{"id":98003,"date":"2026-10-27T12:42:00","date_gmt":"2026-10-27T15:42:00","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=98003"},"modified":"2026-10-28T18:13:13","modified_gmt":"2026-10-28T21:13:13","slug":"entrevista-tata-aeroplano-lanca-novo-album-solo-lendas-e-sol-e-revela-inspiracoes-e-novos-projetos-nessa-conversa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/10\/27\/entrevista-tata-aeroplano-lanca-novo-album-solo-lendas-e-sol-e-revela-inspiracoes-e-novos-projetos-nessa-conversa\/","title":{"rendered":"Entrevista: Tat\u00e1 Aeroplano lan\u00e7a novo \u00e1lbum solo, &#8220;Lendas e Sol&#8221;, e revela inspira\u00e7\u00f5es e novos projetos nessa conversa"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/caro.davii\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Davi Caro<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/tataaeroplano.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tat\u00e1 Aeroplano<\/a> \u2013 nome art\u00edstico de Octavio Francisco de Paula Neto, natural de Bragan\u00e7a Paulista \u2013 n\u00e3o \u00e9 estranho \u00e0queles que se dedicaram a acompanhar o melhor que a cena independente brasileira produziu desde meados dos anos 2000. Cantor, compositor, guitarrista, DJ e produtor, Tat\u00e1 se dedicou a fazer m\u00fasica das maneiras mais diversificadas poss\u00edveis, isso desde o come\u00e7o de sua trajet\u00f3ria com as bandas <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=C%C3%A9rebro+Eletr%C3%B4nico\">C\u00e9rebro Eletr\u00f4nico<\/a> (que lan\u00e7ou seu disco de estreia, \u201cOnda H\u00edbrida Ressonante\u201d em 2003) e Jumbo Elektro (\u201cFreak to Meet You: the Very Best of Jumbo Elektro\u201d, de 2004).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sua carreira solo, iniciada em 2012, <a href=\"https:\/\/tataaeroplano.com\/discografia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">j\u00e1 conta com oito \u00e1lbuns<\/a>, e n\u00e3o podemos nos esquecer de seu alter-ego Frito Sampler, fazendo can\u00e7\u00f5es em ingl\u00eas a partir de 2015, e do lindo disco \u201c<a href=\"https:\/\/tataaeroplano.com\/album\/vida-ventureira-barbara-eugenia-e-tata-aeroplano\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Vida Ventureira<\/a>\u201d (2017), junto de B\u00e1rbara Eug\u00eania. Nesse percurso musical, Tat\u00e1 enveredou pela psicodelia, pelo folk, pelo rock, pela MPB, e tudo que existe entre um e outro. Ao mesmo tempo, se firmou como um dos mais vers\u00e1teis e ativos DJs da noite paulistana, se intercalando com performances intimistas voz-e-viol\u00e3o \u2013 o curr\u00edculo multifacetado de Tat\u00e1 poderia, enfim, ocupar um livro daqueles que s\u00e3o dif\u00edceis de largar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nada mais apropriado, ent\u00e3o, que conversar sobre tudo isso com o pr\u00f3prio Tat\u00e1 Aeroplano, que lan\u00e7ou neste mesmo 2026 o reluzente disco \u201c<a href=\"https:\/\/tataaeroplano.com\/album\/lendas-e-sol-tata-aeroplano\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lendas e Sol<\/a>\u201d (independente, distribu\u00eddo pelo selo Trattore). Neste papo com o Scream &amp; Yell, o artista esmiu\u00e7ou detalhes da produ\u00e7\u00e3o de seu novo trabalho, mas tamb\u00e9m se debru\u00e7ou sobre sua pr\u00f3pria trajet\u00f3ria e falou sobre seus projetos do passado, do presente, e \u2013 como n\u00e3o? \u2013 do futuro (que, pelo visto, guarda muitas surpresas). Sem mais, com voc\u00eas: Tat\u00e1 Aeroplano.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Tat\u00e1 Aeroplano - Lendas e Sol - \u00c1lbum Completo (2026)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fWoHDVvMfyk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cLendas e Sol\u201d \u00e9 o seu primeiro disco desde \u201cBoate Invis\u00edvel\u201d (2023). Qual \u00e9 a origem desse nome?<\/strong><br \/>\nEle come\u00e7ou com uma can\u00e7\u00e3o que eu fiz no hotel em Porto Alegre, quando fui pro (festival) Morrostock. Comecei a compor muitas das m\u00fasicas assim, de uma maneira muito intuitiva. E eu registro as ideias de can\u00e7\u00f5es que tenho, \u00e0s vezes, filmando. E ent\u00e3o fui filmando as m\u00fasicas e tal. Quando fui selecionando as as m\u00fasicas, vi que tinha um material que poderia ser um \u00e1lbum. Quando comecei a gravar, n\u00e3o tinha nome, ent\u00e3o levei as m\u00fasicas para o est\u00fadio Minduca, com o (baterista e produtor) Bruno Buarque e o (guitarrista e produtor) J\u00fanior Boca; eles s\u00e3o meus parceiros desde o come\u00e7o do meu trabalho como Tat\u00e1 Aeroplano. E a\u00ed veio a can\u00e7\u00e3o \u201cLendas e Sol\u201d. Eu estava conversando com o Dustan [Gallas], com o Bruno e com o Boca, e retirei (o nome) da (letra) m\u00fasica. N\u00e3o foi um t\u00edtulo \u201cpensado\u201d. Estava na can\u00e7\u00e3o, e eu falei \u201cpoxa, acho que esse \u00e9 o nome do \u00e1lbum, \u2018Lendas e Sol\u2019\u201d, porque eu acabo falando do sol em v\u00e1rias can\u00e7\u00f5es, \u00e9 uma palavra que se repete.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cLendas e Sol\u201d foi um disco produzido a oito m\u00e3os, assim como o \u201cBoate Invis\u00edvel\u201d. Voc\u00ea acha que \u00e9 mais f\u00e1cil produzir um disco com mais pessoas, tendo diferentes pontos de vista que poderiam destoar uns dos outros, em vez de produzir sozinho?<\/strong><br \/>\nA gente sempre trabalhou dessa maneira. Meu primeiro disco \u00e9 de 2012 (\u201c<a href=\"https:\/\/tataaeroplano.com\/album\/tata-aeroplano\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tat\u00e1 Aeroplano<\/a>\u201d) e eu cheguei com as can\u00e7\u00f5es, a gente trabalhou os arranjos, e foi seguindo assim at\u00e9 o \u201cLendas e Sol\u201d. Escrevi as letras e tirei melodias no viol\u00e3o, mas quando vamos para o est\u00fadio, cada um imprime suas pr\u00f3prias caracter\u00edsticas. Chego com o viol\u00e3o, e a gente toca em cima, e acaba sendo um trabalho interessante por ser uma produ\u00e7\u00e3o coletiva. (At\u00e9 por isso) As can\u00e7\u00f5es acabam sendo assinadas tamb\u00e9m coletivamente. No \u201c<a href=\"https:\/\/tataaeroplano.com\/album\/boate-invisivel\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Boate Invis\u00edvel<\/a>\u201d foi um outro processo, onde n\u00f3s criamos as can\u00e7\u00f5es no est\u00fadio; n\u00e3o existia nada, n\u00e3o existia uma letra. Foi muito legal esse processo, e o \u201cLendas e Sol\u201d foi um processo parecido com o do come\u00e7o do nosso trabalho, onde eu vinha com as can\u00e7\u00f5es, apresentava, e a gente toca junto com a can\u00e7\u00e3o, um processo super simples. A hora que voc\u00ea v\u00ea, a m\u00fasica est\u00e1 pronta! Esse disco foi muito legal porque n\u00f3s gravamos em dois dias, duas sess\u00f5es. As m\u00fasicas j\u00e1 foram gravadas coletivamente. E \u00e9 muito legal assim, n\u00e3o tem uma situa\u00e7\u00e3o de embate, sabe? \u00c9 uma coisa muito natural, e estou aberto sempre para isso. Acho que acaba refletindo no disco, no resultado do \u00e1lbum.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Tat\u00e1 Aeroplano - Boate Invis\u00edvel - \u00c1lbum Completo (2023)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/44dGSjQjZvo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No \u201cBoate Invis\u00edvel\u201d, as refer\u00eancias musicais eram um pouco diferentes. Ele trazia bastante uso de beats eletr\u00f4nicos, de sintetizadores. Eles tamb\u00e9m est\u00e3o no novo disco, mas de uma forma distinta. Essa linguagem, esse conceito de disco que voc\u00ea pensou para o \u201cLendas e Sol\u201d , foi uma coisa consciente para romper com uma est\u00e9tica que voc\u00ea tinha trabalhado no \u201cBoate Invis\u00edvel\u201d, ou foi uma coisa casual?<\/strong><br \/>\nEnt\u00e3o, isso \u00e9 uma grande doideira, porque n\u00f3s temos um disco (in\u00e9dito) que \u00e9 uma continua\u00e7\u00e3o do \u201cBoate Invis\u00edvel\u201d, e j\u00e1 foi gravado, inclusive, antes do \u201cLendas e Sol\u201d. Quando n\u00f3s fizemos o \u201cBoate Invis\u00edvel\u201d, foi um processo muito criativo, e super coletivo. Teve a participa\u00e7\u00e3o da Kika e da <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/09\/11\/entrevista-em-portugal-malu-maria-destaca-o-caos-positivo-de-lisboa-e-fala-sobre-o-imaginario-sonhos-e-o-disco-nave-passaro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Malu [Maria]<\/a>, que fizeram parte do processo, e tamb\u00e9m teve a Bia Magalh\u00e3es, que entrou para a banda. N\u00f3s fomos para o est\u00fadio num dia muito louco, e aconteceram m\u00fasicas suficientes para um \u00e1lbum novo, sucessor do \u201cBoate Invis\u00edvel\u201d. O \u201cLendas e Sol\u201d (tamb\u00e9m) foi feito nesse momento, quando comecei a compor v\u00e1rias m\u00fasicas em quarto de hotel, ou \u00e0s vezes em casa mesmo. E pensei: \u201cPoxa, se eu deixar para registrar isso em outro momento, isso vai se perder\u201d. \u00c9 essa parte mais \u201ccantautor\u201d minha, n\u00e9? De estar sempre com o viol\u00e3o na m\u00e3o, sempre compondo alguma coisa. O nosso pr\u00f3ximo trabalho \u00e9 um trabalho coletivo. Por enquanto n\u00e3o tenho nome, mas alguma coisa vai ter a ver com \u201cSputnik\u201d, \u00e9 algo que estar\u00e1 no nome desse disco. E ele \u00e9 todo coletivo, muito, muito interessante, porque as m\u00fasicas pintaram tamb\u00e9m l\u00e1. Na grava\u00e7\u00e3o eu j\u00e1 comecei a ter ideia de letras e melodias, e depois vou inclusive come\u00e7ar a compor junto com Kika, Malu, Bia, Bruno, Dustan e o Boca. A gente vai dar prosseguimento a esse trabalho que vai ser lan\u00e7ado no futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando de tem\u00e1ticas, fica a impress\u00e3o de que o novo repert\u00f3rio fala muito sobre coisas que s\u00e3o mais on\u00edricas, intuitivas \u2013 ele fala muito mais de sentimentos, enquanto o repert\u00f3rio do \u201cBoate Invis\u00edvel\u201d tinha refer\u00eancias um pouco mais \u201cmateriais\u201d. Isso tem a ver com esse vi\u00e9s de \u201ccantautor\u201d que voc\u00ea trouxe para esse disco novo?<\/strong><br \/>\nCara, eu sou muito ligado \u00e0s paradas do inconsciente, sabe? Tenho, desde crian\u00e7a, uma rela\u00e7\u00e3o muito grande com os sonhos. \u201cGuardo\u201d sonhos desde quando tinha tr\u00eas anos de idade. E acontece um neg\u00f3cio muito absurdo: eu vi que \u201cguardar\u201d sonhos era um neg\u00f3cio muito, muito interessante. Ent\u00e3o guardei um sonho, guardei frases desse sonho. E quando aprendi a escrever, j\u00e1 fiz a minha primeira can\u00e7\u00e3o, fiz letra e melodia, mesmo sem saber tocar nenhum instrumento. E fui fazendo outras can\u00e7\u00f5es. Fui fazendo isso at\u00e9 depois de entrar em contato com Jung, com Freud, com as pessoas que come\u00e7aram a falar sobre sonhos. Isso abriu um portal para mim, porque acho que, quando comecei a ler algumas coisas do Jung, comecei a realmente ter sonhos com come\u00e7o, meio e fim. E as composi\u00e7\u00f5es come\u00e7aram a tomar (um rumo) cada vez mais nesse sentido. Tem m\u00fasicas, por exemplo, como \u201cCores no Quarto\u201d, que est\u00e1 no \u201c<a href=\"https:\/\/tataaeroplano.com\/album\/alma-de-gato-tata-aeroplano\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alma de Gato<\/a>\u201d (2018), que eu fiz quando eu acordei, num domingo, depois de discotecar numa Festa do Cinema Nacional. Eu pensei \u201ctalvez eu possa aproveitar essa m\u00fasica para um disco\u201d. E era uma m\u00fasica de nove minutos em um gravador! A hora que escutei, falei: \u201cVou ter que tirar essa m\u00fasica\u201d. Demorei muitos meses, porque a letra era gigante, a melodia era cheia de evolu\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o o processo do \u201cLendas e Sol\u201d \u00e9 um processo muito parecido com o de \u201cCores no Quarto\u201d, j\u00e1 que s\u00e3o can\u00e7\u00f5es que v\u00eam de primeira, que eu registro, e depois tenho que \u201cir atr\u00e1s\u201d. Eu curto bastante (esse processo), para mim \u00e9 um barato trazer algo do plano da inconsci\u00eancia. Voc\u00ea falou de uma coisa mais intuitiva, mais on\u00edrica; nem sei direito de muitas das coisas que estou falando nessas can\u00e7\u00f5es, mas depois, no meio do processo, eu vou entendendo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pegando algumas faixas do \u201cLendas e Sol\u201d, como \u201cLindo Xam\u00e3\u201d, ou \u201cRevoada de Naves\u201d, s\u00e3o arranjos bem intrincados, com sintetizadores e camadas de viol\u00f5es. Como foi o trabalho de arranjo dessas faixas? Deve ter dado bastante trabalho, n\u00e3o? [risos]<\/strong><br \/>\n\u201dRevoada de Naves\u201d \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o que ficou bem natural. Foi o Boca quem arranjou, acho. Depois fui fazer os vocais e fiz um registro agudo &#8211; inclusive depois pensei se dever\u00edamos mudar. Mas mantivemos. \u201cLindo Xam\u00e3\u201d somos eu, Bruno e Dustan tocando em cima daquele baixo que o Dustan fez. Depois o Bruno veio com aquela levada, e a gente foi at\u00e9 o final. Ela foi feita em um take, ao vivo, praticamente. Foi uma das \u00fanicas m\u00fasicas do disco que n\u00e3o tenho registro em filme. E eu fiz assim logo depois que o Jos\u00e9 Celso [Martinez Correa] partiu. Fiz justamente pensando muito nele. Acho que levei minha mente para todas as experi\u00eancias fant\u00e1sticas que eu tive no Teatro Oficina. Cara, o Z\u00e9 foi para mim uma pessoa muito importante, em v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es da minha vida, da minha exist\u00eancia. Ent\u00e3o foi um jeito de poder homenage\u00e1-lo. Tem uma interpreta\u00e7\u00e3o que recebi pelo Instagram, de uma artista que fez uma vers\u00e3o dela, muito linda. Fiquei muito feliz. \u00c9 uma m\u00fasica pela qual eu tenho um carinho imenso. Sobre \u201dRevoada de Naves\u201d, ela tem essa constru\u00e7\u00e3o que me remete a umas coisas do Eric Burdon, do Animals. Acho que aquela levada \u00e9 uma coisa muito atmosf\u00e9rica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea j\u00e1 soma <a href=\"https:\/\/tataaeroplano.com\/discografia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">quase 20 \u00e1lbuns<\/a> entre discos solo, projetos colaborativos e parcerias. \u00c9 pessoalmente assustador olhar para tr\u00e1s, e pensar na import\u00e2ncia que seu trabalho tem na vida de pessoas que te acompanham a tanto tempo?<\/strong><br \/>\nComo eu comecei a fazer m\u00fasica bem novo, fui criando muita m\u00fasica, e nunca parei, na verdade. Estou sempre fazendo alguma coisa. Se voc\u00ea soltar uma base, eu vou improvisar em cima. Estou pensando em m\u00fasica o tempo todo, e a m\u00fasica me rege em todos os sentidos. Cara, eu discoteco muito tamb\u00e9m. Adoro cinema, adoro ler. Eu emendo um livro no outro. Isso tudo faz parte de um processo. Ent\u00e3o \u00e9 muita cria\u00e7\u00e3o ao mesmo tempo, e eu encontrei uma maneira de descarregar retratos nos \u00e1lbuns. Por isso que s\u00e3o muitos \u00e1lbuns. Eles s\u00e3o mini-retratos de momentos da exist\u00eancia. Por isso acabo produzindo bastante. Tamb\u00e9m encontrei uma maneira de produzir os discos depois depois de lan\u00e7\u00e1-los, fazer um rol\u00ea de shows, de produzir LPs. A minha vida \u00e9 meio que pautada por isso. Cara, eu adoro ir ao cinema. Eu me organizo no cotidiano para poder viajar, fazer m\u00fasica, produzir disco, lan\u00e7ar, estar na estrada. Discotecar tamb\u00e9m, que \u00e9 uma coisa que eu amo, porque nesse momento voc\u00ea descobre m\u00fasicas. Voc\u00ea come\u00e7a a frequentar can\u00e7\u00f5es que marcaram as gera\u00e7\u00f5es. Fa\u00e7o muitas festas de anivers\u00e1rio, casamentos, festas na noite em S\u00e3o Paulo, discotecando com vinil. \u00c9 uma coisa que comecei a fazer agora, porque eu sou da \u00e9poca dos CDs e tal. E fico muito feliz do vinil estar ganhando um protagonismo assim. Estive em Manaus duas vezes recentemente, e l\u00e1 tem uma cena incr\u00edvel de DJs tocando com vinil. Isso \u00e9 fant\u00e1stico!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Muita gente lan\u00e7a discos em vinil pensando no formato mais como modismo. No seu caso, parece haver toda uma intencionalidade em lan\u00e7ar seu trabalho em LP. Como \u00e9 a sua rela\u00e7\u00e3o com esse conceito?<\/strong><br \/>\nEnt\u00e3o, cara, eu estou escutando os meus discos que eu tenho de inf\u00e2ncia, que eu guardei. Eu perdi poucos discos (com o tempo). E sempre tive rela\u00e7\u00e3o muito, muito grande com a m\u00fasica, porque meus pais sempre gostaram muito de m\u00fasica. Meus irm\u00e3os tamb\u00e9m curtem. E me deixa feliz isso que falei de Manaus: tem uma cena incr\u00edvel de DJs tocando LPs. (coisas de) Ava Rocha, Ana Frango El\u00e9trico, Letrux, Tulipa [Ruiz]&#8230; Hoje voc\u00ea tem uma parada muito legal acontecendo, que s\u00e3o os os artistas contempor\u00e2neos produzindo no formato LP e os discos est\u00e3o a\u00ed, est\u00e3o circulando, est\u00e3o sendo tocados pela galera. Isso \u00e9 o que d\u00e1 \u00e2nimo para continuar produzindo LPs, j\u00e1 sei mais ou menos quais s\u00e3o as pessoas que pegam os LPs, que compram os LPs comigo e tudo mais. E tem tido um aumento tamb\u00e9m de pessoas que compram CDs. Acho super interessante tamb\u00e9m porque, no fim das contas, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a m\u00eddia, n\u00e9? Um CD tem a letra, tem fotos, tem todo um trabalho. Eu fa\u00e7o muitas parcerias com o Luiz Romero, que sempre me fotografa em praticamente todos os discos, a partir do \u201c<a href=\"https:\/\/tataaeroplano.com\/album\/step-psicodelico-tata-aeroplano\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Step Psicod\u00e9lico<\/a>\u201d (2016). Ent\u00e3o o disco \u00e9 toda uma coletividade. Tem o Fernando Maranho, que \u00e9 meu parceiro de C\u00e9rebro Eletr\u00f4nico, que tem feito a dire\u00e7\u00e3o de arte dos discos. Ent\u00e3o, quando o CD e o LP ficam prontos, eles tem todas as informa\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas. Nessa ideia de que daqui a, sei l\u00e1, 50 anos, algu\u00e9m vai pegar e ver essas informa\u00e7\u00f5es que, na plataforma de streaming, ainda n\u00e3o est\u00e3o todas condensadas. Ent\u00e3o o LP e o CD t\u00eam essa fun\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Vamos Pro Quarto - C\u00e9rebro Eletr\u00f4nico - Full \u00c1lbum\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/pVVgzwFAHbo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea comentou do Fernando Maranho e do C\u00e9rebro Eletr\u00f4nico, e fazem mais de 20 anos desde que saiu o \u201cOnda H\u00edbrida Dissonante\u201d (2003), seu primeiro disco com o C\u00e9rebro Eletr\u00f4nico. Voc\u00ea costuma voltar a escutar a sua estreia?<\/strong><br \/>\nEventualmente dou uma escutada. Mas menos, em compara\u00e7\u00e3o, por exemplo, com o \u00faltimo (e quarto disco) do C\u00e9rebro, \u201cVamos Para O Quarto\u201d (2013). Mas vira e mexe ou\u00e7o, \u00e9 um disco que eu gosto de escutar. Eu tenho a tend\u00eancia de escutar as coisas que eu eventualmente estou envolvido, produzo e tal, acho que faz parte do processo. At\u00e9 de quando voc\u00ea est\u00e1 criando um novo trabalho, pra entender como \u00e9 que todo o processo foi feito. Por exemplo, o \u201c<a href=\"https:\/\/tataaeroplano.com\/album\/onda-hibrida-ressonante-cerebro-eletronico\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Onda H\u00edbrida Ressonante<\/a>\u201d \u00e9 um disco muito \u201cnosso\u201d. A gente estava aprendendo a se \u201campliar\u201d, tanto eu quanto Maranho. A gente tinha uma banda chamada Gorpiava, que era uma banda l\u00e1 de Bragan\u00e7a &#8211; at\u00e9 temos um disco gravado que n\u00e3o foi lan\u00e7ado oficialmente. O pr\u00f3ximo passo seria vir para S\u00e3o Paulo, e acabou que s\u00f3 eu e o Maranho viemos. Depois, quando eu j\u00e1 estava em S\u00e3o Paulo, e o Maranho tamb\u00e9m, come\u00e7amos o C\u00e9rebro Eletr\u00f4nico como dupla. E o \u201cOnda H\u00edbrida Ressonante\u201d \u00e9 o nosso trabalho de corte e costura. Eu ampliava uma coisa aqui, ele ampliava uma coisa l\u00e1, n\u00f3s nos reun\u00edamos. Ele foi aprendendo a mexer nos softwares, mixou o disco e tal. Ent\u00e3o foi, pra mim, super enriquecedor no sentido de entender como produzir m\u00fasica, de (fazer) samples. Coisas que, depois, eu quase nunca mais fiz, e est\u00e3o s\u00f3 l\u00e1, porque depois a gente montou uma banda, banda mesmo. Mas \u00e9 um processo que, no futuro, d\u00e1 para voltar a fazer. E vai ser demais, n\u00e9? Eu estou quase que chegando nesse ponto de voltar ali, e come\u00e7ar a recortar coisas, e criar um disco dessa maneira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No ano seguinte, ali\u00e1s, saiu o disco do Jumbo Elektro&#8230;<\/strong><br \/>\nIsso \u00e9 interessante, porque continuei produzindo. O personagem do Jumbo \u00e9 o Frito Sampler. Depois fiz discos (solo) do Frito, e estou trabalhando agora em um novo material para lan\u00e7ar tamb\u00e9m. Ele \u00e9 como se fosse um heter\u00f4nimo. Era um personagem que era o vocalista do Jumbo Elektro, e a ideia do Jumbo foi mais ou menos essa, de explorar uma coisa meio alter-ego, as m\u00fasicas com letras sem sentido e tal.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Frito Sampler - Telepathique Desorder - (\u00c1lbum Completo)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/z_onCH-s-Xk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Interessante, porque o \u00faltimo disco que voc\u00ea lan\u00e7ou como Frito Sampler foi \u201cTelepathique Disorder\u201d (2019), anterior \u00e0 pandemia.<\/strong><br \/>\nSim, estou com dois trabalhos ao mesmo tempo. No ano passado n\u00f3s fizemos duas sess\u00f5es no (est\u00fadio) Submarino Fant\u00e1stico. Foi com o Ot\u00e1vio Carvalho, que \u00e9 o coprodutor dos discos do Frito junto comigo. Fizemos uma sess\u00e3o com o Daniel [Setti], que \u00e9 o baterista do Jumbo, e que mora em Barcelona desde 2006. Ele veio para o Brasil no ano passado, e eu o chamei para fazer uma sess\u00e3o do Frito. S\u00e3o sete m\u00fasicas. Depois veio o pessoal do Selvagens \u00c0 Procura de Lei; os meninos apareceram no Submarino, fizemos uma improvisa\u00e7\u00e3o com o Setti na bateria e a banda, com duas baterias. Eu e o Gabriel [Arag\u00e3o], dos Selvagens, criando as m\u00fasicas do Frito. E a Malu Maria tamb\u00e9m participou, como a personagem Freak Lauper. E eu pretendo tamb\u00e9m agora fazer mais uma sess\u00e3o, porque tem o Hippie Hunters, que \u00e9 a banda do Frito, n\u00e9? Ent\u00e3o fazer com eles. Da\u00ed vou tirando m\u00fasicas dessas sess\u00f5es pra fazer um novo \u00e1lbum do Frito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 aconteceu de voc\u00ea ter composto uma m\u00fasica para o Frito, cujas m\u00fasicas s\u00e3o em Ingl\u00eas, e depois mudar de ideia, e incorporar ao repert\u00f3rio como Tat\u00e1 Aeroplano?<\/strong><br \/>\nNo \u201cDel\u00edrios L\u00edricos\u201d (2020) aconteceu um neg\u00f3cio. Eu estava com um disco pronto, e ia ser um disco de can\u00e7\u00f5es. A\u00ed um dia, uma sexta-feira, um amigo me presenteou com uma garrafa de Pisco, que \u00e9 um destilado. Comecei a tomar umas doses, e comecei a compor. Fiz a espinha dorsal do \u201cDel\u00edrios L\u00edricos\u201d. Fiz \u201cAlucina\u00e7\u00f5es\u201d, fiz \u201cO Sil\u00eancio das Serpentes\u201d e fiz duas can\u00e7\u00f5es em portugu\u00eas, mais uma do Frito. Fui dormir, acordei de madrugada, \u00e0s cinco da manh\u00e3, e tinha tido um sonho em que estava fazendo uma m\u00fasica. E a\u00ed eu estava cantando a letra de \u201cAmoras na Beira do Rio\u201d. Eu levantei e fui para a sala, peguei o viol\u00e3o. Fiz \u201cAmoras na Beira do Rio\u201d e, na sequ\u00eancia, fiz \u201cR\u00e9quiem Para Um Sonho\u201d. E a\u00ed essa can\u00e7\u00e3o, que era para o Frito, ganhou uma letra em portugu\u00eas. Da noite para o dia, as m\u00fasicas novas deram um \u201cstrike\u201d no repert\u00f3rio que tinha antes, e eu nem lembro mais as m\u00fasicas que eu ia gravar no in\u00edcio; meio que apaguei da minha mente as m\u00fasicas que tinha antes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E foi um processo totalmente espont\u00e2neo.<\/strong><br \/>\nFoi muito doido, porque inclusive teve um show que foi em um s\u00e1bado, ou uma sexta. Eu me levantei \u00e0s cinco da manh\u00e3, fiz as duas m\u00fasicas, e voltei para dormir. Tinha um show na Casa do Mancha, isso foi em 2019. A gente entrou em agosto para gravar, e isso que contei foi em julho. Menos de um m\u00eas depois, essas m\u00fasicas estavam sendo gravadas em est\u00fadio, cara. Foi um processo muito r\u00e1pido.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"B\u00e1rbara Eugenia &amp; Tat\u00e1 Aeroplano - Vida Ventureira  (Full Album)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/vmgOpTWgpjg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O \u201cVida Ventureira\u201d (2017), que voc\u00ea fez com a B\u00e1rbara Eug\u00eania, foi a \u00fanica vez na sua discografia onde um disco foi formalmente dividido entre voc\u00ea e outro artista. E ele vai fazer 10 anos no ano que vem. Como aconteceu de voc\u00eas colaborarem? Foi algo pensado de antem\u00e3o, ou aconteceu de maneira espont\u00e2nea?<\/strong><br \/>\nA B\u00e1rbara vinha falando h\u00e1 muito de fazermos um disco. A\u00ed eu estava fazendo o \u201cVamos Para o Quarto\u201d (2013) com o C\u00e9rebro, e falei: \u201dBarbarella, deixa eu lan\u00e7ar o do C\u00e9rebro (e a gente faz um nosso)\u201d, mas lancei depois, na loucura, o \u201cStep Psicod\u00e9lico\u201d (2016). O \u201cAladin Bacunins\u201d \u00e9 de 2015, e em 2016 ainda teve o \u201cCosmic Dami\u00e3o\u201d, que \u00e9 o segundo do Frito no mesmo ano. Pra voc\u00ea ter uma ideia, as can\u00e7\u00f5es do \u201cVida Ventureira\u201d, se n\u00e3o me engano, foram criadas em 2013! N\u00f3s fomos para a Fazenda da Serrinha, eu e a B\u00e1rbara, e a gente comp\u00f4s em um, dois dias. A gente come\u00e7ou a compor no final da tarde, ficamos conversando com o Carl\u00e3o, do Galp\u00e3o Busca Vida, com o F\u00e1bio Duque e com a Veri, que s\u00e3o um casal maravilhoso, e as conversas foram entrando nas composi\u00e7\u00f5es. Fizemos todas as can\u00e7\u00f5es assim, e a\u00ed depois vimos que era um \u00e1lbum. E a\u00ed demorou dois, tr\u00eas anos, ou at\u00e9 um pouco mais, para ir para o est\u00fadio registrar. Mas foi nesse esquema que falei. Inclusive foi muito interessante, porque eu e B\u00e1rbara nos apresentamos em formato voz e viol\u00e3o numa segunda-feira, no Centro da Terra, em 2017. E a\u00ed apresentamos o \u201cVida Ventureira\u201d na segunda, e na ter\u00e7a formos para o est\u00fadio: eu, B\u00e1rbara, e Bruno Boca. As bases foram todas capturadas ali, muita coisa dos vocais, tamb\u00e9m. E j\u00e1 fomos fazendo porque, enfim, a gente \u00e9 muito parceiro, muito amigos. Ent\u00e3o foi um disco muito natural. Foi muito r\u00e1pido, o processo. Eu e a B\u00e1rbara, p\u00f4, a gente tem muitas colabora\u00e7\u00f5es. Ela participa dos meus \u00e1lbuns, eu participo dos dela. E a gente tem uma novidade para o ano que vem, com os 10 anos do disco. Vamos sair com o LP, com o show, e tamb\u00e9m tem novidades em breve.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pensando nesse modelo que voc\u00ea trabalhou com a B\u00e1rbara, de disco colaborativo: qual voc\u00ea diria, na cena atual ou pensando na m\u00fasica brasileira como um todo, que seria a sua colabora\u00e7\u00e3o dos sonhos?<\/strong><br \/>\nH\u00e1 muitos nomes, n\u00e9? Adoro o que est\u00e1 sendo feito hoje. Acompanho muitos artistas contempor\u00e2neos e, cara, eu sou muito f\u00e3 do Vitor [Brauer] e do Jair [Naves]. Adoro eles e adoro o trabalho deles. Escuto a Lupe de Lupe, acompanho a carreira do Jair. S\u00e3o artistas que eu gosto de escutar, como f\u00e3. O Irm\u00e3o Victor (projeto de Marco Ant\u00f4nio Benvegn\u00fa) tamb\u00e9m, \u00e9 um cara que eu adoro escutar. Adoro a Letrux, adoro a Ava Rocha. Eu estava escutando a Tulipa [Ruiz] hoje, que \u00e9 uma amiga de muito tempo! Estava escutando o disco dela e do Gustavo [Ruiz], \u201cHabilidades Extraordin\u00e1rias\u201d (2022), em LP. \u00c9 uma diferen\u00e7a entre ouvir um LP e escutar no streaming: com o LP, voc\u00ea d\u00e1 uma mergulhada diferente na m\u00fasica. Eu n\u00e3o sei explicar, mas existe isso. Ou no CD tamb\u00e9m, que eu escuto muito. Isso me deixa muito empolgado. Tem um disco do Kiko [Dinucci] que acabou de sair (\u201cMedusa\u201d, 2026). Esse ano, o Cidad\u00e3o [Instigado] lan\u00e7ou um disco. D\u00e1 vontade de fazer m\u00fasica com todo mundo [risos].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como \u00e9 que est\u00e3o seus planos para esta reta final de 2026, com a apresenta\u00e7\u00e3o do \u201cLendas e Sol\u201d e outros projetos?<\/strong><br \/>\nNesse fim de ano, eu vou me organizar para come\u00e7ar a produzir esse material novo, que \u00e9 o \u201cSputnik\u201d, vou come\u00e7ar a selecionar as m\u00fasicas. J\u00e1 tem coisas que est\u00e3o gravadas, mais adiantadas. A ideia \u00e9 deixar esse material pronto para o ano que vem. Tem um disco ao vivo que n\u00f3s gravamos no Centro da Terra. O Lu\u00eds Romero dirigiu, filmou com tr\u00eas c\u00e2meras e editou. Fomos assistir recentemente, e est\u00e1 incr\u00edvel. Ent\u00e3o \u00e9 uma coisa para o ano que vem, ou pode ser para daqui dois anos. Mas a ideia \u00e9, de repente, lan\u00e7ar esse filme\/document\u00e1rio com um disco tamb\u00e9m. Eu s\u00f3 n\u00e3o sei a ordem das coisas ainda, como s\u00e3o v\u00e1rias coisas ao mesmo tempo, ent\u00e3o vai depender de como a gente vai planejando as coisas para o final do ano. A banda do \u201cBoate Invis\u00edvel\u201d deve voltar a fazer coisas no final do ano, porque acontece um neg\u00f3cio interessante: como j\u00e1 fizemos v\u00e1rios discos juntos, a gente tem um baile, onde cabem m\u00fasicas de todos os \u00e1lbuns. A base \u00e9 o disco \u201cBoate Inv\u00edsivel\u201d, e cabem duas ou tr\u00eas m\u00fasicas do \u201cLendas e Sol\u201d, por exemplo. E eu fa\u00e7o muita coisa no formato voz e viol\u00e3o, viajando muito, com o Andarilho Urbano, que \u00e9 um show intimista. A\u00ed toco o faixas do C\u00e9rebro Eletr\u00f4nico, eventualmente tamb\u00e9m alguma coisa do \u201cVida Ventureira\u201d, ent\u00e3o s\u00e3o v\u00e1rias coisas paralelas que eu vou fazendo. No ano que vem, a ideia \u00e9 fazer um show do \u201cVida Ventureira\u201d. A B\u00e1rbara est\u00e1 morando em Portugal, mas ano que vem ela vem para c\u00e1 para a gente fazer esse show e lan\u00e7ar o LP. Gosto de me dedicar aos projetos, n\u00e9? Ent\u00e3o, organicamente, as coisas v\u00e3o acontecendo.<\/p>\n<figure id=\"attachment_98004\" aria-describedby=\"caption-attachment-98004\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-98004\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/lendas1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/lendas1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/lendas1-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/lendas1-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-98004\" class=\"wp-caption-text\"><em>Capa de &#8220;Lendas e Sol&#8221;, de Tat\u00e1 Aeroplano<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p><em>\u2013<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=4cfQaQO-YD4\">\u00a0Davi Caro<\/a>\u00a0\u00e9 professor<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=4cfQaQO-YD4\">,<\/a>\u00a0tradutor, <a class=\"google-anno\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/09\/15\/critica-fito-paez-o-mundo-cabe-em-uma-cancao-e-uma-egotrip-recheada-de-inseguranca-e-de-grandes-cancoes\/#\" data-google-vignette=\"false\" data-google-interstitial=\"false\">\u00a0<span class=\"google-anno-t\">m\u00fasico<\/span><\/a>, escritor e estudante de Jornalismo. Leia mais textos dele\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/author\/davi-caro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Tat\u00e1 se debru\u00e7ou sobre sua pr\u00f3pria trajet\u00f3ria e falou sobre seus projetos do passado, do presente, e \u2013 como n\u00e3o? \u2013 do futuro\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/10\/27\/entrevista-tata-aeroplano-lanca-novo-album-solo-lendas-e-sol-e-revela-inspiracoes-e-novos-projetos-nessa-conversa\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":134,"featured_media":98021,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7548,4833,3],"tags":[2276],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/98003"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/134"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=98003"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/98003\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":98006,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/98003\/revisions\/98006"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/98021"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=98003"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=98003"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=98003"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}