{"id":97746,"date":"2026-10-07T09:50:44","date_gmt":"2026-10-07T12:50:44","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=97746"},"modified":"2026-10-07T09:50:44","modified_gmt":"2026-10-07T12:50:44","slug":"entrevista-bayside-kings-lanca-atlas-buscando-manter-essencia-hardcore-mas-sendo-palpavel-para-qualquer-pessoa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/10\/07\/entrevista-bayside-kings-lanca-atlas-buscando-manter-essencia-hardcore-mas-sendo-palpavel-para-qualquer-pessoa\/","title":{"rendered":"Entrevista: Bayside Kings lan\u00e7a &#8220;ATLAS&#8221; buscando manter ess\u00eancia hardcore, mas sendo palp\u00e1vel para qualquer pessoa"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 16 anos, o <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/baysidekings\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bayside Kings<\/a> vem construindo sua trajet\u00f3ria dentro do hardcore brasileiro. Nascida em Santos, a banda atravessou diferentes momentos. Se em 2010 determinados sonhos ainda pareciam distantes, como observa Milton Aguiar, hoje muitos deles se tornaram possibilidades concretas. O caminho percorrido modificou a banda, mas n\u00e3o apagou aquilo que ela considera essencial: o som, a integridade e a fidelidade \u00e0s pr\u00f3prias origens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 justamente nessa tens\u00e3o entre perman\u00eancia e movimento que surge \u201c<a href=\"https:\/\/baysidekings.lnk.to\/ATLAS\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ATLAS<\/a>\u201d (2026), novo \u00e1lbum lan\u00e7ado pela Deck. Com 14 faixas, o disco amplia a linguagem do grupo ao incorporar mais melodia, groove e peso, al\u00e9m de marcar o retorno do guitarrista Marc\u00e3o, ausente desde Resistance (2016), h\u00e1 uma d\u00e9cada. Sua presen\u00e7a, somada \u00e0 forma\u00e7\u00e3o com duas guitarras, abre novas possibilidades para uma banda que, segundo Milton, chegou a compor cerca de 30 m\u00fasicas durante o processo de cria\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O conceito de \u201c<a href=\"https:\/\/baysidekings.lnk.to\/ATLAS\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ATLAS<\/a>\u201d parte da mitologia grega para falar de algo bastante concreto: os pesos, responsabilidades, escolhas e conflitos que cada indiv\u00edduo carrega diariamente. Nas letras de Milton, o tema se desdobra em quest\u00f5es de autoafirma\u00e7\u00e3o, resist\u00eancia, pol\u00edtica, limites sociais e emocionais e na necessidade de agir diante de uma realidade que exige permanente enfrentamento. \u201cAmadurecer n\u00e3o significa perder a urg\u00eancia ou a indigna\u00e7\u00e3o do hardcore\u201d, afirma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo da conversa, Milton Aguiar fala sobre os 16 anos de trajet\u00f3ria do Bayside Kings, o conceito de \u201c<a href=\"https:\/\/baysidekings.lnk.to\/ATLAS\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ATLAS<\/a>\u201d e a forma como o disco traduz os pesos, responsabilidades e inquieta\u00e7\u00f5es da vida cotidiana. O vocalista tamb\u00e9m aborda o momento art\u00edstico da banda, o retorno de Marc\u00e3o e o impacto da nova forma\u00e7\u00e3o na sonoridade do grupo, al\u00e9m da influ\u00eancia permanente da Baixada Santista em sua identidade criativa. Leia abaixo:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"BAYSIDE KINGS &quot;DAQUI PRA FRENTE&quot; (video oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/dtuAZBMRuVE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cATLAS\u201d chega depois de 16 anos de trajet\u00f3ria. Olhando para esse caminho, o que voc\u00ea sente que mudou no Bayside Kings e, principalmente, o que voc\u00eas fizeram quest\u00e3o de preservar?<\/strong><br \/>\nOlhando para o Bayside Kings de 2010 e o de 2026, muita coisa mudou. Aquilo que antes parecia muito distante e at\u00e9 imposs\u00edvel hoje est\u00e1 mais pr\u00f3ximo e se tornou totalmente poss\u00edvel para a gente. Ao mesmo tempo, fizemos quest\u00e3o de preservar o som, a integridade da banda e a fidelidade \u00e0s nossas origens. Continuamos fazendo tudo de um jeito selvagem, mantendo o esp\u00edrito jovem e usando a m\u00fasica e a nossa mensagem para nos conectar com as pessoas e viver intensamente cada momento por meio da arte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O t\u00edtulo do disco remete a Atlas, o tit\u00e3 condenado por Zeus a sustentar eternamente o peso dos c\u00e9us. O que essa imagem representa para voc\u00ea hoje? Quais s\u00e3o os \u201cpesos\u201d que voc\u00ea sente que carrega depois de tantos anos de Bayside Kings?<\/strong><br \/>\nEu acredito que todo mundo carrega seus pr\u00f3prios pesos, responsabilidades e deveres. Cada pessoa tem um pouco de Atlas dentro de si, porque s\u00f3 ela conhece o peso da pr\u00f3pria vida, da sua rotina, das coisas em que acredita, das pessoas para quem precisa servir de suporte e daquilo que ainda quer realizar. Esse peso pode ser uma responsabilidade, uma motiva\u00e7\u00e3o e, \u00e0s vezes, at\u00e9 uma pris\u00e3o. Para mim, cada indiv\u00edduo \u00e9 um Atlas em potencial, disposto a sustentar tudo isso para continuar seguindo em frente e fazer as coisas acontecerem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas definem \u201cATLAS\u201d como um disco mais maduro, mas n\u00e3o menos inquieto. Como voc\u00ea entende essa maturidade? \u00c9 poss\u00edvel amadurecer sem perder a urg\u00eancia e a indigna\u00e7\u00e3o que est\u00e3o na ess\u00eancia do hardcore?<\/strong><br \/>\n\u201cATLAS\u201d carrega a viv\u00eancia de quem est\u00e1 dentro de uma banda que roda o Brasil h\u00e1 16 anos e de pessoas que j\u00e1 passaram por muitas coisas na vida. Essa maturidade vem com o tempo, porque cada pessoa tem seu pr\u00f3prio ritmo para compreender os processos, as responsabilidades e tudo o que acontece ao seu redor. Quer\u00edamos que o disco continuasse soando hardcore, mas que tamb\u00e9m fosse palp\u00e1vel para qualquer pessoa. Por isso, ele foi escrito de uma maneira simples, sem ser simplista. As ideias v\u00eam de situa\u00e7\u00f5es reais, de pessoas pr\u00f3ximas e de coisas que vivemos ou acompanhamos de perto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As m\u00fasicas tamb\u00e9m se conectam. Algumas dialogam diretamente entre si, enquanto outras abordam o mesmo assunto por pontos de vista e atitudes diferentes. \u201cATLAS\u201d tem essa dualidade: \u00e9 r\u00e1pido, selvagem, pesado e, em alguns momentos, mel\u00f3dico, mas traz uma consci\u00eancia mais madura sobre o peso das nossas escolhas e responsabilidades. Para mim, amadurecer n\u00e3o significa perder a urg\u00eancia ou a indigna\u00e7\u00e3o do hardcore. Significa entender melhor de onde elas v\u00eam e saber express\u00e1-las com mais clareza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O \u00e1lbum traz mais melodia e groove e, pela primeira vez, duas guitarras, al\u00e9m do retorno de Marc\u00e3o depois de oito anos afastado. Como essa nova forma\u00e7\u00e3o modificou o processo de composi\u00e7\u00e3o e a sonoridade do Bayside Kings? O Marc\u00e3o que voltou encontrou uma banda diferente daquela que deixou?<\/strong><br \/>\nA volta do Marc\u00e3o foi essencial para esse momento. O \u00faltimo trabalho que ele havia gravado com a gente foi o \u201cResistance\u201d, lan\u00e7ado h\u00e1 dez anos e, at\u00e9 ent\u00e3o, o \u00faltimo \u00e1lbum completo do Bayside Kings. Depois dele, lan\u00e7amos apenas EPs e singles. Quando percebemos que era o momento certo para fazer um novo disco, convidamos o Marc\u00e3o para participar do processo de composi\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 durava pouco mais de um ano. Nesse per\u00edodo, ele tamb\u00e9m come\u00e7ou a fazer alguns shows substituindo o Teteu. Aos poucos, a nossa sintonia voltou de forma muito natural. O Marc\u00e3o \u00e9 um dos meus melhores amigos, e a presen\u00e7a dele estava me fazendo muito bem pessoalmente. Para o coletivo, ele tamb\u00e9m trouxe uma leveza e um frescor de que a banda precisava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele encontrou um Bayside Kings vivendo uma fase diferente. Hoje, a banda ainda n\u00e3o sustenta completamente as nossas vidas, mas j\u00e1 nos ajuda a viver e nos leva a lugares que antes pareciam imposs\u00edveis para um grupo como o nosso. Achei justo que ele tamb\u00e9m pudesse viver essa experi\u00eancia ao nosso lado. Musicalmente, o Marc\u00e3o \u00e9 uma das pessoas mais criativas que conhe\u00e7o. A presen\u00e7a dele e a forma\u00e7\u00e3o com duas guitarras ampliaram muito as possibilidades de composi\u00e7\u00e3o e deram outra for\u00e7a para a sonoridade, tanto no disco quanto nos shows. Criamos cerca de 30 m\u00fasicas para escolher as 14 que entraram em \u201cATLAS\u201d e ainda temos material suficiente para, no m\u00ednimo, mais dois discos.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-97748 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/bayside.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"615\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/bayside.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/bayside-300x246.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As suas letras continuam dialogando com temas recorrentes na trajet\u00f3ria do Bayside Kings, como autoafirma\u00e7\u00e3o, resist\u00eancia e luta cotidiana. Depois de tantos anos escrevendo sobre esses assuntos, como voc\u00ea evita que eles se transformem em repeti\u00e7\u00e3o? O que mudou na sua maneira de escrever?<\/strong><br \/>\nAs letras do Bayside Kings funcionam como uma esp\u00e9cie de terapia que fa\u00e7o comigo mesmo. Escrevo coisas que, muitas vezes, eu gostaria que algu\u00e9m dissesse para mim. Depois, tento transformar esses sentimentos em algo que n\u00e3o seja apenas meu, mas que tamb\u00e9m perten\u00e7a a quem est\u00e1 ouvindo e vivendo momentos ou buscando caminhos parecidos. Em \u201cATLAS\u201d, algumas letras s\u00e3o mais diretas, como \u201cROTINA 6&#215;1\u201d e, principalmente, \u201cS\u00d3 EU SEI E MAIS NINGU\u00c9M\u201d. Acredito que muita gente se reconhe\u00e7a nesse processo de sair da pr\u00f3pria zona de conforto, ir atr\u00e1s do que sonha e fazer o m\u00e1ximo poss\u00edvel para tornar aquilo real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo quando os temas parecem semelhantes aos de outros momentos da banda, os pontos de vista e as experi\u00eancias s\u00e3o diferentes. O disco fala sobre responsabilidades, limites sociais, internos e geogr\u00e1ficos, cuidado consigo mesmo e com o pr\u00f3ximo, pol\u00edtica e tudo o que interfere na nossa vida desde a hora em que acordamos at\u00e9 o momento de dormir. Fala de revolta, a\u00e7\u00e3o, urg\u00eancia, inquieta\u00e7\u00e3o, d\u00favida e certeza. No fim, \u00e9 a soma de tudo isso que nos torna reais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cS\u00f3 Eu Sei e Mais Ningu\u00e9m\u201d, faixa que abre o disco, traz refer\u00eancias muito espec\u00edficas a Santos e \u00e0 Baixada Santista. Por que era importante come\u00e7ar um \u00e1lbum que fala sobre atravessar fronteiras justamente reafirmando o lugar de onde voc\u00eas vieram?<\/strong><br \/>\nHoje, essa \u00e9 a minha m\u00fasica favorita de \u201cATLAS\u201d. Ela foi a \u00faltima a ser composta. O Rafael Ramos, da Deck, que fez a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica do \u00e1lbum, dizia que ainda precis\u00e1vamos de uma m\u00fasica de abertura. Ent\u00e3o surgiu essa \u00faltima base e, depois, veio a letra. Atualmente, moro em S\u00e3o Paulo, mas continuo muito presente em Santos. Vivo entre essas duas cidades, e a m\u00fasica nasceu desse momento. Eu amo Santos, seus lugares e tudo o que a cidade representa para mim, mas nunca consegui me identificar com alguns aspectos do localismo que existem ali. Durante muito tempo, vi pessoas que n\u00e3o sa\u00edam da cidade para buscar o que desejavam porque acreditavam que j\u00e1 tinham tudo de que precisavam naquele lugar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conforme comecei a viajar com o Bayside Kings, percebi o tamanho do mundo e o quanto conhecer outras pessoas, lugares e culturas modificava minha forma de enxergar a vida. Entendi que precisava sair cada vez mais de Santos para n\u00e3o viver de frente para o mar e de costas para o mundo. Para falar sobre atravessar fronteiras, eu precisava come\u00e7ar deixando claro de onde estava partindo. Por isso, a m\u00fasica come\u00e7a com refer\u00eancias muito espec\u00edficas \u00e0 cidade. Quando digo do 1 ao 7, da Divisa ao cais, estou falando dos pr\u00f3prios limites de Santos. A cidade \u00e9 dividida pelos canais, do 1 ao 7, e tem como extremos a Divisa e o cais, onde est\u00e1 o maior porto da Am\u00e9rica Latina. A letra parte desse territ\u00f3rio para falar sobre os sacrif\u00edcios que cada pessoa faz diariamente para realizar aquilo em que acredita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chegou um momento da minha vida em que me sinto mais livre dos julgamentos alheios e de tudo o que n\u00e3o esteja ligado ao que realmente quero fazer, \u00e0s pessoas com quem quero estar e \u00e0s coisas \u00e0s quais quero somar. Isso exige maturidade. Hoje, invisto meu tempo para fazer esses planos acontecerem, estar bem comigo mesmo e ser um suporte real para as pessoas e para aquilo em que acredito. No fim, s\u00f3 cada um conhece o pr\u00f3prio esfor\u00e7o, os pr\u00f3prios sacrif\u00edcios e o peso do que carrega. Por isso, o nome da m\u00fasica \u00e9 \u201cS\u00d3 EU SEI E MAIS NINGU\u00c9M\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"BAYSIDE KINGS &quot;S\u00d3 EU SEI E MAIS NINGU\u00c9M&quot; (video oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Y_YvmqjJdh0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea j\u00e1 resumiu o Bayside Kings como uma banda que vem da praia e faz hardcore, sendo totalmente cai\u00e7ara. O quanto a Baixada Santista est\u00e1 presente na sua maneira de enxergar o mundo e, consequentemente, naquilo que voc\u00ea escreve para a banda?<\/strong><br \/>\nEu amo Santos e talvez isso pare\u00e7a um pouco contradit\u00f3rio diante do que falei antes, mas sair da cidade nunca significou abandonar minhas ra\u00edzes. Fa\u00e7o quest\u00e3o de manter nossa origem presente para que o Bayside Kings n\u00e3o seja confundido com mais uma banda da capital. Por isso, em todos os shows eu digo: N\u00f3s somos o Bayside Kings, de Santos, S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu via muito isso no Charlie Brown Jr., e acredito que essa afirma\u00e7\u00e3o constante ajudava a manter a identidade da banda viva. Para mim, \u00e9 importante que o Bayside Kings seja reconhecido como uma banda cai\u00e7ara. Fui formado culturalmente por muita coisa que estava ao meu redor, como Garage Fuzz, Charlie Brown Jr., as bandas dos meus amigos e o esfor\u00e7o de grupos que vieram de diferentes partes da cena da Baixada Santista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo isso influ\u00eancia minha maneira de enxergar o mundo e tamb\u00e9m aquilo que escrevo. Mesmo estando cada vez menos em Santos, carregar essas refer\u00eancias comigo faz com que eu continue me sentindo em casa. Quando fa\u00e7o algo que me conecta ao lugar onde nasci e fui criado, Santos continua presente, independentemente de onde eu esteja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 assisti ao Bayside Kings algumas vezes em Belo Horizonte e uma coisa que sempre me chama aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a intensidade da performance ao vivo. De onde vem essa energia? E como voc\u00ea faz para manter essa entrega depois de tantos anos de estrada?<\/strong><br \/>\nBelo Horizonte \u00e9 uma das minhas cidades favoritas do Brasil. A recep\u00e7\u00e3o da galera \u00e9 muito \u00fanica, e sempre falo que precisamos voltar pelo menos duas vezes por ano para encontrar bons amigos e fazer um bom show. \u00c9 uma cidade que acolheu muito o Bayside Kings, e sou profundamente grato por isso. Acredito que o Bayside Kings mostra o que tem de melhor no palco. Voc\u00ea pode ouvir a banda e n\u00e3o gostar, porque gosto \u00e9 gosto. Mas, quando assiste ao nosso show, mesmo que aquele som n\u00e3o seja para voc\u00ea, acredito que saia pensando: \u201cEssa galera \u00e9 boa no que faz\u201d. A conex\u00e3o que acontece ali \u00e9 muito forte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o importa se estamos tocando para milhares de pessoas ou para dez. A intensidade e a entrega s\u00e3o as mesmas. Ensaiamos, temos uma ordem para as m\u00fasicas, mas nenhum show \u00e9 igual ao outro porque o p\u00fablico \u00e9 fundamental para tornar cada apresenta\u00e7\u00e3o \u00fanica. Tudo acontece de um jeito selvagem, mas com respeito, porque banda e p\u00fablico est\u00e3o na mesma frequ\u00eancia. \u00c9 justamente essa troca que mant\u00e9m nossa energia depois de tantos anos. Cada encontro \u00e9 diferente e nos d\u00e1 uma nova raz\u00e3o para entregar tudo outra vez. Por isso, sempre digo que a melhor experi\u00eancia para conhecer o Bayside Kings \u00e9 ao vivo, na rua. Quero continuar ao lado do nosso coletivo, ocupando novos lugares, encontrando novas pessoas e vivendo essa conex\u00e3o em cada cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ao longo desses 16 anos, voc\u00ea acompanhou mudan\u00e7as profundas na cena brasileira. O que evoluiu para melhor e o que voc\u00ea acha que se perdeu nesse processo de profissionaliza\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o do hardcore?<\/strong><br \/>\nUma evolu\u00e7\u00e3o muito importante foi o acesso \u00e0s ferramentas. Para quem quer fazer o pr\u00f3prio corre, o fa\u00e7a voc\u00ea mesmo est\u00e1 mais real do que nunca. Hoje, existem muito mais recursos, informa\u00e7\u00f5es e canais de comunica\u00e7\u00e3o dispon\u00edveis. Isso aumentou bastante o fluxo de m\u00fasicas, projetos e pessoas falando sobre a cena. H\u00e1 muito mais coisa acontecendo do que havia 16 anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao mesmo tempo, essa quantidade de informa\u00e7\u00e3o tornou mais dif\u00edcil acompanhar tudo. Sempre fui uma pessoa que procurou saber o que estava acontecendo na cena, mas hoje tenho constantemente a sensa\u00e7\u00e3o de que estou perdendo alguma coisa. Parece que existe algo que falaria diretamente comigo, mas que n\u00e3o chegou at\u00e9 mim ou que eu n\u00e3o consegui encontrar no meio de tanta coisa acontecendo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o enxergo isso necessariamente como algo ruim, mas como uma consequ\u00eancia dessa expans\u00e3o. O acesso aumentou, enquanto a aten\u00e7\u00e3o ficou mais fragmentada e a urg\u00eancia da comunica\u00e7\u00e3o acabou se diluindo. \u00c0s vezes descubro algo muito depois, mesmo tendo procurado acompanhar. Essa \u00e9 uma percep\u00e7\u00e3o pessoal, mas acredito que outras pessoas tamb\u00e9m possam sentir essa dificuldade.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-97749 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/bayside2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"493\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/bayside2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/bayside2-300x197.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cATLAS\u201d parece representar mais uma evolu\u00e7\u00e3o do que uma ruptura na trajet\u00f3ria do Bayside Kings. Depois de ouvir o disco pronto, voc\u00ea sente que ele abriu caminhos que gostaria de explorar nos pr\u00f3ximos trabalhos?<\/strong><br \/>\nSim. Existem caminhos que eu j\u00e1 queria ter explorado antes e fico feliz por isso ter acontecido em \u201cATLAS\u201d, porque o disco abriu uma janela muito grande de possibilidades para o futuro. H\u00e1 bastante tempo eu queria trazer para o Bayside Kings algo mais groovado e pesado, com muitos riffs e uma influ\u00eancia que remetesse, por exemplo, ao Rage Against the Machine. M\u00fasicas como \u201cS\u00d3 EU SEI E MAIS NINGU\u00c9M\u201d e \u201cCORRIDA DE RATOS\u201d flertam com essa ideia, misturando groove, peso e elementos de hip-hop. Essas experi\u00eancias trouxeram um frescor para a nossa m\u00fasica e mostraram caminhos que podemos aprofundar nos pr\u00f3ximos trabalhos. O ponto principal \u00e9 conseguir acrescentar novas refer\u00eancias e possibilidades sem perder nossa identidade. Podemos experimentar, mas o resultado ainda precisa soar como Bayside Kings.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Depois do lan\u00e7amento de \u201cATLAS\u201d, quais s\u00e3o os pr\u00f3ximos passos do Bayside Kings? E onde voc\u00ea gostaria de levar a banda nos pr\u00f3ximos anos?<\/strong><br \/>\nOs pr\u00f3ximos passos do Bayside Kings s\u00e3o fazer \u201cATLAS\u201d rodar o m\u00e1ximo poss\u00edvel. Sinto que o disco furou a nossa pr\u00f3pria bolha e come\u00e7ou a conversar com pessoas que ainda n\u00e3o conheciam a banda. Queremos continuar chegando a esses novos p\u00fablicos e tocando em lugares que antes pareciam imposs\u00edveis. Isso significa entrar em mais festivais, mas tamb\u00e9m continuar presentes nos circuitos e nas casas em que sempre tocamos. Para n\u00f3s, \u00e9 muito importante ocupar novos espa\u00e7os sem abandonar os lugares que fizeram parte da nossa hist\u00f3ria. Ainda existe bastante coisa para trabalhar dentro de \u201cATLAS\u201d, e queremos explorar o disco por muito tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m planejamos continuar rodando o Brasil e voltar a fazer turn\u00eas fora do pa\u00eds. Queremos estar onde sentimos que pertencemos, que \u00e9 na estrada. Quem sabe tamb\u00e9m possamos retomar o Fubo, um festival que costum\u00e1vamos organizar antigamente.Vamos construir tudo isso pouco a pouco, trabalhando para fazer acontecer em vez de apenas assistir \u00e0s coisas acontecendo. Queremos melhorar cada vez mais o nosso pr\u00f3prio corre, conquistar mais estrutura, reunir mais pessoas ao nosso redor e fazer do Bayside Kings uma rede de conex\u00e3o, arte e trabalho.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"BAYSIDE KINGS | NADA PRA MIM\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_Z3obYSZoJU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013\u00a0\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Bruno Lisboa<\/a>\u00a0 escreve no Scream &amp; Yell desde 2014. A foto que abre o texto \u00e9 de Andr\u00e9 Calv\u00e3o<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Sinto que o disco furou a nossa pr\u00f3pria bolha e come\u00e7ou a conversar com pessoas que ainda n\u00e3o conheciam a banda&#8221;, diz Milton Aguiar\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/10\/07\/entrevista-bayside-kings-lanca-atlas-buscando-manter-essencia-hardcore-mas-sendo-palpavel-para-qualquer-pessoa\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":4,"featured_media":97747,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7548,4833,3],"tags":[3291],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/97746"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=97746"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/97746\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":97750,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/97746\/revisions\/97750"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/97747"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=97746"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=97746"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=97746"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}