{"id":979,"date":"2009-03-17T19:09:48","date_gmt":"2009-03-17T22:09:48","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=979"},"modified":"2017-10-11T00:08:38","modified_gmt":"2017-10-11T03:08:38","slug":"in-rainbows-o-album-da-decada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/03\/17\/in-rainbows-o-album-da-decada\/","title":{"rendered":"Radiohead: &#8220;In Rainbows&#8221;, o \u00e1lbum da d\u00e9cada"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-980\" title=\"radiohead_inrainbows\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/03\/radiohead_inrainbows.jpg\" alt=\"\" width=\"455\" height=\"455\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/03\/radiohead_inrainbows.jpg 455w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/03\/radiohead_inrainbows-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/03\/radiohead_inrainbows-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 455px) 100vw, 455px\" \/><\/strong><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por Alexandre Matias<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vamos falar a verdade \u2013 o Radiohead s\u00f3 passou a existir a partir do segundo semestre de 1997, quando &#8220;OK Computer&#8221; definiu uma fronteira ainda inconsciente. Ali terminava a carreira de uma banda do terceiro escal\u00e3o da gera\u00e7\u00e3o britpop, que se esfor\u00e7ava para suprir a lacuna deixada pelo U2 \u00e0 medida em que Bono e companhia mergulhavam na dance music. Mesmo com algumas boas faixas em &#8220;The Bends&#8221;, o Radiohead era menos do que nota de rodap\u00e9 na hist\u00f3ria do rock, fadado a ser lembrado mais por \u201cCreep\u201d do que por faixas infinitamente superiores, como \u201cHigh and Dry\u201d, \u201cFake Plastic Trees\u201d ou \u201cJust\u201d. At\u00e9 que, em um disco, mudaram completamente a abordagem de sua m\u00fasica, sua pr\u00f3pria no\u00e7\u00e3o de import\u00e2ncia e a consci\u00eancia de perspectiva hist\u00f3rica. &#8220;OK Computer&#8221; era uma cole\u00e7\u00e3o de faixas que soavam t\u00e3o inquietas quanto cl\u00e1ssicos do rock, devendo tanto ao stress existencialista da gera\u00e7\u00e3o X e \u00e0 paranoia consumista dos anos 90 quanto aos discos solo dos Beatles e os discos certos do rock progressivo. E toda poeira retr\u00f4 que pairava sobre as can\u00e7\u00f5es do \u00faltimo \u00e1lbum da hist\u00f3ria do rock soa setentista ao mesmo tempo em que flutua p\u00f3s-moderna, como se letra e m\u00fasica fossem atiradas \u00e0 aus\u00eancia de gravidade e humanidade de uma etapa cinzenta a seguir. Imagine o estado da banda ao conduzir vers\u00f5es com 14 minutos de uma \u201cParanoid Android\u201d ainda n\u00e3o gravada para o p\u00fablico da primeira turn\u00ea americana de Alanis Morrissette, de quem foram o show de abertura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mal sab\u00edamos como aquele &#8220;OK Computer&#8221; seria definitivo: surrupiada de Douglas Adams, a frase funcionava como um epit\u00e1fio para o mundo pop como o conhec\u00edamos, de artistas inating\u00edveis, can\u00e7\u00f5es que soam como hinos, discos para serem ouvidos de cabo a rabo, a ind\u00fastria fonogr\u00e1fica em particular e o mercado de entretenimento como um todo. Tudo come\u00e7aria a ruir naquele semestre. Ao mesmo tempo em que as letras da banda pareciam concretizar-se, novas estradas digitais eram erguidas. A aus\u00eancia de resist\u00eancia do t\u00edtulo n\u00e3o era apenas um \u00faltimo suspiro, uma tr\u00e9gua final \u2013 tamb\u00e9m anunciava o in\u00edcio de novas regras no jogo do pop. Afinal, o computador n\u00e3o era apenas a caixa cinzenta de pl\u00e1stico que passaria a nos conectar atrav\u00e9s de uma rede neurol\u00f3gica planet\u00e1ria artificial, mas tamb\u00e9m cada um de seus usu\u00e1rios. Ao ceder ao computador, a banda estava encerrando tamb\u00e9m o ciclo de rela\u00e7\u00e3o da banda com o ouvinte passivo, afinal, a partir dali ele tamb\u00e9m inseriria dados na equa\u00e7\u00e3o do sucesso de determinado artista que iam al\u00e9m da simples compra de ingressos ou de discos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pr\u00f3prio Radiohead foi cobaia desta nova realidade ao ver o disco posterior a &#8220;OK Computer&#8221; aparecer online antes de ter sido lan\u00e7ado.\u00a0Tr\u00eas anos ap\u00f3s ter subido degraus consider\u00e1veis em import\u00e2ncia no mundo pop gra\u00e7as a um \u00fanico disco, o Radiohead armava a contagem regressiva para o lan\u00e7amento de um disco que a ind\u00fastria esperava ser campe\u00e3o de vendas com not\u00edcias que diziam que o disco seria herm\u00e9tico e experimental. E a expectativa aumentava quando grava\u00e7\u00f5es com as novas faixas tocadas em shows come\u00e7aram a aparecer na internet \u2013que culminou com o pr\u00f3prio vazamento de &#8220;Kid A&#8221; quase dois meses antes de seu lan\u00e7amento oficial. Aquela novidade era uma pr\u00e1tica que j\u00e1 vinha acontecendo com artistas menores, mas, com a chegada do Radiohead ao primeiro escal\u00e3o do pop, abriu as possibilidades de ver a internet como vil\u00e3, ao minar as possibilidades de um artista de grande porte vender ainda mais discos. O resultado foi um esgar inicial \u00e0 complexidade e densidade das can\u00e7\u00f5es, avessas ao classicismo de &#8220;OK Computer&#8221;, que rendeu not\u00edcias anunciando a morte prematura do disco. Mas foi o tempo necess\u00e1rio para o p\u00fablico digerir o \u00e1lbum e seu conceito antipop para que &#8220;Kid A&#8221;, contrariando todas expectativas, se tornasse um dos discos mais vendidos do ano 2000 no mundo inteiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com &#8220;Kid A&#8221;, o grupo virou as costas para o que havia pregado em &#8220;OK Computer&#8221; e partiu para o que mais havia de vanguarda na \u00e9poca. Lembro da Wire, b\u00edblia da m\u00fasica experimental, estampar Thom Yorke em sua capa com um misto de admira\u00e7\u00e3o e culpa, pois a banda de rock mais popular do planeta tinha levado para seu aguardado disco parte do universo de explora\u00e7\u00e3o e experimentos endeusados pela revista. A m\u00fasica mais \u201cf\u00e1cil\u201d de &#8220;Kid A&#8221; n\u00e3o ajudava muito, ao criar um neologismo que fundia idiotice com discoth\u00e9que, numa cr\u00edtica nada sutil \u00e0 pista de dan\u00e7a. Pesado e de poucos amigos, &#8220;Kid A&#8221; \u00e9 um salto no escuro t\u00e3o radical quanto os \u00e1lbuns negros do Prince e do Metallica \u2013 embora n\u00e3o tenha errado tanto quanto o primeiro nem acertado tanto quanto o \u00faltimo. Em seu quarto disco, o Radiohead tinha deixado de ser uma banda pop aspirando o Olimpo para assumir a express\u00e3o de uma esfinge, uma Mona Lisa de olhos tortos que ri de\/com\/para algo \u2013 e voc\u00ea n\u00e3o sabe do qu\u00ea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os discos seguintes continuaram a trilha, abrindo-a para os lados. &#8220;Amnesiac&#8221; \u00e9 o lado B de &#8220;Kid A&#8221; e o disco ao vivo &#8220;I Might Be Wrong&#8221; compila as m\u00fasicas dos discos anteriores que poderiam ter feito o sucessor de &#8220;OK Computer&#8221; um disco palat\u00e1vel \u2013 mas desimportante por ser muito parecido. Com &#8220;Hail to the Thief&#8221;, eles ampliam ainda mais suas discuss\u00f5es ao assumir posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas ao mesmo tempo em que costuram o experimentalismo com sua maior qualidade, as can\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sete anos depois do abismo &#8220;Kid A&#8221;, o grupo d\u00e1 um passo ainda mais ousado &#8211; talvez at\u00e9 mesmo que o de &#8220;OK Computer&#8221;. Tudo estaria resolvido em menos de um m\u00eas. Em setembro de 2007, pouco se falava sobre o pr\u00f3ximo disco do Radiohead e no m\u00eas seguinte a banda dominava o imagin\u00e1rio mundial. Come\u00e7ou com o m\u00ednimo de barulho num site chamado www.radiohead7lp.com, que computava uma contagem regressiva para alguma coisa. Sim, era o s\u00e9timo disco do Radiohead que estava para ser lan\u00e7ado, mas logo a pr\u00f3pria banda vinha em seu site para dizer que n\u00e3o tinha nada a ver com aquela contagem regressiva. Em alguns posts anteriores, o grupo apenas lan\u00e7ava mensagens enigm\u00e1ticas, criptografadas \u2013 uma delas foi traduzida como sendo MARCH WAX, o que levava a crer que o pr\u00f3ximo disco da banda sairia apenas em vinil, seis meses depois.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou n\u00e3o. Eis que o tal cron\u00f4metro chegou ao zero, revelando a frase &#8211; THE MOST GIGANTIC LYING HOAX OF ALL TIME (O MAIS GIGANTE E MENTIROSO BOATO DE TODOS OS TEMPOS, tudo em caixa alta mesmo) linkada a um v\u00eddeo do YouTube, que nos fazia cair no clipe de \u201cNever Gonna Give You Up\u201d, de Rick Astley, num primeir\u00edssimo Rick Roll\u2019d em larga escala. Ao mesmo tempo, o pr\u00f3prio site da banda revelava a seguinte mensagem:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>\u201cHello everyone.<\/em><br \/>\n<em> Well, the new album is finished, and it\u2019s coming out in 10 days;<\/em><br \/>\n<em> We\u2019ve called it In Rainbows.<\/em><br \/>\n<em> Love from us all.<\/em><br \/>\n<em> Jonny\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dali voc\u00ea era redirecionado para o site InRainbows.com, que escreveria uma nova p\u00e1gina na hist\u00f3ria do capitalismo. No momento em que voc\u00ea optava por comprar o \u00e1lbum, o site lhe oferecia a op\u00e7\u00e3o de escolher o pre\u00e7o que queria pagar. N\u00e3o era simples altru\u00edsmo: assim, o que o Radiohead admitia era o fato de que, uma vez feito, o disco j\u00e1 estava lan\u00e7ado \u2013 pagaria quem se dispusesse a faze-lo. Mais do que ter o pre\u00e7o avaliado pelo comprador \u2013 o que \u00e9 um conceito inovador em si \u2013, &#8220;In Rainbows&#8221; foi dado de gra\u00e7a. Quem quisesse, poderia pagar pela comodidade de receber, al\u00e9m das 10 faixas disponibilizadas em MP3, um pacote com o disco em vinil em edi\u00e7\u00e3o especial, que ainda inclu\u00eda um disco extra. Calibrando suas faixas com um bitrate espec\u00edfico (160 \u2013 ao contr\u00e1rio dos 320, 192 ou 128 que s\u00e3o usados como padr\u00f5es), eles logo dominavam a rede com o mesmo disco em milh\u00f5es de HDs diferentes. Ao contr\u00e1rio do vazamento involunt\u00e1rio, que pode pular uma das etapas do processo de produ\u00e7\u00e3o do disco e vir com algo menos (t\u00edtulos definitivos, masteriza\u00e7\u00e3o, ordem das m\u00fasicas, etc.), &#8220;In Rainbows&#8221; chegou inteiro e ao mesmo tempo para todo seu p\u00fablico \u2013 e exatamente como queriam seus autores. Em um fim de semana, o s\u00e9timo disco do Radiohead deixava de ser uma conspira\u00e7\u00e3o decodificada por f\u00e3s para se tornar um novo paradigma para a cultura pop.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;In Rainbows&#8221; ainda tem outro m\u00e9rito \u2013 o de mostrar que download gratuito n\u00e3o pressup\u00f5e pirataria, como desinformava a guerra de nervos promovida pela ind\u00fastria do disco no in\u00edcio da d\u00e9cada, quando insistia em jogar na internet a culpa da m\u00e1 gest\u00e3o de seus pr\u00f3prios neg\u00f3cios nos anos 90 e trata-la como vil\u00e3. Assim, se uma incauta gera\u00e7\u00e3o inteira baixava MP3 como se n\u00e3o houvesse amanh\u00e3, outra, precavida, comprava seus MP3 com medo de prejudicar seus artistas favoritos. O Radiohead deu a esta \u00faltima a chance de baixar n\u00e3o apenas uma m\u00fasica, mas um disco inteiro, de um artista estabelecido \u2013 de gra\u00e7a, sem dor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O feito transformou o Radiohead em novo paradigma digital. N\u00e3o apenas o universo musical, mas todos conscientes do papel da internet ouviram falar da nova estrat\u00e9gia da banda, que em uma semana, teve mais de um milh\u00e3o de downloads s\u00f3 do site oficial, dominou a parada da Last.fm e apresentou-se para gente que nunca tinha sequer parado para ouvir o grupo. Al\u00e9m de impulsionar uma safra de artistas a adotar o formato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 quem desmere\u00e7a o feito como mero recurso t\u00e9cnico feito para distrair a aten\u00e7\u00e3o da ess\u00eancia art\u00edstica \u2013 rea\u00e7\u00e3o usada para esvaziar os efeitos de &#8220;Guerra nas Estrelas&#8221; ou de &#8220;Dark Side of the Moon&#8221;, a cor em &#8220;O M\u00e1gico de Oz&#8221;, a pompa de &#8220;Sgt. Pepper\u2019s&#8221;, o timbre de Jo\u00e3o Gilberto, a falta de respostas em Lost ou a filosofia de araque em Matrix. Os detratores do pop desvinculam tais elementos de suas obras originais de forma a torn\u00e1-los rid\u00edculos para quem acompanha o fen\u00f4meno de fora, sem perceber que \u00e9 justamente esse o elemento respons\u00e1vel por ampliar o p\u00fablico para longe do nicho, rumo \u00e0s massas. E por mais \u00f3bvio que pare\u00e7a ter sido o salto dado por &#8220;In Rainbows&#8221;, ele foi crucial, pois quebrou o par\u00e2metro linear de produ\u00e7\u00e3o da era anal\u00f3gica, que inevitavelmente faria o disco ser lan\u00e7ado mesmo em mar\u00e7o de 2008, caso a banda entregasse o disco \u00e0 gravadora, e n\u00e3o ao p\u00fablico. A sensa\u00e7\u00e3o de desnorteamento foi tamanha, que havia quem considerasse o lan\u00e7amento digital do disco um h\u00edbrido improv\u00e1vel batizado de \u201cvazamento oficial\u201d \u2013 sem perceber a contradi\u00e7\u00e3o no termo. Como provoca\u00e7\u00e3o, a banda ainda marcou o lan\u00e7amento oficial do CD para o primeiro dia de 2008 \u2013 como se perguntasse a quem falou em \u201cvazamento oficial\u201d de quando \u00e9 que eles v\u00e3o datar o CD, 2007 ou 2008? Endossando a provoca\u00e7\u00e3o, o Radiohead ainda fechou um acordo com a CurrenTV de Al Gore para transmitir um show gravado no est\u00fadio da banda no \u00faltimo dia de 2007. Poucas horas antes do disco chegar \u00e0s prateleiras das lojas do mundo, milhares de f\u00e3s da banda em todo o planeta cantavam todas as m\u00fasicas de um disco que ainda n\u00e3o existira fisicamente, apenas de forma digital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o fato \u00e9 que todo esse rebuli\u00e7o n\u00e3o seria t\u00e3o importante caso &#8220;In Rainbows&#8221; n\u00e3o fosse bom. Tanto que logo depois o Nine Inch Nails lan\u00e7ou um disco de forma ainda mais ousada \u2013 tanto em termos mercadol\u00f3gicos quanto em se tratando de narrativa \u2013 e ningu\u00e9m mal ouviu falar do disco. Por que \u00e9 ruim? N\u00e3o, afinal de contas, o trabalho de Trent Reznor \u00e9 s\u00e9rio. Mas por que n\u00e3o se conecta de forma t\u00e3o intensa com a pr\u00f3pria \u00e9poca como o do Radiohead.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E chamar &#8220;In Rainbows&#8221; de um bom disco \u00e9 exagerar na mod\u00e9stia. &#8220;In Rainbows&#8221; \u00e9 o melhor \u00e1lbum dos anos 00.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pois todo experimentalismo da virada do mil\u00eanio j\u00e1 havia sido digerido pela pr\u00f3pria banda. Expurgando a possibilidade de se repetir ao cogitar discos de vanguarda em vez de \u00e1lbuns de rock, o Radiohead aos poucos abandona a experimenta\u00e7\u00e3o e o improviso, rumo ao artesanato cancioneiro. As texturas e timbres alien\u00edgenas de &#8220;Kid A&#8221;\/&#8221;Amnesiac&#8221; surgem nas entrelinhas, nos arranjos, nos detalhes de &#8220;In Rainbows&#8221; \u2013 que \u00e9, essencialmente, uma continua\u00e7\u00e3o de &#8220;OK Computer&#8221;. H\u00e1 uma linha de racioc\u00ednio que inclusive busca ligar ambos discos e f\u00e3s do grupo s\u00e3o instigados a procurar sentido em coincid\u00eancias como o fato dos dois discos serem batizados com express\u00f5es com duas palavras, uma com duas letras e outra com oito. J\u00e1 cogitaram at\u00e9 mesmo que a audi\u00e7\u00e3o entrela\u00e7ada das faixas dos dois discos abre uma nova dimens\u00e3o entre suas can\u00e7\u00f5es \u2013 mas o efeito \u00e9 mais l\u00fadico do que racional e poderia funcionar com quaisquer faixas dos \u00faltimos discos da banda (sinal da coes\u00e3o de sua sonoridade). Mas h\u00e1 ainda quem veja coincid\u00eancias nos detalhes \u2013 e h\u00e1 uma \u00eanfase no n\u00famero 10 que sugere alguma refer\u00eancia \u00e0 linguagem bin\u00e1ria no C\u00f3digo Radiohead. Al\u00e9m dos discos terem 10 faixas cada (&#8220;OK Computer&#8221; tem doze, sendo que uma, \u201cFitter Happier\u201d, \u00e9 um interl\u00fadio), &#8220;OK Computer&#8221; e &#8220;In Rainbows&#8221; foram lan\u00e7ados com 10 anos de diferen\u00e7a entre si \u2013 e o \u00faltimo lan\u00e7ado exatamente no dia 10 de outubro (o m\u00eas 10) de 2007. E mais: o fato do t\u00edtulo dos discos come\u00e7arem com as letras \u201cO\u201d e \u201cI\u201d tamb\u00e9m seria outro aceno ao c\u00f3digo bin\u00e1rio. \u201cDown is the New Up\u201d \u2013 parece que tem mesmo algo a\u00ed.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, principalmente, h\u00e1 a m\u00fasica \u2013 e ela se mostra a princ\u00edpio herm\u00e9tica. &#8220;In Rainbows&#8221; abre fechando-se com uma rajada de beats tortos, primos da gravadora Warp, que tanto bateu no grupo no in\u00edcio da d\u00e9cada. \u201cComo posso terminar onde comecei?\u201d, pergunta-se Yorke, sem se preocupar em nos dar as boas vindas. \u201c15 Step\u201d aparentemente nos guia para outro beco sem sa\u00edda experimental. Mas aos 40 segundos, deixa a guitarra jazzista de Jonny Greenwood superpor-se \u00e0 percuss\u00e3o esquizofr\u00eanica \u2013 e a de Ed O\u2019Brien logo surge funcionando como segunda voz, junto com uma sinuosa linha de baixo e uma melodia direta e reta, oposta a seus versos de abertura. \u201cTudo estava bem\/ O que aconteceu? O gato comeu sua l\u00edngua?\u201d, pergunta o vocalista sobre a mudez espiritual de nosso tempo. \u201cEtc. etc.\/ Fatos ou o que for\u201d. O clima ap\u00e1tico e tenso parece dissolver-se numa melancolia p\u00f3s-mil\u00eanio que filtra todo o disco \u2013 um sentimento que \u00e9 um vazio existencialista parente da apatia cantada por Kurt Cobain e de um blues rob\u00f4, que une Kraftwerk, Daft Punk, Aphex Twin e Brian Eno numa esp\u00e9cie de eletr\u00f4nica autoral, em que o ritmo tem mais sentido do que sensa\u00e7\u00e3o. Mas se essa sensa\u00e7\u00e3o oca era a mesma que causava desespero e n\u00e1usea em &#8220;OK Computer&#8221;, em &#8220;In Rainbows&#8221; ela parece menos ca\u00f3tica e mais precisa \u2013 como se tivesse completado um ciclo (os \u201c15 passos\u201d seriam um programa?).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cBodysnatchers\u201d segue dura e rock, com seu riff distorcido conduzindo o ritmo como um cavalo selvagem, acompanhado em seguida por toda a banda. Esta alterna entre o pique inicial (cuja letra revela seu protagonista catat\u00f4nico \u2013 \u201cpisque seus olhos\/ Uma vez para \u2018sim\u2019\/ Duas vezes para \u2018n\u00e3o\u2019\/ Eu n\u00e3o fa\u00e7o ideia do que voc\u00ea esteja falando\u201d) e uma clareira de ritmo, quase zen, quando uma guitarra sa\u00edda de um disco do Cure ou um teclado fantasmag\u00f3rico sublinha os gemidos de Yorke. \u201cA luz apagou pra voc\u00ea?\/ Pra mim, apagou\/ \u00c9 o s\u00e9culo 21\u201d, canta numa performance, que vai do grunhidos ao sussurro, sua voz t\u00e3o solta na parte final da can\u00e7\u00e3o como qualquer outro instrumento da banda, t\u00e3o importante \u00e0 forma\u00e7\u00e3o sonora quanto as tr\u00eas guitarras, os teclados ou a cozinha decidida \u2013 e \u00e9 ela quem encerra a faixa repetindo \u201celes est\u00e3o vindo!\u201d, como se impressionada com a coes\u00e3o e for\u00e7a da usina de som que lidera, logo depois de concluir \u201ceu estou vivo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNude\u201d, conhecida pelos f\u00e3s de shows com outro t\u00edtulo, \u201cBig Ideas\u201d, come\u00e7a superpondo vocais, samples de corais, cordas sint\u00e9ticas para criar um clima de catedral, que \u00e9 logo esvaziado \u2013 deixando apenas Yorke com o baixo de Colin Greenwood e a bateria de Phil Selway, criando uma atmosfera buc\u00f3lica e tranquila (embora a letra cante que por mais que voc\u00ea se apronte,\u201csempre algo estar\u00e1 faltando\u201d), em que as duas guitarras entram como se fossem uma s\u00f3, alternando detalhes dedilhados como nas baladas mais hipn\u00f3ticas do Velvet Underground ou as can\u00e7\u00f5es mais pastoris do Pink Floyd. E logo essa estrutura instrumental serve como base para as mesmas cordas, samples e vocais que abriram a can\u00e7\u00e3o voltarem \u2013 e quando Yorke deixa sua voz soar sem letra, h\u00e1 um minuto do fim, estamos ouvindo um dos trechos musicais mais bonitos de nossa \u00e9poca, quase uma revela\u00e7\u00e3o sentimental, sentimentos que s\u00f3 a m\u00fasica consegue traduzir \u2013 palavras falham.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O disco retoma \u00e0 contagem de tempo antes da bateria assumir o ritmo incessante kraut que funciona como tela em branco para tr\u00eas guitarras superporem dedilhados, completando-se em \u201cWeird Fishes\/Arpeggi\u201d. N\u00e3o consigo dissociar n\u00e3o apenas essa faixa, mas diversos momentos de &#8220;In Rainbows&#8221;, da descoberta do viol\u00e3o feita pelo Legi\u00e3o Urbana em seu segundo disco \u2013 at\u00e9 porque a pr\u00f3pria trajet\u00f3ria do Radiohead ultrapassa um arqu\u00e9tipo vivido pelo grupo de Renato Russo, que \u00e9 quando uma banda guitarreira descobre a efic\u00e1cia da harmonia em detrimento do ritmo e a sutileza do instrumento ac\u00fastico em contraste \u00e0 histeria el\u00e9trica. \u201cWeird Fishes\u201d \u00e9 parente bastarda de \u201cAndr\u00e9a Doria\u201d e \u201cPlantas Debaixo do Aqu\u00e1rio\u201d, as mesmas texturas instrumentais, mesma sensa\u00e7\u00e3o de esperan\u00e7a disfar\u00e7ada de desespero, mesma abordagem tem\u00e1tica do mar (Andr\u00e9a Doria era o nome de um barco italiano que afundou em 1956, perto de Nova York).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De andamento quase f\u00fanebre, \u201cAll I Need\u201d \u00e9 outra bomba-rel\u00f3gio \u2013 ela parece prenunciar uma m\u00fasica tensa e solene, quando, na verdade, \u00e9 a balada mais pop que o grupo j\u00e1 fez; uma can\u00e7\u00e3o pronta para aquecer cora\u00e7\u00f5es, escorada em um arranjo com cara de Bj\u00f6rk: bateria minimal, piano soturno, efeitos sonoros, ecos, muitos vazios. Ela termina em \u201cFaust Arp\u201d, uma microcan\u00e7\u00e3o em que o arranjo de cordas a deixa com ar ainda mais pastoril, nickdrakeano, onde o grupo faz valer seu anglicismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A linda \u201cReckoner\u201d \u00e9 outra m\u00fasica que vai sendo constru\u00edda lentamente entre nossos ouvidos, cada camada de instrumento sendo disposta de forma did\u00e1tica, nos ajudando a ouvir o que cada um faz na banda e nos explicando sentimentalmente o que \u00e9 que precisa nos afei\u00e7oar em uma can\u00e7\u00e3o para que ela torne-se universal \u2013 neste caso, apenas o andamento e a melodia, todo o resto \u00e9 acess\u00f3rio. O vocal de Thom em especial deixa a aparente psicopatia de lado e atinge seu grande momento \u2013 em especial quando, na segunda parte da faixa, canta consigo mesmo e entoa, quase em segredo, o nome do disco. \u201cHouse of Cards\u201d n\u00e3o deixa cair \u2013 e vai pela mesma f\u00f3rmula da can\u00e7\u00e3o anterior nos fisgando sem pensar. Desta vez o ritmo \u00e9 determinado pela guitarra, que \u00e9 apenas seguida pela bateria, deixando Thom Yorke ter seu outro grande momento, cantando em tom grave, oposto ao falsete de \u201cReckoner\u201d. H\u00e1 tanta refer\u00eancia \u2013 e rever\u00eancia \u2013 ao folk dos anos 70 quanto \u00e0 m\u00fasica ambient da virada do mil\u00eanio, em outra can\u00e7\u00e3o irretoc\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cJigsaw Falling Into Place\u201d \u00e9 o grande momento do disco, como se fosse uma \u201cParanoid Android\u201d amadurecida em dez anos \u2013 as mudan\u00e7as entre as faces da m\u00fasica s\u00e3o menos abruptas e suas diferentes caras soam complementares, n\u00e3o antag\u00f4nicas. Ela aponta para uma certeza que toma conta do disco \u2013 de que estamos finalmente vendo as coisas do jeito que elas s\u00e3o. Caem as m\u00e1scaras erguidas pela comunica\u00e7\u00e3o e aos poucos conseguimos ver quem \u00e9 quem, como se o ataque de p\u00e2nico de OK Computer fosse substitu\u00eddo por uma sabedoria c\u00ednica, algo Tyler Durden, um sociopata disposto a derrubar tudo por dentro \u2013 a princ\u00edpio o tom \u00e9 s\u00f3brio:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>\u201cLogo que voc\u00ea segura minha m\u00e3o<\/em><br \/>\n<em> Logo que voc\u00ea anota o n\u00famero<\/em><br \/>\n<em> Logo que as bebidas chegam<\/em><br \/>\n<em> Logo que eles tocam sua m\u00fasica favorita<\/em><br \/>\n<em> A m\u00e1gica desaparece\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A letra continua dissecando toda a tens\u00e3o da sociedade moderna do mesmo jeito em que a banda cresce \u2013 instrumentos ac\u00fasticos e vocais que cantarolam come\u00e7am a ser trocados por berros, solos de guitarra e cordas dram\u00e1ticas e a m\u00fasica ganha um volume e densidade que no in\u00edcio era apenas referido. A letra invade um outro pa\u00eds das maravilhas de Alice, de paredes que perdem forma e gatos que sorriem mas tamb\u00e9m de ru\u00eddo, ritmo e c\u00e2meras de circuito fechado. \u201cNunca fui l\u00e1\/ S\u00f3 fingi que fui\u201d, \u201cantes que voc\u00ea entre em coma\/ Antes que voc\u00ea fuja de mim\u201d, \u201cPra que servem instrumentos?\/ Palavras s\u00e3o armas de cano serrado\u201d, Yorke nos induz ao transe dervixe ingl\u00eas antes de sentenciar que o quebra-cabe\u00e7as come\u00e7a a fazer sentido: \u201cAs pe\u00e7as se encaixam\/ N\u00e3o h\u00e1 nada a ser explicado\u201d, canta como um guru psicod\u00e9lico que guia um novato em uma viagem alucin\u00f3gena \u2013 mas a viagem que a banda prop\u00f5e \u00e9 justamente abandonar o excesso de refer\u00eancias que polui e superlota nossas cabe\u00e7as para \u201cdesejar que o pesadelo se v\u00e1\u201d, pois \u201cvoc\u00ea tem uma luz e pode senti-la\u201d. E ele n\u00e3o est\u00e1 sendo esot\u00e9rico, como d\u00e1 pra perceber.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cVideotape\u201d, devagar quase parando, encerra o disco com a melancolia de um velho VHS, Thom Yorke v\u00ea-se p\u00f3stumo ainda querendo ater-se \u00e0 vida que acabou de perder (\u201cquando eu chegar \u00e0s portas do c\u00e9u\/ Isso estar\u00e1 gravado em v\u00eddeo\/ Mefist\u00f3feles logo abaixo\/ Tentando me puxar\u201d), nos fazendo pensar em nostalgia e como nos apegamos mais ao passado do que ao presente. Os acordes congelados ao piano s\u00e3o emoldurados por ru\u00eddos e texturas, sem nunca superpor-se \u00e0 can\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;In Rainbows&#8221; \u00e9 um conjunto perfeito de 10 can\u00e7\u00f5es perfeitas. Elas conversam entre si exatamente como falam das sensa\u00e7\u00f5es que todos sentimos nos dias de hoje \u2013 um medo opressor cuja natureza \u00e9 indeterminada, a tens\u00e3o de ser humano \u2013 animal ou racional? \u2013 na medida em que a civiliza\u00e7\u00e3o entra em colapso, uma sensa\u00e7\u00e3o vazia que se sobrep\u00f5e ao excesso de tudo. S\u00e3o os mesmos sentimentos desenhados em &#8220;OK Computer&#8221;, o que muda \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o da banda com eles \u2013 se no primeiro disco parecia espantar-se e cogitar o suic\u00eddio, neste percebe que todo o ru\u00eddo e polui\u00e7\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a casca de uma pseudo-realidade \u2013 e que o que h\u00e1 por tr\u00e1s do excesso de informa\u00e7\u00f5es e caos de consci\u00eancia que distorce nossa rotina \u00e9 muito simples, claro e f\u00e1cil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alie isso ao fato de &#8220;In Rainbows&#8221; n\u00e3o ser um disco de in\u00e9ditas. Conhecidas de seu p\u00fablico atrav\u00e9s de shows, todas as faixas j\u00e1 haviam aparecido mais de uma vez e j\u00e1 tinham v\u00eddeos no YouTube, letras em sites de f\u00e3 e sequ\u00eancias de acordes em reposit\u00f3rios online de can\u00e7\u00f5es cifradas para viol\u00e3o. N\u00e3o era seu ineditismo que as tornava especiais em &#8220;In Rainbows&#8221; \u2013 mas a forma em que elas foram dispostas, sua produ\u00e7\u00e3o, seus arranjos, o sentido que fizeram umas juntas \u00e0s outras. Uma outra leva de m\u00fasicas ainda podia ter se juntado \u00e0 cole\u00e7\u00e3o inicial mas terminou como uma esp\u00e9cie de conte\u00fado extra \u2013 o segundo disco do vinil duplo vendido atrav\u00e9s do site \u2013 mas que, quis o destino, n\u00e3o era &#8220;In Rainbows&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;In Rainbows&#8221; \u00e9 um conceito fechado, uma declara\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios, um manifesto est\u00e9tico. Mais do que um disco que assumiu-se digital por natureza e copi\u00e1vel por defini\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma cole\u00e7\u00e3o de can\u00e7\u00f5es que n\u00e3o apenas traduzem certas sensa\u00e7\u00f5es que permeiam nosso dia a dia, como faz isso com estilo, bom gosto, senso de import\u00e2ncia e perspectiva hist\u00f3rica. Uma obra que ainda faz valer a exist\u00eancia de um formato, a prova de que o fim do CD n\u00e3o pressup\u00f5e o fim do \u00e1lbum. E, por tudo isso, \u00e9 o disco mais importante da d\u00e9cada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos anos 90, o Radiohead n\u00e3o chegou perto deste t\u00edtulo pois seus padr\u00f5es foram estabelecidos logo no in\u00edcio \u2013 e &#8220;OK Computer&#8221; teria de competir com obras-primas como &#8220;Blue Lines&#8221;, &#8220;Nevermind&#8221;, &#8220;Check Your Head&#8221;, &#8220;Loveless&#8221;, &#8220;The Chronic&#8221;, &#8220;Screamadelica&#8221; e &#8220;BloodSugarSexMagick&#8221;. A d\u00e9cada seguinte tamb\u00e9m talhou seu modus operandi de cara \u2013 e, desde o in\u00edcio, descartou o \u00e1lbum como formato. Medidos em can\u00e7\u00f5es, os anos 00 esvaziaram o formato \u00e1lbum de diferentes formas \u2013 de bandas que movimentam-se exclusivamente por singles (como toda a gera\u00e7\u00e3o novo rock nascida ap\u00f3s os Strokes) a artistas que se lan\u00e7am por etapas, adicionando elementos extra \u00e0 medida em que envolvem o ouvinte (pense nas carreiras de Dangermouse, Jack White, Marcelo Camelo ou Nick Cave \u2013 e suas muitas camadas de apresenta\u00e7\u00e3o ao p\u00fablico). Quando o Radiohead se prop\u00f4s a lan\u00e7ar &#8220;In Rainbows&#8221; como o lan\u00e7ou, sabia onde queria estar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A expectativa para os shows do Radiohead no Brasil essa semana n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa: <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/03\/23\/radiohead-honra-o-mito-em-sao-paulo\/\">estamos \u00e0s v\u00e9speras de assistir \u00e0 maior banda do planeta hoje tocar o show da turn\u00ea do disco da d\u00e9cada<\/a>.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/NUbqNxcU8cY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Alexandre Matias \u00e9 jornalista, escreve no <a href=\"http:\/\/www.oesquema.com.br\/trabalhosujo\/\">Trabalho Sujo<\/a>, integrante d&#8217;<a href=\"http:\/\/www.oesquema.com.br\/\">O Esquema<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leia tamb\u00e9m<br \/>\n&#8211; \u201cPablo Honey\u201d, por Eduardo Palandi (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/01\/20\/pablo-honey-obra-prima-do-radiohead\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cThe Bends\u201d, por Renata Honorato (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/02\/04\/the-bends-o-melhor-do-radiohead\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cOk Computer\u201d, por Tiago Agostini (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/02\/11\/ok-computer-um-disco-fundamental\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cKid A\u201d, por Lu\u00eds Henrique Pellanda (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/02\/18\/kid-a-o-radiohead-no-topo-do-mundo\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cAmnesiac\u201d, por Marco Tomazzoni (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/03\/04\/amnesiac-a-vanguarda-do-rock\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; &#8220;Hail To The Thief&#8221;, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/03\/09\/hail-to-the-thief-e-a-volta-das-guitarras\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Vamos falar a verdade \u2013 o Radiohead s\u00f3 passou a existir a partir do segundo semestre de 1997, quando &#8220;OK Computer&#8221; definiu uma&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/03\/17\/in-rainbows-o-album-da-decada\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[341],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/979"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=979"}],"version-history":[{"count":18,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/979\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":44599,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/979\/revisions\/44599"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=979"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=979"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=979"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}