{"id":97549,"date":"2026-09-22T00:11:13","date_gmt":"2026-09-22T03:11:13","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=97549"},"modified":"2026-10-06T11:01:34","modified_gmt":"2026-10-06T14:01:34","slug":"entrevista-tres-palavras-resumem-a-mostra-cinebh-movimento-transformacao-e-encontro-pontua-raquel-hallak","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/09\/22\/entrevista-tres-palavras-resumem-a-mostra-cinebh-movimento-transformacao-e-encontro-pontua-raquel-hallak\/","title":{"rendered":"Entrevista: &#8220;Tr\u00eas palavras resumem a Mostra CineBH: movimento, transforma\u00e7\u00e3o e encontro&#8221;, pontua Raquel Hallak"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tema central da 20\u00aa edi\u00e7\u00e3o da <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=cinebh\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mostra de Cinema de Belo Horizonte \u2013 CineBH<\/a> destaca a indaga\u00e7\u00e3o &#8220;O Cinema Latino-Americano: O que ser\u00e1?&#8221;, referenciando a can\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica de Chico Buarque. O tradicional evento mineiro chega a duas d\u00e9cadas de exist\u00eancia evidenciando a hist\u00f3ria do cinema feito na Am\u00e9rica Latina atrav\u00e9s tanto de mostras retrospectivas quanto da apresenta\u00e7\u00e3o do que de mais recente foi produzido no Brasil e nos pa\u00edses hermanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Amostra destaca a exibi\u00e7\u00e3o de &#8220;Se Eu Fosse Vivo&#8230; Vivia&#8221;, novo filme de Andr\u00e9 Novais Oliveira, um dos principais nomes da gera\u00e7\u00e3o atual de cineastas brasileiros, e destaque no <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/festival-de-cinema-de-brasilia\/\">Festival de Bras\u00edlia do Cinema Brasileiro 2026<\/a>. Mescla de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica com drama acerca da solid\u00e3o, o casal Jacira e Gilberto, juntos h\u00e1 quase meio s\u00e9culo, vivem os percal\u00e7os da vida em conjunto durante a terceira idade. Um tenro retrato de dois ador\u00e1veis personagens e uma marca evidente do belo cinema feito por Novais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Raquel Hallak, diretora-geral da Universo Produ\u00e7\u00e3o, respons\u00e1vel pela organiza\u00e7\u00e3o das principais mostras mineiras, que incluem n\u00e3o somente a CineBH, mas, tamb\u00e9m, a Mostra de Cinema de Ouro Preto &#8211; CineOP, cujo foco tem\u00e1tico \u00e9 o da preserva\u00e7\u00e3o, e a Mostra de Cinema de Tiradentes, que, ano a ano, apresenta um panorama do recente cen\u00e1rio nacional no cinema contempor\u00e2neo, voltou a conversar com o Scream &amp; Yell, dessa vez, sobre suas expectativas para a edi\u00e7\u00e3o de 2026 do CineBH: \u201cQueremos destacar o cinema como esse espa\u00e7o da multiplicidade de linguagens\u201d, diz Hallak. Leia o papo na integra abaixo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-97550 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/cinebh1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/cinebh1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/cinebh1-225x300.jpg 225w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Mostra de Cinema de Belo Horizonte completa duas d\u00e9cadas de exist\u00eancia em 2026. Nessa trajet\u00f3ria de tantos anos, muitas transforma\u00e7\u00f5es na produ\u00e7\u00e3o nacional de cinema, na cidade de BH, bem como na produ\u00e7\u00e3o latino-americana, que passou a ser foco da CineBH h\u00e1 cinco anos. Como coordenadora geral do evento, como voc\u00ea pontua esse marco de vinte edi\u00e7\u00f5es?<\/strong><br \/>\n\u00c9 uma edi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica! Sempre buscamos fazer um cinema representativo dessa capital. \u00c9 uma trajet\u00f3ria constru\u00edda com continuidade, resist\u00eancia, inova\u00e7\u00e3o e muito compromisso, porque acho que, dos tr\u00eas eventos que a gente faz, o CineBH \u00e9 o que traz um desafio maior. Porque al\u00e9m de ser o nosso evento internacional, \u00e9 um evento em uma capital onde, al\u00e9m de toda a programa\u00e7\u00e3o extensa, temos o desafio da comunica\u00e7\u00e3o, o desafio do deslocamento. Ao longo dos anos, teve essa descaracteriza\u00e7\u00e3o que Belo Horizonte sofreu com as salas de bairro. Hoje, a cidade tem tr\u00eas salas de cinema de bairro. J\u00e1 fomos uma capital com mais de 120 salas. Celebrar esses vinte anos dessa mostra que nasceu com esse prop\u00f3sito, de inserir Belo Horizonte no circuito internacional do cinema, \u00e9 muito gratificante. \u00c9 um reconhecimento desse trabalho que \u00e9 coletivo, que ajudou a construir n\u00e3o somente um evento consolidado, mas, tamb\u00e9m, uma refer\u00eancia em Belo Horizonte. Um evento que reafirma a voca\u00e7\u00e3o de Belo Horizonte para a economia criativa, uma capital que tem essa voca\u00e7\u00e3o muito mais para as artes, para a cultura, para os encontros do que para a ind\u00fastria em si. Ent\u00e3o, acho que \u00e9 uma conex\u00e3o do que estamos somando com o passado e com o presente, mas, tamb\u00e9m, mostrando e trazendo para essa edi\u00e7\u00e3o uma perspectiva de futuro com foco no cinema latino-americano. A Mostra CineBH ajudou a ampliar essa visibilidade dessa produ\u00e7\u00e3o independente que n\u00e3o chegava ao circuito comercial. Tr\u00eas palavras que resumem s\u00e3o: movimento, transforma\u00e7\u00e3o e encontro. Foi atrav\u00e9s dos encontros de filmes, de realizadores, de profissionais do audiovisual, de pesquisadores em uma contribui\u00e7\u00e3o muito bacana que abriu espa\u00e7o para diferentes gera\u00e7\u00f5es de cineastas. E estamos fazendo isso com o cinema latino-americano. De cinco anos para c\u00e1, estamos abrindo no Brasil uma janela para esse cinema latino-americano. Um cinema latino-americano que tamb\u00e9m n\u00e3o tem espa\u00e7o. S\u00e3o hist\u00f3rias de pa\u00edses vizinhos muito parecidas com a nossa, tanto do ponto de vista do cinema quanto dos impactos sociais, pol\u00edticos e econ\u00f4micos que refletem na produ\u00e7\u00e3o. Por isso, acho que a Mostra CineBH, nesses vinte anos, \u00e9 um momento mesmo de celebra\u00e7\u00e3o, de representar essa cena latino-americana no Brasil, nesse evento internacional que projetou a cidade de Belo Horizonte. Lembro que, quando a gente come\u00e7ou a fazer o evento, ningu\u00e9m conhecia Belo Horizonte. A gente tinha que mandar link de Ouro Preto, que era uma cidade em Minas conhecida pela quest\u00e3o hist\u00f3rica, sendo uma cidade patrim\u00f4nio. Em BH, ainda n\u00e3o existia o Inhotim. Foi somente depois que o Inhotim veio a ajudar muito nessa proje\u00e7\u00e3o de Belo Horizonte no cen\u00e1rio internacional. Foi realmente uma trajet\u00f3ria de muitas conquistas e de muita vontade de fazer diferen\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E \u00e9 interessante voc\u00ea falar dessa quest\u00e3o da proje\u00e7\u00e3o e ver nomes como o do pessoal da Filmes de Pl\u00e1stico, dentre eles o Andr\u00e9 Novais Oliveira, que, agora, um diretor consagrado internacionalmente, cujo mais recente trabalho, &#8220;Se Eu Fosse Vivo&#8230; Vivia&#8221; \u00e9 o filme de abertura dessa edi\u00e7\u00e3o (e acabou de vencer o Festival de Bras\u00edlia).<\/strong><br \/>\nVerdade. E juntando as tr\u00eas mostra de cinema da Universo, s\u00e3o muitos casos de realizadores que foram surgindo no decorrer dessa hist\u00f3ria. A Filmes de Pl\u00e1stico \u00e9 uma produtora emblem\u00e1tica nesse sentido, porque o Gabriel Martins come\u00e7a fazendo oficina aos 11 anos de idade na Mostra Tiradentes. O Andr\u00e9 Novais teve seu primeiro curta selecionado para o Festival de Cannes em uma exibi\u00e7\u00e3o que aconteceu na Mostra de Tiradentes. E a partir da\u00ed, nunca mais ele perdeu um edital. \u00c9 a partir da\u00ed que ele fica conhecido internacionalmente porque ele foi para o Festival de Cannes e, l\u00e1, ganhou men\u00e7\u00e3o honrosa. E eles criaram a Filmes de Pl\u00e1stico, que tem, tamb\u00e9m, o Thiago (Macedo) como produtor e o Maur\u00edlio (Martins), tamb\u00e9m, diretor. Quer dizer, cada um deles teve uma viv\u00eancia e uma experi\u00eancia muito diferente nas mostras. Na d\u00e9cima edi\u00e7\u00e3o da CineBH, homenageamos a Filmes de Pl\u00e1stico. De l\u00e1 para c\u00e1, temos homenageado, inclusive, atores e atrizes que surgiram a partir das produ\u00e7\u00f5es, como foi o caso da Rejane Faria e do Carlos Francisco. \u00c9 essa cadeia que as mostras de cinema v\u00e3o proporcionando com essa quest\u00e3o do encontro, do evento, dessa possibilidade das trocas, da experi\u00eancia e da forma\u00e7\u00e3o, principalmente. Da possibilidade de voc\u00ea conhecer e fazer neg\u00f3cios. Temos v\u00e1rios casos assim. O (produtor) Rodrigo Teixeira com o (diretor) Lincoln P\u00e9ricles, por exemplo. Eles estiveram juntos em um debate na Mostra Tiradentes SP, e eu tive a not\u00edcia agora do Lincoln P\u00e9ricles, na Mostra CineOP 2026, que ele fechou um uma produ\u00e7\u00e3o com Rodrigo Teixeira. Lembro, tamb\u00e9m, da Teia, que, hoje, \u00e9 uma produtora mineira. O pessoal da Alumbramento, tamb\u00e9m. Todas essas produtoras surgiram como coletivos em encontros durantes as nossas mostras. Ent\u00e3o, realmente, temos sido o espa\u00e7o de forma\u00e7\u00e3o dessa gera\u00e7\u00e3o dos \u00faltimos vinte anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E a edi\u00e7\u00e3o 2026 homenageia, tamb\u00e9m, Concei\u00e7\u00e3o Evaristo, cuja presen\u00e7a como atriz e co-protagonista do filme do Andr\u00e9 traz toda uma surpresa.<\/strong><br \/>\n\u00c9 bacana isso. A gente quer destac\u00e1-la. Uma pessoa que j\u00e1 tem toda uma trajet\u00f3ria consolidada na literatura e \u00e9 essa aposta do cinema. Porque \u00e9 a estreia dela no cinema como atriz. J\u00e1 tive not\u00edcia que ela estar\u00e1 em mais dois outros filmes. E queremos destacar, tamb\u00e9m, o cinema como esse espa\u00e7o da multiplicidade de linguagens. E a aposta dessa homenagem dela com atriz. Queremos chancelar isso. Vamos conhecer a Concei\u00e7\u00e3o Evaristo na tela do cinema como atriz. Ent\u00e3o, acho que isso \u00e9 um reconhecimento tamb\u00e9m novo para ela, que eu acho que ela n\u00e3o imaginava. E trazer essa chancela da protagonista do cinema brasileiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Al\u00e9m dela, a homenagem \u00e0 cineasta paraguaia Paz Encina confirma essa rela\u00e7\u00e3o, essa unicidade que voc\u00ea citou anteriormente da Mostra CineBH com o cinema da Am\u00e9rica Latina.<\/strong><br \/>\nEstamos muito felizes com a vinda da Paz Encina para o CineBH. \u00c9 uma tentativa nossa j\u00e1 de alguns anos e que deu certo agora. S\u00e3o duas mulheres que v\u00e3o ser homenageadas nessa edi\u00e7\u00e3o. Cada uma com a sua trajet\u00f3ria e sua hist\u00f3ria. E a Paz Encina vai coroar esses cinco anos em que estamos trabalhando o cinema latino-americano. O primeiro filme dela, o \u201cHamaca Paraguaya\u201d (2006) tamb\u00e9m est\u00e1 fazendo vinte anos. J\u00e1 o \u201cEjercicios de Memoria\u201d (2016) est\u00e1 completando dez anos. Ent\u00e3o, vamos exibi-los na Mostra de Di\u00e1logos Hist\u00f3ricos junto com o filme mais recente dela (\u201cCarta a un Viejo Master\u201d, de 2024). \u00c9 uma homenagem, tamb\u00e9m, que comp\u00f5e a Mostra Di\u00e1logos Hist\u00f3ricos e que tem esse prop\u00f3sito de olhar para esses filmes que est\u00e3o celebrando datas comemorativas ou que foram e s\u00e3o destaques dentro da cinematografia do seu pa\u00eds e, no caso, tamb\u00e9m, da Am\u00e9rica Latina. E a Paz Encina vai estar presente com a gente. Ela vai receber o Trof\u00e9u Horizonte na abertura, realizar\u00e1 uma masterclass, al\u00e9m contar sobre sua trajet\u00f3ria no cinema latino-americano.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-97552 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/paz.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/paz.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/paz-225x300.jpg 225w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Brasil CineMundi chega \u00e0 sua 17\u00aa edi\u00e7\u00e3o com um recorde de 375 projetos inscritos.<\/strong><br \/>\nSim. Tivemos um recorde de inscri\u00e7\u00f5es de projetos de longa-metragem vindo de 11 estados brasileiros. Minas Gerais lidera essa presen\u00e7a com 10 trabalhos, algo que para a gente, \u00e9 muito importante porque mostra essa efervesc\u00eancia, tamb\u00e9m, do cinema mineiro, seguido por S\u00e3o Paulo e Pernambuco. E essa edi\u00e7\u00e3o traz 37 projetos que v\u00e3o estar distribu\u00eddos em cinco categorias. S\u00e3o dez projetos na Horizonte, que \u00e9 dedicadas \u00e0 fic\u00e7\u00e3o em desenvolvimento. Seis projetos est\u00e3o na categoria DocBrasil de document\u00e1rios. Seis projetos est\u00e3o na Foco Minas, que \u00e9 uma categoria exclusiva para projetos mineiros. E temos cinco no Work in Progress (WIP), voltado para filmes que est\u00e3o em seu primeiro corte. Fechando, temos dez filmes na categoria Projeto Paradiso Multiplica. O Brasil CineMundi, al\u00e9m desse ambiente dos encontros individuais onde esses projetos ser\u00e3o apresentados para representantes da ind\u00fastria de 15 pa\u00edses, tamb\u00e9m oferece um programa de forma\u00e7\u00e3o muito consistente. \u00c9 um programa consistente na parte de laborat\u00f3rio de desenvolvimento dos projetos que foram selecionados. Isso para eles prepar\u00e1-los para esse encontro individual aqui e, tamb\u00e9m, j\u00e1 prepar\u00e1-los para pensar a co-produ\u00e7\u00e3o do seu filme. E esse \u00e9 o objetivo principal: queremos que mais projetos saiam do papel, tornem-se filmes e tenham parceiros internacionais para que possam circular internacionalmente. Tamb\u00e9m oferecemos um programa de forma\u00e7\u00e3o chamado CineMundi Lab, que re\u00fane masterclass, debates, pain\u00e9is, rodas de conversa. Esse ano, esse programa de forma\u00e7\u00e3o conta com a participa\u00e7\u00e3o de mais de 50 convidados em um centro de vinte atividades com assuntos desde internacionaliza\u00e7\u00e3o do cinema, co-produ\u00e7\u00e3o e fundos de investimento. S\u00e3o 17 anos do Brasil CineMundi. Ent\u00e3o, \u00e9 um momento e um ambiente de mercado muito importante pro cinema brasileiro. Esse ano vamos lan\u00e7ar, inclusive, uma publica\u00e7\u00e3o mostrando exatamente essa trajet\u00f3ria dos 17 anos. Mostrando os projetos que estavam no papel e viraram filmes. Projetos que foram para as telas e que estrearam comercialmente. A publica\u00e7\u00e3o vai mostrar o que o CineBH proporcionou para a internacionaliza\u00e7\u00e3o do cinema brasileiro. \u00c9 um evento de mercado muito importante e sedimentado que acontece simultaneamente \u00e0 Mostra CineBH e que tem sido respons\u00e1vel por essa internacionaliza\u00e7\u00e3o do cinema brasileiro. Para voc\u00ea ter uma ideia, projetos como &#8220;Bacurau&#8221; (2019), &#8220;Benzinho&#8221; (2018) e &#8220;Tinta Bruta&#8221; (2018) passaram por aqui. Tantos projetos que vimos nascer no Brasil CineMundi como uma aposta inicial do evento e conseguiram n\u00e3o s\u00f3 chegar \u00e0s telas, como, tamb\u00e9m, atrair esses parceiros internacionais que faz com que esses filmes estreiem no circuito internacional, recebam recursos de produ\u00e7\u00e3o que n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 brasileiros. E a partir disso, ganhamos, tamb\u00e9m, notoriedade para os realizadores e produtores. Para poderem abrir caminhos para os seus pr\u00f3ximos projetos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E s\u00e3o quatro publica\u00e7\u00f5es recentes sobre as mostras realizadas pela Universo Produ\u00e7\u00e3o, n\u00e9?<\/strong><br \/>\nIsso. Lan\u00e7amos, na CineOP, a publica\u00e7\u00e3o sobre a Mostra de Ouro Preto, que tem o foco da preserva\u00e7\u00e3o, aproveitando a ocasi\u00e3o dos vinte anos do evento em 2025. Agora, lan\u00e7aremos esses dois livros e, em Tiradentes, lan\u00e7amos um sobre a trig\u00e9sima mostra. As quatro publica\u00e7\u00f5es fazem parte dessa cole\u00e7\u00e3o Cinema Sem Fronteiras. Ao mesmo tempo que t\u00eam sess\u00f5es que falam da trajet\u00f3ria do evento, t\u00eam sess\u00f5es que trazem reflex\u00f5es, dados, contribui\u00e7\u00f5es sobre o foco de cada um. Ent\u00e3o, o CineBH sobre o cinema latino-americano; o Brasil CineMundi sobre o mercado audiovisual, sobre a internacionaliza\u00e7\u00e3o; a CineOP, em Ouro Preto, sobre a preserva\u00e7\u00e3o; e Tiradentes sobre o cinema contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nessa trajet\u00f3ria de mais de trinta anos \u00e0 frente da coordena\u00e7\u00e3o das mostras que a Universo Produ\u00e7\u00e3o realiza, voc\u00ea j\u00e1 testemunhou diversos momentos de dificuldades na cultura brasileira. Um governo de extrema-direita que ia contra a cultura, uma pandemia, s\u00e3o dois desses momentos. Em um ano de elei\u00e7\u00e3o, o que voc\u00ea espera desse novo governo?<\/strong><br \/>\nBom, todo o desejo que temos \u00e9 que a cultura possa ter pol\u00edticas p\u00fablicas. Tanto a cultura brasileira como um todo como o audiovisual. Sem pol\u00edticas p\u00fablicas, vemos as interrup\u00e7\u00f5es op\u00e7\u00f5es que j\u00e1 aconteceram ao longo dessa trajet\u00f3ria de pouco mais de 120 anos do cinema brasileiro. Ent\u00e3o, a primeira coisa, independente do governo, \u00e9 que precisamos que os governantes, em todos os n\u00edveis, municipal, estadual, federal, assegurem pol\u00edticas p\u00fablicas para o fomento da cultura e para a difus\u00e3o. Governantes que entendam a cultura como uma parte da ind\u00fastria que gera emprego, que gera renda, que traz impacto social e econ\u00f4mico e de desenvolvimento social. Ent\u00e3o, diante dessa trajet\u00f3ria de pouco mais de 30 anos, temos tamb\u00e9m um desafio para continuar com esses eventos. As pol\u00edticas p\u00fablicas precisam se refletir, tamb\u00e9m, em incentivos. Temos a Lei de Incentivo, mas temos uma reforma tribut\u00e1ria. Enfim, estamos sempre em estado de alerta para o que est\u00e1 por vir. Ent\u00e3o, continuamos sonhando, mas, tamb\u00e9m, resistentes e resilientes. Continuamos mantendo o nosso compromisso com o cinema brasileiro, de valoriza\u00e7\u00e3o, de promo\u00e7\u00e3o, de difus\u00e3o e, ao mesmo, tempo, investindo nessa parte da forma\u00e7\u00e3o, que \u00e9 fundamental para aumentar a ind\u00fastria do audiovisual. Ent\u00e3o, espero que a gente possa continuar sonhando no nosso pa\u00eds. Que a gente n\u00e3o perca a esperan\u00e7a de que sempre dias melhores est\u00e3o por vir. E que a gente possa continuar essa trajet\u00f3ria nesse trabalho que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 de uma empresa, de uma pessoa. \u00c9 uma trajet\u00f3ria coletiva, de muitas m\u00e3os, cabe\u00e7as pensando juntas, acreditando no mesmo prop\u00f3sito de ter o cinema soberano e representando a nossa identidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 anos que o CineBH traz esse foco evidenciando o cinema latino-americano. E esse evidenciar se torna imprescind\u00edvel em um per\u00edodo no qual um governo como o dos EUA busca excluir o que \u00e9 latino. \u00c9 importante frisar essa miss\u00e3o da mostra em Belo Horizonte.<\/strong><br \/>\nSim, eu acho que temos que unir for\u00e7as entre os pa\u00edses que a gente pertence, que fazem parte do nosso continente. Porque, com certeza, nesse encontro, nessa uni\u00e3o de esfor\u00e7os, vamos conseguir construir caminhos poss\u00edveis para o nosso cinema latino-americano, Isso considerando, inclusive, que passamos pelas mesmas dificuldades, problemas, interrup\u00e7\u00f5es. E \u00e9 por isso que a tem\u00e1tica desse ano, &#8220;O Cinema Latino-Americano: O que ser\u00e1?&#8221;, \u00e9 exatamente para provocar uma reflex\u00e3o. Essa pergunta \u00e9 para provocar uma reflex\u00e3o do que est\u00e1 por vir e o que n\u00f3s estamos fazendo para que esse futuro continue existindo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-97551 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/conceicao.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/conceicao.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/conceicao-225x300.jpg 225w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100009655066720\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto\u00a0<\/a>\u00e9 jornalista, cr\u00edtico de cinema e curador do\u00a0<a href=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/xiii-panorama\/apresentacao\/panorama-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema<\/a>. Membro da Abraccine, colabora para o Jornal A Tarde, de Salvador, e \u00e9 autor de \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/11\/11\/entrevista-mitico-guitarrista-baiano-alvaro-assmar-ganha-biografia-joao-paulo-barreto-fala-sobre-uma-vida-blues\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Uma Vida Blues<\/a>\u201d, biografia de \u00c1lvaro Assmar.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Temos que unir for\u00e7as entre os pa\u00edses que a gente pertence, que fazem parte do nosso continente. Porque, nessa uni\u00e3o de esfor\u00e7os, vamos conseguir construir caminhos poss\u00edveis&#8221;, diz Raquel\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/09\/22\/entrevista-tres-palavras-resumem-a-mostra-cinebh-movimento-transformacao-e-encontro-pontua-raquel-hallak\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":21,"featured_media":97553,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[3182],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/97549"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=97549"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/97549\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":97554,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/97549\/revisions\/97554"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/97553"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=97549"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=97549"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=97549"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}