{"id":98162,"date":"2026-11-05T11:59:22","date_gmt":"2026-11-05T14:59:22","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=98162"},"modified":"2026-11-05T11:59:22","modified_gmt":"2026-11-05T14:59:22","slug":"50a-mostra-sp-o-samurai-e-o-prisioneiro-projecto-global-zi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/11\/05\/50a-mostra-sp-o-samurai-e-o-prisioneiro-projecto-global-zi\/","title":{"rendered":"50\u00aa Mostra SP: &#8220;O Samurai e o Prisioneiro&#8221;, &#8220;Projecto Global&#8221;, &#8220;Zi&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>textos de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/leandro_luz\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leandro Luz<\/a><\/strong><\/h2>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-98165 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/samaurai.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"331\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/samaurai.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/samaurai-300x132.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;O Samurai e o Prisioneiro \/ \u9ed2\u7262\u57ce&#8221;, de Kiyoshi Kurosawa (2026)<\/strong><br \/>\nKiyoshi Kurosawa \u00e9 um dos cineastas mais vers\u00e1teis da atualidade. Al\u00e9m de filmar com muita frequ\u00eancia, o roteirista e diretor de \u201cA Cura\u201d (\u201c\u30ad\u30e5\u30a2\u201d, 1997) e \u201cPulse\u201d (\u201c\u56de\u8def\u201d, 2001) &#8211; cl\u00e1ssicos alternativos (d\u00e1 para chamar assim?) segue espraiando os seus interesses para as mais diversas formas de express\u00e3o a partir da linguagem cinematogr\u00e1fica. Dono de de um estilo bastante peculiar e de uma criatividade \u00edmpar para erguer hist\u00f3rias originais, Kurosawa \u00e9 frequentemente associado ao J-horror, subg\u00eanero que ajudou a estabelecer no Jap\u00e3o, mas tamb\u00e9m sabe filmar com destreza drama, fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e filme policial como poucos, muitas vezes propondo misturas e rearranjos entre eles. \u201cO Samurai e o Prisioneiro\u201d \u00e9 o seu filme mais recente, desta vez uma adapta\u00e7\u00e3o de um romance escrito por Honobu Yonezawa que mistura drama hist\u00f3rico (os eventos se passam no s\u00e9culo XVI) com mist\u00e9rio. Kurosawa coloca samurais e lordes em um whodunit (narrativa cujo eixo central gira em torno da tentativa de se solucionar um crime) mais interessado em intrigas e charadas do que propriamente em grandes combates. O filme come\u00e7a com Araki Murashige (Masahiro Motoki), nosso protagonista, j\u00e1 em estado de insurg\u00eancia contra o tir\u00e2nico Nobunaga Oda &#8211; uma esp\u00e9cie de inimigo fantasma que jamais d\u00e1 as caras &#8211; e enquadrado dentro das muralhas de seu castelo, apreensivo com a ideia de um traidor dentro de seu pr\u00f3prio ex\u00e9rcito. Kanbei Kuroda (Masaki Suda), um mensageiro, \u00e9 feito prisioneiro e se torna uma esp\u00e9cie de consultor estrategista para a resolu\u00e7\u00e3o dos sucessivos mist\u00e9rios que se imp\u00f5em \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o de Murashige. Kurosawa se sai bem, como de costume, ao filmar esse bando de homens entre paredes e ainda arruma espa\u00e7o para adotar com frequ\u00eancia o bom humor. Um belo acerto em uma filmografia bem acima da m\u00e9dia.<\/p>\n<hr \/>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-98164 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/global.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"331\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/global.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/global-300x132.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Projecto Global&#8221;, de Ivo M. Ferreira (2026)<\/strong><br \/>\nTalvez &#8220;Projecto Global&#8221; (Ivo M. Ferreira, 2026) fa\u00e7a sentido para a juventude progressista portuguesa, mas por aqui soa ing\u00eanuo demais, novelesco no pior sentido da palavra. Diante de obras semelhantes brasileiras que tentaram retratar, por meio do cinema, momentos importantes da nossa hist\u00f3ria como a Ditadura Militar de 1964, por exemplo, \u201cProjecto Global\u201d empalidece. Falta ao filme de Ferreira o charme de um \u201cO Agente Secreto\u201d (Kleber Mendon\u00e7a Filho, 2025) ou a classe de um \u201cAinda Estou Aqui\u201d (Walter Salles, 2024) &#8211; e olha que s\u00e3o dois filmes que tamb\u00e9m possuem as suas fragilidades. A compara\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 necessariamente injusta, ainda que seja um pouco \u00f3bvia, admitamos. \u201cProjecto Global\u201d \u00e9 um filme que deixa muito a desejar tanto em termos t\u00e9cnicos quanto em criatividade. Se esfor\u00e7a tanto para reconstruir \u00e9poca &#8211; uma Lisboa p\u00f3s Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos, j\u00e1 nos anos 1980 &#8211; e esquece do que verdadeiramente importa aqui: os personagens e as suas motiva\u00e7\u00f5es. A trama excessivamente intrincada, os planos mirabolantes dos revolucion\u00e1rios da FP25, um grupo armado de extrema-esquerda, e as cenas de roubo a banco e emboscadas debaixo de t\u00faneis s\u00f3 disfar\u00e7am o vazio geral da proposta, tanto do ponto de vista da dramaturgia quanto do estilo adotado pela dire\u00e7\u00e3o. Resta ao filme a boa presen\u00e7a de Jani Zhao, que interpreta Rosa, a personagem de maior nuance e que sobrevive, aos trancos e barrancos, \u00e0s trai\u00e7\u00f5es, aos amores e aos tiroteios aos quais \u00e9 submetida.<\/p>\n<hr \/>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-98167 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/zi.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"331\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/zi.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/zi-300x132.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Zi&#8221;, de Kogonada (2026)<\/strong><br \/>\nMais uma parceria entre a atriz Haley Lu Richardson e Kogonada, pseud\u00f4nimo de Park Joong-eun, cineasta nascido na Coreia do Sul e radicado nos Estados Unidos, que primeiro ficou conhecido no meio do cinema pelos v\u00eddeo-ensaios e, posteriormente, pelo interessante \u201cColumbus\u201d (Kogonada, 2017), seu longa-metragem de estreia. Com \u201cZi\u201d, o cineasta ambienta a hist\u00f3ria de uma jovem assombrada por vis\u00f5es de si mesma no futuro enquanto caminha pelas ruas de Hong Kong. O filme apresenta um conceito um tanto fantasioso, ainda que bem definido, mas se concentra nas rela\u00e7\u00f5es humanas ao inv\u00e9s de dar muita trela para o aspecto ficcional que orienta essas vis\u00f5es. Boa parte do tempo, a protagonista que d\u00e1 nome ao filme, interpretada por Michelle Mao, luta contra a ideia de que est\u00e1 enlouquecendo, ao mesmo tempo que espera, aflita, por um diagn\u00f3stico que pode dar positivo para um tumor cerebral. Ela precisar\u00e1 atravessar a madrugada insone enquanto aguarda a resposta que s\u00f3 vir\u00e1 pela manh\u00e3, quando voltar ao centro m\u00e9dico. Quando Zi parece que vai perder a cabe\u00e7a de vez, ela esbarra com Elle (Richardson), que imediatamente demonstra a maior empatia do mundo para com a desconhecida. O design de som ajuda a compor esse universo de adrenalina e de incerteza vivenciado por Zi. \u00c0 exce\u00e7\u00e3o de poucas cenas, Kogonada opta por embarcar na subjetividade da protagonista, se rendendo a uma montagem fragmentada meio \u00f3bvia, mas eficiente at\u00e9 certo ponto. O filme sai de Sundance com o checklist completo: personagens exc\u00eantricos, cantos e risos num karaok\u00ea e foco na emo\u00e7\u00e3o que surge de uma amizade improv\u00e1vel. Kogonada quase se perde com as subtramas que inventa, mas logo corrige o prumo e encerra com cuidado a sua singela narrativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/mostra-de-cinema\/\">Leia mais sobre a Mostra Internacional de Cinema de S\u00e3o Paulo<\/a><\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"ZI Official Trailer (2026) Kogonada\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/HxDfJlBJ22Y?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Leandro Luz (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/leandro_luz\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@leandro_luz<\/a>) escreve e pesquisa sobre cinema desde 2010. Coordena os projetos de audiovisual do Sesc RJ desde 2019 e exerce atividades de cr\u00edtica nos podcasts\u00a0<a href=\"https:\/\/podcasters.spotify.com\/pod\/show\/plano-sequencia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Plano-Sequ\u00eancia<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/podcasters.spotify.com\/pod\/show\/plano-sequencia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">1 disco, 1 filme.<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;O Samurai e o Prisioneiro&#8221; \u00e9 um belo acerto;  &#8220;Projecto Global&#8221; soa novelesco no pior sentido da palavra; &#8220;Zi&#8221; apresenta um conceito um tanto fantasioso.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/11\/05\/50a-mostra-sp-o-samurai-e-o-prisioneiro-projecto-global-zi\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":137,"featured_media":98166,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7548,4],"tags":[8440,8439,8438,226],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/98162"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/137"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=98162"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/98162\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":98169,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/98162\/revisions\/98169"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/98166"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=98162"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=98162"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=98162"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}