{"id":97868,"date":"2026-10-14T10:47:21","date_gmt":"2026-10-14T13:47:21","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=97868"},"modified":"2026-10-14T10:47:21","modified_gmt":"2026-10-14T13:47:21","slug":"entrevista-garage-fuzz-lanca-novo-ep-powerplant-relembra-periodo-na-roadrunner-e-elogia-cena-brasileira-atual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/10\/14\/entrevista-garage-fuzz-lanca-novo-ep-powerplant-relembra-periodo-na-roadrunner-e-elogia-cena-brasileira-atual\/","title":{"rendered":"Entrevista: Garage Fuzz lan\u00e7a novo EP, &#8220;Powerplant&#8221;, relembra per\u00edodo na Roadrunner e elogia cena brasileira atual"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/lage.guilherme66\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Guilherme Lage<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voc\u00ea j\u00e1 se sentiu puxado ao limite? Como uma usina de energia que trabalha sem parar, sem um minuto para descanso. Em uma sociedade em que, cada vez mais, o esgotamento \u00e9 romantizado, parar para olhar para dentro \u00e9 uma necessidade. \u00c9 justamente em momentos que a realidade precisa ser questionada que o punk deve entrar em cena. Este ano, quem resolveu discutir uma vida sempre em constante ebuli\u00e7\u00e3o foi o <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/garagef\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Garage Fuzz<\/a>, uma das bandas mais cl\u00e1ssicas do hardcore brasileiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em \u201c<a href=\"https:\/\/ffm.to\/garage-fuzz-powerplant\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Powerplant<\/a>\u201d (2026), EP lan\u00e7ado em agosto, a banda traz reflex\u00f5es de vida inspiradas nas experi\u00eancias do pr\u00f3prio vocalista, Victor Franciscon, lidando com o ritmo fren\u00e9tico de um dia a dia que nunca parece cessar, sempre como uma usina el\u00e9trica em constante funcionamento. <a href=\"https:\/\/ffm.to\/garage-fuzz-powerplant\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201cPowerplant<\/a>\u201d, que segue o tamb\u00e9m EP \u201cGrawlix\u201d (2024), mostra que todo esse bombardeio de energia e compuls\u00e3o por produtividade vira fuma\u00e7a e precisa sair para algum lugar, seja de uma chamin\u00e9, seja dos ouvidos de quem escuta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Garage Fuzz traz sua sonoridade cl\u00e1ssica, que flerta entre o hardcore mel\u00f3dico e o rock alternativo, em um dos lan\u00e7amentos mais legais do ano. Em papo com o Scream &amp; Yell, o vocalista Victor e o baixista Fabr\u00edcio de Sousa, conversam sobre o processo de compor um \u00e1lbum conceitual, al\u00e9m de como o novo EP se diferencia dos trabalhos anteriores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fabr\u00edcio tamb\u00e9m rememora os 35 anos da banda, fundada em 1991, em um ano quando o atual vocalista sequer havia nascido. H\u00e1 espa\u00e7o para hist\u00f3rias sobre como o Garage Fuzz ajudou a pavimentar o caminho para bandas de hardcore no Brasil e no exterior. E o baixista deixa a promessa: ano que vem o grupo lan\u00e7a um novo disco completo. Confira o papo!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Garage Fuzz - Powerplant\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/3Us-QzMAsI4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O t\u00edtulo do EP, \u201cPowerplant\u201d, faz refer\u00eancia a uma usina a todo vapor funcionando o tempo todo. Podemos levar isso para v\u00e1rios aspectos da vida, tanto de informa\u00e7\u00f5es que nos bombardeiam o tempo todo, o tempo de tela, e o trabalho, que muitas vezes esgota as pessoas. Era essa a ideia do disco?<\/strong><br \/>\nFabr\u00edcio: Acho que isso o Victor pode explicar bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Victor: Cara, \u00e9 exatamente isso mesmo. \u00c9 o lance dessa met\u00e1fora entre o ser humano moderno e essa correria em que a maioria das pessoas est\u00e1, de vencer a vida, \u00e0s vezes nem que custe passar por cima de outras pessoas tamb\u00e9m. Ent\u00e3o as pessoas acabam ficando meio cegas com esse tipo de coisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas tamb\u00e9m, levando para um lado mais positivo, acho que todo mundo lida com essa parada de, p\u00f4, voc\u00ea tem que trabalhar, fazer o corre, voc\u00ea tem que fazer alguma coisa pra voc\u00ea se sustentar, muito por causa desse capitalismo tardio que a gente tem hoje. Mas acho que o que motiva isso, no final das contas, \u00e9 essa energia, que \u00e9 uma coisa negativa, mas que a gente tenta, de alguma forma, transformar em uma coisa positiva, para que a gente possa ter os frutos disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">P\u00f4, a gente quer fazer um som que a gente gostaria de escutar. O que motiva a gente a fazer isso? \u00c1s vezes a dificuldade. \u00c9 essa met\u00e1fora mesmo, como se a gente fosse, cada um, uma usina de energia pessoal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fabr\u00edcio: \u00c9 como se fosse usar toda essa press\u00e3o do mundo atual, toda essa din\u00e2mica que o mundo te cobra, toda correria, muita cobran\u00e7a digital, numa coisa boa, seria essa a usina. Transformar essas coisas que s\u00e3o negativas, da press\u00e3o atual, em uma coisa legal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Um conceito como esse faz a gente pensar em muita coisa, porque muitas vezes a gente se depara com uma certa romantiza\u00e7\u00e3o do cansa\u00e7o, da exaust\u00e3o das pessoas. Existe esse mito de que para conquistar alguma coisa voc\u00ea n\u00e3o pode ter um segundo de descanso. Existe algum tipo de coment\u00e1rio sobre isso tamb\u00e9m?<\/strong><br \/>\nFabr\u00edcio: Existem muitos coaches hoje em dia que querem te empurrar isso. \u201cEnquanto os outros dormem, a gente trabalha\u201d, que voc\u00ea tem que acordar cedo pra ralar todo dia. \u00c9 uma coisa que tentam te empurrar, mas que est\u00e1 criando uma gera\u00e7\u00e3o de pessoas que adoecem por causa dessa press\u00e3o, dessa coisa que voc\u00ea s\u00f3 tem que viver pro trabalho, que n\u00e3o pode ter tempo livre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A gente v\u00ea agora esse movimento da galera que \u00e9 contra o fim da escala 6&#215;1 no trabalho. \u00c9 preciso ter muito cuidado em rela\u00e7\u00e3o a isso, as pessoas precisam questionar. Cada um tem seu tempo, e esse tempo precisa ser respeitado para n\u00e3o criarmos uma gera\u00e7\u00e3o de pessoas que adoece por conta de ansiedade e cobran\u00e7a, que \u00e9 uma coisa que a gente j\u00e1 v\u00ea bastante hoje em dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Victor: Mas acho que n\u00e3o chega a ser um tipo de conselho. As letras do \u201cPowerplant\u201d falam mais sobre uma reflex\u00e3o muito pessoal, mas acho que muitas pessoas conseguem transparecer isso na vida tamb\u00e9m de v\u00e1rias formas. Acho que \u00e9 mais uma reflex\u00e3o do que a gente \u00e9 empurrado, do que a gente \u00e9 obrigado a fazer no dia a dia pra que a gente possa continuar existindo, sobrevivendo. Cada um tem que achar a pr\u00f3pria fonte de energia pra poder transformar isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fabr\u00edcio: Quando a gente come\u00e7ou a divulgar essa letra, que o Victor sabiamente fez, um monte de gente se identificou e, muitas vezes, n\u00e3o querem, nem admitir pra si mesmo essa vers\u00e3o que sofre, mas se identificou com toda essa abordagem sobre o mundo atual.<\/p>\n<figure id=\"attachment_97870\" aria-describedby=\"caption-attachment-97870\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-97870\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/powerplant.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"723\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/powerplant.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/powerplant-300x289.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-97870\" class=\"wp-caption-text\"><em>Capa de &#8220;Powerplant&#8221;, EP do Garage Fuzz<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como surgiu pra voc\u00eas esse conceito de fazer EPs ao inv\u00e9s de discos cheios nesses \u00faltimos anos? O \u201cPowerplant\u201d, como fala de algo muito din\u00e2mico e que acontece muito r\u00e1pido, achei perfeito pra ser um EP mesmo, serem cinco m\u00fasicas que acontecem r\u00e1pido. Como surgiram as ideias dos outros EPs antes desse?<\/strong><br \/>\nFabr\u00edcio: <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/07\/25\/entrevista-garage-fuzz-na-estrada-com-novo-vocalista-e-novo-ep\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Quando o Victor entrou<\/a> a gente tinha uma certa urg\u00eancia de lan\u00e7ar material novo com ele, ent\u00e3o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/07\/25\/entrevista-garage-fuzz-na-estrada-com-novo-vocalista-e-novo-ep\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">o primeiro EP foi meio por causa disso<\/a>. S\u00f3 que a gente gostou dessa din\u00e2mica de lan\u00e7ar EPs, porque como o mundo anda muito din\u00e2mico, como a gente vem falando, \u00e9 uma maneira da gente j\u00e1 ir produzindo e lan\u00e7ando e alcan\u00e7ando um novo p\u00fablico e mostrando o material novo pro p\u00fablico que j\u00e1 conhece o Garage Fuzz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As plataformas digitais, a forma como se divulga m\u00fasica hoje, propicia fazer esse lance mais r\u00e1pido, produzir m\u00fasica e lan\u00e7ar EPs. O Garage \u00e9 uma banda que n\u00e3o lan\u00e7a disco todo ano, a gente tem um processo um pouco lento, porque a gente vai absorvendo, entre um disco e outro, as coisas que v\u00e3o acontecendo na nossa vida, que refletem na m\u00fasica e nas letras e elas t\u00eam uma interfer\u00eancia e nem sempre as m\u00fasicas entram nos \u00e1lbuns, ent\u00e3o a gente tem esse olhar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o como agora a gente tem como produzir, compor, gravar e lan\u00e7ar um EP, a gente gostou desse formato. Mas a gente j\u00e1 tem um plano, um material composto pra que no ano que vem a gente lance um \u00e1lbum inteiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No som do Garage Fuzz h\u00e1 essa influ\u00eancia do hardcore mel\u00f3dico californiano, mas talvez pelo fato de serem de Santos, sempre notei em alguns riffs uma certa levada que me fazia pensar n\u00e3o na surf music tradicional, mas aquela m\u00fasica de surfe ligada ao hardcore, do skate. \u00c9 algo presente nas influ\u00eancias de voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nFabr\u00edcio: Quando come\u00e7amos, a gente estava inserido na cena do grunge, das guitar bands que estavam se iniciando no Brasil. Aquela cena de S\u00e3o Paulo que tinha o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Pin+Ups\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pin Ups<\/a>, o Cold Turkey, o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Mickey+Junkies\">Mickey Junkies<\/a>, a gente come\u00e7ou inserido ali. S\u00f3 que a gente veio de bandas que eram de hardcore e de punk, do Psychic Possessor, uma banda que ficou not\u00f3ria pelo \u201cN\u00f3s Somos A Am\u00e9rica do Sul\u201d (EP de 1989), no fim dos anos 80, (lan\u00e7ado) pela Cogumelo Discos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A gente come\u00e7ou a resgatar esse som hardcore, que era o nosso ber\u00e7o musical, e misturamos esse som. Pegamos o in\u00edcio do hardcore mel\u00f3dico, com <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Bad+Religion\">Bad Religion<\/a>, que era o grande expoente. Depois veio o NOFX, Pennywise, ent\u00e3o a gente absorveu tudo isso e criou a sonoridade do Garage Fuzz. Com o passar do tempo, a gente foi escutando outras coisas, a gente gosta de som indie, a gente gosta de stoner, e foi incorporando tudo isso no nosso som, que criou essa sonoridade do Garage Fuzz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando de uma banda que tem 35 anos, vemos todos dias bandas acabando porque fica invi\u00e1vel pra muita gente. Equipamento \u00e9 dif\u00edcil, pegar estrada \u00e9 muito dif\u00edcil. Como voc\u00eas conseguem manter esse pique? Ainda mais pro Victor, que vem de outras bandas e entrou h\u00e1 menos tempo em outra muito bem consolidada. Essa longevidade j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais t\u00e3o natural no Brasil.<\/strong><br \/>\nFabr\u00edcio: \u00c9 verdade, mas acho que \u00e9 porque a gente come\u00e7ou muito novo. Comecei no Garage Fuzz com 19 anos, e a gente j\u00e1 incorporou no nosso estilo de vida conduzir a banda junto, a gente vai arrumando um jeito de incorporar os trabalhos paralelos com a fun\u00e7\u00e3o da banda. A pessoa tem que saber a hora de acelerar, a hora de ficar mais pausado, acelerar de novo, porque isso tamb\u00e9m mant\u00e9m a sa\u00fade da banda. E outra, voc\u00ea tem que ter sempre um pr\u00f3ximo projeto. Voc\u00ea tem que ter sempre um pr\u00f3ximo disco, um pr\u00f3ximo \u00e1lbum, pr\u00f3ximo EP, pr\u00f3xima m\u00fasica, pr\u00f3ximo DVD, pr\u00f3xima turn\u00ea, isso torna saud\u00e1vel todo o processo de tocar a banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E Victor, imagino que voc\u00ea j\u00e1 fosse f\u00e3 do Garage, n\u00e9? Porque sua voz encaixou perfeitamente com a banda quando entrou.<\/strong><br \/>\nVictor: Cara, isso que o Fabr\u00edcio falou, imagina quando voc\u00ea est\u00e1 todo os dias ouvindo o som dos caras. Pra mim \u00e9 uma coisa surreal. Eu sempre falo brincando que \u00e9 uma ficha que espero que nunca caia (risos). Sempre escutei Garage Fuzz, sempre me identifiquei. Quando me toquei no \u201cquero ser m\u00fasico, quero tocar\u201d, conheci o Garage e, pra mim, do Brasil, sempre foi uma das maiores refer\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acho que foi a primeira das bandas que conheci e pensei: p\u00f4, tem banda fazendo som nesse estilo, e fazendo som em ingl\u00eas, que \u00e9 uma coisa que tenho mais facilidade tamb\u00e9m, ent\u00e3o sempre foi um grande referencial pra mim. Hoje \u00e9 um privil\u00e9gio estar a\u00ed junto dos caras, poder estar aprendendo cada vez mais de uma banda que, inclusive, \u00e9 mais velha do que eu, ent\u00e3o n\u00e3o preciso nem dizer o qu\u00e3o foda \u00e9 pra mim estar vivendo isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea falou um pouco sobre as letras do \u201cPowerplant\u201d, que s\u00e3o um pouco mais pessoais, no sentido de que mesmo sendo pessoais, houve uma identifica\u00e7\u00e3o. Vi que voc\u00ea fez tamb\u00e9m bases pras m\u00fasicas. De onde surgiu esse lugar em voc\u00ea pra essas m\u00fasicas, de se abrir um pouco mais nessas letras pra esse EP em especial?<\/strong><br \/>\nVictor: Eu sempre gostei de escrever, (de fazer) reflex\u00f5es, coisas do dia a dia, situa\u00e7\u00f5es que eu ficava refletindo. Nunca gostei de escrever letras apontando o dedo, falando como algu\u00e9m deveria ser ou como deveria agir, porque todo mundo \u00e9 de um jeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O processo de escrever letra \u00e9 uma parada que sempre levo com muito cuidado, porque \u00e9 uma coisa que vai ficar registrada e as pessoas v\u00e3o poder ver isso. Cada linha, cada palavra, sempre pensei em escolher a melhor forma de dizer o que quero dizer, sem que soe muito apontando o dedo ou tamb\u00e9m extremamente pessoal ou misterioso, sabe?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 algo de querer uma coisa expl\u00edcita, mas n\u00e3o necessariamente t\u00e3o expl\u00edcita assim, ent\u00e3o \u00e9 um processo muito complexo, depende muito do mood que estou no dia. Falando do \u201cPowerplant\u201d, especificamente, acho que \u00e9 um dos trabalhos de letras que eu mais gosto. A gente costuma gostar sempre da coisa mais recente, mas posse dizer que de grava\u00e7\u00e3o e de parte l\u00edrica \u00e9 um dos trabalhos que eu mais gosto at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Exp\u00f5e uma vis\u00e3o, uma reflex\u00e3o pessoal minha, mas acho que o mundo \u00e9 uma rede de pessoas e pensamentos, ent\u00e3o a gente nunca tira algo do nada, tudo que acontece acaba influenciando a forma como a gente pensa e age no dia a dia.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Flashpoint\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/047P72u9FsA?list=OLAK5uy_mMyBMiddWPykgiy-kAiuvehv8TCtkoC5I\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E pra voc\u00ea, Fabr\u00edcio, como foi ter acesso a essas letras e poder trabalhar a partir delas?<\/strong><br \/>\nFabr\u00edcio: Cara, o Victor \u00e9 um letrista incr\u00edvel. Ele escreve muito bem, escreve super r\u00e1pido, comp\u00f5e super r\u00e1pido. A gente manda as bases das m\u00fasicas pra ele e daqui a pouco ele j\u00e1 manda as melodias de voz, as letras (risos). Esse disco teve m\u00fasicas, por exemplo, a \u201cFlashpoint\u201d, que ele fez praticamente sozinho, mandou pra gente, j\u00e1 com a parte instrumental 90% feita e a letra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E a\u00ed a gente montou s\u00f3 algumas partes nossas, arranjos de guitarra, de baixo, bateria e m\u00fasicas que a gente mandou pra ele e ele fez a letra. Acompanho o trabalho do Victor desde a \u00e9poca da banda Take Off The Halter, que \u00e9 antes do Bullett Bane, e eu sempre achava ele um vocalista incr\u00edvel. Quando a gente precisou de vocalista, o primeiro nome, e o \u00fanico, que veio \u00e0 cabe\u00e7a era ele. Ainda bem que ele topou e est\u00e1 desenvolvendo um trabalho animal com a gente. Estamos muito felizes com o resultado desse trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em 2015 eu vi voc\u00eas aqui em Vit\u00f3ria em um festival chamado \u201cVit\u00f3ria Heavy Music\u201d, com Krisiun, Sepultura, Dead Fish e Ratos de Por\u00e3o. Fiquei interessado em perguntar: uma banda de hardcore subindo no palco com bandas de metal extremo, dois p\u00fablicos distintos no mesmo lugar. Como \u00e9 pra voc\u00eas estar de frente a um p\u00fablico diferente dessa forma?<\/strong><br \/>\nFabr\u00edcio: A gente j\u00e1 escutou algumas vezes de pessoas de outros estilos, como metal, ou indie, que conseguimos conquistar uma coisa que a gente acha muito importante: as pessoas respeitam a hist\u00f3ria do Garage Fuzz. De repente um f\u00e3 do Krisiun pode n\u00e3o gostar tanto do estilo, mas quem conhece o Garage, a hist\u00f3ria, a originalidade que a banda tem, ele respeita muito, ent\u00e3o a gente consegue transitar em muitos estilos musicais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 aquilo, a pessoa gosta ou n\u00e3o gosta, mas a pessoa respeita. Isso \u00e9 uma coisa que o Garage Fuzz conquistou. E no caso, pra mim, particularmente, \u00e9 normal porque, como falei, comecei nos anos 80 com o Psychic Possessor, que era uma banda de metal, de uma gravadora de metal, que era a gravadora do Sepultura, tinha gravado o Ratos de Por\u00e3o, ent\u00e3o eu j\u00e1 me habituei tamb\u00e9m a aqueles ambientes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Boka\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Boka<\/a>, do Ratos de Por\u00e3o, come\u00e7ou comigo no Psychic Possessor, gravou o disco. Eu sempre transitei por esses ambientes, muita gente conhece minha hist\u00f3ria com o Psychic Possesor, com a Cogumelo. Ent\u00e3o, por isso, o pessoal sempre teve muito respeito pelo Garage Fuzz. Pra mim \u00e9 super normal, gosto muito de fazer isso, sabe? Respeito muito, escuto bastante som extremo, acho foda pra caralho! Pra mim \u00e9 uma satisfa\u00e7\u00e3o enorme poder tocar com essas bandas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No cen\u00e1rio hardcore internacional tem acontecido uma renova\u00e7\u00e3o, a gente tem visto bandas como <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Turnstile\">Turnstile<\/a>, Knocked Loose, fazendo bastante sucesso. Voc\u00eas diriam que essas bandas t\u00eam uma influ\u00eancia na forma que o hardcore brasileiro tem feito nos \u00faltimos anos?<\/strong><br \/>\nFabr\u00edcio: Cara, eu acho que foi muito importante uma banda como Turnstile estourar da forma como estourou, porque resgatou uma galera nova pra cena, pega uma galera pra prestar aten\u00e7\u00e3o no hardcore. Estava faltando (bandas), desde ali dos anos 90, in\u00edcio dos anos 2000, que surgiram as bandas que ficaram conhecidas, como Bad Religion, Offspring, desde ent\u00e3o a gente n\u00e3o tinha uma banda t\u00e3o popular.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o o Turnstile trouxe de volta a aten\u00e7\u00e3o da galera. Se voc\u00ea ouve o som deles, voc\u00ea consegue garfar ali uma influ\u00eancia de Bad Religion, de Bad Brains, uma coisa bem 80 e 90, mas com uma leitura mais moderna, trazendo algo mais moderno. Acho que foi muito legal e muito importante pra resgatar uma galera pro estilo, e vejo v\u00e1rias bandas nacionais sim fazendo esse corre. Ainda \u00e9 uma coisa nova, que est\u00e1 surgindo agora, mas que j\u00e1 est\u00e1 influenciando uma gera\u00e7\u00e3o que gosta de hardcore. D\u00e1 pra gente importar isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A gente falou um pouco sobre as letras do \u201cPoweplant\u201d, mas o instrumental parece mais pensado e mais elaborado justamente pra essa roupagem do Garage de 2026, ele n\u00e3o faz uma repeti\u00e7\u00e3o do trabalho de voc\u00eas.<\/strong><br \/>\nFabr\u00edcio: Acho maior legal essa an\u00e1lise, porque a gente n\u00e3o pensa muito quando comp\u00f5e (risos). A gente simplesmente incorpora o som que a gente vem escutando, as influ\u00eancias que a gente tem sempre d\u00e3o as caras no trabalho que a gente vai fazer. O \u201cPowerplant\u201d foi, mais uma vez, isso. Incorporando coisas que a gente vinha escutando \u00e0s nossas novas influ\u00eancias, mas mantendo as influ\u00eancias antigas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acho que, talvez o que tenha sido diferente nessa produ\u00e7\u00e3o, \u00e9 que a gente pegou ideias mais individuais. A gente teve um jeito novo de produzir. Antigamente a gente fazia no estilo old school: levava ideias pro ensaio e produzia todo mundo junto, desenvolvendo as nossas ideias no ensaio. Dessa vez a gente pegou ideias mais individuais, foi passando de um pro outro, e todo mundo foi incorporando sua parte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por exemplo, de novo, a \u201cFlashpoint\u201d foi uma m\u00fasica feita pelo Victor, que a gente pegou e incorporou a nossa parte. \u201cPowerplant\u201d, por incr\u00edvel que pare\u00e7a, nasceu de uns arranjos da \u201cFlashpoint\u201d, do Victor! Quando levei (esses arranjos) no ensaio, os caras falaram: \u201cP\u00f4, Fabr\u00edcio, d\u00e1 pra gente pensar outra m\u00fasica em cima dessas suas ideias\u201d. A\u00ed, foram ideias minhas que come\u00e7aram a \u201cPowerplant\u201d. A \u201cSynergy\u201d j\u00e1 foi uma m\u00fasica que o Nando (Fernando Bassetto, guitarra) fez praticamente sozinho tamb\u00e9m. Ele comp\u00f4s, botou uma bateria eletr\u00f4nica e depois o Daniel (Siqueira, bateria), colocou do jeito dele e cada um foi incorporando a sua parte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez isso tenha dado um certo detalhe diferente para essas m\u00fasicas. As influ\u00eancias mant\u00e9m coisas que a gente sempre teve e incorporam novas influ\u00eancias das coisas que a gente vinha escutando, s\u00f3 que agora acompanhado de uma produ\u00e7\u00e3o, de uma coisa mais moderna, de hoje em dia, de cada um fazer as coisas no seu canto, mandar pro outro e a gente finalizar tudo isso na sala de ensaio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Victor: Acho que tem gente que, muitas vezes, pensa que pra fazer m\u00fasica existe alguma f\u00f3rmula. Ser\u00e1 que existe uma f\u00f3rmula? Eu acho que n\u00e3o. Talvez at\u00e9 (exista e) funcione para algumas pessoas, mas acho que esse processo que o Garage fez no \u201cPowerplant\u201d e que eu sempre fiz na minha vida, facilita produzir mais, fazer mais. O brilho da parada \u00e9 exatamente isso, cada m\u00fasica ser feita da sua maneira, no seu mood. Acho que esse EP resume bem essa parada. \u00c9 uma forma, como o Fabr\u00edcio disse tamb\u00e9m, de dar um tempo pras ideias amadurecerem, voc\u00ea come\u00e7a a fazer muitas m\u00fasicas num per\u00edodo curto, elas come\u00e7am a soar muito parecidas, muito tempo na caixinha. Acho que estar sempre escutando refer\u00eancias novas, buscando montar o som que voc\u00ea gostaria de escutar, t\u00e1 ligado? Sem pensar \u201cvou fazer isso pra agradar fulano\u201d ou \u201cvou fazer tal tipo de som pra agradar a multid\u00e3o\u201d ou \u201cvou fazer isso porque fulano fez e deu certo\u201d. Eu acho que \u00e9 a parada de fazer \u201cfree stress\u201d e de uma forma que seja prazerosa, t\u00e1 ligada?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fabr\u00edcio: O Victor falou uma coisa que \u00e9 verdade: o Garage Fuzz, desde o in\u00edcio, \u00e9 um projeto nosso de ser uma banda que a gente gostaria de escutar, ent\u00e3o a gente sempre fez a m\u00fasica pra gente. A gente teve o privil\u00e9gio de v\u00e1rias pessoas tamb\u00e9m gostarem e se sentirem representadas pelas m\u00fasicas que a gente faz. Ent\u00e3o a gente nunca ficou pensando muito em como vai fazer (risos), a coisa sempre foi fluindo. A gente sempre gostou de ter esse tempo, entre uma coisa e outra, como Victor falou, pra coisa n\u00e3o soar repetitiva, pra gente poder ter influ\u00eancias novas e ir arejando a nossa cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E acho que o Garage j\u00e1 chegou a um ponto em que a banda pode ser autorreferencial mesmo, n\u00e9? As influ\u00eancias da banda podem ser voc\u00eas mesmo!<\/strong><br \/>\nVictor: Cara, vou te falar que, por mim, vira e mexe eu estou sempre escutando o som do Garage, coisas que escutei por muito tempo, desde que estou na banda. A gente tem as m\u00fasicas do setlist, mas tem v\u00e1rias outras que n\u00e3o est\u00e3o no setlist e hora ou outra entram, pois estou sempre escutando os CDs mais antigos, pra tamb\u00e9m bater essa parada de identidade da banda. N\u00e3o pra necessariamente fazer uma m\u00fasica igual \u00e0 que era no primeiro CD ou que est\u00e1 em tal EP, mas absorvendo essa ideia pra poder mesclar com algo que a gente est\u00e1 criando hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00eas gravaram \u201cJaded\u201d (presente no EP \u201cGrawlix\u201d, de 2024) nesse novo EP. O que levou voc\u00eas a regravarem essa m\u00fasica em especial?<\/strong><br \/>\nFabr\u00edcio: Foi uma sugest\u00e3o do pessoal da Odd Sounds, a nossa gravadora. Eles queriam que a gente gravasse algumas m\u00fasicas e a gente achou legal focar nela, porque ela representa muito o que \u00e9 o Garage Fuzz atual, do jeito que a gente \u00e9 hoje em dia, o Victor junto com a gente. E pra aproveitar quem entende do est\u00fadio, a produ\u00e7\u00e3o, todo o investimento que eles estavam fazendo, um tremendo de um est\u00fadio. Ent\u00e3o isso levou a gente a refazer \u201cJaded\u201d, toda a produ\u00e7\u00e3o e que represente tamb\u00e9m essa nova do Garage Fuzz, por isso ela foi escolhida.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Garage Fuzz - Jaded (Hangar 110 - 04\/07\/2026)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/lRpj74HdRLQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E uma coisa que sempre quis perguntar: sendo uma banda punk no Brasil, \u00f3bvio que no in\u00edcio dos anos 90, t\u00ednhamos bandas punk que cantavam em ingl\u00eas no Brasil, mas com o passar do tempo houve algum tipo de resist\u00eancia de alguma parcela do p\u00fablico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s letras em ingl\u00eas?<\/strong><br \/>\nVictor: Cara, acho que sempre vai existir algu\u00e9m apontando o dedo para o que voc\u00ea est\u00e1 fazendo (risos). Nunca vai ter um mundo perfeito pra todo mundo olhar e falar: \u00e9 isso!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As pessoas v\u00e3o achar problemas e beleza, cada um sabe o que acha que \u00e9 certo. N\u00e3o acho que seja um problema, acho que a quest\u00e3o \u00e9 muito mais a fundo do que simplesmente focar nessa parada. A parada de fazer em ingl\u00eas, eu digo por mim, \u00e9 uma coisa que sempre tive facilidade, sempre gostei. Desde pequeno sempre ia entrar nesses sites de letra de m\u00fasicas e ia buscar as letras das m\u00fasicas que eu gostava pra entender, pra ler, ent\u00e3o sempre gostei, fui at\u00e9 professor de ingl\u00eas durante um tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pra mim \u00e9 at\u00e9 uma coisa legal que eu consigo manter essa gram\u00e1tica, de estar sempre estudando, mentalizando com a l\u00edngua. E, cara, acho que \u00e9 uma l\u00edngua universal, simples. Acho que \u00e9 mais por isso, \u00e9 uma l\u00edngua mais prov\u00e1vel de atingir mais p\u00fablicos, n\u00e3o de quantidade, mas de lugares, acho que \u00e9 mais f\u00e1cil de ser absorvida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gosto muito de bandas em portugu\u00eas, a gente n\u00e3o tem problema nenhum com isso. Na verdade, acho maior da hora e at\u00e9 mais dif\u00edcil escrever em portugu\u00eas, \u00e9 um desafio foda quando fa\u00e7o algumas coisas em portugu\u00eas, e \u00e9 bem mais dif\u00edcil fazer do que com o Garage, essa quest\u00e3o de canetar. Mas acho que \u00e9 isso: problema sempre algu\u00e9m vai achar (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fabr\u00edcio: Costumo dizer que quando a gente come\u00e7ou, esse nosso estilo musical n\u00e3o tinha refer\u00eancia, nossas refer\u00eancias eram todas de fora, todas em ingl\u00eas. No som mais punk, no hardcore mais punk, tinha o C\u00f3lera, Ratos de Por\u00e3o, Olho Seco, existia toda uma cena em portugu\u00eas, ent\u00e3o as bandas tinham toda aquela refer\u00eancia para compor em portugu\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No estilo do Garage, n\u00e3o. A gente foi uma das primeiras bandas a serem lan\u00e7adas no circuito de grandes magazines, como Carrefour, Lojas Americanas, Lojas Brasileiras, que nem existem mais. Na \u00e9poca do CD (\u201cRelax In Your Favorite Chair\u201d, de 1995, que saiu pela Roadrunner, gravadora que lan\u00e7ou discos do <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Sepultura\">Sepultura<\/a>, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Ratos+de+Por%C3%A3o\">Ratos de Por\u00e3o<\/a> e Metallica), eles eram distribu\u00eddos de Manaus, no Amazonas, a Santa Maria, no Rio Grande do Sul, e em Vit\u00f3ria, por esses grandes magazines. Essa sempre foi nossa refer\u00eancia. Hoje a gente continua mantendo esse estilo que j\u00e1 virou uma marca registrada do Garage Fuzz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Victor: O portugu\u00eas \u00e9 uma l\u00edngua muito rica, mas ao mesmo tempo mais delicada tamb\u00e9m, porque \u00e0s vezes \u00e9 uma palavra que \u00e9 sin\u00f4nimo de outra, voc\u00ea fala ela e \u00e9 algo completamente diferente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Desse cen\u00e1rio brasileiro atual, a gente tem visto um ressurgimento muito forte do underground no Brasil, bandas que est\u00e3o sempre na estrada, como <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Manger+Cadavre\">Manger Cadavre?<\/a>, Sangue de Bode, principalmente no Sudeste. Voc\u00eas acompanham de perto esse ressurgimento no punk, no metal?<\/strong><br \/>\nFabr\u00edcio: Sim, porque a gente tamb\u00e9m est\u00e1 na estrada, a gente toca com essas bandas, a gente acompanha, muitas delas s\u00e3o at\u00e9 amigos nossos. Acho que nunca a cena brasileira foi t\u00e3o boa, porque o n\u00edvel dos m\u00fasicos, das bandas, das produ\u00e7\u00f5es, \u00e9 excelente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acho que eu, que j\u00e1 estou aqui, desde que\u2026 d\u00e1 pra dizer que era tudo mato (risos), eu nunca vi uma cena t\u00e3o rica como a de hoje em dia, onde existe um circuito onde h\u00e1 pessoas mais profissionais fazendo shows, d\u00e1 pra fazer show de pequeno, m\u00e9dio e grande porte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existem bandas excelentes, como <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Bayside+Kings\">Bayside Kings<\/a>, o Bad Luv. Tem bandas excelentes com excelentes m\u00fasicos, a cena hoje est\u00e1 excelente, posso afirmar isso a\u00ed.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"GARAGE FUZZ - ELEPHANT [Videoclipe Oficial]\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Ing1kPWX82A?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas foram precursores da cena de Santos, quando come\u00e7aram em 1991. Muitas bandas consagradas de S\u00e3o Paulo tiveram a ideia de formar uma banda vendo o Garage tocar. Como foi pra voc\u00eas ser essa chama inicial no litoral de S\u00e3o Paulo?<\/strong><br \/>\nFabr\u00edcio: Pra mim \u00e9 uma honra enorme, um privil\u00e9gio, porque posso afirmar, com certeza, que quando a gente come\u00e7ou l\u00e1 atr\u00e1s, a gente n\u00e3o tinha essa inten\u00e7\u00e3o e nem essa ideia. A gente estava seguindo o nosso instinto, o jeito que a gente era, e acabou gerando esses frutos. Lembro que a primeira turn\u00ea desse tipo de som no Brasil foi feita em 1995 com a Roadrunner, que era nossa gravadora, que era uma gravadora internacional. N\u00e3o tinha um circuito montado no Brasil, n\u00e3o tinha banda de hardcore que tocava no Brasil inteiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, pelo fato de ter lan\u00e7ado disco no Brasil inteiro, a gravadora chegou pra gente e fez uma proposta: \u201cFabr\u00edcio, vem pelo menos uma vez por semana, quantas vezes voc\u00ea quiser, no nosso escrit\u00f3rio em S\u00e3o Paulo, pode usar o telefone o tempo que voc\u00ea quiser, liga pra quem voc\u00ea quiser, que a gente vai bancar essa turn\u00ea pra voc\u00eas\u201d. Isso n\u00e3o existia no Brasil. As bandas tocavam hoje, faziam outro show daqui a dois meses, n\u00e3o existia isso (de turn\u00ea). Existia na Europa, no mundo todo, mas n\u00e3o existia no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu ia l\u00e1 na Roadrunner algumas vezes por semana, porque n\u00e3o tinha internet, liga\u00e7\u00e3o interurbana naquela \u00e9poca era car\u00edssimo, era car\u00edssimo voc\u00ea montar uma turn\u00ea dessas sem apoio quando voc\u00ea ainda estava come\u00e7ando. Ent\u00e3o eu ia l\u00e1 uma ou duas vezes por semana, pegava o telefone com um cara de um fanzine, que passava o telefone pro cara de uma banda de outra cidade e iam montando o contato. A\u00ed eu ligava pra um cara e incentivava ele a fazer um show do Garage Fuzz na cidade. Sem perceber, eu estava meio que montando um caminho pras outras gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o quero ser pretensioso, porque a gente nunca fez isso com pretens\u00e3o, mas a gente foi meio que botando a semente em cada cidade, pavimentando o caminho pras pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es, ter esse caminho montado pra todo mundo utilizar e eu fico muito feliz com isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E quais os planos pro EP? Voc\u00eas j\u00e1 v\u00e3o pegar a estrada? Vai ter uma tour com ele?<\/strong><br \/>\nFabr\u00edcio: A gente est\u00e1 montando a tour. Temos marcado Belo Horizonte, S\u00e3o Paulo e Curitiba, shows no interior de S\u00e3o Paulo, j\u00e1 j\u00e1 a gente solta a agenda (quer levar a \u201cPowerplant Tour\u201d pra sua cidade? <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DdZU70rRGQh\/?hl=pt\">Clica aqui<\/a>). E ano que vem tem material novo do Garage Fuzz com apoio da Odd Sounds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>S\u00f3 faltou Vit\u00f3ria e Vila Velha, hein?<\/strong><br \/>\nFabr\u00edcio: A gente est\u00e1 doido pra voltar pra\u00ed, a gente est\u00e1 doido pra voltar pra Vit\u00f3ria, com certeza! Temos uma hist\u00f3ria muito legal (com o Esp\u00edrito Santo), desde o Sala 11. Tocamos com o Seaweed em Vit\u00f3ria, com o Dead Fish v\u00e1rias vezes, at\u00e9 com o Massacration a gente j\u00e1 tocou em Vit\u00f3ria (risos)! Estamos com saudade de voltar pra Vit\u00f3ria e Vila Velha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Victor: Comigo ainda n\u00e3o rolou (ES), em outros estados j\u00e1 rolou, mas a\u00ed ainda n\u00e3o. J\u00e1 fui com o Bullett Bane algumas vezes pra Vila Velha tamb\u00e9m, l\u00e1 no Correria Music Bar, \u00e9 da hora, gosto muito da cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fabr\u00edcio: Fazer um Mukeka di Rato e Garage Fuzz, seria maravilhoso. Grande Mozine, Paulista, galera amiga nossa de muitos anos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"GARAGE FUZZ \/ Criativa Rock \/ Santos \/ 2026\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fSClIHUIdZE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Garage Fuzz - Fast Relief @ Sorocaba - 10\/04\/26\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/rd4wN35cxg0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Garage Fuzz - &quot;Cortex&quot; , ao vivo nos 10 anos da We Can Veg It , 12\/07\/2026, Campinas -SP\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/SvR3ZSltqYk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Guilherme Lage (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/lage.guilherme66\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">fb.com\/lage.guilherme66<\/a>) \u00e9 jornalista e mora em Vila Velha, ES.\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/author\/guilherme-lage\/\">Leia outras entrevistas dele<\/a>!<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O Garage Fuzz traz sua sonoridade cl\u00e1ssica, que flerta entre o hardcore mel\u00f3dico e o rock alternativo, em um dos lan\u00e7amentos mais legais do ano.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/10\/14\/entrevista-garage-fuzz-lanca-novo-ep-powerplant-relembra-periodo-na-roadrunner-e-elogia-cena-brasileira-atual\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":58,"featured_media":97871,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7548,4833,3],"tags":[1711],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/97868"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/58"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=97868"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/97868\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":97872,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/97868\/revisions\/97872"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/97871"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=97868"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=97868"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=97868"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}