{"id":97419,"date":"2026-09-13T00:56:36","date_gmt":"2026-09-13T03:56:36","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=97419"},"modified":"2026-09-14T01:06:11","modified_gmt":"2026-09-14T04:06:11","slug":"entrevista-thamires-vieira-fala-sobre-mulheres-do-bando-documentario-sobre-a-trajetoria-de-atrizes-do-bando-de-teatro-olodum","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/09\/13\/entrevista-thamires-vieira-fala-sobre-mulheres-do-bando-documentario-sobre-a-trajetoria-de-atrizes-do-bando-de-teatro-olodum\/","title":{"rendered":"Entrevista: Thamires Vieira fala sobre &#8220;Mulheres do Bando&#8221;, document\u00e1rio sobre as atrizes do Bando de Teatro Olodum"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/joao.paulo.barreto.824529\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com &#8220;Mulheres do Bando&#8221; (2026), a diretora <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/thamivieirs\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Thamires Vieira<\/a> apresenta na <a href=\"https:\/\/festcinebrasilia.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">59\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Festival de Bras\u00edlia do Cinema Brasileiro<\/a> seu primeiro longa-metragem, ap\u00f3s uma longa carreira como diretora de curtas, bem como produtora. Gravado em 2021, ainda sob todos os protocolos de seguran\u00e7a exigidos pela pandemia, o document\u00e1rio traz uma reuni\u00e3o de grandes nomes de diferentes gera\u00e7\u00f5es tanto do cinema quanto do teatro baiano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o nomes como Arlete Dias, C\u00e1ssia Valle, Edvana Carvalho, Ella Nascimento, Jamille Alves, Luciana Souza, Merry Batista, Naira da Hora, Rejane Maia e Valdin\u00e9ia Soriano que se re\u00fanem em um cen\u00e1rio diante da Ba\u00eda de Todos os Santos para uma conversa sobra suas trajet\u00f3rias no <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Bando+Olodum\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bando de Teatro Olodum<\/a>, al\u00e9m de um resgate da hist\u00f3ria do espet\u00e1culo de teatro &#8220;I\u00e1 ou An\u00f4nimas Guerreiras Brasileiras&#8221;, de 1982, que contou com a participa\u00e7\u00e3o de Rejane Maia, bem como de outras atrizes negras baianas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cMulheres do Bando\u201d fala sobre os of\u00edcios destas mulheres dentro da atua\u00e7\u00e3o, em cima do palco ou em frente \u00e0s c\u00e2meras, e o olhar documental de Thamires, juntamente com a dire\u00e7\u00e3o de fotografia de Lilis Soares e a montagem de F\u00e1bio Rodrigues Filho, cria um registro \u00fanico desse perfil oper\u00e1rio da luta para se manter dentro da arte como um trabalho. Na hist\u00f3ria dos movimentos, que surge em imagens de arquivo amplamente pesquisado e aprofundado, Thamires apresenta um mergulho nessas trajet\u00f3rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse papo com o Scream &amp; Yell, a diretora Thamires Vieira falou mais sobre o processo de cria\u00e7\u00e3o de &#8220;Mulheres do Bando&#8221;. Confira!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Mulheres do Bando - Trailer Oficial\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/VNBBHQz8ZbY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A partir de um tema t\u00e3o forte e importante, e sendo seu primeiro longa metragem, como se deu a ideia de constru\u00e7\u00e3o de &#8220;Mulheres do Bando&#8221;?<\/strong><br \/>\nO filme \u00e9 um gesto de come\u00e7o, (pois) \u00e9 o meu primeiro longa. Acho que tem uma coisa muito forte de eu ter aprendido com o movimento negro, principalmente com o movimento de mulheres, que \u00e9 essa ideia de olhar a sua individualidade a partir de um coletivo, quando come\u00e7o a perceber a presen\u00e7a e o processo criativo dessas mulheres. Porque come\u00e7o a me interessar e pensar no filme quando eu era assistente de dire\u00e7\u00e3o do &#8220;Caf\u00e9 com Canela&#8221; (2017). Foi quando encontrei Valdin\u00e9ia (Soriano) e Arlete (Dias) e a minha fun\u00e7\u00e3o como assistente de dire\u00e7\u00e3o era justamente estar com elenco. E fiquei muito mobilizada e interessada com essa possibilidade de pensar o processo criativo. Era algo muito ausente. Havia uma falta em perceber que isso, filmicamente falando. N\u00e3o era uma verdade, uma coisa que eu pudesse encontrar como refer\u00eancia com facilidade na cinematografia brasileira. E acho que muito amparada com as coisas que eu estava estudando naquele momento, muito inebriada com Eduardo Coutinho, mas tamb\u00e9m com os processos criativos de mulheres, o filme come\u00e7a a aparecer, mas muito nessa de: &#8220;Meu Deus, como preciso entender esse gesto de come\u00e7o?&#8221; Isso porque entendi que aquele ia ser o meu primeiro filme. Ent\u00e3o, acho que o processo se d\u00e1 muito a partir desse encontro com essas mulheres, e na tentativa de, inclusive, ir para um ponto de se pensar esse lugar do artista: &#8220;O que \u00e9 ser artista?&#8221; Essas perguntas de processos art\u00edsticos. De onde \u00e9 que vem as nossas inspira\u00e7\u00f5es? Como a gente se mobiliza para fazer as coisas? Que tipo de inquieta\u00e7\u00e3o \u00e9 o que nos \u00e9 o que nos causa movimento? Quais movimentos queremos fazer com o nosso corpo, com o nosso trabalho, com a nossa arte. Ent\u00e3o, s\u00e3o esses essas muitas perguntas, assim, que me fazem entender um pouco e desejar um pouco do processo do filme.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Luciana+Souza\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lembro de ter entrevistado a Luciana Souza<\/a> e termos conversado sobre a ideia dela ser uma atriz\/oper\u00e1ria. H\u00e1 no filme uma constru\u00e7\u00e3o narrativa que celebra aquelas profissionais das artes, mas que tamb\u00e9m analisa as suas dificuldades em se manter no of\u00edcio. Como foi essa constru\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nAcredito que mais do que uma nota sobre a falta, acho que \u00e9 uma celebra\u00e7\u00e3o sobre o trabalho. Tenho 33 anos e o Bando tem mais de 35 anos. \u00c9 muito mais um celebrar o trabalho. Insisto muito em acreditar que os atores e as atrizes s\u00e3o a linha de frente do trabalho art\u00edstico, principalmente esse do cinema brasileiro. Os atores negros est\u00e3o nesse lugar de terem come\u00e7ado primeiro. A gente tem muito mais atores negros mais antigos do que cineastas negros antigos. Vejo o lugar do ator como uma grande linha de frente, se a gente pudesse colocar nesse lugar de hierarquia das coisas da produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica da popula\u00e7\u00e3o negra no Brasil, falando inclusive de cinema e de teatro. Ent\u00e3o, acredito que o filme foi muito mais para o lugar da celebra\u00e7\u00e3o. Ainda que eu seja de uma gera\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m questiona muito, as minhas interven\u00e7\u00f5es iam muito mais no lugar de um certo feminismo e de uma escola feminista mais radical, talvez com perguntas mais conscientes. Mas sinto que a pr\u00e1tica delas era quase a resposta das minhas perguntas. E da\u00ed vem todo o nosso trabalho cr\u00edtico, toda percep\u00e7\u00e3o de entender que, estruturamente falando, mesmo um trabalho de 35 anos, acho que quando Naira (da Hora) traz ali no filme, como uma representante do Bando, mas de uma outra gera\u00e7\u00e3o, \u00e9 justamente disso: um movimento que se movimenta, mas que tamb\u00e9m faz uma autocr\u00edtica. As coisas s\u00e3o celebrativas, s\u00e3o importantes, mas elas precisam ser constantemente revisitadas. J\u00e1 que estruturalmente, a gente est\u00e1 falando de muitos problemas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_97422\" aria-describedby=\"caption-attachment-97422\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-97422\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/bando2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"405\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/bando2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/bando2-300x162.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-97422\" class=\"wp-caption-text\"><em>Cena de &#8220;Mulheres do Bando&#8221;<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi o seu di\u00e1logo com o F\u00e1bio Rodrigues Filho em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 montagem do filme, uma que ela chama aten\u00e7\u00e3o por fugir de uma estrutura comum de document\u00e1rios depoimentos apenas, inserindo, aqui, performances e m\u00fasica com as falas se contrapondo muito bem \u00e0s imagens de arquivo.<\/strong><br \/>\nF\u00e1bio \u00e9 o meu parceiro de longa data. Estudamos juntos na UFRB. A gente construiu algumas coisas e, inclusive, ele vai defender a tese de doutorado dele. Acabou de chegar aqui &#8220;Um Poeta dos Gestos&#8221; sobre o Mario Gusm\u00e3o. Acho que, juntos, o filme nasce no lugar de se pensar os atores. Acho que ele l\u00e1 no doutorado e eu com o filme. Em algum momento, eu entendi que o filme precisava ser montado por ele. \u00c9 o primeiro filme que ele monta. O primeira longa dele. Entreguei muito nesse lugar de aposta de que precisamos construir e esse lugar de coincid\u00eancia com os arquivos. Ent\u00e3o, a gente montou um planejamento de filmagem por estar rodando na pandemia. Como \u00e9 um document\u00e1rio, a gente viveu v\u00e1rios riscos. Ent\u00e3o, muitas coisas n\u00e3o aconteceram. A Covid estava muito forte naquele momento. Ent\u00e3o, era um momento extremamente delicado. Por isso, muita coisa de produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o aconteceu. A ilha de edi\u00e7\u00e3o virou o nosso grande laborat\u00f3rio. E a gente participou, tamb\u00e9m, de um momento com a Cristina Amaral aqui no Panorama de Cinema (O PanLab de montagem). E essa constru\u00e7\u00e3o com F\u00e1bio se dava muito nesse lugar tanto das interven\u00e7\u00f5es que a gente j\u00e1 constru\u00eda fora do filme. Assim, acho que o nosso pensamento sempre foi muito questionador em rela\u00e7\u00e3o a como se constr\u00f3i as coisas de um lugar que n\u00e3o necessariamente \u00e9 o lugar da resposta, mas, sim, o lugar da pergunta. E como perguntando a gente vai gerando outras coisas. A gente foi trabalhando assim por um longo per\u00edodo, per\u00edodos angustiantes mesmo, porque temos um tempo de fazer as coisas com muita reflex\u00e3o, muitas novas ideias. E se deixasse a gente continuaria montando, montando, montando&#8230; (risos) at\u00e9 ter outros muitos filmes. Acho que a montagem foi inclusive um lugar de entender que esse era um poss\u00edvel caminho. \u00c9 quando a gente come\u00e7a a encontrar. Tanto que a primeira coincid\u00eancia e n\u00e3o coincid\u00eancia foi nisso. Eu tive acesso ao arquivo do Bando durante o processo do filme. Em algum momento, eu tinha todo esse material e eu comecei a perceber que o movimento se repetia, as conversas, as pautas, as m\u00fasicas, os gestos se repetiam. E F\u00e1bio foi, tamb\u00e9m, pesquisando essas imagens dentro desses arquivos e contribuindo de um jeito, inclusive, nessa estrutura mais cl\u00e1ssica de tr\u00eas atos que o filme tem. Podemos dizer que o filme tem esse lugar de estrutura. E tamb\u00e9m tem uma coisa muito que o F\u00e1bio coloca que tamb\u00e9m est\u00e1 no trabalho dele e que j\u00e1 era um desejo meu. Porque quando eu trouxe o trabalho do Zumvi, aquelas s\u00e3o as imagens do Zumvi Arquivo Fotogr\u00e1fico. E a primeira imagem que eu encontro \u00e9 a que Rejane (Mais) recebe. E aquela captura das imagens, aquela dan\u00e7a das imagens, \u00e9 uma coisa que eu sei que F\u00e1bio faria muito bem e que isso, tamb\u00e9m, contribuiria com a hist\u00f3ria. Essa hist\u00f3ria que j\u00e1 n\u00e3o era mais a hist\u00f3ria que eu escrevi. J\u00e1 n\u00e3o era mais s\u00f3 a hist\u00f3ria que eu estava pensando, mas a hist\u00f3ria desse encontro com essas mulheres, e esse reencontro com esse com esse amigo que pensa cinema tamb\u00e9m. Acho que um pouco nesse lugar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O fato de ter sido filmado durante ainda uma fase da pandemia, ter aquele o \u00fanico cen\u00e1rio tamb\u00e9m ajudou bastante, n\u00e3o? O local, aquela \u00fanica loca\u00e7\u00e3o, as pessoas conversando no entorno, aquela vista. Funcionou bem nesse sentido, tamb\u00e9m.<\/strong><br \/>\nSim, e tem uma coisa de como pensar Salvador. Como pensar essa cidade. Acho que a sala define bem a geografia, porque sabemos que Salvador tem esse lugar. Em muitos lugares vamos ver o mar. Em quase toda a cidade. Eu nasci no sub\u00farbio de Salvador, ent\u00e3o, mesmo n\u00e3o sendo a pessoa da orla, a gente sabe que o mar \u00e9 um direito quase de todos. E tem uma coisa muito forte que \u00e9 conseguir reunir todas em um momento e elas falam sobre isso, n\u00e9? \u00c9 a primeira vez que isso acontece. E, tamb\u00e9m, \u00e9 muito estranho perceber que a exclusividade de estar entre mulheres foi tamb\u00e9m por conta de um momento t\u00e3o delicado. Mas o tom, apesar de ter sido de medo, de perigo, acho que o que Arlete (Dias) traz no filme \u00e9 um de celebra\u00e7\u00e3o. Mesmo. Est\u00e1vamos muito empolgadas. Mesmo depois de um ano de pandemia, come\u00e7ar um projeto que eu j\u00e1 tinha come\u00e7ado, ru j\u00e1 tinha me aproximado do Bando, eu j\u00e1 tinha apresentado a proposta do projeto do filme. Ent\u00e3o, a pandemia virou um lugar de possibilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 um momento bem emocional com a Rejane Maia, atriz veterana do Bando, e o seu filme serve, tamb\u00e9m, como uma homenagem \u00e0 trajet\u00f3ria. Como foi encontrar esses momentos de uma conjun\u00e7\u00e3o emocional junto com as hist\u00f3rias dessas atrizes?<\/strong><br \/>\nAcho que tem uma coisa de n\u00e3o coloc\u00e1-las no mesmo lugar. Acho que a coisa mais interessante e mais desafiadora enquanto diretora era entender que \u00e9ramos muitas mulheres negras, mas muitas hist\u00f3rias muito diferentes assim. Pessoas que conseguem inclusive transitar em lugares diferentes, em ter comportamentos, fam\u00edlia, gestos. Apesar de serem pessoas de Salvador, pessoas do mesmo grupo, acho que a coisa da singularidade era o que mais me interessava, assim. Inclusive, por conta dessa hist\u00f3ria de que todo preto \u00e9 igual, de que todo preto se parece. E fazer com que Rejane (Maia) fosse homenageada em vida. Acho que tem uma coisa do protagonismo. Desse protagonismo que essas mulheres t\u00eam. E \u00e9 quase que uma recupera\u00e7\u00e3o de um protagonismo de algu\u00e9m que \u00e9 muito protagonista. Acho que a ideia dessa investiga\u00e7\u00e3o e, at\u00e9 quando Rejane me interrompe ali, \u00e9 porque ela n\u00e3o esperava. Eu n\u00e3o a avisei sobre a foto. Mas durante a pesquisa, quando entendi que a foto de arquivo que a gente tinha l\u00e1 no Zumvi, uma daquelas mulheres era uma mulher do Bando, eu falei: &#8220;N\u00e3o, a gente precisa falar muito sobre isso e organizar essa hist\u00f3ria.&#8221; Organizar, inclusive, do jeito que o tempo merece. Rejane tem 62 anos, acho, agora. Mas na \u00e9poca tinha 60. Ela \u00e9 a atriz com mais experi\u00eancia no grupo, ainda que n\u00e3o tenha essa hierarquia marcada sobre a idade. Mas \u00e9 algu\u00e9m que estava, inclusive, antes do pr\u00f3prio Bando nascer, E estava, inclusive, contribuindo com o movimento negro, que est\u00e1 nesse registro, que est\u00e1 nessa imagem. \u00c9 algu\u00e9m, tamb\u00e9m, que eu acho que o tempo, a cidade e as coisas n\u00e3o trata como protagonista. Ent\u00e3o, acho que tem uma emo\u00e7\u00e3o que est\u00e1 muito nesse lugar de me ver e de contribuir com que essas mulheres tamb\u00e9m se vejam da forma como elas caminham nas suas hist\u00f3rias.<\/p>\n<figure id=\"attachment_97421\" aria-describedby=\"caption-attachment-97421\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-97421\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/bando3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"405\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/bando3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/bando3-300x162.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-97421\" class=\"wp-caption-text\"><em>Cena de &#8220;Mulheres do Bando&#8221;<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi o processo de busca de informa\u00e7\u00f5es acerca do espet\u00e1culo \u201cI\u00e1 ou An\u00f4nimas Guerreiras Brasileiras\u201d?<\/strong><br \/>\nPrimeiro procurei o autor, o Ant\u00f4nio Godi, que j\u00e1 faleceu. Ele disse que n\u00e3o tinha nenhum arquivo, nenhum material. As coisas, na \u00e9poca, se constru\u00edram de um jeito muito prec\u00e1rio e, tamb\u00e9m, muito espont\u00e2neo. E a \u00fanica atriz do Bando que pertenceu a esse espet\u00e1culo foi Regina. E a gente tinha o \u00e1udio de Sara\u00ed Reis, que \u00e9 uma mulher do movimento negro, sendo, \u00e0s vezes, figurinista do Bando. Isso contribuiu, tamb\u00e9m, de outra forma. Fomos tentando investigar para descobrir o que tinha de materialidade. E \u00e9 justamente desse lugar de um pouco do que Regina lembrava, um pouco do que tinha na foto, um pouco que tem no \u00e1udio da Sara\u00ed de propor um espet\u00e1culo quase fabulativo. E aquela pergunta que eu fa\u00e7o para ela \u00e9: &#8220;E se a gente fosse montar?&#8221; Porque o desejo do filme, inclusive, \u00e9 promover e provocar um espet\u00e1culo com essas mulheres. Como seria? N\u00e3o temos o dado oficial de como era o espet\u00e1culo, mas ela, enquanto atrizes, estavam muito abertas a tudo que eu propunha. Tinha uma disposi\u00e7\u00e3o muito grande. Acho que o fato, sem d\u00favida, de ser uma diretora mulher e negra, algu\u00e9m que tamb\u00e9m estava pr\u00f3xima ali, ent\u00e3o, tinha um lugar muito \u00edntimo que criamos. A gente tinha uma equipe pequena. T\u00ednhamos uma diretora de fotografia tamb\u00e9m, uma mulher (Lilis Soares). Era um muito confort\u00e1vel. Elas eram a maioria, e por isso, eu acho que as coisas aconteceram tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Lembro de ter assistido seu curta, &#8220;O Dia que Ele Decidiu Sair&#8221; na ocasi\u00e3o do lan\u00e7amento em 2015 e queria te perguntar sobre essa sua trajet\u00f3ria tanto como produtora quanto como diretora.<\/strong><br \/>\nEu come\u00e7o dirigindo &#8220;O Dia que Ele Decidiu Sair&#8221;, e acabo construindo muito a minha hist\u00f3ria como produtora, mas nunca abandonando de vez a dire\u00e7\u00e3o. Mas acho que enquanto mulher, enfim, nordestina de Salvador, acho que fui construindo minha hist\u00f3ria com cinema muito como isso que Luciana traz em rela\u00e7\u00e3o a ser uma oper\u00e1ria. Me vejo contribuindo com muitas obras. Trabalhei em muitos lugares do Brasil e \u00e9 a partir dessa estrutura que come\u00e7o a entender o meu lugar de contribui\u00e7\u00e3o nos trabalhos que me envolvo. \u00c9 a partir, tamb\u00e9m, do momento em que eu me encontro um determinado espa\u00e7o, quando come\u00e7o a pensar e a assumir, arriscar, a dire\u00e7\u00e3o. Dirigi um curta em 2021 chamado &#8220;Nunca Pare na Pista&#8221;, que tamb\u00e9m est\u00e1 no Canal Brasil, e \u00e9 um filme experimental. \u00c9 uma n\u00e3o-fic\u00e7\u00e3o, mas que tamb\u00e9m beira \u00e0 fic\u00e7\u00e3o feito com a minha fam\u00edlia. E o &#8220;Mulheres do Bando&#8221; est\u00e1 no meio de um processo que j\u00e1 vai abrir portas para coisas que j\u00e1 estou construindo. Rodei uma s\u00e9rie de fic\u00e7\u00e3o no in\u00edcio do ano. Vou rodar um segundo longa ano que vem. De Bras\u00edlia, j\u00e1 vou para o Brasil CineMundi (CineBH 2026) em um laborat\u00f3rio com um outro projeto de longa de fic\u00e7\u00e3o que vou dirigir atrav\u00e9s da minha empresa, a <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/terafilme\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ter\u00e1 Filme<\/a>s. Ent\u00e3o, acho que tem muito de uma constru\u00e7\u00e3o pessoal dessa cren\u00e7a, desse olhar. Acho que muito por aprender com essas mulheres e de entender esse lugar de protagonismo. Acho que sempre estive nesse lugar, mas acho que tem a ver com as oportunidades, com as possibilidades, com as estruturas. Ent\u00e3o, acho que \u00e9 encarar a dire\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m, como um trabalho. E um trabalho que eu, tamb\u00e9m, me disponho a fazer, me desafio a fazer e me enxergo fazendo daqui para frente. Esse e outros projetos existem por conta de muitos parceiros e muita gente que foi se somando nesse processo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-97420 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/bando1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/bando1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/bando1-225x300.jpg 225w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100009655066720\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto\u00a0<\/a>\u00e9 jornalista, cr\u00edtico de cinema e curador do\u00a0<a href=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/xiii-panorama\/apresentacao\/panorama-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema<\/a>. Membro da Abraccine, colabora para o Jornal A Tarde, de Salvador, e \u00e9 autor de \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/11\/11\/entrevista-mitico-guitarrista-baiano-alvaro-assmar-ganha-biografia-joao-paulo-barreto-fala-sobre-uma-vida-blues\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Uma Vida Blues<\/a>\u201d, biografia de \u00c1lvaro Assmar.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Document\u00e1rio traz uma reuni\u00e3o de grandes nomes de diferentes gera\u00e7\u00f5es tanto do cinema quanto do teatro baiano.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/09\/13\/entrevista-thamires-vieira-fala-sobre-mulheres-do-bando-documentario-sobre-a-trajetoria-de-atrizes-do-bando-de-teatro-olodum\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":21,"featured_media":97423,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7548,4],"tags":[8363,8367],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/97419"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=97419"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/97419\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":97425,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/97419\/revisions\/97425"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/97423"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=97419"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=97419"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=97419"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}