{"id":98088,"date":"2026-11-03T02:12:56","date_gmt":"2026-11-03T05:12:56","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=98088"},"modified":"2026-11-03T02:14:36","modified_gmt":"2026-11-03T05:14:36","slug":"entrevista-lenny-kaye-fala-sobre-seu-primeiro-disco-solo-black-metal-grunge-e-a-parceria-com-patti-smith","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/11\/03\/entrevista-lenny-kaye-fala-sobre-seu-primeiro-disco-solo-black-metal-grunge-e-a-parceria-com-patti-smith\/","title":{"rendered":"Entrevista: Lenny Kaye fala sobre seu disco solo, Allen Ginsberg, black metal, grunge e a parceria com Patti Smith"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/LuizMazetto1986\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luiz Mazetto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Parece at\u00e9 dif\u00edcil de acreditar, mas foram necess\u00e1rios cerca de 50 anos de carreira at\u00e9 que <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/lenny_kaye\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lenny Kaye<\/a> decidisse que finalmente tinha chegado a hora de colocar no mundo o seu primeiro disco solo. Lan\u00e7ado em julho pela Yep Roc Records, \u201c<a href=\"https:\/\/lennykaye.bandcamp.com\/album\/goin-local-2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Goin\u2019 Local<\/a>\u201d (2026) marca a primeira vez que o guitarrista, mais conhecido por seu trabalho ao lado de Patti Smith, solta um \u00e1lbum trazendo apenas o seu nome na capa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar da faixa de abertura trazer uma pegada que lembra um pouco da cena Nova York da segunda metade dos anos 1970, o restante do disco mostra um outro lado de Lenny, muitas vezes mais introspectivo, em que o guitarrista e vocalista flerta com o folk e o country em alguns momentos, como nas inspiradas \u201cThis Love\u201d, \u201cThe Things You Leave Behind\u201d e o lindo encerramento com \u201cYes I Will\u201d \u2013 al\u00e9m de compor, tocar guitarra e cantar, vale notar que Lenny tamb\u00e9m divide a produ\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum ao lado do parceiro Tony Shananan, que toca baixo ao seu lado na banda de Patti Smith.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na entrevista abaixo, feita no final de agosto por videochamada, Lenny fala, obviamente, sobre a sua t\u00e3o aguardada estreia solo, diz que ainda tem pelo menos mais um disco para soltar, relembra a colet\u00e2nea Nuggets (\u201cNuggets: Original Artyfacts from the First Psychedelic Era\u201d, de 1972, da qual foi curador) e sua parceria de d\u00e9cadas com Patti Smith, conta como foi conhecer e trabalhar com Allen Ginsberg, revela suas bandas favoritas de black metal noruegu\u00eas e do grunge de Seattle, comenta sobre seu trabalho como produtor e como \u00e9 a vida na Filad\u00e9lfia ap\u00f3s tanto tempo vivendo em Nova York. Confira!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"This Love\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/LVUALCORehY?list=PLX_473HIT4NE\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ao fazer a pesquisa para a entrevista, encontrei um v\u00eddeo de cerca de cinco anos atr\u00e1s, onde voc\u00ea toca &#8220;The Things You Leave Behind&#8221; (que est\u00e1 no disco) em uma vers\u00e3o ac\u00fastica, em que ela soa realmente como uma m\u00fasica folk dos anos 1960, como Dylan antes da fase el\u00e9trica. Ent\u00e3o eu queria saber se essa \u00e9 a sua principal forma de compor m\u00fasicas at\u00e9 hoje: pegar viol\u00e3o e ficar tocando?<\/strong><br \/>\nLenny: Acho que \u00e9 basicamente isso. Eu n\u00e3o tenho exatamente uma banda ativa. Ou melhor, eu tenho, mas \u00e9 uma banda muito diferente, que \u00e9 chamada Adrift. E eu os chamo de minha banda de jam g\u00f3tica psicod\u00e9lica, porque sou eu, um baterista que gosta de Rush e um baixista de seis cordas com pedais que gosta de m\u00fasica industrial. Tenho trabalhado no \u00e1lbum deles, j\u00e1 temos 8 m\u00fasicas gravadas. Ent\u00e3o estamos bem perto de conseguir isso. \u00c9 como o meu alter ego. Mas muitas das m\u00fasicas do meu disco solo meio que come\u00e7aram quando eu estava sentado no sof\u00e1 apenas tocando sem nenhuma dire\u00e7\u00e3o real em mente, mas pensando em algo que gostaria de colocar em uma m\u00fasica, seja um relacionamento, uma ideia ou algo divertido. Foi assim que aconteceu. Eu simplesmente tinha essas m\u00fasicas. Senti que elas eram honestas, n\u00e3o soavam como o que as pessoas pensam que eu sou. N\u00e3o \u00e9 garage rock, n\u00e3o \u00e9 punk. Quem sabe quem eu sou? Mas o fato \u00e9 que eu tinha as m\u00fasicas e pensei que gostaria de um encerramento art\u00edstico para elas. Achei que elas valiam a pena e h\u00e1 um est\u00fadio a cerca de 8 minutos de carro da minha casa que um amigo meu administra. Ent\u00e3o foi f\u00e1cil reservar algumas horas, ir at\u00e9 l\u00e1, fazer o trabalho, sem nenhum sentimento de expectativa. E fazer essas m\u00fasicas funcionou muito bem. Elas acabam soando como quem eu sou neste momento no tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9, eu gostei muito quando voc\u00ea disse que isso pode surpreender as pessoas porque elas talvez estivessem esperando algo relacionado ao projeto Nuggets, ao seu trabalho com a Patti Smith ou \u00e0 cena de Nova York de forma geral, mas elas v\u00e3o encontrar algo talvez um pouco diferente. Por exemplo, h\u00e1 trechos dessas outras partes da sua vida presentes no disco, mas n\u00e3o \u00e9 como se fosse a coisa principal aqui.<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, eu fiz as m\u00fasicas porque achei que elas eram quem eu sou al\u00e9m dos g\u00eaneros, al\u00e9m de tentar assumir uma persona, de tentar ser algo que n\u00e3o sou. \u00c9 um disco muito honesto e sinto que essa \u00e9 a minha personalidade art\u00edstica. Gosto de tantos tipos diferentes de m\u00fasica. Sou conhecido pela colet\u00e2nea Nuggets (lan\u00e7ada no in\u00edcio dos anos 1970 e que trazia muitas bandas at\u00e9 ent\u00e3o pouco conhecidas de garage rock e rock psicod\u00e9lico), mas, claro, essa \u00e9 a m\u00fasica que eu ouvia quando era adolescente. Estou perto de ser um adolescente agora, mas n\u00e3o exatamente (risos). J\u00e1 passei por tantas formas musicais diferentes. Fiz meus estudos em jazz, em world music. Amo especialmente m\u00fasica africana e jamaicana. Amo todos os tipos de m\u00fasica, amo m\u00fasica country, sou um tocador de steel guitar razo\u00e1vel. Mas simplesmente deixei as m\u00fasicas me dizerem quem elas queriam ser. N\u00e3o tentei for\u00e7\u00e1-las a nada, apenas escutei e permiti que me me guiassem em como queriam soar. Simplesmente sentei tocando e elas me diziam se algo n\u00e3o estivesse certo. As m\u00fasicas nunca mentem.<\/p>\n<figure id=\"attachment_98092\" aria-describedby=\"caption-attachment-98092\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-98092\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/lenny4.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"378\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/lenny4.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/lenny4-300x151.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-98092\" class=\"wp-caption-text\"><em>Os tr\u00eas livros escritos por Lenny Kaye<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea produziu o disco com o Tony (Shanahan, que toca baixo ao lado de Lenny no Patti Smith Group), certo?<\/strong><br \/>\nN\u00f3s fizemos cerca de metade das m\u00fasicas h\u00e1 alguns anos, mas nunca as terminamos. E eu assumi a responsabilidade de concluir o disco. H\u00e1 umas seis faixas que v\u00eam de algum tempo atr\u00e1s. E depois h\u00e1 aquelas com o Tony no baixo e o Mark Sacco na bateria. Ent\u00e3o eu s\u00f3 tinha essas outras m\u00fasicas que pareciam precisar de finaliza\u00e7\u00e3o. E ent\u00e3o eu mesmo as fiz e n\u00e3o terminei. Tenho algumas m\u00fasicas que sobraram de coisas em que trabalhei. E desde que terminei o \u00e1lbum, tenho mais tr\u00eas m\u00fasicas, que s\u00e3o muito valiosas e pelas quais estou muito animado. N\u00e3o acho que v\u00e1 fazer muitos discos, n\u00e3o \u00e9 como se eu fosse de repente acumular discos solo. Tenho o luxo de n\u00e3o ter tantos discos. Isso \u00e9 meio novo, mas n\u00e3o quero estressar demais a minha criatividade. Sei que tenho outro \u00e1lbum solo dentro de mim e tenho o \u00e1lbum do Adrift. E acho que, uma vez que os conclua, terei um sentimento de satisfa\u00e7\u00e3o da mesma forma que n\u00e3o sinto necessidade de escrever outro livro &#8211; Tenho tr\u00eas: a autobiografia do Waylon (\u201c<a href=\"https:\/\/link.amazon\/B0fnvXJOY\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Waylon: An Autobiography<\/a>\u201d, publicado em 1996, sobre a lenda do country nos EUA, Waylon Jennings), um g\u00eanero liter\u00e1rio muito estranho onde, quanto melhor voc\u00ea \u00e9 nele, menos as pessoas acham que voc\u00ea fez qualquer coisa al\u00e9m de ligar um gravador. Mas voc\u00ea precisa captar a voz da pessoa. E isso inclui todos os 20 conhecidos dele. E ent\u00e3o voc\u00ea v\u00ea o mundo atrav\u00e9s dos olhos dele. Fiz meu livro de arte, \u201c<a href=\"https:\/\/link.amazon\/B0dU8aVqC\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">You Call It Madness<\/a>\u201d (2004), sobre os crooners dos anos 1930. Esse \u00e9 um t\u00f3pico muito estranho, mas eu realmente gostei de fazer esse livro, entender como essa m\u00fasica se relaciona com o rock &#8211; era a m\u00fasica que eu n\u00e3o tinha vivido. E, claro, h\u00e1 o \u201c<a href=\"https:\/\/link.amazon\/B07iIwCha\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lightning Striking<\/a>\u201d (2021), que \u00e9 meio que minha hist\u00f3ria do rock atrav\u00e9s de suas cenas lend\u00e1rias. E se eu fiz parte disso, me coloco como um personagem secund\u00e1rio. Mas n\u00e3o sinto necessidade de acumular livros. J\u00e1 h\u00e1 muita m\u00fasica e muita literatura no mundo. E acho que se voc\u00ea faz algo, precisa garantir que seja significativo, que n\u00e3o seja algo s\u00f3 para ocupar espa\u00e7o. Voc\u00ea precisa ter certeza de que \u00e9 real. E \u00e9 isso que estou fazendo agora, garantindo que, se eu trabalhar, seja algo que precise estar no mundo. Eu simplesmente n\u00e3o estou preenchendo espa\u00e7o.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"A New York Evening with Lenny Kaye\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/uZCL1kXktrM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vi uma conversa recente (acima) muito boa que voc\u00ea teve com o Michael Imperioli (ator e m\u00fasico conhecido por seus trabalhos em \u201cSopranos\u201d, \u201cBons Companheiros\u201d e \u201cWhite Lotus\u201d) em Nova York. Em um momento, voc\u00ea disse que estava planejando fazer alguns shows solo, apenas com voc\u00ea no palco. Na verdade, voc\u00ea tem feito isso h\u00e1 algum tempo, mas agora a ideia seria focar especificamente neste disco ou voc\u00ea vai continuar a tocar covers e tamb\u00e9m ler algumas partes dos seus livros durante isso?<\/strong><br \/>\nEu meio que gosto da coisa solo. \u00c9 muito port\u00e1til, muito acess\u00edvel. N\u00e3o quero de repente cair na estrada e ter que\u2026 Gosto do fato de haver uma intimidade. Posso tocar as m\u00fasicas do disco, posso ler trechos dos livros, posso fazer alguns covers que me atraiam. E \u00e9 algo muito control\u00e1vel. Quando voc\u00ea toca solo, voc\u00ea pode realmente interpretar as m\u00fasicas, pode desacelerar as coisas, pode aceler\u00e1-las, pode parar e, sabe, falar com o p\u00fablico, e eu tenho gostado disso. Adoraria ter uma se\u00e7\u00e3o r\u00edtimica porque \u00e0s vezes voc\u00ea quer aumentar o volume e estou apenas vendo como isso pode funcionar no mundo. Vou ver que tipo de ofertas aparecem, se consigo encontrar uma maneira de fazer uma turn\u00ea com uma banda, isso seria \u00f3timo. Mas n\u00e3o \u00e9 algo imperativo. Eu fiz cerca de 20 desses shows solo desde que o disco saiu. Abri para Dave Alvin e Jimmy Dale Gilmore e depois me juntei a eles no final do set por cerca de seis m\u00fasicas. Vou sair com Kevin Kinney do Drivin\u2019 N\u2019 Cryin\u2019 para alguns shows, Alejandro Escovedo. Gosto de sair na estrada com meus amigos, basicamente. Eu posso fazer isso. Robyn Hitchcock \u00e9 outro. E vou ver o que acontece se houver demanda para ter uma banda, talvez ir ao Brasil e tocar em festivais. Quem sabe? Mas agora s\u00f3 estou aproveitando o processo criativo. N\u00e3o sinto nenhuma press\u00e3o, n\u00e3o sinto nenhuma sensa\u00e7\u00e3o do tipo \u201cOh, tenho que sair e divulgar esse disco e ficar em uma van por seis semanas\u201d. Quero fazer isso, quero gostar de tocar. Quero investigar quem eu sou neste momento da minha vida. J\u00e1 paguei minhas contas na estrada e gosto disso, mas n\u00e3o vou l\u00e1 para me esgotar. Agora gosto de sair por um per\u00edodo curto de duas semanas. Gosto de fazer alguns shows, me divertir, conversar com as pessoas, e depois voltar para casa e sentar na minha varanda e pensar sobre\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea tem uma varanda de verdade na sua casa?<\/strong><br \/>\nTenho uma varanda de verdade, em uma casa de verdade aqui no nordeste da Pensilv\u00e2nia (risos). Est\u00e1 chovendo hoje. Se isso (meu computador) fosse port\u00e1til, eu te levaria l\u00e1 fora e poder\u00edamos sentar na varanda, gosto de sentar l\u00e1. Estou apenas tentando aproveitar este momento da minha vida. Sinto que me provei de maneiras que ser\u00e3o parte da minha trajet\u00f3ria, mas isso \u00e9 meio que um b\u00f4nus. Eu posso me divertir tocando minha m\u00fasica e ver onde isso d\u00e1, porque n\u00e3o tenho nenhuma sensa\u00e7\u00e3o de destino. N\u00e3o estou tentando ter um single de sucesso ou vencer no mercado da m\u00fasica. Tenho um bom n\u00edvel de respeito por a\u00ed. Com certeza n\u00e3o sou uma estrela do rock. Minha \u00fanica extravag\u00e2ncia \u00e9 o meu carro Thunderbird 1961, que funciona na maior parte do tempo. E n\u00e3o desejo muito, na verdade. Tenho todas as guitarras que algum dia vou tocar. Tenho discos e livros e chamo esta casa, como voc\u00ea pode ver, de o museu de mim mesmo. Trouxe tudo isso, um livro e um disco de cada vez, e eles me fazem feliz. Mas, como digo em \u201cThings You Leave Behind\u201d, mais cedo ou mais tarde todos chegamos ao fim da linha. Ent\u00e3o, eu penso nisso tamb\u00e9m. Mas agora me sinto bastante feliz. \u00c9 um estilo de vida muito modesto que eu tenho. N\u00e3o preciso me preocupar em ficar tentando ser algo mais do que eu sou. E essa \u00e9 uma grande b\u00ean\u00e7\u00e3o no momento atual da minha vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-98089\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/lenny1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/lenny1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/lenny1-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea estava mencionando sobre como criou\/encontrou as m\u00fasicas. Uma vez que voc\u00ea tem esse relacionamento de mais de 50 anos como parceiro musical da Patti Smith, o quanto foi diferente para voc\u00ea escrever sozinho nesse disco? Imagino que voc\u00eas dois troquem ideias quando est\u00e3o escrevendo as m\u00fasicas, as letras e tudo mais. E, pelo que entendi, voc\u00ea trabalhou em tudo, por conta pr\u00f3pria: melodias, estrutura, letras. Foi um tipo diferente de experi\u00eancia para voc\u00ea ou voc\u00ea tamb\u00e9m estava buscando objetivos a partir das pistas do que fez antes com ela e outros parceiros?<\/strong><br \/>\nSou muito flex\u00edvel como colaborador. Tento ver o mundo atrav\u00e9s dos olhos do artista com quem trabalho. Especialmente como produtor musical. Devo ter produzido uns 20 discos ao longo dos anos, muitos dos quais nunca foram ouvidos fora do est\u00fadio, mas s\u00e3o todos discos de muita qualidade e ocasionalmente eu os pego na m\u00e3o e vejo esses grandes artistas com quem tive o privil\u00e9gio de trabalhar. Eu n\u00e3o era como um produtor de g\u00eanero, tipo \u201co cara do metal&#8221; ou do \u201crock mais pesado\u201d. Os artistas com quem trabalhei eram muito expressivos e muito individuais, seja o Soul Asylum, a Suzanne Vega, o Allen Ginsberg, Kristin Hersh, The Weather Prophets, James. Ver o mundo atrav\u00e9s dos olhos de outro artista \u00e9 uma gratid\u00e3o enorme \u2013 e \u00e9 uma honra poder ser o melhor amigo deles no est\u00fadio. Mas, tendo feito isso, tamb\u00e9m sou meu pr\u00f3prio melhor amigo no est\u00fadio. Aprendi a olhar para uma pe\u00e7a musical e quase me divorciar dela. Algo como &#8220;Ah sim, ali est\u00e1 o meu vocal e \u00e9 a minha m\u00fasica&#8221;. Mas posso me sentar e dizer: &#8220;Do que a m\u00fasica precisa? Como ela precisa se expandir para comunicar sua emo\u00e7\u00e3o?\u201d. E tendo feito isso, posso fazer isso e n\u00e3o preciso perguntar a ningu\u00e9m como &#8220;Est\u00e1 tudo bem para voc\u00ea?&#8221;. Se eu apenas pergunto a mim mesmo: &#8220;Est\u00e1 tudo bem para mim?&#8221;. E sim, quero dizer, \u201cSolstice\u201d (parceria de Kaye com Patti Smith) no \u00e1lbum se tornou uma m\u00fasica que poderia ter sido uma m\u00fasica da Patti para um de nossos discos e n\u00f3s trabalhamos nela. A Patti n\u00e3o gosta de ter muitas partes nas m\u00fasicas dela. Ela gosta das coisas de forma bastante direta. E h\u00e1 um monte de partes nessa m\u00fasica e ent\u00e3o ela nunca realmente entrou na sele\u00e7\u00e3o. Quando peguei a m\u00fasica para ver como soava, pensei: &#8220;Eu posso cantar isso&#8221;. Eu achei que talvez pud\u00e9ssemos fazer um dueto ou algo assim. Mas ela disse: &#8220;N\u00e3o, voc\u00ea deveria encarnar essa m\u00fasica. Ela soa como voc\u00ea e quero que voc\u00ea se aproprie dela&#8221;. E foi o que eu fiz. Tento n\u00e3o ser muito autoconsciente sobre o processo. Apenas me divirto com o fato de ter trabalhado nessas m\u00fasicas e as ter colocado em um lugar onde elas expressam a emo\u00e7\u00e3o, o tempo e o lugar. Muitas delas s\u00e3o sobre relacionamentos, como capturar um momento em um relacionamento onde voc\u00ea est\u00e1 celebrando esse relacionamento, mas tamb\u00e9m saber que ele pode ter pode ter uma linha do tempo. Pode n\u00e3o ser nada mais do que aquela linda noite ou aquele lindo m\u00eas. E voc\u00ea guarda essa pessoa para sempre no seu cora\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o algumas destas m\u00fasicas s\u00e3o como celebra\u00e7\u00f5es de momentos no tempo em que voc\u00ea conhece algu\u00e9m por quem tem um sentimento profundo, mas por quaisquer raz\u00f5es, n\u00e3o vai durar para sempre. E isso precisa ser comemorado \u00e0s vezes. \u201cThis Love\u201d, \u201cA Friend Like You\u201d. Estas s\u00e3o m\u00fasicas em que estou tentando entender o que o relacionamento traz para mim e para a outra pessoa e como ele se resolve. \u201cPoppy\u201d \u00e9 um exemplo real disso. De apenas capturar um momento, como &#8220;Oh, Poppy, o que vamos fazer?&#8221;. Bem, acontece que n\u00e3o fizemos nada, exceto compartilhar uma linda noite na Irlanda, onde n\u00f3s apenas caminhamos pela linda floresta. E pensei que aquilo foi uma captura verdadeira de um momento de possibilidade. E h\u00e1 um tipo de beleza, independentemente do que aconte\u00e7a. Essas m\u00fasicas vieram do fundo do meu cora\u00e7\u00e3o, essencialmente. N\u00e3o as escrevi para serem sucessos. N\u00e3o as escrevi para nada, exceto para explicar uma emo\u00e7\u00e3o para mim mesmo. E ao fazer isso, senti que \u00e9 quase como se voc\u00ea capturasse um momento em uma bola de cristal e ele estivesse l\u00e1. E, com sorte, elas n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o pessoais a ponto de algu\u00e9m que as escute n\u00e3o conseguir encontrar seu pr\u00f3prio sentido sobre para onde um relacionamento pode ou n\u00e3o ir. Mas estou muito satisfeito com o disco e com o fato de a Yep Roc ter sido t\u00e3o boa para mim. A gravadora tem sido t\u00e3o incentivadora e realmente n\u00e3o poderia ter sido melhor em termos de me ajudar a realizar este disco. Eu nunca tive um disco solo. Fiz um disco com meu grupo nos anos 1980, em 1984, Lenny Kaye Connection, mas na verdade nunca tive uma gravadora me apoiando. E isso me ajudou n\u00e3o apenas a concluir o disco, mas a entender minha vida criativa neste ponto.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Allen Ginsberg With Paul McCartney &quot;Ballad of The Skeletons&quot; \u200c\u200c - Bohemia Afterdark\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ZdvM0IB5Sbs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea estava mencionando sua colabora\u00e7\u00e3o com o Allen Ginsberg antes. E ela \u00e9 tipo uma daquelas parcerias para ficar na hist\u00f3ria, em que temos voc\u00ea, o Ginsberg, o Phillip Glass e o Paul McCartney, tocando juntos em \u201cBallad of the Skeletons\u201d. Por isso, queria saber como isso aconteceu? Acredito que voc\u00ea j\u00e1 o conhecia porque fizeram algumas apresenta\u00e7\u00f5es juntos antes, incluindo leituras e performances.<\/strong><br \/>\nSim, n\u00f3s nos conhec\u00edamos. Eu o via pelo East Village (bairro de Nova York). E, em certo momento, houve um show no Carnegie Hall, era um evento beneficente pelo Tibet Livre. N\u00f3s acabamos tocando a \u201cBallad of the Skeletons\u201d, comigo no baixo. E s\u00f3 me lembro do Allen realmente curtindo. Quando a m\u00fasica virou instrumental, ele simplesmente veio at\u00e9 mim e come\u00e7ou a me incentivar a deixar aquilo cada vez mais louco. Na plateia estava Danny Goldberg, que era da Mercury Records, e ele achou que daria um \u00f3timo single. Ent\u00e3o o Danny me perguntou se eu poderia meio que dirigir essa m\u00fasica. Fui para o est\u00fadio com o David Mansfield, que tamb\u00e9m est\u00e1 no meu disco, e Marc Ribot, um grande guitarrista, e fizemos uma faixa b\u00e1sica. Ent\u00e3o o Philip Glass fez um overdub nela, mas n\u00e3o na mesma sess\u00e3o. E ent\u00e3o a fita foi enviada para o Paul McCartney na Inglaterra, e ele adicionou o \u00f3rg\u00e3o e a bateria. E de repente virou um disco de verdade. E eu amo o fato de eu ter tocado baixo para a bateria de Paul McCartney!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim, era isso que eu ia dizer (risos).<\/strong><br \/>\nIsso foi bastante incr\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea estava tipo, foi um daqueles momentos em que voc\u00ea percebe que est\u00e1 fazendo algo hist\u00f3rico? Claro que voc\u00ea j\u00e1 tinha feito tanta coisa naquele momento da sua vida, mas isso foi tipo algo que te deixou realmente pensando tipo \u201cUau\u201d?<\/strong><br \/>\nEu estava, quero dizer\u2026 \u201cOk, Paul, Philip Glass, \u00f3timo.\u201d Mas para mim, os escritores da Gera\u00e7\u00e3o Beat foram essenciais quando eu estava crescendo. Eu idolatrava o Jack Kerouac! Ler \u201cOn the Road\u201d (1957) quando tinha 14, 15 anos foi algo que realmente mudou a minha vida. Ent\u00e3o foi uma honra t\u00e3o grande conhecer Allen e tamb\u00e9m o Gregory Corso e o William Burroughs. Trabalhar com Allen depois que ele fez sua leitura de poesia. Ele estava l\u00e1 na cabine e eu ficava tipo, &#8220;talvez possamos melhorar um pouco essa linha&#8221;. Foi t\u00e3o divertido. Mas ele tinha realmente um cora\u00e7\u00e3o enorme, era uma pessoa boa. E a m\u00fasica parece realmente capturar um momento no tempo com todos esses grandes m\u00fasicos apoiando Allen. Me senti muito privilegiado por estar na sala com ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea mencionou o \u201cOn the Road\u201d, do Kerouac. <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/07\/19\/cinema-na-estrada\/\">Voc\u00ea gostou do filme (que saiu em 2012<\/a>)? Foi dirigido por Walter Salles, um diretor brasileiro.<\/strong><br \/>\n\u00c9 ok, mas \u00e9 dif\u00edcil. O filme e todas as outras coisas contam a hist\u00f3ria, mas o que eu li e absorvi em \u201cOn the Road\u201d foi a sensa\u00e7\u00e3o de excita\u00e7\u00e3o, a sensa\u00e7\u00e3o, a empolga\u00e7\u00e3o da linguagem, a sensa\u00e7\u00e3o de movimento. E o filme conta a hist\u00f3ria, e \u00e9 uma \u00f3tima hist\u00f3ria. Quando li o livro, eu devia ter uns 15 anos. Eu simplesmente podia sentir a energia borbulhando dentro de mim. E claro, em um momento particular no ver\u00e3o, meu amigo Larry Block e eu deixamos Nova Jersey. Eu tinha 20 anos e entramos no Ford 56 dele e dirigimos pelo pa\u00eds. Era o Ver\u00e3o do Amor e atravessamos o pa\u00eds de carro at\u00e9 S\u00e3o Francisco. Esse foi meio que o meu \u201cOn the Road\u201d. E toda vez que chega o dia 16 de agosto, acho que ontem foi o dia em que partimos e passamos cerca de tr\u00eas, quatro semanas atravessando o pa\u00eds e depois indo para S\u00e3o Francisco quando estava no seu \u00e1pice. Pude ver Grateful Dead e Big Brother and the Holding Company no Golden Gate Park, tomar \u00e1cido, realmente vivenciar um momento no tempo em que voc\u00ea realmente acreditava que o amor era tudo de que precis\u00e1vamos, que ele poderia salvar o mundo. Era algo um pouco idealista e n\u00e3o exatamente como o mundo funciona, mas isso mudou minha vida. E ent\u00e3o deixamos S\u00e3o Francisco e dirigimos para Los Angeles. Eu nunca tinha estado na Calif\u00f3rnia antes. Depois voltamos pela Rota 66, paramos no Grand Canyon. Foi a minha grande jornada de amadurecimento e eu sempre me lembro dela nesta \u00e9poca porque est\u00e1vamos na estrada e eu realmente aprecio ter tido esse tipo de entrada na vida adulta, foi meio como, &#8220;Ok, agora sua vida come\u00e7a.&#8221;<\/p>\n<figure id=\"attachment_98093\" aria-describedby=\"caption-attachment-98093\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-98093\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/lenny23.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/lenny23.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/lenny23-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-98093\" class=\"wp-caption-text\"><em>&#8220;Nuggets&#8221;, colet\u00e2nea criada e curada por Lenny Kaye<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Demais, isso supera qualquer faculdade. Voc\u00ea mencionou antes o \u201c<a href=\"https:\/\/link.amazon\/B07iIwCha\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lightning Striking<\/a>\u201d (2021), seu livro mais recente, e eu realmente gosto dele porque, como disse, voc\u00ea colocou momentos muito importantes da hist\u00f3ria da m\u00fasica num mesmo contexto. E me chamou muito a aten\u00e7\u00e3o o cap\u00edtulo sobre metal, em que voc\u00ea fala sobre thrash metal, o glam metal de Los Angeles e o black metal noruegu\u00eas.<\/strong><br \/>\n\u00c9, \u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fiquei curioso porque voc\u00ea mencionou que, quando estava prestes a ir para a Noruega, um amigo seu lhe disse: &#8220;cuidado com o black metal&#8221;. Quando foi isso? Foi logo ap\u00f3s a cena do black metal noruegu\u00eas e todo o lance do Inner Circle?<\/strong><br \/>\nFoi provavelmente por volta do fim dos anos 1990, talvez no ano 2000. Eu estava em turn\u00ea com a Patti.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E o que chamou sua aten\u00e7\u00e3o sobre essa cena espec\u00edfica? Voc\u00ea j\u00e1 conhecia algo sobre?<\/strong><br \/>\nBem, era uma cena e tanto. O mais extremo que o rock poderia chegar. Sou atra\u00eddo por todas as cenas das quais que falo em \u201cLightning Striking\u201d, porque elas foram o momento em que a m\u00fasica muda e se transforma. Tenho que dizer que esse foi o meu cap\u00edtulo divertido. Todos os outros, voc\u00ea sabe que depois de Memphis as coisas mudam, depois dos \u00eddolos teens da Filad\u00e9lfia as coisas mudaram drasticamente. Claro, Liverpool em 1962, mudan\u00e7a dr\u00e1stica. S\u00e3o Francisco tamb\u00e9m. Estes foram momentos em que se podia sentir a roda do progresso girando na m\u00fasica que eu amo. Rock and roll, a m\u00fasica onde escolhi fincar minha bandeira. Mas o cap\u00edtulo do metal foi simplesmente divertido de fazer, porque \u00e9 t\u00e3o insano: o glam metal em Los Angeles e ent\u00e3o o black metal, que \u00e9 tipo \u201cO que?\u201d. Voc\u00ea n\u00e3o poderia inventar algo assim. Ent\u00e3o esse \u00e9 o cap\u00edtulo divertido. E ent\u00e3o voltamos para a hist\u00f3ria real, que seria o grunge, que para mim \u00e9 meio que o fim do rock como uma m\u00fasica inovadora. Depois torna-se mais uma m\u00fasica de interpreta\u00e7\u00e3o, como vimos nos \u00faltimos 25 anos. H\u00e1 muito pouco que voc\u00ea possa fazer com uma guitarra el\u00e9trica no reino do rock que n\u00e3o fa\u00e7a refer\u00eancia a coisas que j\u00e1 foram feitas. Mas n\u00e3o acho que isso seja algo ruim. As pessoas ainda ouvem Chopin, dixieland, jazz, bebop, outlaw country. Mas \u00e0s vezes as m\u00fasicas sobrevivem ao seu momento no tempo. E tudo bem, porque acredito que a m\u00fasica precisa progredir. N\u00e3o quero que a trilha sonora da minha juventude seja a trilha sonora de hoje. Novos instrumentos, novas formas de apresenta\u00e7\u00e3o, \u00e9 assim que evolu\u00edmos como f\u00e3s de m\u00fasica, ouvintes e criadores de m\u00fasica. Posso n\u00e3o fazer m\u00fasica como a que ou\u00e7o nas r\u00e1dios de sucesso agora, mas tudo bem porque posso apreciar essa m\u00fasica. Talvez eu pegue um trecho e tente convert\u00ea-lo em algo em que esteja trabalhando. Mas gosto da progress\u00e3o musical. N\u00e3o acho realmente que a m\u00fasica era melhor antigamente, realmente n\u00e3o acho. A m\u00fasica existe no presente, aquele movimento de uma nota para a seguinte. Quando voc\u00ea est\u00e1 ouvindo, quando voc\u00ea est\u00e1 tocando, \u00e9 uma experi\u00eancia muito focada no tempo presente e eu tento celebrar isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim, isso \u00e9 \u00f3timo. \u00c9 um pouco como o teatro, claro que voc\u00ea pode ouvir discos, mas estar em um show, assim como quando voc\u00ea est\u00e1 assistindo a uma pe\u00e7a, \u00e9 algo diferente, voc\u00ea est\u00e1 realmente vivendo aquilo.<\/strong><br \/>\nIsso se desenrola na sua frente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Exatamente. Voc\u00ea mencionou a cena de Seattle. Houve alguma banda espec\u00edfica que chamou mais aten\u00e7\u00e3o em termos de meio que levar, como voc\u00ea disse, o rock aos limites do que poderia ser criado?<\/strong><br \/>\nO Nirvana era genial! Lembro-me de quando eu era produtor musical na virada dos anos 1980 para 1990, e recebi uma fita da Arista Records. De um lado estava o Nirvana, e do outro estava o Smashing Pumpkins. Me lembro de pensar sobre o Nirvana: &#8220;O que eles precisam mais do que tudo \u00e9 de um produtor que n\u00e3o mude nada, que os proteja de mudar&#8221;. Pois eles eram \u00f3timos. A revela\u00e7\u00e3o no cap\u00edtulo de Seattle para mim foi o qu\u00e3o incr\u00edvel \u00e9 o Soundgarden. Eu amo o Pearl Jam. Eu amo os Screaming Trees. Eu amo todas as bandas que sa\u00edram de l\u00e1. Mas eu nunca tinha ido realmente al\u00e9m dos princiais sucessos do Soundgarden, como \u201cBlack Hole Sun\u201d. E poder mergulhar fundo na m\u00fasica deles foi uma revela\u00e7\u00e3o e tanto. E o Alice in Chains tamb\u00e9m. Uma banda sobre a qual eu realmente n\u00e3o tinha pensamentos e que realmente ainda me impressionam. O Jerry Cantrell\u00a0\u00e9 um guitarrista incr\u00edvel, o cantor principal (Layne), simplesmente bebendo fundo na fonte da dor. E ent\u00e3o isso foi divertido. Quero dizer, o melhor de tudo \u00e9 que pude ir al\u00e9m sobre essas cenas. Quando comecei o livro, pensei algo como: &#8220;\u00e9, vai levar alguns meses nesse cap\u00edtulo, eu conhe\u00e7o essas coisas&#8221;. Mas quando voc\u00ea come\u00e7a a ir cada vez mais fundo nisso, os desvios, os tipos de coisas em que voc\u00ea se aprofunda eram fascinantes. Eu amo os personagens secund\u00e1rios. Foi muito empolgante poder mergulhar cada vez mais fundo em cada cena e descobrir como deve ter sido quando voc\u00ea estava no Trips Festival em San Francisco. Como foi quando o punk tomou a Inglaterra de assalto? E claro, para mim, como foi estar na rua do lado de fora do CBGB e de repente perceber que aquela era uma cena potencialmente t\u00e3o influente quanto a cena que eu realmente amava, que era a cena de San Francisco. Voc\u00ea tem um monte de bandas, todas abrindo suas asas para o mundo. \u00c9 um grande momento no tempo quando esses esses pequenos n\u00facleos de energia &#8211; sempre penso nisso como nuvens de poeira solar se unindo em um planeta. De repente, elas come\u00e7am a assumir uma personalidade que ningu\u00e9m esperava porque est\u00e3o t\u00e3o fora do caminho. Elas est\u00e3o t\u00e3o distantes do caminho, do ponto e voc\u00ea tem tempo para crescer, tem tempo para cometer seus erros e de repente pode sentir o impulso da cultura empurrando voc\u00ea para o mundo de forma geral.<\/p>\n<figure id=\"attachment_98090\" aria-describedby=\"caption-attachment-98090\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-98090\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/lenny2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"512\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/lenny2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/lenny2-300x205.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-98090\" class=\"wp-caption-text\"><em>Lenny Kaye e Patti Smith nos anos 1970<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essa \u00e9 uma \u00f3tima descri\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea mencionou a cena de Nova York, por isso queria lhe fazer uma pergunta sobre essa \u00e9poca. Voc\u00ea e a Patti se conheceram por volta de 1970, acho que foi em uma loja de discos. \u00c9 isso?<\/strong><br \/>\n\u00c9, ela leu um artigo que escrevi sobre grupos acapella de doo-wop na revista Jazz and Pop, e me ligou do nada. Eu j\u00e1 a tinha visto por a\u00ed, mas n\u00e3o a conhecia. A\u00ed ela come\u00e7ou a me visitar na loja de discos onde eu trabalhava e eu colocava nossos discos favoritos, \u201cToday&#8217;s the Day\u201d de Maureen Gray, \u201cMy Hero\u201d de The Blue Notes, The Bristol Stomp, e fomos ficando amigos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea mencionou em algumas entrevistas que sente que voc\u00eas s\u00e3o como g\u00eameos astrais. O que voc\u00ea acha que fez voc\u00eas terem uma conex\u00e3o t\u00e3o forte, n\u00e3o apenas musicalmente, mas tamb\u00e9m, digo, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 poesia, literatura e na vida como um todo?<\/strong><br \/>\nBem, n\u00f3s dois amamos livros. N\u00f3s amamos escrever. N\u00f3s amamos m\u00fasica. E n\u00f3s dois amamos viagens astrais (risos). Somos t\u00e3o pr\u00f3ximos como um irm\u00e3o e uma irm\u00e3. E ela tamb\u00e9m sabe que eu confio nela implicitamente, que a seguirei para onde quer que ela v\u00e1, porque sei que suas inten\u00e7\u00f5es s\u00e3o puras. Eu sempre digo que, de todos os anos em que estive no palco ao lado esquerdo dela, nunca a vi cantar uma nota falsa. Nunca a vi fazer um show que n\u00e3o fosse real. Ela, ela \u00e9 a minha luz guia. Ela tem instintos art\u00edsticos realmente \u00f3timos e ela \u00e9 de verdade. Ela n\u00e3o faz as coisas\u2026 Nenhum de n\u00f3s est\u00e1 nisso, por incr\u00edvel que pare\u00e7a, pela fama e pela fortuna. Somos quem somos, mas somos muito orientados ao trabalho. N\u00e3o importa quanto trabalho eu tenha feito no passado, isso n\u00e3o importa para mim. O que importa \u00e9 o que fa\u00e7o hoje e amanh\u00e3. Quando me levanto de manh\u00e3, o que vou fazer hoje para mover minha sensa\u00e7\u00e3o de ir para a frente, minha tarefa criativa e para, mais uma vez, cavar fundo no po\u00e7o de quem eu sou artisticamente.<\/p>\n<figure id=\"attachment_98091\" aria-describedby=\"caption-attachment-98091\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-98091\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/lenny13.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"764\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/lenny13.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/lenny13-295x300.jpg 295w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-98091\" class=\"wp-caption-text\"><em>Lenny Kaye e Patti Smith em 2024<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea estava mencionando antes os discos que produziu. E voc\u00ea trabalhou com alguns produtores muito famosos com a Patti, como John Cale, claro, e Todd Rundgren, Jack Douglas e Jimmy Iovine. Eu queria saber, houve algo sobre trabalhar com esses produtores, esses caras, que te inspirou ou que voc\u00ea aprendeu que o ajudou quando se tornou um produtor alguns anos depois?<\/strong><br \/>\nUm produtor \u00e9 como um espelho. E n\u00f3s escolhemos nossos produtores porque esper\u00e1vamos algo espec\u00edfico deles dentro do est\u00fadio para nos ajudar a nos tornarmos quem quer\u00edamos ser em um momento no tempo. Como produtor musical, eu tamb\u00e9m me sentia assim. Se eu fizesse um disco com a banda, eles teriam todos os meus truques. E ent\u00e3o, se voc\u00ea quer garantir que o pr\u00f3ximo disco n\u00e3o seja apenas uma repeti\u00e7\u00e3o do disco que fez antes, voc\u00ea precisa dar espa\u00e7o para a pr\u00f3xima personalidade. E todos os nossos produtores tinham uma no\u00e7\u00e3o de quem n\u00f3s \u00e9ramos. N\u00f3s n\u00e3o eramos f\u00e1ceis de produzir. \u00c9ramos muito apegados ao nosso pr\u00f3prio senso de vis\u00e3o, mas isso n\u00e3o significa que n\u00e3o precis\u00e1ssemos de ajuda para alcan\u00e7ar isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o John Cale, quer\u00edamos um produtor que entendesse nossa arte, que nos ajudasse a alcan\u00e7ar uma compreens\u00e3o de quem \u00e9ramos como uma banda muito jovem. Sobre o Jack Douglas, n\u00f3s t\u00ednhamos estado na estrada por um ano depois de \u201cHorses\u201d(1975) e nos desenvolvemos em uma banda de rock potente. E quer\u00edamos algu\u00e9m para abordar isso, porque o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/12\/30\/um-classico-horses-de-patti-smith\/\">\u201cHorses\u201d ainda \u00e9 meio que o trabalho em andamento de uma banda<\/a>. N\u00f3s \u00e9ramos como p\u00f4neis tentando encontrar uma maneira de galopar. O Jimmy Iovine veio depois que a Patti esteve fora da estrada depois que ela caiu do palco. E quer\u00edamos fazer uma declara\u00e7\u00e3o que fosse clara, que fosse: \u201cEsses somos n\u00f3s. Somos capazes de ter um single de sucesso, mas tamb\u00e9m precisamos abordar nosso lado mais experimental\u201d. Todd Rundgren depois disso. Sabe, o \u201cEaster\u201d de certa forma \u00e9 um disco um pouco masculino. Quer\u00edamos algu\u00e9m para abordar o feminino dentro de Patti. E, claro, esse foi o disco de despedida dela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde ent\u00e3o, com o segundo ato, o que eu nunca esperei que acontecesse quando a Patti se casou com o Fred, eu achava que eles eram a dupla criativa e eu n\u00e3o tinha espa\u00e7o nisso. Mas quando o Fred faleceu e Patti quis voltar aos palcos, sabe, era um momento diferente no tempo. Produzi o disco \u201cGone Again\u201d (disco que marcou o retorno de Patti Smith em 1996) e todos n\u00f3s meio que trabalhamos como uma banda colaborativa nos discos seguintes. Mas sempre vejo nosso trabalho dos anos 1970 como sendo quase como um quarteto olhando para a Patti de v\u00e1rios lados, desde o confronto das linhas de abertura de \u201cHorses\u201d &#8211; &#8220;Jesus morreu pelos pecados de algu\u00e9m, mas n\u00e3o pelos meus&#8221;, at\u00e9 a concilia\u00e7\u00e3o dela caminhando na praia com o Papa Jo\u00e3o Paulo I que encerra \u201cWave\u201d. Essa \u00e9 uma hist\u00f3ria, um conto. E acho que h\u00e1 uma certa perfei\u00e7\u00e3o nisso.<\/p>\n<figure style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/pattismith@biciati9.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\"><em>Lenny Kaye em S\u00e3o Paulo, 2019 \/ Foto de Alexandre Biciati<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea estava mencionando sobre o segundo ato. Foi quando voc\u00ea veio pela primeira vez ao Brasil, h\u00e1 cerca de 20 anos (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2006\/11\/03\/tim-festival-2006\/\">no Tim Festival 2006<\/a>). Eu pude ir e foi incr\u00edvel, voc\u00eas tocaram com o Beastie Boys e o Yeah Yeah Yeahs (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2006\/11\/01\/beastie-boys-sao-aclamados-no-tim-festival-em-curitiba\/\">tamb\u00e9m em Curitiba<\/a>), uma reuni\u00e3o de NY basicamente. E depois voc\u00ea voltou de novo h\u00e1 cerca de sete anos, em 2019, para dois shows em S\u00e3o Paulo com a Patti Smith<\/strong><strong> (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/11\/20\/em-noite-solo-e-magica-patti-smith-faz-seu-show-mais-especial-no-brasil\/\">um show solo<\/a> e um <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/11\/18\/popload-festival-2019-cresce-em-tamanho-e-em-filas-mas-e-abencoado-por-patti-smith\/\">no Popload Festival<\/a>). Quais s\u00e3o suas mem\u00f3rias dessas viagens ao Brasil especificamente? Houve algo que chamou mais a sua aten\u00e7\u00e3o, como as cidades, a comida, as pessoas?<\/strong><br \/>\nForam as pessoas. A comida tamb\u00e9m era \u00f3tima, tenho que dizer isso (risos). E foi \u00f3timo caminhar na praia e conhecer a megacidade (aqui parece se referir, respectivamente ao Rio de Janeiro, onde tocaram em 2006, e S\u00e3o Paulo). Mas para mim, o cora\u00e7\u00e3o, a honestidade e o fervor do p\u00fablico, especialmente para n\u00f3s estando t\u00e3o longe, foi bastante incr\u00edvel. Estamos na Am\u00e9rica do Norte. Poder tocar na Am\u00e9rica do Sul \u00e9 um privil\u00e9gio t\u00e3o grande. E cada pa\u00eds tem sua pr\u00f3pria personalidade distinta. N\u00e3o \u00e9 apenas como um grande continente. O Brasil \u00e9 muito diferente, n\u00e3o apenas na l\u00edngua, mas no temperamento do que, digamos, a Argentina ou o Chile. Ent\u00e3o estar l\u00e1 e ver pessoas em outro continente cantando junto com voc\u00ea, que experi\u00eancia linda! N\u00e3o sei, s\u00f3 me senti muito grato por estar l\u00e1. E a m\u00fasica, claro, tamb\u00e9m teve Os Mutantes (risos). Eles tem alguns bons discos (e foram inclusos em \u201cNuggets II: Original Artyfacts from the British Empire and Beyond, 1964\u20131969\u201d, colet\u00e2nea produzida por Alec Palao). Mas foi realmente divertido ver como nossa m\u00fasica viaja, porque n\u00e3o h\u00e1 tantas bandas de rock do Brasil que conseguem vir para os EUA. Acho que h\u00e1 um grupo que \u00e9 meio focado no garage rock chamado Banda AL9 que est\u00e1 come\u00e7ando a tocar aqui em cima. Mas \u00e9 um interc\u00e2mbio cultural de uma via s\u00f3 praticamente. Ent\u00e3o, para n\u00f3s, poder ir at\u00e9 a\u00ed e receber o abra\u00e7o caloroso do povo brasileiro foi algo not\u00e1vel.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Patti Smith - Redondo Beach @ Tim Festival 2006\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/eHyGcL83sSE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Estas s\u00e3o as duas \u00faltimas perguntas. Eu gostaria que voc\u00ea me dissesse, por favor, tr\u00eas discos que mudaram sua vida e por que eles fizeram isso. N\u00e3o \u00e9 como se fossem os \u00fanicos tr\u00eas, mas tr\u00eas dos discos que fizeram isso por voc\u00ea.<\/strong><br \/>\nBem, h\u00e1 um milh\u00e3o de discos. O que posso dizer? Eu sempre cito \u201cBlonde on Blonde\u201d (1966), do Bob Dylan. Esse disco mudou o jogo para mim. Acho que isso foi o mais longe que o Bob foi em um certo per\u00edodo no tempo. E para mim, \u201cSad Eyed Lady of the Lowlands\u201d \u00e9 uma das m\u00fasicas mais lindas j\u00e1 escritas. Eu tamb\u00e9m amo um \u00e1lbum de um grupo chamado Talk Talk, da Inglaterra, que \u00e9 intitulado \u201dSpirit of Eden\u201d (1988), que \u00e9 o \u00e1lbum mais incomum que j\u00e1 ouvi na minha vida. Ele \u00e9 todo sobre o espa\u00e7o entre as notas, as din\u00e2micas. \u00c9 uma experi\u00eancia de escuta incr\u00edvel, de verdade. Esse disco \u00e9 um verdadeiro tesouro. E o terceiro \u00e1lbum, s\u00e3o tantos \u00e1lbuns, e t\u00e3o pouco tempo. Eu escolheria&#8230; estou meio que entre o primeiro \u00e1lbum do Velvet Underground e o primeiro \u00e1lbum do Mothers of Invention, \u201cFreak Out\u201d (1966). Porque esses dois \u00e1lbuns meio que em paralelo me mostraram o qu\u00e3o estranho o rock podia ser e como voc\u00ea podia fazer qualquer coisa artisticamente dentro dele, contanto que permanecesse no limite. Ent\u00e3o seriam esses \u00e1lbuns&#8230; e a\u00ed h\u00e1, claro, os outros 150 que tamb\u00e9m est\u00e3o na minha lista (risos).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"&quot;The Things You Leave Behind&quot; - Lenny Kaye\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/3Xp5qA7mz7E?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu estava pensando sobre a sua m\u00fasica \u201cThe Things You Leave Behind\u201d e o que voc\u00ea disse em entrevistas e tamb\u00e9m hoje sobre meio que deixar nossa marca em um tipo de museu pessoal que todo mundo tem no mundo, mas n\u00e3o apenas coisas f\u00edsicas. Voc\u00ea tem toneladas de discos que produziu, em que tocou com a Patti, tem seu disco solo lan\u00e7ado agora, os seus livros e o Nuggets que, embora seja como uma cole\u00e7\u00e3o de m\u00fasicas de outras pessoas, voc\u00ea a selecionou e a lan\u00e7ou no momento certo, digamos assim, e influenciou muitas pessoas e tocou essas m\u00fasicas no mundo todo. E, al\u00e9m disso tudo, voc\u00ea gravou com Ginsberg. Apenas para dizer tipo, voc\u00ea fez muita coisa. Por isso, queria saber do que voc\u00ea mais se orgulha na sua carreira?<\/strong><br \/>\nSabe, a minha filha sempre me pergunta isso, essas maiores coisas, qual \u00e9 o seu top 10 das melhores coisas? E eu n\u00e3o sei! Eu gosto de tudo. Me orgulho de ser um m\u00fasico por 60 anos, para minha grande surpresa. Consegui manter meu nome limpo. Fiz isso pelas raz\u00f5es certas. Nunca fiz algo apenas pelo dinheiro, embora eu goste de ser pago. Vivi minha vida como eu esperava viver quando comecei minha ascens\u00e3o criativa. Nunca fiquei impressionado demais comigo mesmo. Sou todo voltado ao trabalho, e o fato de ter sido capaz de fazer esse trabalho ao longo de seis d\u00e9cadas meio que me espanta, porque voc\u00ea nunca sabe. Muito disso \u00e9 estar no lugar certo na hora certa. Eu estava morando em Nova York no in\u00edcio dos anos 1970 e tive a oportunidade de fazer um disco que parece inspirar as pessoas, a colet\u00e2nea \u201cNuggets\u201d. Tive a oportunidade de conhecer uma mulher que \u00e9 uma estrela-guia art\u00edstica. Todos esses momentos no tempo se combinaram para me tornar quem eu sou hoje. E estou realmente muito orgulhoso de nunca ter jogado isso fora, de nunca ter seguido pelo caminho f\u00e1cil de festas e drogas, embora eu goste de dan\u00e7ar ao som de \u201cWhite Wedding\u201d \u00e0s 3:30 da manh\u00e3 levantando um copo. Me sinto feliz sendo quem sou e esse \u00e9 um grande privil\u00e9gio quando voc\u00ea olha para a extens\u00e3o da sua vida. \u00c9 simples assim. \u00c9 claro que tenho orgulho do trabalho que fiz com a Patti. Tenho orgulho de ter estado ao lado de Suzanne Vega quando ela meio que se desdobrou como uma flor (nota: Lenny produziu o disco de estreia de Suzanne Vega, de 1985, e \u201cSolitude Standing\u201d, seu segundo \u00e1lbum, de 1987, que cont\u00e9m o hit mundial \u201cLuka\u201d). Eu simplesmente gosto de tudo. E como vivo no presente, quando estou fazendo o trabalho que deveria estar fazendo, \u00e9 disso que eu gosto. Isso para mim \u00e9 a melhor coisa que fiz. Trabalhei em uma m\u00fasica no est\u00fadio no fim de semana passado. \u00c9 uma m\u00fasica narrativa. Chama-se \u201cBuddy Holly&#8217;s Motorcycle\u201c e \u00e9 uma longa hist\u00f3ria e eu n\u00e3o vou (falar muito sobre ela)\u2026 Mas quando chego em casa vindo do est\u00fadio e tenho meu pequeno CD gravado e o coloco no meu aparelho aqui em casa e o escuto, eu penso: &#8220;\u00c9, isso \u00e9 um bom trabalho&#8221;. E \u00e9 assim que me me\u00e7o. Eu fiz um bom trabalho hoje? E vou descer para o est\u00fadio para praticar porque o Adrift tem um show em um bar local aqui na Pensilv\u00e2nia na sexta-feira, e gostaria de me lembrar das minhas palavras. E estarei l\u00e1 trabalhando no meu lance e sentindo que estou fazendo meu trabalho nesta vida, seja l\u00e1 o que for, e \u00e9 um trabalho aben\u00e7oado. E estou conversando com algu\u00e9m do Brasil que est\u00e1 apreciando o trabalho que fa\u00e7o. E essa \u00e9 uma honra muito, muito grande.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Lenny Kaye&#039;s &quot;What&#039;s In My Bag?&quot; | Amoeba Music\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/1X_1mhRf374?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Patti Smith @ Popload Festival (16.11.2019)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/iHmklk3DLXM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Patti Smith @ Popload Festival (16.11.2019)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/5qM0Ow7Y_oY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/LuizMazetto1986\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luiz Mazetto<\/a>\u00a0\u00e9 autor dos livros \u201c<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Somos-Tempestade-Conversas-Sobre-Alternativo\/dp\/8562885339\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">N\u00f3s Somos a Tempestade \u2013 Conversas Sobre o Metal Alternativo dos EUA<\/a>\u201d e \u201c<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Somos-Tempestade-Conversas-Sobre-Alternativo\/dp\/8562885649\/ref=pd_lpo_14_t_0\/145-6204651-9007215?_encoding=UTF8&amp;pd_rd_i=8562885649&amp;pd_rd_r=0e02080e-01a3-422c-9e95-933a79ef9d17&amp;pd_rd_w=qJ5vJ&amp;pd_rd_wg=0obt1&amp;pf_rd_p=6102dabe-0e19-4db6-8e11-875a53ad30be&amp;pf_rd_r=K14PYCR8ZPPETTCCKYMH&amp;psc=1&amp;refRID=K14PYCR8ZPPETTCCKYMH\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">N\u00f3s Somos a Tempestade, Vol 2 \u2013 Conversas Sobre o Metal Alternativo pelo Mundo<\/a>\u201d, ambos pela Edi\u00e7\u00f5es Ideal. Tamb\u00e9m colabora coma a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vice.com\/pt_br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Vice Brasil<\/a>, o\u00a0<a href=\"https:\/\/cvltnation.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">CVLT Nation<\/a>\u00a0e a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.loudmagazine.net\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Loud!<\/a>\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Lan\u00e7ado em julho, \u201cGoin\u2019 Local\u201d (2026) marca a primeira vez que o guitarrista, mais conhecido por seu trabalho ao lado de Patti Smith, solta um \u00e1lbum trazendo apenas o seu nome na capa.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/11\/03\/entrevista-lenny-kaye-fala-sobre-seu-primeiro-disco-solo-black-metal-grunge-e-a-parceria-com-patti-smith\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":88,"featured_media":98094,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7548,4833,3],"tags":[8430,1176],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/98088"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/88"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=98088"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/98088\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":98097,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/98088\/revisions\/98097"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/98094"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=98088"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=98088"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=98088"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}