{"id":97468,"date":"2026-09-18T00:01:51","date_gmt":"2026-09-18T03:01:51","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=97468"},"modified":"2026-09-17T23:56:46","modified_gmt":"2026-09-18T02:56:46","slug":"entrevista-diogo-oliveira-fala-sobre-tempo-a-faca-filme-escrito-em-parceria-com-ruy-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/09\/18\/entrevista-diogo-oliveira-fala-sobre-tempo-a-faca-filme-escrito-em-parceria-com-ruy-guerra\/","title":{"rendered":"Entrevista: Diogo Oliveira fala sobre &#8220;Tempo \u00e0 Faca&#8221;, filme escrito em parceria com Ruy Guerra"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/joao.paulo.barreto.824529\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Tempo \u00e0 Faca&#8221;, novo filme do diretor <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/diogoocn\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Diogo Oliveira<\/a>, parte da programa\u00e7\u00e3o da <a href=\"https:\/\/festcinebrasilia.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">59\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Festival de Bras\u00edlia do Cinema Brasileiro<\/a>, surgiu de uma hist\u00f3ria original do veterano cineasta brasileiro Ruy Guerra. Com o roteiro desenvolvido com colabora\u00e7\u00e3o de Ruy e de Bruno Laet, a vers\u00e3o final \u00e9 assinada pelo pr\u00f3prio cineasta Diogo Oliveira. Em uma mescla de faroeste em sua estrutura cl\u00e1ssica, mas passando-se no sert\u00e3o nordestino, \u201cTempo a Faca\u201d \u00e9 um road movie que tem a vingan\u00e7a tardia, mas sempre infal\u00edvel, como algo a nortear seus personagens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em suas figuras centrais, essa vingan\u00e7a parece funcionar como algo a corroer mentes e aprision\u00e1-las em um ciclo vicioso cuja recompensa final poder\u00e1 n\u00e3o ser satisfat\u00f3ria mesmo se conclu\u00edda. Na trama, Neta (Agatha Moreira) segue em uma estrada com seu Cadillac 1968 de posse de uma faca e em busca de um destino que n\u00e3o ser\u00e1 feliz, mesmo que ela alcance seu objetivo sanguin\u00e1rio. Em paralelo a isso, o velho e aposentado jagun\u00e7o Deodato Cruz (Julio Adri\u00e3o), viaja a l\u00e9gua tirana da caatinga do sert\u00e3o em busca da reden\u00e7\u00e3o de uma filha que n\u00e3o viu crescer. Almejando chegar \u00e0 jovem para cumprir a promessa que fez \u00e0 finada esposa, Deodato quer lhe entregar um vestido de noiva. No entanto, jurado de morte pelo padrinho e tutor da menina desde crian\u00e7a (Carlos Bet\u00e3o), \u00e9 emboscado pelo jovem jagun\u00e7o Floro Xavier (Vertin Moura), a quem, ironicamente, acaba salvando a vida e gerando uma d\u00edvida do jovem perante ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa jornada, Deodato e Neta seguem nortes diferentes, mas com ambos levando a destinos cuja tragicidades se assemelham. Enquanto um almeja reencontrar sua filha para participar de um momento de comunh\u00e3o com aquela que n\u00e3o v\u00ea desde sua fuga amaldi\u00e7oada por uma jura de morte, a jovem Neta segue por uma estrada em busca de uma vingan\u00e7a que o espectador vai descobrindo aos poucos. O primeiro segue passos que j\u00e1 considera, conscientemente, serem seus \u00faltimos, uma vez sabe que sua jornada tem um destino suicida diante do que vai encontrar nessa busca por rever seu rebento que deixou para tr\u00e1s em uma fuga por sua vida. J\u00e1 a segunda, em sua gana por vingan\u00e7a, ainda n\u00e3o sabe o que vai encontrar e, em certo momento, desvia de sua rota quase como em um pedido interno de reden\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em um filme que aborda com tanta clareza a ideia que o peso de uma morte pode ou n\u00e3o afetar tanto aqueles que a causam quanto os que sofrem com aquela perda, &#8220;Tempo \u00e0 Faca&#8221; tem em sua ess\u00eancia essa rela\u00e7\u00e3o com a fugacidade da vida e as marcas da tragicidade que a interrup\u00e7\u00e3o s\u00fabita da mesma pode causar. &#8220;Poeticamente, carregamos nossos mortos conosco na vida. Ningu\u00e9m morre. O que morre \u00e9 s\u00f3 a carne. A gente carrega seja nas hist\u00f3rias ou nas lembran\u00e7as. Independente de religi\u00e3o ou n\u00e3o. A gente sempre carrega nossos mortos. O filme \u00e9 um debate filos\u00f3fico temporal&#8221;, afirma Diogo. Nada mais pertinente e exato. Confira o papo completo com o diretor.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Trailer: &quot;Tempo \u00e0 Faca&quot; (2026), de Diogo Oliveira\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/aSUcIqbvC2k?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea j\u00e1 tem experi\u00eancias anteriores de parcerias em roteiro com o Ruy Guerra. Como surgiu a proposta inicial para a dire\u00e7\u00e3o de &#8220;Tempo \u00e0 Faca&#8221;?<\/strong><br \/>\nEscrevi junto com ele o roteiro, sendo uma ideia original dele. Come\u00e7amos a escrever esse roteiro em 2009. Trabalhamos um ano no roteiro nessa \u00e9poca. O projeto ficou pausado por um bom tempo at\u00e9 a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/09\/04\/entrevista-vania-lima-e-rodrigo-luna-falam-sobre-a-serie-memorias-do-brasil\/,\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">V\u00e2nia Lima<\/a>, produtora da <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/temdende_\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tem Dend\u00ea Produ\u00e7\u00f5es<\/a>, pegar o projeto e o fazer desabrochar e acontecer. Com o Ruy dando carta branca, reescrevi umas partes, fiz essa adapta\u00e7\u00e3o e chegamos ao resultado de agora. O filme \u00e9 um debate filos\u00f3fico temporal. Poeticamente, carregamos nossos mortos conosco na vida. Ningu\u00e9m morre. O que morre \u00e9 s\u00f3 a carne. A gente carrega seja nas hist\u00f3rias ou nas lembran\u00e7as. Independente de religi\u00e3o ou n\u00e3o. A gente sempre carrega nossos mortos. Eu e Ruy nos conhecemos h\u00e1 muito tempo. Uns vinte anos. Ficamos muito pr\u00f3ximos tanto profissionalmente quanto na vida pessoal. Nos tornamos grandes amigos. Ele, inclusive, representou meu pai na cerim\u00f4nia de meu casamento. Ficamos bem pr\u00f3ximos, mesmo. O Ruy, apesar de ser bem mais velho (completou 95 anos em agosto), de uma outra gera\u00e7\u00e3o, \u00e9 um cara muito antenado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 linguagem do cinema. \u00c9 sempre muito inovador. Sempre foi algu\u00e9m que buscou romper fronteiras, ultrapassar as possibilidades. Ruy \u00e9 mais jovem do que muita gente nesse sentido. \u00c9 sempre uma inspira\u00e7\u00e3o n\u00e3o somente de aprendizado com as coisas acumuladas dele, mas, tamb\u00e9m, um aprendizado comportamental. Sempre se permitir ser ousado, se arriscar, sabe? O Ruy sempre arriscou muito. Sempre foi muito corajoso. Ent\u00e3o, sempre me inspirou a me arriscar, tamb\u00e9m, na vida. Isso no bom sentido da palavra. Ent\u00e3o, o Ruy, nesse sentido, \u00e9 um farol. Nesse e em v\u00e1rios sentidos. Para mim, \u00e9 o maior representante cinema do brasileiro de todos os tempos. E trabalhar com ele \u00e9 sempre um privil\u00e9gio. \u00c9 um cara muito moderno. Voc\u00ea vai conversar com ele e at\u00e9 hoje ele quer saber das novidades em rela\u00e7\u00e3o ao cinema. As novidades do que realmente interessa, n\u00e3o dessa tecnologia barata de IA, nada disso. Ele quer saber do que importa. De quem filmou de alguma forma diferente, ele est\u00e1 sempre interessado. N\u00e3o \u00e9 um cara fechado. Est\u00e1 sempre aberto para as novidades. Novidades que interessam, obviamente. Portanto dirigir um filme de uma hist\u00f3ria original dele \u00e9 um sonho l\u00facido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ao assistir a &#8220;Tempo \u00e0 Faca&#8221; e ver a presen\u00e7a de Julio Adri\u00e3o e de Vertin Moura, foi inevit\u00e1vel n\u00e3o pensar <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/02\/26\/homenagem-o-cineasta-geraldo-sarno-1938-2022-em-uma-entrevista-sobre-seu-ultimo-filme-sertania-2020\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">em &#8220;Sert\u00e2nia&#8221; (2020), filme de Geraldo Sarno<\/a>. O trabalho desse outro veterano te influenciou de algum modo?<\/strong><br \/>\nO roteiro de &#8220;Tempo \u00e0 Faca&#8221; \u00e9 anterior a &#8220;Sert\u00e2nia&#8221; (lan\u00e7ado em 2020), J\u00falio inclusive foi chamado por n\u00f3s j\u00e1 nessa \u00e9poca (2009). Eu j\u00e1 tinha trabalhado com ele no &#8220;O Homem Que Matou John Wayne&#8221; (2015). Vertin, ao contr\u00e1rio, entrou j\u00e1 na reta final, por eu ter gostado muito dele no filme de Geraldo. E acho que os dois filmes, &#8220;Tempo \u00e0 Faca&#8221; e &#8220;Sert\u00e2nia&#8221;, s\u00e3o bem distintos, com essa dupla de atores nos dois. Os filmes s\u00e3o primos de segundo grau, mas que se gostam muito (risos). Eu adoro &#8220;Sert\u00e2nia&#8221;. Na minha opini\u00e3o, \u00e9 um dos melhores filmes brasileiros de todos os tempos. \u00c9 ousado, po\u00e9tico, alarga as fronteiras do cinema&#8230;<\/p>\n<figure id=\"attachment_97475\" aria-describedby=\"caption-attachment-97475\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-97475 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/TEMPO-A-FACA-STILL-07.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/TEMPO-A-FACA-STILL-07.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/TEMPO-A-FACA-STILL-07-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-97475\" class=\"wp-caption-text\"><em>Cena de &#8220;Tempo \u00e0 Faca&#8221;<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Chamou a minha aten\u00e7\u00e3o a dire\u00e7\u00e3o de fotografia assinada por Cl\u00e1udio Ant\u00f4nio, principalmente nas cenas noturnas com o fogo e a dessatura\u00e7\u00e3o. Como foi esse processo e di\u00e1logo com ele?<\/strong><br \/>\nA ideia que eu tinha sempre da fotografia do filme era de mostrar o sert\u00e3o de outro jeito. Uma atmosfera melanc\u00f3lica, fria e dessaturada. Na p\u00f3s fizemos um blooming nas altas luzes, para quebrar o aspecto realista e ir para uma observa\u00e7\u00e3o mais on\u00edrica. Para esse mundo do filme, com essas m\u00faltiplas realidades poss\u00edveis e a quest\u00e3o temporal, eu queria uma coisa diferente esteticamente. E eu conhe\u00e7o o Cl\u00e1udio h\u00e1 muitos anos. H\u00e1 uns 15 anos, talvez. J\u00e1 trabalhamos juntos antes. Fizemos s\u00e9rie e um curta antes do filme. Ent\u00e3o, a gente se conhece bastante. E nos conhecemos como amigos tamb\u00e9m. Trabalhamos muito bem juntos. Foi um dos meus grandes parceiros meus criativos no filme e na vida. Era o cara para toda hora. Muito antes do filme, conseguimos conversar, procurar, desde a escolha de lente, de tudo. Fizemos uma pesquisa profunda de qual lente a gente ia usar, quais eram os filtros, fizemos os testes na pr\u00e9 produ\u00e7\u00e3o. \u00c9 muito bom trabalhar com ele. Continuarei trabalhando. Ele \u00e9 um fot\u00f3grafo brilhante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como foi a constru\u00e7\u00e3o da personagem da Agatha Moreira, Neta, e sua desconstru\u00e7\u00e3o gradativa naquele busca por vingan\u00e7a?<\/strong><br \/>\nUma das mudan\u00e7as que fiz no roteiro inicial era que o personagem principal era um homem. Como disse antes, Ruy me deu carta branca pra alterar o roteiro, e eu acreditava que essa caminhada precisava da for\u00e7a da mulher. E de ver as mulheres em situa\u00e7\u00f5es que s\u00f3 os homens ocupavam no cinema. O cinema j\u00e1 avan\u00e7ou nisso, mas ainda falta muito para o ideal. E ela \u00e9 uma personagem dura e justa. Por conta da dureza de sua vida tem seus sentimentos incubados. Mas vez ou outra transbordam. Ela vai descascando aos poucos. A personagem dela carrega muitas tens\u00f5es vindas do passado. E tamb\u00e9m temos Uiliana Lima como Solange, uma personagem com muitas camadas e um certo mist\u00e9rio, que ajuda a aprofundar as quest\u00f5es debatidas no filme.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sendo um roteiro oriundo do Sudeste, mas gravado no Nordeste, como voc\u00ea chegou \u00e0 produtora V\u00e2nia Lima, da Tem Dend\u00ea Produ\u00e7\u00f5es?<\/strong><br \/>\nO Ruy conheceu a Vania primeiro e eu logo depois. Ap\u00f3s um tempo desse primeiro encontro n\u00e3o tivemos d\u00favida. E deu certo. Tanto que a gente j\u00e1 se conhece h\u00e1 15 anos. E nos tornamos todos grandes amigos e j\u00e1 realizamos v\u00e1rios trabalhos juntos. Vania \u00e9 uma produtora excepcional que al\u00e9m de conseguir reunir os recursos financeiros para o projeto, ela me d\u00e1 toda liberdade art\u00edstica e n\u00e3o mede esfor\u00e7os para que tudo acontecesse da forma mais bonita.<\/p>\n<figure id=\"attachment_97472\" aria-describedby=\"caption-attachment-97472\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-97472\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Diogo-Oliveira-e-Irandhir.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Diogo-Oliveira-e-Irandhir.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Diogo-Oliveira-e-Irandhir-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-97472\" class=\"wp-caption-text\"><em>O diretor Diogo Oliveira com o ator Irandhir Santos no set de &#8220;Tempo \u00e0 Faca&#8221;<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A produ\u00e7\u00e3o chama muito a aten\u00e7\u00e3o por conta do elenco com grandes nomes, tamb\u00e9m.<\/strong><br \/>\nSim, verdade. Todos os atores foram escolhidos a dedo por mim. Desde quando eu estava na pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o, fazendo a sele\u00e7\u00e3o de elenco, eu j\u00e1 sabia um por um quem eu queria. Falei para a produ\u00e7\u00e3o que era muito importante conseguir todos eles, que era importante que fossem eles. E a produ\u00e7\u00e3o concordou e fez acontecer. O filme \u00e9 um road movie. Ent\u00e3o, tem quatro personagens que se deslocam, que s\u00e3o os dois e as duas que est\u00e3o em movimento. Os outros est\u00e3o nos lugares por onde eles passam. Por isso, era muito importante que fossem pessoas marcantes. Atores que conseguissem imprimir personagens muito marcantes para quem est\u00e1 assistindo ao filme. A gente conseguiu, para mim, o suprassumo do cinema brasileiro. Nomes como Luiz Carlos Vasconcelos, Irandhir Santos, Carlos Bet\u00e3o, Everaldo Pontes, L\u00facio Tranchesi, Marcelo Flores. Imagina isso. \u00c9 um luxo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim. Grande elenco. A presen\u00e7a do Irandhir me chamou muito a aten\u00e7\u00e3o. Como foi o trabalho com ele?<\/strong><br \/>\nO Irandhir \u00e9 um acontecimento art\u00edstico. \u00c9 impressionante. A cena dele do palha\u00e7o foi uma coisa impressionante nos dias em que ele gravou. Ele tem uma postura solene em rela\u00e7\u00e3o ao set. Por exemplo, ele fica concentrado, ele n\u00e3o conversa com ningu\u00e9m, sabe? Fica sempre no personagem. Sempre vestido com o figurino. N\u00e3o pega celular, n\u00e3o pega nada. Fica atuando. E vai, concentra, volta, e n\u00e3o erra nada. Est\u00e1 sempre atuando. E \u00e9 uma atua\u00e7\u00e3o fora do normal. \u00c9 um poder, assim, vulc\u00e2nico de atua\u00e7\u00e3o. O cara \u00e9 impressionante. \u00c9 uma entidade da atua\u00e7\u00e3o brasileira. \u00c9 emocionante. O Irandhir \u00e9 uma pedra preciosa. E uma pessoa muito especial. Foi uma honra muito grande trabalhar com ele. E com os outros tamb\u00e9m. Era um dia melhor que o outro nas trocas com esse elenco. E voc\u00ea que escreve para um jornal da Bahia (A Tarde), fique atento \u00e0 Nina Andrade, que faz a personagem da m\u00e3e. \u00c9 uma menina jovem, que saiu do teatro agora. Para mim, ela ser\u00e1 a grande revela\u00e7\u00e3o do cinema brasileiro dos pr\u00f3ximos anos. Tenho certeza absoluta que o pessoal vai descobri-la. E outra atriz que o filme revela \u00e9 a Vanessa Cunha, que est\u00e1 na cena do bar, quando ela canta aquela m\u00fasica no momento em que a Agatha est\u00e1 l\u00e1. \u00c9 quando a Neta desvia de sua rota. \u00c9 a \u00fanica vez em que a Neta desvia de sua rota e faz aquela pausa em sua vingan\u00e7a. Ela faz essa pausa e \u00e9 quando ela decide seguir em frente com o plano. Ela sabe que n\u00e3o vai deixar de se vingar, mas sabe que far\u00e1 esse desvio de rota por conta dela. Ent\u00e3o, a cena e a m\u00fasica sintetiza o filme todo porque a letra pergunta: &#8220;Quem sou eu? O que \u00e9 meu?&#8221;.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-97470 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/tempoafaca.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"874\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/tempoafaca.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/tempoafaca-257x300.jpg 257w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100009655066720\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto\u00a0<\/a>\u00e9 jornalista, cr\u00edtico de cinema e curador do\u00a0<a href=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/xiii-panorama\/apresentacao\/panorama-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema<\/a>. Membro da Abraccine, colabora para o Jornal A Tarde, de Salvador, e \u00e9 autor de \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/11\/11\/entrevista-mitico-guitarrista-baiano-alvaro-assmar-ganha-biografia-joao-paulo-barreto-fala-sobre-uma-vida-blues\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Uma Vida Blues<\/a>\u201d, biografia de \u00c1lvaro Assmar.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cTempo a Faca\u201d \u00e9 um road movie que tem a vingan\u00e7a tardia, mas sempre infal\u00edvel, como algo a nortear seus personagens.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/09\/18\/entrevista-diogo-oliveira-fala-sobre-tempo-a-faca-filme-escrito-em-parceria-com-ruy-guerra\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":21,"featured_media":97474,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7548,4],"tags":[8371,8363,8372],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/97468"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=97468"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/97468\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":97476,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/97468\/revisions\/97476"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/97474"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=97468"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=97468"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=97468"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}