{"id":97033,"date":"2026-08-13T10:31:39","date_gmt":"2026-08-13T13:31:39","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=97033"},"modified":"2026-08-13T10:37:42","modified_gmt":"2026-08-13T13:37:42","slug":"trash-no-star-faz-do-tempo-a-materia-prima-de-existir-e-resistir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/08\/13\/trash-no-star-faz-do-tempo-a-materia-prima-de-existir-e-resistir\/","title":{"rendered":"Trash No Star faz do tempo a mat\u00e9ria-prima de &#8220;Existir \u00e9 Resistir&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de <a href=\"https:\/\/twitter.com\/ociocretino\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alexandre Lopes<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante quase uma d\u00e9cada, a <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/trashnostar\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Trash No Star<\/a> ajudou a criar as condi\u00e7\u00f5es para que a m\u00fasica independente acontecesse no Rio de Janeiro. Enquanto organizava shows, mantinha um espa\u00e7o cultural, tocava, trabalhava, estudava e passava por mudan\u00e7as pessoais, deixando seu pr\u00f3prio disco para depois. Lan\u00e7ado finalmente em junho, &#8220;<a href=\"https:\/\/trashnostar.bandcamp.com\/album\/existir-resistir\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Existir \u00e9 Resistir<\/a>&#8221; (2026) \u00e9 o resultado desse intervalo &#8211; ou da decis\u00e3o de finalmente voltar a uma hist\u00f3ria que parecia ter ficado para tr\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O EP re\u00fane sete m\u00fasicas em pouco menos de 18 minutos, mas sua dura\u00e7\u00e3o real n\u00e3o cabe em uma contagem de tempo linear. Algumas das faixas come\u00e7aram a ser pensadas anos atr\u00e1s, outras surgiram bem depois. Parte do material foi abandonado e reconstru\u00eddo at\u00e9 que sobrassem apenas can\u00e7\u00f5es que ainda tinham algo a dizer para os guitarristas Lety e Felipe. &#8220;S\u00e3o m\u00fasicas que atravessaram todo esse processo porque continuam fazendo sentido pra gente, tanto pelo que dizem quanto pela forma como dialogam com o momento que estamos vivendo&#8221;, conta a banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Formada por Lety e Felipe na Baixada Fluminense, a Trash No Star surgiu entre o noise rock, o grunge, o punk e o indie dos anos 1990. Sonic Youth, L7, Babes in Toyland, Dinosaur Jr. e Mercen\u00e1rias ajudam a desenhar o mapa de refer\u00eancias da banda, que lan\u00e7ou os discos &#8220;Single Ladies&#8221; (2013) e &#8220;Stay Creepy: (no)Summer Hits&#8221; (2014), al\u00e9m dos singles &#8220;Por N\u00f3s&#8221; e &#8220;Bobagem&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A m\u00fasica, por\u00e9m, nunca foi a \u00fanica frente de atua\u00e7\u00e3o. Lety e a atual baixista Hanna tamb\u00e9m fundaram o selo <a href=\"https:\/\/www.efusiva.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Efusiva<\/a> e passaram quase oito anos dedicadas \u00e0 Motim, espa\u00e7o cultural que recebeu shows, encontros e artistas da cena independente do Rio de Janeiro. Mais do que uma casa de shows, o local funcionava como ponto de articula\u00e7\u00e3o para uma comunidade que inclu\u00eda mulheres e pessoas LGBTQIAPN+, ajudando a sustentar uma cena que frequentemente depende de estruturas improvisadas para continuar existindo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A conta dessa dedica\u00e7\u00e3o foi cobrada da pr\u00f3pria banda: administrar a Motim ocupava tempo, energia e espa\u00e7o mental. O disco era constantemente empurrado para um futuro que nunca parecia chegar. Em algum momento, a possibilidade de simplesmente abandonar tudo passou a fazer parte das conversas. &#8220;Chegamos a pensar em desistir do disco e da banda&#8221;, admitem. Foi preciso a Motim acabar para que a Trash No Star pudesse voltar a olhar para o que havia deixado em suspenso. O encerramento do espa\u00e7o n\u00e3o significou apenas o fim de um ciclo profissional e afetivo, mas tamb\u00e9m abriu uma esp\u00e9cie de arquivo: m\u00fasicas, ideias e experi\u00eancias acumuladas ao longo dos anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 a\u00ed que &#8220;Existir \u00e9 Resistir&#8221; deixa de ser apenas o nome de uma faixa do EP ou uma declara\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios; o t\u00edtulo tamb\u00e9m descreve a pr\u00f3pria trajet\u00f3ria do disco. N\u00e3o h\u00e1 romantiza\u00e7\u00e3o da dificuldade, mas a constata\u00e7\u00e3o de que permanecer produz marcas e que algumas experi\u00eancias continuam voltando at\u00e9 finalmente encontrarem uma forma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As letras partem de quest\u00f5es concretas: precariza\u00e7\u00e3o do trabalho, estruturas de poder, amizade, afeto e redes de apoio aparecem em m\u00fasicas que n\u00e3o parecem interessadas em separar o pessoal do pol\u00edtico. Sobre a faixa-t\u00edtulo, Felipe fala em &#8220;uma cr\u00edtica ao capitalismo e \u00e0s formas de opress\u00e3o que muitas vezes n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o expl\u00edcitas&#8221;. J\u00e1 &#8220;Candy&#8221;, segundo Lety, nasce de outro tipo de sentimento: &#8220;uma celebra\u00e7\u00e3o do amor entre amigas, do cuidado e da rede de apoio que constru\u00edmos umas com as outras&#8221;. Se uma m\u00fasica olha para as estruturas e engrenagens que ao mesmo tempo empurram e esmagam a vida, a outra olha para as pessoas que ajudam a torn\u00e1-la suport\u00e1vel. No conjunto, o EP entende que as duas coisas est\u00e3o relacionadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O som continua reconhec\u00edvel para quem acompanha a banda desde os primeiros trabalhos. H\u00e1 ru\u00eddo, peso, guitarras \u00e1speras e a mistura de refer\u00eancias que sempre esteve no DNA da Trash No Star. Certas faixas chegam a lembrar os momentos mais brutais do \u2026And You Will Know Us By The Trail of Dead nos anos 90. Mas existe tamb\u00e9m uma mudan\u00e7a de perspectiva: a banda passou a compor em portugu\u00eas com mais frequ\u00eancia, numa tentativa deliberada de aproximar a m\u00fasica da realidade que a cerca. &#8220;Compor em portugu\u00eas tem a ver com quem queremos alcan\u00e7ar e com quem queremos nos comunicar&#8221;, explicam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Existir \u00e9 Resistir&#8221; n\u00e3o soa como um trabalho feito para provar que a banda sobreviveu ou tenta transformar os anos de espera em uma narrativa fajuta de resili\u00eancia t\u00edpica de coaches. \u00c9 mais interessante do que isso: s\u00e3o m\u00fasicas que sobreviveram ao processo porque continuaram necess\u00e1rias. E talvez seja esse o melhor retrato da Trash No Star neste momento: uma banda que passou anos construindo lugares para que outras vozes fossem ouvidas e que agora volta a ocupar o pr\u00f3prio espa\u00e7o. N\u00e3o com a pressa de recuperar o tempo perdido, mas com a consci\u00eancia de que algumas coisas s\u00f3 ficam prontas quando a vida finalmente deixa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em entrevista ao Scream &amp; Yell, a Trash No Star fala sobre a longa gesta\u00e7\u00e3o de &#8220;Existir \u00e9 Resistir&#8221;, o impacto da Motim em sua trajet\u00f3ria, as mudan\u00e7as de forma\u00e7\u00e3o, a decis\u00e3o de compor em portugu\u00eas e os motivos que fizeram a banda continuar mesmo quando terminar o disco parecia uma possibilidade cada vez mais distante. Confira o bate-papo completo abaixo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Existir \u00e9 Resistir\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_klXBWTOZSW4Ph_Ure1591RMd9iS1ZPWQE\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O EP come\u00e7ou a ser gravado h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada. Quando voc\u00eas escutam essas m\u00fasicas hoje, elas parecem um retrato daquele momento ou as faixas ganharam novos significados ao longo do tempo?<\/strong><br \/>\nTrash No Star: No passado, chegamos a iniciar a grava\u00e7\u00e3o das baterias, mas optamos por n\u00e3o aproveitar nada daquele material. Ao longo desse tempo, muita coisa mudou. Algumas m\u00fasicas ficaram pelo caminho porque j\u00e1 n\u00e3o faziam mais sentido para a banda, enquanto outras foram criadas durante esse per\u00edodo e acabaram entrando no EP. Mas \u201cBobagem\u201d (que foi lan\u00e7ada anteriormente como single), \u201cCandy\u201d, \u201cMedo\u201d e \u201cCatch the Sun\u201d permaneceram. S\u00e3o m\u00fasicas que atravessaram todo esse processo porque continuam fazendo sentido pra gente, tanto pelo que dizem quanto pela forma como dialogam com o momento que estamos vivendo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Durante esse per\u00edodo, muita coisa mudou na vida de voc\u00eas: trabalho, maternidade, estudos, a Motim, a Efusiva. Em algum momento voc\u00eas pensaram que esse disco nunca seria conclu\u00eddo?<\/strong><br \/>\nTrash No Star: Sim, por muitas vezes chegamos a pensar em desistir (do disco e da banda). Mas depois que a Motim encerrou as atividades, percebemos que havia ficado uma lacuna e que seria legal pelo menos registrar o que a gente fez durante esse tempo. Foi um per\u00edodo muito louco, intenso, mesmo na correria surgiram momentos criativos para compor m\u00fasicas que eram reflexo do que a gente estava vivendo enquanto administrava um espa\u00e7o cultural na marra. &#8220;Existir \u00e9 Resistir&#8221; \u00e9 fruto disso: de fazer o que dava, com o que a gente tinha dispon\u00edvel, de energia, vontade, e uma certa esperan\u00e7a de que poderia dar tudo certo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que mudou na Trash No Star entre a banda que come\u00e7ou esse EP e a que o est\u00e1 lan\u00e7ando agora? Qual a forma\u00e7\u00e3o que seguir\u00e1 tocando nos shows?<\/strong><br \/>\nTrash No Star: Al\u00e9m da forma\u00e7\u00e3o, mudamos profundamente. Desde a forma como a gente comp\u00f5e, at\u00e9 a maneira como a gente equilibra as expectativas em rela\u00e7\u00e3o ao que queremos construir. Esse equil\u00edbrio ajudou a entender quem somos, onde queremos chegar e, principalmente, como queremos fazer esse caminho. A forma\u00e7\u00e3o atual conta com Lety e Felipe nas guitarras (um sonho antigo), Hanna assumiu o baixo e Bernardo a bateria. Mais do que ter as mesmas refer\u00eancias musicais, a gente faz parte um da vida do outro. Tocar com amigos torna todo o processo mais leve e mais verdadeiro. Existe uma confian\u00e7a que vai al\u00e9m da m\u00fasica, e isso faz diferen\u00e7a tanto na cria\u00e7\u00e3o quanto nos shows. A gente sente que encontrou uma forma\u00e7\u00e3o em que todos caminham em dire\u00e7\u00f5es parecidas, mas que preservam a individualidade de cada um.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A faixa-t\u00edtulo critica padr\u00f5es, moralismo, academia, Estado e estruturas de poder. Como essa letra nasceu? Ela veio de experi\u00eancias espec\u00edficas pessoais que voc\u00eas passaram ou \u00e9 inspirada indiretamente pelo que voc\u00eas j\u00e1 tiveram contato pela cena?<\/strong><br \/>\nFelipe: \u201cExistir \u00e9 Resistir\u201d \u00e9 uma mensagem punk, apresentada em forma de poema, de palavra falada, e veio da vontade de fazer uma cr\u00edtica que fosse mais reflexiva. Ela tem a ver com a minha experi\u00eancia no universo acad\u00eamico, mas, no fundo, \u00e9 uma cr\u00edtica ao capitalismo e \u00e0s formas de opress\u00e3o que muitas vezes n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o expl\u00edcitas como a igreja, padr\u00e3o est\u00e9tico e cultural. A ideia \u00e9 falar dessas estruturas de poder de um jeito menos direto, apontando para viol\u00eancias e mecanismos do cotidiano, mas que nem sempre ficam evidentes \u00e0 primeira vista.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Girls | Ao vivo Motim\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/kS9HTgzekTE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Candy&#8221; apresenta uma admira\u00e7\u00e3o por uma personagem que me lembra a letra de \u201cRebel Girl\u201d, do Bikini Kill. Ela nasceu de uma hist\u00f3ria real ou \u00e9 mais uma brincadeira com essa linguagem do indie rock dos anos 1990?<\/strong><br \/>\nLety: \u201cCandy\u201d fala sobre o amor entre amigas e \u00e9 direcionada \u00e0s mulheres que admiramos. A gente costuma associar o amor quase sempre \u00e0s rela\u00e7\u00f5es rom\u00e2nticas e acaba deixando em segundo plano a import\u00e2ncia dos v\u00ednculos de amizade, como se eles fossem menos significativos. A m\u00fasica fala sobre esse afeto, sem hierarquizar as rela\u00e7\u00f5es. No fim das contas, s\u00e3o as nossas amigas que nos acolhem, nos fortalecem e entendem o que estamos vivendo. Candy \u00e9 uma celebra\u00e7\u00e3o desse amor, desse tes\u00e3o que n\u00e3o dever\u00edamos ter vergonha de expor para essas mulheres incr\u00edveis que est\u00e3o do nosso lado, o cuidado e a rede de apoio que constru\u00edmos umas com as outras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;On Fire&#8221; traz uma letra curt\u00edssima, mas bastante direta. Quem \u00e9 esse &#8220;Beauty Boy&#8221; e o que motivou essa composi\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nLety: Essa eu queria ter feito em portugu\u00eas. Mas como essa m\u00fasica fala do amor entre Trump e Bolsonaro, n\u00e3o consegui. Ficou em ingl\u00eas mesmo. Mas esse \u201cBeauty Boy\u201d \u00e9 o carinha loiro padr\u00e3o que est\u00e1 destruindo o planeta desde sempre e que levou a gente pro colapso ambiental. \u00c9 sobre poder, privil\u00e9gio branco e como eles brincam de destruir tudo e construir muros o tempo todo. E \u201cOn Fire\u201d \u00e9 sobre tacar fogo neles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O disco alterna letras em portugu\u00eas e ingl\u00eas. Essa escolha acontece naturalmente ou voc\u00eas pensam no idioma como parte da identidade de cada m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nTrash No Star: No in\u00edcio, a maioria das composi\u00e7\u00f5es eram em ingl\u00eas, muito por causa das nossas refer\u00eancias musicais e tamb\u00e9m porque, naquele momento, parecia mais f\u00e1cil compor assim. Mas, com o tempo, e com uma consci\u00eancia pol\u00edtica maior sobre o que est\u00e1vamos fazendo e para quem est\u00e1vamos falando, isso come\u00e7ou a perder o sentido. Hoje, compor em portugu\u00eas tem a ver com quem queremos alcan\u00e7ar e com quem queremos nos comunicar. A gente quer que as m\u00fasicas dialoguem de forma mais direta com as pessoas ao nosso redor, com a nossa realidade e com as experi\u00eancias que atravessam a nossa vida e a cena em que estamos inseridos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Trash No Star - N\u00e3o quero ouvir voc\u00ea | Clipe\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Z0lQGdyIzAQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Medo&#8221; encerra o EP de forma mais introspectiva. Foi uma escolha consciente terminar o disco olhando para dentro, depois de tantas m\u00fasicas voltadas para o mundo exterior?<\/strong><br \/>\nLety: \u201cMedo\u201d \u00e9 uma das antigas que a gente sempre quis gravar. Ela foi propositalmente colocada como um extra, no final do EP, logo depois de \u201cN\u00e3o quero ouvir voc\u00ea\u201d. \u00c9 como dar uma pr\u00e9via do que a gente tem em mente para o pr\u00f3ximo disco (mas talvez n\u00e3o, tudo pode mudar hahahaha). Essa foi inspirada no meu pai que sempre dizia \u201cah, deixa como est\u00e1\u201d quando eu entrava em p\u00e2nico por qualquer problema. \u00c9 como confiar que vai dar tudo certo porque a gente precisa deixar fluir, n\u00e3o controlar tudo. Mesmo que n\u00e3o seja do nosso jeito, as coisas v\u00e3o se encaixando\u2026 Essa \u00e9 triste demais<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Motim ocupou quase oito anos da vida de voc\u00eas e acabou influenciando diretamente o ritmo da banda. D\u00e1 a entender que voc\u00eas colocaram muito tempo e energia em fortalecer a cena independente antes mesmo de fortalecer a pr\u00f3pria carreira da banda. Foi uma escolha consciente? O que voc\u00eas aprenderam dessa experi\u00eancia?<\/strong><br \/>\nLety: Administrar a Motim impactou profundamente a vida de todas as pessoas que passaram por l\u00e1. A gente estava construindo um espa\u00e7o para o qual praticamente n\u00e3o existiam refer\u00eancias: um espa\u00e7o gerido por mulheres e pessoas LGBT+, voltado para fortalecer artistas desses mesmos grupos, sem grandes investimentos, patroc\u00ednios ou apoio de empresas. Era um processo de tentativa e erro o tempo todo. Isso consumia muito da nossa energia e do nosso tempo, mas, enquanto existiu, a Motim era uma prioridade porque acredit\u00e1vamos muito naquele projeto. Era o sonho de todas n\u00f3s. N\u00e3o foi exatamente uma decis\u00e3o planejada; foi um caminho que fomos construindo aos poucos, tentando fazer o melhor com os recursos que t\u00ednhamos. Essa experi\u00eancia tamb\u00e9m mudou completamente a nossa perspectiva. Antes, enxerg\u00e1vamos a cena apenas do ponto de vista de quem tinha uma banda. Depois, passamos a entender o que significa gerir um espa\u00e7o cultural, produzir eventos, pensar curadoria, formar p\u00fablico e lidar com todas as dificuldades que existem nos bastidores. E talvez a principal li\u00e7\u00e3o tenha sido perceber como a exclus\u00e3o de mulheres e pessoas LGBTQIAPN+ da cena n\u00e3o acontece por falta de artistas talentosas, mas porque quem ocupa os espa\u00e7os de decis\u00e3o \u2014 quem faz a curadoria, organiza festivais e distribui oportunidades \u2014 muitas vezes escolhe manter tudo como est\u00e1. A Motim nos mostrou que a desigualdade n\u00e3o \u00e9 um acaso: ela tamb\u00e9m \u00e9 produzida pelas escolhas de quem tem o poder de abrir ou fechar portas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Se algu\u00e9m nunca ouviu a Trash No Star e come\u00e7ar justamente por &#8220;Existir \u00e9 Resistir&#8221;, o que voc\u00eas esperam que essa pessoa entenda sobre a banda?<\/strong><br \/>\nTrash No Star: Saber que gostamos de distor\u00e7\u00e3o, microfonia, de experimentar coisas, de falar sobre tudo mas de um jeito n\u00e3o t\u00e3o \u00f3bvio, pra abrir possibilidades. E que d\u00e1 pra fazer mesmo com tudo indicando o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"trash no star @ heavy beer bar: existir \u00e9 resistir \/ on fire \/ eu n\u00e3o quero ouvir voc\u00ea\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/D0yXu0AYZFo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Trash No Star - I Feel Like I Don\u2019t Know What I\u2019m Doing | Second Come cover\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4Iw2ec4ZyRg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Bobagem | Trash No Star (Lyric Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/IJK5EAJnHiM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Alexandre Lopes (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/ociocretino\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">@ociocretino<\/a>) \u00e9 jornalista e assina o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ociocretino.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">www.ociocretino.blogspot.com.br<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Durante quase uma d\u00e9cada, a Trash No Star ajudou a criar as condi\u00e7\u00f5es para que a m\u00fasica independente acontecesse no RJ deixando seu pr\u00f3prio disco para depois. Agora \u00e9 a hora de &#8220;Existir \u00e9 Resistir&#8221;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/08\/13\/trash-no-star-faz-do-tempo-a-materia-prima-de-existir-e-resistir\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":101,"featured_media":97034,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7548,4833,3],"tags":[8338],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/97033"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/101"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=97033"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/97033\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":97037,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/97033\/revisions\/97037"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/97034"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=97033"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=97033"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=97033"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}