{"id":97581,"date":"2026-09-25T00:17:00","date_gmt":"2026-09-25T03:17:00","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=97581"},"modified":"2026-09-25T00:19:17","modified_gmt":"2026-09-25T03:19:17","slug":"entrevista-selvagens-a-procura-de-lei-lanca-pivete-um-disco-com-20-musicas-e-gabriel-aragao-fala-de-inspiracao-parcerias-e-estrada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/09\/25\/entrevista-selvagens-a-procura-de-lei-lanca-pivete-um-disco-com-20-musicas-e-gabriel-aragao-fala-de-inspiracao-parcerias-e-estrada\/","title":{"rendered":"Entrevista: Selvagens \u00e0 Procura de Lei lan\u00e7a &#8220;Pivete&#8221;, disco com 20 m\u00fasicas, e Gabriel Arag\u00e3o fala de liberdade, parcerias e estrada"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/lvinhas78\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">20 faixas, quase uma hora de dura\u00e7\u00e3o, uma capa feita com o envolvimento de mais de 40 pessoas\u2026 A Selvagens \u00e0 Procura de Lei n\u00e3o parece estar muito preocupada com os padr\u00f5es do mercado ou os ditames do marketing para lan\u00e7ar seu novo disco, &#8220;<a href=\"https:\/\/found.ee\/PIVETE\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pivete<\/a>&#8221; (2026). E por que deveriam estar? Como diz nessa entrevista o vocalista e guitarrista Gabriel Arag\u00e3o, n\u00e3o d\u00e1 para ficar caindo voluntariamente nas armadilhas comerciais. Um disco, antes de tudo, deveria ser sobre m\u00fasica. E esse \u00e9 o caso de &#8220;<a href=\"https:\/\/found.ee\/PIVETE\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pivete<\/a>&#8220;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com toneladas de participa\u00e7\u00f5es (Arnaldo Baptista, Ailton Krenak, Tat\u00e1 Aeroplano, Soledad, Andr\u00e9 Frateschi, Nayra Costa, Rodger Rog\u00e9rio, Silvero Pereira, Leo Suricate e Mois\u00e9s Loureiro), e uma produ\u00e7\u00e3o poderosa a cargo do pr\u00f3prio Gabriel e do baterista Matheus Brasil, &#8220;Pivete&#8221; impressiona pela for\u00e7a da sonoridade, pela coes\u00e3o das ideias dentro de um disco t\u00e3o plural, e por ir mais fundo na trilha aberta pelo antecessor Y, lan\u00e7ado no ano passado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Primeiro disco com a nova forma\u00e7\u00e3o, que conta ainda com o baixista Jonas Rio e o guitarrista Pl\u00ednio C\u00e2mara, &#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/07\/16\/do-racha-ao-renascimento-gabriel-aragao-detalha-o-novo-momento-dos-selvagens-a-procura-de-lei\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Y<\/a>&#8221; (2025) trazia uma banda mais pesada, direta e concisa \u2013 e menos juvenil. Compreensivelmente: 2024 viu a banda rachar, em uma separa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil que envolveu brigas judiciais pelo nome Selvagens \u00e0 Procura de Lei, vilip\u00eandio em redes sociais, boataria e o fim de amizades de anos. O esfor\u00e7o de purgar as dores havia resultado em um disco bem mais interessante do que seus quatro antecessores, e essa est\u00e9tica parece ter encontrado uma face melhor definida em &#8220;<a href=\"https:\/\/found.ee\/PIVETE\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pivete<\/a>&#8220;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cMelhor definida\u201d, mas n\u00e3o definitiva. Nessa entrevista, Gabriel Arag\u00e3o diz que pretende explorar muitos outros caminhos musicais com a banda, e que, se puder, pretende lan\u00e7ar pelo menos um disco por ano. Ao longo de mais de uma hora de conversa, a reboque n\u00e3o apenas de &#8220;Pivete&#8221;, mas tamb\u00e9m da mem\u00f3ria de duas apresenta\u00e7\u00f5es marcantes da banda no <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=selvagens\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Festival Casar\u00e3o 2026<\/a>, o rep\u00f3rter aproveitou para esmiu\u00e7ar os conceitos que nortearam v\u00e1rias composi\u00e7\u00f5es do novo disco, a rela\u00e7\u00e3o com a estrada, o apaziguamento dos muitos problemas legais e emocionais que vieram com a separa\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o original da banda, os caminhos enganosos do marketing na era do streaming e muito mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por mais que big techs, coaches, CEOs, plataformas de streaming, entusiastas da IA e outras vers\u00f5es modernas do Tinhoso queiram nos fazer crer, nem tudo na vida \u00e9 (ou deveria ser) comoditizado. As escolhas que os Selvagens \u00e0 Procura de Lei fizeram para que &#8220;Pivete&#8221; nascesse \u2013 e, especialmente, os resultados delas \u2013 s\u00e3o mais uma das provas de que artistas n\u00e3o deveriam ser funcion\u00e1rios da pr\u00f3pria fama nem do mercado. Com 15 anos de estrada e depois de ter passado pelo per\u00edodo mais dif\u00edcil de sua trajet\u00f3ria, os Selvagens se reinventaram e entregaram seu melhor disco at\u00e9 o momento. Tudo resultado de estrada, ensaio, suor e \u00edmpeto criativo. Abaixo, eles falam de tudo isso&#8230; e mais.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Selvagens \u00e0 Procura de Lei - Lido Brabo (Teaser PIVETE)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/6gEo_1Oj1xU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Logo de cara, chama aten\u00e7\u00e3o a dura\u00e7\u00e3o do disco: &#8220;Pivete&#8221; tem quase 60 minutos. Chama a aten\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 por causa da aten\u00e7\u00e3o dispersa das pessoas, que \u201cpede\u201d discos mais curtos, mas tamb\u00e9m porque existe hoje essa tend\u00eancia dos lan\u00e7amentos espa\u00e7ados, para sempre ter \u201cconte\u00fado\u201d sendo lan\u00e7ado. Voc\u00ea claramente n\u00e3o se preocupou com isso. O que fez voc\u00ea sabotar essa estrat\u00e9gia comercial e lan\u00e7ar esse disco do jeito que voc\u00ea imaginou?<\/strong><br \/>\nAcho que \u00e9 primeiro pela rebeldia. \u00c9 t\u00e3o bom dizer \u201cvou fazer tudo ao contr\u00e1rio do que voc\u00ea est\u00e1 me falando\u201d (risos). Eu j\u00e1 tive muitas reuni\u00f5es assim. Fui da Universal Music em 2013, e de l\u00e1 sa\u00ed para essas distribuidoras que agem como gravadoras hoje em dia \u2013 a galera da Ditto Music, que s\u00e3o \u00f3timos, sempre me ajudaram muito. Mas esses caras todos est\u00e3o envelhecendo, o chef\u00e3o l\u00e1 tem idade para ser meu pai, e eles est\u00e3o tentando se conectar com a juventude para vender um produto, mas eles mesmo n\u00e3o s\u00e3o mais jovens, ent\u00e3o \u00e9 como se fosse o meu pai tentando se conectar com algu\u00e9m que tem 19 anos de idade. Eu mesmo tenho essa dificuldade, ent\u00e3o vou fazer o que eu sei fazer e ponto final. Quando foi para lan\u00e7ar o &#8220;Y&#8221;, eu queria fazer um disco maior para botar muita ideia para fora. E nesses papos com distribuidoras, eles sempre me diziam que essa n\u00e3o era a melhor coisa a se fazer. Uma m\u00fasica como essa que fiz com o Ailton Krenak (\u201cGuerra\u201d), com uma fala dele, sem ser cantada\u2026 O papo com a distribuidora \u00e9 \u201cp\u00f4, bicho, \u00e9 complicado, usar uma das 10 faixas assim n\u00e3o \u00e9 bom, voc\u00ea vai queimar ficha. \u00c9 bom a gente ter singles em potencial\u201d. Mas cara, estou querendo fazer 20 faixas! \u201cAh, ent\u00e3o vamos dividir em \u2018parte um\u2019 e \u2018parte dois\u2019, \u00e9 melhor e voc\u00ea fica de boa para 2027\u2019. Mas a\u00ed fica aquela sensa\u00e7\u00e3o de um disco mutilado! E tem aquela frase, \u201cse n\u00e3o agora, quando?\u201d N\u00e3o d\u00e1 para ficar nessa de \u201cquando eu atingir tal n\u00edvel da carreira, eu vou finalmente virar o Radiohead e fazer s\u00f3 o que eu quero fazer\u201d. Se ficar nessa, voc\u00ea fica sempre caindo nessas armadilhas comerciais. E na verdade, a gente est\u00e1 na melhor fase para fazer o que se quer. Acho que a gente tem que ser nichado mesmo, quanto mais nichado melhor, porque voc\u00ea fica mais livre desses preconceitos. Olha os Boogarins: eu acho t\u00e3o bonita a carreira deles!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea disse em outras ocasi\u00f5es que tamb\u00e9m resgatou coisas antigas para esse disco. Isso me surpreendeu, porque a linguagem que a banda tem hoje \u00e9 bem diferente da que tinha antes, e fico pensando como essas m\u00fasicas chegaram aqui com essa cara de m\u00fasica nova\u2026 Porque parecem todas da mesma safra.<\/strong><br \/>\nTem coisas que eram [da \u00e9poca] do &#8220;Para\u00edso Port\u00e1til&#8221; (2019) e que entraram no meu disco solo. Ali\u00e1s, eu nunca tive a inten\u00e7\u00e3o de fazer carreira solo, fiz por uma necessidade de colocar as m\u00fasicas para fora, porque os caras [da antiga forma\u00e7\u00e3o] n\u00e3o queriam gravar essas coisas no disco e tal. \u201cCidade Baixa\u201d eu fiz pro &#8220;Para\u00edso Port\u00e1til&#8221;. os caras n\u00e3o entenderam a m\u00fasica e a gente acabou n\u00e3o gravando. Eu queria muito que ela tivesse sa\u00eddo naquele momento turbulento do pa\u00eds. Tudo no meu disco solo \u2013 que foi gravado em 2022 e lan\u00e7ado em 2023 \u2013 tem esse ar de que eu estava tentando n\u00e3o ser Selvagens, a produ\u00e7\u00e3o com o [Marcelo] Camelo, o viol\u00e3ozinho de nylon&#8230; Eu fiquei dois meses l\u00e1 em Lisboa na casa de um amigo para poder gravar esse disco no meio da pandemia. E estando l\u00e1, nessa fun\u00e7\u00e3o, eu compus muita coisa com essa inten\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, foram surgindo m\u00fasicas que acabaram n\u00e3o entrando, como \u201cRevoada\u201d e \u201cHey Tat\u00e1!\u201d, que n\u00e3o tem absolutamente nada a ver com a vers\u00e3o do &#8220;Pivete&#8221;, era no nylonzinho, super delicada (risos). \u201cRevoada\u201d tamb\u00e9m, era um breguinha no viol\u00e3o de nylon\u2026<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Selvagens \u00e0 Procura de Lei - Revoada (Lyric Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/txBvuGLzVOk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Curioso saber que \u201cRevoada\u201d nasceu nesse contexto, porque ela tem mesmo uma grande influ\u00eancia de Los Hermanos na melodia\u2026<\/strong><br \/>\n\u00c9 que eu nunca tive essa coisa de tentar definir o que \u00e9 o Selvagens. Claro, \u00e9 uma banda de rock, mas eu adoro, por exemplo, o Led Zeppelin tocando aquela m\u00fasica meio reggae deles\u2026 Qual o nome mesmo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cD\u2019yer Maker\u201d.<\/strong><br \/>\nIsso. Mas \u00e9 uma banda de rock tocando reggae, sabe? Aquela bateria descendo o cacete e tal. Eu gosto muito disso. \u201cAh, \u2018Revoada\u2019 \u00e9 meio brega? Sim, mas vamos tocar rock aqui\u201d. E tem esse esse qu\u00ea de Los Hermanos, tamb\u00e9m. Mas enfim, eu tinha muita coisa guardada: essas duas dessa \u00e9poca, \u201cCidade Baixa\u201d, que eu gravei no disco solo, mas que sempre foi para ser dos Selvagens. \u201cLoka Am\u00e9rica\u201d, que era para ser aquilo desde o come\u00e7o. Essa hist\u00f3ria de gravar com o Ailton Krenak tamb\u00e9m \u00e9 algo que estou h\u00e1 muito tempo tentando. H\u00e1 anos converso com o [m\u00fasico e produtor] Guilherme Kastrup, ele tem uns discos que ele soltou e que me inspiraram muito, um deles em especial. \u00c9 um em que tem uma faixa em que ele usa uma fala do fil\u00f3sofo americano Noam Chomsky (nota: \u201cReaction\u201d, do \u00e1lbum &#8220;Ponto de Muta\u00e7\u00e3o&#8221;). Eu queria fazer igual com o Krenak, mas eu pensava que ele seria meio inalcan\u00e7\u00e1vel, n\u00e9? (risos) Gosto tanto dele que parecia muito acima do meu n\u00edvel. Fiquei tentando chegar at\u00e9 ele por anos atrav\u00e9s dos meus contatos da galera da cultura cearense, secret\u00e1rios, enfim, pessoal mais da pol\u00edtica mesmo \u2013 olhando para tr\u00e1s, n\u00e3o me pareceu a maneira correta de chegar (pausa). Eu j\u00e1 estava para desistir quando o Guilherme falou:&#8221;Cara, constr\u00f3i a m\u00fasica, usa a fala dele. Eu fiz assim com o Chomsky: fiz a m\u00fasica inteira, entrei em contato com ele e pedi para liberar. Faz isso, e se o Krenak n\u00e3o liberar, voc\u00ea tem a m\u00fasica pronta, troca, p\u00f5e outra pessoa, pelo menos voc\u00ea j\u00e1 tem alguma coisa pronta\u201d (risos). Fiz exatamente isso (com &#8220;Guerra&#8221;). Fui no Instagram dele, tinha l\u00e1 o e-mail de contato, mandei, no outro dia ele respondeu, bem gente boa, da maneira mais simples poss\u00edvel: \u201cCara, adorei a m\u00fasica, est\u00e1 tudo liberado, me mande aqui os termos para assinar\u201d. Ele foi muito, muito gentil. Depois\u00a0 fui ver no Spotify, se voc\u00ea quiser dar uma olhada tamb\u00e9m, mas \u00e9 engra\u00e7ado (ri)&#8230; Com todo respeito, claro, a quem j\u00e1 usou falas do Krenak, mas a galera usou falas muito pac\u00edficas, umas m\u00fasicas quase de yoga, sabe? (risos) Ele falando \u201ca natureza, temos que respeitar\u2026\u201d A gente foi pra fala mais porrada dele, e eu fiquei muito feliz de colocar para fora essa ideia muito antiga que veio a calhar nesse quebra-cabe\u00e7a que \u00e9 fazer um disco novo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"GUERRA\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/oD714ZuXchE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os Selvagens sempre tiveram uma abordagem pol\u00edtica em algumas can\u00e7\u00f5es, mas sinto que do &#8220;Y&#8221; em diante voc\u00ea ficou mais direto nas letras \u2013 n\u00e3o s\u00f3 nas mais pol\u00edticas, mas principalmente nelas. Voc\u00ea acha que o processo dif\u00edcil da feitura do &#8220;Y&#8221; acabou deixando voc\u00ea mais solto para ser mais direto?<\/strong><br \/>\nSim. Antes eu tinha que negociar muito. A sensa\u00e7\u00e3o que eu tinha era de ter que falar sobre esses temas, mas o resto da banda tinha medo, vinha com aquele papo furado de \u201cai, meu Deus, vai dividir o p\u00fablico\u201d&#8230; Quer dizer, quem sou eu para letrar algu\u00e9m, mas na pequena posi\u00e7\u00e3o em que eu estava, parecia que era preciso falar sobre certas coisas, se posicionar. P\u00f4, banda de rock, n\u00e9? Mas sim, fiquei mais direto depois de passar por essa doidice de rede social, de parecer que tem um mar de pessoas querendo te cancelar e na verdade n\u00e3o tem nada disso, s\u00e3o s\u00f3 umas poucas pessoas sentadas no sof\u00e1 sem ter o que fazer. Ao mesmo tempo, acho a sutileza uma coisa muito linda. Inclusive, acho que o pr\u00f3ximo disco vai ser o contr\u00e1rio dessa coisa muito direta. Deve ser talvez o disco mais sutil. Eu estava ouvindo muito o &#8220;\u00c1lbum Branco&#8221; dos Beatles \u2013 um disco grande, banda fazendo o que deu na telha, mas com uns momentos muito bonitos. P\u00f4, \u201cAcross the Universe\u201d \u00e9 linda, um poema muito doido, muito abstrato\u2026 No &#8220;Pivete&#8221; tem coisas pessoais, mas ele \u00e9 mais \u201cpra fora\u201d. O &#8220;Y&#8221; sou eu dentro desse quarto fechado aqui, e o &#8220;Pivete&#8221; \u00e9 pra fora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>At\u00e9 porque ele foi feito na estrada, em grande parte, n\u00e3o?<\/strong><br \/>\nSim, tem um pouco disso. Por exemplo, tem muitas m\u00fasicas que eu lembro de onde a gente estava quando fez. \u201cVoc\u00ea Ama me Odiar\u201d, \u201cCascadura\u201d, elas foram feitas em Goi\u00e2nia, ainda com resqu\u00edcios do &#8220;Y&#8221;, de momentos dif\u00edceis e dessa coisa de internet, [do \u00f3dio das] redes sociais. Fomos tocar depois em Bras\u00edlia, ficamos uns dias l\u00e1, e a\u00ed foi inevit\u00e1vel: o f\u00e3 de Renato Russo aqui (risos) foi l\u00e1 e fez \u201cQuem Eles S\u00e3o?\u201d (canta um trecho, empostando a voz como o finado l\u00edder da Legi\u00e3o Urbana). Logo depois a gente foi para S\u00e3o Paulo e fez \u201cTrem Doido\u201d, que \u00e9 aquela confus\u00e3o do Centro, onde tudo acontece. \u201cPivete\u201d, a m\u00fasica, tamb\u00e9m foi feita ali, e foi l\u00e1 que a gente pensou que podia ser um bom nome pro disco. At\u00e9 ent\u00e3o, o nome era &#8220;Impress\u00e3o Sua&#8221; (express\u00e3o repetida na faixa \u201cEu N\u00e3o Moro Mais Aqui\u201d).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Selvagens \u00e0 Procura de Lei - Trem Doido (Lyric Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/pLG2PwVYsE0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bom nome!<\/strong><br \/>\n\u00c9, adorei esse nome. Mas &#8220;Pivete&#8221; me ganhou tamb\u00e9m. \u00c9 uma palavra que aqui em Fortaleza n\u00e3o tem esse significado meio marginal que tem no Sul e no Sudeste. Aqui \u00e9 muito natural: \u201cquando eu era crian\u00e7a\u201d \u00e9 \u201cquando eu era pivete\u201d, Se eu for pegar meu filho na escola, vou falar assim: &#8220;P\u00f4, bicho, d\u00e1 licen\u00e7a que eu vou pegar meu pivete no col\u00e9gio.&#8221; A gente escolheu a palavra por essas coisas da nostalgia e da vida urbana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 uma coisa de rua, n\u00e9? Ali\u00e1s, a rua est\u00e1 muito presente no disco \u2013 nas letras e na capa, com essa coisa diretamente urbana, pra\u00e7a, as pessoas interagindo \u2013 uma coisa que est\u00e1 se perdendo, ali\u00e1s.<\/strong><br \/>\nEnt\u00e3o, \u00e9 um disco muito \u201cna cidade\u201d. E a capa\u2026 foi uma saga fazer essa capa, bicho (risos). Meio mundo estava falando para fazer colagem e a gente j\u00e1 descartou de cara. IA a gente j\u00e1 tinha dito que n\u00e3o ia usar de jeito nenhum. Eu queria muito a vibe de foto \u2013 remetendo a essa dificuldade de fazer [a capa de] um &#8220;Sgt. Pepper\u2019s&#8221;\u2026, um &#8220;Tropic\u00e1lia&#8221;. Umas 40 pessoas participaram dessa foto, entre quem est\u00e1 na cena, os figurantes e a galera por tr\u00e1s: fot\u00f3grafo, designer, o caramba. Mas foi muito especial, foi bem legal.<\/p>\n<figure id=\"attachment_97582\" aria-describedby=\"caption-attachment-97582\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-97582\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/pivete.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"671\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/pivete.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/pivete-300x268.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-97582\" class=\"wp-caption-text\"><em>A arte da capa de &#8220;Pivete&#8221;, da Selvagens \u00e0 Procura de Lei<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea diria que as todas as quest\u00f5es pessoais e emocionais que foram expostas e trabalhadas no &#8220;Y&#8217; est\u00e3o resolvidas agora dentro de voc\u00ea? Porque foi praticamente uma terapia aberta, em p\u00fablico. Est\u00e1 mais apaziguado agora?<\/strong><br \/>\nEst\u00e1, sim. Tem um pouquinho disso ainda no &#8220;Pivete&#8221;, \u201cVoc\u00ea Ama me Odiar\u201d veio bem por causa da coisa de internet, das redes sociais. \u201cCascadura\u201d eu fiz porque a primeira entrevista do &#8220;Y&#8221; era para um podcast daqui de Fortaleza, na Beach Park FM, e foi censurada. Eu gravei, e pessoas ligadas aos antigos integrantes conseguiram censurar minha participa\u00e7\u00e3o. Ainda tem umas coisas que eu coloquei para fora assim no &#8216;Pivete&#8221;, mas foram as primeiras que eu compus. Depois vieram mais 18 faixas n\u00e9? Eu acho que j\u00e1 foi, essa hist\u00f3ria est\u00e1 se encaminhando para um final.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A forma\u00e7\u00e3o atual excursionou bastante com o &#8220;Y&#8221;. Podemos dizer que agora o entrosamento \u00e9 de uma banda mesmo? Claro, voc\u00ea continua sendo o compositor principal e frontman, mas tendo visto alguns shows dessa nova forma\u00e7\u00e3o e depois ouvindo o disco, me parece que tem uma contribui\u00e7\u00e3o real dos novos integrantes, em especial do &#8220;Pl\u00ednio&#8221;.<\/strong><br \/>\nTem muito a minha m\u00e3o na parte conceitual. \u00c9 mais ou menos assim: eu componho a m\u00fasica, imagino o conceito do disco, o nome, etc. mas gosto de deixar as pessoas muito livres na hora do arranjo. N\u00e3o fico me metendo muito, n\u00e3o. Dou minha opini\u00e3o, \u201cp\u00f4, gostei desse caminho\u201d, mas gosto de deixar a pessoa livre pra fazer do jeito que ela imaginou, pelo menos na primeira impress\u00e3o, porque surgem coisas boas a partir da\u00ed. Na hora dos arranjos, solto um pouquinho mais a m\u00e3o. E \u00e9 um disco muito coletivo, ou \u201cgaleroso\u201d, como disse o Pl\u00ednio (risos). Isso n\u00e3o s\u00f3 pelos feats, mas pela participa\u00e7\u00e3o dos outros m\u00fasicos. A gente pegou uma intimidade muito grande tocando nessa turn\u00ea do &#8220;Y&#8221;. A gente botou a cara no mundo, praticamente toda turn\u00ea foi na bilheteria, com exce\u00e7\u00e3o de uns dois shows no ano passado, tudo na cara e na coragem. Por isso a gente ficou muito grudado, e quando o ano acabou, eu fiquei com a sensa\u00e7\u00e3o de que a gente tocava junto h\u00e1 uns tr\u00eas, quatro anos. A qu\u00edmica bateu legal. \u00c9 engra\u00e7ado que a gente gravou o DVD [ainda n\u00e3o lan\u00e7ado, registrando a apresenta\u00e7\u00e3o de 13 de dezembro no Anfiteatro do Drag\u00e3o do Mar, em Fortaleza] e na sequ\u00eancia fomos todos para uma manifesta\u00e7\u00e3o contra a escala 6&#215;1. Foi a primeira vez que teve os Selvagens numa manifesta\u00e7\u00e3o, at\u00e9 ent\u00e3o era s\u00f3 eu, Gabriel. Achei massa isso! A gente estava l\u00e1, o L\u00e9o Suricate subiu, a gente ia tocando as m\u00fasicas e o L\u00e9o fazendo interven\u00e7\u00f5es no meio. Da\u00ed surgiu a ideia de \u201cDia de Rua\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Selvagens \u00e0 Procura de Lei (feat. Leo Suricate) - Dia de Rua (V\u00eddeo Oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/GBMXZSChXQQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como voc\u00ea est\u00e1 imaginando o ritmo para a turn\u00ea do &#8220;Pivete&#8221;? Vai ser na mesma pegada?<\/strong><br \/>\nA gente come\u00e7ou agora uma caminhada com a galera da Urban Jungle, do Andr\u00e9 Bourgeois, que trabalhou por muitos anos com C\u00e9u, Liniker, e que atualmente est\u00e1 com Boogarins e com a gente. A gente deu uma segurada em shows neste ano para n\u00e3o rodar tanto em bilheteria como foi na turn\u00ea anterior. <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Festival+Casar%C3%A3o\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fizemos os shows do Festival Casar\u00e3o<\/a> e alguns outros, mas estamos segurando, at\u00e9 porque foi muito custoso fazer esse disco. Massa lan\u00e7ar um disco de 20 faixas, mas d\u00e1 trabalho, velho! (risos) Os custos todos dobrados, de tudo. E eu sou meio maluco, quando me d\u00e1 a ideia, eu n\u00e3o consigo economizar muito, n\u00e3o. Mas \u00e9 muito prazeroso, uma coisa que fica pro resto da vida. Tem que botar para foder quando voc\u00ea vai fazer o disco. Se n\u00e3o for assim, \u00e9 melhor melhor nem come\u00e7ar. Mas a gente est\u00e1 se organizando pro ano que vem mergulhar na estrada de um jeito melhor, tentando voltar pros festivais de maneira mais incisiva. Independente disso vou tentar colar nas cidades. Foi muito bom ter passado no Casar\u00e3o, porque se n\u00e3o fosse um festival desses talvez a gente n\u00e3o conseguisse ir tocar no Norte, por causa da log\u00edstica. Faz tempo que eu n\u00e3o vou pra Bel\u00e9m. Se depender de um festival, \u00e9 um que talvez aconte\u00e7a no final do ano, mas se n\u00e3o rolar, estou querendo muito encarar, fazendo por bilheta mesmo. Estou querendo topar ideias assim, sabe, porque sen\u00e3o voc\u00ea acaba virando banda de Sesc, coisa que eu nunca fui, embora eu goste de tocar l\u00e1. \u00c9 muito confort\u00e1vel tocar no Sesc, mas estou querendo voltar a buscar esses teatros das cidades, tocar por bilheteria\u2026 Vamos ter shows, sim, mas turn\u00ea grande mesmo, s\u00f3 a partir de novembro. Mas o show em si ainda est\u00e1 numa transi\u00e7\u00e3o, ainda \u00e9 o show do &#8220;Y&#8221; com com m\u00fasicas do &#8220;Pivete&#8221;&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como montar um setlist para acomodar tudo o que o p\u00fablico quer ouvir com 20 faixas novas para apresentar? (risos)<\/strong><br \/>\nPois \u00e9, bicho. Estou desesperado (risos). Como \u00e9 que fa\u00e7o isso? (risos) Recentemente tocamos em BH, fizemos dois Sescs, e tamb\u00e9m duas cidades na Para\u00edba. Em BH e em S\u00e3o Paulo a gente n\u00e3o tocou \u201cPra Recome\u00e7ar\u201d, e uma galera ficou puta (risos) \u201cComo n\u00e3o tocaram?\u201d Eu respondi, \u201cn\u00e3o, bicho, a banda j\u00e1 recome\u00e7ou, n\u00e3o tem mais muito esse significado pra n\u00f3s\u201d, e o cara \u201cmas pra mim, \u2018Pra Recome\u00e7ar\u2019 \u00e9 outra coisa, eu vivi isso e aquilo\u201d. A m\u00fasica n\u00e3o tem a ver comigo mais, o p\u00fablico d\u00e1 o significado dele. A\u00ed tocamos na Para\u00edba e porra, music\u00e3o, n\u00e9? (risos) N\u00e3o d\u00e1 para deixar de fora, n\u00e3o. Mas t\u00e1 dif\u00edcil fazer esse setlist. Eu ainda n\u00e3o sei o que vai acontecer. Em setembro vamos gravar um ao vivo no est\u00fadio, tocando o &#8220;Pivete&#8221; do come\u00e7o ao fim. Querendo ou n\u00e3o, a gente vai ensaiar muito e isso vai ditar um pouco a rela\u00e7\u00e3o com essas m\u00fasicas no palco \u2013 o prazer de tocar ao vivo, sabe?<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Selvagens \u00e0 Procura de Lei - Pra Recome\u00e7ar (V\u00eddeo Oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/OYua6ndjYGs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E para quem voc\u00eas tocam? Ou, sendo mais espec\u00edfico: quem \u00e9 o p\u00fablico do Selvagens hoje? Porque voc\u00eas nasceram em um per\u00edodo meio de entressafra, de transi\u00e7\u00e3o: o \u00edndie j\u00e1 estava meio disperso e n\u00e3o era mais t\u00e3o roqueiro, voc\u00eas vinham do underground mas lan\u00e7am o primeiro disco pela Universal, mas as r\u00e1dios j\u00e1 mais fechadas, a MTV \u00e0 beira da morte\u2026 Mas se voc\u00eas est\u00e3o nessa h\u00e1 15 anos, \u00e9 \u00f3bvio que tem muita gente querendo ouvir. Ent\u00e3o a pergunta n\u00e3o \u00e9 de \u201ctarget de marketing\u201d, mas sim de querer entender mesmo com quem voc\u00eas falam hoje em dia. Me surpreendeu no Casar\u00e3o a quantidade de pessoas bem jovens \u2013 tipo, 20 anos e at\u00e9 menos \u2013 que sabia cantar todas as m\u00fasicas.<\/strong><br \/>\nCara, [o p\u00fablico] mudou muito essa volta da banda. Me surpreendeu demais, porque quando a gente marcou a turn\u00ea do ano passado, depois de tudo que rolou, a gente n\u00e3o sabia como ia ser. E, de novo, tudo na bilheteria. E deu certo. Em todo show do ano passado eu perguntava [ao p\u00fablico]: \u201cquem t\u00e1 vendo a gente pela primeira vez?\u201d Cara, 70% tava vendo um show do Selvagens pela primeira vez, e eu fiquei refletindo sobre isso. Acho que a pandemia aconteceu. Essa galera muito nova que gosta da gente s\u00e3o pessoas que possivelmente ficaram independentes financeiramente na pandemia, se tornaram jovens adultos, e escutavam Selvagens desde cedo. Muita gente falou assim: &#8220;meu irm\u00e3o mais velho escutava demais\u201d. E essas pessoas hoje t\u00eam 20, 20 e poucos anos, est\u00e3o com um pouquinho de poder aquisitivo e conseguem sair. E \u00e9 uma galera com muita vontade de sair de casa. Imagina voc\u00ea fazer 18 anos de idade num pandemia, aquele per\u00edodo todo\u2026 Porra! N\u00e3o deve ter sido f\u00e1cil, n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas gravaram \u201cN\u00e3o Estou nem A\u00ed\u201d para essa homenagem ao 68 anos de Arnaldo Baptista com regrava\u00e7\u00f5es de muitos outros artistas, e ele tamb\u00e9m est\u00e1 em &#8220;Pivete&#8221;. Como foi gravar com ele?<\/strong><br \/>\nFoi \u00f3timo. Eu estava esperando o momento, desde o &#8220;Praieiro&#8221; (2016) que eu espero por esse contato. Em \u201cO Amor \u00e9 Um Rock 2\u201d, eu falo \u201cesse rock vai para Tom Z\u00e9, Raul Seixas e Arnaldo Baptista\u201d. Ano passado consegui entrar em contato e deu certo. Eu n\u00e3o estive presente durante a grava\u00e7\u00e3o, terceirizei a pro Juliano Rosa, filho do Samuel. Ele est\u00e1 com um est\u00fadio novo em BH \u2013 o Arnaldo est\u00e1 morando l\u00e1 \u2013 e fez a grava\u00e7\u00e3o. Mas a gente tocou em BH h\u00e1 algumas semanas e a gente conseguiu estar com ele, e foi maravilhoso. Minha primeira inten\u00e7\u00e3o pro Arnaldo era ele ter feito a introdu\u00e7\u00e3o de \u201cTrem Doido\u201d. que virou \u201cManual do Jogo da Vida\u201d (que acabou sendo feita por Mois\u00e9s Loureiro), mas era muito texto para ele ler. Mas j\u00e1 que \u00e9 um disco doid\u00e3o (risos), onde tudo pode ser, vamos fazer que nem o final do Sgt. Pepper\u2019s\u2026, e meter um \u201cTrem Doido Reprise\u201d (risos), que vai ser a pen\u00faltima faixa, bem r\u00e1pida. A gente inventou essa hist\u00f3ria com ele: pian\u00e3o, uma nota s\u00f3, a gente gravando todo o resto, ele falando \u201cnesse trem doido\u201d e a gente respondendo. Ele se divertiu pra caramba: fez \u201cpiu\u00edii\u201d, pediu mais phaser na voz&#8230; (risos) Foi super divertido.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"N\u00e3o Estou Nem A\u00ed\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/asCqHrQFkHk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ouvindo isso tudo que falamos at\u00e9 aqui, passa uma impress\u00e3o muito forte de que parece ter se sentido livre nesse disco como n\u00e3o se sentiu em nenhum outro\u2026<\/strong><br \/>\nTem que ser assim, porque do contr\u00e1rio n\u00e3o faz o menor sentido, n\u00e9, bicho? \u00c9 melhor largar tudo, passar no concurso p\u00fablico, sei l\u00e1. O Tat\u00e1 [Aeroplano] tamb\u00e9m me ajudou muito a entender isso, aprendo muito com ele como ser um artista independente. O Tagore tamb\u00e9m, ele \u00e9 um cara que parece j\u00e1 ter na cabe\u00e7a os pr\u00f3ximos tr\u00eas, quatro discos que quer fazer. Eu sentia falta dessa liberdade, porque sei que essa vontade sempre existiu dentro de mim, mas acabei entrando na l\u00f3gica da gravadora. T\u00ednhamos um disco pronto e que s\u00f3 foi lan\u00e7ado um ano depois. Aquilo me deixou maluco: ter que seguir o prazo dos outros. Agora, estando independente e conseguindo produzir o disco por conta pr\u00f3pria, junto com o Mateus e os meninos da banda, tudo tem sido muito mais frut\u00edfero. Estou gostando muito dessa possibilidade. N\u00e3o vejo problema nenhum em lan\u00e7ar um disco por ano. E talvez a gente possa at\u00e9 fazer uma turn\u00ea de um disco e, depois, pensar em algo completamente diferente. Tenho vontade de fazer uma coisa como o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/10\/15\/disco-da-semana-in-rainbows-do-radiohead\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Radiohead fez com &#8220;In Rainbows&#8221;<\/a>: acabar o contrato com a gravadora, lan\u00e7ar o disco de uma maneira inesperada, quase na contram\u00e3o do modelo tradicional. Em vez de passar tr\u00eas meses preparando o lan\u00e7amento, poder\u00edamos anunciar numa segunda-feira que na sexta tem disco novo. \u00c9 totalmente antimarketing, mas talvez justamente por isso seja um marketing bom. Gosto da ideia de ir contra o modelo que inventaram para a gente. No fim, ningu\u00e9m tem a resposta sobre qual \u00e9 o melhor caminho. At\u00e9 que algu\u00e9m faz alguma coisa diferente, d\u00e1 certo e, ent\u00e3o, aquilo passa a ser considerado o novo modelo. Cada artista tem suas decis\u00f5es. O importante \u00e9 ter consci\u00eancia do caminho que voc\u00ea quer trilhar e do que quer entregar artisticamente. Eu quero detonar. Quero fazer turn\u00eas cada vez maiores, porque adoro tocar ao vivo. Ao mesmo tempo, quero cada vez mais conforto na estrada. Turn\u00ea \u00e9 dif\u00edcil, ent\u00e3o n\u00e3o precisa ser tudo feito de qualquer jeito. Mas meu grande sonho hoje \u00e9 lan\u00e7ar um disco por ano. Eu falo isso e todo mundo na banda fica maluco: \u201cVoc\u00ea quer lan\u00e7ar um disco ano que vem? Acabou de lan\u00e7ar um monte de m\u00fasicas!\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00e3o outro com 20 m\u00fasicas, imagino (risos).<\/strong><br \/>\nN\u00e3o! (risos) N\u00e3o necessariamente quero fazer um disco enorme, mas quero me esfor\u00e7ar para que todo m\u00eas de agosto seja um per\u00edodo de produ\u00e7\u00e3o. J\u00e1 estou com um caderno cheio de letras e peda\u00e7os de m\u00fasicas. E n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de querer lan\u00e7ar discos em sequ\u00eancia por uma raz\u00e3o comercial. Na verdade, \u00e9 uma forma de me libertar artisticamente.Eu sou muito controlador. N\u00e3o sou uma pessoa do improviso, n\u00e3o penso r\u00e1pido, n\u00e3o sou aquele cara que consegue dar uma resposta imediatamente ou fazer um solo de guitarra de repente. Preciso ir para casa e pensar com calma no que vou compor. Se voc\u00ea me der dois anos para fazer um disco, provavelmente vou querer colocar nele o melhor de tudo que produzi nesse per\u00edodo, e muita coisa vai acabar ficando de fora. Algumas ideias, que poderiam virar um disco mais espont\u00e2neo, ir\u00e3o eternamente para a gaveta. Por isso, lan\u00e7ar um disco por ano, para mim, \u00e9 uma maneira de chegar mais perto do improviso. Tenho essas m\u00fasicas aqui, algumas v\u00e3o ser mais fortes, outras v\u00e3o ficar como lados B, e tudo bem. N\u00e3o acho que um lado B seja necessariamente algo ruim. Penso muito nos grandes artistas dos anos 1960 e 1970, que lan\u00e7avam praticamente um disco por ano. Havia uma m\u00fasica mais comercial, uma m\u00fasica de trabalho, mas tamb\u00e9m existia espa\u00e7o para abstra\u00e7\u00f5es, experimenta\u00e7\u00f5es e coisas diferentes. \u00c9 isso que me interessa. Gosto muito do King Gizzard, que chega ao extremo de lan\u00e7ar v\u00e1rios discos em um ano. N\u00e3o sou eles, evidentemente, mas, se pudesse fazer pelo menos um disco por ano, eu adoraria.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"PIVETE\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_nTcH5b3vJEoLLxOEBQMyiVcpTxDxFXITs\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) \u00e9 produtor e<\/em><em>\u00a0autor do livro \u201c<a href=\"https:\/\/editorabarbante.com.br\/produtos\/o-evangelho-segundo-odair-censura-igreja-e-o-filho-de-jose-e-maria\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O Evangelho Segundo Odair: Censura, Igreja e O Filho de Jos\u00e9 e Maria<\/a>\u201c.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Gabriel Arag\u00e3o diz que pretende explorar muitos outros caminhos musicais com a banda, e que, se puder, pretende lan\u00e7ar pelo menos um disco por ano.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/09\/25\/entrevista-selvagens-a-procura-de-lei-lanca-pivete-um-disco-com-20-musicas-e-gabriel-aragao-fala-de-inspiracao-parcerias-e-estrada\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":97585,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7548,4833,3],"tags":[914],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/97581"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=97581"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/97581\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":97588,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/97581\/revisions\/97588"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/97585"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=97581"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=97581"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=97581"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}