{"id":97643,"date":"2026-09-28T09:57:07","date_gmt":"2026-09-28T12:57:07","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=97643"},"modified":"2026-10-02T00:03:05","modified_gmt":"2026-10-02T03:03:05","slug":"entrevista-o-processo-artistico-exige-ousadia-diz-felipe-antunes-que-esta-lancando-danca-do-universo-projeto-em-disco-e-livro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/09\/28\/entrevista-o-processo-artistico-exige-ousadia-diz-felipe-antunes-que-esta-lancando-danca-do-universo-projeto-em-disco-e-livro\/","title":{"rendered":"&#8220;O processo art\u00edstico exige ousadia&#8221;, diz Felipe Antunes, que est\u00e1 lan\u00e7ando &#8220;Dan\u00e7a do Universo&#8221;, projeto em disco e livro"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/bsky.app\/profile\/villon.bsky.social\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Elsa Villon<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Barba, cabelo e bigode: \u201cDan\u00e7a do Universo&#8221;, de Felipe Antunes, chega em vinil, livro e minidocument\u00e1rio<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vida na cidade grande \u00e9 tema e isso j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 novidade. Mas para o cantor, compositor e pesquisador <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/antunesfe\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Felipe Antunes<\/a>, chega de forma nova nas 10 faixas de \u201c<a href=\"https:\/\/onerpm.link\/danca-do-universo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Dan\u00e7a do Universo<\/a>&#8221; (2026), \u00e1lbum lan\u00e7ado em agosto, que ganha vers\u00e3o tamb\u00e9m em vinil, com projeto gr\u00e1fico da capa por Rodrigo Fonseca, e em livro, pela Editora Urutau.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Prosa, poesia, pesquisa cient\u00edfica &#8211; tudo junto e misturado em formatos distintos na arte transm\u00eddia do artista, que tamb\u00e9m integra a Vitrola Sint\u00e9tica e \u00e9 p\u00f3s-doutor em Engenharia de Materiais pela USP. Nascido no extremo da Zona Leste da capital paulista e criado no interior do estado, Felipe chega ao seu quinto \u00e1lbum pela carreira solo, depois de \u201cL\u00e2mina\u201d (2016), \u201cCru\u201d(2018), &#8220;Vis\u00e3o Noturna&#8221; (2020) e \u201cEmbarca\u00e7\u00e3o\u201d (2025), com trilhas musicais criadas para o teatro e audiovisual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Resultante da mistura entre MPB, samba e ritmos de matriz africanas, \u201c<a href=\"https:\/\/onerpm.link\/danca-do-universo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Dan\u00e7a do Universo<\/a>&#8221; prop\u00f5e que as experi\u00eancias sensoriais de quem vive nas metr\u00f3poles se mesclam a um coletivo, onde corpo e mente integram algo maior &#8211; e tamb\u00e9m aja como forma de resist\u00eancia. O vi\u00e9s pol\u00edtico ganha vez nos versos: \u201cA morte n\u00e3o pode ter culpa \/ A culpa \u00e9 de quem cria morte\u201d, em \u201cQuem tem vida&#8221;, s\u00e9tima faixa do disco, que remete ao governo durante a pandemia de covid-19 e ganhou videoclipe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com Estela Paix\u00e3o e Eloiza Paix\u00e3o (coro), Allan Abbadia (trombone), Fabio S\u00e1 (baixo), Vini Sampaio (viol\u00e3o e guitarra), Cau\u00ea Silva (percuss\u00e3o) e Vitor Cabral (bateria e percuss\u00e3o), as 10 m\u00fasicas tamb\u00e9m contam com a participa\u00e7\u00e3o de Salloma Salom\u00e3o, em \u201cRetalhos&#8221;, Rafael Schimidt, em \u201cO Tempo uma Espiral&#8221;, Raquel Tobias, em \u201cEu me vingo da tristeza&#8221;, e J\u00e9ssica Areias e Ernesto Dabo, em \u201cDi Dia \u00d3 Di Noti \/ De Dia, de Noite&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A faixa hom\u00f4nima tamb\u00e9m conta com clipe e Felipe fechou o combo \u201cbarba, cabelo e bigode\u201d de formatos, com um minidocument\u00e1rio sobre a produ\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum. Na conversa que voc\u00ea l\u00ea abaixo, ele fala sobre o disco, o livro, os clipes, as parcerias, IA., a carreira solo e os planos futuros. Confira:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Retalhos\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/2kckAMxJmYE?list=OLAK5uy_l6U0m4E1gpnj4OaySzVTqNeNhNT5KxcEs\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea lan\u00e7ou \u201cDan\u00e7a do Universo\u201d como disco e livro. Conte um pouco mais sobre essa quest\u00e3o transm\u00eddia, n\u00e3o apenas para esse trabalho, mas para outros tamb\u00e9m<\/strong><br \/>\n\u00c9, virou uma pr\u00e1tica das minhas obras, de certa forma. Antes de eu come\u00e7ar a lan\u00e7ar os discos solos (este ano faz 10 anos do meu primeiro disco solo, em 2016), eu lan\u00e7ava os discos com a Vitrola Sint\u00e9tica, banda que fa\u00e7o parte. Ali a gente come\u00e7ou a estudar alguns formatos diferentes. Em 2015, no disco \u201cSint\u00e9tico\u201d, a gente fez uma obra diferente, como uma esp\u00e9cie de zine, feita pelo artista Mario Cappi, que tamb\u00e9m \u00e9 artista visual. A partir do \u201cL\u00e2mina\u201d, meu primeiro disco solo, comecei a trabalhar junto com a literatura e aproximar o objeto art\u00edstico como um livro. Sou muito parceiro do pessoal da Editora Urutau e do Tiago, um dos fundadores da editora. A gente falava muito sobre a quest\u00e3o das letras e se letra de m\u00fasica \u00e9 poesia. Gosto de trabalhar as letras como se pudessem tamb\u00e9m ser poesias e analiso se a letra funcionaria sozinha sem a m\u00fasica. A can\u00e7\u00e3o &#8220;Cru&#8221; entrou primeiro numa revista de poemas como poema concreto, o que me deu incentivo para aproximar a literatura do meu universo da can\u00e7\u00e3o. Fiz isso em \u201cL\u00e2mina\u201d (2016), &#8220;Cru&#8221; (2018), \u201cVis\u00e3o Noturna\u201d (2020) e agora em \u201c\u201dDan\u00e7a do Universo\u201d (2026), com exce\u00e7\u00e3o do \u201cEmbarca\u00e7\u00e3o\u201d (2025).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas esse livro \u00e9 de poesia, de literatura, ou mistura as duas coisas?<\/strong><br \/>\nMistura um pouco, depende do projeto. No \u201cL\u00e2mina\u201d era mais voltado para as letras, acompanhado de fotografias anal\u00f3gicas que eu mesmo fa\u00e7o e textos extras como pref\u00e1cios (de Maur\u00edcio Pereira, Wagner Schwartz, Jackeline Stefanski Bernardes e Allan da Rosa). Em \u201cDan\u00e7a do Universo\u201d, criei um texto extra em prosa po\u00e9tica que faz a abertura das letras, criando conex\u00e3o entre elas. Em \u201cVis\u00e3o Noturna\u201d (2020), feito com N\u00e1stio Mosquito (artista de Angola), constru\u00ed os textos de maneira teatral para serem dramatizados, intercalando prosa e letras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Al\u00e9m dos clipes, tem um minidocument\u00e1rio sobre a produ\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum que se conecta com sua produ\u00e7\u00e3o para o teatro e audiovisual, certo? Voc\u00ea pode falar um pouco sobre o mini doc e essa sua rela\u00e7\u00e3o com o teatro?<\/strong><br \/>\nChamei o pessoal do audiovisual para registrar o que acontecia no est\u00fadio. \u00c9 um disco muito de arranjador, orquestrador, produzido por F\u00e1bio S\u00e1 e Allan Abbadia, que escreveu muitos arranjos de sopro e percuss\u00e3o. Achamos interessante registrar o processo e virar um mini doc simples mostrando a grava\u00e7\u00e3o. Quanto ao teatro, fa\u00e7o trilhas sonoras desde 2015. Tenho uma parceria muito s\u00f3lida com a Bete Coelho (Companhia Teatro Filme). Neste momento, por exemplo, h\u00e1 dois espet\u00e1culos rodando em Minas Gerais: \u201cLia Lia\u201d (com Bete Coelho e Camila Pitanga) e \u201cAna L\u00edvia\u2019 (com Bete Coelho e Georgette Fadel). J\u00e1 fiz pe\u00e7as como \u201cM\u00e3e Coragem\u201d, \u201cA Gaivota\u201d, \u201cMedeia\u201d, entre outras. Tamb\u00e9m trabalho com o espa\u00e7o Alvenaria, com a Jaque (Jackeline Stefanski Bernardes) e com o coletivo de diretores. O teatro e o audiovisual se tornaram muito importantes na minha carreira.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Felipe Antunes - Dan\u00e7a do Universo (Document\u00e1rio)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Shoit9gQwSM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E \u00e9 uma experi\u00eancia totalmente diferente criar trilhas para o teatro, pois \u00e9 outro sensorial e outra forma de consumo, certo?<\/strong><br \/>\nEu adoro. No processo de \u201cLia Lia\u201d, ensai\u00e1vamos quase todos os dias e eu j\u00e1 ia compondo ali na sala de ensaio. Gosto de pensar o som contido na imagem e no texto, ou simbolizar o que n\u00e3o est\u00e1 expl\u00edcito. Em \u201cMedeia\u201d, fiz uma can\u00e7\u00e3o sobre uma \u00e1gua-viva imortal (\u201cTurritopsis Nutricula\u201d), pois Medeia no texto era como uma figura imortal navegando pelos mares e queimando como sol; a \u00e1gua-viva simbolizava a personagem de forma metaf\u00f3rica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pegar s\u00edmbolos de mitologias, juntar com conhecimento cient\u00edfico e unir dentro da arte.<\/strong><br \/>\nExatamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A divulga\u00e7\u00e3o menciona as quest\u00f5es vividas nas grandes cidades, reflex\u00f5es da mente e do corpo. Esse desgaste urbano nos coloca no autom\u00e1tico. O combo prosa, verso e di\u00e1logo no disco busca amenizar essa sensa\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nAcho que sim. A gente refletia que n\u00e3o precis\u00e1vamos falar de coisas dif\u00edceis de um jeito dif\u00edcil. O Bob Marley, por exemplo, trazia temas pol\u00edticos fortes em uma vibra\u00e7\u00e3o festiva e dan\u00e7ante. Trouxemos esse universo corporal conectado ao samba e aos ritmos afro-diasp\u00f3ricos, com arranjos do Allan Abbadia e parcerias com Salloma Salom\u00e3o. Quer\u00edamos trazer uma puls\u00e3o corporal para n\u00e3o atravessar a dureza das cidades grandes apenas com a exaust\u00e3o mental. Nos shows, percebemos que o p\u00fablico sente e reage imediatamente a essa vibra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu tenho uma rela\u00e7\u00e3o muito sensorial com a m\u00fasica. Metais e percuss\u00f5es me geram arrepio quando sinto que a m\u00fasica \u00e9 org\u00e2nica, e este disco me trouxe exatamente isso.<\/strong><br \/>\nQue legal! Ele \u00e9 de fato super org\u00e2nico, quase sem sintetizadores: \u00e9 sopro, corda e percuss\u00e3o. T\u00ednhamos at\u00e9 uma ideia antiga de fazer um disco s\u00f3 com instrumentos n\u00e3o temperados, sem trastes, tudo org\u00e2nico e flutuante. Essa sensa\u00e7\u00e3o se conecta com o ancestral. Hoje em dia, a intelig\u00eancia artificial traz uma ansiedade de querer chegar direto ao fim sem passar pelo processo de cria\u00e7\u00e3o. E passar pelo processo \u00e9 o mais gostoso; por isso a sensa\u00e7\u00e3o de ouvir instrumentos reais tocados por pessoas vivas \u00e9 diferente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A gente sabe quando algo \u00e9 feito por gente e quando n\u00e3o \u00e9. Sou a favor da IA para tarefas pr\u00e1ticas, mas contra para a cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica.<\/strong><br \/>\nTotalmente. N\u00e3o faz sentido criar algo se voc\u00ea n\u00e3o quer passar pelo processo criativo. Se nos conectarmos apenas com demandas mercadol\u00f3gicas autom\u00e1ticas, ficamos parecidos com a IA e somos substitu\u00eddos. O processo art\u00edstico exige ousadia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E a IA bebe de refer\u00eancias que j\u00e1 existem. Se todo mundo usar IA, do que ela vai beber?<\/strong><br \/>\nVai ficar tudo homog\u00eaneo e &#8220;pasteurizado&#8221;. A gra\u00e7a da arte \u00e9 a heterogeneidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As pequenas falhas humanas e imperfei\u00e7\u00f5es fazem parte da arte. Quando algo \u00e9 perfeito ou sim\u00e9trico demais, gera desconforto.<\/strong><br \/>\nExatamente. Tudo no digital \u00e9 quadriculado, \u00e9 feito de zeros e uns. O som org\u00e2nico e o vinil s\u00e3o arredondados, anal\u00f3gicos e quentes. O digital tenta montar curvas por c\u00e1lculos, mas faltam a reverbera\u00e7\u00e3o e a presen\u00e7a do ao vivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O vinil exige um ritual de contempla\u00e7\u00e3o e aten\u00e7\u00e3o que se perdeu na economia do tempo.<\/strong><br \/>\nSim, \u00e9 um ritual de presen\u00e7a e escuta atenta. Junto com o livro, torna-se uma experi\u00eancia completa.<\/p>\n<figure id=\"attachment_97644\" aria-describedby=\"caption-attachment-97644\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-97644\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/dancadeuniverso.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"769\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/dancadeuniverso.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/dancadeuniverso-293x300.jpg 293w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-97644\" class=\"wp-caption-text\"><em>&#8220;Dan\u00e7a do Universo&#8221;, de Felipe Antunes, o livro<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea citou poesia concreta e faz refer\u00eancias a Waly Salom\u00e3o. Como foi esse processo?<\/strong><br \/>\nO Salloma Salom\u00e3o \u00e9 meu parceiro nessa faixa e em v\u00e1rias outras. Quando ele foi gravar a participa\u00e7\u00e3o dele na m\u00fasica &#8220;Retalhos&#8221;, trouxe contraposi\u00e7\u00f5es po\u00e9ticas de forma espont\u00e2nea, citando a lua, o descanso e as durezas urbanas. Ele mencionou Waly Salom\u00e3o e fez uma associa\u00e7\u00e3o brincalhona com \u201cSailor Moon\u201d (&#8220;o viajante da lua&#8221;). No exato momento em que grav\u00e1vamos e fal\u00e1vamos de Waly Salom\u00e3o, o Rovilson Pascoal (dono do est\u00fadio) nos avisou que o Jards Macal\u00e9 tinha acabado de falecer naquele instante, criando uma energia forte no est\u00fadio. Waly Salom\u00e3o \u00e9 uma refer\u00eancia constante de como vestir a poesia com m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tem poesia que j\u00e1 nasce cantada e cheia de musicalidade.<\/strong><br \/>\nSim! Eu fiz duas m\u00fasicas para poemas do Oswaldo de Camargo\u00a0. O pr\u00f3prio texto j\u00e1 traz ritmo e melodia da fala. O Allan Abbadia brinca: &#8220;Todo mundo tem ritmo, se voc\u00ea anda na rua sem esbarrar nas pessoas, voc\u00ea tem ritmo&#8221;. A fala tem melodia pr\u00f3pria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Maria Beth\u00e2nia faz muito isso com Fernando Pessoa.<\/strong><br \/>\nExatamente! No disco do ano passado fiz a can\u00e7\u00e3o &#8220;Ode Mar\u00edtima&#8221; a partir de um trecho de um poema do Fernando Pessoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais cidades grandes te inspiraram no \u00e1lbum \u201cDan\u00e7a do Universo\u2019?<\/strong><br \/>\nPrincipalmente S\u00e3o Paulo. Nasci no extremo da Zona Leste (S\u00e3o Miguel Paulista \/ Vila Curu\u00e7\u00e1), cresci em Bragan\u00e7a Paulista e voltei para S\u00e3o Paulo h\u00e1 muitos anos. A cidade habita o \u00e1lbum em suas contradi\u00e7\u00f5es: a exaust\u00e3o, o barulho, o ritmo acelerado, mas tamb\u00e9m a riqueza multicultural e os encontros art\u00edsticos. Al\u00e9m disso, h\u00e1 o olhar para as dificuldades pol\u00edticas e a exclus\u00e3o social gerada pela gest\u00e3o neoliberal na cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea sente isso em regi\u00f5es espec\u00edficas, como nos extremos perif\u00e9ricos em compara\u00e7\u00e3o com o centro?<\/strong><br \/>\nTodos os extremos sofrem com a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria que empurra as pessoas para a margem. Nos shows de lan\u00e7amento de \u201cDan\u00e7a do Universo\u201d, fiz quest\u00e3o de levar a apresenta\u00e7\u00e3o para as periferias: toquei em Bragan\u00e7a, em S\u00e3o Bernardo do Campo (na F\u00e1brica de Cultura) e em dois locais no extremo da Zona Leste (Vila Curu\u00e7\u00e1 e Itaim Paulista). Levei convidados como Raquel Tobias, J\u00e9ssica Areias, Rapper Xis e Rafael Schimidt. No Itaim Paulista, fizemos bate-papo com jovens que faziam oficinas de produ\u00e7\u00e3o cultural.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Felipe Antunes - Quem Tem Vida (Videoclipe Oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/W4thnxcOqVI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A faixa &#8220;Quem Tem Vida&#8221; (que ganhou clipe) me soou quase como um c\u00e2ntico de luto. Qual foi a inten\u00e7\u00e3o dessa m\u00fasica?<\/strong><br \/>\n\u00c9 uma homenagem e um manifesto a quem enfrenta a dor e aos cuidadores da vida (profissionais da sa\u00fade). A letra nasceu no contexto da pandemia. H\u00e1 o trecho: &#8220;A morte n\u00e3o pode ter culpa, a culpa \u00e9 de quem cria a morte&#8221;, reagindo contra a neglig\u00eancia pol\u00edtica e a viol\u00eancia. Mas a m\u00fasica busca trazer uma puls\u00e3o de vida e um abra\u00e7o ao corpo diante das perdas e do luto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A faixa &#8220;Di Dia \u00d3 Di Noti \/ De Dia, De Noit&#8221;, com Ernesto Dab\u00f3, me marcou muito pela mistura de MPB, folk, ritmos africanos e metais&#8230;<\/strong><br \/>\nErnesto Dab\u00f3 \u00e9 um artista hist\u00f3rico da Guin\u00e9-Bissau. Ele participou de um show meu no Sesi Paulista. Gravamos uma base de viol\u00e3o e voz em 2019 e guardamos. Era uma m\u00fasica in\u00e9dita dele que ele sugeriu que grav\u00e1ssemos. Retomamos (essa can\u00e7\u00e3o) no disco (&#8220;Dan\u00e7a do Universo&#8221;), o Allan Abbadia escreveu um arranjo fluido s\u00f3 com sopros, baixo e bateria. \u00c9 uma poesia de amor singela e sensual cantada em portugu\u00eas e crioulo guineense.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 m\u00fasica para tomar vinho e comer queijo ouvindo o vinil.<\/strong><br \/>\nExatamente, tem essa atmosfera contemplativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais s\u00e3o os pr\u00f3ximos passos, shows ou videoclipes?<\/strong><br \/>\nEstamos em fase de divulga\u00e7\u00e3o dos shows, vou gravar o videoclipe de &#8220;O Tempo \u00c9 Uma Espiral&#8221; e estamos trabalhando no projeto de um \u00e1lbum ao vivo derivado da turn\u00ea.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Felipe Antunes - Pode Apostar (Videoclipe Oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/KbHfRawEA1o?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/bsky.app\/profile\/villon.bsky.social\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Elsa Villon<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista de dados, especialista em M\u00eddia, Informa\u00e7\u00e3o e Cultura e colecionadora de vinis que est\u00e1 sempre no garimpo nas horas vagas.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Prosa, poesia, pesquisa cient\u00edfica &#8211; tudo junto e misturado em formatos distintos na arte transm\u00eddia do artista, que tamb\u00e9m integra a Vitrola Sint\u00e9tica\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/09\/28\/entrevista-o-processo-artistico-exige-ousadia-diz-felipe-antunes-que-esta-lancando-danca-do-universo-projeto-em-disco-e-livro\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":156,"featured_media":97645,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7548,3],"tags":[793],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/97643"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/156"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=97643"}],"version-history":[{"count":13,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/97643\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":97658,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/97643\/revisions\/97658"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/97645"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=97643"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=97643"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=97643"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}