{"id":97509,"date":"2026-09-19T00:01:26","date_gmt":"2026-09-19T03:01:26","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=97509"},"modified":"2026-09-19T01:00:56","modified_gmt":"2026-09-19T04:00:56","slug":"entrevista-ary-rosa-fala-de-todo-o-sentimento-filme-seu-e-de-glenda-nicacio-que-imagina-o-brasil-apos-a-vitoria-do-golpe-de-8-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/09\/19\/entrevista-ary-rosa-fala-de-todo-o-sentimento-filme-seu-e-de-glenda-nicacio-que-imagina-o-brasil-apos-a-vitoria-do-golpe-de-8-1\/","title":{"rendered":"Entrevista: Ary Rosa fala sobre &#8220;Todo o Sentimento&#8221;, filme seu e de Glenda Nic\u00e1cio que imagina a vit\u00f3ria do golpe de 8\/1\/23"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/joao.paulo.barreto.824529\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em um Brasil quase p\u00f3s apocal\u00edptico, no qual a tentativa do golpe de estado de 8 de janeiro de 2023 se concretizou e toda uma onda de conservadorismo, preconceito e persegui\u00e7\u00e3o tomou conta do pa\u00eds, &#8220;Todo o Sentimento&#8221; (2026), novo trabalho de Glenda Nic\u00e1cio e Ary Rosa, apresenta um novo f\u00f4lego de luta dentro daquela realidade que requer resist\u00eancia. \u201cPara mim, n\u00e3o existe fic\u00e7\u00e3o maior que aquilo\u201d, pontua o diretor Ary Rosa em entrevista ao Scream &amp; Yell.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Todo o Sentimento&#8221; revisita \u201cA Ilha\u201d (2018), um trabalho anterior da dupla mineira radicada em Cachoeira-BA, resgatando um personagem, Henrique. &#8220;Acho que \u00e9 uma continua\u00e7\u00e3o\u201d, provoca Ary, que revela que \u201crevisitar os trabalhos, para mim, \u00e9 muito sobre revisitar e repensar o Brasil\u201d. Para o diretor, \u201co Brasil tem passado por transforma\u00e7\u00f5es em naturezas, escalas e possibilidades inimagin\u00e1veis que v\u00e3o atualizando um pouco as obras e as reflex\u00f5es sobre elas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Presente no <a href=\"https:\/\/festcinebrasilia.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Festival de Bras\u00edlia do Cinema Brasileiro 2026<\/a>, onde a dupla foi celebrada em 2016 com \u201cCaf\u00e9 com Canela\u201d, que arrebatou os trof\u00e9us de Melhor Roteiro (para Ary Rosa) e Melhor Atriz (para Valdin\u00e9ia Soriano), al\u00e9m do pr\u00eamio de Melhor Filme pelo J\u00fari Popular, &#8220;Todo o Sentimento&#8221; destaca Henrique (Aldri Anuncia\u00e7\u00e3o), um cineasta amargurado que, devido a um acidente, tornou-se cadeirante e precisar\u00e1 da ajuda de Gustavo (Lucas Leto) para poder<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse papo, Ary Rosa fala sobre o processo de constru\u00e7\u00e3o deste novo trabalho. Confira!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Trecho de divulga\u00e7\u00e3o - Todo o sentimento (2026)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/cK0zeiKF9Jk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No roteiro de &#8220;Todo o Sentimento&#8221;, voc\u00ea revisita um trabalho anterior seu e de Glenda, que \u00e9 o &#8220;Ilha&#8221; (2018). Sem querer dar um spoiler em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 inser\u00e7\u00e3o do filme de 2018, como foi esse processo de escrita e continuidade da hist\u00f3ria daquele personagem vivido por Aldri Anuncia\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nRevisitar os trabalhos, para mim, \u00e9 muito sobre revisitar o Brasil. Sobre repensar o Brasil. Desde que a gente come\u00e7ou a fazer cinema e o &#8220;Caf\u00e9 com Canela&#8221; (2016) representa essa marca inicial, o Brasil tem passado por transforma\u00e7\u00f5es em naturezas, escalas e possibilidades inimagin\u00e1veis que v\u00e3o atualizando um pouco as obras e as reflex\u00f5es sobre elas. Ent\u00e3o, tenho a sensa\u00e7\u00e3o de que, muito mais do que um ato de falar de si mesmo, e de se pensar em si mesmo, \u00e9 muito mais pensar as transforma\u00e7\u00f5es de um pa\u00eds. Como esses personagens se transformam diante dessa realidade. Como o Brasil se imp\u00f5e. Como o Brasil machuca. Como o Brasil vai te colocando em situa\u00e7\u00f5es de o tempo inteiro ter que negociar. E esses personagens entram nessa fic\u00e7\u00e3o. Porque, a maior fic\u00e7\u00e3o de &#8220;Todo o Sentimento&#8221; \u00e9 a parte inicial, que \u00e9 a do 8 de janeiro (de 2023). Para mim, n\u00e3o existe fic\u00e7\u00e3o maior que aquilo, que entra como quase que um document\u00e1rio, mas que est\u00e1 ali refletindo sobre um pa\u00eds que pode se transformar a qualquer momento e n\u00e3o se sabe muito para quais caminhos ele vai. Acho que a gente tem um per\u00edodo dos anos 1990 e anos 2000, onde o Brasil tinha um caminho que parecia que estava sendo tra\u00e7ado, e que imagino que a partir de 2013 e 2014 come\u00e7a a mudar completamente essa previsibilidade narrativa do pa\u00eds. Acho que essa narrativa do pa\u00eds acaba atravessando. E revisitar personagens, revisitar hist\u00f3rias, \u00e9 um pouco, tamb\u00e9m, parar para pensar sobre um pa\u00eds que se transforma e que nos obriga e fica nos colocando sempre nessa situa\u00e7\u00e3o de ter que se transformar tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea citou o 8 de janeiro de 2023 e o filme traz esse senso dist\u00f3pico que tem nessa data seu estopim e a pergunta sobre o que poderia ter acontecido.<\/strong><br \/>\n\u00c9 isso, mas tamb\u00e9m sobre o risco iminente que pode acontecer. Porque \u00e9 por muito pouco, n\u00e9? Tudo pode acontecer por muito pouco. E acho que, pela primeira vez, tamb\u00e9m, a gente faz uma reflex\u00e3o de como as coisas que acontecem fora do rec\u00f4ncavo baiano, que \u00e9 esse microcosmos que criamos para a nossa narrativa, interfere, tamb\u00e9m. Atravessa, tamb\u00e9m. O que se decide em Bras\u00edlia, o que acontece em Bras\u00edlia, uma hora chega no rec\u00f4ncavo. E chega de formas que, a\u00ed, a imagina\u00e7\u00e3o pode render. Mas acho que tem um pouco dessa perspectiva de pensar um pa\u00eds que interfere no indiv\u00edduo. Decis\u00f5es dessa escala majorit\u00e1ria que entram na nossa intimidade. Ent\u00e3o, estamos fazendo essa reflex\u00e3o. Acho que em outras obras nossas, tamb\u00e9m, j\u00e1 flertamos com isso. &#8220;Ilha&#8221; \u00e9 uma delas, j\u00e1 inicia esse ponto. E nem acho que seja um spoiler falar de &#8220;Ilha&#8221;. N\u00e3o sinto isso porque o personagem j\u00e1 est\u00e1 ali. Acho que \u00e9 uma continua\u00e7\u00e3o. N\u00e3o sei at\u00e9 que ponto conhecer &#8220;Ilha&#8221; vai interferir ou n\u00e3o (na leitura sobre \u201cTodo o Sentimento\u201d), se vai transformar. Porque, tamb\u00e9m, parte de uma perspectiva que eu n\u00e3o conhe\u00e7o porque estou internamente dentro do processo. E isso me causa muita curiosidade. Ver como esse filme vai bater para quem assistiu ao &#8220;Ilha&#8221;, para quem se lembra de &#8220;Ilha&#8221;, para quem n\u00e3o assistiu, ou para quem assistiu e j\u00e1 n\u00e3o lembra mais, como isso pode tamb\u00e9m interferir assim. Isso \u00e9 interessante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Lembro que a hist\u00f3ria do &#8220;Ilha&#8221; \u00e9 citada em uma conversa de bar dentro de uma das cenas de &#8220;At\u00e9 o Fim&#8221; (2020) e agora ressurge como um dos elementos da narrativa de &#8220;Todo Sentimento&#8221;. \u00c9 interessante ver voc\u00ea e Glenda criando esse universo dentro de suas pr\u00f3prias hist\u00f3rias.<\/strong><br \/>\nPara mim e para Glenda sempre foi muito valioso pensar o nosso trabalho como a constru\u00e7\u00e3o de um universo. Mesmo. Pensando em filmografia, em obra. A gente j\u00e1 fez filmes como &#8220;Voltei!&#8221; (2020) e &#8220;At\u00e9 o Fim&#8221;, que s\u00e3o filmes que a gente fez com do dinheiro do bolso, que a gente pagou, que a gente quis fazer porque sentimos necessidade de fazer. E essa \u00e9 uma perspectiva de quem est\u00e1 construindo algo que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um filme. Cada vez que lan\u00e7amos um filme, a gente se debru\u00e7a sobre pensar esse filme. Mas, tamb\u00e9m, \u00e9 muito gostoso poder pensar essa hist\u00f3ria que estamos construindo. Escolhemos ter uma linha de constru\u00e7\u00e3o que \u00e9 sobre o interior, que \u00e9 sobre as quest\u00f5es raciais, que \u00e9 sobre as quest\u00f5es de g\u00eanero. S\u00e3o muitas quest\u00f5es que v\u00e3o atravessando, e acho que de formas diferentes em cada filme, seja pela com\u00e9dia, seja pelo musical. Vamos mudando os g\u00eaneros, mas de alguma forma estamos sempre no mesmo lugar. Acho que essa rever\u00eancia ao rec\u00f4ncavo baiano em paralelo a uma cr\u00edtica social \u00e9 o tra\u00e7o que escolhemos para o nosso trabalho. E essa sensa\u00e7\u00e3o e essa vontade de criar algo. De que n\u00e3o \u00e9 somente por um filme. \u00c9 por uma estrutura que passa, sim, pela narrativa, mas tamb\u00e9m esbarra o tempo inteiro na sociedade. Esbarra em uma estrutura de produ\u00e7\u00e3o. Esbarra no questionar os processos, em questionar o pr\u00f3prio cinema em si. Em questionar o pre\u00e7o que se paga por escolher trabalhar com cinema, que \u00e9 um pre\u00e7o muito caro, muito dif\u00edcil. E quando \u00e9 no interior, ainda mais. Nosso cinema \u00e9 muito perif\u00e9rico. Independente da hist\u00f3ria que estamos contando, a periferia est\u00e1 sempre colocada. A precariedade est\u00e1 sempre colocada. N\u00e3o temos medo nem vergonha da precariedade. A precariedade \u00e9 tra\u00e7o fundamental do pr\u00f3prio fazer cinema que n\u00f3s escolhemos fazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea falou sobre a quest\u00e3o de ir para a com\u00e9dia, e &#8220;Todo o Sentimento&#8221; traz um tema bem s\u00e9rio, um desenvolvimento bem s\u00e9rio, mas h\u00e1 tra\u00e7os c\u00f4micos, principalmente na participa\u00e7\u00e3o de atores como Jackson Costa, Frank Menezes, Arlete Dias, Alan Miranda e Wall Diaz naqueles programas de televis\u00e3o. Eles s\u00e3o personagens assustadoramente reais e essa cr\u00edtica que existe ali inserida de forma t\u00e3o exacerbada, por\u00e9m, ao mesmo tempo, t\u00e3o sutil. Como foi essa constru\u00e7\u00e3o daquelas pessoas?<\/strong><br \/>\nAcho que o humor dialoga muito bem. Tem v\u00e1rias escalas e possibilidades de humor. Acho que esses personagens v\u00eam como caricaturas reais que n\u00e3o est\u00e3o t\u00e3o distantes do que vemos ao ligar a TV, principalmente quando falamos desse sensacionalismo e dessa ades\u00e3o, tamb\u00e9m, a um pensamento social e pol\u00edtico que \u00e9 simplificado, que \u00e9 sempre nessa perspectiva mesmo de uma ader\u00eancia a conceitos e a uma cria\u00e7\u00e3o conservadora que se importa muito com a vida do outro. Sempre de forma gen\u00e9rica, mas o indiv\u00edduo. O certo e o errado. O homem de bem e o homem ruim. A mulher certa e a mulher errada. S\u00e3o esses conceitos muito manique\u00edstas que uma parte da TV e das constru\u00e7\u00f5es da cultura acabam aderindo por uma simplifica\u00e7\u00e3o e a caricatura funciona bem. Nem acho que seja caricatura de uma forma pejorativa. Mas no sentido de inverter o jogo de alguma forma, quem sabe, no olhar dessas figuras. Eles que s\u00e3o o hegem\u00f4nico viram a caricatura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 um aspecto bem simb\u00f3lico do filme em uma das falas do Aldri, que \u00e9 quando ele fala da casa onde ele mora, sobre como a coisa mudou de figura e, hoje, ele \u00e9 o dono daquele casar\u00e3o. E o seu texto coloca isso de forma muito direta em perceber essa mudan\u00e7a. Queria te perguntar sobre a inser\u00e7\u00e3o desse momento e o simbolismo dele e para o filme em trazer justamente essa mensagem de resist\u00eancia dentro da arte.<\/strong><br \/>\nTem essa coisa. Acho que ali \u00e9 um pouco brincar sobre essa instabilidade de a gente uma hora estar por cima, outra hora estar por baixo. Voc\u00ea nunca conseguir ter uma perenidade. De n\u00e3o ser um caminho que voc\u00ea come\u00e7a a trabalhar, vai conquistando, vai conquistando, vai conquistando, se aposenta e morre em paz. O Brasil, principalmente no campo das artes, n\u00e3o possibilita muito esse espa\u00e7o. S\u00e3o sempre altos e baixos. Bons momentos e mal momentos. \u00c9 o fim e a retomada. \u00c9 sempre inseguran\u00e7a. Algo que passa pelo econ\u00f4mico, mas que tamb\u00e9m passa pelo criativo, que passa pelos espa\u00e7os. Voc\u00ea est\u00e1 sempre sendo testado. Ent\u00e3o, o cinema deu aquela casa para o Henrique, mas a sociedade vai l\u00e1 e tira. Ent\u00e3o vai dando e tirando, dando e tirando. Ent\u00e3o, quando ele est\u00e1 naquela casa, ele olha para um passado que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o distante, mas que \u00e9 uma fissura real na sociedade. \u00c9 uma casa colonial onde possivelmente existiam senhores e escravos e tudo. Ele vai l\u00e1 e, em algum momento, consegue dar a volta por cima e comprar aquele espa\u00e7o. E ele faz quest\u00e3o de lembrar o que \u00e9 aquele espa\u00e7o, para n\u00e3o esquecer do passado. Porque o futuro sempre volta. Essa coisa rotativa que o Brasil imp\u00f5e para a gente. Sobe, desce, sobe, desce, sobe, desce. \u00c9 um pouco sobre isso. Sobre essa inseguran\u00e7a e essa impossibilidade de estabiliza\u00e7\u00e3o. \u00c9 um pa\u00eds que n\u00e3o permite estar est\u00e1vel, de ter um percurso natural. Ele est\u00e1 no pior momento da vida dele, mas est\u00e1 em uma casa que ele comprou. Ent\u00e3o, acho que tem toda essa rela\u00e7\u00e3o de bens materiais que v\u00e3o se perdendo, que v\u00e3o sedo refeitos, sendo reconstru\u00eddos. E que j\u00e1 foi de um, que j\u00e1 passou pela decad\u00eancia, ent\u00e3o teve que vender e ele foi l\u00e1 e comprou, Mas agora \u00e9 a hora em que ele est\u00e1 na decad\u00eancia, mas aquela casa tem outro sentido para ele. Ele fica lembrando que o mundo d\u00e1 voltas e que a hist\u00f3ria \u00e9 muito cruel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Lembro que a montagem do &#8220;Ilha&#8221;, feita pelo Thacle de Souza e pela Poliana Costa, tinha um aspecto de rapidez, de cortes mais fren\u00e9ticos. E agora, com o Renan Bozelli como montador, voc\u00eas optam por algo diferente, mais fixo, mesmo que o filme anterior seja referenciado.<\/strong><br \/>\nEles apontam para lugares diferentes e a linguagem acaba se transformando. Se no &#8220;Ilha&#8221; apontamos para uma transforma\u00e7\u00e3o, para uma vontade que parte do personagem do Emerson, ent\u00e3o, \u00e9 uma c\u00e2mera na m\u00e3o, \u00e9 uma c\u00e2mera que o personagem est\u00e1 filmando. O personagem Thacle, que \u00e9 o fot\u00f3grafo, tamb\u00e9m, est\u00e1 ali filmando. \u00c9 um filme de movimento, um filme de a\u00e7\u00e3o. J\u00e1 o &#8220;Todo o Sentimento&#8221; fala de um momento de paralisia. A paralisia surge de v\u00e1rias formas, inclusive na c\u00e2mera. A c\u00e2mera \u00e9 fixa no trip\u00e9 o filme inteiro. S\u00f3 na \u00faltima sequ\u00eancia, que \u00e9 a da fogueira, que \u00e9 a c\u00e2mera na m\u00e3o e voltamos a ter gostinho de &#8220;Ilha&#8221;. Mas \u00e9 um filme parado, \u00e9 um filme com tempo. \u00c9 um filme diferente porque \u00e9 um pa\u00eds diferente, porque s\u00e3o possibilidades diferentes. \u00c9 o nosso \u00fanico filme que \u00e9 todo no trip\u00e9, que \u00e9 todo com c\u00e2mera est\u00e1tica, com planos abertos, onde a solid\u00e3o est\u00e1 muito presente. E eu acho que tem esse contraste. S\u00e3o filmes que dialogam com o mesmo personagem, Henrique, que est\u00e1 nos dois filmes, s\u00f3 que a c\u00e2mera performa, tamb\u00e9m, de acordo com o momento hist\u00f3rico e pessoal desse personagem. No &#8220;Ilha&#8221;, ele ainda tinha vida, ainda tinha sonho, ainda queria se transformar. J\u00e1 em &#8220;Todo o Sentimento&#8221; ele j\u00e1 desistiu, ele j\u00e1 n\u00e3o tem mais o que fazer. Ele tem medo, n\u00e3o tem mais coragem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas e Aldri j\u00e1 possuem uma s\u00e9rie de trabalhos juntos. Como \u00e9 criar essa sinergia?<\/strong><br \/>\nEu adoro. Estamos no momento de grava\u00e7\u00e3o da s\u00e9rie do &#8220;Caf\u00e9 com Canela&#8221;, que estamos fazendo para o Canal Brasil, e estamos juntos com o Aldri novamente. A gente tamb\u00e9m j\u00e1 est\u00e1 finalizando o filme que ele dirigiu, que eu fui produtor executivo. \u00c9 um grande parceiro. Uma pessoa que me inspira muito. Um ator genial. Genial mesmo. Dos melhores atores que eu j\u00e1 vi performar, de entendimento de personagem. \u00c9 um dramaturgo. Ent\u00e3o, tamb\u00e9m, tem a narrativa na cut\u00edcula da unha. Conhece bem o personagem que se prop\u00f5e a fazer e \u00e9 uma de inspira\u00e7\u00e3o maravilhosa. E \u00e9 muito gostoso poder contrapor ele com o Lucas Leto, que \u00e9 esse ator tamb\u00e9m incr\u00edvel de uma nova gera\u00e7\u00e3o que vem do Bando de Teatro Olodum e que agora chega na Globo, e que se mostrando como um grande ator que deve figurar nos pr\u00f3ximos anos. Ent\u00e3o, para mim \u00e9 um \u00e9 um encontro bonito e foi muito bom poder trabalhar com os dois em tempos diferentes, mas ambos com muita inspira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-97511 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/todoosentimento-cartaz-of4-31jul26.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1072\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/todoosentimento-cartaz-of4-31jul26.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/todoosentimento-cartaz-of4-31jul26-210x300.jpg 210w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100009655066720\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto\u00a0<\/a>\u00e9 jornalista, cr\u00edtico de cinema e curador do\u00a0<a href=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/xiii-panorama\/apresentacao\/panorama-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema<\/a>. Membro da Abraccine, colabora para o Jornal A Tarde, de Salvador, e \u00e9 autor de \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/11\/11\/entrevista-mitico-guitarrista-baiano-alvaro-assmar-ganha-biografia-joao-paulo-barreto-fala-sobre-uma-vida-blues\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Uma Vida Blues<\/a>\u201d, biografia de \u00c1lvaro Assmar.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Todo o Sentimento&#8221; revisita \u201cA Ilha\u201d (2018), um trabalho anterior da dupla mineira radicada em Cachoeira-BA, resgatando um personagem, Henrique.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/09\/19\/entrevista-ary-rosa-fala-de-todo-o-sentimento-filme-seu-e-de-glenda-nicacio-que-imagina-o-brasil-apos-a-vitoria-do-golpe-de-8-1\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":21,"featured_media":97510,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7548,4],"tags":[8379,8363,8380],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/97509"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=97509"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/97509\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":97514,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/97509\/revisions\/97514"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/97510"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=97509"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=97509"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=97509"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}