{"id":97066,"date":"2026-08-17T00:26:59","date_gmt":"2026-08-17T03:26:59","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=97066"},"modified":"2026-09-29T21:59:31","modified_gmt":"2026-09-30T00:59:31","slug":"andrew-sherriff-chapterhouse-o-shoegaze-transcende-o-tempo-e-as-modas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/08\/17\/andrew-sherriff-chapterhouse-o-shoegaze-transcende-o-tempo-e-as-modas\/","title":{"rendered":"Andrew Sherriff (Chapterhouse): \u201cO shoegaze transcende o tempo e as modas\u201d"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/borealismusik\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marco Antonio Barbosa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ano \u00e9 1992. Os jovens brasileiros ligados em m\u00fasica alternativa \u2013 o termo \u201cindie\u201d ainda n\u00e3o era amplamente usado \u2013 se inteiravam das novidades do cen\u00e1rio com a ajuda do programa \u201cLado B\u201d, na MTV Brasil. O som da temporada era o shoegaze; entre um My Bloody Valentine aqui e um Lush ali, o videoclipe de uma can\u00e7\u00e3o intitulada \u201cPearl\u201d tamb\u00e9m chamava a aten\u00e7\u00e3o. Nascia ali um microcl\u00e1ssico. O nome da banda era <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/chapterhouse.official\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Chapterhouse<\/a>, e o \u00e1lbum se chamava \u201cWhirlpool\u201d. Chegou a sair no Brasil, lembram?<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Chapterhouse - Pearl\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/JEIAaWQfxMY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em breve, tudo aquilo teria sumido na poeira. O shoegaze virou piada, detonado pelos mesmos cr\u00edticos que pouco antes o incensavam. O Chapterhouse encerraria suas atividades em 1994, apequenado pela ascens\u00e3o do britpop. E o grupo nem ficou sabendo do fugaz sucesso que alcan\u00e7ou entre os indies brasileiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cT\u00ednhamos uma certa no\u00e7\u00e3o de que \u2018Pearl\u2019 foi popular fora da Inglaterra. Mas (a gravadora Dedicated) nunca nos informou sobre os pa\u00edses espec\u00edficos onde a m\u00fasica fizera sucesso. Ent\u00e3o tocou bastante por a\u00ed, hein? Na programa\u00e7\u00e3o normal? Legal, legal&#8230;\u201d admira-se Andrew Sherriff, vocalista e guitarrista do Chapterhouse, em conversa via Zoom com o Scream &amp; Yell.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ano \u00e9 2026. A banda inglesa, que retomou as atividades em 2025, est\u00e1 prestes a desembarcar no Brasil para um show \u00fanico em S\u00e3o Paulo (29 de setembro, no Cine Joia, com terraplana abrindo &#8211; <a href=\"https:\/\/www.ingresse.com\/chapterhouse-sp\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ingressos aqui<\/a>). Sherriff desembarca acompanhado dos membros fundadores Stephen Patman (guitarra) e Ashley Bates (bateria) e dos agregados Joe Light (guitarra) e Greg Moore (baixo).<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-97067 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/chapterhouse1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/chapterhouse1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/chapterhouse1-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O momento \u00e9 prop\u00edcio. O shoegaze est\u00e1 na moda de novo. As guitarras ensopadas de reverb &amp; distor\u00e7\u00e3o e os vocais sussurrados\/suspirados inspiram toda uma cena global de bandas, da Coreia do Sul ao Brasil. E diversos veteranos da onda original, como <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Ride\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ride<\/a>, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Slowdive\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Slowdive<\/a>, Swervedriver e o pr\u00f3prio <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=My+Bloody+Valentine\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">My Bloody Valentine<\/a> religaram os amps e voltaram aos palcos. Um movimento ao qual o Chapterhouse se integrou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c\u00c9 bem legal que as pessoas tenham visto no shoegaze um estilo que merece permanecer, ganhar longevidade. Temos encontrado bandas novas, formadas por jovens, que comp\u00f5em a nova gera\u00e7\u00e3o do shoegaze. S\u00e3o pessoas ador\u00e1veis, que fazem \u00f3tima m\u00fasica. \u00c9 interessante ver como uma s\u00e9rie de subg\u00eaneros est\u00e1 surgindo. Existe hoje uma esp\u00e9cie de \u2018folkgaze\u2019, que mistura folk e shoegaze. E outras bandas s\u00e3o mais pesadas, meio como um \u2018heavymetalgaze\u2019. Sei de bandas latino-americanas que gravaram covers do Chapterhouse. \u00c9 um estilo que transcende o tempo e as modas, algo que se tornou muito popular\u201d, acredita o vocalista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Sherriff, \u00e9 como se o tempo tivesse feito justi\u00e7a a sua gera\u00e7\u00e3o, afinal. Imprensados de um lado pelo Britpop e do outro pelo grunge, os shoegazers dos anos 1990 perderam o f\u00f4lego rapidamente. \u201cClaro que todos lembram do Oasis e do Blur, mas quase todas as outras bandas do Britpop foram esquecidas. N\u00f3s e os outros grupos do shoegaze fomos muito criticados porque n\u00e3o t\u00ednhamos \u2018atitude\u2019. Mas aquele hype todo acabou sendo bastante t\u00f3xico para os artistas. Havia muita gente se comportando muito mal.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO shoegaze, por outro lado, era composto essencialmente por pessoas que s\u00f3 queriam fazer m\u00fasica e n\u00e3o buscavam viver os clich\u00eas da vida de rockstar. \u00c9 da\u00ed que vem o termo \u2018shoegaze\u2019 \u2013 cabe\u00e7a baixa, fitando os pr\u00f3prios p\u00e9s, n\u00e9? Um som feito por caras que n\u00e3o se sentiam \u00e0 vontade para saracotear pelo palco. O importante para n\u00f3s era a m\u00fasica, e s\u00f3 a m\u00fasica.\u201d<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Chapterhouse - Full Performance (Live on KEXP)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ZaUPXktzujc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Chapterhouse se reuniu ostensivamente para comemorar os 35 anos de \u201cWhirlpool\u201d, lan\u00e7ado em 1991. Em 2023, o grupo j\u00e1 havia se reencontrado para selecionar o repert\u00f3rio do boxset retrospectivo \u201cChronology\u201d, que compila todas as faixas lan\u00e7adas oficialmente entre 1990 e 1994, mais um catatau de demos e sobras de est\u00fadio em seis CDs.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cFoi como um prel\u00fadio para o retorno da banda\u201d, diz Sherriff. \u201cEntre \u2018Whirlpool\u2019 e \u2018Blood Music\u2019 (segundo e ultimo \u00e1lbum, 1994), n\u00f3s gravamos muitas faixas que acabaram arquivadas. Havia basicamente dois \u00e1lbuns inteiros de material in\u00e9dito, can\u00e7\u00f5es mais ou menos prontas, que s\u00f3 precisavam de um vocal definitivo ou algum outro detalhe. Ent\u00e3o pensamos: vamos colocar tudo em ordem, fazer uma cronologia, e as pessoas poder\u00e3o entender a progress\u00e3o que percorremos.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da\u00ed para a ideia de meter o p\u00e9 na estrada de novo&#8230; \u201cTodo mundo perguntava \u2018Quando voc\u00eas v\u00e3o voltar a tocar?\u2019 E o timing nunca era o ideal. Estamos mais velhos, todos temos filhos e fam\u00edlia hoje.\u201d (O vocalista vive hoje em Cornwall, extremo Sul da Inglaterra, a mais de 400 km de Londres.) \u201cMas ent\u00e3o fomos convidados para fazer seis festivais nos EUA, o que nos permitiu ter tempo para ensaiar, programar a viagem e tudo mais. Da\u00ed foi uma bola de neve.\u201d Segundo o vocalista, o reencontro com a plateia (a turn\u00ea j\u00e1 passou por Inglaterra, EUA e Canad\u00e1) tem sido marcado pela euforia. \u201cFizemos uma tour pela Inglaterra antes de irmos para a Am\u00e9rica e os ingressos do show em Londres esgotaram em um dia.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a alegria dos \u201cgazers\u201d safra 1991, o Chapterhouse vem tocando \u201cWhirpool\u201d n\u00e3o apenas na \u00edntegra, mas tamb\u00e9m na mesma ordem das faixas do LP. Sherriff admite que, nos anos 1990, nunca teria sequenciado um setlist dessa forma. \u201c\u00c9 inusitado. Abrimos com \u2018Breather\u2019, \u2018Pearl\u2019, \u2018Autosleeper\u2019 e \u2018Treasure\u2019, e \u00e9 uma loucura, a sequ\u00eancia deixa todo mundo na plateia realmente animado. E depois fazemos uma segunda parte com b-sides e algumas m\u00fasicas de \u2018Blood Music\u2019. D\u00e1 cerca de uma hora e meia no total \u2013 os shows mais longos que j\u00e1 fizemos!\u201d<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Chapterhouse - &quot;See That Girl&quot; (Official Video)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/5bKz3XlaHv0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao revisitar o repert\u00f3rio de \u201cWhirpool\u201d para a turn\u00ea atual, Sherriff admite que o quinteto experimentou algumas surpresas. \u201cA princ\u00edpio eu achei que precisar\u00edamos modernizar os arranjos, mudar o jeito de tocar. M\u00fasicas como \u2018Guilt\u2019 e \u2018April\u2019 me causavam muita preocupa\u00e7\u00e3o; achava que soariam antiquadas hoje. S\u00f3 que n\u00e3o\u201d, conta ele. \u201cCome\u00e7amos a ensaiar e percebemos que o repert\u00f3rio soava muito melhor quando \u00e9ramos fi\u00e9is \u00e0s vers\u00f5es originais. Estamos tocando basicamente os mesmos instrumentos da \u00e9poca do disco. A diferen\u00e7a \u00e9 que antes us\u00e1vamos unidades digitais de multiefeitos, e hoje temos pedaleiras com um monte de pedais anal\u00f3gicos. A tecnologia \u00e9 um pouco diferente e faz com que soemos um pouco mais contempor\u00e2neos. Acaba funcionando bem, \u00e9 uma jun\u00e7\u00e3o das duas abordagens \u2013 a original e a atual.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diferentemente de outros contempor\u00e2neos ressuscitados, como o My Bloody Valentine ou o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Pavement\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pavement<\/a>, o Chapterhouse pretende lan\u00e7ar material in\u00e9dito ap\u00f3s o fim da turn\u00ea. \u201cA ideia \u00e9 come\u00e7ar com um ou dois EPs, e depois, espero, um \u00e1lbum. E a\u00ed voltar\u00edamos \u00e0 estrada para tocar as m\u00fasicas novas. Ainda \u00e9 cedo para dar mais detalhes, mas sim, j\u00e1 come\u00e7amos a compor novamente\u201d, diz Sherriff. Em termos \u201crealistas\u201d, segundo o cantor, as primeiras faixas in\u00e9ditas da nova encarna\u00e7\u00e3o da banda estariam no ar no segundo trimestre de 2027. E eles n\u00e3o pensam em ingressar na dan\u00e7a-das-cadeiras em que se transformou o mercado fonogr\u00e1fico. \u201cNem cogitamos em procurar uma gravadora. Ser\u00e1 um lan\u00e7amento independente. Hoje em dia, n\u00e3o faz diferen\u00e7a estar em uma gravadora ou n\u00e3o. A n\u00e3o ser pela quest\u00e3o do marketing, provavelmente.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas antes de despachar as novas m\u00fasicas, a banda finalmente cruzar\u00e1 a linha do Equador, mais de tr\u00eas d\u00e9cadas depois do fugaz sucesso na MTV brazuca. Al\u00e9m do show em S\u00e3o Paulo, a banda ainda toca no fim de setembro no Peru e na Argentina. Andrew Sherriff nunca se apresentou no Brasil&#8230; mas visitou o pa\u00eds h\u00e1 quase 30 anos. \u201cEstive em S\u00e3o Paulo em 1997. Eu era t\u00e9cnico de som do Adam F. Lembra do Adam F.? Aquele cara do drum\u2019n\u2019bass?\u201d O DJ ingl\u00eas, conhecido pelo hit \u201cCircles\u201d, se apresentou no Free Jazz Festival daquele ano. Lembram?<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Chapterhouse - Pearl (with Rachel Goswell) at Islington Assembly. 29th April 2026\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_dCse6nhBzo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Chapterhouse &quot;April&quot; live at the ICA, London - 26th of November 2009\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/tAw0TcwZw5o?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Chapterhouse | Falling Down | LIVE | New York City | May 15, 2026\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/oONBLzZHZ2Q?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8211; <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/borealismusik\/\">Marco Antonio Barbosa<\/a> \u00e9 jornalista e <a href=\"https:\/\/bartbarbosa.substack.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">escritor<\/a> e, como m\u00fasico, j\u00e1 sampleou uma faixa do Chapterhouse em seu projeto <a href=\"http:\/\/borealis1.bandcamp.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Borealis<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O ano \u00e9 2026. 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