{"id":97661,"date":"2026-09-29T11:08:48","date_gmt":"2026-09-29T14:08:48","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=97661"},"modified":"2026-10-20T00:28:58","modified_gmt":"2026-10-20T03:28:58","slug":"tres-shows-gueersh-nigeria-futebol-clube-vera-fischer-era-clubber","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/09\/29\/tres-shows-gueersh-nigeria-futebol-clube-vera-fischer-era-clubber\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas shows: gueersh, Nig\u00e9ria Futebol Clube, Vera Fischer Era Clubber"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/ociocretino\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alexandre Lopes<\/a><br \/>\nfotos de Julia Rocha (gueersh)<br \/>\nfotos de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/dougmosh.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Doug Mosh<\/a> (Nig\u00e9ria \/ Veras)<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-97663\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/gueersh.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"606\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/gueersh.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/gueersh-300x242.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>gueersh no Centro da Terra (08\/09)<\/strong><br \/>\nNa ter\u00e7a-feira p\u00f3s-feriado da Independ\u00eancia, a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=gueersh\">gueersh<\/a> levou ao Centro da Terra, em S\u00e3o Paulo, uma apresenta\u00e7\u00e3o especial batizada de \u201cColetivas M\u00e3os\u201d. O risco era consider\u00e1vel: em vez de apostar nos bons momentos j\u00e1 conhecidos de \u201cTempo El\u00e1stico\u201d (2023) e \u201cInterfer\u00eancias na Fazendinha\u201d (2024), a banda fluminense radicada na capital paulista decidiu tocar na \u00edntegra \u201cMacarr\u00e3o de Guerrilha\u201d (2026), disco que s\u00f3 chegaria \u00e0s plataformas na semana seguinte. Para uma plateia que ainda n\u00e3o conhecia aquelas m\u00fasicas, poderia ser uma aposta ingrata. Mas passou bem longe disso. No palco, L\u00edvia Gomes (voz e synths), David Dinucci (guitarra), Guilherme Paz (guitarra e percuss\u00e3o), Thomaz Alves (baixo) e Igor Arruda (bateria), ganharam o refor\u00e7o de Eduardo Manso, respons\u00e1vel pelas manipula\u00e7\u00f5es e colagens sonoras e tamb\u00e9m coprodutor do \u00e1lbum. Juntos, eles constru\u00edram uma performance que n\u00e3o pretendia apenas reproduzir o disco, mas descobrir diante do p\u00fablico at\u00e9 onde aquelas m\u00fasicas poderiam chegar. A abertura com \u201cNova Esperan\u00e7a\u201d j\u00e1 indicava o caminho: baterias inquietas e baixo firme sustentavam linhas de guitarras tortas, enquanto synths, vozes, ru\u00eddos e colagens ajudavam a criar uma atmosfera quase quim\u00e9rica. Era um som dif\u00edcil de enquadrar, mas fascinante de acompanhar como um novo organismo que ia se transformando diante dos ouvidos e olhos. As retroproje\u00e7\u00f5es org\u00e2nicas e mutantes de Ruth con Teache e Isabela Besen remetiam aos Liquid Light Shows (experi\u00eancias visuais que acompanharam os primeiros shows do Pink Floyd ainda com Syd Barrett no underground londrino dos anos 1960). Assim, som e imagem funcionavam como partes intr\u00ednsecas da mesma viagem. \u201cTempo das Coisas\u201d foi um dos melhores exemplos da diferen\u00e7a entre a gueersh no disco e no palco: a grava\u00e7\u00e3o n\u00e3o chega a produzir o mesmo impacto que a m\u00fasica tem ao vivo, quando ganha mais peso e cad\u00eancia. \u201cGuerreires do J\u00f3quei\u201d criou uma esp\u00e9cie de transe coletivo com ritmos repetitivos e hipn\u00f3ticos. Em &#8220;Sempre Pode Ser&#8221;, L\u00edvia mostrou que n\u00e3o est\u00e1 com medo de experimentar as diferentes nuances de sua voz e soltou o gog\u00f3 como nunca. J\u00e1 \u201cMangueira Prata\u201d levou a apresenta\u00e7\u00e3o para um lugar ainda mais viajante perto do fim. Mas o p\u00fablico n\u00e3o pareceu disposto a encerrar a experi\u00eancia ali e pediu mais. A gueersh voltou para um bis com uma m\u00fasica in\u00e9dita que n\u00e3o faz parte do novo \u00e1lbum, mostrando que a banda ainda tem mais maluquices instigantes guardadas. Que venham mais shows assim da gueersh em teatros.<\/p>\n<hr \/>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-97665 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/nigeria.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"606\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/nigeria.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/nigeria-300x242.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nig\u00e9ria Futebol Clube na Casa Natura Musical (10\/09)<\/strong><br \/>\nO <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Nig%C3%A9ria+Futebol+Clube\">Nig\u00e9ria Futebol Clube<\/a> abriu a noite na Casa Natura depois de passar o dia gravando uma participa\u00e7\u00e3o no programa Cultura Livre. Se havia alguma tens\u00e3o acumulada pela tarde inteira de grava\u00e7\u00f5es, o coletivo resolveu desopilar da maneira mais adequada poss\u00edvel para eles mesmos: com um longo improviso noise\/free jazz, em que m\u00fasicos e convidados se alternavam entre vocais, trompete e bateria no palco. Para quem j\u00e1 conhecia a banda, n\u00e3o era nada muito fora do modus operandi imprevis\u00edvel do grupo. O trio fixo de Itaquaquecetuba formado por Concei\u00e7\u00e3o, Rodrigo e Eduardo Lengui ganhou a companhia de uma dupla de palha\u00e7os queer que ocupava o palco com dan\u00e7as e caras e bocas. Concei\u00e7\u00e3o de repente surgiu agachado no meio da plateia, invocando no microfone sem fio &#8220;os inquilinos da noite&#8221; para o espet\u00e1culo. No palco, Derick (tamb\u00e9m guitarrista da D\u2019Artagnan N\u00e3o Mora Mais Aqui) tocava o trompete de maneira estridente. Lengui segurava o tempo no baixo e Rodrigo manipulava noises na guitarra e loops nos pedais. Depois de cerca de 11 minutos de improvisa\u00e7\u00e3o instrumental, o grupo entrou em uma longa jam que misturava seu lado mais rock e no wave, evocando a letra de \u201cNerds\/Punks\u201d. \u201cAfinal, para quem voc\u00ea paga pau?\u201d, perguntava Concei\u00e7\u00e3o ao microfone enquanto acelerava o ritmo. A disson\u00e2ncia permanecia em primeiro plano e, no rostos dos espectadores, as express\u00f5es se alternavam entre caras de admira\u00e7\u00e3o, confus\u00e3o ou \u00eaxtase. Os palha\u00e7os continuavam dan\u00e7ando em meio ao caos, que tamb\u00e9m ganhava momentos groovados com algumas batidas dan\u00e7antes por parte dos m\u00fasicos. Quem nunca tinha visto o Nig\u00e9ria ao vivo provavelmente n\u00e3o entendeu muita coisa. Mas o p\u00fablico cativo do projeto, que sempre est\u00e1 presente, embarcou na vibe: rodas de dan\u00e7a e pogo se abriam sem aviso na Casa Natura. No meio do furdun\u00e7o, sobrou provoca\u00e7\u00f5es ao governador de S\u00e3o Paulo, Tarc\u00edsio de Freitas: \u201co carioca n\u00e3o vai privatizar\u201d, repetia um dos palha\u00e7os no microfone. A frase poderia soar deslocada para quem estava ali s\u00f3 aguardando a apresenta\u00e7\u00e3o do Vera Fischer Era Clubber a seguir, mas combinava perfeitamente com a l\u00f3gica contestadora do grupo: jogar ideias, corpos, ru\u00eddos e manifesta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas no mesmo caldeir\u00e3o e deixar que cada um lide com aquilo. No Nig\u00e9ria Futebol Clube, o improviso n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um intervalo ou extens\u00e3o entre as m\u00fasicas: \u00e9 a pr\u00f3pria linguagem do show. E, naquela noite, a banda n\u00e3o parecia muito interessada em oferecer legenda ou int\u00e9rprete para quem n\u00e3o falava seu idioma. Azar de quem n\u00e3o conseguiu se deixar embalar por essa balb\u00fardia pitoresca.<\/p>\n<hr \/>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-97666 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/veras.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"606\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/veras.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/veras-300x242.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vera Fischer Era Clubber na Casa Natura Musical (10\/09)<\/strong><br \/>\nDepois do Nig\u00e9ria Futebol Clube, as <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Vera+Fischer+Era+Clubber\">Veras<\/a> subiram ao palco da Casa Natura Musical para a \u00faltima apresenta\u00e7\u00e3o dedicada inteiramente ao repert\u00f3rio de estreia de \u201cVeras I\u201d, lan\u00e7ado em 2025. Come\u00e7ando pela falsa bossa nova de \u201cAltinha\u201d, Crystal conduziu o show entre conversas com a plateia, provoca\u00e7\u00f5es de sexualidade escrachada, momentos de vulnerabilidade e boas doses de autoironia. Ao redor dela, Malu (baixo), Pek0 (beats) e Vick Luz (teclas) constru\u00edram uma base segura, potencializada pela estrutura da casa. O repert\u00f3rio avan\u00e7ou gradualmente de momentos mais introspectivos para outros em que a plateia passou a participar cada vez mais. Nas faixas mais dan\u00e7antes, como \u201cA Gata Agora\u201d, \u201cLololove U\u201d e \u201cVera Fischer Era Clubber\u201d, as letras voltavam do p\u00fablico em coro, com uma intensidade que dizia tanto sobre as pr\u00f3prias can\u00e7\u00f5es quanto sobre a rela\u00e7\u00e3o j\u00e1 constru\u00edda entre o grupo e quem estava ali. Antes de \u201cEu Sem Depress\u00e3o\u201d, Crystal construiu uma s\u00e9rie de loops com a pr\u00f3pria voz, alternando risadas e vocaliza\u00e7\u00f5es que se repetiam ao longo da can\u00e7\u00e3o. O recurso acentuava o car\u00e1ter borderline da faixa e tamb\u00e9m evidenciava uma caracter\u00edstica importante do show: a vocalista n\u00e3o se limita a apenas cantar as m\u00fasicas, mas tamb\u00e9m transforma o pr\u00f3prio corpo e interpreta\u00e7\u00e3o em parte da instrumenta\u00e7\u00e3o. \u00c9 nesse ponto que as Veras parecem encontrar sua maior for\u00e7a ao vivo. Beats, letras debochadas e presen\u00e7a de palco se misturam e s\u00e3o abra\u00e7ados pelos f\u00e3s. Crystal provoca e o p\u00fablico responde na mesma moeda. A sexualidade expl\u00edcita e o humor fazem parte dessa troca e identifica\u00e7\u00e3o. Tendo participado da audi\u00e7\u00e3o antecipada de \u201cVeras II\u201d na noite anterior, no Porta, ficou inevit\u00e1vel imaginar como aquela mesma plateia receberia as novas can\u00e7\u00f5es. O segundo disco apresenta instrumentais mais elaborados, letras que avan\u00e7am para o autoconhecimento e batidas mais pesadas. Mas a \u00faltima noite dedicada a \u201cVeras I\u201d terminou deixando essa curiosidade no ar. O encontro com \u201cVeras II\u201d ficou somente para o show de lan\u00e7amento do disco, marcado para 15 de outubro, no Sesc Avenida Paulista.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-97667 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/veras3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"938\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/veras3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/veras3-240x300.jpg 240w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p><em>Alexandre Lopes (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/ociocretino\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">@ociocretino<\/a>) \u00e9 jornalista e assina o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ociocretino.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">www.ociocretino.blogspot.com.br<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"gueersh surpreende mostrando novo \u00e1lbum ao vivo; Nig\u00e9ria Futebol Clube promove balb\u00fardia pitoresca; Vera Fischer Era Clubber explora sexualidade escrachada\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/09\/29\/tres-shows-gueersh-nigeria-futebol-clube-vera-fischer-era-clubber\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":101,"featured_media":97668,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7549,3],"tags":[6646,7554,8205],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/97661"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/101"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=97661"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/97661\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":97671,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/97661\/revisions\/97671"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/97668"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=97661"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=97661"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=97661"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}