as pessoas, reeducar as pessoas. N\u00f3s, mulheres negras, temos que fazer um trabalho tr\u00eas vezes melhor que um cara pra gente ter um espa\u00e7o. \u00c0s vezes sou qualificada naquele papel, por\u00e9m n\u00e3o tenho a melanina que eles procuram, n\u00e3o tenho o cabelo como eles querem, ent\u00e3o \u00e9 mais dif\u00edcil. Tento conversar, principalmente com mulheres brancas. Procuro mostrar n\u00e3o o \u201cmeu\u201d lado, mas o lado real, o lado da periferia mesmo, porque para mim, como uma mulher negra perif\u00e9rica no Brasil, a emancipa\u00e7\u00e3o \u00e9 coletiva, sabe? N\u00e3o \u00e9 sobre eu subir sozinha. Eu queria ocupar mais espa\u00e7os, espa\u00e7os que nos foram negados, e puxar os meus comigo. Para isso, preciso quebrar mais barreiras. Quis fazer justamente isso com esse disco novo. N\u00e3o quis s\u00f3 fazer algo dan\u00e7ante, quis fazer algo consciente. N\u00e3o que a gente n\u00e3o possa dan\u00e7ar, n\u00e9? A gente rebola com a m\u00e3o na consci\u00eancia. Por\u00e9m, eu quis chegar nessas outras pessoas com uma outra linguagem. Procurei usar o portugu\u00eas correto. A cultura de sound system \u00e9 como se fosse uma batalha de rima, o artista tem que ali cantar uma letra em cima daquela base instrumental que est\u00e1 rolando na hora. Ent\u00e3o voc\u00ea acaba falando sobre v\u00e1rios temas e nesse disco eu quis trazer algo mais consciente, e ao mesmo tempo dan\u00e7ante. Inclusive at\u00e9 me questionaram: &#8220;P\u00f4, voc\u00ea quer falar sobre o olhar para dentro, mas a\u00ed voc\u00ea canta um dancehall?\u201d Mas a gente usa o que a gente tem, n\u00e9? Passo por v\u00e1rios sentimentos, esse disco tem um momento de luto, mas tem tamb\u00e9m m\u00fasicas sobre o empoderamento de outras mulheres. Isso \u00e9 tudo pelo que um corpo passa. N\u00e3o queria engavetar esses sentimentos e essas sensa\u00e7\u00f5es. Eu queria colocar para fora, para que outras pessoas que n\u00e3o sejam do meu nicho tamb\u00e9m possam se olhar para dentro. P\u00f4, realmente existem pessoas que est\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es, tipo assim, piores\u2026 Porque a gente \u00e0s vezes a gente acha que o nosso problema \u00e9 o maior, que eu sou a dona de todos os problemas, \u201cs\u00f3 acontece comigo\u201d. Mas existe uma preocupa\u00e7\u00e3o maior. Estamos vivendo tempos dif\u00edceis, n\u00f3s que somos mulheres m\u00e3es pretas da periferia. Estamos em tempos cru\u00e9is. Tenho uma filha adolescente e quero deixar esse legado para ela, quero que ela construa algo, sabe? E n\u00e3o \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o que se faz sozinha, a gente depende dos demais, de toda uma comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00ea disse, a gente j\u00e1 t\u00e1 num momento terr\u00edvel e tudo indica que a gente vai viver tempos mais dif\u00edceis ainda.<\/strong><br \/>\nSim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o, antes de falarmos na sua perspectiva disso como artista, queria saber o que voc\u00ea est\u00e1 sentindo nesse momento \u2013 como pessoa mesmo. Como voc\u00ea imagina que v\u00e3o ser os pr\u00f3ximos anos para pessoas como voc\u00ea, mulheres pretas, m\u00e3es da periferia?<\/strong><br \/>\nEu me sinto frustrada. Ap\u00f3s essa elei\u00e7\u00e3o, na segunda-feira ap\u00f3s o primeiro turno, eu acordei com um sentimento de perda, de dor. A gente est\u00e1 aqui lutando pra virar esse jogo (nota: a entrevista aconteceu na semana seguinte ao primeiro turno). Mas infelizmente a gente tem muitas pessoas fascistas no nosso pa\u00eds, n\u00e9? Se o outro l\u00e1 (Flavio Bolsonaro) for o presidente, ser\u00e1 que eu continuarei viva? Essa pergunta eu me fa\u00e7o. Ser\u00e1 que eu vou estar aqui ainda para contar a hist\u00f3ria? Estou deixando as minhas obras a\u00ed, porque se em um futuro l\u00e1 na frente eu n\u00e3o estiver, eu tenho obras que eu tento passar essa vis\u00e3o para as pessoas. Mas me sinto frustrada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica do nosso pa\u00eds. Sou uma artista, gosto muito de me posicionar politicamente, e com isso a gente ganha amigos e tamb\u00e9m grandes inimigos. Eu estava com quase 30 mil seguidores, conquistados de forma org\u00e2nica, e ap\u00f3s o meu posicionamento pol\u00edtico\u2026 Muitas pessoas que me conhecem sabem o meu posicionamento, mas eu comecei a ser mais direta, a fazer mais v\u00eddeos falando sobre os assuntos e mostrando realmente de que lado estou. <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/sistahmari\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Com isso perdi muitos seguidores.<\/a> Perdi quase 10 mil seguidores. A\u00ed eu paro e penso que a gente est\u00e1 regredindo de uma maneira\u2026 \u00c9 como voc\u00ea sabe quando voc\u00ea vai fazer uma prova do Enem e o port\u00e3o fecha na sua cara por um segundo, sabe? Sinto isso \u00e0s vezes. Tipo, bate um medo, e bate um desespero tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Sistah Mari - Somos Todas Marias (V\u00eddeo Clipe Oficial 2023)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/9_HYT4i8zV8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como voc\u00ea encontra for\u00e7as para navegar no meio de tudo isso? Eu sinto que voc\u00ea tem esse senso de miss\u00e3o com a sua m\u00fasica, e as suas letras t\u00eam um enfrentamento, mas tamb\u00e9m t\u00eam um lado muito grande de esperan\u00e7a. De onde vem isso? De onde tirar essa esperan\u00e7a?<\/strong><br \/>\nPara mim, tudo s\u00f3 faz sentido se for no plural. Esse disco, \u201cAscender\u201d, me mostrou isso. Aquela demagogia de que somos todos iguais \u00e9 falsa, na verdade somos todos plurais, e vivendo a minha pluralidade, eu penso n\u00e3o s\u00f3 em resistir, mas eu existir tamb\u00e9m, sabe? Desejo devolver para a cena reggae autonomia, inspira\u00e7\u00e3o, fortalecimento da nossa estrutura. Eu quero que esse \u00e1lbum sirva de espelho para outras mulheres pretas e perif\u00e9ricas que vejam que \u00e9 poss\u00edvel liderar as pr\u00f3prias produ\u00e7\u00f5es, deixar suas pr\u00f3prias narrativas, sabe? Eu quero devolver m\u00fasica com cultura ao meu p\u00fablico. Eu quero que eles acreditem tamb\u00e9m que l\u00e1 no final a gente pode fazer alguma coisa, porque a revolu\u00e7\u00e3o come\u00e7a de dentro para fora. E eu sou m\u00e3e \u2013 e como m\u00e3e a gente \u00e9 cobrada 10 vezes mais. Meus filhos s\u00e3o a minha verdadeira inspira\u00e7\u00e3o para n\u00e3o desistir, para continuar. Mas penso tamb\u00e9m em mim mesma. Eu passei por uma gesta\u00e7\u00e3o bem turbulenta na pandemia. Era uma gesta\u00e7\u00e3o de risco, eu quase morri mesmo, e naquele momento eu parei para me analisar, me autoavaliar sobre os meus bons feitos e o que eu poderia fazer para melhorar. Com isso, eu criei um projeto de fotografia, porque eu sempre tento procurar fortalecer outras mulheres. Ter outra mulher que t\u00e1 passando por um momento dif\u00edcil ou uma mulher que ela pensa em desistir da vida, como a gente conhece muitas e muitos que j\u00e1 foram, como meu amigo que perdi (Rodrigo Rebelato),isso me fez mais pensar sobre a vida, sobre viver, se eu t\u00f4 vivendo da forma correta, se eu t\u00f4 aproveitando ao m\u00e1ximo a oportunidade que eu tenho. Ent\u00e3o, quando eu consigo salvar uma mina de algum problema, quando consigo aliviar um pouco mais para ela, isso me motiva, sabe? Porque quando estive assim, eu tive mulheres que seguraram minha m\u00e3o e falaram para mim que era poss\u00edvel. Eu precisava acreditar em mim, mas n\u00e3o acreditava muito, eu n\u00e3o me via como artista. Eu era muito amadora. A partir do primeiro disco que eu lancei, eu comecei a me olhar de outra forma e ver que realmente meu trabalho salvou outras mulheres. \u00c9 como uma m\u00fasica que eu tenho, chamada \u201cSomos Todas Marias\u201d. Essa m\u00fasica me levou a lugares, me fez conhecer pessoas, mulheres que viviam uma luta t\u00e3o grande que a minha parecia um gr\u00e3o de areia perto das lutas delas. Ent\u00e3o eu acredito que ver outras mulheres vencendo, n\u00e3o desistindo, isso \u00e9 o que mais me motiva a continuar. Eu sou da COHAB aqui da Zona Leste de S\u00e3o Paulo, ent\u00e3o eu tenho muito essa parada de coletivo. Aqui na minha quebrada tem v\u00e1rias ocupa\u00e7\u00f5es, \u00e9 uma quebrada rica culturalmente, e eu tenho medo disso acabar, sabe? Medo de n\u00e3o ter mais esses polos culturais aqui pra gente. Por\u00e9m, enquanto artistas e fazedores de cultura, n\u00f3s somos uma multid\u00e3o aqui, ent\u00e3o, ver que tem outras pessoas, outras Marias, outras Marianas, continuando esse legado, \u00e9 o que me mant\u00e9m de p\u00e9.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"SISTAH MARI - PerifaDub #6\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/UWJxYheXjdg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) \u00e9 produtor e autor do livro \u201c<a href=\"https:\/\/editorabarbante.com.br\/produtos\/o-evangelho-segundo-odair-censura-igreja-e-o-filho-de-jose-e-maria\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O Evangelho Segundo Odair: Censura, Igreja e O Filho de Jos\u00e9 e Maria<\/a>\u201c. A foto que abre o texto \u00e9 de Miguel Salvatore<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A m\u00fasica de Sistah Mari \u00e9 fortemente influenciada pelos muitos ritmos da jamaica englobando reggae, rub-a-dub, lovers\u2019 rock, dub e muito dancehall.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/11\/06\/sistah-mari-lanca-ascender-um-disco-mais-plural-e-defende-o-dancar-e-o-pensar-a-gente-rebola-com-a-mao-na-consciencia\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":98181,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7548,4833,3],"tags":[8443],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/98180"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=98180"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/98180\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":98185,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/98180\/revisions\/98185"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/98181"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=98180"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=98180"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=98180"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}