{"id":97716,"date":"2026-10-05T10:24:37","date_gmt":"2026-10-05T13:24:37","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=97716"},"modified":"2026-10-05T10:25:43","modified_gmt":"2026-10-05T13:25:43","slug":"a-papangu-fala-sobre-celestial-disco-gravado-em-berlim-e-lancado-pela-deck-a-gente-segue-sendo-uma-banda-independente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/10\/05\/a-papangu-fala-sobre-celestial-disco-gravado-em-berlim-e-lancado-pela-deck-a-gente-segue-sendo-uma-banda-independente\/","title":{"rendered":"Entrevista: Papangu fala sobre &#8220;Celestial&#8221;, disco gravado em Berlim, e lan\u00e7ado pela Deck: &#8220;A gente segue sendo independente&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/caro.davii\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Davi Caro<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 impressionante constatar a trajet\u00f3ria que a <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/papangu.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Papangu<\/a> construiu desde sua concep\u00e7\u00e3o, em 2012. Agora com seu terceiro disco, \u201c<a href=\"https:\/\/papangu.lnk.to\/Celestial\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Celestial<\/a>\u201d (2026), devidamente lan\u00e7ado, o quinteto de Jo\u00e3o Pessoa exibe um n\u00edvel de confian\u00e7a e seguran\u00e7a art\u00edstica do tipo que raramente se v\u00ea na m\u00fasica brasileira \u2013 seja ela mainstream ou underground. Destilando a j\u00e1 bem azeitada mistura sonora que j\u00e1 tinham mostrado em seus dois \u00e1lbuns anteriores (\u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/08\/16\/entrevista-papangu-mistura-literatura-nordestina-prog-e-sludge-metal-no-disco-holoceno\/\">Holoceno<\/a>\u201d, de 2021, e \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/08\/29\/entrevistao-papangu-volta-com-rock-troncho-e-hermetocore-no-segundo-album-lampiao-rei\/\">Lampi\u00e3o Rei<\/a>\u201d, de 2024), a Papangu tamb\u00e9m vem passando por um momento de \u00f3timas novidades ap\u00f3s sua segunda turn\u00ea internacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Celestial&#8221; foi gravado de forma totalmente anal\u00f3gica, em fita magn\u00e9tica de duas polegadas, ao longo de nove dias em Berlim, logo ap\u00f3s a primeira turn\u00ea internacional da banda. J\u00e1 em 2026, Marco Mayer (baixo, voz, entre outros instrumentos), Ra\u00ed Accioly (guitarra e voz), Pedro Francisco (guitarra, voz, e outros instrumentos), Hector Ruslan (guitarra e voz), e Rodolfo Salgueiro (teclados e voz) <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/03\/27\/lollapalooza-brasil-2026-12-shows-de-uma-edicao-marcada-por-leques-publicidade-e-falta-de-identidade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">se apresentaram no Lollapalooza Brasil<\/a>, assinaram contrato com o selo Deck, e soltaram seu disco mais coeso, ambicioso e instigante at\u00e9 agora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi nesse contexto que Pedro, Marco e Rodolfo se sentaram para seu terceiro papo com o Scream &amp; Yell, no qual dissecaram o processo de grava\u00e7\u00e3o do novo disco e a intricada mistura musical que conduzem com maestria. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m falaram sobre a experi\u00eancia de tocar para plateias estrangeiras, pela mudan\u00e7a de forma\u00e7\u00e3o que se deu ap\u00f3s a sa\u00edda do baterista Vitor Alves (que deixou o grupo depois de gravar o novo \u00e1lbum), e muito mais. Confira!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Mau-Olhado\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ohk5YJ1r5m8?list=OLAK5uy_mSMXJJi6EfUia-UY46RHx_laeMK1lShrE\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quero come\u00e7ar perguntando sobre esse processo que voc\u00eas tiveram desde o lan\u00e7amento do disco, no m\u00eas passado. Como \u00e9 que voc\u00eas t\u00eam sentido a resposta das pessoas ao novo repert\u00f3rio?<\/strong><br \/>\nMarco: Bicho, tem sido muito, muito massa. O \u201cCelestial\u201d \u00e9 um disco que marca uma divis\u00e3o para a banda. De poder retratar em disco o que <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Papangu\">a gente faz no show<\/a>. Ent\u00e3o, acho que o \u201cCelestial\u201d retrata como a banda tem essa energia no show ao vivo, nessa brincadeira, nessa improvisa\u00e7\u00e3o. E a energia que a gente transp\u00f4s ali naquela grava\u00e7\u00e3o est\u00e1 bem parecida. Acho que o pessoal que tem comprado o disco e tem visto a gente tocar essas m\u00fasicas no show consegue ver esses paralelos, sabe? Consegue ver que o disco \u00e9 um retrato super fiel do que a banda consegue fazer no palco, transposto pra o laborat\u00f3rio do est\u00fadio. Foi super legal executar essas m\u00fasicas ao vivo e a gente t\u00eam alcan\u00e7ado p\u00fablicos bem diferentes do que a gente tinha conseguido antes. A gente viu no m\u00eas passado, em agosto, quando a gente fez a nossa segunda turn\u00ea internacional. O p\u00fablico l\u00e1 ia do boomer ao zoomer, desde a galera l\u00e1 com 80 anos at\u00e9 a galera bem jovem, com 18, 19 anos. Foi legal ver esse recorte demogr\u00e1fico, bem diverso, nos nossos shows.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rodolfo: O disco tem repercutido assim tanto em nichos especializados de m\u00fasica progressiva, de jazz, jazz fusion, mas tamb\u00e9m em ve\u00edculos tradicionais. E isso tem sido interessante de ver, al\u00e9m da coisa geracional que o Marcos citou, tamb\u00e9m essa coisa tanto de m\u00eddia nichada quanto de m\u00eddia especializada. E isso \u00e9 bem interessante para a gente porque reflete um pouco a experi\u00eancia recente da banda. De, numa ter\u00e7a ou quarta-feira, estar tocando num ambiente totalmente underground para poucas pessoas, mas, no final de semana, estar conseguindo acessar palcos de grandes festivais, para um p\u00fablico totalmente diverso. Ent\u00e3o isso mant\u00e9m a coisa muito din\u00e2mica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando nisso, esse ano voc\u00eas estiveram no Lollapalooza, que \u00e9 uma vitrine enorme. Como foi tocar num palco t\u00e3o grande, em um evento t\u00e3o importante, sendo parte de um lineup deste tipo?<\/strong><br \/>\nPedro: Foi muito massa. Acho que foi o evento mais produzido que a gente participou, de maior porte. A gente ficou surpreso com o tamanho mesmo do evento, passando pelo backstage, vendo o tanto de gente que trabalha nesse evento. E tamb\u00e9m a conex\u00e3o com os artistas que estavam l\u00e1. N\u00e3o tivemos muito contato com os internacionais, mas a gente conseguiu participar do mesmo palco em que KATSEYE tocou, por exemplo. Outro que tocou nesse mesmo palco foi o FBC, que tamb\u00e9m gerou uns memes na internet com o lance do black metal. P\u00fablicos distintos: isso \u00e9 bem interessante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rodolfo: Eu acho que \u00e9 uma coisa interessante do Lollapalooza: a gente v\u00ea que a distin\u00e7\u00e3o de g\u00eaneros e de cenas, digamos assim, muitas vezes parte mais das bandas e das produ\u00e7\u00f5es do que do p\u00fablico. Ele est\u00e1 menos interessado nessas distin\u00e7\u00f5es, e mais em escutar m\u00fasica que o toque de alguma forma que, talvez, seja diferente do que ele escute normalmente. Ent\u00e3o o p\u00fablico \u00e9 muito mais aberto do que as bandas acham, ent\u00e3o, \u00e0s vezes fica-se muito preso \u00e0s cenas. Mas eu acho que tem mais a ver com comunidades que voc\u00ea precisa criar. Comunidades que girem ao redor do que voc\u00ea faz e que aos poucos se expandem para outras bandas, outros estilos. Talvez os palcos mais interessantes que a Papangu tocou tenham sido os mais diversos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 bacana pensar nesses espa\u00e7os maiores que a Papangu tem ocupado, principalmente agora que voc\u00eas est\u00e3o com a Deck. Foi com eles que voc\u00eas lan\u00e7aram o single de \u201cCalado (de Olho)\u201d e, depois, o \u201cCelestial\u201d. Como \u00e9 o processo de estar dentro de um selo t\u00e3o importante?<\/strong><br \/>\nRodolfo: O legal \u00e9 que a Deck entende muito bem a din\u00e2mica de uma banda que est\u00e1 galgando novos espa\u00e7os. Ent\u00e3o, h\u00e1 muita liberdade para a gente criar o que quiser e apresentar novas ideias. Atualmente o selo faz a edi\u00e7\u00e3o das nossas m\u00fasicas, e tamb\u00e9m a distribui\u00e7\u00e3o. Mas a Papangu segue sendo uma banda independente, no sentido de produzir nossos pr\u00f3prios shows, de ir atr\u00e1s do calend\u00e1rio de turn\u00eas. Felizmente, agora podemos contar com uma base de contatos que a Deck tem e que nos ajuda muito nesse processo. \u00c9 uma din\u00e2mica que, em, menor escala, compartilha as mesmas caracter\u00edsticas, por exemplo, do que o Black Pantera vem fazendo: numa quarta-feira, eles est\u00e3o tocando no circuito underground; na quinta-feira os caras est\u00e3o no Rock in Rio. E isso \u00e9 muito massa, porque voc\u00ea consegue trabalhar a constru\u00e7\u00e3o de um p\u00fablico que est\u00e1 pr\u00f3ximo de voc\u00ea, e que consegue te acessar diretamente, mas tamb\u00e9m tocar para o mainstream. Talvez isso seja um \u201cmidstream\u201d. Ao mesmo tempo \u00e9 exigido, n\u00e3o pela Deck, mas pelo p\u00fablico, pelas bandas, e pelas produtoras, que a gente entregue um show e um profissionalismo de banda grande. Ent\u00e3o esse \u00e9 um desafio que a Papangu ainda tem que lidar, porque somos uma banda pequena, independente, onde todo mundo est\u00e1 fazendo alguma outra coisa pela banda al\u00e9m de tocar; agora \u00e9 exigido de n\u00f3s entregar o que bandas grandes entregam. Ent\u00e3o isso \u00e9 um desafio, n\u00e3o s\u00f3 do ponto de vista profissional, mas de tempo. Aos pouquinhos, a Papangu tem conseguido achar pessoas que fazem outras coisas por n\u00f3s. Por exemplo, o Bruno (Montalv\u00e3o), da Brain Booking, nos ajuda com shows; temos artistas que circulam ao redor da banda que v\u00e3o nos ajudar com artes, com capas, com flyers.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A quantidade de refer\u00eancias sonoras que voc\u00eas t\u00eam, do regional ao metal, acaba refletindo muito nas decis\u00f5es criativas da banda \u2013 inclusive de gravar o \u201cCelestial\u201d em Berlim. Voc\u00eas estavam em turn\u00ea por l\u00e1. Falem sobre a experi\u00eancia de gravar fora, j\u00e1 que foi a primeira vez que a Papangu fez isso.<\/strong><br \/>\nMarco: Foi na primeira turn\u00ea internacional da banda, e a gente teve o apoio de uma ag\u00eancia de booking estrangeira que nos convidou pra fazer parte do roteiro deles. S\u00f3 que a gente aproveitou que teria um tempo livre ap\u00f3s um show em Berlim, na Alemanha, e descobrimos que l\u00e1 tinha um est\u00fadio de um amigo nosso que j\u00e1 tinha trabalhado com a gente no \u201cLampi\u00e3o Rei\u201d (o produtor Richard Brehrens), que permitia gravar de forma 100% anal\u00f3gica. Como a gente estava aquecido depois da turn\u00ea e p\u00f4de aproveitar que os custos da viagem da turn\u00ea j\u00e1 tinham sido bancados pelos shows e pela venda de merchandising, pensamos em unir a oportunidade ao que a gente j\u00e1 tinha, e gravar logo esse esse repert\u00f3rio novo, esse disco, esse conceito, de uma vez s\u00f3. Era uma pessoa que a gente j\u00e1 conhecia e a gente j\u00e1 sabia que teria uma compatibilidade est\u00e9tica entre o que a gente tinha na cabe\u00e7a, de som e de timbre. Ent\u00e3o deu para gravar esse disco de uma maneira relativamente r\u00e1pida, em nove dias. O que \u00e9 muito pouco, e ficamos satisfeitos por poder aproveitar esse embalo da turn\u00ea. Se a gente estivesse no Brasil, provavelmente teria gravado aqui, mas teria que novamente aproveitar uma turn\u00ea no Brasil pra fazer isso, porque \u00e9 bem caro viajar em banda, n\u00e9? A gente n\u00e3o teria condi\u00e7\u00f5es de viajar pra Berlim s\u00f3 pra gravar. A gente estava com aquela alegria e sangue nos olhos, ali, pra gravar aquele disco dentro do que a gente conseguia fazer enquanto banda independente. Mas foi corrido.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Papangu \u2013 Colosso (Official Video)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/tSxeBywvyKE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O processo de grava\u00e7\u00e3o anal\u00f3gica, ent\u00e3o, n\u00e3o tinha sido algo pensado de antem\u00e3o? D\u00e1 para imaginar que tenha sido um baita aprendizado para voc\u00eas.<\/strong><br \/>\nPedro: Fazendo um paralelo com um artista que a gente trabalhou, que \u00e9 o Ivan Cordeiro: a produ\u00e7\u00e3o do v\u00eddeo de \u201cColosso\u201d, que ele fez, foi anal\u00f3gica tamb\u00e9m. Eu vi ele falando recentemente que pessoas que o procuram perguntam a ele, por exemplo, sobre qual \u00e9 a melhor c\u00e2mera para filmar. Ele diz: \u201ca melhor c\u00e2mera \u00e9 a que voc\u00ea tem\u201d. Quem tem que saber usar \u00e9 a gente. Em grava\u00e7\u00e3o anal\u00f3gica tamb\u00e9m, a melhor coisa que voc\u00ea tem \u00e9 o que est\u00e1 ao seu dispor. Penso que o importante \u00e9 a m\u00fasica, sabe? A gente teve a dificuldade de descobrir como operar aquela m\u00e1quina no momento de fazer. Ent\u00e3o, para a m\u00fasica ficar boa, tem que respeitar as as qualidades e os defeitos dela, como um instrumento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marco: Tem uma coisa que \u00e9 muito diferente entre gravar no digital e no anal\u00f3gico: na grava\u00e7\u00e3o digital tradicional que se faz hoje em dia, normalmente voc\u00ea vai para o est\u00fadio, ou voc\u00ea est\u00e1 em casa, no seu est\u00fadio de quarto, e voc\u00ea grava e at\u00e9 comp\u00f5e na hora de gravar. Voc\u00ea passa muito tempo corrigindo coisinhas, fazendo micro-corre\u00e7\u00f5es e tudo, voc\u00ea tem um milh\u00e3o de op\u00e7\u00f5es de plugins, instrumentos, e tal. E na mixagem voc\u00ea gasta ainda mais tempo. Pra deixar tudo balanceado, voc\u00ea vai cortando pausas de respira\u00e7\u00e3o, barulho do instrumento, e coisas assim. Mas na grava\u00e7\u00e3o anal\u00f3gica, o tempo que voc\u00ea gasta como um todo \u00e9 no preparo, na pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea gasta o seu tempo nas composi\u00e7\u00f5es e nos arranjos, ficando afiado. Ent\u00e3o tem muito ensaio, tem muito esmero naquele tempo de arranjo, antes de voc\u00ea finalizar a composi\u00e7\u00e3o, e depois pra voc\u00ea tocar aquilo ao vivo. Mas o tempo de gravar vai ser muito mais curto, comparado a uma grava\u00e7\u00e3o digital. Mixar tamb\u00e9m vai ser muito mais r\u00e1pido, porque depois que gravou, est\u00e1 tudo em fita magn\u00e9tica, n\u00e3o tem mais como mexer. A masteriza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m foi r\u00e1pida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rodolfo: \u00c9 uma quest\u00e3o que foi muito levantada pelas pessoas, nos perguntaram muito isso. E \u00e9 muito f\u00e1cil de fazer. Na verdade, a gente gastou menos nessa grava\u00e7\u00e3o do que a gente gastou, por exemplo, no \u201cLampi\u00e3o Rei\u201d, e com menos tempo de est\u00fadio tamb\u00e9m. Por outro lado, o custo da fita \u00e9 muito caro, n\u00e3o \u00e9 algo que voc\u00ea pode se dar ao luxo de experimentar para ver como \u00e9 que vai ficar. \u00c9 um risco alto, mas tem \u00f3timos est\u00fadios no Brasil que fazem isso. E a banda est\u00e1 quente. Vale a experimenta\u00e7\u00e3o, porque muda muito a linguagem do que voc\u00ea est\u00e1 tocando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>At\u00e9 porque voc\u00eas s\u00e3o um quinteto.<\/strong><br \/>\nRodolfo: Sim, oficialmente, a gente tem circulado e produzido em quinteto desde o \u201cLampi\u00e3o Rei\u201d, mas temos um sexto membro em Jo\u00e3o Pessoa, que se une a n\u00f3s em eventos espec\u00edficos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Inclusive, o Vitor Alves, que foi o baterista do \u201cCelestial\u201d, n\u00e3o est\u00e1 mais tocando com voc\u00eas, e foi substitu\u00eddo pelo George Alexandria. Como foi esse processo de se adaptar a um baterista novo, tendo registrado um repert\u00f3rio t\u00e3o complexo?<\/strong><br \/>\nPedro: Toquei (antes) com o George, e conhe\u00e7o ele faz acho que mais de 10 anos, quando a gente criou uma banda em 2016, para tocar stoner instrumental e rock. Nesse momento de troca, a gente pensou nele, e meio que foi un\u00e2nime. Todo mundo quis que ele estivesse junto, e foi justamente nessa virada para o Lolla. Ent\u00e3o a gente teve pouqu\u00edssimos shows antes, e o sexto show dele j\u00e1 foi no festival. Foi muito massa. A gente rapidamente fez essa conex\u00e3o. A gente est\u00e1 criando coisa nova, e ele tem muito input criativo assim dentro da banda. Ele participa muito assim, como improvisador tamb\u00e9m. Ele entende tamb\u00e9m um pouco sobre tocar instrumentos de corda. Como a gente tem muitas partes instrumentais, \u00e9 importante ter uma no\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marco: O George tem uma capacidade imensa de internalizar a m\u00fasica, entender com facilidade e com muita rapidez a estrutura relativamente complexa das m\u00fasicas que a gente comp\u00f5e. E, por j\u00e1 ter essa afinidade est\u00e9tica, ele escuta coisas um tanto parecidas, umas coisas meio tamb\u00e9m fora da nossa zona de conforto. Mas a forma\u00e7\u00e3o musical dele se complementou com a nossa de uma maneira muito boa, e encaixou perfeitamente numa qu\u00edmica que a gente alcan\u00e7ou em pouqu\u00edssimo tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rodolfo: Uma coisa muito interessante aconteceu no terceiro ou quarto ensaio com o George: a gente estava tocando \u201cTaxidermia\u201d, que \u00e9 uma das m\u00fasicas do \u201cCelestial\u201d. De repente, a gente come\u00e7ou a fazer uma jam, improvisar em cima dela, e sa\u00edram n\u00e3o uma, mas duas m\u00fasicas novas, assim, em seguida. A gente \u00e9 t\u00e3o ansioso que tem m\u00fasicas do \u201cCelestial\u201d que a gente nem est\u00e1 tocando ao vivo ainda, e j\u00e1 estamos tocando essas m\u00fasicas que a gente criou no ensaio com ele. A gente permite que cada um traga sua pr\u00f3pria linguagem, e modifique as m\u00fasicas na hora de execut\u00e1-las. At\u00e9 preferimos que a coisa evolua, que a coisa mude. O pr\u00f3prio disco \u00e9 um retrato daquele momento. Se a gente tivesse gravado o disco uma semana depois, talvez as m\u00fasicas tivessem outra pegada. Ent\u00e3o, o que \u00e9 tratado \u00e0s vezes como uma \u201chard choice\u201d, para n\u00f3s, \u00e9 algo muito, muito fluido.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Fechamento de Corpo\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/sX9GRyzogic?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O disco novo tem duas faixas instrumentais, \u201cBode Expiat\u00f3rio\u201d e \u201cCeleste\u201d. Quando voc\u00eas estavam compondo, elas j\u00e1 eram pensadas como faixas instrumentais, ou voc\u00eas chegaram a cogitar escrever letra para elas?<\/strong><br \/>\nMarco: A gente chegou a escrever letra para \u201cBode Expiat\u00f3rio\u201d, mas acho que a m\u00fasica meio que pede esse sil\u00eancio, sabe? A gente tem que ficar mudo na hora de tocar ela, porque \u00e9 uma m\u00fasica super complexa. E o jeito que a gente consegue interpretar melhor a mensagem dessa m\u00fasica \u00e9 tocando; tem muita melodia, muitos temas diferentes. Tem alguns momentos totalmente l\u00fadicos de intera\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a gente essencialmente tirando onda. Me lembra um pouco de \u201cPit\u00e1goras\u201d, dos Mutantes, ali do \u201cTudo Foi Feito Pelo Sol\u201d (1974). Acho que os temas j\u00e1 falam por si.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pedro: E acho que \u201cCeleste\u201d n\u00e3o teve, em nenhum momento, letra. Essa m\u00fasica foi sempre instrumental. A gente j\u00e1 queria ela assim mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rodolfo: \u201cColosso\u201d, por outro lado, foi inicialmente instrumental. E a\u00ed o Marco sugeriu colocar uma letra naquela melodia, que se assemelha ao que aconteceu com \u201cSol Raiar\u201d no \u201cLampi\u00e3o Rei\u201d. E temos o contr\u00e1rio acontecendo com \u201cBode Expiat\u00f3rio\u201d, mas no disco tem um outro exemplo, que \u00e9 \u201cFechamento de Corpo\u201d: Marco ensaiou o in\u00edcio de uma letra e de um vocal. Depois ele falou n\u00e3o, eu quero fazer instrumental. Essa aqui vai ficar instrumental mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marco: Isso que o Rodolfo mencionou se vincula \u00e0 m\u00e1xima que a Papangu tem toda vez que vai gravar alguma coisa: proibir ideias novas. Infelizmente a gente \u00e9 muito agoniado e, toda vez que est\u00e1 l\u00e1 no est\u00fadio, na hora de gravar, surge aquele \u00edmpeto de \u201ceu quero fazer alguma coisa diferente aqui, vamos mudar essa nota aqui, trocar esse acorde\u201d. A gente tem que tentar simplificar um pouco, porque sen\u00e3o voc\u00ea perde o fio da meada e a grava\u00e7\u00e3o que tinha. E acho que isso torna as coisas um pouco interessantes pra gente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><a href=\"https:\/\/pitchfork.com\/reviews\/albums\/papangu-celestial\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Voc\u00eas sa\u00edram na Pitchfork<\/a>, tamb\u00e9m. Pensando nessa repercuss\u00e3o, e na forma que o disco foi trabalhado em resenhas, \u00e9 muito comum se associar o som da Papangu \u00e0s refer\u00eancias que voc\u00eas trazem. D\u00e1 para encontrar pessoas falando de jazz, de maracatu, de stoner, de forr\u00f3, de metal. Como \u00e9 que voc\u00eas enxergam essa necessidade de trazer outras refer\u00eancias para tentar explicar o som de voc\u00eas? Incomoda essa ideia de \u201cest\u00e3o querendo colocar a gente numa caixinha\u201d?<\/strong><br \/>\nRodolfo: Eu acho que tem uma linha que une todos na banda, que \u00e9 o rock progressivo. Pelo menos, \u00e9 uma linha de influ\u00eancia que a gente compartilha, e que \u00e9 muito ampla. Esse \u00e9 um termo que funciona como um guarda-chuva para muita coisa. E facilita, mas ao mesmo tempo, ele n\u00e3o explica toda a influ\u00eancia nordestina, n\u00e9? Ela est\u00e1 muito presente, tematicamente, no \u201crock troncho\u201d, que \u00e9 uma brincadeira ao mesmo tempo que \u00e9 verdade. \u201cTroncho\u201d \u00e9 uma palavra que a gente usa muito aqui, e soa tipicamente nordestina, ainda que seja usada em outros lugares. E \u00e9 rock; \u00e9 rock, e \u00e9 troncho. A gente tem duas guitarras, a gente tem teclado, tem bateria, a gente tem um show com energia alta. A gente tem peso. Ent\u00e3o talvez seja f\u00e1cil dizer que \u00e9 uma banda de rock, mas a gente tamb\u00e9m \u00e9 uma banda de metal. A gente tamb\u00e9m \u00e9 uma banda de jazz. S\u00f3 que a galera do metal acha que a gente n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o metal, porque a gente n\u00e3o usa preto; \u201ca\u00ed j\u00e1 \u00e9 outra coisa, a\u00ed j\u00e1 \u00e9 outra coisa\u201d [risos]. Realmente, a gente n\u00e3o se preocupa tanto com isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marco: Tamb\u00e9m n\u00e3o me incomodo tanto com isso, n\u00e3o. Eu acho at\u00e9 engra\u00e7ado, \u00e0s vezes, quando o pessoal gosta de querer catalogar as coisas, quer colocar a gente numa caixinha. V\u00e3o dizer que a gente tem uma refer\u00eancia X, que a gente tem influ\u00eancia Y, quando o nosso ponto de partida \u00e9 totalmente distinto do que as pessoas acham que usamos como refer\u00eancia. Posso ser levemente pedante em falar isso, mas eu acho at\u00e9 que a Papangu hoje em dia chegou num n\u00edvel de maturidade composicional suficiente pra n\u00e3o precisar se questionar tanto. \u00c9 simplesmente divertido, \u00e0s vezes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma das faixas mais interessantes do disco \u00e9 \u201cIamanakaru\u201d. Qual a origem desse nome?<\/strong><br \/>\nRodolfo: \u00c9 uma outra palavra pra \u201cmandacaru\u201d, que \u00e9 um tipo de cacto do Nordeste. Ent\u00e3o, como muitas palavras de povos ind\u00edgenas, ela vai ter grafias que remetem ao som, a esses fonemas enunciados. Ela \u00e9 uma composi\u00e7\u00e3o do Hector que ele fala sobre essa bel\u00edssima planta que d\u00e1 flor, tem \u00e1gua, tem espinhos, e se protege de v\u00e1rias intemp\u00e9ries. Ela \u00e9 um monolito que est\u00e1 impregnado na nossa cultura. Ent\u00e3o, se voc\u00ea pegar m\u00fasicas de Alceu Valen\u00e7a, de Geraldo Azevedo, de Z\u00e9 Ramalho, \u00e9 uma refer\u00eancia que surge.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Imagino que muita gente deve perguntar para voc\u00eas sobre as refer\u00eancias mais regionais de voc\u00eas. Como \u00e9 que voc\u00eas encaram isso?<\/strong><br \/>\nRodolfo: Mesmo na pr\u00f3pria capa do disco tem coisas que s\u00e3o inexplic\u00e1veis aqui, n\u00e9? Tem coisas que voc\u00ea entende imediatamente, mas tem outras em que voc\u00ea suspende a descren\u00e7a. Tem um grupo de pessoas dan\u00e7ando, e uma das figuras at\u00e9 virou uma piada num grupo de WhatsApp de f\u00e3s da Papangu, porque disseram que \u00e9 o Chico Bento dan\u00e7ando [risos]. \u00c9 curioso que eu acho que vem mais um espa\u00e7o de curiosidade do que de d\u00favida, de \u201cpreciso saber o que \u00e9 isso\u201d. E \u00e9 f\u00e1cil para a gente explicar, porque a gente gosta disso. Dessas met\u00e1foras, dessas analogias. Ent\u00e3o, tamb\u00e9m gostamos de falar a respeito. A gente \u00e9 bucho furado, n\u00e9? N\u00e3o consegue guardar segredo. Daqui a pouco a gente est\u00e1 contando para todo canto o que tal letra significa, qual o t\u00edtulo da m\u00fasica, quem fez o que.<\/p>\n<figure id=\"attachment_97719\" aria-describedby=\"caption-attachment-97719\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-97719\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Capa-Celestial-por-Juliana-Lapa-1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Capa-Celestial-por-Juliana-Lapa-1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Capa-Celestial-por-Juliana-Lapa-1-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Capa-Celestial-por-Juliana-Lapa-1-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-97719\" class=\"wp-caption-text\"><em>Capa de &#8220;Celestial&#8221;, da Papangu<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 capa do disco: ela foi feita depois que o disco j\u00e1 estava pronto, ou ela foi feita em paralelo, com uma coisa retroalimentando a outra?<\/strong><br \/>\nMarco: Depois que a gente terminou de gravar tudo, mandamos as m\u00fasicas para a Juliana (Lapa), e ela criou a partir da pr\u00f3pria audi\u00e7\u00e3o. A interpreta\u00e7\u00e3o dela foi totalmente distinta do que uma pessoa teria feito lendo as letras, racionalizando tudo. S\u00e3o tr\u00eas pain\u00e9is distintos, que se comunicam entre si, e uns respondem perguntas que est\u00e3o em outro quadro. Ent\u00e3o, \u00e9 bem legal como essa parte, da arte gr\u00e1fica da Juliana, conseguiu se comunicar com o que a gente fez e com o que n\u00f3s somos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rodolfo: Eu fico assim um pouco triste, \u00e0s vezes, quando eu vejo uma banda muito boa e interessante que vai l\u00e1 e faz uma capa que parece um flyer publicit\u00e1rio, sabe? N\u00e3o tem um conceito. Se o disco \u00e9 conceitual e voc\u00ea consegue agregar um outro artista \u00e0quilo, voc\u00ea engrandece as duas coisas, como era muito feito no passado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marco: \u00c9 outra coisa quando a banda consegue um certo espa\u00e7o, podendo realmente retroinvestir na produ\u00e7\u00e3o da sua m\u00fasica. A\u00ed passa a alimentar aquele pequeno ecossistema da ind\u00fastria da m\u00fasica; voc\u00ea passa a ser uma banda que contrata artista gr\u00e1fico, que tem uma rela\u00e7\u00e3o com t\u00e9cnicos de som, ou de luz. E a\u00ed voc\u00ea passa a contratar essas pessoas pra fazer esses servi\u00e7os e elas tamb\u00e9m conseguem expor trabalhos em determinados cen\u00e1rios, e formar essa comunidade de pessoas que trabalham na ind\u00fastria da m\u00fasica e que fazem coisas s\u00e9rias assim.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Bode Expiat\u00f3rio\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/rQQr1-zfQ0s?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sobre as m\u00fasicas novas: escutando o \u201cCelestial\u201d agora, qual seria a m\u00fasica favorita de cada um de voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nMarco: Bicho, \u00e9 tipo escolher filho, sabe? [risos] Ou pelo menos essa \u00e9 a resposta oficial que eu dou \u2013 \u00e9 feito escolher filho. N\u00e3o quero escolher, porque tamb\u00e9m muda todo dia. A m\u00fasica que eu quero ouvir, hoje, e \u00e9 o que est\u00e1 na minha cabe\u00e7a, \u00e9 uma m\u00fasica que eu n\u00e3o sei como a gente conseguiu gravar: \u201cBode Expiat\u00f3rio\u201d. N\u00e3o sei como a gente conseguiu sequer compor, porque o processo composicional dela foi de juntar retalhos de uma m\u00fasica que eu tinha feito, com retalhos de outra m\u00fasica que eu tinha feito, com retalhos de outra m\u00fasica que o Pedro tinha feito. E a\u00ed, fazer esse grande Frankenstein, cheio de enxertos, deu certo. Eu fico impressionado escutando, pensando que a gente conseguiu fazer uma m\u00fasica t\u00e3o, digamos, esquisita. E do jeito que a gente fez, gravando ao vivo, \u00e9 muito doido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rodolfo: Curiosamente, eu tamb\u00e9m vou com \u201cBode Expiat\u00f3rio\u201d. Ela tem muita varia\u00e7\u00e3o, muitos momentos diferentes. Ela tem espa\u00e7o para a gente improvisar, \u00e9 uma m\u00fasica que vai se tornar mais interessante ao vivo, porque \u00e9 uma colcha de retalhos. E a\u00ed ela facilmente pode ter suas partes esticadas, ou diminu\u00eddas, para que ao vivo a gente explore todo o improviso e tamb\u00e9m traga o p\u00fablico pra, de repente, cantar junto as partes que n\u00e3o est\u00e3o no disco, porque a gente faz isso tamb\u00e9m. [risos]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marco: A gente tem que ver tamb\u00e9m o que o George vai fazer nessa m\u00fasica, n\u00e9? Porque ele tem uma capacidade criativa absurda, e a gente tem que ver como \u00e9 que ele vai reinterpretar tudo. Tem uma coisa engra\u00e7ada, nessas \u00faltimas turn\u00eas que a gente fez desde que ele entrou na banda, que foi tocar um repert\u00f3rio j\u00e1 antigo, que estava mais ou menos cristalizado nas performances, mas com a bagagem e a interpreta\u00e7\u00e3o totalmente distintas dele. Ent\u00e3o \u201c\u00c1gua Branca\u201d e \u201cS\u00e3o Francisco\u201d agora s\u00e3o m\u00fasicas totalmente diferentes. A gente tem tocado elas em quase todos os shows, mas desde que ele entrou, todo show tem sido uma surpresa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pedro: Eu ia responder \u201cBode Expiat\u00f3rio\u201d tamb\u00e9m, mas todo mundo respondeu com ela [risos], ent\u00e3o vou escolher \u201cFechamento de Corpo\u201d, que \u00e9 uma m\u00fasica bem diversa tamb\u00e9m, \u00e9 super complexa. Tem muitas camadas, e acho que d\u00e1 para ouvir 500 vezes e sempre achar coisas novas. E foi uma das m\u00fasicas que a gente mais trabalhou tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Papangu \u2013 Calado (de Olho) | Live @ Lollapalooza Brasil 2026\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ScVGU64mvFM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=4cfQaQO-YD4\">\u00a0Davi Caro<\/a>\u00a0\u00e9 professor<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=4cfQaQO-YD4\">,<\/a>\u00a0tradutor, <a class=\"google-anno\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/09\/15\/critica-fito-paez-o-mundo-cabe-em-uma-cancao-e-uma-egotrip-recheada-de-inseguranca-e-de-grandes-cancoes\/#\" data-google-vignette=\"false\" data-google-interstitial=\"false\">\u00a0<span class=\"google-anno-t\">m\u00fasico<\/span><\/a>, escritor e estudante de Jornalismo. Leia mais textos dele\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/author\/davi-caro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Celestial&#8221; foi gravado de forma totalmente anal\u00f3gica, em fita magn\u00e9tica de duas polegadas, ao longo de nove dias em Berlim, logo ap\u00f3s a primeira turn\u00ea internacional da banda.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/10\/05\/a-papangu-fala-sobre-celestial-disco-gravado-em-berlim-e-lancado-pela-deck-a-gente-segue-sendo-uma-banda-independente\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":134,"featured_media":97718,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7548,4833,3],"tags":[5284],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/97716"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/134"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=97716"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/97716\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":97723,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/97716\/revisions\/97723"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/97718"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=97716"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=97716"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=97716"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}