{"id":97687,"date":"2026-10-01T00:21:36","date_gmt":"2026-10-01T03:21:36","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=97687"},"modified":"2026-10-01T00:22:50","modified_gmt":"2026-10-01T03:22:50","slug":"entre-o-ruido-e-o-sublime-chapterhouse-e-terraplana-honram-o-shoegaze-ao-vivo-no-cine-joia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/10\/01\/entre-o-ruido-e-o-sublime-chapterhouse-e-terraplana-honram-o-shoegaze-ao-vivo-no-cine-joia\/","title":{"rendered":"Entre o ru\u00eddo e o sublime, Chapterhouse e terraplana honram o shoegaze em S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de <a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Capelas<\/a><\/strong><br \/>\nfotos\u00a0<strong>de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/pg\/fernandoyokotafotografia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Fernando Yokota<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 de hoje que o fen\u00f4meno acontece, mas talvez seja cada vez mais dif\u00edcil negar: o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=shoegaze\">shoegaze<\/a> est\u00e1 na moda. \u00c9 o que explica porque algumas centenas de pessoas ocuparam o Cine Joia em plena ter\u00e7a-feira \u00e0 noite, 29 de setembro, para ouvir as guitarras ruidosas de <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/08\/17\/andrew-sherriff-chapterhouse-o-shoegaze-transcende-o-tempo-e-as-modas\/\">Chapterhouse<\/a> e <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=terraplana\">terraplana<\/a> em alt\u00edssimo volume. Expor os ouvidos a um som repleto de camadas a mais de 100 decibeis talvez n\u00e3o seja o programa mais t\u00edpico para a maioria das pessoas \u2013 ainda mais numa data que oferecia debates para governador e a final do 13\u00ba Masterchef Amadores na TV \u2013, mas foi o que muita gente decidiu fazer com seu tempo na capital paulista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre adolescentes que descobriram o g\u00eanero nas redes sociais a grisalhos que testemunharam seu auge, a casa de shows no centro de S\u00e3o Paulo j\u00e1 registrava bom p\u00fablico quando os paranaenses do terraplana subiram ao palco, por volta das 20h15. Talvez o principal nome do shoegaze nacional na atualidade, o grupo tem acumulado cancha n\u00e3o s\u00f3 em turn\u00eas pelo Brasil ou mundo afora, mas tamb\u00e9m servindo como banda de abertura padr\u00e3o quando representantes do g\u00eanero v\u00eam ao Pa\u00eds \u2013 o que j\u00e1 aconteceu com <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Slowdive\">Slowdive<\/a>, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Deafheave\">Deafheaven<\/a>, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/11\/08\/entre-o-shoegaze-e-o-slowcore-terraplana-e-horse-jumper-of-love-cativam-publico-em-sao-paulo\/\">Horse Jumper of Love<\/a> e Turnover e n\u00e3o gerou surpresa ao se repetir com a vinda dos pioneiros ingleses, em meio \u00e0 comemora\u00e7\u00e3o de 35 anos do \u00e1lbum \u201cWhirlpool\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_97689\" aria-describedby=\"caption-attachment-97689\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-97689 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/2026-09-29-terraplana-3000px-BXQ_1755.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/2026-09-29-terraplana-3000px-BXQ_1755.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/2026-09-29-terraplana-3000px-BXQ_1755-225x300.jpg 225w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-97689\" class=\"wp-caption-text\"><em>terraplana<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Curiosamente, tal experi\u00eancia na estrada n\u00e3o se reflete numa comunica\u00e7\u00e3o ativa com o p\u00fablico. Sob os holofotes do Joia, o terraplana n\u00e3o d\u00e1 muito espa\u00e7o para conversa e emenda uma m\u00fasica na outra, no m\u00e1ximo falando um \u201cobrigado\u201d ou se enrolando nas palavras para divulgar a banca de merch. A intera\u00e7\u00e3o com a plateia, por\u00e9m, n\u00e3o deixa de acontecer, mas se d\u00e1 pela capacidade da banda de construir boas can\u00e7\u00f5es em camadas de guitarra em alto volume, como se v\u00ea em \u201cSalto no Escuro\u201d ou \u201cDesaparecendo\u201d, dois temas do \u00e1lbum \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/03\/11\/critica-natural-o-segundo-disco-do-terraplana\/\">Natura<\/a>l\u201d, de 2025.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 mesmo quando emenda por uma veia pop \u2013 flertando com os refr\u00e3os do loud-quiet-loud, no mais pop que o shoegaze pode ser \u2013, o terraplana n\u00e3o abre m\u00e3o do peso e do alto volume. \u00c9 o que fica claro em can\u00e7\u00f5es como \u201cSNC\u201d, \u201chear a whisper\u201d ou \u201ccharlie\u201d, por exemplo, em que a voz da baixista Stephani Heuczuk paira sobre as guitarras dos colegas Vin\u00edcius Louren\u00e7o e Cassiano Kruchelski, enquanto o baterista Wendeu Silv\u00e9rio faz uma cama de forte sustenta\u00e7\u00e3o para o conjunto.<\/p>\n<figure id=\"attachment_97691\" aria-describedby=\"caption-attachment-97691\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-97691\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/2026-09-29-terraplana-3000px-BXQ_1717.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/2026-09-29-terraplana-3000px-BXQ_1717.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/2026-09-29-terraplana-3000px-BXQ_1717-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-97691\" class=\"wp-caption-text\"><em>terraplana<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo de quarenta minutos, o que o terraplana produz \u00e9 um bonito show, j\u00e1 capaz de deixar algum zumbido pairando nos ouvidos de quem estava no antigo cinema do bairro da Liberdade. Liricamente, o grupo tamb\u00e9m ofereceu algumas respostas para quem tenta entender o porqu\u00ea do shoegaze ressoar tanto nos dias de hoje: em meio ao ru\u00eddo, muitas das letras dos paranaenses falam em fugas, sussurros, mem\u00f3rias e esquecimentos, como uma esp\u00e9cie de rea\u00e7\u00e3o l\u00f3gica a uma realidade cada vez mais difusa e complexa. \u00c9 algo que ecoa o que o pr\u00f3prio Stephen Patman, do Chapterhouse, disse <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/episode\/602yZ3ykqGEcQLOnJGTRKX\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">numa entrevista recente<\/a> ao Programa de Indie: \u201cfaz sentido que muita gente queira escutar m\u00fasica que queira tirar o ouvinte da realidade e coloc\u00e1-lo em um lugar mais bonito.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Inglaterra dos anos 1980, quando o Chapterhouse foi formado, tamb\u00e9m n\u00e3o era exatamente um lugar bonito. O pa\u00eds vivia o final dos anos Thatcher, numa combina\u00e7\u00e3o de destrui\u00e7\u00e3o do estado de bem-estar social, neoliberalismo e desindustrializa\u00e7\u00e3o que fazia o futuro soar nebuloso \u2013 o que explica o surgimento de bandas como Slowdive, Ride e My Bloody Valentine. \u00c9 tamb\u00e9m o caso do grupo de Reading, cujo som nunca propriamente alcan\u00e7ou as paradas de sucesso, mas se tornou fen\u00f4meno de culto com a revaloriza\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea do shoegaze.<\/p>\n<figure id=\"attachment_97692\" aria-describedby=\"caption-attachment-97692\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-97692\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/2026-09-29-chapterhouse-3000px-BXQ_1934.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/2026-09-29-chapterhouse-3000px-BXQ_1934.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/2026-09-29-chapterhouse-3000px-BXQ_1934-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-97692\" class=\"wp-caption-text\"><em>Chapterhouse<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 bom que se diga que o Chapterhouse tamb\u00e9m nunca foi exatamente uma banda \u201cs\u00f3\u201d de shoegaze. A fuga ao estere\u00f3tipo j\u00e1 come\u00e7a a ser provada antes mesmo do grupo adentrar o palco, o que aconteceria s\u00f3 por volta das 21h30: ainda testando o som, o baterista Ashley Bates j\u00e1 come\u00e7a a interagir com a plateia, enviando at\u00e9 mesmo uma c\u00f3pia do setlist da noite como avi\u00e3ozinho-spoiler para a pista. Ao longo do show, Bates seria o mais empolgado do quinteto ingl\u00eas, convidando o p\u00fablico para bater palmas e gritar. \u201c\u00c9 dif\u00edcil colocar em palavras o que estamos sentindo por causa de voc\u00eas hoje. Voc\u00eas s\u00e3o incr\u00edveis\u201d, diria ele ao fim do espet\u00e1culo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seus primeiros n\u00fameros, o Chapterhouse tamb\u00e9m escapa ao clich\u00ea: apesar de estarem soterradas em camadas das tr\u00eas guitarras executadas por Andrew Sheriff, Stephen Patman e Joe Light, n\u00e3o s\u00e3o poucas as can\u00e7\u00f5es do grupo que t\u00eam um car\u00e1ter mais dan\u00e7ante do que a m\u00e9dia do estilo. Logo no in\u00edcio, quando eles executam os dois maiores hits de \u201cWhirlpool\u201d \u2013 \u201cPearl\u201d e \u201cBreather\u201d \u2013, n\u00e3o s\u00e3o poucos os presentes que se arriscam em elaborados passos de dan\u00e7a na pista do Cine Joia, indo muito al\u00e9m dos pulos roqueiros ou da simples contempla\u00e7\u00e3o de sapatos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_97693\" aria-describedby=\"caption-attachment-97693\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-97693\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/2026-09-29-chapterhouse-300220px-BXQ_1882.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/2026-09-29-chapterhouse-300220px-BXQ_1882.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/2026-09-29-chapterhouse-300220px-BXQ_1882-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-97693\" class=\"wp-caption-text\"><em>Chapterhouse<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao mesmo tempo, o repert\u00f3rio do disco celebrado em S\u00e3o Paulo na \u00edntegra tamb\u00e9m guarda belas melodias e declara\u00e7\u00f5es de amor \u2013 caso de \u201cIf You Want Me\u201d, um dos momentos mais bonitos do show, refor\u00e7ando o car\u00e1ter \u201cflutuante\u201d da noite. Mais do que o car\u00e1ter doce de algumas can\u00e7\u00f5es, por\u00e9m, o que se ouve mesmo \u00e9 um som ensurdecedor: seguindo um padr\u00e3o do g\u00eanero, o Chapterhouse toca alto. Muito alto: na maior parte do concerto, a m\u00e9dia de volume gira em torno dos 95 decibeis, alcan\u00e7ando picos de 105 dB e 110 dB \u2013 acima de uma britadeira, uma motocicleta ou um cortador de grama, por exemplo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 o tipo de coisa que acontece em qualquer show, ou mesmo em qualquer lugar. Mas talvez esteja justamente nela uma camada de aprecia\u00e7\u00e3o que faz muita gente se interessar pelo shoegaze: ver uma banda do g\u00eanero ao vivo \u00e9 uma experi\u00eancia quase imposs\u00edvel de se reproduzir na sala de casa, a menos que se trate de um audi\u00f3filo sem vizinhos sens\u00edveis. \u00c9 algo ainda mais salutar em tempos de fones de ouvido, caixinhas JBL e toda sorte de audi\u00e7\u00e3o individualizada de m\u00fasica.<\/p>\n<figure id=\"attachment_97694\" aria-describedby=\"caption-attachment-97694\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-97694\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/2026-09-29-chapterhouse-3000px-BXQ_1800.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/2026-09-29-chapterhouse-3000px-BXQ_1800.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/2026-09-29-chapterhouse-3000px-BXQ_1800-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-97694\" class=\"wp-caption-text\"><em>Chapterhouse<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns podem achar que \u00e9 masoquismo submeter os t\u00edmpanos a t\u00e3o alto volume. Talvez seja \u2013 e, v\u00e1 l\u00e1, esse est\u00edmulo tamb\u00e9m pode fazer parte do apelo moderno do shoegaze. Mas, em meio ao ru\u00eddo, \u00e9 poss\u00edvel encontrar algo de sublime no que o Chapterhouse oferece ao longo dos primeiros 45 minutos do show, numa sensa\u00e7\u00e3o que vai al\u00e9m da beleza valorizada pelos mel\u00f4manos. O impacto poderia at\u00e9 ter sido maior, n\u00e3o fosse a falta de educa\u00e7\u00e3o do p\u00fablico: da metade para tr\u00e1s da pista do Cine Joia, n\u00e3o foram poucos os que tentaram botar a conversa em dia por cima do glorioso barulho da banda inglesa, num esfor\u00e7o t\u00e3o v\u00e3o quanto inc\u00f4modo para os convivas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Finalizado o repert\u00f3rio de \u201cWhirlpool\u201d, o Chapterhouse desce ao camarim para uma r\u00e1pida pausa, sob muitos aplausos. No retorno, \u00e9 a vez do grupo se dedicar ao repert\u00f3rio do disco \u201cBlood Music\u201d, lan\u00e7ado em 1993 e j\u00e1 um bocado distante das paredes de guitarras da estreia. Mais suingadas, as can\u00e7\u00f5es por vezes deixam entrever as liga\u00e7\u00f5es com outros monumentos do rock brit\u00e2nico \u2013 caso do Stone Roses ou at\u00e9 mesmo dos Smiths, numa influ\u00eancia que pode ser sentida tanto nas ambi\u00eancias de guitarra \u00e0 la Johnny Marr quanto no vocal lamentoso de Patman, por vezes soando como um Morrissey com menos afeta\u00e7\u00e3o. J\u00e1 nos sete minutos de \u201cLove Forever\u201d, que deu fim ao segundo set do show, o paralelo \u00e9 com outros contempor\u00e2neos dos ingleses: o Primal Scream em sua fase \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/04\/06\/1991-the-year-creation-records-broke\/\">Screamadelica<\/a>\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_97696\" aria-describedby=\"caption-attachment-97696\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-97696 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/2026-09-29-chapterhouse-3000px-BXQ_1808.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/2026-09-29-chapterhouse-3000px-BXQ_1808.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/2026-09-29-chapterhouse-3000px-BXQ_1808-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-97696\" class=\"wp-caption-text\"><em>Chapterhouse<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para muita gente, parecia o fim. Afinal, as luzes mudaram de tom, os alto-falantes come\u00e7aram a tocar m\u00fasica e houve quem se direcionasse para a porta. At\u00e9 que Ashley Bates subiu de novo ao palco, provocando os presentes. \u201cQuem p\u00f4s essa porra de m\u00fasica?\u201d, questionou na sequ\u00eancia Stephen Patman, dando a senha para a banda executar um lado-B mais que apreciado: \u201cMesmerise\u201d. Para terminar, o momento mais ruidoso da noite. \u201cVamos fechar com uma das nossas primeiras m\u00fasicas. \u00c9 crua, mas \u00e9 \u2018fucking great!\u201d, disse Sheriff, antes de atacar com \u201cNeed (Somebody)\u201d, uma barulheira do cacete que explica por que os Stooges s\u00e3o listados pelo quinteto ingl\u00eas como uma de suas bandas favoritas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi um grande final para um belo show \u2013 e tamb\u00e9m para a maratona de concertos promovida pela Balaclava Records na capital paulista, entre o Balaclava Fest e espet\u00e1culos solo de nomes variados como Sharp Pins, Bar Italia, Sudan Archives ou High Vis. Para quem se disp\u00f4s a acompanhar parte ou toda a empreitada, o zumbido nos ouvidos e as dores na lombar e nas pernas talvez sejam grandes. N\u00e3o maiores, contudo, do que o sorriso no rosto de poder testemunhar esse fen\u00f4meno t\u00e3o raro chamado \u201cm\u00fasica boa sendo feita ao vivo\u201d. Mas fica o aviso: se persistirem os sintomas, consulte um m\u00e9dico.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Chapterhouse - Treasure @ Cine Joia, S\u00e3o Paulo - 29\/09\/2026\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_44AwuYMJSk?list=PLYyWtuzHXuh8\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Bruno Capelas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@noacapelas)<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista. Apresenta o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/programadeindie\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Programa de Indie<\/a>\u00a0e escreve a newsletter\u00a0<a href=\"https:\/\/meusdiscosmeusdrinks.substack.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Meus Discos, Meus Drinks e Nada Mais<\/a>. Colabora com o Scream &amp; Yell desde 2010.<\/em><br \/>\n<em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/fernandoyokotafotografia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Fernando Yokota<\/a>\u00a0\u00e9 fot\u00f3grafo de shows e de rua. Conhe\u00e7a seu trabalho:\u00a0<a href=\"http:\/\/fernandoyokota.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/fernandoyokota.com.br\/<\/a>\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Alguns podem achar que \u00e9 masoquismo submeter os t\u00edmpanos a t\u00e3o alto volume. Talvez seja. 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