{"id":98171,"date":"2026-11-05T17:02:13","date_gmt":"2026-11-05T20:02:13","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=98171"},"modified":"2026-11-05T17:04:37","modified_gmt":"2026-11-05T20:04:37","slug":"tres-filmes-godzilla-minus-zero-assalto-a-brasileira-klara-e-o-sol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/11\/05\/tres-filmes-godzilla-minus-zero-assalto-a-brasileira-klara-e-o-sol\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas filmes: &#8220;Godzilla Minus Zero&#8221;, &#8220;Assalto \u00e0 Brasileira&#8221;, &#8220;Klara e o Sol&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>textos de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/leandro_luz\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leandro Luz<\/a><\/strong><\/h2>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-98174 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/godzilla.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"331\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/godzilla.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/godzilla-300x132.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Godzilla Minus Zero \/ \u30b4\u30b8\u30e9-0.0&#8221;, de Takashi Yamazaki (2026)<\/strong><br \/>\nAp\u00f3s o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/06\/11\/cinema-estreando-na-netflix-godzilla-minus-one-se-sobressai-focando-na-essencia-do-trauma-humano\/\">sucesso do primeiro filme<\/a>, Takashi Yamazaki retorna ao universo do Gojira (jun\u00e7\u00e3o de palavras em japon\u00eas que misturam dois animais, o gorila e a baleia) em \u201cGodzilla Minus Zero\u201d (\u201c\u30b4\u30b8\u30e9-0.0\u201d, Takashi Yamazaki, 2026). Dois anos se passaram desde os eventos traum\u00e1ticos que fizeram o monstro nip\u00f4nico favorito de muita gente destruir um punhado de metr\u00f3poles e matar milhares de pessoas em um Jap\u00e3o j\u00e1 desmantelado ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial. Seguimos acompanhando as desventuras do casal Koichi (Ryunosuke Kamiki) e Noriko (Minami Hamabe), as quais envolvem prova\u00e7\u00f5es que v\u00e3o se tornando cada vez mais fastidiosas e moralmente dif\u00edceis de serem superadas. Quando uma nova amea\u00e7a paira sobre a sociedade japonesa, as tens\u00f5es entre o Jap\u00e3o e os Estados Unidos aumentam, gerando fa\u00edscas pol\u00edticas interessantes para refletirmos acerca do p\u00f3s-guerra e dos perigos de um desastre nuclear que tirou o sono da humanidade em diversas ocasi\u00f5es. Em \u00faltima inst\u00e2ncia, os melhores coment\u00e1rios gerados a partir dos filmes de Godzilla costumam ser sobre os dilemas e os traumas da guerra, al\u00e9m do p\u00e2nico diante da fragilidade da vida na Terra e da possibilidade de finitude por meio da destrui\u00e7\u00e3o nuclear. Yamazaki, al\u00e9m de roteirizar e dirigir, tamb\u00e9m lidera a equipe de efeitos especiais, que aqui s\u00e3o ainda mais impressionantes do que no filme anterior. Se nesta nova fita as sequ\u00eancias de a\u00e7\u00e3o ganham for\u00e7a (h\u00e1 uma cena com avi\u00f5es particularmente memor\u00e1vel), o melodrama \u00e9 bem menos interessante do que vimos anteriormente. A divers\u00e3o \u00e9 garantida, logicamente, e contrariando a logline divulgada para a imprensa (\u201ctudo termina aqui\u201d), o gancho para uma pr\u00f3xima aventura est\u00e1 mais do que bem desenhado.<\/p>\n<hr \/>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-98173 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/assalto.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"331\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/assalto.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/assalto-300x132.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Assalto \u00e0 Brasileira&#8221;, de Jos\u00e9 Eduardo Belmonte (2025)<\/strong><br \/>\n<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Jos%C3%A9+Eduardo+Belmonte\">Jos\u00e9 Eduardo Belmonte<\/a> nunca foi t\u00e3o prol\u00edfico. Cineasta paulista radicado em Bras\u00edlia, dirigiu filmes de grande vulto como \u201cBilli Pig\u201d (2012) e \u201cAlem\u00e3o\u201d (2014), e s\u00f3 em 2025 produziu tr\u00eas longas-metragens, dentre eles \u201cAssalto \u00e0 Brasileira\u201d. Multipremiado na edi\u00e7\u00e3o do ano passado do <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Festival+de+Bras%C3%ADlia\">Festival de Bras\u00edlia do Cinema Brasileiro<\/a> (Melhor Filme pelo J\u00fari Popular, Melhor Ator para Murilo Ben\u00edcio e Melhor Ator Coadjuvante para Christian Malheiros), o filme segue o azarado Paulo (Ben\u00edcio), jornalista que acaba de ser demitido de um grande jornal e vai ao banco sacar o dinheiro da sua rescis\u00e3o apenas para se ver preso num assalto pouco comum. O enredo \u00e9 baseado no famoso assalto \u00e0 ag\u00eancia central do Banestado, ocorrido em 1987, na cidade de Londrina, no Paran\u00e1. Belmonte acerta no tom c\u00f4mico &#8211; ajudado pela aptid\u00e3o de Ben\u00edcio no trato com a com\u00e9dia -, sem perder o controle, inclusive, das cenas que exigem maior dramaticidade ou mesmo habilidade no manejo da a\u00e7\u00e3o (como na persegui\u00e7\u00e3o do \u00f4nibus na parte final). H\u00e1 espa\u00e7o at\u00e9 para alguns arroubos maneiristas. Reparem como, logo de cara, a decupagem flerta com o cinema de Brian De Palma no uso de trilhos e de steadicam para os travellings da sequ\u00eancia de abertura. Aqui e ali, timidamente, Belmonte coloca as asinhas para fora e arrisca fugir do \u00f3bvio. A trupe de assaltantes amadores \u00e9 liderada por Moreno (Malheiros), e apesar dos excessos &#8211; muitas vezes os di\u00e1logos entre o grupo servem-se de chav\u00f5es dignos de um Zorra Total da vida -, trazem um coment\u00e1rio interessante para o filme sobre a nossa identidade como brasileiros. Paulo Miklos, bem limitado, faz um papel pequeno como chefe de pol\u00edcia pau-mandado. Belmonte usa os cr\u00e9ditos iniciais para contextuar a \u00e9poca com cenas documentais da realidade brasileira do final dos anos 1980 e, a partir disso, opera em duas vias: retrata os jovens criminosos como v\u00edtimas da desigualdade socioecon\u00f4mica do pa\u00eds e complexifica as discuss\u00f5es a partir do conceito sociol\u00f3gico da cordialidade, criado pelo historiador e escritor S\u00e9rgio Buarque de Holanda em seu livro \u201cRa\u00edzes do Brasil\u201d (1936).<\/p>\n<hr \/>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-98176 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/kalra.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"331\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/kalra.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/kalra-300x132.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Klara e o Sol \/ Klara and the Sun&#8221;, de Taika Waititi (2026)<\/strong><br \/>\nO cineasta neozeland\u00eas mais pop de sua gera\u00e7\u00e3o (14 anos mais jovem do que o Peter Jackson, vale lembrar) ataca novamente com mais uma obra esquec\u00edvel. \u201cKlara e o Sol\u201d (\u201cKlara and the Sun\u201d, Taika Waititi, 2026) n\u00e3o \u00e9 particularmente melhor do que \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/06\/30\/tres-filmes-um-dia-de-chuva-em-nova-york-entre-facas-e-segredos-jojo-rabitt\/\">Jojo Rabbit<\/a>\u201d (2019), o filme mais celebrado de Waititi e que lhe rendeu um Oscar de Melhor Roteiro Adaptado em 2020, nem do que \u201cO Que Fazemos nas Sombras\u201d (\u201cWhat We Do in the Shadows\u201d, codirigido com Jemaine Clement, 2014), longa-metragem que o tornou conhecido nos Estados Unidos e no mundo, o qual ainda rendeu uma s\u00e9rie de sucesso da FX cinco anos depois. A r\u00e9gua \u00e9 baixa, convenhamos. Jenna Ortega interpreta Klara, uma exemplar do modelo B1 da s\u00e9rie de rob\u00f4s intitulada \u201cAmiga Artificial\u201d (AA), constru\u00edda para combater a solid\u00e3o de adolescentes cujas fam\u00edlias s\u00e3o financeiramente bem resolvidas para bancar a aquisi\u00e7\u00e3o. Em uma loja junto a outros AA\u2019s e guiada por uma gerente amalucada (Natasha Lyonne, fazendo a manuten\u00e7\u00e3o de todos os tiques pelos quais \u00e9 conhecida), Klara espera ansiosamente que uma jovem se encante por ela e a salve do fim mais terr\u00edvel de todos: retornar \u00e0 f\u00e1brica e ter as suas pe\u00e7as derretidas em prol da cria\u00e7\u00e3o dos novos modelos B3 que dominam o mercado. Nossa protagonista-rob\u00f4 \u00e9 devota do Sol, cuja luz \u00e9 a principal fonte de energia para a sua estirpe, e pede fervorosamente ao seu Deus que a ajude a encontrar um dono. Ela \u00e9 a \u00fanica, ali\u00e1s, a estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o de devo\u00e7\u00e3o e espiritualidade para com o astro, o que a torna imediatamente singular na compara\u00e7\u00e3o com os seus semelhantes. A sua s\u00faplica \u00e9 atendida quando Josie (Mia Tharia) convence sua m\u00e3e (Amy Adams) a lev\u00e1-la para casa &#8211; no universo ficcional da obra (inspirada no romance de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica dist\u00f3pica lan\u00e7ado em 2021 pelo Nobel de Literatura Kazuo Ishiguro), a internet foi banida e os seres humanos tiveram que adotar outras formas de lidar com o \u00f3cio, premissa bem pouco explorada, ali\u00e1s. Os desdobramentos do roteiro s\u00e3o pouco criativos tanto nas imagens sugeridas quanto no desenvolvimento da trama. Adams est\u00e1 no piloto autom\u00e1tico e Ortega se limita ao chav\u00e3o de caras e bocas robotizadas. Como era de se esperar, Waititi enfileira as suas habituais doses de fofura e otimismo na cria\u00e7\u00e3o de um universo exc\u00eantrico e muito mais ing\u00eanuo do que deveria.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Klara e o Sol | Trailer Oficial\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/KeeH5hwNLe8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"ASSALTO \u00c0 BRASILEIRA | Trailer Oficial\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/G9ochmUiM_w?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"GODZILLA MINUS ZERO | Trailer Oficial 2\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/LuBaLVzj850?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Leandro Luz (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/leandro_luz\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@leandro_luz<\/a>) escreve e pesquisa sobre cinema desde 2010. Coordena os projetos de audiovisual do Sesc RJ desde 2019 e exerce atividades de cr\u00edtica nos podcasts\u00a0<a href=\"https:\/\/podcasters.spotify.com\/pod\/show\/plano-sequencia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Plano-Sequ\u00eancia<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/podcasters.spotify.com\/pod\/show\/plano-sequencia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">1 disco, 1 filme.<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Godzilla Minus Zero&#8221; conta com efeitos ainda mais impressionantes; &#8220;Assalto \u00e0 Brasileira&#8221; acerta no tom c\u00f4mico; &#8220;Klara e o Sol&#8221; enfileira as habituais doses de fofura e otimismo de Taika Waititi.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/11\/05\/tres-filmes-godzilla-minus-zero-assalto-a-brasileira-klara-e-o-sol\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":137,"featured_media":98175,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7548,4],"tags":[7124,8442,8441],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/98171"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/137"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=98171"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/98171\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":98179,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/98171\/revisions\/98179"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/98175"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=98171"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=98171"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=98171"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}